1934 DISCURSO SOBRE AGRICULTURA

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João Simas
28 mins

Lembrando os tempos da campanha do trigo. Não sei se foi bem assim mas o poema existe:
De João Vasconcelos e Sá, foi lido durante um jantar, no Carnaval de 1934, na presença de um Ministro da Agricultura – Leovigildo Queimado Franco de Sousa.

Ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Agricultura

Exposição
Porque julgamos digna de registo,
a nossa exposição, Sr. Ministro,
erguemos até vós humildemente,
uma toada uníssona e plangente,
em que evitámos o menor deslize,
e em que damos razão da nossa crise.
Senhor, em vão esta província inteira,
desmoita, lavra, atalha a sementeira,
suando até à fralda da camisa.
Mas falta-nos a matéria orgânica precisa,
na terra que é delgada e sempre fraca.
A matéria em questão, chama-se caca.
Precisamos de merda, senhor Soisa,
e nunca precisamos de outra coisa…
Se os membros desse ilustre Ministério
querem tomar o nosso caso bem a sério;
se é nobre o sentimento que os anima,
mandem cagar-nos toda a gente em cima
dos maninhos torrões de cada herdade,
e mijem-nos também, por caridade…
O Senhor Oliveira Salazar,
quando tiver vontade de cagar,
venha até nós, solicito, calado,
busque um terreno que estiver lavrado,
deite as calças abaixo, com sossego,
ajeite o cu bem apontado ao rego,
e como Presidente do Conselho,
queira espremer-se até ficar vermelho.
A nação confiou-lhe os seus destinos…
Então comprima, aperte os intestinos.
e ai..se lhe escapar um traque não se importe…
quem sabe se o cheirá-lo não dará sorte…
Quantos porão as suas esperanças
num traque do Ministro das Finanças…
e também, quem vive aflito e sem recursos,
ja nao distingue os traques, dos discursos…
Não pecisa falar, tenha a certeza,
que a nossa maior fonte de riqueza,
desde as grandes herdades às courelas,
provem da merda que juntarmos nelas .
Precisamos de merda, senhor Soisa,
e nunca precisamos de outra coisa,
adubos de potassa, cal, azote;
tragam-nos merda pura do bispote,
e de todos os penicos portugueses,
durante pelo menos uns seis meses.
Sobre o montado, sobre a terra campa,
continuamente eles nos despejem trampa.
Ah terras alentejanas, terras nuas,
desesperos de arados e charruas
quem as compra ou arrenda ou quem as herda
sempre a paixão nostálgica da merda…
Precisamos de merda senhor Soisa,
e nunca precisamos de outra coisa…
Ah, merda grossa e fina , merda boa,
das inúteis retretes de Lisboa.
Como é triste saber que todos vós
andais cagando, sem pensar em nós…
Se querem fomentar a agricultura,
mandem vir muita gente com soltura…
Nós daremos o trigo em larga escala,
pois até nos faz conta a merda rala…
Ah, venham todas as merdas à vontade,
não faremos questão da qualidade,
formas normais ou formas esquisitas.
E desde o cagalhão às caganitas,
desde a pequena poia, à grande bosta,
tudo o que vier a gente gosta ,
Precisamos de merda, Senhor Soisa ,
e nunca precisamos de outra coisa…

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TABELA MUNDIAL COVID-19

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Preparando a mudança de apresentação que farei a partir de hoje, esta é, ainda com os dados de ontem à noite, a nova tabela com a evolução dos países por grupo (Top-10 UE, Top-5 Outros Europa e Top-5 Resto do Mundo), passando já a usar a taxa de letalidade como critério de ordenação na segunda coluna.
A primeira coluna (ranking da evolução do número de casos) é igual ao último quadro e já foi comentada.
A segunda coluna é nova, no ranking da mortalidade. Itália, Espanha, Holanda e França lideram o grupo da UE – Portugal com 1,7% de mortes nos casos confirmados, está ainda longe, nesta altura, do Top-10. No resto da Europa, só o Reino Unido tem um valor muito alto (5,0%). No resto do Mundo, esse é apenas o caso do Irão (7,6%).

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A GUERRA PORTUGAL-HOLANDA PELO DOMÍNIO DO BRASIL

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A GUERRA PORTUGAL-HOLANDA PELO DOMÍNIO DO BRASIL

Portugal e Holanda travaram no século XVII uma longa guerra pelo domínio do Nordeste brasileiro.

Em O Brasil Holandês (1630-1654), o historiador brasileiro Evaldo Cabral de Mello, baseado em numerosas fontes lusas e batavas, tem páginas notáveis em que descreve as principais fases desse conflito, com episódios épicos de populações em fuga, cidades incendiadas, atrocidades, batalhas navais, guerra de guerrilhas com recurso a destacamentos de negros e índios fiéis à Coroa, colaborações dedicadas e traições – tudo cenas dignas de um dia ainda serem transpostas para o cinema.

De formação católica, os portugueses ficavam já então chocados com o comportamento calculista dos holandeses, de formação calvinista. Durante a ocupação, em relatório para a WIC – a Companhia das Índias Ocidentais, em Amsterdão – os responsáveis batavos da época escreviam:
“Os portugueses de um modo geral (com muito poucas excepções) são pouco favoráveis aos holandeses e à nossa nação e só devido ao temor são mantidos em obediência. Mas quando encontram qualquer pequena ocasião demonstram a sua inclinação.”

Ao longo dos 24 anos de ocupação do Nordeste, e apesar dos esforços de modernização da cidade do Recife levados a cabo pelo conde Maurício de Nassau, os holandeses tiveram em geral grande dificuldade em se estabelecer no território.

E acabaram por ser derrotados nas duas grandes batalhas de Guararapes (1648 e 1649), rendendo-se quando Recife, bloqueada por esquadra portuguesa, sucumbiu ao cerco e capitulou, em janeiro de 1654, conforme descrito na época por D. Francisco Manuel de Melo (Epanáforas de vária história portuguesa, Lisboa, 1660).

É uma história notável, hoje quase esquecida, mas que vale muito a pena revisitar.

Imagem – A Batalha dos Guararapes – óleo de Victor Meirelles (1879) – Museu Nacional de Belas Artes – Rio de Janeiro

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AUSTRÁLIA Vacina contra tuberculose vai ser testada para Covid-19 – JN

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Investigadores do Instituto Murdoch, na Austrália, vão testar em profissionais de saúde contagiados com Covid-19 uma vacina utilizada para tratar a tuberculose, para verificar a eficácia na mitigação dos sintomas da doença.

Source: Vacina contra tuberculose vai ser testada para Covid-19 – JN

Os profetas do vírus | AbrilAbril

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As pandemias têm as suas oportunidades de negócio. As entidades que montaram o Event 201 com um coronavírus inventado são as mesmas que se preparam para extrair avultados dividendos com o coronavírus verdadeiro.

Source: Os profetas do vírus | AbrilAbril

mapa de análise de casos em portugal

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UM DIA EM SUSPENSO
Por um lado, o abrandamento continua, já estamos abaixo de 50% de atenuação, o que se reflete, por exemplo, no prazo para esgotar as camas de cuidados intensivos: ganhámos mais um dia. Boas notícias, portanto. Há uma semana, sabermos disto seria efusivo! Por outro lado, o ritmo é mais rápido do que seria de esperar de uma sigmóide/logística perfeita, pelo que ainda estamos a semanas da estabilização, não dias.

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  • Rui Ribeiro O que representa a seta vermelha no gráfico de baixo? No de cima penso que é a “posição atual” na sigmóide.
    • Leonel Morgado Rui Ribeiro está a indicar a quem tem menos hábitos de interpretação de gráficos que o ponto direito do gráfico de baixo corresponde àquela posição na sigmóide.

LAGOA, A PESTE HÁ 500 ANOS

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A Peste.
Vila de Lagoa.
Como evitou esta vila com um só ano de idade uma maior tragédia?Era Capitão Donatário Rui Gonçalves da Câmara 3º de nome.Criou duas Bandeiras ( com homens de armas de cerca de 250 cada uma) a 1ª no Poço Velho defronte das casas de Jorge Nuno Botelho Cavaleiro de Ordem de Cristo em Rosto do Cão e outra onde está a Ermida de Nossa Senhora da Guia conhecida ainda por o sitio da Bandeira. Que ninguém saia nem entrava ninguém na dita Vila de Lagoa.A peste passou em trés´anos para Vila de Ribeira Grande por uma manta levada por um João Afonso, por alcunha (o cabreiro) que a ofereceu a uma negra que em poucos dias morreu e logo a enterrou sem ninguém saber no dia seguinte foi jogar com um correiro chamado Martim Leão a casa de de um João Gonçalves que tinha dois filhos que morreram novos também da Peste. O Povo logo que soube foi queimar a casa. A Peste durou cerca de oito anos nesta ilha de São Miguel Açores.

Há 500 anos.
Na Vila de Ponta Delgada
A Peste começou a 4 de Julho 1523.
Veio de ilha de Madeira uma caixa ( ou caixão?) para casa de João Afonso Seco que morava junto de Igreja de São Pedro, e dali se ateou a toda a Vila de Ponta Delgada onde morreram centenas de pessoas e não morreram mais porque muitas das pessoas foram para lugares com ares mais sudáveis Feteiras. Fenais da Luz e outros sítios desta ilha de São Miguel Açores.
Curiosidades: Muitos fidalgos (cerca de trezentos armados com lanças, espadas, besteiros, espingardeiros e alabardas capitaneados Gaspar Rego Baldaia, Pero de Teve e outros) de Vila de Ponta Delgada quando souberam que o Capitão mandou fazer muros e montado as ditas Bandeiras foram a Vila de Lagoa pedir satisfações ao Capitão Rui Gonçalves da Câmara dizendo a este que estavam a ser tratados como escravos o Capitão vendo que “eles não estavam para brincadeiras mandou retirar a Bandeira que estava em Rosto do Cão. Assim a Vila de Lagoa escapou a uma maior tragédia naquele tempo. Quem quiser saber mais está no livro IV Saudades da Terra esta nas páginas nº 298 a 302 Assim foi nesta ilha de São Miguel Açores. Cristina Calisto, Carlos Melo Bento, Chrys Chrystello, Felix Félix Rodrigues, Rafael Fraga, Val Vale Tim, Jose M. Espinel José M. Espinel Cejas, Magno Jardim. José Soares de Oliveira, Roberto Garcia Fernando Tristão da Cunha, Fernando Fausto Silva Cristóvam, Fernando Jesus, Pescadores Lagoa

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