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Eclipse solar parcial visto da ilha Terceira – Açoriano Oriental

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Os Açores foram a única região de Portugal onde o eclipse do Sol foi visto parcialmente, apesar das condições metereológicas desfavoráveis.

Source: Eclipse solar parcial visto da ilha Terceira – Açoriano Oriental

Empresários dos Açores pedem ponderação cuidadosa na privatização da Azores Airlines | NewsAvia

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A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (Açores) apelou ao Governo Regional e à Azores Airlines para “ponderarem cuidadosamente” e retirarem conclusões sobre a avaliação do jú…

Source: Empresários dos Açores pedem ponderação cuidadosa na privatização da Azores Airlines | NewsAvia

Inspeção confirma “ilegalidades” nos centros de interpretação ambiental dos Açores – Açoriano Oriental

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Um relatório da Inspeção Administrativa Regional da Transparência e do Combate à Corrupção (IARTCC) nos Açores dá conta de “ilegalidades” nos contratos de trabalho dos funcionários dos centros de interpretação ambiental do arquipélago.

Source: Inspeção confirma “ilegalidades” nos centros de interpretação ambiental dos Açores – Açoriano Oriental

Faleceu Eugénio Lisboa. RIP.

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Faleceu Eugénio Lisboa. RIP.
Deixo aqui um texto dele, que o retrata muito bem e de que ele gostava muito:
«Se tivesse podido, tinha ficado sempre na mesma casa, em Lourenço Marques. Com os meus móveis, velhos, toscos, com os livros nos mesmos sítios. Gosto de conhecer bem as casas onde vivo e gosto ainda mais que elas me conheçam a mim. Quando ficamos acertados um com o outro, quando nos habituamos, parece-me então, que tudo se torna possível. É como se ficasse apetrechado para tudo!
Quando tinha catorze anos, um colega e amigo do meu pai, em África, chamou-me a sua casa e deu-me para cima de uma centena de livros e até uma pequena estante. Trouxe tudo para minha casa, pus a estante com os livros no meu quarto e começámos a conhecer-nos. Aquilo passou a ser o meu mundo. Estendia-me na cama e ficava a olhar para toda aquela riqueza. Ia lendo os livros, o que era talvez importante, não sei, mas sobretudo, gostava de estar ali. Dávamo-nos bem, eu e os livros e não me parecia nada necessário, nem aconselhável mudar aquele estado de coisas. Aquela casa calhava-me, e aquele quarto e aqueles livros que eu ia lendo: Plutarco, Kipling, Conrad, Lawrence, Stendhal, Tagore, Charlotte Brontë… Gostava imenso destas ficções mas gostava delas ali, naquele sítio, naquele sossego, naquele isolamento africano. Não sei se me apetecia, mas acho que não, mudá-los um dia para outra casa, noutra terra, noutro continente. Embora soubesse, com a cabeça, que dentro de três anos teria que partir para Lisboa, para estudar na Universidade, o meu coração não estava nessa: além do mais, três anos era muito tempo. Tudo andava ali tão devagar e é tão bom que seja assim.
Na casa, sentado no chão ou estendido na cama a ler, eu ia ficando cada vez mais em sintonia profunda com o meu quarto e com aqueles livros: Merimée, Dostoiewsky, Victor Hugo, Musset, Panait Istrati. O meu mundo ia-se alargando ali. A Senhora de Rênal ficou para todo o sempre ligada ao meu encontro com ela, naquela casa. Ainda hoje, quando releio o livro mágico de Stendhal, regresso automaticamente à casa da Rua Mendonça Barreto. Pego no Rouge e instalo-me mentalmente lá: a cor do dia, o bom cheiro africano, o prazer demorado, o nascer palpitante do meu amor pela Senhora de Rênal – tudo recomeça. Tudo regressa. Aquela casa ficou dentro de mim e gostaria de acreditar que, de algum modo misterioso, eu fiquei dentro dela, mesmo que ela tenha desaparecido, como é quase certo que aconteceu. Também foi ali que me encontrei com o Huckleberry Finn e com a Katucha da Ressurreição. Todos esses livros que ainda gosto de reler ficaram, na minha memória e no meu afecto, ligados àquela casa. E o meu cão, o Nero, que eu levava à praia e vinha comigo para a cama, enquanto eu recomeçava o meu romance com a Senhora de Rênal. Não sei se tudo aquilo só seria possível naquela casa, mas a verdade é que tudo aquilo ficou irremediavelmente a só ser possível naquela casa.
A casa nem sequer era boa. Mas era melhor do que ser boa: era a casa a que me tinha habituado, era a casa em que tantos encontros e milagres aconteciam. Era dali que eu via a Europa para onde havia de ir um dia e acho hoje (e achava então) que a Europa era boa vista dali, daquele quarto. A Florença do Lys Rouge, percebida através da leitura, naquele aconchego, era multiplicadamente bem melhor do que a outra verdadeira que aguardava a minha decepção. Como era grande e mágico e sedutor o mundo visto do meu quarto da Rua Mendonça Barreto de uma Lourenço Marques que já não existe! Ali sofri com a Jenny de Fontanin e com o Jacques Thibault e com eles sonhei Paris que era tão apetitosa enquanto acariciava o Nero.
A casa tinha um quintal atrás e um pequeno jardim à frente e uma cave enorme e um pouco assustadora. Depois do almoço, enquanto me não decidia a estudar ou a fazer os deveres, lia o Plutarco – no quarto, claro. Assim, aquele quarto se ia transformando na Grécia, em Roma e na Roménia de Adriano Zograffi. Foi também ali que chorei com o Adeus às Armas (numa edição brasileira), como foi ali, pouco antes de partir para Portugal, que fui apresentado à Katherine Mansfield.
O quarto ia sempre ficando maior e eu a caber nele cada vez melhor. Tanta coisa ali tinha acontecido e com gente de tanto lado diferente, que o quarto era realmente um mundo. Sair dele era ir para mais pequeno. Foi o que me sucedeu em Setembro de 1947. Quando me despedi da casa e do Nero (e dos meus pais, é claro) e parti para sempre daquele cantinho a que quisera como se fosse parte de mim e no qual me fizera como nunca voltou a acontecer. Acho que só se tem uma experiência assim uma vez na vida. Também não há quartos por aí aos montes. Houve aquele e já não foi mau. Julgo que há muita gente que nunca teve nenhum. Pelo menos como aquele. De onde se via a cidadezinha de Verrières, que veio depois a caber inteira no interior do quarto e onde acabou por ficar, com a Senhora de Rênal dentro dela e portanto dentro dele. E dentro de mim.
Gostaria tanto de acreditar num além onde pudesse voltar a encontrar a minha casa, o meu quarto, o Nero e a estantezinha de prateleiras mínimas onde cabiam à justa, as novelas Inquérito que eu lia como quem descobre! Porque não há uma máquina do tempo que me permita voltar à Mendonça Barreto e encontrar ali, pela primeira vez, a Senhora de Rênal a perguntar-me, com uma doçura que me trespassou: «Que voulez-vous ici, mon enfant?»
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Teresa, João and 9 others

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JOEL NETO., ANTº BULCÃO, VALDEZ E AS MARCHAS SANJOANINAS

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A marcha do Joel
Nunca uma marcha de São João deu tanta polémica. Muito menos a “oficial”.
Como nota prévia, devo dizer que este escrito nada tem a ver com o facto de a letra da marcha das próximas Sanjoaninas ter sido escrita por Joel Neto. Sempre separei bem as coisas. Fosse a autoria de tal letra de outra pessoa qualquer, com igual ou parecido teor, e aqui levantaria a minha voz.
Não será, no entanto, por acaso que nunca houve fenómeno sequer parecido em termos de contestação no que respeita à letra de uma marcha. Houve-as mais brilhantes e mais fracas, ao longo de décadas, mas nenhuma delas provocando tanta indignação. O que, desde logo, deverá constituir um alerta vermelho para o seu autor: não tem jeito para a coisa. Formal e substancialmente, a letra de Joel é muito má. E deverá o autor aceitá-lo com humildade e dedicar-se a outros estilos de escrita, se tal for possível, na parte da humildade.
Substancialmente, a letra parece um panfleto do MRPP. Contra o fascismo, a ditadura, “não passarão o ódio, a propaganda, a censura”. Mesmo sendo o mote das Festas os 50 anos do 25 de Abril, não era necessário transformar a marcha oficial num manifesto político, muito menos em tom de extrema-esquerda.
Pelo contrário, exactamente por se tratar das bodas de ouro de Abril, tudo aconselhava a que se buscasse a concórdia. Tristemente, o que conseguiu Joel foi espalhar a discórdia entre o povo, como se pode constatar nos comentários deixados na página do facebook das Sanjoaninas. E não estou sozinho na crítica, muito pelo contrário. A maioria das pessoas não gostou.
Quando pergunto aos meus alunos sobre o que sabem do 25 de Abril, há duas palavras que aparecem logo nos seus lábios juvenis: liberdade e democracia. Pois nem uma destas palavras aparece na letra de Joel. Focado em fazer passar as suas mensagens subliminares, esquece o essencial. O que não será de estranhar, para quem nasceu já em liberdade…
Vamos então à substância. Diz uma parte da letra:
“Fundeia de Valdez e traz Cervantes
Desmonta o regente usurpador
Levou a meninice a uma criança
Investem dois fascistas aspirantes
E trazem o semblante do ardor
Mas tu não és lugar de ditadura”.
Confesso-me confuso. Quem é o Valdez? Que tem Cervantes a ver com isto? Quem é o regente usurpador? Um regente rege alguma coisa, em nome de alguém. Este regente usurpador regeu o quê? Em nome de quem? A que criança foi retirada a natural meninice? E quem lha devolveu? Quem são os dois fascistas que investem? E são fascistas ou aspirantes a tal? Apenas dois, são fáceis de dominar…
“Cidade insurgente e republicana, maior do que a vida, pouco mais que nada”? “Cidade de raparigos e de pretos do Monte Brasil”?
Uma marcha popular é, como o nome indica, para ser entendida pelo povo. Basta, a título de exemplo, ouvir as letras escritas por Álamo de Oliveira. Toda a gente entende o que ele quer dizer. Entendem os marchantes, que cantam, entende o povo que ouve, toda a gente consegue cantarolar. Pretender que toda a gente saiba quem foi Valdez, Cervantes, o regente usurpador, é pretensioso. É querer esmagar o povo sob o peso de uma erudição confusa, inconsequente e, nalguns casos, um pouco tonta.
Toda esta intrincada matéria vertida em quadras atabalhoadas e sextilhas de rima longínqua e rebuscada. Difícil de musicar e de cantar.
Nesta fase já adiantada do escrito, haverá sempre alguém que perguntará: então é tudo mau, não se salva nada? E eu respondo. A música da Grinoalda Ávila é bonita, e a minha amiga teve a mestria de conseguir musicar as sextilhas do refrão, o que não deve ter sido nada fácil. O arranjo do Antero Ávila é bem feito, como não se esperaria outra coisa. E está bem cantada pela Maria Moniz e pelo José Eugénio. O que não tem mesmo salvação é a letra…
Toda a minha simpatia para os marchantes, que terão de fazer alguma pesquisa para saberem o que vão cantar. Infelizmente, não posso estender tal expetativa ao povo terceirense. A Biblioteca e Arquivo não tem capacidade para albergar cinquenta e tal mil almas, ávidas para saber quem foi o Valdez. Eu… não sei.
António Bulcão
(publicada hoje no Diário Insular)
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Bebo Valdés & Diego El Cigala.- Lágrimas Negras
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Bebo Valdés & Diego El Cigala.- Lágrimas Negras

abril? nada mudou desde 2013 a não ser para pior…

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Enquanto dormias a nova escravatura chegou, nov 2013

 

nenhum de nós é livre

enquanto ao teu lado

houver fome

miséria

desemprego

hoje são os outros

amanhã serás tu

passaram 40 anos

 

nenhum de nós é livre

enquanto abril não se cumprir

poema + outro epitáfio (inédito Chrys 2022)

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739 outro epitáfio 25.6.2022

 

ser velho é isto

olhar para a parede que já foi branca

contar os traços quase a atingir 26645

já pouco espaço resta para mais traços

cada um deles um dia

uma alegria mil tristezas

sonhos que se esfumaram

sonhos nunca sonhados

que se concretizaram

sonhos recorrentes

nunca atingidos

subidas aos sete céus

descidas a mil infernos

a certeza inabalável

de ter feito a diferença

no carneirismo cinzento

a ovelha negra

no meio do rebanho

sem medo

dos cães pastores

de seus dentes ameaçadores

sem temor da chibata do pastor

e para epitáfio

um “smile” gigantesco

de desdém, de zombaria

 

DIAS DE MELO FARIA HOJE 99

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Quando o “ciclo da baleia” (Mar Rubro; Pedras Negras; Mar pela Proa) surge agora em edição conjunta na Imprensa Nacional, sob a responsabilidade do Professor Luiz Fagundes Duarte, o fb traz-me esta memória com a capa (João da Câmara Leme) da primeira edição de “Pedras Negras”.
(Uma rectificação na data de aniversário de Dias de Melo: 8 de Abril, em vez de 7)
DIAS DE MELO faria hoje 88 anos.
Capa de João da Câmara Leme para a 1.ª edição (Portugália, 1964) de «Pedras Negras», a narrativa mais emblemática de Dias de Melo (traduzida para inglês por Gregory McNab e para japonês por Kiwamu Hamaoka).
No photo description available.
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Aníbal, Natividade and 24 others

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Termas das Caldeiras reabrem em maio após remodelação – Açoriano Oriental

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Com nova concessão por 15 anos, o edifício das Termas das Caldeiras da Ribeira Grande sofreram uma remodelação “profunda”, aumentando para sete as salas de tratamento. Um baby spa termal e tratamentos capilares são também novidades

Source: Termas das Caldeiras reabrem em maio após remodelação – Açoriano Oriental

mistérios arqueológicos

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O Mistério   
“Os sobreditos «maroiços», que se encontram em número assaz avultado, cerca de cento e quarenta no Concelho de Madalena, na Ilha do Pico, pelas suas características peculiares não podem de modo algum ser comparados a outros que recebam a mesma designação de «montes de pedras» criados pela limpeza de terrenos agrícolas. O termo «maroiço» generalizou-se, pois, sem qualquer critério, empurrando estas enigmáticas construções, que muito lembram as pirâmides aztecas, para o anonimato da trivialidade que está longe de os descrever. Não invalidando que haja nos Açores, como em qualquer outro lugar, montículos de pedras formados pela domesticação de terras, este não terá sido certamente a função dos maroiços nem dos «cairns» que abundam sobretudo na Terceira e aos quais daremos, aqui, o nome de moledros (…) Com corredores por vezes longos e estreitos, dotados de câmaras no seu interior, de onde foram já recolhidos materiais líticos, anzóis, conchas, pesos de rede e fragmentos de metal e de cerâmica, os maroiços do Pico orientam-se para o Poente no Solstício de Verão, uma precisão que não esperamos encontram em simples montes de pedras. Alguns com cerca de treze metros de altura e construídos labirinticamente em degraus, culminando em pináculos decorativos, dispõem ainda de uma «praça» cerimonial, muito à semelhança de outros monumentos inscritos na mesma tipologia e erguidos em paisagens igualmente vulcânicas, como os das encostas de Tenerife e do Etna, ou os cairns franceses de Barnenez e de Gavrinis, datados do Neolítico. Tais características afastam por completo estes pretensos «maroiços» da teoria agrícola com que têm sido explicados ao longo dos últimos séculos.”
“Mas o maior enigma de todos é de longe o silêncio e a negligência do Estado e da Arqueologia portugueses face a este património imenso e inestimável, capaz de reescrever não apenas a História daquelas ilhas, mas a da humanidade, algo que não convém a quem governa pela ignorância, através de jogos cabalísticos e de fraudes científicas que visam trocar a realidade dos factos por quimeras políticas…”
Isabella Garnesche
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VOZES NO TEMPO
Paleolinguística, Genética e Paisagem (25)
AÇORES, NA TERRA DOS DRAGÕES (I Parte)
Os arqueólogos e pré-historiadores Nuno Ribeiro e Anabela Joaquinito, da APIA (Portuguese Association of Archeological Research), prospectaram no Monte Brasil, na Ilha Terceira, aquilo que a antropóloga Antonieta Costa interpreta como um conjunto de templos cartagineses do século IV a.C., dedicados à deusa púnica Tanit, com base numa consulta a Johanna Stuckey, professora emérita da Universidade de York, Toronto, e em informações académicas fornecidas por Moisés Espírito Santo a respeito deste culto ligado à água e a uma figura geométrica muito precisa, o trapézio, a qual formata os nichos escavados nas rochas e o tanque principal. A presença dos Fenícios nos Açores não explica, como é óbvio, a influência genética mongol e nipónica herdada por aquelas populações, mesmo que os Açores possam corresponder efectivamente às Cassitérides, ideia reforçada pela «Tabula de Ptolomeu» assinada por Nicolau Germano e editada em 1482, na qual estas ilhas lendárias são mapeadas ao largo da Galiza, por força de um rudimento característico da cartografia medieval que usava a síntese como meio de expressão, sem qualquer preocupação com a escala real dos territórios. Outra hipótese prende-se com a possibilidade de as Cassitérides não passarem de um nome genérico atribuído pelos Púnicos a todas as ilhas ou locais que contivessem estanho passível de ser minerado, ou comercializado, e aqui entrarão as Scilly (Sorlingas), a sul da Cornualha, que funcionariam apenas como entreposto, porque estanho pouco contêm, e as Ilhas Ciés, estas, sim, ao largo da Galiza, um pequeno arquipélago descoberto por Midácrito cerca de 1600 a.C., onde se minerava o estanho e o chumbo, e ao qual os Fenícios davam no nome de ‘Kicar’.
É impossível não notarmos a semelhança fonética e semântica entre Kicar e Kurga-ki, topónimo que o Prof. Sayce traduzia do Sumério como «terras do estanho, ou onde o Sol se põe», pertencentes ao império de Sargão I, as mesmas que C. Winters e A. H. Verril atribuem à Bolívia e não à Ibéria, posto que Kurga-Ki se situava além do «Mar Superior», ou seja, do Mediterrâneo, e não nele, propriamente falando. A associação entre os Sumérios e a América do Sul é também sublinhada por Jim Bailey, em Sailing to Paradise, que, com o apoio técnico de diversos geólogos e historiadores, sugere que os Sumérios conhecessem o Titicaca, «o lago do puma de pedra», pelo nome de ‘Manu’, «lago de nuvens», bem condizente com a altitude de 3 821 km a que o Titicaca se encontra.
A navegação na Antiguidade pré-clássica pouco a pouco vai largando o seu estatuto de tabu. E, como afirma Bailey, se queremos compreender estas antigas civilizações, comecemos por olhar mais para a sua matemática sofisticada, e menos para a sua cultura material. Estes homens do passado não dependiam dos almirantados nem de instrumentos de grande precisão, como os actuais radares, no entanto as suas capacidades náuticas iam muito além das nossas e da nossa compreensão. Será esta ideia assim tão extravagante perante dezenas de exemplos de animais que por si mesmos, através do seu instinto e memória, cruzam oceanos e continentes, mantendo geração após geração as suas rotas migratórias? Talvez o mesmo se aplicasse aos marinheiros de outrora, aptos a navegar os veios telúricos, guiados somente pelas aves, pelos ventos, pelas correntes marítimas e pelo Cosmos. Entre dois azuis, o do céu e o do oceano profundo, estes homens não se perdiam, conectados que estavam às subtilezas da paisagem em seu redor. Estes eram os herdeiros das civilizações imateriais, ou «pré-civilizacionais», como a que construiu Gunung Padang, povos que aplicaram todo o seu engenho e conhecimento numa outra dimensão da realidade, porque a vida material era para eles um mero reflexo do espírito, a onda tornada partícula, ou pura cimática.
Certo é que os Fenícios rumavam às ditas «ilhas do estanho», fossem estas quais fossem, para negociar e não para minerar, logo os seus habitantes seriam autóctones e não colonos púnicos, por isso susceptíveis de negociarem o seu minério com outras gentes, o que obrigava os Fenícios a manter secreta a localização do arquipélago a qualquer preço, como se verifica no caso do mercador de que nos fala Estrabão, que arriscou a própria vida para que os Romanos não descobrissem a sua rota. A serem púnicos os templos do Monte Brasil, pressupõe-se que os Fenícios tenham acabado por se fixar nas ilhas, ou que tenham influenciado culturalmente os seus misteriosos habitantes, que por força da lógica não seriam aguerridos, dado o seu longo isolamento e ausência de grandes predadores, assim como de grupos que com eles pudessem entrar em competição. Também há que lembrar que as Canárias foram colonizadas pelos Fenícios, que para lá terão levado escravos celtas e ibéricos recolhidos no reino de Tartessos e noutros locais do Mediterrâneo, podendo, inclusivamente, ter alcançado a Meso-América, o que é de todo plausível face à existência de vestígios de tabaco e de cocaína em múmias egípcias, que atestarão trocas comerciais com os povos ameríndios, também eles construtores de pirâmides e admiradores da obsidiana. A hipótese de em tempos terem existido variedades de cocaína e de tabaco em África não está fora de questão, contudo nunca o mais leve indício disto foi obtido e muito menos se explica a sua extinção, visto serem espécies altamente valorizadas.
Os sobreditos «maroiços», que se encontram em número assaz avultado, cerca de cento e quarenta no Concelho de Madalena, na Ilha do Pico, pelas suas características peculiares não podem de modo algum ser comparados a outros que recebam a mesma designação de «montes de pedras» criados pela limpeza de terrenos agrícolas. O termo «maroiço» generalizou-se, pois, sem qualquer critério, empurrando estas enigmáticas construções, que muito lembram as pirâmides aztecas, para o anonimato da trivialidade que está longe de os descrever. Não invalidando que haja nos Açores, como em qualquer outro lugar, montículos de pedras formados pela domesticação de terras, este não terá sido certamente a função dos maroiços nem dos «cairns» que abundam sobretudo na Terceira e aos quais daremos, aqui, o nome de moledros, principalmente aos que pela sua distribuição configuram padrões constelares, como o da Ursa Maior, e que se definem como altares cuja função, desde apotropaica a funerária, passando pelos cultos astrais e elementais, variou ao longo do tempo e do espaço, tal como a sua configuração, tamanho e complexidade. Com corredores por vezes longos e estreitos, dotados de câmaras no seu interior, de onde foram já recolhidos materiais líticos, anzóis, conchas, pesos de rede e fragmentos de metal e de cerâmica, os maroiços do Pico orientam-se para o Poente no Solstício de Verão, uma precisão que não esperamos encontram em simples montes de pedras. Alguns com cerca de treze metros de altura e construídos labirinticamente em degraus, culminando em pináculos decorativos, dispõem ainda de uma «praça» cerimonial, muito à semelhança de outros monumentos inscritos na mesma tipologia e erguidos em paisagens igualmente vulcânicas, como os das encostas de Tenerife e do Etna, ou os cairns franceses de Barnenez e de Gavrinis, datados do Neolítico. Tais características afastam por completo estes pretensos «maroiços» da teoria agrícola com que têm sido explicados ao longo dos últimos séculos.
O roteiro dos enigmas açorianos apenas começa aqui, pois a ele podemos adicionar a «coluna romana» de Angra do Heroísmo, que segundo António R. Colmenero é dedicada a Marco Opellio Macrino, imperador de origem berbere que reinou entre 217 e 228 d.C., mas que de acordo com Nuno Ribeiro será uma dedicatória a um «Daccios Theos» de feitura incerta; os megálitos da Terceira, com as suas pias esculpidas, iguais a tantas outras que encontramos pela Irlanda, e também na América e na Europa atlântica e mediterrânica; os hipogeus do tipo púnico no Monte Brasil, assim como outros nas Flores e no Corvo; ou as epígrafes fenícias da Gruta das Quatro Ribeiras, descobertas há quinhentos anos na Terceira, a par de um amuleto com o que parece ser também uma inscrição fenícia, encontrado em São Miguel. As grutas «funerárias» são outro exemplo que aqui nos cabe listar, assim como o «columbarium» das Lajes, que poderá ter sido uma necrópole cinerária idêntica a outras de feitura etrusca, como a de Centocamere (Grotte di Castro, século VII a.C.), ou romana, como as de Castle Boulevard, Vale de Elá e a de Beit Guvrin-Maresha, esta última em Israel, onde não foram encontradas urnas funerárias, tal como acontece na Terceira. Não nos esqueçamos da mítica estátua equestre da Ilha do Corvo, supostamente arruinada por um legado régio que tentou levá-la para a corte aquando de uma expedição à ilha, nem dos muros ondulantes como rios de pedras pontuados por bétilos, recriando dragões adormecidos e serpentes freáticas, a juntar às esculturas de leões e crocodilos, animais que por certo nunca habitaram os Açores, mas que surgem na Terceira em memória, talvez, da pátria norte-africana de alguns dos seus primeiros colonos, como expressão de uma cultura forânea que a antropóloga Antonieta Mendes Costa compara à do Egipto. Mas o maior enigma de todos é de longe o silêncio e a negligência do Estado e da Arqueologia portugueses face a este património imenso e inestimável, capaz de reescrever não apenas a História daquelas ilhas, mas a da humanidade, algo que não convém a quem governa pela ignorância, através de jogos cabalísticos e de fraudes científicas que visam trocar a realidade dos factos por quimeras políticas…
Imagem: Marcas de corte na Grota do Medo, Ilha Terceira. Sete reentrâncias que não podem ser atribuídas a um qualquer fenómeno natural. Note-se que o vértice que separa os dois conjuntos de traços, quatro à esquerda e três à direita, se encontra voltado a Norte. Fonte: http://angrosfera.cmah.pt/
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