José Nuno da Câmara Pereira

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José Nuno da Câmara Pereira

Estive a fazer arrumações e limpezas nos armários do meu escritório e já enchi uns quatro cestos de papéis e não só que vão diretos para o lixo. Entretanto, descobri coisas que disse que não tinha mas tinha mesmo e, para meu espanto, descobri um trabalho que tinha feito com a minha máquina de gravar a laser em vidro acrílico. Trata-se de um carvão da autoria de José Nuno da Câmara Pereira, datado de 2011: um retrato de Vitorino Nemésio.
Lembro-me bem de ter feito várias gravações dessa obra, na presença de José Nuno, cerca de um ou 2 anos antes do seu falecimento. Ele mesmo me acompanhou na sua execução e delirou com o resultado. Eram para a biblioteca ou museu de Angra do Heroísmo, não me lembro bem. Fiz duas a mais que ele me disse que eram para mim.
Se alguém pode ter dúvidas quanto às pinturas ultra modernas de José Nuno, algumas das quais também pouco me dizem, este retrato de Vitorino Nemésio não deixa dúvidas. Os vários riscos de carvão valem mais do que uma fotografia, tal a realidade do retrato, que se cinge aos traços mais notórios do escritor açoriano.
Aqui em casa não dá muito certo para mostrar a toda a gente. Por isso, vou deixá-lo na Biblioteca Municipal que é o lugar onde já devia estar há muito tempo.
Amanhã…

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Nem os mortos escapam à corrupção

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Nem os mortos escapam à corrupção 😡

SABADO.PT
Assistentes de casa mortuária recebiam cinco a 100 euros de funerárias para acelerarem processos. – Portugal , Sábado.

A ERVA DO CALHAU

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As tortas de erva do calhau, uma alga marinha, noutras ilhas açorianas, também conhecida por erva patinha, é um dos pratos mais característicos da gastronomia corvina. Depois de picada a erva, a salsa e a cebola, juntam-se ovos e farinha que vão a fritar em banha de porco numa frigideira. São geralmente, acompanhadas com pão de milho e café.

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NOVA DEMOGRAFIA PORTUGUESA

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No ano passado, nasceram em Portugal cerca de 87 mil crianças e, destas, mais de 9 mil eram filhas de mães estrangeiras.

Com dados disponíveis desde 1995, o que os números mostram é que estamos perante um “boom” de nascimentos de filhos de mulheres emigrantes em Portugal. Em 23 anos, o aumento foi de praticamente 300% (298%) enquanto que, no mesmo período, nasceram menos 19% de bebés filhos de portuguesas. (…)

40 Captivating Photos of Women from Different Countries

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Photographer Took Pictures Of Women in 40 Countries To Change The Way We See Beauty

Museu da Língua Portuguesa será reinaugurado em junho de 2020 – 16/12/2019 – Cotidiano – Folha

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Local estava fechado desde 2015, após ser destruído por um incêndio

Source: Museu da Língua Portuguesa será reinaugurado em junho de 2020 – 16/12/2019 – Cotidiano – Folha

OS AUMENTOS E AS MENTIRAS DO OE

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Assim não!

“Segundo o governo, as progressões e revisões nas carreiras determinaram um aumento de despesa com os trabalhadores da Função Pública de 465 milhões € em 2018, de 666 milhões € em 2019 e, em 2020, o aumento de despesa determinados pelas progressões mais o aumento de apenas 0,3% nas remunerações destes trabalhadores, será, segundo o governo, de 715 milhões €. E daí conclui, procurando manipular a opinião pública, que o aumento médio por trabalhador foi de 2,2% em 2018, de 3,1% em 2019 e, em 2020, será de 3,2%. E no comunicado que divulgou, não mostra a forma como chegou a tais valores, certamente porque pensa que, numa matéria tão importante para a vida de centenas de milhares de trabalhadores, não tem de dar explicações, e assim poderá apresentar os valores que quiser e não será contestado. Para além disso, também se “esqueceu” de informar no seu comunicado que há muitos milhares de trabalhadores das Administrações Públicas que não tiveram qualquer progressão na sua carreira porque ainda não tinham “10 pontos”. Mas assim vai a transparência de que tanto fala este governo. E é desta forma que procura virar a opinião publica contra os trabalhadores da Função Pública que há 10 anos têm os seus salários congelados.”
Fonte: https://www.jornaltornado.pt/um-ataque-sem-precedentes-a-…/…

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JORGE ARRIMAR As Terras Altas da Huíla Quando a História e a Literatura se Encontram

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As Terras Altas da Huíla
Quando a História e a Literatura se Encontram

O encontro da História e da Literatura é um tema que me interessa muito, porque me formei em História e esta disciplina tem sido a minha ferramenta de trabalho e, também, porque me tenho servido dela para me envolver no espaço da literatura. Tem sido um tema que me tem levado a estar presente em alguns momentos importantes durante este ano, como a I Conferência Pensar o Sudoeste, realizada pelo Instituto Superior Politécnico da Tundavala, na Huíla (Angola), de 26 a 27 de Setembro e o 1º Congresso Internacional de Angolanística, que teve lugar na Biblioteca Nacional de Portugal, entre os dias 17 e 18 de Outubro.
Angola tem-me interessado mais numa perspectiva literária, mesmo quando a História é chamada ao terreiro da poesia ou da prosa. A Literatura permite-me essa dupla, e para mim mais confortável posição, que é a de ir à História escrita e à Oralidade buscar os elementos que me interessam para trabalhar a minha narrativa ficcional. Assim aconteceu, por exemplo, com a trilogia dos planaltos (O Planalto dos Pássaros, O Planalto do Salalé e O Planalto do Kissonde), que funcionam como janelas da História. Nestes romances pude dar largas à imaginação e intuir o que a História não deixou documentado. O encontro salutar da História com a Literatura pode acontecer sem que os fundamentos daquela sejam postos em causa pela fantasia desta. Só assim, no espaço livre da literatura se pode trabalhar o ambiente, a mentalidade e os comportamentos com independência e a amplitude que a História-ciência não permitiria.
Hoje, os historiadores não se coíbem de usar diversas fontes, mesmo aquelas que, usualmente, ficavam de fora em trabalhos do género. Como nos diz o historiador africano Joseph Ki-Zerbo, conjuntamente com as duas primeiras fontes da história africana (documentos escritos e arqueologia), “a tradição oral aparece como repositório e o vetor do capital de criações socioculturais acumuladas pelos povos ditos sem escrita: um verdadeiro museu vivo. A história falada constitui um fio de Ariadne muito frágil para reconstituir os corredores obscuros do labirinto do tempo. Seus guardiões são os velhos de cabelos brancos, voz cansada e memória um pouco obscura” (Ki-Zerbo – História geral de África I […], 2010, p. 38).
A oralidade é, assim, uma fonte imprescindível pelo que transporta de experiências, de conhecimentos, não só para os historiadores mas também para os escritores. Ela pode ser um veio enriquecedor da Literatura escrita e da História. E acontece, por vezes, chegar o escritor primeiro do que o historiador a esse “veio”, a essa fonte primordial, e, através desta, ao facto histórico. E vários estudiosos da área da História e da Etnologia têm feito referência, através dos anos, à importância da oralidade nas sociedades africanas, em geral, e na angolana, em particular. Da tradição oral bebem os investigadores da História e embebedam-se os criadores de Literatura.
Espreito pela clarabóia da oralidade, debruço-me à sua janela e inspiro-me para a escrita. O poema que se segue, intitulado “As Janelas das Raízes” é uma homenagem minha à memória que nos permite ter consciência do que somos e de onde viemos:

Eu sei que as paredes grossas / da casa onde nascemos / se começaram a construir / no tempo de outras gerações. / E ambos descobrimos isso / quando gatinhávamos / pelas primeiras letras / dos livros mais antigos / que lhe serviam de alicerces. // Ainda os vemos de páginas abertas / no chão húmido da memória, / como se fossem as janelas / das raízes que nos suportam. ”.

E afinal, os “os livros mais antigos” neste poema são os alicerces que se prendem à terra através dos caboucos, que é como se chamam os rasgões feitos no solo onde a casa/memória tem as raízes. Em quimbundo também se chamam cabocos (kabokos) os “homem-memória”, os guardiões da palavra e das tradições, afinal, também eles “as janelas das raízes que nos suportam”.
E é com esse testemunho, com essas memórias, que o escritor muitas vezes recria situações que existiram em tempos idos, podendo até – se engenho e arte não lhe faltar – torná-las vivas e verosímeis. Não sei se este é um caso desses, mas permitam-me que vos revele uma passagem de “O planalto do salalé” (2012, p. 205-206), que recria alguns acontecimentos, como a chegada dos primeiros europeus ao Cuanhama: Magyar, o húngaro do Bié; Brochado, o português de Moçâmedes. Reinava no Cuanhama Haimbili (1811-1858), num tempo perturbado e perturbador, em que a ruptura de uma tradição antiga e fundacional, a da circuncisão dos hambas, leva ao incêndio e abandono do lugar sagrado da Ombala Grande da Ondjiva.
Quem é Haimbili? Quem são Magyar e Brochado? Quem é Ozoro? Pois, são figuras da vida e da História do séc. XIX angolanos. Se de Ladislau Magyar, morador do Bié, e de Bernardino Brochado, morador de Moçâmedes, a História dá conta; já de Ozoro, filha do Soba do Bié e mulher de Magyar, sabemos mais através do belíssimo poema de Ana Paula Tavares (O lago da lua, […], 1999, p. 55), assim como de Naulé, a jovem sobrinha de Mutâmu do Cuanhama, diz-nos mais o romance:
“Os pais […] foram informados da missão sagrada de Naulé e da honra que lhes caberia por fazerem parte do plano de Haimbili: o de salvar o seu povo de um tempo em que seriam governados por sobas não circuncidados, e, por isso mesmo, desprovidos da protecção dos antepassados. As consequências seriam devastadoras… as chimpacas de defesa do Cuanhama ficariam abertas ao voo do salalé e ao avanço do manhéu. [O Planalto do Salalé] .

Afinal, o que vemos desta janela semiaberta da História? Uma missão sagrada de que é encarregada uma virgem, uma vestal (foi assim com todos os povos nos tempos antigos). Mas o seu nome não é importante. Importante é o facto de que, desta vez, não ter sido uma escrava a ser indicada para a missão de guardar o espírito do grande soba, do último a ser circuncidado e por isso a ter o direito de reinar a partir da Ombala Grande da Ondjiva. A missão era de um grau muito superior: preservar a nação, salvar um povo que estava quase a perder a protecção dos antepassados… e se tal acontecesse as chimpacas ruiriam sob o ataque do salalé e o avanço do manhéu. O salalé, a formiga-branca que edifica morros de barro como fortalezas e corrói os paus dos cercados e das chipacas; o manhéu, a formiga negra com cheiro a cadáver, que faz fraquejar as etangas com o odor antecipado da morte. Tudo metáforas, imagens de um tempo que começa a redesenhar-se, dos hambas que deixam de ser circuncidados e da Ombala Grande que é incendiada e abandonada… enquanto os exércitos do Mwene-Putu começam a estar perigosamente perto…

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Para os judeus sefarditas, a terra prometida nunca foi Israel. É Portugal e Espanha″

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AFINAL, ONDE É A TERRA PROMETIDA?