Carta a Vasco Cordeiro
Ajuda, Vasco? O Governo Regional demorou demasiado tempo a pedir “ajuda” ao Governo da República?
Somos portugueses, apenas vivemos em ilhas no meio do Atlântico, e temos de pedir ajuda ao Governo da República que decidiu ajudar primeiro Cabo Verde?
Vejo-te numa fotografia a trocar carinhos de antebraço com o António Costa. Vejo o César ao lado do Álamo, numa pose balética, e lembro os anos em que estava ao centro, de mãos dadas com o Sócrates. Do outro lado do palco, vejo o Tibério Dinis e o Sérgio Ávila, este último não sei a que título. Será por ser formalmente Secretário da Ilha Terceira do PS, mas que materialmente desapareceu e deixa a voz pública do partido a Ricardo Barros e a um moço creio Toste chamado? Agora surgindo apenas para bater palminhas ao supremo líder?
E depois tu falas, Vasco. Quase colérico. Que a vinda das vacinas e a colaboração de médicos enfermeiros e farmacêuticos militares é a prova da incapacidade do Governo Regional. Perdeste completamente o juízo, Vasco? Então a nomeação do contra-almirante Gouveia e Melo também foi tardia? Francisco Ramos era um incapaz? Costa devia ter pedido ajuda mais cedo aos militares?
Pára de fazer política com a saúde pública, Vasco. Não te fica nada bem. Como te fica muito mal o PS disparar em todas as direcções, na Assembleia, nos jornais, nas redes sociais. Nada do que decide o atual governo regional está bem, para vós. E tudo o que fazíeis vós era perfeito, imaculado, celestial. Na SATA, nas empresas públicas regionais criadas para darem emprego e depois falirem, nos transportes marítimos, na Saúde, na Educação. A História vos julgará, pelo mal que fizestes a estas ilhas, Vasco.
Depois, no mesmo discurso, denuncias ataques ao “exercício da liberdade, democracia e participação cívica” nas autárquicas, por parte dos partidos que assumiram a governação regional. Repudias. Protestas contra “os sinais que se avolumam, das pressões, das ameaças veladas aos candidatos do PS por parte daqueles que compõem o actual Governo Regional…”. Quero nomes, Vasco. Quero que digas, publicamente, quem ameaçou, quem foi ameaçado, e por que forma se consubstanciaram tais ataques à liberdade.
Somos colegas, embora pouco tempo tenhas andado pelos tribunais. Mas sabes certamente que, dito como disseste, é difamação pura. Um crime, portanto. Só não o será se provares a verdade do que imputas. Formaliza uma queixa. Junto da Comissão Nacional de Eleições, ou do Ministério Público, ou, minime, deixa toda a gente saber do que falas. Perante factos, cá estarei, para te pedir desculpas. Perante bocas, cá estou, pedindo que te cales.
António Bulcão
(publicada hoje no Diário Insular)