colonizados

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Colonizados dóceis e subservientes anglõfilos.
Pode ser uma imagem de papagaio e texto
Isto não é Puerto Rico, nem o Panamá
Se há coisa mais provinciana e digna de desapreço, agora muito em voga em Portugal, são os frisos de oradores portugueses em conferências maioritariamente assistidas por portugueses a produzirem comunicações em inglês – a língua do império das mentiras e do globalismo – pois que não falar publicamente em inglês é hoje uma posição política. Por três ou quatro alunos Erasmus e por um estrangeiro na mesa, não se pode recusar à língua portuguesa – uma língua de cultura – o lugar que lhe compete. Se preferirem, arranjem um tradutor ou, então, falem em francês, outra língua de cultura. Assisti há momentos através da internet uma dessas conferências e saí após 5 minutos. O ar de colonizados dóceis e subservientes da plateia e da mesa era espantoso.
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Inteligência Artificial aprendeu a manipular pessoas e ameaça humanidade

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Os cientistas da computação que ajudaram a construir as bases da tecnologia de inteligência artificial (IA) atualmente em uso estão agora a alertar para os perigos, embora não concordem sobre quais são ou como evitá-los.

Source: Inteligência Artificial aprendeu a manipular pessoas e ameaça humanidade

Sonda chinesa encontra vestígios de água em estado líquido em Marte

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Cientistas chineses revelaram, esta sexta-feira, a descoberta de indícios da existência de água líquida na superfície de Marte, através dos dados recolhidos pelo robô Zhurong, que explora o planeta vermelho desde 2021.

Source: Sonda chinesa encontra vestígios de água em estado líquido em Marte

aflição na prova de aferição

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A prova de aferição de Expressão Artística do 2º ano, realizada esta quinta-feira, pedia aos alunos de 7/8 anos para imitarem o movimento e o som de uma minhoca e de um sapo cego.
Prova de aferição pede a crianças para imitarem... coisas estranhas... - + Sobre Educação
MSEDU.PT
Prova de aferição pede a crianças para imitarem… coisas estranhas… – + Sobre Educação
A prova de aferição de Expressão Art

pasta medicinal couto, morreu o dono

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Morreu Alberto Gomes da Silva, proprietário da empresa da Pasta Medicinal Couto
Lisboa, 07 mai 2023 (Lusa) – O empresário Alberto Dionísio Ribeiro Gomes da Silva, proprietário da Couto S.A. e sobrinho do criador da Pasta Medicinal Couto, morreu hoje aos 85 anos, anunciou a Fundação Couto, da qual é fundador.
“Perdemos hoje um amigo de longa data, com quem tivemos o privilégio de partilhar sucessos e insucessos desta instituição, sempre em prol dos interesses das crianças e na sua boa máxima e ideário de ‘Aprender com alegria para crescer com sabedoria’. Sempre serviu toda a comunidade de Vila Nova de Gaia e Porto com distinção e honra, imbuído de valores humanistas, de uma visão progressista e de um forte dever cívico”, lê-se num comunicado partilhado hoje nas contas da Fundação Couto, estrutura com estatuto de Instituição Particular de Solidariedade Social, nas redes sociais Facebook e Instagram.
A morte de Alberto Dionísio Ribeiro Gomes da Silva, “proprietário da Couto S.A. (a famosa Pasta Medicinal Couto) e fundador da Fundação Couto, com vasto e reconhecido trabalho social em Vila Nova de Gaia”, foi também divulgada pela agência funerária Servilusa, em comunicado.
As origens da Couto S.A. remontam a 1918. Nesse ano surgiu, no Porto, a Flores e Couto, que em 1932 viria a chamar-se Couto, Lda., cuja administração ficaria a cargo de Alberto Ferreira do Couto, tio de Alberto Dionísio Gomes da Silva.
Alberto Ferreira do Couto criou, em 1932 e com a colaboração de um dentista, a Pasta Medicinal Couto.
Em 1974, após a morte do tio, Alberto Dionísio Gomes da Silva assumiria a administração da empresa, responsável também por produtos como o Restaurador Olex.
Em 2012, Alberto Dionísio Gomes da Silva avançava à Lusa as intenções de vender a empresa até 2017, mas a história da centenária marca portuguesa acabou por ser agitada por um casamento.
Alberto e Alexandra Matos, gestora empresarial, deram o nó e a empresa manteve-se nas mãos da família Couto, com um novo fôlego de expansão dos negócios e que se traduziu em aumentos de vendas de 20% ao ano, como revelou o administrador à Lusa em 2019.
O crescimento de vendas, que atingiu um volume de negócios de um milhão de euros em 2018, deveu-se ao investimento na criação de novos produtos de beleza com ‘design’ retro, mas também ao turismo, justificou na altura a diretora comercial.
Espanha, França, Itália, Alemanha, Suíça, Áustria, EUA e Coreia são os principais destinos dos produtos Couto, feitos num laboratório fiel “à tradição” e “antigas receitas”.
De acordo com a Servilusa, o corpo de Alberto Dionísio Gomes da Silva estará em câmara ardente na Igreja de Nossa Senhora da Lapa, no Porto, entre as 14:00 e as 20:00 de segunda-feira. O funeral está marcado para terça-feira, às 10:15 no mesmo local, seguindo para o crematório anexo.
A funerária refere ainda que está marcada uma missa de sétimo dia para sábado, 12 de maio, na mesma igreja do Porto.
JRS (CCM) // MLS
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produção de leite nos açores

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Quando falamos na produção de leite na Irlanda que é um sistema muito parecido com o nosso, vejamos o que já se consegue fazer cá na região. Nós como eles somos importadores de cereais para fabrico de concentrados ” rações ” . Fizeram uma transição para um tipo de vacas mais pequenas ou com cerca de 500 kg de peso com cruzamentos a produzirem 6800 kg de leite com cerca de 2,5 kg por dia de ração durante os 305 dias em lactação. Posso mostrar que só com pastagem que já se consegue cá na região com vacas com a mesma percentagem de peso , 7000 kg de leite aos 305 de lactação, 1,5 kg de ração e mesmo assim só para levar a vaca à ordenha. É para aqui que devemos direcionar a nossa produção de leite nos Açores .A Irlanda seguiu o caminho total oposto ao caminho que queremos continuar a seguir, em 20 anos duplicaram a sua riqueza pois nós o que é que crescemos? ” Andamos foi para trás. ” Não outra hipótese senão for produzir leite à base de pastagem nos Açores.
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Antonio

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Governo avança com declaração de seca em 40% do território

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A ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, garante que já assinou a declaração de seca na passada sexta-feira, que abrangerá 40% do território e 67 municípios a sul do Tejo. O despacho será publicado nos próximos dias e terá efeitos retroativos a 5 de maio.

Source: Governo avança com declaração de seca em 40% do território

droga fentanil devasta eua

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NOVO TÍTULO E CORREÇÃO: Droga fentanil devasta EUA e já é principal causa de morte entre menores de 50
(NOVA VERSÃO PARA CORRIGIR NO TÍTULO E NO PRIMEIRO PARÁGRAFO A IDADE RELATIVA ÀS MORTES COM FENTANIL. A DROGA É A PRINCIPAL CAUSA DE MORTE ENTRE MENORES DE 50 ANOS, NÃO ENTRE MAIORES DE 50.)
*** Ana Rita Guerra, da agência Lusa ***
Los Angeles, 08 mai 2023 (Lusa) – Os Estados Unidos assinalam em 09 de maio o Dia Nacional de Consciencialização sobre o Fentanil, uma droga sintética altamente viciante que já é a principal causa de morte entre menores de 50 anos.
Os efeitos do opiáceo, 50 vezes mais potente que a heroína, são visíveis nas ruas de duas das cidades mais ricas do país, Los Angeles e São Francisco, onde alguns bairros estão transformados em zonas de consumo a céu aberto.
“A maioria do que era o negócio da heroína é agora de fentanil”, disse à Lusa Dean Shold, cofundador da organização sem fins lucrativos FentCheck. “Tornou-se mais económico para os cartéis, porque conseguem produzir fentanil mais facilmente que as papoilas para a heroína”.
A FentCheck opera sobretudo em São Francisco e Oakland, na parte norte da Califórnia, para prevenir overdoses acidentais. A organização distribui gratuitamente testes para despistar a contaminação de drogas recreativas com o poderoso opiáceo, disponibilizando-os em bares, restaurantes e até livrarias e bibliotecas.
“O fentanil é muito potente. Dois miligramas podem matar uma pessoa”, sublinhou Shold. A FentCheck criou o programa à imagem do que foi feito nos anos 80 durante a epidemia de VIH, em que se multiplicaram os recipientes com preservativos em bares e restaurantes. Desta vez, os recipientes contêm testes gratuitos, que dão resultados em dois minutos.
“Isto é focado nas pessoas que podem usar cocaína ou MDMA numa festa, que experimentam drogas a que não estão habituadas, de fornecedores a quem não normalmente não compram”, explicou. “São os utilizadores mais vulneráveis porque não têm tolerância aos opiáceos”.
Estas overdoses acidentais acontecem quando os consumidores usam drogas que foram contaminadas com fentanil, agora conhecido como a “heroína sintética”, que entra nos Estados Unidos sobretudo a partir da fronteira com o México.
O alvo prioritário é a faixa etária entre os 30 e os 34 anos, onde se têm registado mais overdoses, mas Dean Shold explica que há um risco crescente entre adolescentes, que usam a rede social preferida da Geração Z, TikTok, para encontrarem traficantes de várias substâncias ilícitas.
“Estamos a ver adolescentes a receberem comprimidos encomendados no TikTok. Isso é algo muito assustador”, disse Dean Shold. Os testes oferecidos pela FentCheck servem para testar se estas e outras substâncias ilícitas estão contaminadas, sem um elemento recriminatório.
“Não queremos julgar. Muitos pais dizem para simplesmente não usarem drogas, e isso não funciona”, afirmou o responsável. “Não acreditamos que a única resposta é a abstinência”.
Shold indicou que evidência disso mesmo é o falhanço das últimas décadas, em que todas as estratégias para mitigar o consumo de drogas fracassaram.
Mas o uso de testes tem um efeito preventivo comprovado, que a organização contabilizou comparando os números de overdoses nas suas zonas de atuação, publicados pelo Departamento de Saúde Pública da Califórnia.
“Temos de fornecer estes recursos porque dizer apenas ‘não usem drogas’ não tem funcionado”, disse Shold, considerando óbvio que “perdemos a guerra contra as drogas”.
Segundo a Drug Enforcement Administration (DEA), o fentanil é agora a causa número um de morte entre americanos com menos de 50 anos. Em 2021, 106 mil pessoas morreram de overdoses e destas, mais de 70 mil foram vítimas do fentanil.
Com milhares de viciados, overdoses acidentais e cada vez mais adolescentes em risco, o combate a esta crise passou para a linha da frente das prioridades em vários estados. Em março, o governador da Califórnia Gavin Newsom anunciou um “plano estratégico” com 96,5 milhões de dólares alocados ao problema.
“Mais de 150 pessoas morrem por dia no nosso país de overdoses e envenenamentos relacionados com opiáceos sintéticos como o fentanil”, disse Newsom, na apresentação do plano.
“A nossa abordagem alargada vai expandir os esforços de fiscalização para repelir as organizações criminais transnacionais que traficam este veneno nas nossas comunidades”, continuou, “ao mesmo tempo que damos prioridade a estratégias de redução de danos para reduzir as overdoses e ajudar com compaixão aqueles que lutam contra o vício”.
A FentCheck é precisamente uma das várias organizações não-governamentais e sem fins lucrativos que trabalham na contenção de danos no terreno.
Só em 2022, distribuiu 50 mil testes e tem feito um trabalho de aproximação aos consumidores e aos funcionários dos estabelecimentos, que está a treinar no uso de Narcan, um antídoto que reverte a overdose.
“Estamos sempre a reabastecer os recipientes com testes e isso dá-nos oportunidade de falar com os empregados de bar, com os clientes, e por vezes direcioná-los a programas de MAT [medication-assisted treatment]”, explicou Shold.
A organização vai começar a distribuir testes em Nova Iorque e pretende expandir de forma dramática a sua cobertura em Los Angeles, onde agora está limitada a West Hollywood.
Los Angeles tem assistido a um agudizar da situação, com as mortes por fentanil no condado a aumentarem 14 vezes nos últimos cinco anos.
Na Universidade do Sul da Califórnia (USC) a organização sem fins lucrativos TACO (Team Awareness Combatting Operation) está a ensinar os estudantes a usarem o antídoto Narcan, a testarem as drogas e a perceberem os potenciais efeitos.
A consciencialização dos riscos tornou-se mais urgente quando, em setembro passado, uma adolescente de 15 anos foi encontrada morta na escola secundária Bernstein, em Hollywood, depois de consumir percocet (uma combinação de oxycodone e acetaminophen) contaminado com fentanil.
Mesmo quando o desfecho não é trágico, a pessoa pode ficar acidentalmente viciada, explicou Dean Shold.
“Qualquer opiáceo pode viciar em cerca de três dias”, frisou. “Consideramos que, ao encorajar o teste de drogas e o não consumo se tiverem fentanil, evitamos que mais pessoas fiquem viciadas em opiáceos”.
O responsável está otimista quanto ao progresso de algumas medidas, como a disseminação dos testes e a despenalização de algumas drogas, mas tem noção da gravidade da situação.
“Metemo-nos num beco de onde é difícil sair”.
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Margarita Correia no “Diário de Noticias” sobre a inexistência de uma política da língua

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Muito oportuno (e bem atual) o mais recente artigo de Margarita Correia no “Diário de Noticias” sobre a inexistência de uma política da língua entre nós.
—————-
« (…) Países com estruturas de planificação linguística mais desenvolvidas, como a Finlândia, têm vindo a consubstanciar uma quarta vertente da planificação, a da tecnologia da língua, fundada na crença de que línguas que não se digitalizem terão tendência a morrer, num processo semelhante ao das línguas ágrafas aquando da invenção da imprensa. A Espanha, embora país do Sul, já lançou os alicerces desta vertente, com a atribuição de mil milhões de euros do seu plano de recuperação e resiliência à língua digital.
Em Portugal e na CPLP, tirando vozes de resistentes, progressivamente mais roucas, a gestão da(s) língua(s) e da sua planificação continua entregue a mangas de alpaca e outros curiosos, sem qualquer pensamento informado, nem sentido de Estado e de missão, nem visão de futuro. As diferentes intervenções que se conhecem continuam a mais não ser do que iniciativas ad hoc, desenquadradas, realizadas a despeito de, sem metas nem objetivos claros e não sujeitas a avaliação.
Ah! E na sexta-feira, lá passou um cinzento e deprimente Dia Mundial da Língua Portuguesa.»
{Margarita Correia, “Diário de Noticias”, 8/05/2023]
Planificação linguística – o que é, onde existe e onde não
DN.PT
Planificação linguística – o que é, onde existe e onde não
A planificação linguística (language planning) como área de estudo teve início na década de 1960, para responder a problemas linguísticos de países novos, em desenvolvimento e/ou pós-coloniais. O termo foi cunhado em 1959, por Einar Haugen, em artigo sobre a estandardização do norueguês,…
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produção de leite nos açores

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PRODUÇÃO DE LEITE/ERVA/RAÇÃO
Quando ouço falar na comunicação social, em artigos de opinião sobre a produção de leite nos Açores, ou em discursos efetuados pelos representantes da lavoura e outros, com frequência, aquilo que dizem parece ter lógica, mas, na verdade, está errado.
A nossa produção de leite cada vez mais se afasta da produção à base de erva. Uma vaca de alta produção, que é tão apreciada e indicada como o sucesso das nossas explorações de produção de leite, é, na verdade, aquilo que está a causar dificuldades ao sector e que vai acabar por o falir,porque cerca de 2/3 do leite que produz é à base de ração e não de erva. Ração cujos componentes são, na totalidade, importados e frequentemente de má qualidade, o que ainda complica mais as contas dos lavradores.
Uma vaca de aproximadamente 600 kg de peso vivo só a comer erva poderá produzir numa lactação de 305 dias cerca de 4000 litros de leite e isto se tiver sempre à sua disposição erva de qualidade e as silagens que lhe derem, no inverno ou no verão, forem de boa qualidade. Isso raramente acontece entre nós já que, a maior parte das vezes, as vacas têm pouca erva à sua disposição (porque os lavradores têm vacas a mais ou mau maneio) e as silagens, na maior parte das vezes, não têm qualidade.
Por isso, calculo que só à base de erva e dassilagens que temos,uma vaca de 600 kg não dará mais do que 2500 litros por lactação, no máximo 3000 litros, que era o que tínhamos, há 40 anos, quando não dávamos rações, se a vaca fosse bem tratada. Uma vaca também de 600 kg mas de alto mérito genético (de alta produção), digamos de 9000 litros por lactação, como é fácil de ver, dá mais 6000 a 6500 litros à base de ração. Mas mesmo que a vaca tivesse sempre erva e silagens de qualidade e nas quantidades necessárias (ad libitum), uma vaca de 9000 litros teria sempre que produzir à base de rações. E porquê?
Porque uma vaca de 600 kg não consegue comer erva na quantidade necessária para cobrir as despesas de manutenção (as necessárias para se manter viva, semelhantes às das vacas nos dois meses que não dão leite)mais 9000 litros de leite por lactação. A erva tem demasiada água, no nosso inverno, 1,0 kg de erva tem em média 0,9 kg de água; na primavera, 1,0 kg de erva terá à volta de 0,86 kg de água. Aqui entra a vantagem das rações 😊 concentrados), onde 1 kg tem apenas 0,11 kg de água e uma concentração energética superior à da erva. Por isso quando damos raçõesàs vacas estas ingerem muito mais nutrientes porque a ração ocupa pouco volume e a pança da vaca, embora grande, não estica à medida das necessidades. Para dar 9000 litros de leite por lactação, uma vaca de 600 kg necessitaria comer por dia, no inverno, cerca de 230 kg de erva e,na primavera, cerca de 165 kg (porque tem menos água) o que não é possível devido às limitações do rúmen. Porém, quando damos ração, a vaca come menos erva porque tem menos apetite quando vai para o pasto. E daí se afirmar que uma vaca de 600 kg que dá 9000 litros de leite por lactação só produz 2000 litrosà base de erva, além de cobrir as despesas de manutenção, que são elevadas, cerca de 30 % das necessidades energéticas totais.
Todos os técnicos sabem, ou deviam saber, que, por cada quilo de ração que damos às vacas, acima de 2 kg por dia, esta come menos 5 kg de erva. Em ciência, trabalha-se apenas com matéria seca, ouseja, como se a erva não tivesse água, e uma vaca de 600 kg poderá comer 18 kg de matéria seca de erva. Se lhe derem 10 kg de ração passa a comer apenas 13 kg de matéria seca de erva, mais os 10 kg de ração. Ou seja, demos-lhe17,2 Megacalorias em ração e ela deixa de comer 8,1 Megacalorias na erva. Então, quer dizer que estamos a dar 10 quilos de ração para produzir 12 litros de leite com 4% de gordura. E se a vaca produzir 12000 litros, por cada quilo de ração que comer vai produzir menos do que 1 litro de leite.
Em países, como nos EUA ou o Canadá, grandes produtores de milho e outros cereais, onde a ração é barata, pode compensar dar 1 kg de ração para produzir 1 litro de leite, mas nos Açores isso nunca vai ser possível.
Agora vejamos, uma vaca de alto mérito genético não pode transformar-se numa vaca a dar 6000 litros de leite por lactação, porque está geneticamente programada para dar muito leite e se lhe dermos menos do que a quantidade necessária deconcentrado utiliza toda a gordura corporal para o produzir (ficando de pele e osso) e depois não se consegue que fique prenha passado os dois mesesda parição.
O que é que a excelente investigação feita na Irlanda nos diz: Que num país que importa as matérias primas para as rações as vacas devem ter cerca de 500 kg de peso e produzir aproximadamente 6800 litros de leite com apenas 700 kg de concentrado nos 305 dias da lactação. É para aqui que devemos caminhar.
O modo como o POSEI Açores está desenhado é para favorecer quem tem mais vacas e produz muito leite. É assim que as duas associações que mandam na lavoura, que têm à frente produtores de leite com explorações maiores do que a média e com vacas de alta produção, exigem. Aliás, já é bastante comentado que parece quererem “acabar” com as pequenas lavouras.
Para se manter as explorações com vacas de alto mérito genético, mas desadequadas para os Açores,institui-se um subsídio por vaca leiteira, um subsídio por litro de leite, mais os subsídios a cada quilo de ração importada. Os maiores, que deviam beneficiar da economia de escala, são aqueles que recebem uma “carrada” de subsídios diretos e indiretos, enquanto os mais pequenos e/ou com sistemas mais sustentáveis recebem muito menos.
Uma maneira justa de ajudar todos e não terminar com as pequenas lavouras, tão importantes para dar uma vida digna a muitas famílias e perspetivas de futuro a pelo menos um dos filhos é modificar completamente o POSEI Açores. Como? Por modulação como já existe em muitos países. Os primeiros 5 ha recebem o subsídio mais elevado, de 5 a 10 ha recebem um pouco menos e assim por diante, degressivamente, digamos que até aos 30 ou 40 ha, a partir do qual este termina. E acaba o subsídio à vaca, ao litro de leite, à importação de rações, etc. O dinheiro a vir será mais bem distribuído. Assim, não desfavorecemos os mais pequenos nem prejudicamos os maiores porque também recebem subsídio. E quanto às 6 ilhas ditas pequenas, mais isoladas, sem portos em condições ou com terrenos com muito declive, situados em zonas de elevada altitude, terá que haver uma majoração de cerca de 40 % para os compensar de todas as vicissitudes porque já passaram e continuam a passar, que, na minha opinião, os torna quase uns heróis por ainda sobreviverem. E isto se não as queremos continuar a despovoar.
Terminemos com a importação escandalosa de componentes de má qualidade para fazer rações nos Açores. E os tais 100 empregados nestas fábricas não ficariam desempregados porque estas podem ser convertidas não para faturar matérias primasimportadasmas para exportar produtos de origem açoriana. Como? Fácil, reconvertemos as fábricas e passamos a trabalhar à noite, quando a energia é mais barata e de origem geotérmica, e desidratamos erva para fazer pellets ou granulado para exportar para quem tem criação de coelhos, perus e galinhas do campo, ou mesmo para dar às nossas vacas no Inverno, em vez de importarmos os pellets de má qualidade e as palhas que por aí aparecem. Isto não é utopia, já vi isto na Holanda há muitos anos.
Antevejo grandes perspetivas e possibilidade de mudança mas não vejo coragem nem conhecimento para isso. É pena! Há 30 anos que me pronuncio publicamente que temos que mudar, que íamos no mau caminho, que a nossa indústria dos lacticínios era insípida e digna de uma região colonizada, onde se sacavam as matérias primas para fazer os produtos de maior valor acrescentado em Portugal Continental. Agora que são quase autossuficientes em leite,nem do nosso necessitam e, por isso, não estão dispostos a pagar mais.Sabem que quanto menos pagam nos Açores mais se dá aos lavradorespor cada litro de leite produzido, através do POSEI.
Alterando-se o POSEI Açores já não teríamos que abater as tais 10000 vacas, nem íamos ter problemas com excesso de leite e criávamos maior sustentabilidade na nossa agropecuária. Quem quiser continuar no caminho das vacas de alta produção e estábulos pode fazê-lo, se consideram o sistema sustentável com as novas políticas, força…continuem, mas nós não teremos que lhes pagar mais do que aos outros por isso.
(*) Professora da Universidade dos Açores (Faculdade de Ciências Agrárias e do Ambiente)
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Quando falamos na produção de leite na Irlanda que é um sistema muito parecido com o nosso, vejamos o que já se consegue fazer cá na região. Nós como eles somos importadores de cereais para fabrico de concentrados ” rações ” . Fizeram uma transição para um tipo de vacas mais pequenas ou com cerca de 500 kg de peso com cruzamentos a produzirem 6800 kg de leite com cerca de 2,5 kg por dia de ração durante os 305 dias em lactação. Posso mostrar que só com pastagem que já se consegue cá na região com vacas com a mesma percentagem de peso , 7000 kg de leite aos 305 de lactação, 1,5 kg de ração e mesmo assim só para levar a vaca à ordenha. É para aqui que devemos direcionar a nossa produção de leite nos Açores .A Irlanda seguiu o caminho total oposto ao caminho que queremos continuar a seguir, em 20 anos duplicaram a sua riqueza pois nós o que é que crescemos? ” Andamos foi para trás. ” Não outra hipótese senão for produzir leite à base de pastagem nos Açores.
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Fernando Barbosa

Antonio Soares de que data é esta publicação da professora Anabela?
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