Chrys Chrystello lê-nos, com a perfeição de quem sente e ama, um excerto do primeiro volume da trilogia «Relação de bordo», de Cristóvão de Aguiar

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As nossas leituras
N.º 132
Chrys Chrystello lê-nos, com a perfeição de quem sente e ama, um excerto do primeiro volume da trilogia «Relação de bordo», de Cristóvão de Aguiar, o açoriano do mundo que faz das letras o barco onde navega escrevendo o seu diário de bordo, relatando a sua singradura na vida portuguesa — e nas vidas portuguesas.
Neste trecho, o narrador leva-nos para dentro de um cenário psicológico que, apesar dos trinta e três anos que o separam dos nossos dias, nos lembra logo veleidades atuais. “A poesia virou carraça em pelo de cadelinha”, não há dúvida de que a febre da carraça é contagiosa.
Neste mundo tão alucinante como absurdo em que até o comboio transporta o desprezo, eis que chega a saudade, essa “ilha rodeada de ti”, e a própria declamação acompanha a imagem que se busca, porque “o amor não se cansa”.
João Nuno Azambuja
[Biografia: J. Chrys Chrystello nasceu em 1949,. É um cidadão australiano que não só acredita em multiculturalismo, como é disso um exemplo. De 1967 até hoje dedicou-se ao jornalismo (rádio, televisão e imprensa) e desde 1977 à tradução. Tem mais de vinte obras publicadas desde 1972 em poesia, ensaio político e crónicas. Divulgou desde 1985 a descoberta na Austrália de vestígios da chegada dos Portugueses (1521-1525, mais de 250 anos antes do capitão Cook) e difundiu a existência de tribos aborígenes falando Crioulo Português (há quatro séculos).
Lecionou Linguística e Estudos Multiculturais a candidatos a tradutores e intérpretes em Sidney, na UTS (Universidade de Tecnologia de Sidney). Foi Assessor de Literatura Portuguesa do Australia Council, na UTS (1999-2005). Foi Mentor dos finalistas de Literatura da ACL (Association for Computational Linguistics, Information Technology Research Institute) da Universidade de Brighton, no Reino Unido (2000-2012). Foi Revisor (Translation Studies Department) da Universidade de Helsínquia (2005-2012). Foi Consultor do Programa REMA, da Universidade dos Açores (2008 a 2012). É Académico (Correspondente da AGLP (Academia Galega da Língua Portuguesa). É também Editor dos Cadernos (de Estudos) Açorianos da AICL, publicação online. Preside, desde 2010, à Direção da Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia. Desde 2001-2002 organiza os Colóquios da Lusofonia (trinta edições, duas ao ano) que editaram várias antologias de autores açorianos contemporâneos, muitos deles traduzidos por si para inglês. Em 2019 foi nomeado Vice-Presidente de PPdM para a Oceânia do Movimento Poetas do Mundo e nomeado membro do Pen International (Açores).]
Iniciativa com o apoio institucional da UCCLA.
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Cafés e restaurantes deverão manter-se fechados até fim de abril – O Jornal Económico

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Segundo o “Correio da Manhã”, o Governo prevê que o confinamento geral dure até ao final de fevereiro e que, a partir de março, possa haver já um aligeiramento das medidas, mas o desconfinamento só acontecerá depois da Páscoa.

Source: Cafés e restaurantes deverão manter-se fechados até fim de abril – O Jornal Económico

os 4 moscateiros (Terceira) ANTÓNIO BULCÃO

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Os 4 moscateiros
O karaoke deu palco aos desafinados. Cada desafinado sente-se estrela quando escolhe a sua canção no menu, agarra o microfone e vai soletrando a letra que aparece no ecrã, tentando acertar nas notas, sem consciência de que está a cantar uma coisa totalmente diferente do original.
Mas é, de certa forma, a democratização da performance musical. Quem afina, canta para públicos, quem desafina canta para os amigos, até para desconhecidos, imaginando-se Tina Turner ou Bruce Springsteen quando geme que é simplesmente the best ou dança in the dark.
O facebook e outras redes sociais abriram espaço para a opinião. Noutros tempos, quem sabia escrever produzia livros, publicava artigos nos jornais. Hoje o que não falta é gente que sabe muita coisa e quer partilhar o seu ponto de vista com toda a gente.
Mas, pode-se dizer, é a liberdade de expressão no seu expoente máximo. Com erros ortográficos, com opiniões muitas vezes sem sentido ou mesmo ofensivas para a honra e consideração de terceiros, lá vai mais um post, dentro de caixinha, fora de caixinha, a cores ou a preto e branco. Depois é só esperar likes, comentários, carinhas a rir, outras furiosas.
Quem gosta de escrever geralmente publica num jornal a sua opinião. E muitas das opiniões que enchem o facebook dificilmente seriam aceites na mais humilde redação.
Ao longo dos anos, sobretudo depois do 25 de Abril, muitos foram os articulistas a deixarem a sua marca nos jornais açorianos. Mas, a partir de certa altura, começaram a surgir escribas ligados aos partidos, produzindo em geral artigos sem grande sabor, sendo que toda a gente já sabia, pela assinatura, o conteúdo dos mesmos.
Mas, depois das eleições de outubro do ano passado, assistimos a uma nova moda: os deputados do PS, eleitos pela Terceira, decidiram começar a escrever todas as semanas. Dividindo pastas entre eles, Educação para o professor, Saúde para o enfermeiro, problemas sociais para a empresária sobretudo dedicada à política na maior parte da sua vida activa e bordoada geral para o que, não fosse a política, estaria desempregado.
Tudo estaria bem se, antes de entrarem para a vida política, ou até depois, enquanto o PS foi governo, tivessem povoado as páginas dos jornais. Seria apenas, nesse caso, a continuação de uma actividade cívica que é sempre louvável – participar na vida colectiva destas ilhas, dar a sua opinião, discutir em praça pública o seu ponto de vista.
Só que não foi o caso. Não me lembro de nenhum escrito assinado pelo especialista em saúde e, muito menos, do expert em educação, sendo que os dois restantes só muito esporadicamente apareceram nestas páginas. Perguntei-lhes, há semanas, o que querem com esta invasão. Nenhum me respondeu.
Tiro, então, as minhas conclusões. Ou antes não sabiam escrever. Ou sabiam, mas não tinham ideias. Vêm agora defender tudo o que podiam ter feito enquanto foram poder e malhar nos que querem governar. Chamam-lhe… oposição. Mas não pensem que as pessoas são tolas. Porque não são.
Ninguém julgue, no entanto, que preferiria deixassem de escrever. Que passei a ser contra a liberdade de expressão. Muito pelo contrário. Porque a vossa fraca escrita e a vossa ausência de ideias dificilmente convencerão alguém. Falta-vos a forma, para além da substância.
E se apenas conseguis escrever enquanto oposição… que nunca mais parem.
António Bulcão
(publicada hoje no Diário Insular)
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  • E é assim que se escreve, é assim que se mostram factos. Uma boa argumentação, com cabeça e conhecimento.
    Só podia ser o Professor Bulcão!
    Quem fala/escreve assim não é gago!!

Governo dos Açores vai reduzir IVA em 50% em 2021 – Jornal Açores 9

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“Ficámos a saber que há a intenção, já este ano, de haver um desagravamento fiscal em matéria do IVA em 50%, relativamente ao segundo semestre deste ano. Já em 2022 haverá uma redução fiscal de 10%, o que vai até ao limite máximo permitido por lei de 30% [em relação aos valores praticados no país]”, […]

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Governo dos Açores não concede tolerância de ponto no Carnaval – Jornal Açores 9

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O Governo Regional dos Açores decidiu que não irá dar tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval, dia 16 de fevereiro, devido à situação da pandemia de covid-19, foi hoje revelado. “O Governo dos Açores, reunido em Conselho de Governo esta manhã, e considerando a situação pandémica que se atravessa, decidiu não conceder tolerância de […]

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MIA COUTO

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Meus amigos
Eu disse que estávamos em guerra connosco mesmos. Esta guerra doméstica compõe-se de duas violências. A violência daqueles que agridem. E a violência dos que se calam. Marthin Luther King disse “O que me entristece não é apenas o clamor dos homens maus. É o silêncio dos homens bons”.
A lista das nossas guerras domésticas estende-se por mais domínios. Os exemplos que escolhi ilustram o facto de que não somos a sociedade pacificada que pretendíamos ser. Há um percurso enorme a percorrer e esse caminho é sobretudo uma viagem interior. Essa viagem só acontecerá se vocês souberem ver, souberem não aceitar. Tudo o que aqui disse pode ser resumido em dois textos pequenos de autores alemães. Peço-vos que escutem. O primeiro é uma parábola e diz o seguinte:
“Um dia, vieram e levaram o meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram o meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram o meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e levaram-me mim. Nessa altura, já não havia mais ninguém para reclamar.”
O segundo texto é um apelo na forma de verso, escrito pelo dramaturgo Bertolt Brecht:
“Nós pedimos-vos com insistência:
Nunca digam – Isso é natural.
Diante das barbaridades de cada dia,
Numa época em que corre sangue
Num tempo em que a arbitrariedade tem força de lei,
Num momento em que a humanidade se desumaniza
Não digam nunca: Isso é natural
Se aceitamos as coisas como naturais
este nosso mundo torna-se imutável.
Caros amigos
O nosso tempo também está em guerra contra os jovens. À nossa frente, e não falo apenas de Moçambique, se anunciam tempos difíceis. À nossa frente está um futuro magro em que parece que apenas alguns podem caber. O que nos sugerem é que briguemos uns com outros para ver quem cabe nessa estreita porta. Mas talvez seja possível criar um outro futuro mais amplo.
Vão ser assediados. Por forças políticas que estão mais preocupadas com o Poder do que com a resolução efectiva dos problemas. Por forças que se lembram dos jovens quando se trata de colher votos. Por forças que falam aos jovens, não falam com os jovens.
Vocês são jovens. Ser jovens é uma condição inerente, que se exerce sem esforço. Mais do que jovens, sejam diferentes. Tragam para o nosso tempo o inesperado, o que é novo, o que é historicamente produtivo.
Uma nova classe está povoando o poder político em Moçambique. São os papagaios. Reproduzem o discurso dos chefes. A maior parte deles são jovens. Mas são jovens de alma envelhecida. Os papagaios podem pensar que o seu futuro está assegurado porque olham o país como se fosse um aviário. Mas o nosso futuro como nação não se constrói senão com ousadia, com vitalidade e um infinito respeito pelos outros.
Ficamos muitas vezes à espera, ficamos à espera que o governo faça. Temos medo de tomar iniciativa. Achamos arriscado. Não agimos porque dizemos que faltam recursos, falta orçamento, falta autorização do chefe. Mas existem lições que parecendo pequenas podem tocar alguém para toda a vida.
O professor primário que leu uma redacção sobre as mãos calejadas de sua mãe não imaginava que estaria marcando para sempre um aluno seu. O poeta William Henley não poderia imaginar que versos seus poderiam sustentar, cem anos mais tarde, a vontade de lutar de um africano que iria mudar o destino de milhões de pessoas.
Fazemos o que fazemos não porque sejam grandiosas iniciativas mas porque necessitamos mudar as coisas e melhorar o mundo. Fazemos o que fazemos porque, como diz o poema, nós queremos ser donos do nosso destino e capitães da nossa alma colectiva.
Mia Couto

Mata-Jardim JOSÉ DO CANTO

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Mata-Jardim José do Canto

is in

Lagoa Das Furnas, Azores, Portugal

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Partilhamos um vídeo realizado por um visitante (@karinaberg2) na Mata-Jardim 🙂. Um pequeno excerto do trilho até à Cascata do Salto do Rosal. 💚🏞️🚶🚶‍♀️

UM DOS MAIORES POETAS PORTUGUESES JOSÉ GOMES FERREIRA

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ANIVERSÁRIO DO EXCELENTE POETA JOSÉ GOMES FERREIRA, EM 1900 NASCIDO, MEU GRANDE AMIGO E COMPANHEIRO NA CRIAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ESCRITORES. NSCEU EM 1900. UM DOS SEUS POEMAS.
VAI-TE, POESIA!
Vai-te, Poesia!
Deixa-me ver a vida
exacta e intolerável
neste planeta feito de carne humana a chorar
onde um anjo me arrasta todas as noites para casa pelos cabelos
com bandeiras de lume nos olhos,
para fabricar sonhos
carregados de dinamite de lágrimas.
Vai-te, Poesia!
Não quero cantar.
Quero gritar!
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