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San Francisco tests special paint that splashes back pee onto public urinators – Quartz
vulcões, o sangue da terra
NORBERTO ÁVILA pelo próprio
assim se fala em São Miguel
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Olá!
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Assim se fala em S. Miguel
A identidade própria do modo de falar micaelense está presente não só no seu sotaque típico, mas também na riqueza de palavras e expressões populares que, juntamente com alguns aspectos gramaticais, como o o uso intensivo do gerúndio, lhe conferem um colorido expressivo único.
Alguém mais atrevido, safado ou velhaco é um corisco, se é desleixado ou desajeitado é mal-amanhado, é um corisco mal-amanhado! Se se trata de alguém de quem não se gosta é um corisco negro, um vargalho, um laparoso e se a intenção é insultar e chamar nomes é um babou,um baboso, um atoleimado, um zabela, um naiã (naião) que o quer é mamá (mamar)! Mas se é um amigo do peito, é um braçado e se é muito querido, é um binsuado (abençoado) ou um sagrado. Diabo é diacho e dianho.
Se alguém está a maçar, está atramoçando ou está cegando e quando não estão para o aturar dizem que não o vão sofrer. Moer a paciência é seringar, meter-se com alguém é intenicar e uma pessoa que chateia é cegona.
Alarmar é desinquietar, andar numa roda viva é andar numa dobadoira e deixar é largar da mão. Se fica calado e sem saber o que dizer fica embatocado, se tem cautela fica na retranca. Ficar de olhos em bico é ficar de olhos arregalados e se se habitua a fazer algo, fica avezado.
Sabedoria é sabedura , palermices e conversas parvas são baboseiras, não ter juízo é não ter tarelo e falta de juízo é destarelo. Do tolo dizem que não é muito discreto, se é discreto e sensato dizem que é arrematado e se dizem que é discreto é porque é esperto e inteligente. Se é parvo e não atina, é palhoco, paspalhão ou patrazana, se é ingénuo é trouxa e se é burro dizem que é arruda da cabeça.
Disparate e falta de propósitos é desarremate, disparatado e impetuoso é desarrematado, e uma mulher d’arremate e da sua porta para dentro é uma mulher sensata, ordenada na sua vida. Quem anda desatinado anda desarido, se está maluco está pegado da cabeça ou cismado, pronto para ir para o Egipto, como chamam ao manicómio.
Em vez de gemer com dores dizem ganir com dores. Palavrão é má-língua, descarado é bispeta, inconveniente é desabusado e mariola é mormo. Quem é sociável é dado e quem é teimoso é teso da verga. Quem é acanhado é bicho do buraco e quem anda triste e abatido anda esmorecidinho de todo.
Pessoa má é ruim e se não te fala está ruim contigo. Se anda mal disposto anda embezerrado e se anda amuado anda de beiças. Um estroina é arrebentado da cabeça e se é cabeça no ar é varela da cabeça. Andar perdido de amores é andar embeiçado e se anda no namoro anda no derriço. Se está metido em trabalhos está encalacrado, e se é bem comportado e educado dizem que é bensinado (bem ensinado). Fazer um mandado é fazer um recado e não ter necessidade é não ter precisão.
As amantes são amigas e se vivem juntos sem serem casados são ameigados (amigados). Ao marido chamam “o meu” e à esposa “a minha”. As sogras são as madrinhas e os idosos são tios e tias. A uma desconhecida chamam “Ti’ áquela” e ir visitar a tia é ir à da tia. Para pedir a benção dizem “Subença!”
Ao baloiço chamam arredouça e quando não sabem para onde se virar andam com a cabeça numa arredouça. Quem anda desconfiado anda malino e quem as faz pela calada é moquenco. Baixar é arriar, agachar-se é amouchar e dar couces é escoucinhar.
Dizem a tenda do barbeiro e do sapateiro, um homem com ofício é um mestre e as ferramenta são os apetrechos. Se não tem jeito é aselha e se é coisa mal feita é emplastro. Trapaceiro é trafulha e se é um patife é um gabiru(um). Surripiar é garimpar, roubalheira é ladroage (ladroagem) e gente que não presta é farelage (farelagem).
Aos problemas chamam molestas (moléstias) e se não há problema dizem que não há moléstia nenhuma. Depressa é numa arage (aragem) , se vai a correr vai na guita, fugir ou safar-se é pisgar-se e de uma só vez é de uma vezada. Um grande transtorno é uma grande espiga, pouco é poucachinho, uma coisinha de nada é uma nisca ou niquinha , muito é podris (poderios) e se está muito cheio, está acaculado (acogulado).
Desmaio é fanico, flatulência é flato e com falta de ar é aflatado. Estar constipado, é ter defluxo, vomitar é lançar e ter diarreia é ter soltura. Uma doença pequena pode ser um malzinho e medicamento caseiro é mezinha. Os rins são as cruzes e se tem dor de rins, tem dor nas cruzes. Inchaço é mamelão, uma ferida é uma pisadela se tem a cara arranhada está com a cara esgatanhada. Se está a sangrar, está botando picos de sangue e quando está a magoar dizem que está pisando.
Quem está bem está-se consolando ou arregalando e quando a situação é insuportável dizem que é de arder. Se sabem que alguém não vai bem, perguntam se se está aguentando e se querem dar uma força dizem “Aguenta-te sempre!”. Quando a vida não corre mal, vais-se amanhando ou vais-se safando, mas se dizem que estás bem amanhado é porque estás lixado.
Cabeça é toutiço, e o nariz as ventas. Quando te ameaçam com uma tareia dizem que te vão partir as ventas ou escarolar todo e se te insultam furiosos dizem “Fogo te abrase!”. Bater em alguém é cabedar e levar uma tareia é levar um enxerto. Vara é vardasca e bater com uma vara é verdascar.
Em vez de “haveria” dizem “havera” (houvera) e se o cão morde , dizem que o cão pega. Corrente de ar é vento encanado, ao tempo ruim chamam cadelo, tempo abafado e húmido é mornaça e ao vento frio do nordeste chamam mata vacas. Lama é lameiro e se está enlameado, está enlameirado. Parar de chover é escampar e se está um nevoeiro cerrado dizem que está cheio de neve. Para se abrigarem da chuva põem uma saca pelo capelo.
Surdo é mouco, sorrateiro é lapareiro, malvado é desalmado, atinar é botar sintido (sentido) e pôr-se a caminho é botar-se a caminho, também dizem botar sentido , botar faladura e botar contas à vida. Fazer troça é fazer escárno (escárnio) e do trocista dizem escarnento. Ficar furioso é ficar danado, ter raiva é ter reixa, ter paciência é ter aço e ter preguiça é ter lazeira. Para mandar embora, dizem “Arreda-te daqui para fora!” e para arredar dizem “Foge diante! (de diante)”
À esquina e ao largo chamam canto e uma tribuna é um palanquim. Destruido é esborralhado, cordéis são atilhos e fita é cardaço. Ao pénis chamam blica , à vagina pinta, ao rabo rabichel, às costelas aduelas e os lábios são beiços. Levar uma chapada é levar uma mão de beiços. De pernas abertas é escarrapachado, de pernas amarradas é peado. Coisa fraca, ou pouco resistente é melindrosa e ao toque de finados chamam sinais.
Nas vendas o vinho bebe-se aos meizinhos e vende-se ao quartilho e à meia canada. O álcoool e o azeite vendem-se ao dezasseis. A aguardente, o escachado e o abafado bebem-se aos calzinhos e um calzinho pela manhã é o mata-bicho. A aguardente de vinho da região é aguardente da terra e o vinho é de cheiro, se é vinho do continente chamam-no tinto. Ao mosto chamam vinho doce. Se está borracho dizem que já vai quente. Um maço de cigarros é uma carteira e uma pacote de dez maços uma cabeça.
Chegar perto é chegar rente e se está junto, está apegado. Um ninho é um ninheiro, canicão é erva daninha, as hostênsias são novelãs e os restos de comida para o porco são as lavages (lavagens). Guardar é arrecadar, espreitar é bispar ou espiolhar, estar à espreita é estar à coca e aparecer é assomar. Estar atento é dar fé, empatar é engonhar e destruir é escangalhar. Ir direito a é embicar, estrangular é esganar , apertar é espichar, descascar é esburgar e borbulhar é babujar. Lamber é lambuzar, sujar é besuntar e pegasojo é peganhento.
Em vez de “Ora essa!”, dizem “Ó’messa!” e a uma grande parvoíce respondem “T’á asno!”. “Quem me dera …” é “Quem me caçara…”, “Deus me livre!” é “Pelo’ê!” , “De qualquer forma” é “Assim c’má’sim” e ” Por causa de” é “Por mor de”. Em vez de “Enganas-te!” dizem “’T’ás mal enganado!”, em vez de “Acontece que…” dizem “Segue-se que… e dizem “Olariques!” em vez de “Olaré!”. “ Por exemplo …” é “Em comparação…” , e para perguntarem onde está, dizem “C’á dele?. “Haja saúde!” é uma saudação vulgar, “Filhas credo!” é uma exclamação de surpresa, e “Pois alevá!” de resignação. Exclamam “Pudera!” se é evidente e “Já se sabe!” se a coisa é certa. Se é mesmo a sério, dizem que é mesmo de veras, se não te aconteceu como contavas, dizem que te mijou o cão no caminho. Pintar a manta é pintar o caneco, ir lá-lá é dar um passeio às crianças e ter no sentido é ter na memória.
Aldeia é freguesia e não dizem “da minha terra”, mas “da minha freguesia”. Quem é do campo é de fora-da-cidade e um amigo de infância é da mesma criação. Quem não tem sotaque de S. Miguel fala à moda, quem é de outra ilha é das ilhas, os do continente são de Lisboa e os Americanos são calafonas. Se é da Água de Pau é donde a porca furou o pico e se é da Vila Franca é da Vila. Os de Santa Maria são cagarros e os da Terceira rabos tortos. Se é bem falante, é uma língua destravada ou cheio de palheta , cheio de graça é cheio de pilera, um fala barato é uma língua destramelada e de quem está sempre a repetir o mesmo dizem que é como a música da Relva, o mesmo e mais forte. Sempre a mesma coisa é o mesmo ramerrão.
Aos terrenos chamam terras e as terras são medidas às quartas, aos alqueires e às varas. De um terreno que confronta com outro dizem que entesta. Trabalhar no campo é trabalhar na terra. Uma enchada é um sacho, mondar é sachar, estrume é esterco e estrumar é estercar. Fazer sementeira de Outono para enriquecer a terra é outonar. À horta chamam quintal, um campo pequeno é um cerrado, uma pastagem é um pasto, as chãs são fajãs, e as vinhas na encosta são as rochas. As ribeiras são grotas, se é uma grota pequena é um grotilhão, os caminhos terreiros são canadas e em vez de pocilga dizem pátio do porco. Ao palheiro chamam cafuão, as tocas são louras.
Transportar é acartar e uma carga é um carreto. Para transportar cargas no burro usam um seirão e para carregar a carroça uma a sebe e fuêros (fueiros). Levar uma fuêrada (fueirada) é levar uma pancada com um pau. Um canguite é para atrelar uma parelha de bois na carroça, uma brocha é para amarrar a canga ao pescoço do boi e os utensílios para atrelar o cavalo na carroça são os arreios. Se montam a cavalo com uma albarda, sentam-se de lado e andam a cavalo numa carroça, numa camioneta ou num automóvel.
As vacas são as reses e aos novilhos chamam gueixos. Um gueixo de cobrição é um toiro, uma vaca ainda não parida é uma gueixa, se está cheia é porque está prenha e se está coberta é porque já tomou boi. Se vão tratar dos geixos, dizem que vão para os gueixos e se vão tratar das vacas, vão para as vacas. Ordenhar as vacas é mamar as vacas. O úbero da vaca é o mojo e uma vaca sem cornos é moucha. Bilha de leite é latão, se é pequena é uma lata. Um leitão é um marrão, um ratinho um morganho, uma doninha uma comadrinha e as gaivotas são garças. Éguas cavalos e mulas são bestas, patos e gansos são marrecos, teias de aranha são paranhos e qualquer pássaro é um melro.
Jardineiras são alvarozes, camisola é suéra, casaco é jaqueta, peúgas são soquetes, boina é pirata , cuecas de senhora são calcinhas e um pano velho é uma rodilha. Asa de brinco é arça, calçado artesanal de madeira são galochas, se são mais simples são tamancos ou tarolas, sandálias artesanais são albarcas (alpercatas), chinelos são sulipas e botas de borracha são botas de cano. O autocarro é a camioneta, o táxi é carro de praça e o motorista é o choufér.
Fardos de palha são malotes, os pés do milho são milheiros e os sabugos carrilhos. As maçarocas são amarradas em manchos e penduradas para secar em toldas, com os milheiros fazem o fescal (frascal) da arribana. Lenha miúda são gravetos e um feixe é um molhe. Tábuas de refugo são costaneira e à serradura chamam farelo de serra.
Se a cor é forte é arregalada, se é cor de laranja é amarelo torrado e se é grenat é cor de cravo. Bodum é cheiro forte a bode, fedor é mau cheiro. Em vez de “Que pivete!”, dizem “Que peste!” e se tem ar de enjoado é fedorento. Entretanto é entrementes, enquanto é imentes e em vez de então dizem entances. Sair do trabalho é despegar o trabalho, trabalhar à jorna é dar dias e o salário é a féria.
Coisa linda é coisa asseada, bem vestido é aperaltado, enfezado é entanguido. Se não está decente dizem que está descomposto e se está está despido está em couro. Se está cheio de fome tem fome negra ou está esganado, mas quando dizem que é esganado é porque é interesseiro ou sovina. Se não tem apetite é biqueiro.
Pessoa gorda é begoucha, um rapazinho é uma nisca de gente, mulher pequena é piorra, se é estouvada é arvela e se é de má fama é um testo. Uma boazona é uma bela fema ou uma bezuga e se é bonita é requinha (riquinha). Uma inquietação é apoquentação, uma zanga e uma briga é uma arenga e uma bulha, uma confusão um deremunho, uma arressaca , um leilão ou um chamatão e um tumulto um alevante.
Guardam a água em talhões, a banha em boiões, salgam a carne e as pimentas em balsas e os chouriços e as morcelas são fumados em sarilhos. gua espalhada pelo chão é alagariça, uma torneira é uma fonte, um balde de madeira uma selha, os fósforos são palitos, acendalha dos candeiros e dos esqueiros é torcida, as molas de roupa pregadeiras e passar a ferro é correr roupa. Aos desenhos animados chamam macaquinhos, às histórias casos e às mentiras petas,
Cacos são testos, os afazerers são os terminos, uma forma para bolos é uma pana, uma esfregona uma mapa e à arca congeladora chamam friza. Os charros assam-se na sertã. Bolos de massa frita são malassadas, as vísceras dos animais é a fressura, caçoula é guizado com as miudezas do porco (bofe, coração, fígado, baço) , debulho é cozinhado de sangue de porco, figado, cebola, salsa e condimentos, as batatas escoadas são cozidas com pimenta e sal, ao chá de Lúcia-lima chamam Maria Luísa, às papas de carolo também chamam papas de cachão, papichas são as bolas de farinha para as couves com massa, uma carcaça é um papo-seco, banha é graxa, gordura é unto e barrar o pão é untar o pão. Ao tubérculo do jarro do campo chamam serpentina e comem-nas cozidas com àgua e sal ou esfarelam-nas para fazer papas de serpentina. Dizem frigir em vez fritar, sopas de pão é pão migado e conduto é o que come com o pão. Pastilhas elásticas são gamas, rebuçados são candiles,
Sótão é falsa, toucador é psiché, mesinha de cabeceira é escaparate mesão de cozinha é pial, portinhola de ripas é cancela, trinco de madeira é tramela e um lavatório de ferro é uma aranha. Ao penico chamam bacio, à chupeta bico e a uma esteira capacho. Dormir no chão é dormir a lastro, um travesseiro é um cabeçal, a uma cama de ferro chamam barra e a uma cama de rede esporim. O balcão de um estabelecimento comercial é o mostrador.
Atirar é aboar, trepar é guindar, constar é zoar, congeminar é indrominar, tropeçar é dar topadas e correr desenfreadamente é correr como um desalvorado. Arranjar é amanhar, mas se diz que precisa de se ir arranjar é porque precisa de ir à retrete. Se anda com grande vontade, anda deserto ou está com ganas e se gosta muito de uma coisa pela-se por ela. Às danças chamam balhos, à gaita charamela e as cantigas dos populares são modinhas.
Confissão é desobriga encosta é ladeira, acima é arriba e em vez de além do mais, dizem ainda por riba. Ir em frente é ir adiante, comprar é mercar, andar à procura é andar à cata. Dar cabo de alguma coisa é escarolar, desaparecer é sumir-se, esconder-se é encafuar-se, inventar é enjorcar. Em vez de pensar dizem cuidar, se não acerta dizem que não encarreira e se está mal dito ou mal pronunciado, está estropiado
Ao Epírito Santo chamam simplesmente O Divino e ao símbolo na bandeira a Pombinha. As festas do Espírito Santo, as mais populares dos Açores, são os Impérios e quem as organiza são os mordomos. Ao cortejo do Espírito Santo e à cerimónia de concessão da graça do Espírito Santo na Igreja chamam Coroação, ao almoço do mordomo chamam Sopas do Espírito Santo, as ofertas do espirito santo (carne, massa sovada, pão e vinho) são as pensões e os grupos de cantares do Espírito Santo são a Folia. O sorteio das domingas do Espirito Santo são as sortes, mas ir às sortes é ir à inspecção para a tropa. Aos foguetes chamam roqueiras, os que têm um rebentamento mais forte são bombãs, e ao fogo de artifício chamam roqueiras de lágrimas. Se a festa é grande é de mandar peso.
Ao escudo chamavam pataca, cinquenta centavos eram seis tostãs (tostões), vinte centavos uma serrilha, dez centavos seis vintãs (vinténs). Assim o diz estas quadras populares:
Menino se sabeis ler/ Fazei-me bem esta conta/ Quatrocentos guardanapos/Seis vinténs em cada ponta.
Ó minha rica menina/ Sou embaixador das ilhas./ Quatrocentos guardanapos/São oitocentas serrilhas.
Há também uma enorme variedade de palavras e expressões populares que são fruto de deformações linguísticas oriundas da língua falada. São exemplos: aguentar, aguerrar, ajuntar, alembrar, alevantar, alomear, amandar, esmirrar, arrebentar, arrecear. arreceber, arrecuar, assuceder, assentar, assoprar, assubir, estralar
açucre, amarcano, impanho, intances, inté, papeles, selada
Muitas destas palavras e expressões estão presentes nas modinhas do folclore local, como nestas sextilhas humorísticas do Pezinho da Vila:
Fui à Água de Pau
O vinho não era mau
Sete vezes molhei o bico
Diga lá T’i Maria
Se foi nesta freguesia
C’a porqca furou o pico.
Nasci numa sexta-feira
Com bigode e cabeleira
M´ás parecia um anti-Cristo
Qu’inté o Sr. padre cura
Qu´é home de sabedura
Nunca tal havera visto.
Minha sogra tem-me reixa
Que de mim foi fazer queixa
À vila da Povoação
Por eu ter chamado à filha
Papo-seco de serrilha
Bom petisco da manhã.
Eu fui à beira da rocha
De sapato e uma galocha
Ver se o mar estava manso
Encontrei uma garoupa
Toda enrolada em roupa
A dormir no seu descanso.
A filha da tia torta
Que não entra, fica à porta
Foi ter comigo ao moinho.
Atirei-lhe uma palanca
Acertei-lhe certo na anca
Vai-te burra p’ró caminho.
Eu venho lá dos Arrifes
A comer pão com bifes
E tamã galinha assada
Rapá não m’atramósses
C’agora só tanh’é ossos
Tu daqui não levas nada.
Acerca de mim
Modelo Simple. Tecnologia do Blogger.
Graciosa na SIC TV 2015
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http://www.azorestoday.com/2015/07/26/sic-emitiu-reportagem-sobre-a-graciosa-video/
Canal generalista privado português mostrou belezas graciosenses.
Numa rubrica com mais de 20 minutos, o Jornal da Noite da SIC divulgou imagens da Ilha Graciosa, bem como do Ribatejo.
O ‘Ir é o melhor remédio’, contou com a apresentação de Teresa Conceição que veio até à Graciosa e registou diversos momentos importantes da Ilha por altura do ‘Espírito Santo’, desde bodos, coração, procissão ao Monte D’Ajuda, entre outros aspetos.
Tal como referiu à TC.F Informação, Teresa Conceição, adorou a Graciosa referindo que o que foi divulgado foi só um pouco do muito que ainda haveria por mostrar.
Para quem não assistiu à reportagem aqui divulgamos o vídeo completo, referindo ainda que o ‘Jornal da Noite’ foi o espaço informativo mais visto de ontem alcançando uma média de 1 milhão e 26 mil telespetadores.
Fique com a reportagem!
Burro da Graciosa foi reconhecido como raça e tem potencial turístico e terapêutico | DNOTICIAS.PT
Pendulums Synchronize Due To Ticking Sound Pulses In Oddly Fascinating Experiment | IFLScience
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In 1665, Dutch scientist Christiaan Huygens noticed something strange. Two swinging pendulum clocks were found to eventually synchronize when hung together, and it wasn’t until 2002 that the mystery was solved – the swings were transferring energy to the support, causing the oscillations of the pendulums to “couple,” or swing at the same frequency.
Fonte: Pendulums Synchronize Due To Ticking Sound Pulses In Oddly Fascinating Experiment | IFLScience
Chamarrita do Pico no Guiness – Açoriano Oriental
Morreu Corsino Fortes, poeta e diplomata de Cabo Verde – PÚBLICO
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Foi embaixador do seu país em Lisboa e fundou e presidiu à Academia Cabo-Verdiana de Letras.
Fonte: Morreu Corsino Fortes, poeta e diplomata de Cabo Verde – PÚBLICO
A história da ‘Casa da Gruta de Camões’ de Macau | Crônicas Macaenses
Marcas deixadas pelos portugueses no Japão desde o século XVI | Crônicas Macaenses
Da Galiza, mensagem : Português não é português – por Isabel Rei | A Viagem dos Argonautas
chegada-e-origens-dos-antepassados-dos-povos-amerindios
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22/07/2015 – 08:30
Duas análises genéticas dão pormenores inéditos sobre a chegada às Américas e a origem geográfica dos antepassados dos povos ameríndios.
Terão os antepassados dos povos nativos das Américas chegado lá em apenas uma ou pelo contrário em várias vagas migratórias via o Estreito de Bering? Quando é que lá chegaram? E qual era a origem desse povo ancestral? Três perguntas que nesta terça-feira ficaram mais perto de uma resposta, graças aos resultados obtidos por duas equipas independentes – uma delas com participação portuguesa – e respectivamente publicados pelas revistas Naturee Science.
Actualmente, a teoria mais geralmente aceite é que o continente americano foi povoado por uma única população ancestral, vinda da Eurásia (Sibéria) e que passou para o Novo Mundo pelo Estreito de Bering há mais de 15.000 anos, explica a Nature em comunicado.
Porém, não se sabe se essa entrada nas Américas aconteceu numa ou várias fases. E também não se sabe durante quanto tempo, antes de entrar no continente americano, esses humanos ficaram isolados na região do Estreito de Bering devido às condições extremas da última Idade do Gelo.
Há também vários estudos que põem em causa a proveniência geográfica da população ancestral dos ameríndios, ao evidenciarem, como explica o mesmo comunicado, certos contrastes entre os traços dos índios da América do Norte actuais e alguns esqueletos antigos de ameríndios, que revelaram ser mais próximos dos traços dos actuais habitantes da região da Austrália, Nova Zelândia e Nova Guiné – e não dos da Sibéria.
No estudo agora publicado online na Science, Eske Willerslev, da Universidade de Copenhaga (Dinamarca), e uma equipa internacional – na qual se inclui a investigadora portuguesa Paula Campos, do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) da Universidade do Porto – respondem às questões do como e quando da migração ancestral. Segundo explica a revista norte-americana em comunicado, o estudo permite assim obter “uma das imagens mais claras de sempre” da chegada dos primeiros humanos às Américas.
Os cientistas sequenciaram e compararam os genomas de indivíduos modernos e antigos das Américas, Sibéria e Oceânia, e ainda os genomas previamente sequenciados de pessoas de África e Europa. Conclusão: não encontraram qualquer indício de que tenha havido mais do que uma vaga migratória. A população ancestral terá chegado às Américas há pelo menos 23.000 anos, depois de ter vivido isolada na região do Estreito de Bering durante 8000 anos no máximo.
Estes resultados também sugerem que a população ancestral veio da Sibéria e que se separou em dois ramos há cerca de 13.000 anos (já no novo continente), o que poderia explicar a diversidade observada entre Norte e Sul nas populações indígenas actuais.
O estudo da Nature, da autoria da equipa de David Reich, da Universidade de Harvard (EUA), vem pelo seu lado mostrar que, de facto, a origem geográfica ancestral dos actuais ameríndios é mais heterogénea do que se pensava, corroborando os estudos dos contrastes morfológicos já referidos.
Mais precisamente: com base numa análise dos genomas de umas 30 populações indígenas das Américas Central e do Sul e de 197 populações não americanas do mundo inteiro, estes cientistas concluem que alguns índios da Amazónia são em parte descendentes de uma população geneticamente relacionada com populações indígenas da Oceânia.
Os autores especulam, explica a Nature, que a população ancestral que inseriu a marca genética originária da Oceânia nos índios da Amazónia ter-se-á misturado a dada altura com a população ancestral dos ameríndios, antes de chegar à América do Sul (e após a divisão em dois ramos da população ancestral original).
Isto levanta uma pergunta, que, por enquanto, continua em aberto: como é que os genes de uma população da região da Austrália se terão conseguido inserir no genoma dos ameríndios do Sul actuais? Para os autores do estudo da Nature, há duas possibilidades: ou existiram “pelo menos dois fluxos de migração [ou houve] um período muito longo de fluxo genético a partir de uma fonte situada no Estreito de Bering ou no Nordeste asiático”. A primeira contradiz os resultados do estudo da Science. Saber se a resposta reside na segunda opção exigirá mais estudos genéticos.
Enviado por: Mauro Moura <mauroandrademoura@gmail.com>
História da ocupação humana das Américas fica cada vez mais confusa ADN PAPUA E ABORIGENA NA AMAZÓNIA
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http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2015/07/1658455-historia-da-ocupacao-humana-das-americas-fica-cada-vez-mais-confusa.shtml?cmpid=compfb
História da ocupação humana das Américas fica cada vez mais confusa
Povos indígenas da Amazônia e do cerrado carregam em seu DNA as marcas de um parentesco insuspeito com aborígines da Austrália e nativos de Papua-Nova Guiné. O resultado, que aparece de forma independente em dois estudos divulgados nesta terça (21), reforça a ideia de que o povoamento original do continente americano foi muito mais complexo do que os arqueólogos costumavam imaginar.
A questão é como explicar exatamente essa complexidade. Enquanto uma das pesquisas diz que duas populações diferentes se misturaram logo no início da presença humana nas Américas, outra defende uma única grande onda migratória no começo, com a vinda posterior de grupos aparentados aos povos da Oceania.
Os levantamentos estão na “Science” e na “Nature”, as duas maiores revistas científicas do mundo, e ambas têm participação de pesquisadores brasileiros. No caso da “Science”, a arqueóloga Niède Guidon, da Fundação Museu do Homem Americano (PI), é coautora da pesquisa, enquanto o estudo da “Nature” teve participação de Tábita Hünemeier, da USP, Francisco Salzano e Maria Cátira Bortolini, da UFRGS, e Maria Luiza Petzl-Erler, da UFPR.
LUZIA EM FAMÍLIA
A pesquisa traz dados novos para uma polêmica que se arrasta desde o fim dos anos 1980. A questão é saber se a mais antiga brasileira, a célebre Luzia, que morreu há 11,5 mil anos em Pedro Leopoldo, região de Lagoa Santa (MG), de fato representa uma população primitiva com traços “negros”.
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Outros esqueletos de Lagoa Santa com mais de 8.000 anos, bem como restos humanos de outras regiões das Américas, apresentariam um crânio cujo formato lembra o de africanos, aborígines australianos e outras populações de pele e cabelos escuros da orla do Pacífico. Já o crânio da maioria dos indígenas atuais se parece mais com o de populações da atual Sibéria.
Para Neves e seus colegas, isso indica que Luzia e seu povo teriam surgido a partir de uma população com traços vagamente africanos, os quais, na verdade, eram uma espécie de modelo básico da morfologia craniana dos primeiros seres humanos modernos, mantido pelos habitantes da Oceania, que ficaram confinados em suas ilhas por dezenas de milhares de anos.
Essa população teria chegado primeiro às Américas, atravessando o estreito de Bering. Mais tarde, grupos da Sibéria mais semelhantes aos índios atuais teriam se miscigenado com o grupo de Luzia, dando origem aos indígenas modernos.
O estudo da “Nature” comparou centenas de milhares de pequenas variantes genéticas dos indígenas da América do Sul e da América Central com variantes equivalentes de outras populações espalhadas pelo mundo todo. O método é complicado, mas pode-se dizer que ele procurou testar se algumas dessas populações do resto do mundo tinham mais variantes em comum com os indígenas das Américas do que as outras.
PARENTES
O resultado é que justamente os povos da Oceania, tanto na Austrália quanto em Papua-Nova Guiné e ilhas pertencentes às Filipinas e a Índia, apresentam sutis semelhanças genéticas com os nativos de regiões brasileiras: os suruís e karitianas (grupos de Rondônia) e os xavantes (de Mato Grosso). Algumas análises também incluem os guaranis de Mato Grosso do Sul na lista. Curiosamente, os povos da Oceania têm características vagamente africanas, como a pele negra e o formato do crânio.
É claro que ninguém diria que os xavantes são “negros”, porém. O que os autores do estudo propõem, na verdade, é que o grupo que daria origem aos povos da Oceania passou por episódios de miscigenação com tribos de aparência que chamaríamos de “asiática”. Essa população já híbrida –batizada por eles com o termo guarani “Ypykuéra”, ou “ancestrais”– é que teria chegado aqui e, por sua vez, misturada a uma nova onda siberiana, gerou os índios modernos. A contribuição “oceânica” original não teria passado de uns 2% do total da herança genética dos indígenas amazônicos de hoje.
Rasmus Nielsen, dinamarquês da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA) que coordenou a pesquisa na “Science”, discorda. Ele também encontrou variantes “australianas” no DNA dos suruís, mas diz que esse aporte genético parece ter vindo bem depois da colonização original do continente, talvez por meio de outros migrantes da própria Sibéria. De quebra, seu grupo reanalisou os crânios de Lagoa Santa e afirma não ter visto sinal de traços “aborígines” no povo de Luzia.
O interessante é que os geneticistas brasileiros do grupo da “Nature” também sempre viram com ceticismo a ideia da ancestralidade da Oceania nos primeiros habitantes das Américas. Agora, estão revisando essa posição.
“Quando eu vi os resultados pela primeira vez, tive primeiro de desconstruir alguns argumentos que me pareciam muito sólidos, para depois repensar e construir novos”, disse Tábita Hünemeier à Folha.
“Acho que o ponto principal é que nós geneticistas não havíamos planteado, por impossibilidade técnica, a possibilidade de os indivíduos de Lagoa Santa serem já misturados com nativos americanos, por causa da morfologia austromelanésia [da Oceania]. Agora sabemos que Luzia poderia muito bem ser uma representante da População Y”, explica ela. A esperança de testar essa ideia, afirma Tábita, é obter genomas dos esqueletos de Lagoa Santa –algo tecnicamente muito difícil, mas que talvez não seja totalmente impossível.
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TENTANDO ENTENDER A OCUPAÇÃO DAS AMÉRICAS
O que diz a teoria tradicional sobre a ocupação das Américas?
Os primeiros humanos vieram da Ásia, via estreito de Bering, espalhando-se pelo continente. Esse grupo teria características “mongólicas”, semelhantes às da maioria dos índios atuais.
Qual o problema com ele?
Esqueletos encontrados no continente –entre eles, o de Luzia, de 11,5 mil anos, da região de Lagoa Santa (MG)– têm traços “negros”, africanos, diferentes dos povos asiáticos que teriam dado origem aos nativos americanos.
De onde eles vieram?
A principal hipótese é que elas tenham parentesco com os povos da atual Oceania.
Mas eles não têm traços africanos? Onde entra a Oceania nisso?
Os grupos que saíram da África e foram para a Oceania, há dezenas de milhares de anos, ficaram isolados dos grupos que ocuparam a Ásia e, assim, mantiveram algo da morfologia dos primeiros seres humanos modernos.
Como esse pessoal foi parar na América?
Aí é que mora a confusão. Embora existam hipóteses mais radicais –travessia oceânica–, os trabalhos na “Science” e na “Nature” dão outras explicações.
Quais?
Os dois grupos acreditam em migração por Bering, mas de formas diferentes.
Os cientistas na “Science” sugerem que os grupos ligados à Oceania teriam um papel secundário na ocupação do continente. Chegaram muito depois, e em quantidade muito menor, do que os asiáticos.
Já o artigo na “Nature” diz que ambos os grupos talvez sejam igualmente antigos no continente. Isso implicaria forte miscigenação logo no início da presença humana nas Américas, dando origem a indígenas como certas tribos da Amazônia, como os suruís.
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