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A CHAMADA QUE A CIA DE SEGUROS RECUSOU

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SOLIDARIEDADE HUMANA ONDE ANDA?

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Tiago Salazar · “Crónica da Selva”, Obras completas VI

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Obras completas VI
“Crónica da Selva”, uma colectânea com 20 crónicas resultantes de meses a calcorrear terras de Vera Cruz, é o mais recente livro do viajante Tiago Salazar.
Com a chancela das Edições A23 e ilustrações inéditas de Luís Christello, esta é a sexta obra publicada por Tiago Salazar e resulta “de encontros do acaso, das coisas que acontecem quando nos entregamos ao princípio de que são os países e os lugares que nos atravessam (e não o contrário)”, segundo as palavras do próprio.
O livro, que conta com prefácio do escritor brasileiro Eric Nepumoceno, resulta de uma viagem de cinco meses, ente Agosto e Dezembro de 2011, onde Tiago atravessou 12 estados brasileiros para recolher material destinado à produção do programa Endereço Desconhecido, mais tarde transmitido no canal 2 da RTP.
Longe de ser um livro qualquer, este “Crónica da Selva” apresenta-nos personagens caricatas e transmite-nos as emoções e vivencias do próprio autor. É um excelente exemplo do bom que é sermos surpreendidos por belas revelações; do emocionante que é, para todos aqueles que amam esta arte de andarilhar, fitar os olhos nestas linhas e sentir o coração palpitar, talvez com vontade em abraçar a alma. “Crónica da Selva” é um livro coerente com o estilo literário que Tiago Salazar há muito nos habituou e que, talvez como ninguém, só ele sabe produzir.
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Inês Patrício

Vou passar umas horas a ver se consigo encomendar na internet. Assim não dá! Só tenho dois livros teus. Quero os outros 200
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ARTESANATO EM RESINA

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“GreenIsland”, artesanato em resina por Beatriz Mota
Nova marca de artesanato de jovem ribeiragrandense com peças pessoais e únicas tem chegado às outras ilhas
Como surgiu o artesanato na sua vida? E os trabalhos em resina, mais concretamente?
Beatriz Mota (artesã) – O artesanato surgiu da necessidade de ocupar o meu tempo enquanto estava desempregada. Em específico, o artesanato em resina foi algo que sempre me fascinou e que já pesquisava e seguia há algum tempo. Por isso, quando fiquei desempregada, achei que era o momento ideal para investir neste sonho, até porque era um tipo de artesanato que não estava a ser muito feito aqui nos Açores.
O projecto “GreenIsland” começou em Março deste ano? Como surgiu a ideia de começar esta marca?
O projecto “GreenIsland” foi lançado ao público em Março de 2023, mas foi em Novembro de 2022 que comecei a comprar todo o material necessário e a fazer as minhas primeiras experiências em resina. Demorei cerca de quatro meses até me sentir à vontade para trabalhar com a resina e para ter a certeza que entregaria um produto de qualidade aos meus clientes.
O nome “GreenIsland” surge do facto das ilhas dos Açores, para além das suas denominações oficiais, serem identificadas com base nalgumas características da Natureza. Ou seja, como a ilha de São Miguel, de onde sou natural e onde nasce este projecto, é conhecida como a Ilha Verde, pelos vastos pastos e matas verdes, decidi que “GreenIsland” era o nome ideal para a minha marca.
Com que tipos de produtos conta a “GreenIsland”?
Neste momento, tenho-me dedicado a peças mais pequenas, como porta-chaves, imãs e canetas personalizadas, mas tenho muitos outros produtos disponíveis, até porque a parte boa da resina é que as possibilidades de fazer algo único e personalizado são infinitas.
Não me baseio a fazer aquilo que eu imagino ou que gosto, faço também peças que são os próprios clientes que sugerem todos os pormenores conforme aquilo que pretendem e desejam. Por isso é que costumo dizer que eu torno os sonhos dos meus clientes realidade.
Como é o processo de trabalhar com resina?
O processo de trabalhar com resina não é de todo fácil. Há que ter alguns cuidados como usar luvas e máscara durante o processo de produção enquanto a resina está sob forma líquida. As peças são feitas utilizando moldes de silicone, para que a resina possa secar e ganhar as formas que eu pretendo.
A partir daqui inicia-se o processo de criatividade: utilizo corantes para colorir a resina, glitters e outras decorações. Há trabalhos que coloco fotografias dos clientes dentro da peça em resina e até já tive peças onde eternizei pêlos ou unhas de animais para ficarem preservados dentro da resina e não se degradarem.
Depois de a resina estar no molde com todas as decorações, coloco os moldes com a resina numa estufa que fizemos em casa, onde a temperatura e a humidade são controladas, para que as peças de resina curem durante aproximadamente sete dias até ficarem totalmente rígidas.
A estufa não é algo obrigatório, mas numa fase inicial do projecto tive muitos problemas de cura da resina devido à humidade elevada dos Açores, por isso foi a solução que encontrei. Quando as peças estão rígidas, fica a faltar terminar os acabamentos, como colocar as argolas se for um porta-chaves, ou o fio se for um colar. Depois é só empacotar e entregar. Entregar as peças é sem dúvida a melhor parte do processo, pois é aí que o cliente vê a sua ideia ganhar forma e dá o seu feedback do meu trabalho.
Qual a sua inspiração e cunho pessoal?
Posso dizer que a minha ilha e o mar são algumas das minhas inspirações. Mas as pessoas que me apoiaram a iniciar este projecto e me apoiam a ter força para continuar são a minha maior inspiração.
O meu cunho pessoal é tentar trazer para o meu trabalho pormenores relacionados com as ilhas, como usar lapas, areia preta, entre outros.
Como tem sido a adesão do público? Já enviou para fora?
A adesão do público tem sido muito boa, apesar de ainda não ter vendido para Portugal continental nem para outros países, tenho vendido muito para as ilhas, o que é bom porque sinto que o meu trabalho está a ser reconhecido aqui.
O que as pessoas mais encomendam, em termos de artigos personalizados?
As pessoas encomendam muito as peças com fotografias pois são peças muito pessoais e únicas.
Que artigos têm mais saída?
Nos últimos tempos, os artigos com mais saída foram as canetas personalizadas com os nomes ou frases, as peças com fotografias e os crachás-alfinete com os nomes.
Funciona por encomenda, mas há alguma loja física onde podemos encontrar as peças?
Quem quiser adquirir alguma peça, a encomenda é feita através das nossas redes sociais (Instagram e Facebook). Neste momento, temos algumas peças disponíveis no Mercadinho de Verão do Posto de Turismo do Nordeste. Mas o passo seguinte é tentar falar com outras lojas para as pessoas possam ver cada vez mais as peças da “GreenIsland” expostas.
O que significa a “GreenIsland” para a Beatriz?
A “GreenIsland” significa muito para mim, ajudou-me a ultrapassar a fase em que tive desempregada sem deixar que desanimasse e continua a ser um escape de todos os problemas do dia-a-dia. Enquanto estou a produzir não penso em mais nada. Dedico muito do meu tempo, carinho e dedicação a este projecto e a cada peça que produzo, por isso, cada peça que faço é especial e leva um pouco de mim.
Tens planos futuros para o projecto?
Tenho alguns planos que ainda estão a ser estudados. Um deles envolve a mistura do trabalho em resina com outros tipos de materiais como a madeira, por exemplo.
Mariana Rovoredo
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sex, drugs, and rock-‘n’-roll

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Mick Jagger is 80. Mitch McConnell is 81. The benefits of a life of sex, drugs, and rock-‘n’-roll should not be ignored. 😁
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a ingratidão de um jornalista – Pau Para Toda a Obra

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CÉREBRO LUSO

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Aos saltos no sofá

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Às vezes vejo o meu filho abrir os braços na minha direcção, quezilando ao de leve no colo da mãe, e quase bato palmas. Não que haja rivalidade entre nós…

Source: Aos saltos no sofá

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A NOVA GERAÇÃO A APRENDER CRISTÓVAO DE AGUIAR

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(Uma moeda a quem chegue com a leitura até ao fim do artigo. É extenso, eu sei.)
RAIZ COMOVIDA, UM TRATADO DE LINGUAGEM; UM RETRATO ANTROPOLÓGICO
Fruto da curiosidade, assim como de avisadas sugestões que foram chegando, encetei, recentemente, a leitura de «Raiz Comovida», o I primeiro volume da obra completa de Cristóvão de Aguiar, uma trilogia romanesca que engloba as obras «A Semente e a Seiva», «Vindima de Fogo» e «O Fruto e o Sonho».
Tendo sido Cristóvão de Aguiar “um dos principais responsáveis pela afirmação cultural dos Açores após o 25 de Abril”, como bem afirmou Mário Mesquita, é muito provável que me chegue a censura pelo atraso com que enceto a leitura desta obra de referência da literatura açoriana, ou, pelo menos, que me surjam conselhos sobre como priorizar as minhas opções literárias. Num assumido e até um pouco envergonhado “mea culpa”, responderei, sem quaisquer constrangimentos, que terão toda a razão, estivesse eu mais atento, não me teria escapado a sentença de João de Melo, notável escritor açoriano, que se referiu a este texto como “uma experiência linguística sem precedentes”, motivo mais do que suficiente para lhe lançar um cuidado olhar.
Não obstante, por saber tratar-se de uma leitura de relevo e, por isso, antecipá-la demorada, marcada, muitas vezes, por idiossincrasias linguísticas e outras dificuldades lexicais, como um linguajar popular ilhéu, bem arredado dos cânones escolarizados e urbanos tradicionais (não raras vezes há de o leitor valer-se do Glossário que encerra a obra), optei, primeiramente, por ler outras obras do autor, destacando-se o «Braço Tatuado» (Publicações Dom Quixote) almejando, dessa forma, a entrada no universo literário do autor, antes de me aventurar neste Raiz Comovida. Tolice minha, confesso! Não me custa adiantar que não haverá o que nos prepare para a leitura deste livro: um verdadeiro tratado da linguagem, revestido por um brilhantismo literário como há muito não lia.
Há neste volume uma verdadeira homenagem, para além de um retrato fiel, a todo aquele mundo rural e açórico de que já poucos terão memória, e refiro-me não apenas à riqueza do linguajar popular das gentes rurais micaelenses, onde o erudito não tinha lugar, mas também, e sobretudo, às imagens sociológica, económica, religiosa, que aqui nos são dadas a conhecer, e que versam temas quotidianos tão díspares como a importância da matança do porco para a economia familiar, as sempre muito curiosas e por vezes bem acesas disputas entre associações musicais vizinhas, os diversos rituais religiosos, muitas vezes esvaziados de Fé, mas sempre vividos com grande fulgor social, não olvidando as curiosas peripécias ocorridas quer em momentos sacros quer em profanos, os namoricos, sejam os permitidos e à janela, sejam aqueles ocultados pela tenacidade de um amor proibido, mas aqui também se alude à emigração, às idas para a América das oportunidades, as que seguiam os trâmites legais, mas também as outras, as fugas “embarcadas de calhau”, a homossexualidade e tantos outros. No fundo, retrata-se a dureza (e por que não dizer miséria?) da jorna, uma constante nos mais diversos meios de subsistência que a ilha tinha à disposição, oferecendo em troca nada mais do que a mísera “côdea de pão”, que, dividida pelos que se sentavam à mesa, mal dava para matar a fome.
Cristóvão de Aguiar oferece-nos, então, um quadro antropológico centrado na ruralidade ilhoa “isolada e empobrecida”, e que se espraia pelas primeiras décadas da segunda metade do século XX, desenhando uns Açores idos, mas cuja história convém conhecer, pelo que, em boa hora, a Edições Afrontamento eternizou, por ocasião dos cinquenta anos de vida literário do autor, toda a sua obra em diversos volumes.
Quando se fala de Cristóvão de Aguiar torna-se frequente a referência a sua forma complexa de ser e de se relacionar com os outros, menção compensada, de imediato, pelos rasgados elogios à qualidade da sua escrita. Miguel Real (conceituado crítico literário), por exemplo, assume dificuldade para discernir qual das obras literárias pode ser considerada a mais importante obra romanesca açoriana pós-25 de Abril de 1974, se a trilogia de «Raiz Comovida», se o volume singular de «Gente Feliz Com Lágrimas», do virtuoso escritor João de Melo, sendo que não alcançando resposta que o satisfaça, assume que “são duas obras que enfileiram na galeria dos grandes romances da história literária portuguesa do século XX.”
Conquanto não possa invocar as “razões afetivas” que outros moveram até ao apelo à leitura, posso, todavia, concordar com esses quando o adjetivam de “magistral” e o classificam como uma “referência inestimável”, porque, em boa verdade, é disso mesmo que falamos.
Cristóvão de Aguiar nasceu no Pico da Pedra, na ilha de São Miguel, onde iniciou a sua formação académica, tendo depois ingressado na Universidade de Coimbra, onde frequentou o Curso de Filologia Germânica, interrompido pela mobilização para a Guerra Colonial, tendo prestado serviço na Guiné. Finda essa campanha militar, regressa a Coimbra, terminando os seus estudos e encetando um período profícuo em termos literários e profissionais. Ao longo dos anos, ganhou diversos prémios, tendo sido agraciado com o grau de comendador da Ordem do Infante Dom Henrique, pelo então Senhor Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio.
Sobre este autor, escreveu Luis Fagundes Duarte: “[…] o escritor que até hoje melhor conseguiu seguir os rastos daquela esteira de pó, desenhada pelos mortos e outras ausências, que define o percurso da tradição cultural que nos identifica como membros de uma comunidade – a comunidade açoriana.”
Atrevo-me a deixar um estímulo à leitura, na esperança de que outros se possam sentir impelidos a ler esta maravilha da literatura açoriana.
“24 – Namoros de Janela Baixa
No tocante às raparigas casadoiras, era demais tamanha aperreação; pareciam freiras arrochadas no convento da casa; tudo quanto passa das marcas não dá muito certo; já lá diziam os antigos, com alguma razão, quem muito aperta, pouco arrocha; aperreadas dentro de quatro paredes durante dia e noite, só tinham licença de aparecer um nico à janela nas tardes pasmadas dos domingos e dias santos e, mesmo assim, nada de rédea solta, que as coriscas das mães eram umas cegonas, sempre de olho arregalado e nariz empinado, a farejar se havia mouro na costa, não fosse algum mais manhoso comer-lhe a filha de longe com olhares cobiçosos ou dar-lhe umas palavrinhas de boca pequena; mas a Divina Providência não se deixa dormir, e não há pior semente do que a da língua; o Ti Clemente Bufão tinha duas filhas gémeas, duas belas fêmeas, e o pai “gavava-se” de que não havia nenhum “fideputa” que se consolasse de as namorar e desfrutar, isto porque de uma vez bispou um fralda cagada qualquer rondando-lhe a casa, e o rapaz não era nenhuma peste, mas o Ti Clemente achava lá na sua que nenhuma das filhas regia para ele; vai daí, ao chegar ao fundamento de que o rapaz andava mesmo arrastando a asa lá pelas suas bandas, pregou as janelas da frente, e nenhuma das raparigas se podia chegar a elas; com as janelas pregadas a sete pregos, o Ti Clemente julgava que não podia haver mais dúvidas quanto a malícias de olhos ou falas de boca pequena entre eles; enganou-se redondamente; nunca mais houve, na verdade, a mais pequenina pitada de olhares trocados nem arreganho meiguiceiro de dentes; estava o Ti Clemente mui descansado e satisfeito com o seu tèsto proceder, quando, um belo dia, a mulher lhe veio dar a saber que ambas as filhas estavam cheias como vacas quase a parir; e mais, estavam pejadas do mesmo candeeiro de folheta, “inté” se dizia, por pilhéria, que uma delas estava de barriga do Divino Espírito Santo e o certo é que um dos “chinchins” ficou mesmo com o apelido de Menino Jesus; o Ti Clemente não queria acreditar no que ouvia à mulher e subiu aos arames da ruindade; ficou de cabeça desarrematada, queria à fina força pôr uma demanda em tribunal, mas, vendo que pouco ou nada amanhava, a não ser consumição e falatório ainda mais grande, pois o rapaz devia casamento às duas e só com uma se podia casar; com o desgosto, pegou o Ti Clemente em si e embarcou para a terra da América; uma das gémeas casou mais tarde com o rapaz que a tinha enganado, os pequenos tratavam-se por irmãos, chegando a zoar pela freguesia que aquilo era uma noite com uma e outra com a outra, o jogo da vez e outra, como no do pião – uma grande escândula que aconteceu na freguesia e neste ponto dou razão aos antigos quando diziam que quem muito aperta, pouco arrocha; se as raparigas tinham derriço que principiava nas festas do Divino ou nas da Senhora da Boa Viagem, penavam os olhos da cara para darem dois dedos de conversa com o noivo, que andava numa arredouça, para baixo e para cima, ou, “intance”, se as pernas pediam descanso, ia servindo de espeque a alguma parede ali ao pé, na mira de uma ocasião mais coisa e tal para despejar a saquinha dos sentimentos; as mais das vezes, era trabalho botado ao vento, e o rapaz ficava mais brabo que o mar das Calhetas, quando, por riba, lhe sopra o mata-vacas e não havia outro remédio senão esperar com paciência pelo Domingo que vinha […].” (págs. 129, 130)
A terminar, e porque já longa vai a prosa, talvez não fosse descabido, um olhar um pouco mais acutilante por parte da Secretaria Regional da Educação e dos Assuntos Culturais sobre estas pessoas que, através do seu trabalho, reconhecido virtuosismo e talento, para além de um assinalável comprometimento que já vem de longe, souberam eternizar cabalmente o que é isto de se ser açoriano. Nesse sentido, parece-nos imperioso, que sejamos um pouco mais arrojados, e sobretudo mais ecléticos, e tenhamos a coragem de conceder atenção à literatura de qualidade, atempando esse reconhecimento, para que possa ser celebrado condignamente: Não nos causaria quaisquer pruridos ver o nome de Daniel de Sá como patrono da EBI da Maia, assim como o de Cristóvão de Aguiar na da Ribeira Grande ou de João de Melo na do Nordeste, como aliás já acontece em outras unidades orgânicas de região. Entre outros, Dias de Melo e Vasco Pereira da Costa merecem, há muito, uma reedição dos seus belíssimos contos, sob pena de caírem no olvido coletivo; Pedro da Silveira, Emanuel Félix e Marcolino Candeias são relembrados quase exclusivamente pela iniciativa privada, e que atingem um público muito reduzido. Relembro, ainda, Fernando Aires, o expoente mais cintilante da diarística nos Açores e um dos melhores do país, e não tenho conhecimento de quaisquer iniciativas governamentais, no sentido de eternizar a obra e relembrar o homem. Houve o descerrar de uma placa em sua residência, mas a cargo da família e, apenas mais tarde, uma outra da responsabilidade da autarquia. Embora abra espaço a informação que me possa ter escapado, não obstante as diligências tomadas, parece-me francamente pouco, para retribuir o tanto que o autor nos deixou. Não haverá, nas nossas escolas, leitores interessados em ler os seus diferentes diários? Que se dissemine a obra. E os virtuosos Urbano Bettencourt ou Emanuel Jorge Botelho, em que têm contribuído os responsáveis governativos no sentido de prestar o justo tributo, ou, pelo menos, legitimamente reconhecer os tão profícuos trabalhos que têm desenvolvido ao longo de décadas, seja resgatando do esquecimento nomes que merecem um pouco mais de atenção, seja pela proficiente obra que ambos têm vindo a desenvolver.
Há aqueles que, não residindo em território arquipelágico, muito se têm batido pelos Açores e pelas suas gentes, seja no Continente, seja na Diáspora, carregando muito da nossa terra até aos novos mundos, dando a conhecer, ensinando, incorporando os Açores e as vivências açorianas na mundividência alargada que se exige aos novos habitantes destes novos mundos.
Eu corroboro aquela máxima que garante que a génese de um povo reside na sua cultura, pelo que descredibilizá-la será, em última instância, desvirtuar toda a história desse povo, lançando-o a um deus-dará cultural, e substancialmente pernicioso. Estou certo de que não será a pretensão deste elenco governativo, que já mostrou bastas vezes ser capaz de tratar a Cultura com o cuidado que se impõe, por isso, é da mais inteira justeza olhar para estas pessoas e para o seu trabalho, procurando dignificar umas e outro, conforme é seu legítimo merecimento, pelo tanto que nos têm dado.
Cristóvão de Aguiar, «Raiz Comovida», Edições Afrontamento, 2015
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