finalmente, demorou tempo….Diretor Regional da Cultura exonerado do cargo com efeitos imediatos – Jornal Açores 9

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Numa nota publicada no site do Governo dos Açores, a Secretária Regional da Cultura, da Ciência e Transição Digital, Susete Amaro, solicitou ao Presidente do Governo a exoneração com efeitos imediatos do Diretor Regional da Cultura, Ricardo Tavares, cujo o pedido foi aceite por José Manuel Bolieiro.

Source: Diretor Regional da Cultura exonerado do cargo com efeitos imediatos – Jornal Açores 9

The terrible truth so many experts missed about Russia before its Ukraine invasion.

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Vladimir Putin didn’t always rule his country alone. Now he does, and the dictator appears to care little about the consequences of his actions.

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fancaria pedagógica

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O tempo da fancaria pedagógica
Enquanto as exigências mínimas vão descendo ao nível dos jardins-de-infância, o vazio criado pela ausência de soluções sérias para um sistema de ensino em desagregação é preenchido pela alienação provocada por pedagogias mágicas. Como se em Educação existissem formações ou poções milagrosas que resolvam a falta de vontade de aprender por parte dos alunos ou substituam o trabalho abnegado, longo e aturado dos professores. Trabalho em que poucos reparam e os mandantes não reconhecem. É principalmente por isso que o deslumbramento com os resultados anunciados por fancarias ocas e palavrosas é perigoso.
1. Na novilíngua pedagógica, que quer banir a diferenciação por género na linguagem usada nas escolas, a palavra “mãe” ficará proscrita e substituída por “progenitor”. “Rapazes”, “raparigas”, “filho” ou “filha” serão vocábulos simplesmente varridos e trocados por uma designação neutra: estudantes. Dos formulários de matrículas é sugerido que sejam removidas as designações “feminino” ou “masculino” e do vestuário as características distintivas tipicamente femininas ou masculinas. Finalmente, estas e outras iniciativas na mesma linha “inclusiva” devem ser formalmente acomodadas num código de conduta que, não sendo respeitado, impedirá o acesso às escolas. O argumento central do discurso é que “um número crescente de jovens está a identificar-se como não binário, e a educação precisa responder a isso”.
Tranquilize-se o leitor que o cenário da acção sintetizada é o Reino Unido (The Telegraph de 14.2.22). Mas a quem conheça o detalhe programático da nossa disciplina de Educação para a Cidadania e algumas desastradas interpretações que o mesmo tem permitido, não causará surpresa se a bizarria for importada.
2. Um psicólogo eminente, uma associação de pais e uma editora, apoiados por um friso de personalidades públicas, lançaram um projecto assente na necessidade de tornar as escolas “amigas” das crianças. Ser-me-á legítimo deduzir que promotores e acompanhantes pensantes admitem que existem escolas inimigas das crianças?
3. Foi recentemente notícia um projecto de “formação socio-emocional” para professores, organizado pelo “Programa Gulbenkian Conhecimento”, com o apoio do Ministério da Educação. Trata-se de uma iniciativa piloto, com intenção de ser alargada no futuro a todos os profissionais da educação, que curiosamente se segue a uma outra da mesma índole, mas dirigida aos alunos, conhecida por “Programa Escolas Ubuntu”. Como se a profissão docente não tivesse, desde sempre, a cooperação e o profundo relacionamento humano como princípios fundadores e necessitasse agora de doses formativas de reforço.
4. Nos tempos que correm, nascem estudos constantemente, cujas métricas, mais do que o rigor técnico usado e a fiabilidade das conclusões, logram atrair a atenção da comunicação social. Desta feita, dois investigadores da Universidade do Minho, patrocinados por uma empresa multinacional (Promethean World Ltd.), com interesses comerciais dominantes no mercado das tecnologias digitais, inquiriram 2.580 docentes de um universo de 130.430 existentes, para concluir que o grande problema é a falta de formação dos professores. Sucede que quem conhece o dia-a-dia das escolas portuguesas sabe duas coisas: que não existe genericamente hardware ou software por aproveitar por falta de competência funcional dos professores, tenha ela sido adquirida em acções formais pagas à instituição a que pertencem os investigadores, ou a congéneres, ou resultado de autoformação, de iniciativa própria; que sendo importante a tecnologia digital, mais importante é a “tecnologia” humana.
5. Logo que foi conhecido o aliviar das restrições relacionadas com o combate à pandemia, pais e directores de agrupamentos de escolas, secundados pelo parecer de vários especialistas, manifestaram desagrado face à manutenção da obrigatoriedade de uso de máscara nas salas de aula, recordando a barreira à comunicação que o seu uso provoca entre professores e alunos.
Talvez fosse altura de o Ministério da Educação considerar a adopção de medidas técnicas, de eficácia provada, (ventilação mecânica, sistemas de purificação e monitores de dióxido de carbono) para promover e controlar sistematicamente a qualidade do ar que se respira no interior dos espaços fechados escolares.
In “Público” de 2.3.22
Maria Jose Vitorino and 95 others
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  • Fernando Ramos

    Antes da “EC”, existem as baiucas da “igualdade” e quejandos. Uma escola publicitada como “child friendly” daria uns bons sketches no Contra-Informação.

JÁ NÃO SOU PACIFISTA 1.3.2022

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446 JÁ NÃO SOU PACIFISTA 1.3.2022

 

Sei das 150 invasões dos EUA e 220 guerras, perdi a conta às israelitas, chinesas (incluindo anexação do Tibete), indianas, paquistanesas, somalis, etíopes, de mil e uma outras nações, povos, tribos ao longo dos últimos 200 anos (nem quero ir mais atrás na história).

Sei dos crimes de guerra no Iraque, na Palestina, no Iémen. Timor, Biafra, Camboja, Myanmar (Birmânia), do Hitler, Estaline, Mao, Pinochet e tantos outros ao longo de 72 anos de vida, a maioria deles impunes e sem irem ao tribunal da Haia.

Sei que quem manda nos EUA são os fabricantes de armas, as farmacêuticas e mais uns tantos donos disso tudo e que precisam de vender mais armamento para aumentarem os seus lucros colossais e manterem o seu poder.

Sei que a NATO não tem sido flor que se cheire no Iraque, Síria, Líbia, e outros, mas, finalmente, saltou-me a tampa. Independentemente das asneiras que o ocidente tenha feito em 2014 na Ucrânia, da indiferença na anexação da Crimeia e da Geórgia, há apenas dois factos que hoje relevam para mim: a invasão injustificada, por mentiras e falsos pretextos ordenada pelo czar megalómano saudosista da Grande Rússia (Vladimir Putin) e o facto de a Ucrânia ter abdicado em 1991 de todas as suas armas atómicas com a promessa de que a Rússia nunca atacaria.

Isto só prova que nós pacifistas precisamos de estar bem armados para nos defendermos e não sermos invadidos, e a nossa poesia carregada de simbologia de nada serve neste mundo louco, onde as palavras e a diplomacia são letra morta.

Milhares de mortes e milhões de refugiados, além de um novo mapa mundial, serão os resultados previsíveis deste conflito a menos que o louco, irado, frustrado e complexado, carregue no botão e apague da face da terra uns estimados 90% de seres humanos pensando poder sobreviver no seu bunker algures na Sibéria para daí comandar os aborígenes australianos, esquimós e outros povos sobreviventes. E eu, pacifista, me confesso, são precisas armas para calar as armas, antes que nos calemos todos.

 

 

Chrys Chrystello, drchryschrystello@journalist.com

Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713

[Australian Journalists’ Association – MEEA]

Diário dos Açores (desde 2018)

Diário de Trás-os-Montes (desde 2005)

Tribuna das Ilhas (desde 2019)

Jornal LusoPress Québec, Canadá (desde 2020)

Jornal do Pico (desde 2021)

 

 

 

 

 

 

 

Quatro oligarcas exprimem oposição à guerra na Ucrânia

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Começam a ouvir-se vozes dissidentes entre os multimilionários russos, contra a ofensiva de Vladimir Putin na Ucrânia, tanto dentro como fora do país. Nas últimas horas, quatro deles, um dos quais de origem ucraniana, exprimiram sem meias palavras a sua oposição à guerra ou ao caos económico que os ameaça.

Source: Quatro oligarcas exprimem oposição à guerra na Ucrânia

OPINIÃO DO FALCÃO KISSINGER

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Quem diria?
O militarista Henry Kissinger, ex-ministro dos negócios estrangeiros dos Estados Unidos e consultor para política externa de todos os presidentes norte-americanos, dá o braço a torcer e apela à resolução pacífica do conflito na Ucrânia e defende que a Ucrânia não deve pertencer à NATO
Uma lição aos sempiternos corifeus da guerra e do militarismo e a todos quantos, manipulados pela propaganda de guerra da TV e dos Mass media, deturpam e ignoram quase tudo sobre a invasão e a guerra na Ucrânia, contribuindo ainda mais para o clima belicista e armamentista.
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A discussão pública sobre a Ucrânia tem tudo a ver com confronto. Mas sabemos para onde vamos? Na minha vida, vi quatro guerras começarem com grande entusiasmo e apoio público, mas em todas elas não sabíamos como iam terminar e em três delas retirámo-nos unilateralmente. O teste da política é como elas terminam, não como começam.
Com demasiada frequência, a questão ucraniana é apresentada como um confronto: se a Ucrânia se junta ao Leste ou ao Ocidente. Mas para que a Ucrânia sobreviva e prospere, não deve ser o posto avançado de nenhum dos lados contra o outro – deve funcionar como uma ponte entre eles.
A Rússia deve aceitar que tentar forçar a Ucrânia a um estatuto de satélite e, assim, mover as fronteiras da Rússia novamente, condenaria Moscovo a repetir a sua história de ciclos auto-realizáveis de pressões recíprocas com a Europa e os Estados Unidos.
O Ocidente deve entender que, para a Rússia, a Ucrânia nunca pode ser apenas um país estrangeiro. A história russa começou no que foi chamado de Kievan-Rus. A religião russa espalhou-se a partir daí. A Ucrânia faz parte da Rússia há séculos, e as suas histórias estavam entrelaçadas antes disso. Algumas das batalhas mais importantes pela liberdade russa, começando com a Batalha de Poltava em 1709, foram travadas em solo ucraniano. A Frota do Mar Negro – o meio da Rússia de projetar poder no Mediterrâneo – é baseada no arrendamento a longo prazo de Sebastopol, na Crimeia. Até mesmo dissidentes famosos como Aleksandr Solzhenitsyn e Joseph Brodsky insistiam que a Ucrânia era parte integrante da história russa e, de facto, da Rússia.
A União Europeia deve reconhecer que a sua lentidão burocrática e a subordinação do elemento estratégico à política interna na negociação da relação da Ucrânia com a Europa contribuíram para transformar uma negociação em crise. A política externa é a arte de estabelecer prioridades.
Os ucranianos são o elemento decisivo. Eles vivem num país com uma história complexa e uma composição poliglota. A parte ocidental foi incorporada na União Soviética em 1939, quando Stalin e Hitler dividiram os despojos. A Crimeia, cuja população é 60% russa, tornou-se parte da Ucrânia apenas em 1954, quando Nikita Khrushchev, ucraniano de nascimento, a concedeu como parte da celebração dos 300 anos de um acordo russo com os cossacos. O oeste é em grande parte católico; o leste em grande parte ortodoxo russo. O oeste fala ucraniano; o leste fala principalmente russo. Qualquer tentativa de uma ala da Ucrânia de dominar a outra – como tem sido o padrão – levaria eventualmente à guerra civil ou ao rompimento. Tratar a Ucrânia como parte de um confronto Leste-Oeste arruinaria por décadas qualquer perspectiva de trazer a Rússia e o Ocidente – especialmente Rússia e Europa – para um sistema de cooperação internacional.
A Ucrânia é independente há apenas 23 anos; anteriormente estava sob algum tipo de domínio estrangeiro desde o século XIV. Não surpreendentemente, os seus líderes não aprenderam a arte do compromisso, muito menos a perspectiva histórica. A política da Ucrânia pós-independência demonstra claramente que a raiz do problema está nos esforços dos políticos ucranianos para impor sua vontade às partes recalcitrantes do país, primeiro por uma facção, depois pela outra. Essa é a essência do conflito entre Viktor Yanukovych e sua principal rival política, Yulia Tymoshenko. Eles representam as duas alas da Ucrânia e não estão dispostos a dividir o poder. Uma política sábia dos EUA em relação à Ucrânia buscaria uma maneira de as duas partes do país cooperarem entre si. Devemos buscar a reconciliação, não a dominação de uma facção.
A Rússia e o Ocidente, e muito menos as várias facções na Ucrânia, não agiram de acordo com esse princípio. Cada um piorou a situação. A Rússia não conseguiria impor uma solução militar sem se isolar num momento em que muitas das suas fronteiras já são precárias. Para o Ocidente, a demonização de Vladimir Putin não é uma política; é um álibi para a ausência de uma política.
Putin deve perceber que, quaisquer que sejam as suas queixas, uma política de imposições militares produziria outra Guerra Fria. De sua parte, os Estados Unidos precisam evitar tratar a Rússia como uma aberração ao ser pacientemente ensinada sobre as regras de conduta estabelecidas por Washington. Putin é um estratega sério – nas premissas da história russa. Compreender os valores e a psicologia dos EUA não é o seu ponto forte. A compreensão da história e da psicologia russas também não foi um ponto forte dos formuladores das políticas dos EUA.
Líderes de todos os lados devem voltar a examinar os resultados, não competir em postura. Aqui está minha noção de um resultado compatível com os valores e interesses de segurança de todos os lados:
1. A Ucrânia deve ter o direito de escolher livremente suas associações económicas e políticas, inclusive com a Europa.
2. A Ucrânia não deve aderir à NATO, posição que assumi há sete anos, quando surgiu pela última vez.
3. A Ucrânia deve ser livre para criar qualquer governo compatível com a vontade expressa de seu povo. Os sábios líderes ucranianos optariam então por uma política de reconciliação entre as várias partes do seu país. Internacionalmente, devem seguir uma postura comparável à da Finlândia. Essa nação não deixa dúvidas sobre sua feroz independência e coopera com o Ocidente na maioria dos campos, mas evita cuidadosamente a hostilidade institucional em relação à Rússia.
4. É incompatível com as regras da ordem mundial existente a Rússia anexar a Crimeia. Mas deve ser possível colocar o relacionamento da Crimeia com a Ucrânia numa base menos tensa. Para esse fim, a Rússia reconheceria a soberania da Ucrânia sobre a Crimeia. A Ucrânia deve reforçar a autonomia da Crimeia nas eleições realizadas na presença de observadores internacionais. O processo incluiria a remoção de quaisquer ambiguidades sobre o estatuto da Frota do Mar Negro em Sebastopol.
Estes são princípios, não prescrições. As pessoas familiarizadas com a região saberão que nem todos serão palatáveis para todas as partes. O teste não é a satisfação absoluta, mas a insatisfação equilibrada. Se alguma solução baseada nesses ou em elementos comparáveis não for alcançada, a tendência para o confronto acelerará. A hora para isso chegará em breve.
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POEMA DE IVO MACHADO

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CARTA para EDUARD BAGRÍTZKI
hoje conseguirias um jornal em Kiev?
o que escrevem
os gritos das mulheres e homens
e o coração do Dnieper?
que línguas escuta
o teu rio?
quero saber do frio
inútil
de ti mesmo
hoje haverá pão nas padarias de Kiev?
que dirão nas farmácias
nos infantários
nos necrotérios?
e quem sai por vontade
dos hospícios?
peço por ti
— na hora de comer divide
mas o quê se vos roubam o pão?
Eduard, estás morto, bem sei
dos muros do cemitério
faz um jornal
das águas do Dnieper navio
e para todos um céu com céu —
arrojo e aurora
por fim,
pergunto
— como escrever Alfa e Ómega?
Ivo Machado
Biscoitos, 1 de Março de 2022

SEMELHANÇAS DE HITLER E PUTIN

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Há semelhanças entre Hitler – no início da II Guerra Mundial em 1939 – e a invasão da Ucrânia por Putin?
Vejamos o que nos diz o jornalista da ”Visão” J. Plácido Júnior.
Se nos debruçarmos sobre o argumentário de Putin para desencadear a invasão russa da Ucrânia e a retórica de Hitler para justificar a anexação, pela Alemanha nazi, da Áustria, em março de 1938, e da Checoslováquia, em 1939, as semelhanças históricas saltam à vista.
Em relação à Áustria (e aqui convém lembrar que Hitler era ele próprio austríaco), o Führer nunca aceitou os termos do Tratado de Saint-Germain-en-Laye, de 1919, que pôs fim ao Império Austro-Húngaro, um dos derrotados da I Guerra Mundial (em conjunto com o Império Alemão e com o Império Otomano). O artigo 88 daquele tratado estipulava expressamente que a união da Áustria – Estado criado pelo Tratado de Versalhes, de junho de 1919, que após a I Guerra Mundial redesenhou o mapa da Europa – com a Alemanha ficava proibida. Mas o tempo passou e, em 1932, o partido nazi austríaco venceu as eleições legislativas, embora sem maioria absoluta.
Os nazis austríacos lançaram-se então numa estratégia de desestabilização terrorista. Até que o chanceler social cristão Engelbert Dollfuss decidiu, em 1933, governar por decreto, dissolvendo o parlamento, o Partido Comunista da Áustria, o Partido Nacional-Socialista nazi e a milícia social-democrata.
Seguiu-se uma dura repressão policial, à qual os nazis austríacos sobreviveram – a ponto de assassinarem o chanceler Dollfuss, a 25 de junho de 1934, num frustrado golpe de Estado. O sucessor de Dollfuss seria Kurt Schuschnigg, que perdeu o controlo do país e, em desespero de causa, tentou promover um referendo sobre a manutenção da Áustria independente face à Alemanha, que marcou para 13 de março de 1938.
Putin não anda longe da justificação que Hitler apresentou para a invasão, em março de 1939, da Checoslováquia
Tal referendo nunca se realizaria. Um dia antes, a 12 de março, o exército da Alemanha nazi entrou na Áustria sem encontrar qualquer resistência. Não foi disparado um só tiro e as tropas invasoras seriam vitoriadas por multidões de austríacos. Um Hitler eufórico viu confirmar-se o que inferira: a antiga multiculturalidade, que marcara o Império Austro-Húngaro, sobretudo em Viena, tinha desaparecido, para dar lugar a uma sociedade maioritariamente antissemita e favorável à união com a Alemanha nazi.
Dir-se-ia que Hitler nem precisava de justificar a invasão, como fez, declarando que a Alemanha respondia a um apelo de ajuda lançado pelo partido nazi austríaco, para salvar e estabilizar a Áustria. Logo a 13 de março, a anterior república foi anexada, tornando-se uma província do III Reich chamada Ostmark. E a 10 de abril seguinte realizou-se um referendo, este organizado por Berlim, em que a anexação seria aprovada por 99% dos austríacos. Tal resultado foi, obviamente, manipulado e viciado, acrescendo-lhe a pressão para aceitar um facto consumado. Mas o apoio popular maciço a Hitler era evidente.
Sudetas e Donbass
O Führer começou assim a vingar-se do “humilhante” Tratado de Versalhes, que impôs duríssimas condições à Alemanha – embora, no final de contas, também lhe tenha aberto o caminho para chegar ao poder, em janeiro de 1933. Observando em espelho, verifica-se que o desmantelamento da União Soviética, em dezembro de 1991, e o desastre político, social e económico que se seguiu para a Rússia, igualmente abriram o caminho de Putin até ao Kremlin, onde está instalado desde 1999. E sempre a protestar pela “ameaça à segurança da Rússia” constituída por países vizinhos que, após 1991, saíram da antiga “Cortina de Ferro” (expressão criada por Churchill) para a órbita do Ocidente e da NATO.
À imagem de Hitler e da sua justificação para a anexação da Áustria, em 1938, também Putin antecedeu a invasão da Ucrânia com o anúncio de que recebera uma carta, na qual os líderes separatistas das repúblicas de Donetsk e Lugansk lhe pediam ajuda “com base” nos tratados de amizade que recentemente assinaram com Moscovo. É igualmente de esperar que os militares russos sejam vitoriados pelas populações de Donetsk e Lugansk (e até de outras localidades da região de Donbass, no Leste da Ucrânia), como há 84 anos os soldados do III Reich foram saudados por austríacos aos magotes.
À imagem de Hitler, na anexação da Áustria, também Putin justifica agora a sua ofensiva militar com um pedido de ajuda que recebeu dos separatistas pró-russos do Leste da Ucrânia
“Decidi levar a cabo uma operação militar especial (…) para proteger a população que tem sido sujeita a bullying e a genocídio”, justificou o Presidente russo no seu discurso de guerra. Aqui, Putin não anda longe da justificação que Hitler apresentou para a invasão, em março de 1939, da Checoslováquia, outro Estado criado pelo Tratado de Versalhes. O Führer queria proteger a minoria alemã que vivia na região dos Sudetas – mas daí partiu para a dissolução da Checoslováquia, criando os protetorados da Boémia e da Morávia, e instalando um governo fantoche na Eslováquia. É legítimo pensar-se que Putin, agora que investiu de armas aperradas sobre a Ucrânia, pode sonhar com um cenário parecido com aquele que Hitler impôs após invadir a Checoslováquia.
Perante a crescente arrogância do Führer, o que faziam os governos de Inglaterra e de França? O primeiro-ministro britânico, Neville Chamberlain, e o seu homólogo francês, Édouard Daladier, acreditaram nas garantias que Hitler lhes deu, de que não tinha mais ambições territoriais. E, por isso, assinaram os Acordos de Munique, a 29 de setembro de 1938. Quando regressou a Londres, Chamberlain estava exultante: mostrou o documento com as assinaturas e disse que aquele papel representava a paz.
Seria um desastroso logro. A 1 de setembro de 1939, o III Reich invadia a Polónia (mais um Estado criado por Versalhes, e que antes do tratado pertencia ao Império Russo) e desencadeava a II Guerra Mundial. Voltando a olhar em espelho, sobram perguntas – até onde irá Putin? E até onde deixarão ir o ocupante do Kremlin?
Artigo e fotos, publicados pela revista ”VISÃO” de grande prestígio jornalístico em Portugal e na Europa.
J. Plácido Júnior
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A arma que vai derrotar Putin

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Os europeus saíram à rua para apoiar a Ucrânia e pedir a paz, os governos apressaram-se a emprestar dinheiro para Kiev comprar armas. Faz sentido? Se olharmos para a guerra com olhos de guerreiros, a resistência armada, mesmo que apenas adiando a derrota, é sempre vista como uma coisa heroica. Mas a mim até o apelo do presidente Zelensky aos cidadãos de Kiev para ficarem e defenderem a capital me custa aceitar, pelo número de vítimas civis que a guerra urbana acarreta. A guerra com armas é para os militares. Derrotar um ditador como Putin, rodeado de uma oligarquia multimilionária, só se consegue com sanções inteligentes. Fechar a torneira do dinheiro é a única coisa que os amigos do czar percebem. É nos Abramovich desta vida que reside a solução para esta guerra.Olhemos para a estratégia que levou ao reforço do poder militar da Ucrânia, pensando que dessa forma evitavam mais imperialismo russo. Depois de todas as armas que compraram nos últimos anos, os ucranianos não passaram a estar capazes de evitar uma invasão dos russos, apenas resistirão mais tempo. O que se torna muito difícil de perceber é que o Ocidente considere (bem) que não faz sentido resolver este conflito pela força das armas, mas entenda que faz sentido emprestar mais umas centenas de milhões de euros para a Ucrânia lhe comprar armas, que os russos se têm encarregado de destruir, à medida que sobem mais uma escala na criminosa invasão do seu vizinho, ex-povo irmão das repúblicas socialistas soviéticas.A Ucrânia tem um PIB a rondar os 140 mil milhões de euros e, nos últimos 15 anos, praticamente triplicou a percentagem dessa riqueza que é gasta anualmente com o seu exército. É fazer as contas, como dizia o secretário-geral das Nações Unidas, no tempo em que era apenas candidato a primeiro-ministro de um país da União Europeia. Eu fiz, de cabeça. Um ponto percentual equivale a mil e quatrocentos milhões de euros, sendo que 4% são 5,6 mil milhões a cada ano que passa, muitos milhares de milhões desde que a Crimeia foi anexada por Moscovo, em 2014. É uma gota de água, comparada com a riqueza que o vizinho gigante gasta para continuar a ser uma potência militar de primeira grandeza. Uma potência nuclear.Quando a guerra faz que tudo o resto que acontece no mundo não mereça mais que um minuto da nossa atenção, os pacifistas são vistos como traidores por ambos os lados da barricada. Só que é preciso não gastar mais tempo a contribuir para a matança, sem fechar de vez a torneira do dinheiro à oligarquia liderada por Putin. Em todos os cantos do mundo, onde esses oligarcas possam ter um cêntimo que seja, é preciso fechar-lhes a torneira. Esta é uma batalha onde não há espaço para tréguas nem paninhos quentes e, sobretudo, não pode haver perdão para qualquer réstia de hipocrisia dos líderes ocidentais. Nenhuma vida tem preço, nem há pragmatismo que justifique hesitações nesta guerra em que Putin acabará inevitavelmente derrotado.

Source: A arma que vai derrotar Putin