a língua portuguesa no mundo 28º colóquio 2017

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1. Afinal como vai a língua portuguesa no mundo? E as suas derivadas ainda sobrevivem?

Hoje fala-se mais Português em Angola do que no tempo da colonização apesar da forte competição das línguas nativas. Em Goa existe um recrudescimento do interesse pela língua portuguesa e novos livros têm surgido mais de 50 anos após a extinção da presença lusófona. Em Malaca, na Malásia, cerca de 1.000 pessoas falam um crioulo tal como 80 % dos antigos habitantes falava Papiá Kristang, que também é falado atualmente em Singapura e Kuala Lumpur, sendo muito parecido com o malaio local na sua estrutura gramatical, mas 95% do seu vocabulário deriva do português.

Até há pouco tempo o português também era falado em Pulau Tikus (Penang), mas hoje considera-se extinto. A comunidade eurasiana tem 12.000 membros na Península Malaia. Ativos estão o MPEA (Malacca Portuguese Eurasian Association) e SPEMA (Secretariat of the Portuguese/Eurasian Malaysian Associations) com 7 associações dos seus membros em Alor Star, Penang, Perak, Malaca (MPEA), Kuala Lumpur, Seremban e Johor Baru. Há também em Singapura uma associação eurasiática. Lembremo-nos que Malaca se separou do domínio português em 1641, há 376 anos.

Cerca de um terço dos eurasianos de Singapura têm sobrenomes portugueses. Curiosamente um jovem singapurino, Kevin Martins Wong, recentemente redescobriu a língua dos seus avoengos e está a ter sucesso na sua revitalização em Singapura onde apenas restavam cem falantes. Desenvolveu um currículo de dez aulas de duas horas cada, e atualmente ensina Kristang a duas centenas de pessoas. Tendo obtido fundos elaborou um plano de revitalização do idioma a desenvolver nas próximas décadas e conta lançar um dicionário e um livro didático já em 2019. Em 2004 fora publicado o Eurasian Heritage Dictionary em inglês por Valery Scully e Catherine Zuzarte com 1500 palavras de Papiá Kristang) e provérbios dos quais retiro apenas quatro exemplos:

Pinchah pedra, skundeh mang (atira a pedra, esconde a mão)

Nunteng kabesa, nunteng rabu, (sem pés nem cabeça)

Albi grandi, fruta pekeninu (árvore grande, fruta pequenina)

Nunteng agu, nunteng sal (sem água e sem sal)

De mais de 200 étimos portugueses selecionei kereta (carreta, “carro”), sekolah (escola), bendera (bandeira), mentega (manteiga), keju (queijo), meja (mesa) e nenas (ananás), sepatu (sapato), mulheh, maridu, bonitu e soldadu. Poucas pessoas sabem que quando Sir Thomas Stamford Raffles refundou Singapura em 1819 havia apenas uma centena de habitantes e foi um português que serviu às suas ordens quem se encarregou de a povoar com portugueses de Malaca, Macau e Hong-Kong.

Passemos agora a Korlai na Índia, perto de Chaul, onde 900 pessoas falam o crioulo português numa comunidade cuja igreja se chama de “Nossa Senhora do Monte Carmelo”. Chaul separou-se do domínio português em 1740, há 277 anos.

Em Goa, o idioma português está a desaparecer rapidamente sendo falado por um pequeno setor das famílias mais abastadas. Apenas 3 a 5% da população continua a falar Português (menos de 40 mil pessoas). Goa assiste a uma neocolonização demográfica com 35% da população sendo imigrante de outros estados indianos. Nas escolas da Índia a língua portuguesa é ensinada como terceira língua (não-obrigatória). Existe um Departamento de Português na Universidade de Goa e a “Fundação do Oriente” e a Sociedade de Amizade Indo-Portuguesa estão em funcionamento. O último jornal em língua portuguesa foi publicado na década de 1980. Em Panaji ainda são visíveis em lojas, edifícios públicos muitos cartazes em português. Em Diu, na Índia, o crioulo português está quase extinto. Em Damão na Índia: (Damão Grande ou Praça, Campo dos Remédios, Jumprim, Damão da Cima) apenas 2000 pessoas falam um crioulo português. Goa, Damão, Diu e outros enclaves deixaram de fazer parte do domínio português em dezembro de 1961, há 56 anos.

Os Burgueses Portugueses do Ceilão existem em Batticaloa (Koolavaddy, Mamangam, Uppodai, Dutch Bar, Akkaraipattu); Trincomalee (Palayuttu); nas comunidades Kaffir de Mannar e Puttalam]. Muitos séculos antes da chegada dos portugueses à ilha de Ceilão, que hoje se chama Sri Lanka, esta era conhecida sob o nome de Taprobana. O Português foi apenas usado entre as 250 famílias (burgueses portugueses) em suas casas em Batticaloa até 1984. Muitos emigraram para a Austrália. Ainda há 100 famílias em Batticaloa e Trincomalee e cerca de 80 famílias afro-cingalesas (Kaffir) em Puttalam. Uma língua quase extinta.

Há uma pequena comunidade de descendentes portugueses na aldeia de Waha Kotte (circa 7°42’N. – 80°36’E no centro do Sri Lanka, a seis quilómetros de Galewala, estrada entre Galewala e Matale), sendo todos católicos romanos, mas desde há cerca de duas gerações que o crioulo português deixou de ser falado. Tem relação com outros dialetos indo-portugueses que floresceram outrora no litoral da Índia. O indo-português também tem relação com o crioulo português de Malaca e também com o crioulo português de Macau e há uma semelhança linguística subjacente entre os crioulos portugueses da Ásia que foi muito útil no comércio. No Sri Lanka, por cerca de 350 anos, a língua de comércio internacional era o indo-português. Ceilão separou-se do domínio português em 1658, há 359 anos.

Em Macau há cerca de 2.000 pessoas que falam português como sua primeira língua e perto de 12 mil como sua segunda língua. Um reduzido grupo de idosos ainda fala o macaense ou Dóci Papiaçam di Macau, um crioulo português. Em 20 de dezembro de 1999 Macau voltou a fazer parte da China. A língua portuguesa é hoje mais falada e estudada do que quando os portugueses lá estavam e quando lá vivi entre 1976 e 1982.

Em Hong-Kong centenas de pessoas falam o macaense. Quase todas são emigrantes de Macau. Nunca foi colónia portuguesa. Os “ton-tons” como são chamados, são quase todos descendentes de Macau e das pequenas colónias de Portugueses da China (Cantão) e mantêm nomes e alguns rudimentos de papiá e de Português.

Timor-Leste: os que falavam o português em 1950 não ultrapassavam 10.000 pessoas e em 1974 dos 700.000 habitantes, um décimo sabia ler e escrever em português e 140.000 podiam falar e entender esta língua. Até 1981, o português foi a língua da Igreja Católica de Timor, quando foi substituído pelo tétum. Entretanto é comummente usado como idioma de negócios na cidade de Díli. O português permaneceu como língua da resistência anti-indonésia e de comunicação externa da Igreja Católica. O português crioulo (português de Bidau) hoje está praticamente extinto. Era falado em Díli, Lifau e Bidau. Timor-Leste tornou-se um estado independente a 20 de maio de 2002 com duas línguas oficiais: português e tétum.

Em Timor como segunda língua oficial já há 25% de falantes de Português quando há dez anos nem a 5% chegava esse número. Lembro a importância da língua portuguesa em contextos hostis como no caso de Timor-Leste onde sob a ocupação neocolonial indonésia, as novas gerações impedidas de falar Português começaram a usar esta língua como língua de resistência.

Na ilha das Flores na Indonésia em Larantuka e Sikka o português sobrevive nas tradições religiosas e na comunidade Topasse (os descendentes dos portugueses com as mulheres nativas) utilizam-no nas suas preces. Aos sábados, as mulheres de Larantuka rezam o rosário numa forma corrompida de português. Na área de Sikka, no Leste de Flores, muitas pessoas são descendentes de portugueses e ainda há quem use esta língua. Existe uma Confraria chamada “Reinja Rosari”. Portugal retirou-se em 1859.

2. ATÉ HÁ POUCOS ANOS, COMUNIDADES QUE FALAVAM O PORTUGUÊS EXISTIAM EM:

Cochim na Índia: (Vypeen) mas desapareceu nos últimos 20 anos. A comunidade portuguesa / hindu de cerca de 2 mil pessoas frequenta ainda a antiga Igreja de Nossa Senhora da Esperança. Portugal retirou-se de Cochim em 1663, há 354 anos.

Em Bombaim: Baçaim, Salcete, Thana, Chevai, Mahim, Tecelaria, Dadar, Parel, Cavel, Bandora-Badra, Govai, Morol, Andheri, Versova, Malvan, Manori, Mazagão. Em 1906 este crioulo foi, depois do Ceilão, o dialeto indo-português mais importante e existiam 5 mil pessoas que falavam o crioulo português como língua materna e 2 mil estavam em Bombaim e Mahim, mil em Bandora, 500 em Thana, 100 em Curla, 50 em Baçaim e mil nas outras vilas. Não existiam à época escolas em crioulo português e as classes mais ricas substituíram-no pelo inglês.

Em Coramandel na Índia: Meliapore, Madrasta, Tuticorin, Cuddalore, Karikal, Pondicherry, Tranquebar, Manapar, Negapatam. Nesta costa, os descendentes dos portugueses eram também conhecidos como “topasses”, sendo católicos e falando o crioulo português. Com o domínio britânico começaram a falar inglês em lugar do português e anglicizaram seus nomes. Fazem parte da comunidade eurasiana. Em Negapatam em 1883 ainda existiam 20 famílias a falar o indo-português.

No Ceilão (Sri Lanka) o crioulo português era falado até pela comunidade burguesa holandesa até ao início do século XX. Depois da Segunda Guerra Mundial, os católicos em Colombo, capital do Sri Lanka reuniam-se nas missas faladas em português (na Igreja de Santo António em Dematagoda). Após a segunda metade do século, uma parte destes católicos velhos começaram a frequentar missas em grupos cada vez menores nas igrejas católicas nas cidades de Dematagoda, Hulftsdorp, Kotahena, Kotte, Nugegoda e Wellawatte. Embora fosse uma língua falada, o português perdia rapidamente a sua importância original nos serviços religiosos nas igrejas católicas, sendo substituído pelo inglês mais moderno e mais procurado.

Já na Indonésia em Jacarta, no subúrbio de Tugu, até ao início do século XX uma espécie de português corrompido era falada pela população cristã. O último habitante que falava crioulo morreu em 1978. Ainda hoje cantam e dançam em português arcaico. Jacarta nunca esteve sob domínio direto de Portugal.

3. DESAPARECEU JÁ HÁ MUITOS ANOS:

Na índia em Mangalore e em Cannanore e nas costas da Índia existiam cerca de 44 comunidades, onde o português era falado.

Em Bengala no Bangladesh: (Balasore, Pipli, Chandernagore, Chittagong, Midnapore, Hugli……) a língua portuguesa foi, nos séculos XVII e XVIII, a “lingua franca”. Após 1811, o português era usado em todas as igrejas cristãs (católicas e protestantes) de Calcutá. No início do século XX, poucas famílias falavam uma forma corrompida de português misturada com muitas palavras da língua inglesa.

Em Solor e em Adonara na Indonésia: Solor, Adonara (Vure)

Na Ilha de Java na Indonésia: na comunidade holandesa de Batávia. Os Mardijkers são os descendentes dos antigos escravos de Malaca, Bengala, Coramandel, e Malabar, que foram convertidos ao Protestantismo quando libertados. Falavam uma espécie de crioulo português e eram o ramo principal da comunidade portuguesa de Batávia. Depois da conquista holandesa de Malaca e do Ceilão eles cresceram consideravelmente. Em 1673 foi construída uma igreja protestante para a comunidade portuguesa de Batávia e depois no século XVII uma segunda igreja foi construída. Em 1713 esta comunidade tinha cerca de 4.000 membros. Até 1750 o português foi a primeira língua de Batávia, porém, depois o malaio passou a dominar. Em 1808, o reverendo Engelbrecht celebrou a última missa em português. Em 1816, a comunidade portuguesa foi incorporada na comunidade malaia. Também entre as famílias holandesas de Batávia a língua portuguesa foi intensamente usada até 1750, apesar dos esforços do Governo Holandês contra o seu uso.

Nas ilhas Molucas na Indonésia: em Ternate, Ambon, Banda, Macassar falava-se Ternateno, um crioulo português das ilhas de Ternate e Halmahera, mas atualmente extinto. Em Ambon, o português sobrevive na língua atualmente falada: o Malayu-Ambom, e que contém cerca de 350 termos de origem portuguesa.

Vários idiomas da Tailândia, Malásia, Índia e Indonésia têm palavras portuguesas ou galegas. A própria língua japonesa tem várias como: arukoru (álcool), pan (pão), veludo, jaqueta, bolo, bola, botão, frasco, irmão, jouro (jarro), capa, capitão, candeia, castela (bolo de pão-de-ló), copo, biidoro (vidro), tempura (tempero), tabako (tabaco), sabão, sábado, choro, tasca, biombo etc.

Em resumo, em qualquer destes locais ao longo desta curta digressão pelo Oriente, portugueses e galegos falam com estas gentes sem dificuldades de maior, mas na Europa torna-se imperioso ressuscitar o galego. É fundamental que ele seja atual e não-castrapo. Os povos só evoluem bem intelectualmente quando se expressam bem na sua língua materna e não numa língua estrangeira colonizada.

TRILHOS FECHADOS NA ILHA DE S MIGUEL

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INFORMAÇÃO // Trilhos pedestres encerrados em São Miguel
Na sequência das chuvas intensas que se têm feito sentir desde o dia de ontem, com especial incidência na ilha de São Miguel, o Governo Regional determina o encerramento preventivo dos seguintes percursos pedestres:
▪️ Agrião PR12SMI
▪️ Água Retorta PRC 13 SMI
▪️ Lomba da Fazenda PRC31 SMI
▪️ Lomba D’El Rei PRC38 SMI
▪️ Moinhos da Ribeira Funda PRC35 SMI
▪️ Padrão das Alminhas – Salto da Farinha PR21 SMI
▪️ Pedra Queimada – Lajinha – Degredo PRC36 SMI
▪️ Pico da Vara PRC07 SMI
▪️ Quatro Caminhos do Faial da Terra PRC40 SMI
▪️ Quatro fábricas da Luz PR39 SMI
▪️ Ribeira do Faial da Terra PR11 SMI
▪️ Sanguinho PRC09 SMI
▪️ Vigia da Baleia PR18 SMI
A Secretaria Regional dos Transportes e a Direção Regional do Turismo irão proceder à avaliação e monitorização da rede regional de percursos pedestres, atualizando a informação sempre que necessário.
Mais informação: bit.ly/3x0MjoL

HÁ 4 ANOS O QUE É A LUSOFONIA, nos 20 anos da CPLP, julho 2017

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1.1. O QUE É A LUSOFONIA, nos 20 anos da CPLP, julho 2017

 

“Não tenho culpa de ter nascido em Portugal e exijo uma pátria que me mereça” (Almada Negreiros)

 

Escrever é fácil: comece com uma maiúscula e termine com um ponto final. No meio, coloque ideias. (Pablo Neruda)

 

“Somos um grande povo de heróis adiados, partimos a cara a todos os ausentes…somos incapazes de revolta e agitação… (Fernando Pessoa,”Obras em Prosa”, Círculo dos Leitores, III vol. p. 292)

 

1.

Vivi, convivi e aprendo ainda a coabitar com lusofalantes, dos Orientes exóticos “Que o Sol em nascendo vê primeiro” [Divisa de Timor Português em eras coloniais} que mitos salazarentos criaram aos orientes menos exóticos que a revolução do 25 de abril (1974) esqueceu. Pugno pelos filhos que falam português qualquer que seja o país em que nasceram ou vivem, mas constato que encontrei mais estrangeiros interessados em apoiar iniciativas de preservação da língua portuguesa do que nativos da mesma. Criamos novos mundos e redescobrimos outros, sem jamais identificarmos a mesquinhez desta nossa maneira de ser que nos faz sentir grandes – talvez até maior do que somos, quem sabe? Agora que o grande desafio do século XXI nos confronta maior que um Adamastor, importa afirmar aquilo que imodestamente nunca fizemos, nem mesmo quando o Português era a língua franca de todos os comércios do mundo. Precisamos de manter viva a nossa língua e vamos precisar de todos, especialmente daqueles que forem capazes por artes e engenhos de assumir iniciativas arrojadas: que o façam sem ser em busca de louvaminhas ou encómios, sem ser em busca da vã glória e fama fugaz de que se fazem tantas carreiras, sem ser em busca de usura ou lucro. É preciso gente dedicada, mesmo com fama e nome ou simplesmente anónimos como os trabalhadores que quotidianamente constroem o nosso meio ambiente. Não precisamos apenas de iniciativas arrojadas, mas revolucionárias, mesmo que os formatos sejam os tradicionais: simpósios, conferências, seminários, colóquios, ou o de meros boletins informativos (eletrónicos ou impressos), capazes de captar ouvintes e leitores com a língua de origem lusófona que adotamos ou queremos como nossa. Mesmo que sejam os políticos bem-intencionados, mas deles não queremos as vãs e bem-soantes palavras eleitoralistas que um qualquer vento dos votos levará, queremos trabalho e o cumprimento de décadas de promessas. Queremos uma política da língua, à semelhança doutros países, que permita a sua divulgação ampla como meio fundamental de manter a independência política, cultural e linguística. Só assim manteremos acesa esta chama com que comunicamos dos Algarves D’el-rei que já esquecemos, às Índias de Vice-reis que nossas nunca foram, a Timores de quem olvidamos a existência durante cinco séculos, às Goas. Malacas e Macaus de que apenas nos lembramos quando nos queremos sentir orgulhosamente beneficiários dessa herança portuguesa que é a língua. A essência do problema é manter a língua e a cultura vivas, não interessa onde nem como.

(in Mitos da Lusofonia Revista Agália 2002)

2.

Surgiu há anos uma proposta do Embaixador Professor Doutor José Augusto Seabra para a criação de uma Cidadania da Língua Portuguesa (no Mundo) que importa analisar, pois ela contém os germes do sucesso inerentes a todas as propostas radicais e inovadoras num país como Portugal, marcado por tradicionalismos avessos a mudanças. Para quê, esta cidadania? Para que todos os lusofalantes, independentemente de outros idiomas que outros idiomas que com a língua de Camões comunguem, possam identificar-se como uma entidade única e universal, importante, capaz de sobreviver a guerras, diásporas e outras tragédias que têm assolado os lusófonos. Quem são, o que fazem, o que pensam e sentem, qualquer que seja o local a que chamam terra mãe. Será que as línguas crioulas ou Pidgin e as indígenas se sobrepõem às outras? Porque o ensino do português é oficial quererá isso implicar que ele vai suplementar as línguas nativas? Quando seremos capazes de admitir como lusofalantes que a língua a que chamamos nossa só pode sobreviver se enriquecida por outras? Dura lição esta, para aqueles, que, segundo diz o escriba “deram novos mundos ao mundo”. Se não aceitarmos esta realidade multilingue das comunidades lusófonas, criamos o conceito de ter uma língua viva com o mesmo futuro do esperanto. Estas são as perguntas que aqui se põem e que alguém – que não eu – terá de responder. Estas são questões fundamentais para a sobrevivência da Língua Portuguesa, qualquer que seja o sotaque ou a origem do país a que chamamos nosso, mesmo que o não seja.

(in Lusofonia Agonia 1, Revista ELO on-line 2002-11-15)

3.

Ximenes Belo, pediu em Bragança um maior investimento dos governos de Portugal e Timor-Leste no ensino da língua portuguesa aos timorenses. Para o Prémio Nobel da Paz, o futuro do português, que os timorenses adotaram como língua oficial, depende dos dois governos, português e timorense, porque “há, naturalmente, vontade de aprender, de conservar, mas por outro lado precisa-se de ajuda e de políticas para a manutenção da língua em Timor-Leste”. “Tem havido apoio, mas é preciso investir mais e sobretudo investir nos timorenses, que haja mais professores de português, que haja mais bibliotecas, que haja, enfim, uma coisa intensa” disse, à margem da sessão de encerramento do IV Colóquio da Lusofonia, em Bragança, onde durante dois dias de debateu sobre a língua portuguesa em Timor-Leste. Para o antigo bispo de Dili “não chega” haver professores portugueses em Timor-Leste:”é preciso formar timorenses, é preciso criar bibliotecas, infraestruturas e, sobretudo, manter alguma rádio, televisão e diários para que se faça entrar a língua espontaneamente na mente das pessoas”. D. Ximenes Belo recordou depois ao auditório que os timorenses continuaram a batizar os filhos com nomes portugueses e a rezar e cantar em português, mesmo durante a proibição, entre 1975 e 1999, mas disse que a ocupação indonésia deixou marcas. “Vocês querem que os timorenses falem a vossa língua, mas os timorenses apanharam bofetadas, foram torturados por falarem a vossa língua”, disse. A disputa também de outras línguas, nomeadamente o inglês, compreende-se, na opinião de D. Ximenes Belo, que recordou que Timor está numa zona com vizinhos como a Austrália, Filipinas, Singapura, Tailândia, Hong-Kong, onde as pessoas falam esta língua. “Mas Timor foi sempre parcela especial com ligação a Portugal e mantendo o português constituiu uma dimensão própria daquela pequena nação”, considerou. Mesmo com o passado histórico de séculos de colonização portuguesa, D. Ximenes considera que o português não é tão fácil assim para os timorenses. “Os timorenses acham mais fácil o indonésio porque não tem conjugações, não é tão complicado como o português, mas é preciso apostar” afirmou. D. Ximenes Belo escusou-se a comentar questões políticas ou sociais do país, afirmando estar há três anos fora, em Moçambique, e ter “poucas notícias” (de Timor). Disse, no entanto, que a sua preocupação é que haja paz, tranquilidade e reconciliação em Timor e que os jovens tenham trabalho.

HFT. LUSA. Transcrito de in A propósito do 4º colóquio da lusofonia, Revista Agália 2005)

4.

Na abertura do 2º Colóquio da Lusofonia, em outubro de 2003 em Bragança, tentei alertar contra os fundamentalistas de várias cores que visam preservar uma visão estática da língua portuguesa que se opõem a quaisquer inovações da língua e às alterações que o novo dicionário da Academia de Ciências veio introduzir. Por outro lado, começam a existir movimentos ativos que podem levar a que o Português na sua variante Brasileira se emancipe. Creio ser apenas uma questão de tempo (dada a ausência duma política da Língua por parte de Portugal) para que o Brasileiro seja declarado língua e nessa altura o Português (europeu) estará condenado pois os 10 milhões de habitantes mais uns tantos milhares na Galiza (variante Galega) não serão suficientes para fazer frente a uma língua autónoma como a Brasileira com cerca de 200 milhões de falantes. Das ex-colónias portuguesas não se poderá contar com muito apoio dado o exíguo número de pessoas (para além das elites políticas dominantes) que domina a língua de Camões. Assim, a verificar-se (e creio ser só uma questão de tempo) a emancipação da variante brasileira a língua portuguesa europeia estará condenada a uma morte lenta associada a uma rápida diminuição e envelhecimento da população de Portugal que aponta para uns meros 7,5 milhões em 2050 contra os atuais 10,3 milhões. O que é preciso é que o povo se entenda, que os portugueses não se armem em detentores únicos da língua ou como temos ouvido como aqueles que falam o Português puro. Os tempos não estão para purezas nem para puritanismos, porque o português que se fala em Portugal varia da Bragança dos Colóquios aos Açores onde vivo atualmente. Todos falam Português e todos eles falam diferente de Norte a Sul, de Leste a Oeste. São lusofalantes todos aqueles que têm o Português como língua seja ela língua-mãe, língua de trabalho ou língua de estudo, vivam eles no Brasil, em Portugal nos PALOP, na Galiza, em Macau ou em qualquer outro lugar. Sejam eles nativos, naturais, nacionais ou não de qualquer um dos países lusófonos. A uniformização linguística, a redução a um mesmo denominador comum é castrante e limitadora. Ela inibe e retrai a natural expansão da língua e do conceito mais lato e abrangente da Lusofonia que professamos. O espaço dos Colóquios Anuais da Lusofonia é um espaço privilegiado de diálogo, de aprendizagem, de intercâmbio e partilha de ideias, opiniões, projetos por mais díspares ou antagónicos que possam aparentar. É esta a Lusofonia que defendo pois creio que é a única que permitirá que a Língua Portuguesa sobreviva nos próximos duzentos anos sem se fragmentar em pequenos e novos idiomas e variantes que, isoladamente pouco ou nenhum relevo terão. Se aceitarmos todas as variantes de Português sem as discriminarmos ou menosprezarmos, o Português poderá ser com o Inglês uma língua universal colorida por milhentos matizes da Austrália aos Estados Unidos, às Bermudas e à Índia. O Inglês é íngua universal, mas continuou unido com todas as suas variantes.

(in Mitos da Lusofonia, Jornal Primeiro de janeiro fev 2006)

Com a chegada em 2007 dos patronos Malaca Casteleiro (Academia de Ciências de Lisboa) e Evanildo Bechara (Academia Brasileira de Letras) chegou a altura de passarmos a uma fase mais atuante da nossa intervenção, como membros da sociedade civil numa área que o poder político descura e evita. Apraz-nos dentro da nossa independência e subsídio-independência, constatar o apoio de alguns politécnicos e universidades, que vem premiar o esforço abnegado e dedicado duma mão cheia de pessoas que acreditaram na vitalidade dum projeto sem paralelo no âmbito da Lusofonia. Esta noção de Lusofonia abrangente sem distinção de credos, raças, nacionalidades ou outros fatores de distinguo, tem-nos permitido congregar esforços e vontades, criando sinergias e desenvolvendo mecanismos em rede, sem paralelo. Falta apenas convencer os PALOP de que não somos nenhuma ameaça nem uma quinta coluna dum novo Império cultural, antes pelo contrário. Devemos aceitar a Lusofonia e todas as suas diversidades culturais sem exclusão que com a nossa podem coabitar.

(in Diário de Trás-os-Montes novembro 2007)

6.

Ressalto do historial dos Colóquios da Lusofonia a sua ação na divulgação da açorianidade literária ou de como ainda é possível concretizar utopias num esforço coletivo. Um exemplo da sociedade civil num projeto de Lusofonia sem distinção de credos, nacionalidades ou identidades culturais. Em 2001, os Colóquios brotaram do intuito de criar uma Cidadania da Língua, proposta radicalmente inovadora num país tradicionalista e avesso a mudanças. Queríamos que todos se irmanassem na Língua que nos une. Pretendíamos catapultar a Língua para a ribalta, numa frente comum, na realidade multilingue e multicultural das comunidades que a usam. A nossa noção de LUSOFONIA abarca os que falam, escrevem e trabalham a língua, independentemente da cor, credo, religião ou nacionalidade. Em 2010 passamos a associação cultural e científica sem fins lucrativos e, em dezembro de 2015 passamos a ser uma entidade cultural de utilidade pública. Cremos que podemos fazer a diferença, congregados em torno de uma ideia abstrata e utópica, a união pela mesma Língua. Partindo dela podemos criar pontes entre povos e culturas no seio da grande nação lusofalante, independentemente da nacionalidade, naturalidade ou ponto de residência. Desconheço quando, como ou porquê se usou o termo lusofonia pela primeira vez, mas quando cheguei da Austrália (a Portugal) fui desafiado pelo meu saudoso mentor, José Augusto Seabra, a desenvolver o seu projeto de Lusofalantes na Europa e no Mundo e aí nasceram os Colóquios da Lusofonia. Desde então, temos definido a nossa versão de Lusofonia como foi expresso ao longo destes últimos anos, em cada Colóquio. Esta visão é das mais abrangentes possíveis, e visa incluir todos numa Lusofonia que não tem de ser Lusofilia nem Lusografia e muito menos a Lusofolia que, por vezes, parece emanar da CPLP e outras entidades.

Ao aceitarem esta nossa visão muitas pontes se têm construído onde hoje só existem abismos, má vontade e falsos cognatos. Felizmente, temos encontrado pessoas capazes de operarem as mudanças. Só assim se explica que depois de José Augusto Seabra, hoje, os nossos patronos sejam Malaca Casteleiro (Academia das Ciências de Lisboa), Evanildo Bechara (Academia Brasileira de Letras) e a Academia Galega da Língua Portuguesa representada por Concha Rousia.

 

Depois, acrescentamos como SÓCIOS HONORÁRIOS E PATRONOS DOM XIMENES BELO EM 2015 E EM 2016 JOSÉ RAMOS-HORTA (os lusofalantes do Prémio Nobel da Paz 1996), a que se juntaram (em 2016) Vera Duarte da Academia Cabo-Verdiana de Letras e José Carlos Gentili da Academia de Letras de Brasília.

 

Aguardamos a adesão da Academia Angolana a este projeto. A Academia Angolana ainda não se junta a nós no 28º colóquio como estava previsto por motivos internos, mas promete fazê-lo em breve. O espaço dos Colóquios da Lusofonia é um espaço privilegiado de diálogo, de aprendizagem, de intercâmbio e partilha de ideias, opiniões, projetos por mais díspares ou antagónicos que possam aparentar. É esta a Lusofonia que defendemos como a única que permitirá que a Língua Portuguesa sobreviva nos próximos duzentos anos sem se fragmentar em pequenos e novos idiomas e variantes que, isoladamente pouco ou nenhum relevo terão.

J Chrys Chrystello preside à AICL-Colóquios da Lusofonia desde 2001

28º colóquio Da Galiza: da língua espanholizada à língua galega no mundo

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Da Galiza: da língua espanholizada à língua galega no mundo

Na escola falam-nos da variante galega da língua como quem fala das guerras entre Esparta e Atenas, num passado demasiado longínquo, nesta portuguesa mania de desvalorizar a história, que fez de todos nós o que somos hoje. O problema começa por ser político e sensível, de difícil resolução e menos vontade política de o abordar. Só os poetas e os sonhadores utópicos, essa elite que pode mover nações e gerar a diferença entre a vida e morte das civilizações, acreditam que o futuro da Galiza passa pela unificação da língua escrita através do Acordo Ortográfico de 1990, esse vital instrumento a brandir contra o status quo da imutabilidade histórica dos reinos.

Todos sabemos que a história sempre se fez de guerras e de casamentos entre as tribos, hoje faz-se pela globalização económica que desconhece as fronteiras marcadas em tempos imemoriais pelos homens e é aí que a língua comum assume um papel vital de moeda de troca entre os povos. Mesmo aqueles que sempre se insurgiram contra a Lusofonia surgem agora como vocais e aparentes paladinos da mesma, como instrumento de captação de um mercado de mais de 240 milhões de almas.

1. Galiza: da língua espanholizada à língua galega no mundo

 

Esta comunicação não pretende ser académica pois os amores e os sentimentos não se podem dissecar num laboratório. A minha ligação à Galiza parece datar de 988 AD, segundo me contou a minha avó paterna que era brasileira carioca, de sangue minhoto e galego. Fui a Celanova em 1960 ver o sítio onde tudo começou, regressei várias vezes depois disso, e levei lá o meu filho mais novo para que ele conhecesse as origens. Aprendi com os aborígenes australianos a preservar na oralidade a história tal como eles o fizeram ao longo de mais de 65 mil anos.

Gostei de imaginar-me ali num passado longínquo, coevo de Dom Nuno de Cellanova, senhor do condado e alferes de Raimundo de Borgonha que casou com D. Sancha de quem teve D. Sancho Nunes de Cellanova ou de Barbosa (1070 -1130). Este casou por duas vezes, a primeira com D. Sancha Henriques (1097 – 1163), infanta de Portugal, filha de Teresa de Leão e do Conde D. Henrique de Borgonha, conde de Portucale. O segundo matrimónio foi com D. Teresa Mendes, filha de D. Urraca Mendes, senhora da Casa de Barbosa, e de Mem Nunes de Riba Douro. É deste segundo matrimónio que descendemos.[1]

Regressando ao século 21, conheci em 2002, no 1º colóquio, no Porto, um jovem empresário que sonhava com uma Galiza lusófona. Foi ele, Ângelo Cristóvão, o meu guia da história que não aprendemos. Portugal e Galiza são povos irmãos que vivem de costas voltadas, como se tivessem um imenso mar a separá-los. O desconhecimento mútuo é generalizado e aumenta à medida que a ignorância dos mais jovens se solidifica em resumos da História que deveriam estudar em detalhe e minúcia. Na escola falam-nos da variante galega como quem fala das guerras entre Esparta e Atenas, num passado demasiado longínquo, nesta portuguesa mania de desvalorizar a história, que fez de todos nós o que somos hoje. O problema começa por ser político e sensível, de difícil resolução e menos vontade política de o abordar. Só os poetas e os sonhadores utópicos, essa elite que pode mover nações e gerar a diferença entre a vida e morte das civilizações, acreditam que o futuro da Galiza passa pela unificação da língua escrita através do Acordo Ortográfico de 1990, esse vital instrumento a brandir contra o status quo da imutabilidade histórica dos reinos.

A história sempre se fez de guerras e de casamentos entre as tribos, hoje faz-se pela globalização económica que desconhece as fronteiras marcadas em tempos imemoriais pelos homens e é aí que a língua comum assume um papel vital de moeda de troca entre os povos. Mesmo os que sempre se insurgiram contra a Lusofonia surgem agora vocais e aparentes paladinos da mesma, para a captação de um mercado de mais de 240 milhões de almas. Se a guerra dos afetos entre povos irmãos parecia exclusiva da coutada dos poetas, agora desponta o interesse económico nessa cruzada da língua comum, como motor capaz de inverter políticas centralistas e nacionalistas de séculos. Nisso reside a grande arma que devemos utilizar, neste nosso longo caminho de sobreviver através da língua e cultura comuns, em vez de ficarmos marginalizados em variantes e dialetos redutores da enorme identidade global que é a Lusofonia sem distinção de nações, credos ou etnias. Não queremos um Quinto Império para reviver glórias de outrora, pretendemos apenas dar voz a todos os que se expressam e trabalham nessa língua a que chamamos nossa.

Em 2014 aprovou-se, por unanimidade no Parlamento Autónomo da Galiza, a chamada “Lei Paz-Andrade”, para a inclusão do ensino da língua portuguesa nos centros escolares do ensino primário e secundário, a promoção de conteúdos em português nos meios de comunicação social públicos, e a inserção das instituições públicas galegas nos organismos internacionais do espaço de língua portuguesa.

Em 2015, o Instituto Camões assinou um Memorando de Entendimento com o Governo Autónomo Galego, visando formar professores e estabelecer critérios de avaliação para o ensino da língua portuguesa. Ainda em 2015, a Presidência da República outorgou a Medalha de Ouro do Infante D. Henrique ao Presidente do Governo Regional, Alberto Núñez Feijóo, o que nos surpreendeu pois não reconhecemos a esse líder qualquer empenho na defesa da língua. Em 13 de julho 2017 a Galiza decidiu homenagear Cavaco e Silva com a Medalha de Ouro.

Chegam-nos, porém, notícias preocupantes sobre a real implementação da Lei Paz-Andrade. A expansão do ensino da língua portuguesa – que foi de 850 no curso anterior para 1850 alunos –, deveu-se exclusivamente à iniciativa dos pais dos alunos ou das entidades culturais privadas, sendo que o Governo Autónomo não transmitiu, a este respeito, qualquer instrução nem informação aos responsáveis dos centros escolares, parecendo assim não estar minimamente empenhado na real implementação da referida Lei. Quanto à rádio e televisão públicas, apenas se registam, colaborações esporádicas, como ocasionalmente já acontecia.

Entretanto, fomos confrontados com a aprovação da candidatura do “Consello da Cultura Galega”, organismo público financiado pelos contribuintes galegos, ao estatuto de Observador Consultivo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), foi aprovada por unanimidade pelo Comité de Concertação Permanente da CPLP. Sabemos todos como esta entidade tem defendido publicamente que “a língua galega é independente da língua portuguesa” (sic), pelo que não faz sentido aceitar na CPLP uma entidade que promove o isolacionismo, a menos que esta se alie a uma AGLP rumo à convergência linguística e cultural com os restantes países e regiões do espaço lusófono.

A nossa perplexidade é hoje tanto maior porquanto, em 2011, Portugal vetou a candidatura da Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa – ao mesmo estatuto de Observador Consultivo da CPLP. Vejamos como tudo se passou: no XIII colóquio anual da lusofonia “AÇORIANÓPOLIS” em Santa Catarina, Brasil em abril 2010, os Colóquios da Lusofonia lançaram o repto[2] à Academia Brasileira de Letras, à Academia das Ciências de Lisboa e a todas as entidades para apoiarem a imediata inclusão da AGLP com o estatuto de observador na CPLP, e comprometeram-se a envidar todos os esforços para a consecução de tal desiderato[3]. Em 22 de julho 2016, a CPLP anunciou a admissão da AGLP sob proposta do país anfitrião (Angola). A mesma, surpreendentemente, foi retirada da página oficial da CPLP umas horas depois sem qualquer explicação, pelo que as celebrações de júbilo na Galiza e no resto do mundo duraram apenas oito horas. Veio, posteriormente a saber-se que fora Portugal que sempre apoiara a proposta da AGLP integrar a CPLP com o estatuto de observador quem vetara no último momento, quando o MNE Paulo Portas se ausentou para que a votação não fosse aprovada unanimemente.

Em Vila do Porto em 5 out 2011, o XVI Colóquio da Lusofonia aprovou (citamos)

[…] uma declaração de repúdio pela atitude de Portugál olvidando séculos de história comum da língua, ao excluir a Galiza – representada pela AGLP – do seio das comunidades de fala lusófona. A Galiza esteve sempre representada desde 1986 em todas as reuniões relativas ao novo acordo ortográfico e o seu léxico está já integrado em vários dicionários e corretores ortográficos. A sua exclusão à última hora do seio da CPLP representa um grave erro histórico, político e linguístico que urge corrigir urgentemente. A AICL entende que não faz sentido aceitar como observadores países sem afinidades diretas ou indiretas à Lusofonia, a Portugal e sua língua e deixar de fora a região onde nasceu a língua portuguesa há mais de dez séculos. É um crime de lesa língua de todos nós.

A Língua que se fala na Galiza é uma variante do Português como a do Brasil, Angola, Moçambique e tantas outras, com a peculiaridade de ter sido o berço da mesma língua comum, e jamais houve exclusão por parte da CPLP das regiões lusofalantes do mundo. Trata-se de uma medida obviamente ditada por preconceitos políticos e contra a qual a AICL se manifesta veementemente não só apoiando a subscrição da Petição como encorajando todos os seus associados e participantes nas suas iniciativas a protestarem publicamente contra esta injustiça feita à língua portuguesa e à AGLP. Iremos manifestar o nosso desacordo de todas as formas possíveis e ao nosso alcance até ver reposta a equidade da proposta de admissão da Galiza através da AGLP no seio da CPLP.

Chrys Chrystello,

Presidente da Direção da AICL (fim de citação)

Como pais putativos da AGLP sempre entendemos que esta deveria ser o interlocutor privilegiado com a CPLP, ao contrário do entendimento do ex-Instituto Camões e de outras entidades.

Foi isso que levou o 18º colóquio em 2012 à Galiza.

Queremos fortalecer o que nos une e que é património imaterial de tantos e, por isso, foi, com natural e redobrada alegria que em 21 de julho 2017 assistimos ao anúncio em Brasília, de que, finalmente, a AGLP tinha sido admitida como Observadora no seio da CPLP. Só a perseverança, a diplomacia silenciosa e o engenho de Ângelo Cristóvão e outros poderiam antever este desfecho feliz.

2. Afinal como vai a língua portuguesa no mundo? E as suas derivadas ainda sobrevivem?

Hoje fala-se mais Português em Angola do que no tempo da colonização apesar da forte competição das línguas nativas. Em Goa existe um recrudescimento do interesse pela língua portuguesa e novos livros têm surgido mais de 50 anos após a extinção da presença lusófona. Em Malaca, na Malásia, cerca de 1.000 pessoas falam um crioulo tal como 80 % dos antigos habitantes falava Papiá Kristang, que também é falado atualmente em Singapura e Kuala Lumpur, sendo muito parecido com o malaio local na sua estrutura gramatical, mas 95% do seu vocabulário deriva do português.

Até há pouco tempo o português também era falado em Pulau Tikus (Penang), mas hoje considera-se extinto. A comunidade eurasiana tem 12.000 membros na Península Malaia. Ativos estão o MPEA (Malacca Portuguese Eurasian Association) e SPEMA (Secretariat of the Portuguese/Eurasian Malaysian Associations) com 7 associações dos seus membros em Alor Star, Penang, Perak, Malaca (MPEA), Kuala Lumpur, Seremban e Johor Baru. Há também em Singapura uma associação eurasiática. Lembremo-nos que Malaca se separou do domínio português em 1641, há 376 anos.

Cerca de um terço dos eurasianos de Singapura têm sobrenomes portugueses. Curiosamente um jovem singapurino, Kevin Martins Wong, recentemente redescobriu a língua dos seus avoengos e está a ter sucesso na sua revitalização em Singapura onde apenas restavam cem falantes. Desenvolveu um currículo de dez aulas de duas horas cada, e atualmente ensina Kristang a duas centenas de pessoas. Tendo obtido fundos elaborou um plano de revitalização do idioma a desenvolver nas próximas décadas e conta lançar um dicionário e um livro didático já em 2019. Em 2004 fora publicado o Eurasian Heritage Dictionary em inglês por Valery Scully e Catherine Zuzarte com 1500 palavras de Papiá Kristang) e provérbios dos quais retiro apenas quatro exemplos:

Pinchah pedra, skundeh mang (atira a pedra, esconde a mão)

Nunteng kabesa, nunteng rabu, (sem pés nem cabeça)

Albi grandi, fruta pekeninu (árvore grande, fruta pequenina)

Nunteng agu, nunteng sal (sem água e sem sal)

De mais de 200 étimos portugueses selecionei kereta (carreta, “carro”), sekolah (escola), bendera (bandeira), mentega (manteiga), keju (queijo), meja (mesa) e nenas (ananás), sepatu (sapato), mulheh, maridu, bonitu e soldadu. Poucas pessoas sabem que quando Sir Thomas Stamford Raffles refundou Singapura em 1819 havia apenas uma centena de habitantes e foi um português que serviu às suas ordens quem se encarregou de a povoar com portugueses de Malaca, Macau e Hong-Kong.

 

Passemos agora a Korlai na Índia, perto de Chaul, onde 900 pessoas falam o crioulo português numa comunidade cuja igreja se chama de “Nossa Senhora do Monte Carmelo”. Chaul separou-se do domínio português em 1740, há 277 anos.

Em Goa, o idioma português está a desaparecer rapidamente sendo falado por um pequeno setor das famílias mais abastadas. Apenas 3 a 5% da população continua a falar Português (menos de 40 mil pessoas). Goa assiste a uma neocolonização demográfica com 35% da população sendo imigrante de outros estados indianos. Nas escolas da Índia a língua portuguesa é ensinada como terceira língua (não-obrigatória). Existe um Departamento de Português na Universidade de Goa e a “Fundação do Oriente” e a Sociedade de Amizade Indo-Portuguesa estão em funcionamento. O último jornal em língua portuguesa foi publicado na década de 1980. Em Panaji ainda são visíveis em lojas, edifícios públicos muitos cartazes em português. Em Diu, na Índia, o crioulo português está quase extinto. Em Damão na Índia: (Damão Grande ou Praça, Campo dos Remédios, Jumprim, Damão da Cima) apenas 2000 pessoas falam um crioulo português. Goa, Damão, Diu e outros enclaves deixaram de fazer parte do domínio português em dezembro de 1961, há 56 anos.

Os Burgueses Portugueses do Ceilão existem em Batticaloa (Koolavaddy, Mamangam, Uppodai, Dutch Bar, Akkaraipattu); Trincomalee (Palayuttu); nas comunidades Kaffir de Mannar e Puttalam]. Muitos séculos antes da chegada dos portugueses à ilha de Ceilão, que hoje se chama Sri Lanka, esta era conhecida sob o nome de Taprobana. O Português foi apenas usado entre as 250 famílias (burgueses portugueses) em suas casas em Batticaloa até 1984. Muitos emigraram para a Austrália. Ainda há 100 famílias em Batticaloa e Trincomalee e cerca de 80 famílias afro-cingalesas (Kaffir) em Puttalam. Uma língua quase extinta.

Há uma pequena comunidade de descendentes portugueses na aldeia de Waha Kotte (circa 7°42’N. – 80°36’E no centro do Sri Lanka, a seis quilómetros de Galewala, estrada entre Galewala e Matale), sendo todos católicos romanos, mas desde há cerca de duas gerações que o crioulo português deixou de ser falado. Tem relação com outros dialetos indo-portugueses que floresceram outrora no litoral da Índia. O indo-português também tem relação com o crioulo português de Malaca e também com o crioulo português de Macau e há uma semelhança linguística subjacente entre os crioulos portugueses da Ásia que foi muito útil no comércio. No Sri Lanka, por cerca de 350 anos, a língua de comércio internacional era o indo-português. Ceilão separou-se do domínio português em 1658, há 359 anos.

 

Em Macau há cerca de 2.000 pessoas que falam português como sua primeira língua e perto de 12 mil como sua segunda língua. Um reduzido grupo de idosos ainda fala o macaense ou Dóci Papiaçam di Macau, um crioulo português. Em 20 de dezembro de 1999 Macau voltou a fazer parte da China. A língua portuguesa é hoje mais falada e estudada do que quando os portugueses lá estavam e quando lá vivi entre 1976 e 1982.

Em Hong-Kong centenas de pessoas falam o macaense. Quase todas são emigrantes de Macau. Nunca foi colónia portuguesa. Os “tons-tons” como são chamados, são quase todos descendentes de Macau e das pequenas colónias de Portugueses da China (Cantão) e mantêm nomes e alguns rudimentos de papiá e de Português.

Timor-Leste: os que falavam o português em 1950 não ultrapassavam 10.000 pessoas e em 1974 dos 700.000 habitantes, um décimo sabia ler e escrever em português e 140.000 podiam falar e entender esta língua. Até 1981, o português foi a língua da Igreja Católica de Timor, quando foi substituído pelo tétum. Entretanto é comummente usado como idioma de negócios na cidade de Díli. O português permaneceu como língua da resistência anti-indonésia e de comunicação externa da Igreja Católica. O português crioulo (português de Bidau) hoje está praticamente extinto. Era falado em Díli, Lifau e Bidau. Timor-Leste tornou-se um estado independente a 20 de maio de 2002 com duas línguas oficiais: português e tétum.

Em Timor como segunda língua oficial já há 25% de falantes de Português quando há dez anos nem a 5% chegava esse número. Lembro a importância da língua portuguesa em contextos hostis como no caso de Timor-Leste onde sob a ocupação neocolonial indonésia, as novas gerações impedidas de falar Português começaram a usar esta língua como língua de resistência.

Na ilha das Flores na Indonésia em Larantuka e Sikka o português sobrevive nas tradições religiosas e na comunidade Topasse (os descendentes dos portugueses com as mulheres nativas) utilizam-no nas suas preces. Aos sábados, as mulheres de Larantuka rezam o rosário numa forma corrompida de português. Na área de Sikka, no Leste de Flores, muitas pessoas são descendentes de portugueses e ainda há quem use esta língua. Existe uma Confraria chamada “Reinja Rosari”. Portugal retirou-se em 1859.

3. ATÉ HÁ POUCOS ANOS, COMUNIDADES QUE FALAVAM O PORTUGUÊS EXISTIAM EM:

Cochim na Índia: (Vypeen) mas desapareceu nos últimos 20 anos. A comunidade portuguesa / hindu de cerca de 2 mil pessoas frequenta ainda a antiga Igreja de Nossa Senhora da Esperança. Portugal retirou-se de Cochim em 1663, há 354 anos.

Em Bombaim: Baçaim, Salcete, Thana, Chevai, Mahim, Tecelaria, Dadar, Parel, Cavel, Bandora-Badra, Govai, Morol, Andheri, Versova, Malvan, Manori, Mazagão. Em 1906 este crioulo foi, depois do Ceilão, o dialeto indo-português mais importante e existiam 5 mil pessoas que falavam o crioulo português como língua materna e 2 mil estavam em Bombaim e Mahim, mil em Bandora, 500 em Thana, 100 em Curla, 50 em Baçaim e mil nas outras vilas. Não existiam à época escolas em crioulo português e as classes mais ricas substituíram-no pelo inglês.

Em Coramandel na Índia: Meliapore, Madrasta, Tuticorin, Cuddalore, Karikal, Pondicherry, Tranquebar, Manapar, Negapatam. Nesta costa, os descendentes dos portugueses eram também conhecidos como “topasses”, sendo católicos e falando o crioulo português. Com o domínio britânico começaram a falar inglês em lugar do português e anglicizaram seus nomes. Fazem parte da comunidade eurasiana. Em Negapatam em 1883 ainda existiam 20 famílias a falar o indo-português.

No Ceilão (Sri Lanka) o crioulo português era falado até pela comunidade burguesa holandesa até ao início do século XX. Depois da Segunda Guerra Mundial, os católicos em Colombo, capital do Sri Lanka reuniam-se nas missas faladas em português (na Igreja de Santo António em Dematagoda). Após a segunda metade do século, uma parte destes católicos velhos começaram a frequentar missas em grupos cada vez menores nas igrejas católicas nas cidades de Dematagoda, Hulftsdorp, Kotahena, Kotte, Nugegoda e Wellawatte. Embora fosse uma língua falada, o português perdia rapidamente a sua importância original nos serviços religiosos nas igrejas católicas, sendo substituído pelo inglês mais moderno e mais procurado.

Já na Indonésia em Jacarta, no subúrbio de Tugu, até ao início do século XX uma espécie de português corrompido era falada pela população cristã. O último habitante que falava crioulo morreu em 1978. Ainda hoje cantam e dançam em português arcaico. Jacarta nunca esteve sob domínio direto de Portugal.

4. DESAPARECEU JÁ HÁ MUITOS ANOS:

Na índia em Mangalore e em Cannanore e nas costas da Índia existiam cerca de 44 comunidades, onde o português era falado.

Em Bengala no Bangladesh: (Balasore, Pipli, Chandernagore, Chittagong, Midnapore, Hugli……) a língua portuguesa foi, nos séculos XVII e XVIII, a “lingua franca”. Após 1811, o português era usado em todas as igrejas cristãs (católicas e protestantes) de Calcutá. No início do século XX, poucas famílias falavam uma forma corrompida de português misturada com muitas palavras da língua inglesa.

Em Solor e em Adonara na Indonésia: Solor, Adonara (Vure)

Na Ilha de Java na Indonésia: na comunidade holandesa de Batávia. Os Mardijkers são os descendentes dos antigos escravos de Malaca, Bengala, Coramandel, e Malabar, que foram convertidos ao Protestantismo quando libertados. Falavam uma espécie de crioulo português e eram o ramo principal da comunidade portuguesa de Batávia. Depois da conquista holandesa de Malaca e do Ceilão eles cresceram consideravelmente. Em 1673 foi construída uma igreja protestante para a comunidade portuguesa de Batávia e depois no século XVII uma segunda igreja foi construída. Em 1713 esta comunidade tinha cerca de 4.000 membros. Até 1750 o português foi a primeira língua de Batávia, porém, depois o malaio passou a dominar. Em 1808, o reverendo Engelbrecht celebrou a última missa em português. Em 1816, a comunidade portuguesa foi incorporada na comunidade malaia. Também entre as famílias holandesas de Batávia a língua portuguesa foi intensamente usada até 1750, apesar dos esforços do Governo Holandês contra o seu uso.

Nas ilhas Molucas na Indonésia: em Ternate, Ambon, Banda, Macassar falava-se Ternateno, um crioulo português das ilhas de Ternate e Halmahera, mas atualmente extinto. Em Ambon, o português sobrevive na língua atualmente falada: o Malayu-Ambom, e que contém cerca de 350 termos de origem portuguesa.

Vários idiomas da Tailândia, Malásia, Índia e Indonésia têm palavras portuguesas ou galegas. A própria língua japonesa tem várias como: arukoru (álcool), pan (pão), veludo, jaqueta, bolo, bola, botão, frasco, irmão, jouro (jarro), capa, capitão, candeia, castela (bolo de pão-de-ló), copo, biidoro (vidro), tempura (tempero), tabako (tabaco), sabão, sábado, choro, tasca, biombo etc.

Em resumo, em qualquer destes locais ao longo desta curta digressão pelo Oriente, portugueses e galegos falam com estas gentes sem dificuldades de maior, mas na Europa torna-se imperioso ressuscitar o galego. É fundamental que ele seja atual e não-castrapo. Os povos só evoluem bem intelectualmente quando se expressam bem na sua língua materna e não numa língua estrangeira colonizada.

É nossa vontade e desígnio que na Galiza se proceda à reintegração total da língua na Lusofonia como a História o manda e, por isso, apoiamos desde a primeira hora a criação da AGLP. A dimensão real das diferenças entre o galego e o português resultam sobremodo da colonização linguística pelo castelhano. No restante é um português arcaico como é ainda o falar das ilhas dos Açores. Na Galiza a questão da ortografia é meramente política, sendo um grave erro estratégico não afirmar perentoriamente que “galego e português são a mesma língua”. Tem faltado construir pontes pois os políticos portugueses estão sempre temerosos de ofender a vizinha Espanha e os políticos galegos temem que depois da autonomia cultural venham outras.

No Reino de Espanha há quem fale português como língua de resistência ao domínio cultural que faz sujeitar a escrita do galego às normas ortográficas castelhanas tentando obviar à preservação da identidade cultural do velho reino da Galiza. E a língua galega é sob todos os aspetos (históricos, filológicos e paleolinguisticos) português. Não se consegue expressar bem com um idioma do passado com adulterações neocolonialistas castelhanizadas como o recentemente inventado “portunhol” para impor a uma Nação milenária como é a galega. Pelo contrário, o galego atual será o reencontro dos galegos com as suas origens em que simultaneamente ganham um poderoso meio de comunicação quer a nível cultural quer comercial, que ajudará a crescer a Nação Galega neste mundo globalizado. Por outro lado, na Extremadura espanhola, onde nunca houve uma língua comum, também o Português é ensinado a milhares de pessoas, em número superior ao dos alunos de Português na Galiza. Em Olivença seis centenas de pessoas readquiriram recentemente a nacionalidade portuguesa e revive-se o falar oliventino.

A língua não é só um meio de comunicação nem uma arma económica, ela expressa o sentimento dos povos, permite a preservação das lendas e narrativas, recria as baladas dos bardos, favorece a leitura dos clássicos, aproxima povos e perpetua o ADN nacional.

EGDC (Ernesto Guerra da Cal) deixou escrito em Nova Iorque em dezembro de 1953: «Portugal era o desenvolvimento cultural, pleno, da minha Galiza natal. Era o que a Galiza deveria ter sido se as vicissitudes e os caprichos da História não a tivessem transviado do seu destino natural, deturpando a sua fisionomia espiritual, quebrando a sua tradição, impondo-lhe formas culturais alheias, estranhas ao seu caráter. EGDC, coerente, publica em 1959 «lua de além-mar» e em 1963 «rio de sonho e tempo» proclamando o «emprego da ortografia portuguesa porque é a nossa, a da nossa secular tradição e porque é inadiável mergulhar-nos no âmbito português-brasileiro; seguindo o conselho venerável do patriarca Murguia que já recomendou a unificação linguística com Portugál. tudo representava uma insurgência doutrinal, uma bandeira desfraldada contra a imposição da cultura e ortografia espanholas. representava, também, a necessidade de reorientar a nossa consciência de nacionalidade no sentido de reatamento dos laços de identidade linguística – e não só: DE IDENTIDADE NACIONAL. Mais de meio século depois continua sendo necessário o conselho venerável do patriarca Murguia. Escrever galego/português dentro da norma lusófona dá-lhe uma dimensão mundial e é a única forma de salvá-lo da morte.

O português/galego não é um idioma de propriedade de Portugal, mas dos países que o adotaram como oficial além da Região Autónoma Especial de Macau na China.

Recordemos que o próprio rei Afonso X, rei castelhano, trovou em galego-português por ser uma língua melódica e é essa melódica língua que quero que os meus netos ouçam falar na Galiza.

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Smith, N. 1987. The Genesis of the Creole Languages of Surinam. Dissertação de doutoramento.

Teixeira, Pe. Manuel. 1962. “The Influence of Portuguese on the Malay Language” In: “Journal of the Malayan Branch of the Royal Asiatic Society”, vol. XXXV (Pt. 1).

Theban, L. 1985. “Situação e Perspetivas do Português e dos Crioulos de Origem Portuguesa na Índia e no Sri Lanka”. Atas do Congresso sobre a Situação Atual da Língua Portuguesa no Mundo. vol. 1. Lisboa: ICALP. 269-285.

Thomaz, L. F. 1985. “A Língua Portuguesa em Timor”. Atas do Congresso sobre a Situação Atual da Língua Portuguesa no Mundo. VOL. 1. Lisboa. ICALP: 313-339.

Tomás, M. Isabel & Dulce Pereira (sel. e notas). 1999. Os Espaços do Crioulo. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.

Tomás, M. Isabel. 1992. Os Crioulos Portugueses do Oriente – Uma Bibliografia. Macau: Instituto Cultural de Macau.

Tomás, M. Isabel. 1995. Os Crioulos Portugueses do Oriente Revisitados. Revista Internacional de Língua Portuguesa, 14.

SÓCIO FUNDADOR DA AICL E AGLP.

PRESIDENTE DA DIREÇÃO DA AICL.

PRESIDENTE DA COMISSÃO EXECUTIVA DOS COLÓQUIOS.

PERTENCE AO COMITÉ CIENTÍFICO DA AICL, TRIÉNIO 2017-2020.

[1] Houve um segundo filho D. Gomes Nunes de Pombeiro (m. depois de 1141) casou antes de 1104 com Elvira Peres de Trava filha de Pedro Froilaz de Trava, conde de Trava e de Maior “Gontrodo” Rodrigues

[2] Concha Rousia comprometeu-se a enviar à CPLP os objetivos da Academia Galega para fundamentar o seu pedido de adesão com o apoio da sociedade civil aqui representada pelos Colóquios da Lusofonia, salientando que Goa e Galiza fazem falta à CPLP e que seria profícuo vir a criar um canal de televisão lusófono abrangendo todos os países, mas que seria necessária muita vontade política para tal se concretizar.

[3] Este ponto foi reiterado nas conclusões do XIV colóquio anual da lusofonia de Bragança nesse ano em outubro 2010. Pareciam bem encaminhadas as negociações resultantes do repto que os Colóquios da Lusofonia lançaram à Academia Brasileira de Letras e a todas as outras entidades para apoiarem a imediata inclusão da ACADEMIA GALEGA DA LÍNGUA PORTUGUESA com o estatuto de observador na CPLP. A AICL, em concertação com o MIL Movimento Internacional Lusófono, de que faz parte, tomou algumas medidas sendo a mais visível uma Petição ao Ministro dos Estrangeiros de Portugal de então, Dr Paulo Portas

onde nasceu o culto do Espírito Santo

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Nesta Vila de Alenquer nasceu o culto do Divino Espírito Santo, pela mão caridosa da Rainha Santa Isabel, que agora comemora 700 anos de partilha popular. Chega aos Açores com os primeiros povoadores e parte das ilhas para a diáspora açoriana…
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um acidente, uma morte e um estado de bem ou de mal

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UM ESTADO DE BEM NÃO FAZ O MAL
Não sei, nem quero saber, se o carro que no passado dia 18 de junho atropelou e matou um homem de 43 anos na A6, perto de Azaruja, circulava a 250, 220 ou 30 km/hora.
Nem sei, e também não quero saber, se o automóvel em causa, que perto do quilómetro 77 da referida auto-estrada abalroou e projetou para a vala, ferido de morte, o trabalhador que na beira da estrada fazia a manutenção da via, sofreu um despiste (parece que não), não teve tempo para se desviar (certamente que não), nem sequer viu o homem (provavelmente não).
Também não sei, e de momento não estou interessado em saber, se a viatura médica de emergência e reanimação activada chegou ao local mais de uma hora depois de sair de Évora, factos sobre o qual foi o INEM questionado e aos costumes nada disse.
E não sei, nem me interessa nada saber, se o ministro da administração interna ia a dormir ou acordado, se deu instruções para andar mais depressa ou mais devagar, se se apercebeu ou não da iminência do embate, se lia ou consultava o telemóvel. Não sei nem quero saber.
Sobre as circunstâncias do acidente foram já abertos inquéritos, o DIAP investiga e o INEM investiga e a comunicação social investiga (mais ou menos), pelo que o melhor é aguardar e, como sempre faço, conceder o benefício da dúvida a todos, motorista, ministro, Centro de orientação de doentes urgentes do INEM e até ao falecido, que o MAI e outras testemunhas dizem ter atravessado inopinada e descuidadamente a estrada. Acreditar na justiça é a primeira regra de um Estado de direito.
E, portanto, não sei nem quero saber, hoje por hoje (amanhã se verá), quem é culpado, quem acelerou e não devia, quem atravessou e não devia, quem se atrasou e não devia.
O que sei, e isso quero saber em nome do Estado que me representa – como a 10 milhões de portugueses –, é que o ministro da Administração Interna apresentou condolências à família. Mas também sei, e se calhar preferia não saber, que o Estado que me representa – e a mais 10 milhões de compatriotas –, não se deu sequer ao cuidado de estar presente no funeral do Nuno Santos.
Não sei, e talvez gostasse de saber, se foi um pedido da família, mas sei, e disso não tenho dúvidas, que a não ser essa a razão, o Estado, que matou um português – com ou sem culpas, não vem ao caso -, podia e devia ter estado presente, representado por alguém:
“O” ministro, um ministro (se “o” ministro não se sentisse confortável), um secretário de Estado (se nenhum ministro se sentisse confortável), um assessor qualquer (são centenas, algum devia estar disponível).
Alguém para dar a cara, e dizer, ou significar: o Estado português, pessoa de bem, lamenta. E vai ajudar.
E sei também e lamento e choro por dentro em nome da decência e da bondade, que o meu Estado – o que me representa e devia ter vergonha, porque eu tenho – ainda não garantiu publicamente e em voz alta, apoio sólido, total e incondicional à viúva e filhos do Nuno Santos, que o Estado, objetivamente, matou.
É o mínimo que um Estado de bem pode e deve fazer.
Porque a diferença entre o bem e o mal é ténue e isso também se aplica aos Estados.
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temporais até 5ª fª

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A Prof. Doutora Carolina Matos Baptista chamou-me a atenção para esta previsão meteorológica dos serviços americanos. Todo o cuidado é pouco, pois eles alertam para Disruption devido à chuva. E isso significa ruptura grave
May be an image of snow and text that says "Invalid SIM 10:34 AM Ponta Delgada DISRUPTION DUE TO RAIN 2AM 7AM 70% 8AM 70% 9AM 70% 10AM 80% rise 66° 68° 68° 70° 90% 72 72 64 80% 66 90% 72 66 80% Sunday Monday Tuesday Wednesday Thursday Friday Saturday Sunday 72 64 80% 72 66 30% 72 64 72 64 72 66"
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Académicos no Reino Unido debatem descolonização da língua portuguesa | Língua Portuguesa | PÚBLICO

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Simpósio realiza-se em Glasgow, na Escócia, com a presença de professores e académicos que vão discutir questões relacionadas com as “variedades, ou variantes, da língua portuguesa no contexto da descolonização do currículo”.

Source: Académicos no Reino Unido debatem descolonização da língua portuguesa | Língua Portuguesa | PÚBLICO

melhores professores fariam desaparecer 2/3 das negativas

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Educação. Como Criar uma Geração de Investigadores Medíocres? Resposta: Atribuindo-lhes projetos de investigação baseados em inquéritos e não lhes mostrando que o mais importante é a relevância e potencial das questões a resolver. Quando será que os aprendizes de investigadores e os seus orientadores perceberão que o mérito não está em processar mecanicamente dados sobre questões acéfalas? Quando perceberão que têm de estudar muito, refletir muito e experimentar muito antes de formularem uma questão de investigação digna desse nome? Será que pensam que existe ciência, ou que existe pertinência social, em provar estatisticamente que se cá nevasse fazia-se cá ski?
May be an image of text that says "EDUCAÇÃO Melhores professores fariam desaparecer até dois terços das notas negativas Se todos os docentes tivessem o impacto dos melhores colegas, os resultados dos alunos podiam subir. Estudo da Edulog mediu pela primeira vez o efeito que um professor tem no desempenho dos estudantes das escolas públicas. Samuel Silva 23 de Junho de 2021, 0:00"
Ana Isabel D’Arruda and 58 others
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  • Raquel Dias Antunes

    A parte mais difícil parece ser colocar uma questão pertinente….e parece-me que não é suposto a metodologia estar predeterminada