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SOPHIA: Macau simboliza o desejo de descobrir e percorrer o mundo até suas últimas distâncias”

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Foi numa viagem de avião para Macau que Sophia de Mello Breyner Andresen começou a escrever “Navegações”. Sophia esteve uma única vez em Macau, em 1977, a propósito das comemorações do Dia de Camõe…

Source: “Macau simboliza o desejo de descobrir e percorrer o mundo até suas últimas distâncias”

RECORDANDO UM texto de Teolinda Gersão

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Isabel Pereira

Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito.”O Quim está na retrete”: “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.

No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum, o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento, e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados; almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.

No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa. No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela, subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?

A professora também anda aflita. Pelo visto, no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português, que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo, o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer, dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)

Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou: a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens, ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.

E pronto, que se lixe, acabei a redacção – agora parece que se escreve redação.O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.
E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.

João Abelhudo, 8º ano, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática

Este texto é da autoria de Teolinda Gersão. Escritora, Professora Catedrática aposentada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade

Nova de Lisboa. Escreveu-o depois de ajudar os netos a estudar Português. Colocou-o no Facebook

um passe social nacional?

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Leonel Morgado shared a quote.

AFINAL TEMOS UM 2º CÉREBRO (está no intestino)

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A exceção são os políticos, neles funciona como primeiro… só têm ideias de 💩💩💩💩💩💩💩💩

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https://www.revistapazes.com/intestino-funciona-como-nosso-segundo-cerebro-aponta-estudo/
REVISTAPAZES.COM|BY REVISTA PAZES
O que foi descoberto irá revolucionar a forma que pensamos sobre a nossa saúde física e mental.

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TIMOR ONDE O LIXO REINA

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Antonio Sampaio shared a post.

2 hrs

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Konservasaun FLORA & FAUNA

12 hrs

Baleta sira iha Sidade Dili Kuanze Intupidu ho Rai no Lixu. Governu tenke gasta osan hodi rezolve problema inundasaun ne’ebé akontese iha Sidade Dili no Karik Akontse mós iha Munisipiu seluk. Problema ne’e akontese ona Desde Tinan hirak liu ba no sei kontinua akontese Bainhira ita ema seidauk iha konsensia ambiental.

biologia dos Açores Os líquenes em escoadas lávicas

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Os líquenes são dos primeiros organismos a instalar-se em escoadas lávicas. A imagem que aqui se apresenta é do Stereocaulon azoreum (espécie que foi identificada pela primeira vez nos Açores, apesar de atualmente se ter verificado existir noutras regiões) que se encontra nos sulcos das relheiras da Passagem das Bestas, na ilha Terceira.

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HENRIQUE DE SENNA FERNANDES O “rastro literário” deixado pelo “guardião da memória de Macau” | JTM

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Source: O “rastro literário” deixado pelo “guardião da memória de Macau” | JTM

 

https://jtm.com.mo/local/rastro-literario-deixado-pelo-guardiao-da-memoria-de-macau/

Etiopía: El misterio de los megalitos fálicos |

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Miles de estelas fálicas jalonan el sur de Etiopía. Una expedición científica desvela el misterio de estas construcciones de piedra levantadas hace milenios.

Source: Etiopía: El misterio de los megalitos |

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david vs golias (Empresário português acusa Huawei de lhe roubar patente

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Rui Pedro Oliveira

23 mins

Agora uma palavra pela escrita do JN, amanhã na edição de papel.

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JN.PT
Rui Pedro Oliveira acusa a Huawei de lhe roubar a patente de uma lente acoplável a um smartphone. A multinacional chinesa nega o roubo e ameaça processar o inventor português. A luta vai ser travada em tribunal nos Estados Unidos, onde o português registou as patentes da invenção.

PARA A ÉPOCA DE GELO QUE AÍ VEM

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The capabilities of SHERP 🚔💪

Credit: SHERP ATV –YouTube.com/channel/UCTNysFN4Vg0i_XmvQCnMfWA

-2:21

627

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA apresentam queixa e depois morrem….

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Falhas e mais falhas. São muitas falhas. Demasiadas.

em Timor não fabricam estradas mas crateras…

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E uma vergonha1

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Chico E Zinha Baptista shared a post to the group: Timor-Leste Friends.

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Só mais uma !Esta é de Suai !!!

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Fretilin iha Parlamento Nacional is at Suai-Beaco Highway Road Project.

14 hrs

Membru Komisaun E iha Parlamentu Nasionál husi Bankada FRETILIN, Rep. Oliveira Fabiao, halo fiskalizasaun ba “jalant toll” iha Suai.

Seksaun ida ne’e hetan estragus maka’as durante udan boot iha semana hirak liu ba. Estrada ida ne’e rasik, ne’ebé halo ho kustu por volta de $10 miloins kada kilómetru, foin hetan inaugurasaun iha fulan Novembru tinan kotuk.

Buat sira hanesan ne’e bele akontese, ida ne’e laiha dúvida. Udan boot bele halo rai halai, estraga estrada, no provoka estragu barak tan. Maibé oinsá mak ita, liuliu ita-nia Governante sira, bele toma kuidadu aas liu tan atu prevene ka minimiza estragus sira ne’e? Ida ne’e mak ita nia dezafiu.

Ba projetu boot sira hanesan ne’e, normálmente presiza estudu ida kle’an atu koñese loloos kondisaun jeolójika, klimátika, sósio-kulturál, no fatór seluk tan, ne’ebé bele afeta infrastrutura ida hanesan estrada nia kualidade no durabilidade.

Tmor-Leste, nasaun ida ho rekursu finanseiru ne’ebé limitadu tebes, laiha espasu barak atu komete erru. Kada erru ita komete signifika osan, ne’ebé tenke lakon tan; osan ne’ebé ita bele uza ba buat importante sira seluk hanesan edukasaun ho saúde.

Tan ne’e ita tenke investiga didi’ak, tansá estrada ida ne’ebé ita halo ho kustu ida aas, bele monu lalais de’it. Ita presiza identifika frakeza iha sistema ho prosesu hotu-htou ne’ebé ita uza hodi rezulta iha projetu ho kualidade ida hansan ne’e.

Se estrada ida ke tuir loloos halo ho kualidade aas mak la bele tahan to’o tinan ida, sá tan ho estrada sira seluk? (Hanesan foin horisehik, estrada ba Ainaro, iha parte Aituto nian, komesa halai tanba udan).

Sa ida tan mak ita bele aprende husi dezastre ida ne’e hodi bele prevene iha futuru? Oinsá ita bele hasa’e liu tan kualidade no durabilidade ba estrada sira seluk ne’ebé ita sei konstroi iha futuru?

Mai ita hanoin hamutuk!