CRÓNICA 495. 1º DE MAIO 1.5.2023

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CRÓNICA 495. 1º DE MAIO 1.5.2023

 

No primeiro dia de Maio as portas ou janelas de muitas casas ostentam, pelo menos, um pequeno ramo de giesta. É uma antiga tradição, cujas origens, de reminiscências pagãs, que se liga aos ritos de fertilidade, do início da Primavera e do novo ano agrícola, como ainda ao afastamento do mau-olhado e das bruxas para a casa. A minha mãe (1923-2021) sempre manteve essa tradição, e recordo estar já no liceu e ir pressuroso, de véspera, entalar as maias nas janelas do apartamento no 1º andar onde vivíamos.

Dizem os noticiários que é dia 1 de maio – importante data que celebra o dia do trabalhador nalguns países. O Dia do Trabalhador, Dia do Trabalho ou Dia Internacional dos Trabalhadores é uma festa internacional cuja origem é a campanha dos trabalhadores pela redução do tempo de trabalho a uma jornada de oito horas, no fim do século XIX. É celebrado anualmente no dia 1º de maio em quase todos os países do mundo.

No período entre guerras, a duração máxima da jornada de trabalho foi afinal fixada em oito horas na maior parte dos países industrializados. Por essa razão, o Primeiro de Maio tornou-se um dia de celebração dos trabalhadores e trabalhadoras em quase todo o mundo, tornando-se também uma data de importantes manifestações do movimento operário.

Em Portugal, só a partir de maio de 1974, após a Revolução dos Cravos, é que se voltou a comemorar livremente o Primeiro de Maio, e este passou a ser feriado. Durante a ditadura do Estado Novo, a comemoração era reprimida pela polícia.

O Dia Mundial dos Trabalhadores é comemorado, com manifestações, comícios e festas de caráter reivindicativo, promovidos pela central sindical CGTP-IN (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses, Intersindical), assim como pela UGT (União Geral dos Trabalhadores).

Aqui na costa norte da ilha de São Miguel Arcanjo, Açores, pelas oito horas da manhã já os padeiros distribuíam pão, os vaqueiros há várias horas que estavam na ordenha das vacas. Pelas 8 e meia chegou o homem que me roça o quintal cheio de ervas. Pelas 9 horas , o minimercado estava aberto (só fecha em feriados que são dias santos), e todo o pessoal trabalhador continuava na labuta como se de um dia normal se tratasse. Noutros anos, se não tivéssemos recusado, até a empregada doméstica teria vindo trabalhar.

Contei isto apenas para dizer que há coisas nesta aldeia (senhor, por favor chame-lhe freguesia) que me fazem lembrar Trás-os-Montes no mais retrógrado dos anos 1950 a 1970. Seria de esperar 49 anos depois do golpe de abril 1974 (a dita revolução dos cravos) que algo tivesse evoluído, até porque a empregada doméstica e amigas usam o Facebook e outras tecnologias no seu smartphone última geração.

Mas pelo que vi, neste dia sagrado para os que trabalham, este feriado de nada serve.

 

Há anos que na vizinha Maia, um pouco mais evoluída, fazem desfiles da velha tradição dos “maios” em homenagem à sua fundadora Inês da Maia.

Os “Maios” são figuras tipo espantalho que representam pessoas, em tamanho natural, vestidos com trajes rurais, mas também urbanos, surgindo em grupo ou isoladamente e representando cenas do quotidiano, sendo colocados nas portas e janelas das habitações, bem como em espaços públicos, como jardins, e em instituições diversas. Cada vez mais os “Maios” são usados para a sátira social e política através de cartazes colocados junto das figuras, tendo a tradição, segundo os historiadores, origem em antigos ritos e cultos agrários, visando assinalar o final do inverno e a chegada da primavera.

Chrys Chrystello, Jornalista, Membro Honorário Vitalício [Australian Journalists’ Association – MEEA]nº 297713 drchryschrystello@journalist.com,

Diário dos Açores (desde 2018)/ Diário de Trás-os-Montes (2005)/ Tribuna das Ilhas (2019)/ Jornal LusoPress, Québec, Canadá (2020)/ Jornal do Pico (2021)

 

Primeira auto-estrada de Timor-Leste apoia desenvolvimento económico – Portal para a Cooperação na Área Económica, Comercial e de Recursos Humanos entre a China e os Países de língua Portuguesa

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o Portal para a Cooperação na Área Económica, Comercial e de Recursos Humanos entre a China e os Países de língua Portuguesa, doravante designado por “Portal”, foi inaugurado oficialmente no dia 1 de Abril de 2015, fornecendo Banco De Dados De Produtos De Países De língua Portuguesa, notícias de convenções e exposições da China e dos Países de Língua Portuguesa, fornecedores de serviços profissionais, talentos bilingues chinês-português, conferência e exposição, os projectos de investimento da China e dos Países de Língua Portuguesa, a par de Informação Económica e Comercial, guias de investimento, legislação e regulamentos e pesquisas cooperativas o que propicia a construção de uma plataforma online para a cooperação e intercâmbio entre a China e os Países de Língua Portuguesa nas áreas de economia e comércio.

Source: Primeira auto-estrada de Timor-Leste apoia desenvolvimento económico – Portal para a Cooperação na Área Económica, Comercial e de Recursos Humanos entre a China e os Países de língua Portuguesa

pelé do disparate

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May be an image of 1 person, beard, smiling and glasses

O PELÉ DO DISPARATE NA LEXICOGRAFIA
A palavra do momento é ‘pelé’ recentemente incorporada ao léxico do dicionário Michaelis. Muitos gostaram e até comemoraram a nova unidade léxica do dicionário, mas alguns gramáticos já torceram o nariz e identificaram incongruências. Teve quem não concordasse com a “homenagem”. Eu vou além: o problema não está na palavra ou em Pelé, mas na forma como a ação foi feita; acredito que esse seja um bom motivo para nos preocuparmos quanto ao mau uso que os dicionários podem fazer de seu poder influenciador.
Vamos à análise.
O amigo Fernando Pestana, autor de livros de Gramática e colunista desta página, entende que não há motivo para ‘pelé’ ter sido apresentado como adjetivo. Alguém consegue imaginar uma frase já usada por aí em que ‘pelé’ tivesse funcionado como adjetivo? “Essa nadadora é pelé; um cozinheiro pelé.” Seria isso? Esquisito… Alguém fala assim?
Usar ‘Pelé’ como uma metáfora para ‘extraordinário; de alta qualidade’ é algo comum. O analgésico Mirador, por exemplo, já usou o ‘slogan’ “Mirador, o Pelé dos comprimidos” numa comercial de 2009. Chico Buarque e Roberto Carlos já foram chamados de ‘Pelé da Música’; Jorge Amado, o ‘Pelé da Literatura’; Washington Olivetto, o Pelé da Propaganda.
Até dentro do futebol a comparação rolou solta. Zico já foi chamado de ‘Pelé branco’ pela mídia internacional. Leônidas era o ‘Pelé dos anos 30’. O jogador português Eusébio não gostava que os jornais o tratassem por ‘o Pelé da Europa’; ele retrucava: “Por que não dizem que Pelé é o Eusébio do Brasil?”.
Até aqui, os casos apresentados não passam de metáforas – a designação da qualidade de um objetivo pela comparação implícita a outro objeto, mais conhecido. Para tanto, então, ‘Pelé’ precisa ter inicial maiúscula. Para ficar com minúscula, o processo linguístico é outro.
A passagem de um substantivo próprio (inicial maiúscula) a substantivo comum (inicial minúscula) é conhecida pelos gramáticos como ‘derivação imprópria’. É o que aconteceu, por exemplo, com a marca Gillete que se transformou em gilete, como sinônimo de ‘lâmina de barbear descartável’; Cotonete → cotonete; Xerox → xerox; Judas → judas; Caxias → caxias.
Isso bem poderia ter acontecido a ‘Pelé’. A grande dúvida sobre esse ocorrido está num dos quesitos mais importantes para que uma palavra apareça num dicionário (critério de lexicalização): a frequência do uso pelos falantes. Palavras e expressões pouco empregadas (por serem obsoletas ou neologismos recentes ou limitadas a um pequeno grupo de pessoas) não costumam figurar o léxico dos dicionários.
Então, surge-nos a questão: o quão frequente foi ‘pelé’ (com inicial minúscula) nos textos em Português para que participasse do léxico dum dicionário? Numa rápida pesquisa no Google, não encontrei ‘pelé’ (no sentido de ‘excepcional, incomparável’) em nenhum resultado com a sequência “o pelé da/do”. Apenas com inicial maiúscula, o que denota a metáfora, não a derivação imprópria. Com “a pelé da/do”, no feminino, nem metáfora.
A falta de familiaridade com a palavra ‘pelé’ fez com que alguns cogitassem: um dicionário pode emplacar uma palavra pouco usada? Um dicionário pode ‘prestar homenagem’ lexicalizando um novo termo?
Segundo o jornal ‘Folha de S. Paulo’, houve uma campanha iniciada pela ‘Pelé Foundation’ que conseguiu um abaixo-assinado com 125 mil assinaturas. A agência ‘End to End’ desenvolveu a campanha e o chefe de márquetim Bruno Brum comemorou: “Perceber um jargão que já estava no cotidiano das pessoas e através da oficialização dele prestar essa homenagem é uma celebração incrível.”
Não mesmo. Primeiro, o termo ‘pelé’, como substantivo comum (portanto, com inicial minúscula) nunca esteve no cotidiano brasileiro. Segundo, quem oficializa palavras em nossa língua, em tese, é o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) publicado pela Academia Brasileira de Letras. O verbete ‘pelé’ não consta em nenhum outro dicionário além do Michaelis.
Minha preocupação aqui, meus amigos, se dá pela arbitrariedade do referido dicionário em incluir uma palavra em sua composição lexical baseada numa campanha e/ou num abaixo-assinado, desconsiderando a frequência do uso do terno pela população. Se for assim, qualquer figura pública pode contar com um fã-clube que pressione algum dicionário a incluir o nome do ídolo como ‘nova palavra’. Se isso for para área da Política, nem quero imaginar as consequências.
No mais, quem tem o poder de atribuir a Pelé como “o maior atleta de todos os tempos”?! “O maior atleta”? Ganhando de todos os atletas de todos os esportes de todo o mundo? Eu, por exemplo, sou bem mais o Ayrton Senna, do Automobilismo, e o Oscar Schmidt, do basquete. Cristiano Ronaldo e Messi fizeram bem mais gols que Pelé em jogos oficiais. Outros jogadores foram igualmente importantes.
Melhor considerando as categorias masculino e feminino? Em Copas do Mundo, Marta fez mais gols que Pelé.
O valor da qualidade de alguém é algo subjetivo demais para que um único dicionário assuma a autoridade para decidir quem é o melhor. Eu reconheço que Pelé foi um ícone brasileiro, um esportista ímpar, mas até para ele há de se ter ponderação. No mais, espero que a lexicalização de ‘pelé’ no Michaelis não funcione como precedente para outros personagens públicos; que os dicionários prossigam como ‘espelhos da sociedade’ sem ceder a pressões públicas ou à vaidade dos holofotes.
_________________
RAFAEL RIGOLON
Professor de Ensino de Ciências na UFV. Publica no Facebook e no Instagram pelo perfil @nomescientificos.

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  • Eduardo Rado

    “Por que não dizem que Pelé é o Eusébio do Brasil?” – Por motivos mais do que óbvios…
    (Ia comentar outras coisas, mas tive que ficar só nessa frase aí… 😅)

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NOVO LIVRO SOBRE EDUCAÇÃO

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“Aprender português língua de acolhimento em contexto não formal: imigrantes e refugiados em Portugal”, Revista Lusófona de Educação, 58, pp. 31-49
doi 10.2410
de Joana Pinho & Maria Helena Ançã (2022)
publicado a 24 ade abril de 2023
Maria Helena Ançã (Universidade de Aveiro/ Centro de Investigação e Tecnologia Didática)
Podcast aqui: https://upotv.upo.es/video/643fb837abe

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URBANO BETTENCOURT Exercício de socorro a náufragos

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Exercício de socorro a náufragos (tranquilos ou não) depois de falhar a respiração boca a boca
(deve recitar-se ao ouvido das vítimas, tendo o cuidado prévio de confirmar a ausência de um microfone na Trompa de Eustáquio)
Creio
na vinda do Grande Sismo com epicentro no coração
das violas da terra e do mar
que dê um estremeção à Casa Fechada
e estilhace as vidraças por onde passem
os pássaros e as correntes frias do norte.
Creio
num Vulcão a custos controlados em fim de século
que me coroe de línguas metamórficas
E creio
que as correntes metafóricas do basalto
e brumas se afundarão no rumor das águas,
Creio
que a ilha em frente há-de passar para trás
sem marear os verdes da paisagem
E creio
que isso não chateará Raul Brandão
nem afectará as receitas do turismo,
Creio
e espero que a Burra Preta se deixe de lágrimas
e dê um coice na figueira onde meu avô
continua dependurado pelo pescoço
E espero
que Miguel, o Anjo e serviço, nos sirva
o Triunfo dos Porcos em edição de bolso e subsidiada
E espero
que a porca de Bordalo não resista à tentação
do planeamento familiar,
Espero
que os buracos no ozono nos deixem antever
o destino para lá dos astros e das cartas
e nos mostrem
a morte em suas vestes íntimas
E espero
que a calota polar se comova
até às lágrimas e nos alague os passos
outrora secos,
E espero
finalmente
que o corvo e a pomba venham anunciar
a primeira folha de figueira e o fim
da Gande Seca Universal.
Urbano Bettencourt. “Os paraísos superficiais”. Com Navalhas e Navios. Companhia das Ilhas. 2019

Bolieiro defende subvenção pública que aposte na valorização dos jornalistas – Jornal Açores 9

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O presidente do Governo dos Açores defendeu hoje que um sistema público de subvenção à comunicação social se deve focar na formação profissional, no combate à precariedade laboral e na melhoria dos rendimentos dos jornalistas. “Um sistema público de subvenção deve ter como prioridade focar na formação profissional, na eliminação progressiva da precariedade do vínculo […]

Source: Bolieiro defende subvenção pública que aposte na valorização dos jornalistas – Jornal Açores 9

oito anos depois adjudicada obra Lombinha Maia

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CÂMARA DA RIBEIRA GRANDE ADJUDICA OBRAS NO CAMINHO MAIA-LOMBINHA
Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, assinou esta manhã o auto de consignação da obra de requalificação do caminho Maia-Lombinha, no montante de 1.862.048,43 euros.
A cerimónia decorreu na sede da junta de freguesia da Maia e contou com as presenças de Susana Ferreira, presidente daquela junta, e de Orlando Casanova, representante da empresa AR Casanova, vencedora do concurso público daquela empreitada.
Os trabalhos consistirão no alargamento da via, nomeadamente com a construção de um passeio de 1,20 metros no lado norte; faixa de rodagem com 5 metros para permitir a circulação de viaturas nos dois sentidos e uma vala de escoamento de águas pluviais com cerca de 70 centímetros. As obras terão início a 8 de maio com a duração de 12 meses.
“Esta obra assume especial relevância por ser premente, mas sobretudo porque visa resolver um problema com mais de 50 anos. Quer a estabilização dos taludes daquela via, cuja fase está concluída, quer a requalificação da via, assumimos como prioridade este investimento para garantir segurança e comodidade à população local.” referiu o presidente da autarquia.
Recorde-se que a primeira fase da requalificação daquela via (consolidação dos taludes) teve um custo de 875.00,45 euros, tendo ficado concluída em outubro de 2021.
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