abriu o turismo espacial

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BRANSON ABRE ERA DO TURISMO ESPACIAL
Está oficialmente inaugurada a era do turismo espacial. Pela primeira vez, uma espaçonave para voo suborbital levou uma tripulação completa à beira do espaço neste domingo (11). Entre eles o bilionário Richard Branson, dono da empresa Virgin Galactic, responsável pela empreitada.
A aventura toda aconteceu a partir do Espaçoporto América, no Novo México (EUA), e durou cerca de uma hora. A estadia no espaço, contudo, foi bem mais curta que isso. A VSS Unity, nome dado à nave, iniciou seu voo autônomo depois de ser liberada no ar a partir de um avião, a uma altitude de cerca de 15 km. Acionado o motor foguete, ela escalou até 86 km, altitude em que a atmosfera terrestre já é praticamente nula –a borda do espaço.
Durante cerca de três minutos, entre o desligamento do motor e o início da queda da nave de volta à Terra, os dois pilotos, Dave Mackay e Michael Masucci, e os passageiros (que a empresa prefere referir como tripulantes) Branson, Colin Bennett (engenheiro), Beth Moses (instrutora) e Sirisha Bandla (vice-presidente da Virgin Galactic) experimentaram a imponderabilidade (sensação de ausência de peso) enquanto admiravam a Terra vista do espaço.
Na reentrada, a Unity abriu seu sistema móvel de asas para reduzir a velocidade e então pousou como um planador. Foi apenas o quarto voo-teste da nave ao espaço e o primeiro a levar seis pessoas, pavimentando o caminho para o transporte de clientes –algo que a Virgin Galactic originalmente anunciava fazer em 2010. Há uma fila de mais de 600 pessoas que já fizeram reservas, contratando passagens por US$ 250 mil.
Apesar do atraso colossal, a empresa de Branson chegou à frente de quem realmente interessa: a concorrência. Jeff Bezos, dono da Amazon e da empresa espacial Blue Origin, tem seu voo marcado para dia 20 de julho. Será o primeiro tripulado da cápsula New Shepard, que usa um esquema convencional de foguete e viaja um pouco mais alto que a Virgin Galactic, ultrapassando os 100 km de altitude (que a Federação Aeronáutica Internacional arbitrariamente considera a “fronteira” do espaço; nos EUA, a NASA e a Força Aérea preferem 80 km).
Houve pequenas alfinetadas de parte a parte. Richard Branson brincou em uma entrevista quando questionado se ia bater Jeff Bezos em nove dias. “Jeff quem?”, provocou. Já a Blue Origin de Bezos tuitou na sexta-feira (9) um quadro comparativo entre as experiências de voo das duas empresas, destacando as grandes janelas da cápsula New Shepard, a altitude superior a 100 km, a presença de um sistema de escape, o baixo impacto ambiental e a realização de 15 voos bem-sucedidos (todos sem tripulação), contra 3 da Virgin Galactic.
Rancor? A essa altura, é disputa por mercado mesmo. Com duas empresas concorrendo, ambas entrando em fase operacional, este mês de julho marca o momento em que o turismo espacial deixou de ser uma atividade só para excêntricos e passou a ser de fato um negócio.
Voo de Richard Branson na VSS Unity, da Virgin Galactic, abre a era do turismo espacial - Mensageiro Sideral
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Voo de Richard Branson na VSS Unity, da Virgin Galactic, abre a era do turismo espacial – Mensageiro Sideral
De onde viemos, onde estamos e para onde vamos
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Criar filhos açorianos(na emigração)

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António João Correia asked a question in Açores Global.

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Criar filhos açorianos(na emigração)
Tentei criar filhos açorianos e falhei.
As minhas filhas não gostam de futebol, religião, chicharros fritos, festas de Verão com música pimba ou da vida dos outros.
Nunca, as minhas filhas, frequentaram o mudo platónico dos nossos irmãos açorianos da diáspora(que eu adoro). Nem uma festa do Espírito Santo, uma matança de porco, um debate com doutores especialistas na emigração alheia, folclore assustador ou um baile para a eleição da Miss Açores. Não por snobismo mas por outras prioridades da vida. Outros tempos, dizem.
E estamos perdidos, por vezes, com a definição da cultura açoriana. Será Vitorino Nemésio a tocar viola para a Marquesa? Antero a dar um tiro(ou dois)na cabeça? Será o governo regional na hipocrisia com a diáspora?(dá de comer aos especialistas do “intercâmbio”) Será o que um açoriano quiser?
O que poderia fazer diferente?
Religião açoriana? Eu sou católico em terrível auto-gestão e a minha esposa(que é mais ou menos de Angra)é luterana de dez gerações. Decidimos o óbvio: Deus é açoriano e livre. Resultado? As filhas ficaram budistas durante vários anos. Uma, entretanto, casou com um moço judeu e vai à sinagoga. Ainda não percebi bem se já se converteu. E uma pessoa tenta, e nada. Em casa temos cinco religiões e uma ateia, graças a Deus. A nossa comida favorita é da Malásia. E metade vegetariana pois as filhas não comem carne. Açorianas?
A língua? A tal pátria de Camões que os açorianos carregam às costas e fazem o que Lisboa deveria fazer? Bem, uma vergonha. Falam mal e parcamente. A culpa é minha. E do nojo do ensino de português para os exilados. Uma filha até fala melhor coreano do que português! Escolheu coreano como disciplina de opção! A outra filha estudou biologia para salvar o mundo e vende hambúrgueres veganas num camião com o atrasado do namorado. Ganham mais do que a ensinar na Universidade e os lucros são para salvar florestas. Serão açorianas?
Dizem que só conhecem o mundo açoriano em férias (ou em família) e que em Portugal quase todos falam inglês. Dizem ainda- aguenta coração- que o português é lindo mas uma coisa exótica. Gostam de Portugal mas apenas para férias. Para férias? “Oh, Pátria, sente-se a voz”? De quem?
Pior. Nem sabem quem é o Luís Filipe Vieira do Benfica E amor de pai açoriano é aceitar tudo. É o que é. E eu não faria nada diferente.
Foto: Little Azores. Toronto.
May be a black-and-white image of outdoors and text that says "RUA EXCEPTED BICYCLE DUNDAS 1421 ST. ST.W AÇORES ACORES RUA GLADSTONE AV. 225"
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Um estatuto para chamar de nosso? A saga dos profissionais da cultura em Portugal

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As fragilidades dos trabalhadores da cultura ficaram ainda mais expostas durante a pandemia. Os períodos de confinamento fizeram com que em muitos

Source: Um estatuto para chamar de nosso? A saga dos profissionais da cultura em Portugal

começou a discriminação

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Vamos ter cidadaos primeira de segunda e excluidos. Os jovens uma vez mais os grandes sacrificados, para alguns ainda serão a geracão rasca.
Malta é primeiro país da UE a fechar fronteiras a viajantes não vacinados contra Covid-19
RFI.FR | BY RFI BRASIL
Malta é primeiro país da UE a fechar fronteiras a viajantes não vacinados contra Covid-19
O governo de Malta anunciou na sexta-feira (9) que não aceitará a entrada de viajantes não vacinados contra a Covid-19. O país é o primeiro da União Europeia (UE) a anunciar a medida para tentar barr…
Visit the COVID-19 Information Centre for vaccine resources.
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AQUI JAZ A CULTURA AÇORIANA CRÓNICA 404 chrys c

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CRÓNICA 404 AQUI JAZ A CULTURA AÇORIANA 11.7.2021

(esta e anteriores em https://www.lusofonias.net/mais/as-ana-chronicas-acorianas.html

 

 

 

 

 

 

O meu pai sempre me disse que era feio pedir ou pedinchar, mas é o que tenho andado a fazer há vinte anos em nome dos Colóquios da Lusofonia, porque vivo num país de ladrões, corruptos e pessoas para quem a bola é quase o único interesse nacional.
Quando se fala de leitura, de cultura, de literatura todos torcem o nariz dizendo umas patacoadas, na maior parte das vezes, pinoquiadas, pois nunca se editaram tantos livros e nunca houve tão poucos leitores, mesmo entre a classe dos professores que tem uma aversão generalizada à leitura, quiçá por traumas educacionais antigos.
Nos Açores a Direção Regional da Cultura e a Secretaria desses assuntos debatem-se há anos neste paradi-gma de falar imenso sobre os apoios que dão sem mencionarem que não têm verbas para apoiar decente-mente seja o que for, se o quisessem fazer, e mesmo isso é matéria de debate.
Dos escassos meios de que dispõem têm de satisfazer clientelas várias entre os votantes e – sem dúvida – a das filarmónicas é a que tem mais votos. Livros, cinema, teatro, artes em geral ou em particular, congressos, colóquios, simpósios só mesmo os estrangeiros com nomes sonantes que para os outros são umas migalhas de centenas de euros ou pouco mais pois devem ser atividades elitistas com poucos votos a ganhar na distribuição eleitoral.
Apesar de termos editado livros, antologias, coletâneas, traduzido em 15 línguas autores açorianos, andar-mos com eles pelas ilhas e pela Ibéria, Brasil, Galiza e Macau, musicado as suas obras, declamado os seus poemas, a direção regional da cultura só não nos ignora totalmente por parecer mal.
Este ano porém, ignorou os pedidos de apoio formulados regulamentarmente em 2020 nas normas então vigentes. Quando pedi uma audiência aos novos responsáveis tive-a após meses de insistência em que falei, em solilóquio, e apenas me disseram para reenviar os projetos pendentes. Passados dias recebi a resposta INDEFERIDA POR SE REALIZAREM ESTE ANO. Quando disse, “claro que se realizam este ano, eles são os pedidos do ano passado”, fiquei sem resposta e sem apoios. Ainda pensei em fazer uma tourada com poesia declamada na arena, que parece ser mais do gosto dos dirigentes que andam a ferrar touros, mas não havia praça de touros disponível na ilha de São Miguel. Podia aqui citar dezenas de pensadores como Edward B. Tylor segundo a qual cultura é “todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”. Num estudo mais aprofundado, Alfred Kroeber e Clyde Kluckhohn encontraram, 167 definições diferentes. Clifford Geertz, discutia nega-tivamente a quantidade de definições, e definiu cultura como sendo um “padrão de significados transmitidos historicamente, incorporado em símbolos, um sistema de conceções herdadas expressas em formas simbó-licas por meio das quais os homens comunicam, perpetuam e desenvolvem o seu conhecimento e as suas atividades em relação à vida.” Há uma relevante distinção entre cultura e entretenimento. Segundo Mario Vargas Lhosa o objetivo do entretenimento é divertir e dar prazer, sem referenciais culturais concretos.

pastrimónio delapidado dos AÇORES

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À atenção dos autarcas de Vila Franca de Campo
As ruínas da Casa Azul encontram-se à venda.
A Casa Azul além de possuir uma das melhores vistas do Ilhéu de Vila Franca, é histórica pois antigamente foi o “ninho” de muitas luas de mel e inclusivamente existe um livro sobre a mesma da autoria da escritora vila-franquense Natividade Ribeiro !
Foi uma pena deixarem chegar a este estado de degradação, pois muitos filhos foram gerados nesta casa pelos nossos antepassados! Ainda conheço uma senhora com mais de 90 anos, que a sua noite de núpcias ” lua de mel” foi nesta casa e que fala e relembra muitas histórias maravilhosas.
Não seria possível a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, comprar e recuperar este pequeno imóvel de muitas histórias e emoções!
“A Casa Azul -Verão em São Miguel – de Natividade Ribeiro “
“Fechei o livro penetrado de pequenos grãozinhos de areia preta que ficariam como memória da praia e do sol. Nunca os sacudia. Corremos para a água, que parecia convidar a entrega sensual no vaivém das ondas, a rebentar aos repelões em cima da areia. Mergulhámos! Furámos as ondas a satisfazer-lhes os desejos. Tentando não sufocar nem bater no fundo. A maré puxava. A rebentação era forte.
Eram momentos de mar! De tanto mar! Só!”
Haja Saúde.
José Manuel Leal, Afonso Quental and 19 others
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AÇORES um drone a estudar baleias

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Durante quase três semanas uma equipa de investigadores esteve no mar dos Açores, entre o Faial e o Pico, focada na recolha de amostras de cachalotes, com recurso a um drone
São 6h35 quando o Physeter começa a deixar o porto da Horta, no Faial. O sol acbou de nascer e consegue furar o manto de nuvens negras espalhadas pelo céu açoriano, alimentando a esperança de que talvez seja possível ver o drne do projecto SnotBot da Ocean Alliance a aproximar-se de uma baleia, sobrevoá-la e recolher amostras do jacto que expira quando vem à superfície. Foi isso que a equipa liderada por Iain Kerr esteve a fazer nos Açores durante quase três semanas. O objectivo é conhecer melhor as baleias, causando-lhes o mínimo de perturbação. Mais tarde, uma criança há-de perguntar à equipa se isto salva os oceanos. “O oceano é como algo a morrer de mil cortes e qualquer coisa que façamos para ajudar, retarda essa degradação diária. Por isso, sim, o SnotBot está a salvar o oceano”, diz Iain Kerr, que estuda as baleias há 30 anos. De pés descalços e lenço vermelho a garantir que os longos cabelos não lhe tapam a visão, o capitão Noberto Serpa conduz o barco para fora da baía. Desde que chegaram, os membros da Ocean Alliance tiveram dias de trabalho muito bons e outros muito maus, em que as condições meteorológicas não permitiram sequer a saída para o mar. Hoje, arrica-se, mas o sol rapidamente desaparece, o vento agita o barco com violência, enquanto este tenta ultrapassar as vagas de um, dois metros. “Se houver baleias, o Norberto encontra-as, não há ninguém melhor”, diz Iain Kerr. Com os olhos verdes fixos no enorme manto de água, o comandante do barco esmiúça cada ponto do oceano, em busca dos cetáceos. Por duas vezes pede para lançarem um hidrofone à água e fecha os olhos, concentrado, tentando ouvir algo que lhe indique que, ali debaixo, nas imediações, andam baleias. Mas, nada. Os vigias nas torres do Pico e do Faial não dão qualquer sinal de avistamentos e, pelas 8h25, com o tempo a piorar e a chuva a juntar-se aos céus cinzentos, parece cada vez mais improvável que alguma das gigantescas criaturas marinhas apareça. “Há que tentar e nunca desistir”, diz o biólogo português André Cid, da Associação para a Investigação do Meio Marinho (IAMM) que, com a colega Joana Castro, participa na expedição (a IAMM é uma das colaboradoras da Ocean Alliance há vários anos). E tenta-se, mas o tempo não melhora e as únicas criaturas que se avistam são os bandos de cagarras que parecem fazer deslizar a ponta de uma das asas sobre a água, enquanto voam à procura de comida. Já se sabe que o tempo nos Açores é imprevisível, mas tantos dias de mau mar em Julho surpreende até o colega que, via rádio, vai falando com Norberto. “Junho esteve melhor, já está assim há uma semana, isto tem de mudar”, ouve-se. André Cid também relata a mesma experiência: “Há umas semanas o mar era uma lagoa”, conta Daniela Coutinho, directora da Fundação Parley for the Oceans em Portugal e na CPLP, mais um dos parceiros da Ocean Alliance, e que assumiu a responsabilidade pela disseminação do projecto SnotBot junto da comunidade educativa.
Nesta terça-feira, naquele que devia ser o último dia de saída da expedição, o mar é tudo menos uma lagoa e, por mais tentativas que se façam, não há forma de as baleias aparecerem. A única alternativa é regressar a terra. Felizmente, não foi sempre assim. Com presença no Faial agendada para entre 22 de Junho e 6 de Julho, a equipa da Ocean Alliance classifica o trabalho desenvolvido como “extraordinário”. Apesar de só terem feito a primeira incursão no Atlântico ao 30º dia e de terem apanhado sete dias de mau tempo, sem hipótese de recolher qualquer amostra, os dias navegáveis (incluindo o dia 7 de Julho, um extra acrescentado às datas iniciais) permitiram recolher um total de 64 amostras de três espécies de baleias diferentes. No total, a equipa avistou oito espécies de baleias e golfinhos. “Isto diz muito da incrível biodiversidade dos Açores. É uma loucura, todos os dias víamos espécies diferentes”, diria, durante a tarde, Iain Kerr aos alunos de dois colégios que tiveram uma sessão online, para poderem questionar directamente os investigadores, depois de terem acompanhado, através de pequenos vídeos, o dia-a-dia da expedição. O objectivo principal desta incursão nos Açores era poder recolher amostras do sopro dos cachalotes (Physeter macrocephalus), a espécie que Iain Kerr mais tem estudado, mas que ainda não tinha contribuído com amostras via SnotBot. Mas, nas águas açorianas, a equipa acabou por recolher também amostras da baleia-sardinheira (Balaenoptera borealis) e da baleia-de-Bryde (Balaenoptera brydei), as últimas das quais foram novidade para a equipa. “Esta última descobriu-se há pouco tempo nos Açores, mas pensa-se que sejam recorrentes por cá. O que se passa é que são muito parecidas com a baleia-sardinheira, por isso, podiam estar a ser mal identificadas. No Algarve, tivemos o primeiro avistamento de sempre no ano passado”, diz Joana Castro. Com o drone não há erro. Quando voa por cima da baleia é possível identificar perfeitamente as três listas que tem na cabeça e que a distinguem. À tarde, Alicia Pensarosa, que na expedição tinha a função de preparar os pratos petri usados na recolha das amostras (garantindo que estavam esterilizados no início e que não eram contaminados por outras substâncias após a recolha de amostras), prendendo-os ao drone e retirando-os no final, descreveria o encontro com as baleias-de-Bryde como “uma experiência única”. “Não eram o nosso foco, mas aproveitamos para recolher amostras, porque são uma espécie em perigo”, explica.
Vekro e pratos petri
Há quase dez anos que a Ocean Alliance começou a trabalhar com drones para captar informação biológica das baleias. Como é que isso aconteceu? Iain Kerr diz que é “uma história clássica de negócio”. Até aí, os investigadores utilizavam uma espécie de arpão que permitia retirar amostras minúsculas do corpo das baleias que encontravam. Mas o método era pouco eficaz e causava sempre algum stress aos animais. “Estávamos no Golfo do México, a jogar ao mais caro whac-a-mole [jogo de tabuleiro em que se tenta acertar numa toupeira antes de ela desaparecer da superfície] de sempre. No final do dia não tínhamos amostras suficientes e fiquei coberto de muco, de uma das baleias. É muito malcheiroso, não é muito simpático. Fiquei a pensar que podia haver algum valor ali”, conta o investigador. Já havia algumas experiências de recolha de amostras de animais selvagens (não baleias) com recurso a drones e a equipa começou a procurar parceiros que pudessem fornecer o instrumento ideal para aplicar este equipamento à recolha do muco das baleias. Desde 2013 que têm desenvolvido este tipo de equipamento, adaptando-o para que se torne “field friendly”, explica o responsável pela expedição. Ou seja, que funcione no campo tão bem quanto nas experiências caseiras. Com tentativa e erro chegaram ao modelo que agora andou a recolher sopros das baleias nos Açores e que acaba por ser extremamente simples: um drone, pratos petri posicionados em vários pontos do objecto voador e colados com velcro. O segredo é posicionar o drone sobre a baleia quando ela vem respirar à superfície, recolhendo o material que sai do espiráculo. Mais simples era difícil, ainda assim Iain está sempre a tentar aperfeiçoar novos modelos. “Dizem que tenho uma ideia nova todas as semanas”, sorri. O líder da Ocean Alliance partilha a função de pilotar o drone com Chris Zadra, enquanto Andy Rogan, coordenador científico da associação, sela e cataloga cada amostra recolhida, que depois será enviada para os laboratórios nos Estados Unidos que trabalham como grupo. As amostras são analisadas para material genético, microbiomas e hormonas. Informação que permite saber se estão perante um macho ou uma fêmea e, neste caso, se ela está grávida ou a amamentar, e se os animais estão ou não saudáveis. O maior objectivo, ainda a ser desenvolvido, é conseguir isolar e estudar devidamente as “hormonas de stress”. Os investigadores gostariam de poder dizer como é que determinada actividade humana está a causar problemas aos animais. “Eu acredito que há pessoas boas em todo o lado, em todas as actividades, precisam é de informação”, diz Iain Kern É isso que os drones estão a ajudar a obter, sem interferir praticamente com as baleias. A imagem captada pelo objecto é transmitida no barco, o que permite aos restantes membros do grupo acompanharem os animais, e em concreto, o seu comportamento. Foi graças ao drone que conseguiram perceber que uma das baleias estava a brincar longamente com um objecto de plástico, utilizado para capturar polvos, e que a equipa recolheu posteriormente do mar. E que permitem a Joana Castro, da AIMM, que nesta expedição observa sobretudo o comportamento dos animais, dizer que, aparentemente, os drones não causam mais do que alguma curiosidade às baleias, não as perturbando.
Democratizar a ciência
A colaborar com a Ocean Alliance desde 2013, a AIMM recebeu um novo drone da associação — uma das forma de “democratizar a ciência”, outro dos objectivos do grupo —, que poderá experimentar ainda este Verão nas águas do Algarve, se conseguir a licença necessária a tempo. É um modelo mais pequeno do que o utilizado nas baleias e que será, provavelmente, usado com golfi-nhos. “Já trabalhávamos com drones, mas não na recolha do muco. O facto de estarmos a ser treinados por uma das melhores equipas mundiais neste campo permite-nos evitar uma série de erros que eles fizeram no início e isso é muito bom”, diz Joana Castro. A bordo da embarcação de Norberto e com o dia perdido para as baleias, a equipa da Ocean Alliance faz o drone voar sobre as águas cinzentas do Atlântico para demonstrar como ele se comporta no mar. Quando se pergunta a Iain Kerr o que aprendeu nestes últimos anos, nos vários pontos do mundo por onde tem pilotado os seus drones, ele não hesita: “Encontrámos mais poluição em sítios remotos do que presumíamos”, diz. Mas a maior descoberta destes tempos, diz, não foi essa. “Só nos últimos quatro ou cinco anos começámos a perceber a interligação das coisas e isso é o que a Ocean Alliance considera a maior descoberta dos últimos cem anos. Se se tirar um único elo da corrente de uma âncora, ela não funciona. É do nosso interesse levar-mos as pessoas a perceber que se tivermos baleias saudáveis temos um mundo saudável. Mas, pela nossa ignorância, estamos a entupir o oceano com lixo.” Pára um segundo, diz que não se quer emocionar, mas treme-lhe a voz quando volta a falar: “Eu não quero viver num mundo sem baleias.” À tarde, às crianças que fizeram várias perguntas sobre as baleias (incluindo se elas “explodem” ou por que é que as caçamos e a que profundidade mergulham), os membros da Ocean Alliance responderam a tudo, porque “democratizar a ciência” também é isto. Um dos miúdos perguntou quando voltam aos Açores, para poder seguir, de novo, a expedição, atirando: “Um dia quero ser cientista como vocês.” O sorriso foi geral. “Gostávamos de voltar, se nos convidarem, porque tivemos um tempo fantástico nos Açores. Mas só se nos fizerem perguntas fáceis”, brincou Iain Kerr.
(Texto: Patrícia Carvalho – Fotografias: Nuno Ferreira Santos – Público de 11/07/2021)
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  • Humberto Victor Moura

    Ainda bem que tudo isto evoluiu para o mais correto ou seja ver os animais como vida e menos interesse económico. Congratulo me por isso, cheguei a ter alguns problemas por defender esse princípio numa altura em que o contrário é que era tido como o co…

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os abandonos em férias, dantes eram velhos e animais agora são mulheres

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Cada vês pior a partida para férias
antes eram os animais, mas agora até abandonam as mulheres ao longo da estrada seus sacanas 🤣🤣🤣🤣🤣
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O social-sanitarismo

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O social-sanitarismo
Quando a SIDA apareceu nos anos 80 não se proibiu nada a ninguém.Em 2020, quando chegou o COVID proibiu-se quase tudo a toda a gente.Somos as cobaias de uma nova forma de governar:o social-sanitarismo
Acabou. Não sei se se pode ou não circular, muito menos estou para aprender as horas a que o posso fazer e donde para onde se pode ir, se com ou sem testes. Acabou. O que for será. Não é revolta, é cansaço.
Cansaço de viver num país reduzido à condição de cobaia de um governo incompetente, numa época que trocou o ideal da liberdade pelo da protecção. Todos os dias estamos mais longe dos cidadãos livres que fomos para nos tornarmos cidadãos protegidos. Ou na versão socialista, assistidos: é a morte assistida; as redes sociais assistidas (ler, censuradas): a escola transformada num espaço de pensamento assistido…
No século XX, os sonhos da igualdade e da pureza racial levaram-nos ao inferno. No século XXI, o sonho de vivermos protegidos do vírus, do risco, da História, está a levar-nos para uma nova ordem: o social-sanitarismo. Uma concepção do mundo em que a divergência deixa de ser um direito para se tornar numa patologia.
Quando a SIDA apareceu nos anos 80 do século passado não se proibiu ninguém de amar, de viajar ou de estar com os seus. Em 2020, quando chegou o COVID fechámo-nos em casa, os velhos morreram sós nos lares, a economia privada aguentou uma nova onda de austeridade e Portugal assumiu o estatuto de país-RSI: os portugueses pedem apoios ao governo que por sua vez espera apoios dos fundos europeus. (Onde está o sonho de produzir riqueza?)
Em 2021, conseguiu-se uma vacina em prazos nunca antes alcançados, conceberam-se espantosos planos de vacinação para milhões de pessoas mas em vez de se celebrar o progresso mantém-se o discurso do medo. E da culpa: o vírus não se vai embora porque nos portamos mal. Uns dias portam-se mal os pais porque celebram a consoada, noutros os filhos porque vão a festas de Verão. Só o que depende do Governo, como acontece com os transportes públicos ou a final da Champions, nunca tem qualquer impacto na propagação do vírus.
Em 2021, os doentes continuam semi-prisioneiros nos hospitais, a polícia entra numa casa para retirar uma filha à sua mãe unicamente porque a criança não usou máscara na escola e nós todos vivemos a toque de regras absurdas e despóticas: o que se pretende ao fechar os supermercados às 15h 30m aos fins-de-semana? Que vamos todos fazer compras ao mesmo tempo?
Há ano e meio que vivemos em estado permanente de estupidificação: primeiro as máscaras davam uma falsa sensação de segurança, depois as máscaras tornaram-se obrigatórias. Levámos semanas a ouvir que tínhamos de confinar para salvar os idosos mas em seguida fomos informados que os mais idosos não iam ser vacinados em primeiro lugar. Depois, sem explicações de maior, os mais idosos voltaram a ser prioritários. Passámos sem perguntar porquê do “milagre português” para o desastre (obviamente sem pátria” e do “está tudo preparado para o Inverno de 2020-2021” para a “culpa foi do Natal”… Mas graças a Deus a condução errática da pandemia é um problema do Brasil de Bolsonaro!
O social-sanitarismo fez de cada um de nós um potencial paciente que vive centrado nos seus sintomas, aceita a falta de coerência nas políticas governamentais com o fatalismo quem vê a equipa médica que o assiste alterar-lhe os tratamentos e analisa o mundo como quem interpreta os valores do colesterol depois de um jantar de festa: tudo, do frio ao calor, da pobreza à doença, é o resultado das más acções. Mas não só. O social-sanitarismo reduziu-nos ao estatuto do paciente que vê na privação a sua salvação: Vamos deixar de andar de avião! Vamos ter zero emissões!… O zero como reivindicação é um símbolo do social-sanitarismo: já não esperamos que o progresso resolva os problemas, desistimos de fazer o que gostamos e de viver como queremos. Pelo menos até que os vigilantes do nosso bem-estar determinem que afinal o que fazia mal já não faz tanto mal assim.
Nos anos 60 do século passado exigia-se mais liberdade aos governos. Nós esperamos que quem nos governa nos dê alta e no nosso caso um apoiozinho!
As espécies não regridem mas as sociedades certamente que sim: o social-sanitarismo é a prova disso.
(Helena Matos – Observador de 11/07/2021)
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