açores, o último tabu

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O último tabu açoriano
Não é a sexualidade(hoje em dia irrelevante, cada um comerá o que lhe apetece nos Açores).
Ou a religião(parece que sem poder com as igrejas vazias).
Muito menos a legitimação da grosseira incompetência como forma de sucesso político.
É a vida. As coisas regionais são assim.
“Nem sequer” a tradição da corrupção ou do favor.
(banalidades)
Ou até polvo guisado com batatas fritas(em outros tempos açorianos um crime quase público).
O último tabu açoriano é dizer que não.
Não? Como?
Quando pedem para ficar na nossa casa.
Egoísmo? Sim.
Com açorianos espalhados pelo mundo e com “hospitalidade”, a tradição diz-nos que quando nos pedem, “é dizer sempre que sim”.
Uma questão cultural.
Todos ou quase todos, “teremos” telhados de vidro. Em criança e adolescente fiquei milhões de vezes em casas de família, mais ou menos distante, ou de amigos.
E durante anos “dei para o peditório”.
Portas e braços abertos.
Sim, podes ficar.
Vens com o esposo e os cinco filhos? E uns amigos? Tudo bem.
Já não nos vemos há vinte anos mas podes ficar. O cão? Sim, tenho um quintal.
Um mês? Tudo bem.
São(“afinal”)três cães incluindo um “Pit Bull”nervoso.
Tenho espaço.
E depois o horror da publicidade.
Sem vergonha.
Sabes quem vive lá? Quase no centro.
E de repente tenho alojamento local gratuito na minha casa.
E as pessoas abusam.
É a amiga da amiga. O outro. A outra.
Por amor de Deus!
E eu estou mais velho e não tenho culpa de viver numa cidade onde na época alta um quarto de hotel, por dia, custa centenas e centenas de dólares…
E o que não tenho coragem de dizer:
Se não tens dinheiro para um hotel nesta cidade…Talvez será” uma boa ideia”…Um outro lugar?
Pede “um subsídio ao governo”?
Tenho a casa cheia.
Não.
Foto: janela da casa de Maud Lewis.
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Tiago Feitor

Quem é o teu dealer?
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transportes pré-históricos na ilha de são miguel

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17.22. OS TRANSPORTES QUE INFELIZMENTE AINDA TEMOS, CRÓNICA 220. 14.11.2018

 

Dizem-me que os transportes na ilha de São Miguel estão configurados à moda dos anos 1970-1980 e às necessidades de então. Não estou a falar das cidades onde existem alternativas, mas das pequenas freguesias que polvilham a ilha, onde as pessoas que não disponham de viatura própria têm imensa dificuldade para se deslocar devido aos horários infrequentes e pouco convenientes da transportadora pública, como é o caso, na costa norte, da CRP. A este problema acresce a vetusta idade dos autocarros, a falta de cumprimento de horários, o excesso de velocidade e de lotação das viaturas, a que muito ocasionalmente a GNR (quando recebe uma queixa) se dedica a multar fazendo parar a carreira.

O que acontece na zona onde habito e entre a Lomba da Maia e a Ribeira Grande é um reboliço, os autocarros são menos, andam a desoras, vão apinhados de gente em pé (convido-vos a fazer a viagem Lomba da Maia – Ribeira Grande de pé), e os alunos chegam atrasados para além da tolerância de dez minutos na entrada

Não sabemos quando é que a Direção Regional de Transportes pensa adotar modelos do século XXI para transportar os habitantes da ilha que se deslocam às cidades, nem sabemos quando e como fiscaliza o cumprimento (ou incumprimento) das obrigações contratuais firmadas para o transporte de passageiros. Não sei sequer se é permitido o transporte perigoso de pessoas, em pé, nos autocarros nestas estradas regionais, mas creio que é tempo de se fazer uma revolução nos meios de transporte existentes que insatisfazem a população. Nem sonho já com um metro de superfície já que a hipótese de comboio, infelizmente, foi abandonada no início do século passado.

Quando o meu filho estava a estagiar no Nonagon na Lagoa, levantava-se pelas sete horas para apanhar uma camioneta para a Ribeira Grande, depois outra para Ponta Delgada e antes das dez da manhã chegava à Lagoa… e era a única forma de se transportar em coletivos para percorrer uma distância de 30,1 km… felizmente libertou-se desse calvário quando adquiriu uma velha viatura para se deslocar, demorando em média 29 minutos via EN4-2A and EN1-1A.

E os idosos que têm consulta no hospital ou médico, ou outros afazeres na cidade, e não têm carta de condução nem meios para adquirir viatura própria? Decerto que com as pensões miseráveis que auferem não disporão de 60 euros para irem e virem de táxi…

Mas é preciso agir para mudar este estado de coisas com autocarros velhos (em muitos já deve ter expirado o prazo de validade…), sempre a avariarem (alguns já arderam nos últimos anos durante o percurso), autocarros lotados, horários que não se cumprem (ora chegam mais cedo, ora chegam mais tarde e quem não está na paragem na hora de passagem, estivesse…), lotados nas horas de ponta (em especial nas carreiras das 07.30 e 08.00), passageiros em pé aos solavancos e sem segurança em caso de travagem súbita.

Senhores dos Transportes, responsáveis pela inexistente política de transportes coletivos capazes para as freguesias fora das cidades acordem para o século XXI e façam aumentar a frequência das carreiras, fiscalizem os horários e as condições de transporte….

Modifiquem contratos para se substituírem os velhinhos autocarros por outros mais modernos e mais pequenos para serem rentáveis … só peço que saiam dos vossos gabinetes confortáveis e inspecionem anonimamente os percursos entre Ponta Delgada, e Furnas ou para o Nordeste…levantem-se cedo e vejam o que é viajar na carreira das 07.30 ou das 08.00 da Lomba da Maia para a Ribeira Grande…afinal é para isso que vos pagam, o povo que paga impostos e não tem um serviço de transportes coletivos digno e capaz.

genial lobo antunes

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May be a black-and-white image of 1 person
“Tenho muita pena que tenham acabado, por motivos que me parecem, no mínimo, discutíveis, com o Hospital Miguel Bombarda, onde três gerações da minha família trabalharam, o meu tio avô, o meu pai e eu.
O meu pai falava sempre de um pintor e gravador francês, pelo qual parecia ter grande respeito, aí internado não sei com que diagnóstico. Ao referir-se a ele o meu pai dizia sempre Monsieur Anatole
(nunca lhe escutei o apelido)
e recordo-me de nos dizer que, ao perguntar ao Monsieur Anatole se tinha filhos, recebeu como resposta
– Non monsieur, je ne fabrique pas des cadavres
frase que o deve ter impressionado imenso porque o escutei repeti-la ao longo dos anos, pensativo, a moê-la. Volta e meia, num silêncio qualquer, lá vinha ela
– Non monsieur, je ne fabrique pas des cadavres
como vinham as velhotas grávidas do Menino Jesus, a tricotarem casaquinhos de lã para os invernos da Divina Criança, vários Salazares, vários reis de diversas épocas, o dono do casino de Montecarlo, o dono da Fundação Gulbenkian, o dono de todos os clubes de futebol de Portugal, quase todos eles com o delírio da grandeza típico da sífilis, que começava a perder poder com injeções de penicilina. Pergunto-me o que aconteceria se a aplicássemos a cardeais, ministros, gestores, outras criaturas do género. Voltariam a ser os pobres diabos que eram antes ou continuariam a delirar patetices? Dias depois do 25 de Abril eu estava de serviço na Urgência, em plena febre revolucionária, era de noite, havia um silêncio relativo porque, não sei porquê, faltavam os bêbedos e os sujeitos com over dose do costume e começo a ouvir uma voz em berros enormes
– Viva a União Nacional!
– Viva o professor Marcelo Caetano!
– Viva a polícia política!
e outros gritos no género, do outro lado da porta, que se iam aproximando com frases deste tipo, numa barulheira feroz. Pensei
– Se calhar houve uma contra-revolução
pensei
– Se calhar o 25 de Abril acabou
e estava a moer estes pensamentos negros quando a porta se abriu, e o sujeito dos Vivas entrou. Vinha de camisola de forças, entre dois sujeitos de bata, clamando sem descanso. Com o auxílio de umas injeções foi aceitando devagarinho a democracia. Não há como umas ampolas para tratar ditaduras. Qual o motivo de não se haverem lembrado há mais tempo? O que se teria poupado em guerras, tiros, mortos a dar com um pau, coisas horríveis? E o que há por aí de banqueiros, primeiros ministros, ministros, administradores de empresas, etc., a necessitarem de uma picadelazinha, que nem sequer dói muito e os tornaria normais? De que é que estão à espera para fazer de Portugal um país com pessoas de carácter, quando um enfermeiro e uma seringa chegam?”
Antonio Lobo Antunes
Força e grandeza do escritor cuja linguagem, barroca e fluida como o Tejo, carrega todas as visões do mundo e varre a racionalidade que funda ditaduras.
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poesia no dia da mãe (prefiro 8 dezº….)

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583. dia da mãe #2 (lomba da maia) 5 maio 2013

 

maria nini de todos mãe

hoje é o teu dia

de filhos e filhas

do marido também

quem não te sabia

mãe destas ilhas

de quem te quer bem

 

maria nini de todos mãe

dizem que mãe não tem rima

é claro que rima tem

com carinho e amor

com este poeta também

 

maria nini de todos mãe

com sofrimento e dor

com beijos e lágrimas

emoção e alegrias

mãe é cheia de rimas

mulher das minhas folias

 

maria nini de todos mãe

cheiras a coco

sabes a morangos

nascida em lisboa

casada em sydney

trabalhas açorianidades

neste mundo oco

cheio de djangos

 

maria nini de todos mãe

repartes felicidade

sorrisos e sonhos

sem data nem idade

prazeres medonhos

contra a adversidade

2011

2013

2021

——————————-

569. mãe Bi (nos 90 anos da mãe Beatriz), 20 mar2013 2013

 

na leveza de três letras

se mede a palavra mãe

não se inventou ainda

o peso que a palavra tem

 

certa ou errada mãe

é sinónimo de amor e sabedoria

força oculta que nos protege

anima, perdoa e castiga

tudo foi escrito já

nada mais há a dizer

 

na certeza de três letras

se soletra a palavra mãe

não se inventou ainda

o amor que a palavra tem

 

 

feliz de nós que assistimos

às tuas nove décadas

dezoito lustros e cinco netos

fica connosco mais um pouco

para acabares as lições

que ainda não aprendemos

 

 

——————————————

582. dia da mãe #1, 5 maio 2013

 

8 de dezembro é o meu dia da mãe

mas calendários mudam-nos os políticos

e mandam que seja hoje

contrariado, obedeço

para te dizer, mãe,

errei quando te dizia

não pedi para ser nascido

bem hajas por isso

valeu a pena ter vivido

 

em 90 anos assististe a muita dor

preocupações, canseiras e desgostos

mas feliz de mim que ainda te dei

netos, alegrias e vitórias

livros, colóquios e memórias

 

fica connosco para partilhares

mais sonhos que tenho para te dar

———————————

647. Dia da mãe fora de prazo, 4 maio 2014

 

2014

 

queria escrever um poema à mãe

neste dia que decretaram ser dia dela

mas não consigo esquecer o 8 dezembro

e aliás é dia da mãe todo o santo dia

 

queria escrever um poema à mãe

a pedir desculpa pelo que fiz

pelo que não disse e devia

pelo que preocupei e não alegrei

pelo que senti e não disse

 

queria escrever um poema à mãe

dizer da saudade dos afagos e ternuras

sentir o conforto da infância

viver o futuro que sonhaste

apagar as tristezas do caminho

as mágoas, dores e canseiras

 

queria escrever um poema à mãe

dizer palavras que nunca disse

escrever esta partilha de amor

lembrar os momentos protegidos

as admoestações benignas

mas nunca aprendi a dizer

amo-te mãe

 

 

——————————

Renfe quer operar sozinha linha entre Corunha e Lisboa – Transportes – Jornal de Negócios

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A operadora ferroviária espanhola prepara-se para solicitar um certificado de segurança válido em Portugal para operar sozinha a linha Corunha-Santiago-Vigo-Porto-Lisboa.

Source: Renfe quer operar sozinha linha entre Corunha e Lisboa – Transportes – Jornal de Negócios

Chineses já faturam 31 milhões com bois do Alentejo que eram do Novobanco – ECO

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Quase falida há uma década, a Monte do Pasto foi comprada em 2019 pela CESL Asia ao Novobanco e assume-se como a maior criadora portuguesa de bovinos. Fatura 31 milhões e exporta 95% da produção.

Source: Chineses já faturam 31 milhões com bois do Alentejo que eram do Novobanco – ECO