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Source: What Happens Next? COVID-19 Futures, Explained With Playable Simulations
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O transporte aéreo de passageiros vai ser limitado a dois terços da lotação normalmente prevista para cada aeronave, definiu hoje o Governo, em portaria publicada em Diário da República, no âmbito das medidas contra a pandemia de covid-19.
Source: Covid-19: Aviões vão ter de limitar passageiros a dois terços da lotação – Açoriano Oriental
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Cena da vida real
Ela caminhava com passos miudinhos, curvadinha para diante, procurando que a não cansasse tanto a ladeira .
Eu – Bom dia, vizinha!
Ela – Bom dia. Hoje as pessoas nem sombra têm!
Eu – As nossas estão todas dependuradas lá em cima?
Ela – É do ditado: Esta terra não tem sombra senão a que vem do céu.
Eu – Se a sombra lá fica… não pode chegar cá em baixo.
Ela – Pois.
Eu – Vamos andando que já falta pouco.
Ela – É. O santo sacrifício da missa é isto.
Eu – Isto o quê?
Ela – Subir isto tudo.
Eu – Pois.
Ela – Cada domingo cada calvário.
Eu – Pois. Mas se calhar não chega.
Ela – Não chega…aonde?
Eu – Não chega para chegarmos ao céu.
Ela – Pois não.
Ela – Mas ajuda.
Ela – Grão a grão enche a galinha o papo.
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Nos Açores temos mais um dia sem casos, sem mortes e com quatro recuperados. Pouco há a acrescentar a estes dados, em termos de análise, pois as cadeias de transmissão estão há muito tempo controladas. Infelizmente uma delas entrou num lar de idosos no Nordeste, ilha de São Miguel, e isso justifica a elevada letalidade por Covid-19 no Arquipélago.
No país temos mais 20 óbitos hoje, mais quatro do que ontem e menos seis do que os esperados. A taxa de letalidade nacional por covid-19, tendo em conta as análises e diagnósticos e as causas de morte consideradas oficialmente, situa-se hoje nos 4,1%, tendo subido ligeiramente em relação a ontem, mesmo que o número de infetados registados hoje (apenas 92) seja baixo. Com estes números temos uma subida de apenas 0,4% do total do número acumulado de infeções (25 190), muito mais baixo do que o estimado por qualquer modelo.
Os comportamentos da infeção nos últimos dois dias têm sido praticamente imprevisíveis, provavelmente resultantes de ajustes que a DGS faz ao número oficial de casos de infeção, mas tal não ocorre com o número de óbitos.
No país, a mortalidade parece ter atingido o seu máximo, estando a sua taxa na média dos países infectados com SARS-CoV-2. Tudo indica que o Brasil e Rússia, vão viver situações dramáticas e a mortalidade pode subir muito acima daquela que se verificou com a Itália.
Os Estados Unidos continuam a ser campeões da mortalidade, se houver que eleger uma triste liderança.
Repare-se que a taxa de mortalidade da Suécia, um país de referência, é superior à de Portugal.
O gráfico que aqui se apresenta é do Financial Times.

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Colóquios da Lusofonia, em Montalegre.
A minha comunicação: “Voando com Armando Côrtes-Rodrigues em busca de um nós”.
Obrigado Colóquios. Obrigado Correio dos Açores.
A repetir.
As memórias também nos constroem.
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Do jornalismo não lucrativo (nos 100 anos do Correio dos Açores)
O jornalismo nos Açores nunca foi lucrativo.
As empresas que detêm jornais sempre ancoraram o seu “core business” (negócio central) nos serviços gráficos (tipografia), aproveitando as oficinas para imprimirem os jornais nas horas de menos encomendas.
A história fez com que, apenas no século XX, com a competição dos novos média, os patrões dos conteúdos começassem a olhar de forma diferente para as edições em papel.
Nos Açores a mudança chegou mais tarde, mas ajudou a corrigir os erros cometidos pelos outros e a aperfeiçoar as ferramentas e a fiabilidade de uma imprensa historicamente centenária, como é o caso, agora, do Correio dos Açores.
Não é fácil manter de pé um jornal, sobretudo agora, em situação de crise profunda e com uma mudança de hábitos e de tendências onde prevalece a rapidez na procura de conteúdos, especialmente através das redes sociais.
O problema é a tal fiabilidade, como se tem visto por estes dias, onde imperam as notícias falsas, muita desinformação e, à mistura, muito comentário de ódio e imbecilidade.
Então onde procurar as notícias em que confiamos?
A resposta está no jornalismo profissional, na imprensa tradicional de referência e credível, nas marcas de confiança que são escrutinadas e possuem regras de ética.
Ora, no meio deste turbilhão informativo com que somos bombardeados a toda a hora, o jornalismo de qualidade tornou-se num autêntico serviço público, porque distingue a verdade da mentira e ajuda a manter os valores da democracia e do pluralismo nas sociedades.
O leitor já imaginou o que seria, no meio desta crise pandémica, se a comunicação social privasse a população de notícias?
As empresas de média poderiam, à semelhança das outras, aderir às medidas de apoio oficiais, recorrendo ao lay-off e encerrando a actividade.
Desistir não faz parte da missão da comunicação social. O jornalismo e os jornalistas têm que estar na linha da frente, em todas as circunstâncias, até em cenário de guerra.
Não se peça à comunicação social que faça o papel de governo ou oposição, nem tão pouco que seja ideológica e alarmista em qualquer cenário, mas também não lhe peçam que seja submissa e reverente seja em que cenário for.
A missão dos média é só uma: procurar a verdade dos factos, ser irreverente e coerente nas causas e escrutinar ao máximo os poderes, sempre ao serviço do público.
Os jornais açorianos estão a dar provas de resistência, apesar das enormes dificuldades que também enfrentam com esta crise.
Precisamos de informação cada vez mais asseriva, em contraponto aos boatos, especulação e opinião insultuosa das redes digitais.
Será uma prova de resistência, é certo, mas quem sobreviveu durante um século certamente que saberá ultrapassar mais esta batalha.
Não é por acaso que o lúcido Papa Francisco, ainda há poucos dias, agradecia o trabalho dos jornalistas em época de combate ao “vírus do egoísmo e da indiferença”.
É por isso que a imprensa tradicional deve ser apoiada pelas instituições públicas e pela sociedade civil, em nome destes valores e da própria promoção da literacia mediática.
Não é preciso dar dinheiro às empresas, basta promover uma série de incentivos e benefícios fiscais, como já foi proposto, até mesmo aos cidadãos e empresas que compram os conteúdos da imprensa tradicional, como já acontece nalguns países.
A reabilitação do porte pago, a distribuição de assinaturas pelas escolas e até a possibilidade de os cidadãos consignarem parte do seu IRS aos jornais, são ideias já propostas que ajudariam a revitalizar a imprensa regional. É um debate que tem de ser feito depois de passar esta tormenta sanitária.
É porque os jornais não possuem uma forte estrutura de suporte financeiro que o jornalismo enfraquece e os seus profissionais são cobiçados para assessorias e outras actividades mais aliciantes economicamente.
A História centenária do jornalismo açoriano sempre foi de inúmeras dificuldades, o que torna a sua resiliência ainda mais valorizada, à semelhança do que acontece hoje com os 100 anos deste jornal.
Os Açores nunca seriam o que são hoje se não existisse uma imprensa com essa resiliência, que esteve sempre na linha da frente das principais causas políticas ou de outra índole, reinventando-se perante todas as adversidades, mas sempre em prol dos mais justos valores da população açoriana.
Tive a felicidade, nos meus 40 anos de jornalista, de ter começado aqui, no Correio dos Açores, uma saudosa escola que só quem passa pelas redacções da imprensa escrita é que compreenderá.
Como dizia o meu querido e saudoso Mestre, Jorge do Nascimento Cabral, de quem fui adjunto na direcção deste jornal, “um dia de cada vez, uma prosa de cada vez, e sempre de cabeça levantada, sem medo dos polícias dos costumes da nossa praça”.
É esta liberdade que mais prezo, para mim e para todos os leitores, na pluralidade de ideias e opiniões, sem a boçalidade das redes sociais, que faz do Correio dos Açores a justeza desta longevidade.
Este prolongamento da História riquíssima do jornal tem rostos.
Na impossibilidade de os nomear a todos, concentro-os na bravura dos timoneiros Américo Natalino de Viveiros e Paulo Viveiros, que vão pilotando, com arrojo e sentido de responsabilidade, este barco enorme, confluente na História centenária do jornalismo açoriano,enriquecendo o nosso património regional e nacional.
Apesar de tudo, um privilégio histórico nos dias de hoje.
Parabéns Correio dos Açores!
1 de Maio de 2020
Osvaldo Cabral
