VIOLÊNCIA E RACISMO NA ÁFRICA DO SUL

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É escandaloso o silêncio do Ocidente sobre a África do Sul
Se o anti-racismo da esquerda não fosse tão oco e oportunista como a falsa adesão da direita ao interesse nacional, já ambos estariam, por esta hora, de olhos postos na África do Sul. Ali, onde vivem trezentos mil portugueses, uma onda de inveja manipulada contra brancos, indianos e muçulmanos estilhaça vidas e negócios. A situação é grave. Ninguém se espantaria se, perante a destruição da nação “arco-íris” pelo discurso das reparações históricas e de um anti-colonialismo fora de data, aquela que é ainda a mais próspera economia africana viesse a acabar como o Zimbabué, Angola e Moçambique, entre a submersão na miséria e a fuga das suas populações mais preparadas e dinâmicas.
As violências perpetradas contra minorias na África do Sul têm uma cara e um nome: Julius Malema, chefe dos Economic Freedom Fighters. Cisão do ANC, partido do governo, Malema pede a expulsão das minorias e a distribuição da sua propriedade. É, de facto, um nazi do bem, cujo detestável discurso só não colhe condenação por encontrar o Ocidente alienado e prostrado perante a esquerda académica do wokeismo. O ANC pouco faz para repor a paz: enterrado por escândalos de corrupção e pela crise económica, convém-lhe a distração do caos que Malema alimenta.
Poderia Portugal fazer algo? Poderia, se ainda tivesse diplomacia. Na Portugalidade e na União Europeia, propondo sanções económicas à África do Sul enquanto o governo local insistir em fazer do ódio às minorias uma carta admissível do jogo político. E bem ganharíamos – logo nós, disso tão necessitados – criando condições para que sul-africanos portugueses, boeres – com quem Portugal mantém relação de amizade desde as guerras boeres do século XIX – e de outras minorias ameaçadas possam com facilidade estabelecer-se em Portugal, onde ofereceriam relevante contributo ao reavivamento económico e demográfico. Um país que nada faz enquanto sofrem filhos e amigos seus é um país indigno do nome.

SERÁ ESTE NAVIO APROPRIADO PARA O CORVO?

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Artigo que público no “!Tribuna das Ilhas”, da Horta. em 16/7
“Thor Assister” – Será Este o Navio do Corvo?
Salvo erro no passado dia 20 de Abril o dirigente do PPM e Deputado Regional eleito pela ilha do Corvo anunciou, com alguma pompa e muito sarcasmo, que esta nova administração regional tinha descoberto um “navio de outro mundo” para fazer serviço para o Corvo. O governo anterior teria dito que era muito difícil encontrar um navio para operar com regularidade e durante todo o ano no porto da Casa, no Corvo.
Antes de avançar na análise desta questão quero lembrar que antes do furacão Lorenzo (2/10/2019) ter destruído o porto das Lages das Flores, o pequeno navio “Lusitânia”, da EBP, assegurou durante vários anos, com regularidade, o transbordo para o Corvo, a partir das Flores, das mercadorias destinadas a essa Ilha e trazia do Corvo as mercadorias exportadas. Esse serviço decorreu com a normalidade que a meteorologia e as condições portuárias, entretanto um pouco melhoradas no que se refere ao Corvo, foram permitindo, sem que houvesse situações graves de ruptura de abastecimento. Depois do Lorenzo a situação mudou muito, o porto das Lages deixou temporariamente, mas por muito tempo, de poder ser base de um navio e era de facto urgente encontrar uma solução para o abastecimento regular do Corvo, a partir do Faial com o apoio possível nas Flores.
Foi neste contexto que, durante 2020, foi consensualmente reivindicada a existência de um navio, necessariamente pequeno, mas com condições para, a partir basicamente do porto da Horta, pudesse assegurar o abastecimento do Corvo. Foi usado várias vezes o “Cecília A” da EBP e depois os navios da Graciosense, mas a regularidade, especialmente no Outono e no Inverno, foi muito fraca.
Depois de ter passado esse ano de 2020 e de ter mudado o Governo Regional apareceu o “Thor Assister”, de 45 m de comprimento, 11,8 m de boca e 3,4 m de calado. Trata-se de um rebocador, com bandeira das Ilhas Faroé e operado pela Mutualista Açoriana.
O navio chegou à Horta em maio e por aqui tem estado. Entretanto tinha saído em 8 de Fevereiro de 2020 o anúncio de um concurso publico internacional promovido pelo Fundo Regional de Apoio à Coesão e ao Desenvolvimento Regional e intitulado Prestação de Serviços de Transporte Marítimo Regular de Mercadorias entre Faial- Corvo- Flores-Corvo-Faial. Só foi admitida nesse concurso a Mutualista Açoriana, o que levou a que, em Março, as outras duas empresas concorrentes – Seamaster e Energia Eficiente – impugnassem o concurso o que motivou a sua suspensão. Entretanto a 14 de Junho o Tribunal, considerando o facto de a resolução desta situação ser muito urgente, levantou essa suspensão.
Esse levantamento da suspensão do concurso, feito há quase um mês, ainda não produziu efeito prático, pois, pelo menos até hoje, o navio, com tripulação a bordo, ainda não faz a carreira contratada.
Será que haverá outros problemas?
Não estranho o facto de a Mutualista ter escolhido um rebocador de 500T para este serviço. Penso que terá capacidade de transporte de combustível e alguma carga sólida, mas lembro que o navio é de popa baixa e tem um calado de pelo menos 3,4 m, o que pode ser muito para um porto como o do Corvo. Os 45m de comprimento, associados aos quase 12 m de boca fazem com que este pequeno navio seja grande para o porto pequeno do Corvo. Se a operação se iniciar poderá, com este navio, ter regularidade especialmente de inverno?
Penso que estas são dúvidas legitimas, mas penso principalmente que as entidades que decidiram fazer este concurso e aceitaram aquilo que a empresa que ganhou apresentou, têm que dar, com urgência, explicações publicas sobre os atrasos deste processo.
Não basta discursar com ênfase e sarcasmo, é preciso principalmente saber encontrar uma boa solução! Resumindo: será este mesmo o navio do Corvo?
Horta, 12 de Julho de 2021
José Decq Mota
(A fotografia, foi tirada por mim no passado dia 13/7 às 14h30 e mostra-nos o “Thor Assister” atracado na doca Norte do porto da Horta)
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Ricardo Branco Cepeda, Souto Gonçalves and 39 others
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  • Nuno Gonçalves

    A designação certa para este tipo de navio chama-se anchor andling e não rebocador.
    São a classe de navios com mais capacidade de manobra que existe, muito superiores aos rebocadores.
    Com sistema DP2, dois azipode truster na poupa, um azimute truster …

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FRANCISCO MADRUGA, CPLP, BECHARA E OS COLÓQUIOS DA LUSOFONIA

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A Língua Portuguesa e a Cimeira da CPLP em Luanda, Angola.
Tudo caiu em catadupa nas minhas mãos, sem querer, por mero acaso.
As declarações do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa na sua chegada a Luanda, destacando a importância da CPLP para a comunidade de falantes da Língua Portuguesa, bem como a garantia de que Portugal não se deve colocar em “bicos de pés” perante os outros países. Para bom entendedor, meia palavra basta. Importante mesmo são as ações. O Governo português está a oferecer aos países de língua oficial portuguesa, milhares de vacinas para combater o COVID-19.
Depois, recebo o mail do Amigo, Mestre e Professor Evanildo Cavalgante Bechara, Filólogo e membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia Galega da Língua Portuguesa, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra e membro da Academia Brasileira de Letras. Na sua missiva, faz uma análise do meu #Historiasdevidas que, por motivos óbvios, não reproduzo, mas que me alerta, uma vez mais, para a importância da língua no contexto da Lusofonia. Conheci os Professores Evanildo Bechara e Malaca Casteleiro há muitos anos, em Lagoa, São Miguel, Açores na apresentação do livro de Cristóvão de Aguiar “Cães Letrados” editado pela Calendário de Letras. Desde aí, fomos fazendo caminho através da língua, militando pela implementação do Novo Acordo Ortográfico e pela conservação e defesa da Língua Portuguesa. Foi assim em Macau, em Florianópolis, no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Brasília, em Bragança, em Montalegre, na Graciosa, em S. Miguel, no Pico, em Santa Maria, no Fundão, em Seia e em Belmonte (desculpem se falhou alguma). Os Mestres tratavam todos por igual. Os professores, os doutores, os investigadores ou simples participantes. Nos Encontros da Lusofonia os títulos académicos ficavam à porta, o que se pretendia era valorizar a Língua Portuguesa. Por último, dizer-vos que a minha participação no Movimento Cultural Terra de Miranda, Mogadouro e Vimioso tem sido uma escola de aprendizagem no relacionamento entre pares, que lutam por um Plano Estratégico para uma região ultra periférica e de baixa densidade populacional. E lá está inevitavelmente a língua, a Língua Mirandesa, o Património, a Cultura, as Tradições e as Pessoas.
Por isso, façamos da Lusofonia o ponto de partida, de encontro, de desenvolvimento económico, social e político. Façamos da Língua ponto de partilha pois é a falar que nos entendemos.
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açores hdes emcrise?

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HDES responde ao Sindicato dos Médicos
“Não é verdade que exista ambiente de insatisfação”
O Conselho de Administração do Hospital do Divino Espírito Santo, de Ponta Delgada, (HDES) afirma que “não é verdade que exista um «ambiente geral de insatisfação» no seio do HDES (instituição com mais de 2000 trabalhadores), ou «ausência de diálogo do CA com o corpo clínico» – que é, de resto, pedra de toque desta direção”.
Numa nota enviada ao nosso jornal, a propósito do comunicado do Sindicato Independente dos Médicos que ontem noticiámos, a administração do HDES sublinha que parte do seu plano “é conhecido, assim como a sua estratégia de ação. Muitos dos graves problemas que o HDES enfrenta são crónicos, e este CA tem o propósito de os resolver, a todos”.
Em termos de corpo médico, o balanço do CA do HDES, deste que tomou posse, é “claramente positivo, mesmo por comparação com os anos anteriores. E o número de médicos especialistas na Região continua a não poder ser resolvido com uma varinha mágica, sendo no entanto nosso propósito tudo fazer para o aumentar”.
“A estratégia regional neste momento, na qual o HDES se incorpora, é a de melhorar a quantidade da prestação de serviços aos utentes açorianos no mais curto espaço de tempo. As listas de espera em cirurgia são uma prioridade, por qualquer perspetiva que se tenha, e têm de ser resolvidas com alguma celeridade”, afirma a nota hospitalar.
“Por isso, a produtividade, tal como é encarada por este CA, privilegia mais resolver o problema do que esperar que ele possa ser resolvido organicamente. Porque há limitações. Por isso lançamos o desafio aos profissionais da casa no sentido de ser aumentada a produção, e assim estender os limites que existem naturalmente. Com base nesse ponto de partida, e face aos objetivos globais para a Saúde nos Açores, estamos a desenvolver uma série de protocolos com entidades nacionais de elevada reputação, que nos permitam ajudar na recuperação de Tempos Máximos de Espera Garantidos. Os primeiros sinais já se fizeram sentir, com algumas cirurgias de cirurgia plástica, e consultas na área da Oftalmologia e Otorrino, iniciando-se na próxima semana cirurgias extra em Otorrinolaringologia, a que se seguirão as de Oftalmologia, através do protocolo já em vigor com a Fundação AMA”, lê-se ainda na nota do HDES.
Segundo a administração do hospital, “a questão é que para esta estratégia funcionar, e possamos ter resultados com impacto ao nível da qualidade de vida da população, é necessário que estejamos todos unidos nesse desígnio que é, pensamos nós, um desígnio de todos os açorianos”.
“A posição sindical poderá entender que esta estratégia não visa contemplar os seus associados. Aceitamos. Não visa. O objetivo desta estratégia é resolver, da melhor forma, problemas de elevado impacto na saúde dos açorianos, no mais curto espaço de tempo possível. Sabemos que faz parte da luta sindical o acirrar de animosidades, ampliando pequenos detalhes, mas estamos certos que os representantes sindicais dos médicos compreendem a importância de participar no desígnio superior, que deve unir todos os profissionais desta casa, de reduzir morbilidade e mortalidade”, afirma o CA do HDES.
E acrescenta: “O Conselho de Administração não recusa, jamais, qualquer pedido de reunião de qualquer entidade, e estamos disponíveis, como sempre estivemos, para reunir com uma delegação de qualquer sindicato, nomeadamente do SIM, como várias entidades sindicais o poderão confirmar, a fim de convergir na resolução de inquietações dos seus associados, sempre balizado pelas opções estratégicas do Governo Regional dos Açores, perante o qual o HDES responde em nome de todos os seus utentes”.
“As acusações sugeridas de “falta de diálogo” não poderão ser aceites por este CA, que nunca se negou reunir com nenhum profissional desta casa, em representação ou não institucional”, lê-se ainda na referida nota.
“Ao contrário do que é descrito, nunca foram colocados entraves ao evento. Pelo contrário, tudo foi feito para que se concretizasse, seguindo as normas em vigor. No HDES vigora uma apertada política de segurança de prevenção da Covid e o nosso hospital já aprendeu muito em termos de Covid, sofreu cruelmente no ano passado, e os resultados atuais são prova da sua justeza. O que foi apresentado foi o plano que está em vigor no HDES – não foi adaptado, nem visou o que quer que fosse, se não a garantia da saúde em todo o perímetro do hospital. Considerar de “pidesco” o pedido da lista de participantes e seus contactos, que é norma corrente em todo o mundo como método de combate da Covid (se houver 1 caso entre os membros da reunião, será a primeira solicitação das autoridades de saúde), considerar a implementação de medidas básicas (e comuns) como «um triste exemplo da postura autoritária do atual CA», não foi feliz”, afirma o HDES.
“Quando, ademais, é proferido por uma entidade que representa os médicos, e que este ano reuniu em congresso, em sistema misto, com um número residual de associados presentes em sala, estando os restantes presentes virtualmente. Ora, nas diversas trocas de e-mail com o SIM, a propósito desta reunião, tal foi bem explicitado, e repetimos, de forma em tudo semelhante à de situações similares. O mesmo se passa em relação às visitas, a doentes, onde existe um Regulamento público e transparente, de regras claras. Permita-nos recordar que, assente nesse regulamento, reiniciamos as visitas no HDES ainda antes de hospitais nacionais, como o Hospital de Braga”, conclui a nota.
(Diário dos Açores de 16/07/2021)
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AÇORES, AIPA, O LIVRO DOS IMIGRANTES

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Cristina Borges, Leoter Viegas, Paulo Mendes, Aníbal Pires e Urbano Bettencourt apresentaram hoje o livro “AIPA – 18 anos ao serviço das comunidades migrantes nos Açores”, que conta com o nosso modesto contributo:
“Os imigrantes são bem-vindos nos Açores. Nem podia ser de outra forma, porque somos também um povo emigrante.
Eles ajudam a construir a sociedade açoriana, com vantagem para todos.
Um cidadão forasteiro que escolhe a nossa terra para aqui desenvolver o seu projeto de vida tem o mesmo valor de quem nasce nestas ilhas e só pode ser acolhido de braços abertos, como mais um de nós.
Pelos dados mais recentes de 2019, residem oficialmente nos Açores cerca de 3.900 cidadãos imigrantes. São apenas 0,66% da população estrangeira em Portugal – na nossa Região os imigrantes representam 1,6% dos residentes, numa proporção só superior aos distritos de Vila Real, Viseu e Guarda – mas, ainda assim, apresentam aqui uma tendência crescente nos últimos anos (eram 2.584 no ano 2000).
São provenientes de 95 diferentes nacionalidades dos cinco continentes, com destaque para Brasil (717), Alemanha (472), China (346), Estados Unidos da América (285), Reino Unido (253), Espanha (226), Cabo Verde (198), Itália (198), França (166), Canadá (103).
Residem maioritariamente em São Miguel (1.684), no Faial (627), na Terceira (616) e no Pico (506), mas estão nos 19 concelhos (1.128 em Ponta Delgada, 627 na Horta, 407 em Angra do Heroísmo, 209 na Praia da Vitória, 208 na Madalena, 206 na Ribeira Grande) e já são parte significativa da nossa população nas ilhas Flores (5,1%), Faial (4,3%), Pico (3,7%), Santa Maria (2,3%) ou Corvo (2,1%).
Contamos com eles. Respeitamos e valorizamos as diferenças, construímos uma sociedade plural, queremos que sejam felizes connosco.
É neste contexto que assume importância crescente a intervenção do Governo dos Açores nas áreas da Imigração e da Interculturalidade. Elas não são – não podem ser e não serão – uma competência menor da Direção Regional das Comunidades.
A preservação e a valorização da identidade cultural dos nossos imigrantes e a sua plena e natural integração na sociedade açoriana são desígnios estratégicos que a todos convocam e a todos beneficiam.
Pela sua missão e pela sua dimensão, assume aqui preponderância singular a Associação dos Imigrantes nos Açores, com um trabalho que nos apraz enaltecer e agradecer, nas pessoas dos seus sucessivos presidentes Paulo Mendes (2003-2017) e Cristina Borges (2017-2021) e do seu cofundador e vice-presidente Leoter Viegas.
Seja nos serviços prestados, com os seus Centros Locais de Apoio aos Migrantes nas ilhas de São Miguel e Terceira, seja nas atividades desenvolvidas, com o emblemático festival “O Mundo Aqui” ou as presenças pedagógicas na comunicação social, a AIPA é um parceiro indispensável do bom acolhimento que convictamente asseguramos aos “novos açorianos”.
Merece, por isso, o devido louvor e a nossa homenagem.
José Andrade
Diretor Regional das Comunidades”
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José Soares O cartel partidário

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José Soares

O cartel partidário

 

A forma negativa como o poder político se move em várias áreas no retângulo português, é a que mais contribui para que partidos como o ‘Chega’ tenham cada vez mais popularidade. O polvo está definitivamente envenenado.

E se este partido ‘Chega’ está neste momento em plena cirurgia de coração aberto nos Açores com uma forte crise interna, isto não implica que não recupere, contra cobras e lagartos que lhe lançam todas as outras forças partidárias. No fundo e ao chamarem toda a espécie de nomes, a perceção que temos é a de que o pânico se apoderou de todos, ao verem os números a subir semanalmente dessa extrema-direita.

A culpa nunca pode morrer solteira. O êxito do Chega, deve-se exclusivamente aos erros, aos desconcertos, aos abusos de poder de todos os partidos que exerceram esse poder ao longo dos anos no Portugal democrático. Deve-se aos herdeiros de Salazar que não quiseram virar a esquina do destino de uma vez por todas.

Preocuparam-se em mudar nomes de pontes, de avenidas ou ruas, numa tentativa infrutífera de reescrever a História. Não se preocuparam em atuar diferente, com transparência democrática, com os princípios republicanos exigidos, com a ética que a dignidade dos cargos exige, com a honestidade e humildade que a sabedoria aconselha.

Sem raízes democráticas, o novo sistema renunciou aprender com as experiências europeias mais antigas em regimes democráticos. Os poucos que logo se apoderaram das rédeas do poder político, logo engendraram processos constitucionais pouco transparentes, em muito derivados de cargas ideológicas contrarrevolucionarias extremistas de esquerdas ressabiadas.

Os partidos em Portugal agem em cartel:

O cartel é a associação entre empresas do mesmo ramo de produção com o objetivo de dominar o mercado, disciplinar a concorrência e maximizar lucros. As partes entram em acordo para padronizar um preço, garantindo um alto valor dos seus produtos ou serviços. A formação de um cartel é ilegal, pois prejudica a economia e o acesso do consumidor à livre concorrência.

O processo de que quem não é do grupo, é contra o grupo. Estabeleceu-se um padrão de vida partidária de conluio político que, com o tempo, só tem descambado para toda a espécie de maus exemplos cívicos dados pela elite política tão deficientemente formatada.

Mesmo os novos eleitos, uma vez dentro do aparelho geral (leia-se parlamento) são ensinados na vivência de toda a sorte de malabarismos. “Vai com calma, pá. Espera pelo fim de cada mês e pronto”.

Para os mais resilientes, o castigo clássico de grupo – o menosprezo. E assim o vício torna-se em vírus infetando todos os elementos.

Cada cidadão tem cada vez mais o dever de defender a Democracia, através de atos cívicos de participação em todas as frentes. Começando por castigar nas urnas de voto, toda esta onda de soberba abusiva destes ministros que passam a vida pública a denegrir a política e a contribuir para o aumento da nossa deceção.

BARREIRA DE CORAL EM PERIGO

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Autarquias de Ponta Delgada e Belmonte assinam protocolo de geminação – Açoriano Oriental

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As autarquias de Ponta Delgada e deBelmonte, assinaram um protocolo de geminação que visa a partilha de laços históricos e culturais.

Source: Autarquias de Ponta Delgada e Belmonte assinam protocolo de geminação – Açoriano Oriental

Incluir as diásporas na agenda da CPLP

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Agora que a próxima cimeira de Luanda tem em perspetiva a aprovação do acordo de mobilidade dos cidadãos da CPLP, que possui um enorme significado para o aprofundamento e a coesão da organização, seria da maior importância que também as diásporas passassem a fazer parte da agenda das reuniões e cimeiras.

Source: Incluir as diásporas na agenda da CPLP

Os ricos têm culpa da fome?

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Os ricos têm culpa da fome?

Posted: 15 Jul 2021 03:34 AM PDT

Pedro Tadeu* | Diário de Notícias | opinião

Olho duas chamadas para notícias de uma homepage de um site de informação. Uma titula: “ONU alerta para “agravamento dramático” da fome no mundo devido à pandemia”. Outra relata: “Richard Branson foi ao espaço e voltou astronauta”.

Hesito… Vou ler primeiro a aventura espacial do milionário ou a tragédia terrena do planeta miserável?

Cedo à fraqueza do prazenteirismo e leio o texto sobre o astronauta rico.

… Lida a prosa, direi que aquilo é um bocado pífio: um avião, desconfortável, sobe, depois de largar os propulsores não sei onde, até 88 quilómetros de altura, o que, para a concorrência e gozo de outro milionário, Jeff Bezos, não é bem no espaço, é só “quase no espaço”.

Os passageiros passam por esse sofrimento para terem direito a quatro minutos de experiência sem gravidade e uma visão, pela janela, de lá de cima cá para baixo.

A ideia é cobrar 200 mil euros a cada turista pela tortura. Parece que há 600 interessados.

 

Passo para a notícia sobre a fome.

… Cinco agências das Nações Unidas estimam que 10% da população mundial não consegue alimentar-se adequadamente.

Os dados de 2020 apontam para 720 a 811 milhões de pessoas com fome. Só em África são 282 milhões de pessoas. Por causa disso 149 milhões de crianças menores de 5 anos têm o crescimento atrofiado.

Trinta por cento da população mundial, 2300 milhões de pessoas, não tem acesso a uma alimentação adequada.

Para tirar 100 milhões de pessoas da desnutrição crónica são necessários 11,8 mil milhões de euros por ano até 2030.

Para atingir a fome zero na próxima década o esforço estimado seria de 33,72 mil milhões de euros anuais.

Fecho a notícia, convencido de que a ONU nunca vai arranjar o dinheiro para, como tem projetado, acabar com a fome no mundo até 2030. Não é surpresa.

Claro que acho surpreendente que Richard Branson tenha mudado a residência oficial para as Ilhas Virgens Britânicas e, graças a isso, não precise de pagar impostos há 14 anos – mas o que é que isso tem a ver com a fome no mundo?

Claro que é estranho que este homem se dedique a divertimentos dispendiosos em idas ao espaço, nos quais perde cerca de 150 milhões de euros anuais – mas o que é que isso tem a ver com a fome no mundo?

Claro que é bizarro o líder do Virgin Group ter as companhias de aviação tradicional em colapso e reclame apoios ao governo britânico, aos contribuintes ingleses, no valor de 7500 milhões de libras – mas o que é que isso tem a ver com a fome no mundo?

Claro que é um bocado chato que, ao mesmo tempo, no meio da pandemia, este mesmo Richard Branson, vendedor da experiência de imponderabilidade a 200 mil euros, tenha mandado os funcionários para casa durante oito semanas sem lhes pagar o salário – mas o que é que isso tem a ver com a fome no mundo?…

… Ai a fome no mundo, a fome no mundo….

Lembrei-me agora: ontem passaram 36 anos sobre o dia do maior concerto de rock de todos os tempos. Foi o Live Aid, que angariou, num espetáculo de 16 horas, simultâneo em Londres e Filadélfia, 180 milhões de euros para acudir a uma crise de fome na Etiópia.

A cara da iniciativa, o roqueiro Bob Geldof, quando foi confrontado com críticas a deficiências da organização e aos resultados práticos obtidos, respondeu o seguinte: “Levantámos uma questão que não estava em qualquer lugar da agenda política e, por meio da língua franca do planeta – que não é o inglês, mas o rock’n’roll -, fomos capazes de abordar o absurdo intelectual e o nojo moral de haver pessoas a morrer de carência num mundo de excedentes,”

Leio, na mesma notícia sobre o aumento da fome no mundo, esta frase do secretário-geral da ONU, António Guterres: “Num mundo de abundância” não há “desculpa para que milhares de milhões de pessoas não tenham acesso a uma dieta saudável”

Guterres diz agora exatamente a mesma coisa que Geldof dizia em 1985 e isso é uma ilustração irónica da nossa coletiva incapacidade homicida.

Não, claro que nada do que se passa com os ricos deste planeta tem a ver com a fome no mundo… ou tem?

*Jornalista