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tenta se reerguer da temporada considerada recorde de cheias que afetaram mais de 30 mil famílias.
Source: Fenómeno La Niña pode piorar situação difícil pós-cheias em Timor-Leste – Plataforma Media
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tenta se reerguer da temporada considerada recorde de cheias que afetaram mais de 30 mil famílias.
Source: Fenómeno La Niña pode piorar situação difícil pós-cheias em Timor-Leste – Plataforma Media
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Ana Luiza Araújo Porto O Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) é um programa do governo brasileiro criado em 1985 com o objetivo de fornecer livros didáticos para as escolas públicas brasileiras. Nesses mais de trinta an
Source: Será o fim da disciplina História no Novo Ensino Médio? – Infonet – O que é notícia em Sergipe
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Sem alterar qualquer nova lei, em Macau, como em Hong-Kong, a China não respeita os acordos que assinou. O Governo português nem sequer protesta. Razão tem o presidente norte-americano Joe Biden para endurecer o relacionamento com a China e o seu regime de ditadura absoluta do Partido Comunista chinês.
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ao artista, na minha muito modesta opinião, uma escultura muito bem conseguida, e a quem teve a coragem de assumir um projeto desta envergadura.![]()
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Comissão eleitoral de Macau confirma exclusão de listas pró-democracia
Source: Comissão eleitoral de Macau confirma exclusão de listas pró-democracia
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| Os acontecimentos provocatórios verificados em Cuba
Posted: 22 Jul 2021 02:16 AM PDT – Díaz-Canel ao povo: “A ordem de combate está dada, os revolucionários às ruas” – “Querem sufocar-nos para acabar com a Revolução; se querem preocupar-se com o povo, acabem com o bloqueio”, disse o presidente cubano. Resumen Latinoamericano O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, rejeitou este domingo as campanhas de desprestígio dos média hegemónicos, no decurso da pandemia, e o recrudescimento do ilegal bloqueio económico, financeiro e comercial que os Estados Unidos (EUA) impõem à nação caribenha. “De forma subtil, covarde e oportunista, os que sempre apoiaram o bloqueio e se valeram de mercenários e lacaios do império, aparecem com doutrinas humanitárias para fortalecer a ideia de que o governo cubano não é capaz de sair desta situação; se querem preocupar-se com o povo de Cuba, acabem com o bloqueio (…) sabemos que não o fazem porque não têm valor”, disse o presidente cubano. O chefe de Estado afirmou que as pretensões de intensificar o bloqueio se devem também ao facto de haver mais carências e, por isso, pretendem gerar uma implosão interna, ” “querem asfixiar-nos para acabar com a Revolução e, quando as pessoas estão numa situação dramática, vemos o que ocorreu em San Antoniode los Baños”, acrescentou. Seguindo os grupos de manipuladores que desprestigiam o Governo, que continuam com a campanha do ilegal bloqueio, o presidente destacou que diante das campanhas de difamação, os revolucionários devem sair às ruas em defesa da Pátria. “Percorramos a cidade para mostrar que as ruas são dos revolucionários; sabemos que há outras zonas onde os movimentos se concentraram, estou a dar esta informação para ratificar que as ruas são da Revolução. Que o partido e o Governo tenham toda a disponibilidade para debater e ajudar”, referiu o chefe de Estado. O presidente apelou a toda a base da revolução para continuar a ocupar as ruas e enfrentar, com dignidade, as provocações de manipuladores que promovem protestos, mas apoiam as ilegais sanções – “sabemos que há massas revolucionárias a enfrentar grupos antirrevolucionários; não vamos admitir que nenhum mercenário e vendido ao império americano vá causar desestabilização no nosso povo”, acrescentou. Manipulação mediática e bloqueio O chefe de Estado realçou que as provocações dos pequenos grupos pretendem criar um cenário propício à invasão da nação, – ” “quando decorria o segundo semestre de 2019, explicámos que íamos entrar numa conjuntura difícil, com base nos indícios que os EUA estavam a dar contra Cuba”, lembrou. “Começou a perseguição financeira, económica, comercial e energética, eles (Washington) querem provocar uma explosão social interna em Cuba para se lançarem missões humanitárias, que se traduzem em invasões militares e interferências”, denunciou o presidente Díaz-Canel. Continuando com as perseguições dos EUA à nação, o presidente lembrou que o país foi incluído na infame lista de patrocinadores do terrorismo, ” “uma lista unilateral, com a qual eles se creem imperadores do mundo”, acrescentou. Discurso de Diaz Canel Temos de interromper as jornadas dominicais da nossa família para compartilharmos um conjunto de elementos que estão a ocorrer neste domingo, como parte das provocações da contrarrevolução no país, disse o Primeiro Secretário do Comité Central do Partido e Presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez. O Primeiro Secretário do Comité Central do Partido Comunista de Cuba e Presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, compareceu ao vivo na rádio e televisão nacionais às 16h00. Temos sido honestos, temos sido diáfanos, temos sido claros e, a cada momento, temos explicado ao nosso povo as complexidades do atual momento. Lembro que há mais de um ano e meio, quando começou o segundo semestre de 2019, tivemos de explicar que estávamos numa conjuntura difícil. Isto foi assumido como parte do humor popular e continuámos a fazer parte dessa conjuntura, com base em todos os sinais que o governo dos Estados Unidos, liderado pelo governo Trump, dava em relação a Cuba. Começaram a intensificar-se uma série de medidas restritivas, um endurecimento do bloqueio e de perseguições financeiras contra o setor energético, com o objetivo de sufocar a nossa economia, para que isso provocasse a desejada explosão social massiva –, que semeia as possibilidades de toda a campanha ideológica efetuada –, e para se poder apelar a uma intervenção humanitária que termine em intervenções militares e ingerências, e que afeta os direitos, a soberania e a independência de todos os povos. Essa situação continuou, depois vieram as 243 medidas que todos conhecemos e, finalmente, decide-se incluir Cuba numa lista de países patrocinadores do terrorismo, uma lista espúria, ilegítima e unilateral que o governo dos Estados Unidos adotou, crendo-se os imperadores do mundo. Muitos países se submetem, de repente, a estas decisões, mas é preciso reconhecer que outros não permitem tais imposições. Todas essas restrições levaram a que cortassem de imediato ao país várias fontes de receita de divisas, como o turismo, as viagens de cubano-americanos ao nosso país e as remessas de dinheiro. Gizou-se um plano para desacreditar as brigadas médicas cubanas e as colaborações solidárias prestadas por Cuba, que, por essa colaboração recebia uma parte importante de divisas. Toda esta situação gerou uma situação de escassez no país, principalmente de alimentos, medicamentos, matérias-primas e consumíveis, para podermos desenvolver os nossos processos económicos e produtivos e que, ao mesmo tempo, contribuam para as exportações. Estão eliminados dois importantes elementos: a capacidade de exportar e a capacidade de investir recursos. E desde os processos produtivos até ao desenvolvimento de bens e serviços para a nossa população. Também temos limitações de combustíveis e de peças de reposição e tudo isso provocou um nível de insatisfação, juntando-se aos problemas acumulados que temos sido capazes de resolver e que vieram do período especial, bem como a uma feroz campanha mediática de descrédito, como parte da guerra não convencional que tenta fraturar a unidade entre o partido-estado e o povo. Essa campanha tenta colocar o governo como insuficiente e incapaz de proporcionar bem-estar ao povo cubano e pretende hastear uma bandeira a partir da posição do governo dos Estados Unidos, afirmando que, com eles, se poderia aspirar ao progresso de um país como o nosso. São receitas hipócritas bem conhecidas, discursos de dois pesos e duas medidas que conhecemos muito bem ao longo de toda a história dos Estados Unidos em relação a Cuba. Como intervieram no nosso país, como se apropriaram da nossa ilha, em 1902, como mantiveram o domínio de nossa ilha na etapa de pseudorrepública e como esses interesses foram atingidos pelo triunfo da Revolução cubana? O exemplo da Revolução cubana molestou-os muito durante 60 anos e têm estado a aumentar esse incómodo continuadamente. Aplicaram um bloqueio injusto, criminoso e cruel, agora intensificado em condições de pandemia e aí reside a perversidade manifesta, a maldade de todas essas intenções. Bloqueio e ações restritivas que nunca tomaram contra nenhum outro país, nem contra os que consideram os seus principais inimigos. Portanto, tem sido uma política de crueldade contra uma pequena ilha que só aspira a defender a sua independência, a sua soberania e a construir a sua sociedade com autodeterminação, segundo os princípios que mais de 86% da população tem apoiado, no amplo e democrático exercício que sustentámos há alguns anos, para aprovar a atual Constituição da República de Cuba. No meio dessas condições surge a pandemia, que não afetou apenas Cuba, mas o mundo inteiro, incluindo os Estados Unidos. Afetou os países ricos e é preciso dizer que, perante esta pandemia, nem os Estados Unidos nem esses países ricos tiveram no início total capacidade para enfrentar os seus efeitos; e em muitos desses países do primeiro mundo, com muito mais riqueza, os sistemas de saúde e as salas de terapia intensiva colapsaram. Os pobres foram prejudicados porque não existem políticas públicas dirigidas ao povo para a sua salvação e, em muitos casos, têm indicadores em relação ao combate à pandemia com resultados piores do que os de Cuba. Uma série de provocações da gusanera bem denunciadas pela rádio e TV Martí Neste domingo, algumas dezenas de cubanos decidiram sair e reclamar. O primeiro protesto teve origem em San Antonio de los Baños (Artemisa, oeste) e gritava “abaixo a ditadura!”, “liberdade” e “pátria e vida”. As imagens de idêntico número de pessoas no Malecón, ou de dezenas em frente à sede do Instituto Cubano de Rádio e Televisão (ICRT), na avenida central 23. Ali, os manifestantes enfrentaram-se, sem chegar à violência, com trabalhadores do ICRT que levavam bandeiras cubanas e gritavam slogans como “Viva Fidel” e “Cuba sim, ianques não”. Também houve marchas noutras localidades do país caribenho, como Palma Soriano (Santiago de Cuba, leste) e Güira de Melena e Alquízar, ambas na província de Artemisa. Sem dúvida, cada um destes pequenos núcleos, que para a visão conspirativa dos média hegemónicos da direita mundial serão “milhares”, obedecem a um plano típico que o imperialismo executa em diferentes países. Mas Cuba não é um país qualquer, e o povo cubano não permitirá que um grupo de submissos aos espelhos coloridos que Washington vende queira provocar uma involução de mais de 60 anos de Revolução. Todos com Cuba revolucionária, em cada país em que nos encontremos. Na imagem: Diaz Canel fala com a população O original encontra-se em www.resumenlatinoamericano.org/… Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ |
| Cuba e Estados Unidos
Posted: 22 Jul 2021 01:39 AM PDT # Publicado em português do Brasil Breve história da cobiça (e acossos) à ilha rebelde, na mira dos EUA desde 1819. Quais discursos, ao longo da história, Washington usou para atacá-la. Como articulou o bloqueio econômico. Por que nunca desistirá. A improvável “saída chinesa” José Luís Fiori* | Outras Palavras Foi logo depois da conquista da Flórida, em 1819. Os Estados Unidos só tinham 40 anos de idade, e seu território não ia além do Rio Mississipi. James Monroe era o presidente dos Estados Unidos, mas foi seu Secretário de Estado, John Quincy Adams, quem falou, pela primeira vez, da atração norte-americana por Cuba. Quando disse, numa reunião ministerial do governo Monroe, que “existem leis na vida política que são iguais às da física gravitacional: e por isto, se uma maçã for cortada de sua árvore nativa – pela tempestade – não terá outra escolha senão cair no chão; da mesma forma que Cuba, quando se separar da Espanha, não terá outra alternativa senão gravitar na direção da União Norte Americana. E por esta mesma lei da natureza, os americanos não poderão afastá-la do seu peito” (1). Naquele momento, o desejo de Quincy Adams ainda não era conquistar a ilha, era preservá-la, e por isso deu ordem ao seu embaixador em Madrid que comunicasse ao governo espanhol a “repugnância americana à qualquer tipo de transferência de Cuba para as mãos de outra Potência”. Em 1819, a capacidade americana de projetar seu poder para fora de suas fronteiras nacionais ainda era muito pequena, mas a declaração de Quincy Adams explicitou um desejo e antecipou um projeto, que se realizaria plenamente, a partir de 1890. Logo no início da década, o almirante Alfred Thayer Mahan publicou um livro clássico (2), que exerceu imensa influencia sobre a elite dirigente norte-americana. Sobre a importância do poder naval, e das ilhas do Caribe e do Pacífico para o controle dos oceanos e a expansão das grandes potências. Logo em seguida, os Estados Unidos anexaram o Havaí, em 1897, e venceram a Guerra Hispano-Americana, em 1898, conquistando Cuba, Filipinas e algumas outras ilhas caribenhas, onde estabeleceram um sistema de “protetorados”, como forma de governo compartido destes territórios. Logo depois da sua vitória contra a Espanha, o presidente William McKinley repetiu, frente ao Congresso Americano, em dezembro de 1898, a velha tese de Quincy Adams: “a nova Cuba precisa estar ligada a nós americanos, por laços de particular intimidade e força, para assegurar de forma duradoura, o seu bem estar” (3). E foi isto que aconteceu: os cubanos aprovaram sua primeira Constituição independente, em 1902, mas tiveram que anexar ao seu texto uma lei aprovada pelo Congresso Americano e imposta aos cubanos, em 1901 – The Platt Amendement – que definia os limites e as condições de exercício da independência dos islenhos. Os Estados Unidos mantinham sob seu controle a política externa e a política econômica de Cuba, e ficava assegurado o direito de intervenção dos norte-americanos na ilha, em “caso de ameaça à vida, a propriedade e à liberdade individual dos cubanos” (4). Em 1934, a Emenda Platt foi abolida e substituída por um novo tratado entre os dois países, que assegurou o controle americano da Base Naval de Guantanamo, e garantiu a tutela dos Estados Unidos sobre o longo período de poder de Fulgência Batista, que assumiu o governo de Cuba, em 1933, abordo de um cruzador norte-americano, e depois governou Cuba, de forma direta ou indireta, até 1959.
Depois da Revolução Cubana de 1959, entretanto, a ilha deixou de ser a “maçã” de Quincy Adams, sem deixar de ser o “objeto do desejo” dos norte-americanos. O novo governo revolucionário assumiu o comando da sua economia e da sua política externa, e provocou a reação imediata e violenta dos Estados Unidos. Primeiro foi o “embargo econômico”, imposto pela administração Eisenhower, em 1960, e logo depois, a ruptura das relações diplomáticas, em 1961. Em seguida, foi a administração Kennedy, que promoveu e apoiou a frustrada invasão da Bahia dos Porcos, a expulsão cubana da Organização dos Estados Americanos, e vários atentados contra dirigentes cubanos. No início, os Estados Unidos justificaram sua reação, como defesa das propriedades norte-americanas expropriadas pelo governo cubano, em 1960, e como contenção da ameaça comunista, situada a 145 quilômetros do seu território. Mas depois de 1991, e do fim da URSS e da Guerra Fria, os Estados Unidos mantiveram e ampliaram sua ofensiva contra Cuba, só que agora, em nome da democracia, apesar de que mantenham relações amistosas com o Vietnã e a China. No auge da crise econômica provocada pelo fim de suas relações preferenciais com a economia soviética, entre 1989 e 1993, os governos de George Bush e Bill Clinton tentaram um xeque-mate contra Cuba, proibindo as empresas transacionais norte-americanas, instaladas no exterior, de negociarem com os cubanos, e depois, impondo penalidades, às empresas estrangeiras que tivessem negócios com a ilha, através da Lei Helms-Burton, de 1996. Esta atração precoce e obsessão permanente dos Estados Unidos, não autorizam grandes ilusões, neste momento de mudanças nos dois países. Do ponto de vista americano, Cuba lhes pertence, e está incluída na sua “zona de segurança”. Além disto, aos seus olhos, a posição soberana dos cubanos transforma a ilha num aliado potencial dos países que se propõem exercer influencia no continente americano, de forma competitiva com os Estados Unidos. Por fim, Cuba já se transformou num símbolo e numa resistência que é intolerável por si mesma, para os seus vizinhos norte-americanos. Por isto, o objetivo principal dos Estados Unidos, em qualquer negociação futura, será sempre o de fragilizar e destruir o núcleo duro do poder cubano. Por sua vez, Cuba não tem como abrir mão do poder que acumulou a partir de sua posição defensiva, e de sua resistência vitoriosa. A hipótese de uma “saída chinesa” para Cuba é improvável, porque se trata de um país pequeno, com baixa densidade demográfica, e com uma economia que não dispõe da massa crítica indispensável para uma relação complementar e competitiva, com os norte-americanos. Por isto, apesar da mobilização internacional a favor de mudanças nas relações entre os dois países, o mais provável é que os Estados Unidos mantenham sua obsessão de punir e enquadrar Cuba; e que Cuba se mantenha na defensiva e lutando contra a lei da “gravidade caribenha”, formulada por John Quincy Adams, em 1819. Notas: (1) W.C. Ford (ed), The Writings of John Quincy Adamas, , Mac Millan, New York , vol VII, P: 372-373 (2) Mahan, A.T. (1890/1987) The Influence of Sea Power upon History 1660-1873, Dover Publication, New York (3) Pratt, J. A (1955) History of United States Foreign Policy, The University of Buffalo, p:414 (4) Idem, p: 415 Imagem: Fidel Castro e Richard Nixon, então vice-presidente dos EUA, em 1959. Quatro meses após a Revolução Cubana, Fidel fez um tour diplomático pelo país vizinho, onde deu conferência na Universidade de Colômbia, entrevistas e encontrou-se com intelectuais, políticos e lideranças de movimentos sociais. Sua popularidade era alta: no Central Park, em Nova Iorque, mais de 35 mil pessoas, de acordo com a imprensa local, foram assistir a um de seus comícios José Luís Fiori — Professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Economia política Internacional, PEPI. Coordenador do GP da UFRJ/CNPQ, “O poder global e a geopolítica do Capitalismo”. Coordenador adjunto do Laboratório de “Ética e Poder Global”. Pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis, INEEP. Publicou, “O Poder global e a nova geopolítica das nações”, Editora Boitempo, 2007 ; “História, estratégia e desenvolvimento”, Boitempo, em 2011 ; e, “Sobre a Guerra”, Editora Vozes Petrópolis, 2018. Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OUTROS QUINHENTOS |
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NOVA GUERRA COLONIAL NA NICARÁGUA
Posted: 22 Jul 2021 02:52 AM PDT
# Publicado em português do Brasil
Salvador Luna* | Geoestrategy, em Katehon
Os Estados Unidos não se acostumam com a ideia de que a Nicarágua com o governo de Daniel Ortega está se tornando um importante aliado da China e da Rússia na América Central e está resistindo ao novo colonialismo
O governo dos Estados Unidos, junto com seus aliados ocidentais, a imprensa, a oposição política na Nicarágua e organizações internacionais regionais, lançou uma campanha na mídia contra o presidente sandinista Daniel Ortega. A agressão imperialista intensificou-se precisamente neste ano, quando estão em jogo as eleições presidenciais do país.
Uma nova guerra colonial foi desencadeada contra a Nicarágua: sem motivo, o império ocidental declarou unilateralmente a Nicarágua um país que representa uma ameaça à sua segurança nacional – especialmente se o líder da revolução sandinista, Ortega, permanecer no poder. Ao mesmo tempo, a mídia ocidental, que não informa, mas desinforma, repete as mesmas mentiras em uníssono, usa truques, tentando manipular a opinião pública do povo.
O presidente é alvo de uma complexa campanha de mídia organizada internacionalmente. Assim, na mídia pró-ocidental, ele é acusado de ditadura e do desejo de perpetuar seu poder por todos os meios possíveis – repressão política, violação dos direitos humanos, ataques à liberdade e aos direitos políticos. Os meios de comunicação tradicionais aderiram a esta nova guerra colonial, que visa criar condições desfavoráveis para o atual governo e provocar a sua derrota nas eleições presidenciais de 7 de novembro.
A pressão econômica também está sendo exercida para dar um golpe suave – com a ajuda de sanções econômicas impostas unilateralmente pelos Estados Unidos por meio do Departamento do Tesouro. As sanções foram impostas a pessoas próximas a Ortega, entre elas – Camila Ortega Murillo, filha do presidente; Leonardo Ovidio Reyes, presidente do Banco Central; MP Edwin Castro Rivera, Operador Político na Assembleia Nacional; Julio Rodriguez Balladares, General do Exército. Essas medidas bloqueiam e congelam os bens de funcionários nos Estados Unidos – além disso, são uma resposta às ações do governo da Nicarágua, que já fez várias prisões de representantes da oposição. Claro, essas ações são uma violação grave do princípio de não ingerência e autodeterminação dos povos. Sanções atuando em detrimento da economia nacional, objetivou o estrangulamento econômico do povo nicaraguense para acirrar o calor contra o governo sandinista. A Organização dos Estados Americanos (OEA) e seu presidente, Luis Almagro, também estão fazendo um excelente trabalho contra Ortega, pois declararam sua política de “ditadura” e estão incentivando a ação e a ação diplomática de outros Estados, instigando a favor do continente. Governos ocidentais para apertar os parafusos e aumentar a pressão sobre os sandinistas.
Uma das ferramentas favoritas dos Estados Unidos e seus aliados para justificar a intervenção em países que se opõem ao seu modelo político são os “direitos humanos”. Usados simplesmente como mais um instrumento de domínio sobre os países, os direitos humanos tornaram-se um fator fundamental que, quando necessário, é usado para justificar e apoiar intervenções em países que se opõem ao domínio norte-americano.
A mídia, responsável por manipular a opinião pública e a consciência das pessoas, cria uma falsa imagem do presidente. Eles lançaram uma campanha internacional, alegando que ele estava cometendo graves violações dos direitos dos nicaragüenses e que uma série de medidas eram necessárias para conter a repressão e proteger a população. Imagens de possíveis “atos de violência” e “repressão” também são divulgadas para responsabilizar o governo por eles.
O presidente Daniel Ortega tem sido alvo de ataques imperialistas desde os Estados Unidos e seus aliados regionais, bem como internamente através da mídia imperialista, que ecoou em uníssono que o governo sandinista é “ditatorial”. Segundo eles, o presidente está violando os direitos humanos e perseguindo a oposição política para remover todos os seus adversários políticos, que provavelmente perderá no próximo processo eleitoral em novembro. A imprensa acusa falsamente Ortega de repressão, retratando-o como o pior governante possível do país, fazendo com que qualquer tentativa de apaziguar o espírito de oposição política pareça repressão estatal contra os cidadãos.
A mídia ocidental deve entender que todos os povos têm sua própria visão de mundo, tradições, cultura e seu próprio modelo de vida, diferente daquele que estão tentando impor dos Estados Unidos. Entender que a tentativa de justificar a ingerência estrangeira sob o pretexto de “proteger os direitos humanos” não tem mais lugar no contexto do mundo moderno. O único propósito de uma ditadura da mídia é desinformação para manter a hegemonia. Em outras palavras, eles sempre se opõem a governos revolucionários.
Esses mesmos meios de comunicação, a serviço dos interesses do Ocidente, não falam absolutamente nada sobre as conquistas do governo sandinista, tais como:
Expansão e modernização da infraestrutura industrial – ruas, estradas, rodovias, pontes, portos;
Distribuição da propriedade por meio da transferência de grande parte dela para as famílias;
Criação e promoção de um modelo econômico democrático de apoio aos menores, pequenos e médios produtores, especialmente nas áreas rurais e urbanas;
Um papel mais ativo na esfera internacional: o modelo de desenvolvimento da Nicarágua, que amplia significativamente as relações econômicas e políticas internacionais, é reconhecido como exemplar por muitos países;
Combater o crime e prevenir seu fortalecimento fora do território nacional.
Essas são apenas algumas das conquistas do governo revolucionário, sobre as quais a mídia silencia, pois isso mostraria o atual governo sob uma luz favorável e poderia criar um efeito dominó para os países vizinhos, minando o domínio dos Estados Unidos na região latino-americana.
A Nicarágua e outros países que estão sob ataques forçados da mídia enquanto buscam caminhos alternativos de desenvolvimento estão se voltando para diferentes pólos de poder para manter relações internacionais favoráveis. Em outras palavras, são guiados por aquelas forças que apóiam a soberania nacional, o princípio da não ingerência e o direito à autodeterminação dos povos.
Cada vez que aparece na arena internacional um governo que interfere nos interesses dos Estados Unidos, todos os tipos de medidas coercitivas são aplicadas a ele. Se um país tem uma posição geoestratégica favorável, é rico em recursos naturais, mas é difícil mantê-lo sob o domínio dos métodos tradicionais, é acusado de grave violação dos direitos humanos para justificar intervenção, sanções econômicas, bloqueio e até intervenção militar para substituir o “tirano” e “ditador” no “governante democrático”.
As elites ocidentais estão muito preocupadas com a reaproximação entre a Nicarágua e a Rússia após a visita do presidente Ortega a Moscou em 2008 e a visita do presidente russo Vladimir Putin a Manágua em 2014. As visitas serviram para renovar as relações e fortalecer o comércio, sendo também assinado um acordo de cooperação comercial e econômica com a Crimeia. A China também preocupa: o projeto de um canal de navegação que ligaria o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico pelo Lago Nicarágua tornou-se um verdadeiro desafio geopolítico para os Estados Unidos, pois poderia dar à Nicarágua uma grande vantagem sobre a potência norte-americana. Os Estados Unidos se esforçam por todos os meios para implementar as idéias da Doutrina Monroe – “América para os americanos” – no século 21.
Os ocidentais, verdadeiros inimigos da humanidade, dos Estados e dos povos, estão aumentando a pressão sobre Daniel Ortega e o povo nicaraguense, assim como aconteceu com outros governos revolucionários do mundo. Em Washington e nas altas esferas do poder global, eles não conseguem se reconciliar com a ideia de que outro país que antes estava em sua esfera de influência agora está fora dela. Eles estão ainda mais preocupados com o fato de a Nicarágua estar se aproximando do outro pólo de poder, digamos, a Rússia ou a China.
Cada vez que uma nação luta por sua soberania, ela tem que enfrentar ataques externos: as forças estrangeiras procuram por todos os meios impedir a formação de uma frente multinacional de resistência contra suas políticas imperiais. Não se conformam com o facto de o século XXI ser um século de multipolaridade, com diferentes pólos de poder e correspondentes esferas de influência, onde cada Estado-nação procura entrar na esfera que mais corresponda aos seus interesses nacionais. Os Estados Unidos não podem aceitar a ideia de que não são mais um “gendarme mundial” – uma nação excepcional que trava guerras em nome da “liberdade” e da “justiça”.
Os Estados Unidos não podem aceitar que a Nicarágua, com o governo de Daniel Ortega, se torne um importante aliado da China e da Rússia na América Central e resista ao novo colonialismo. Eles gostariam de preservar a Nicarágua como uma típica “república das bananas” subordinada aos ditames dos Estados Unidos.
Enquanto a China e a Rússia se esforçam para criar um ambiente propício para a cooperação e o desenvolvimento mútuo para o benefício de suas sociedades, respeitando a soberania nacional e os direitos dos povos, bem como modelos econômicos e formas de governo, os Estados Unidos continuam a implementar o antigo modelo de relações. Eles aplicam sanções econômicas, embargos em detrimento dos povos; manipular por meio da mídia; conduzir guerra psicológica; professar intervencionismo; esconder-se descaradamente atrás de “direitos humanos” em nome de seus interesses.
Os Estados Unidos buscam manter a Nicarágua condenada à pobreza prosseguindo com seu projeto de recolonizar a América Latina e de transformar Estados soberanos em marionetes obedientes que se assemelham a “democracias”, comportam-se de forma submissa e têm governos ditatoriais obedecendo aos interesses ocidentais, mesmo que isso viole a própria liberdade Princípios da democracia e dos direitos dos povos. O povo da Nicarágua está se preparando para resistir aos ataques imperialistas nas eleições de novembro próximo e pretende suprimir todas as tentativas de interferir.
Fonte: Geoestrategy
Nicarágua: Construindo uma vida boa (Buen Vivir) por meio de uma revolução popular
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Qual é o jogo de xadrez auto-descrito da Rússia no Afeganistão?
Posted: 22 Jul 2021 03:14 AM PDT
# Publicado em português do Brasil
O jogo de “xadrez” da Rússia no Afeganistão envolve a promoção de uma solução política o mais rápido possível, contando com o Taleban para proteger os interesses antiterroristas regionais do país e acomodando os interesses legítimos dos EUA e da Índia (especialmente aqueles de natureza econômica e financeira) para que esses dois atores extrarregionais façam a transição para se tornarem partes interessadas responsáveis no Afeganistão pós-retirada.
“Xadrez” russo
O enviado presidencial especial da Rússia ao Afeganistão, Zamir Kabulov, descreveu a abordagem de seu país ao Afeganistão como “xadrez”, ao falar em uma conferência online organizada pelo prestigioso Valdai Club. No evento intitulado “Afeganistão após a retirada dos EUA: um vácuo de segurança para sempre?”, Que pode ser assistido na íntegra aqui ou em parte aqui , o diplomata que também atua como Diretor do Segundo Departamento para a Ásia do Ministério das Relações Exteriores da Rússia teve bastante muito a dizer. O artigo com hiperlink do think tank da frase anterior relatou os seguintes pontos:
Pontos do Valdai Club
Os EUA e seus aliados ainda têm obrigações econômicas e financeiras com o Afeganistão
Membros antigos do Taleban estão cansados da guerra, enquanto os mais jovens estão mais radicalizados para continuar lutando
O Talibã não tem interesse em ameaçar as Repúblicas da Ásia Central (CARs)
Grupos terroristas de pequeno e médio porte podem se unir sob a bandeira do ISIS
Mas o Taleban é seu inimigo jurado, provavelmente irá combatê-los e, portanto, será um fator positivo para a segurança russa
Relatórios TASS
A TASS com financiamento público relatou alguns pontos adicionais que não foram incluídos no resumo do Clube Valdai:
Esse cenário pode desencadear o colapso do Afeganistão ao longo de linhas étnicas e políticas, dando origem a mais terrorismo
A Rússia está de posse de evidências que provam que os EUA coordenam com terroristas do ISIS dentro do Afeganistão
A Índia pode aderir à Troika Estendida, mas apenas se primeiro estabelecer laços com o Talibã
Primeiras impressões
Juntando todos esses pontos, o jogo de “xadrez” da Rússia no Afeganistão se torna muito mais claro. É lidar com as duas partes em conflito em pé de igualdade por razões políticas pragmáticas em nome da paz. A Rússia não se sente ameaçada pelo Taleban, mas na verdade pode vê-los como um fiador de seus interesses antiterroristas no Afeganistão. Uma solução política deve ser alcançada o mais rápido possível, e Moscou acredita que Nova Delhi pode desempenhar um papel nesse sentido (talvez empurrando Cabul gentilmente nessa direção), mas deve primeiro estabelecer laços com o Taleban. Finalmente, após o fim da guerra, o mundo deve apoiar econômica e financeiramente o Afeganistão.
PAKAFUZ
O ponto final não foi elaborado por Kabulov, exceto por seu comentário sobre como os EUA e seus aliados têm obrigações com o país que são responsáveis por destruir. No entanto, eventos recentes podem lançar alguma luz sobre as dimensões não ditas do jogo de “xadrez” da Rússia. O endosso entusiástico do ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, da conectividade da Ásia Central-Ásia do Sul durante uma conferência sobre tópicos em Tashkent na semana passada implica fortemente o apoio ao corredor ferroviário trilateral do Paquistão, Afeganistão, Uzbequistão ( PAKAFUZ ) que, de fato, servirá como o projeto principal para trazer sobre isso.
O “Novo Quad”
Isso, por sua vez, servirá como o principal meio para estender a Grande Parceria Eurásia da Rússia (GEP) para o Paquistão e, daí em diante, para o resto do Sul da Ásia, de onde pode finalmente alcançar a Região do Oceano Índico (IOR), como há séculos ela vem fazendo. Na direção oposta, a estrutura quadrilateral recém-estabelecida entre os EUA, Paquistão, Afeganistão e Uzbequistão permitirá que os Estados Unidos explorem o PAKAFUZ com o objetivo de expandir sua própria influência econômica no país dilacerado pela guerra do qual se retirou militarmente, bem como no CARs. Em certo sentido, isso poderia ajudar a cumprir suas responsabilidades econômicas e financeiras para com o Afeganistão.
Irascibilidade indiana
Com respeito à Índia, é o único ator relevante além de algumas facções problemáticas dentro das burocracias militares, de inteligência e diplomáticas permanentes dos EUA (“ estado profundo ”) capazes de estragar a situação no Afeganistão. Embora suas chances de sucesso sejam pequenas, isso não significa que ainda não possa tentar se ficar desesperado o suficiente. A fim de evitar esse cenário, a Rússia gostaria idealmente de incorporar a Índia à Troika Estendida para que ela defendesse com mais segurança seus interesses econômicos no Afeganistão, sem potencialmente voltar a desestabilizar as operações clandestinas destinadas a atiçar as chamas da guerra por procuração contra o Taleban.
Mediação de Moscou
É provavelmente por isso que Kabulov trouxe essa proposta durante a última conferência virtual do Valdai Club. A Rússia quer que a Índia converse com o Taleban o mais rápido possível e provavelmente facilitaria essa interação se solicitada por Nova Déli, já que recentemente cultivou excelentes laços políticos com o grupo, apesar de ainda oficialmente designá-los como terroristas. O objetivo ao fazer isso é evitar que a Índia fique desesperada o suficiente para salvaguardar seus interesses econômicos a ponto de considerar seriamente a continuação de sua guerra por procuração anti-Talibã. O pior cenário pode inesperadamente lançar um obstáculo nos grandes planos estratégicos da Rússia para o Afeganistão.
Bases da Intel antiterrorista conjunta da Rússia e dos EUA
O elefante na sala que Kabulov não mencionou foi a reportagem do último fim de semana do respeitável jornal de negócios russo Kommersant, alegando que o presidente Putin ofereceu a seu homólogo americano o uso conjunto das bases de seu país na Ásia Central para obter anti-derivados de drones. – inteligência terrorista no Afeganistão. O porta-voz presidencial Dmitry Peskov curiosamente se recusou a confirmar ou negar este relatório quando questionado anteriormente sobre ele, o que implica fortemente algum elemento de credibilidade para ele, uma vez que o Kremlin quase sempre nega notícias falsas nos termos mais fortes possíveis imediatamente após sua propagação.
Acomodando os interesses compartilhados da América
Presumindo que provavelmente seja verdade com base na reação pública de Peskov, isso significa que a Rússia está disposta a acomodar pragmaticamente os interesses comuns dos Estados Unidos na região. Embora o acordo de base conjunta relatado envolva inteligência anti-terrorista derivada de drones sobre o Afeganistão, este espírito de cooperação também presumivelmente se estende aos seus interesses econômicos e financeiros relacionados à reconstrução do Afeganistão pós-guerra por meio do potencial de conectividade da PAKAFUZ. Como o Paquistão e o Uzbequistão são as âncoras desse projeto, essas observações sugerem que esses novos parceiros estratégicos são de igual importância para os interesses russos e americanos hoje em dia.
Incorporando a Índia ao processo de paz
A Índia provavelmente já percebeu isso agora, o que provavelmente contribui para seus temores recém-descobertos de que está se tornando cada vez mais irrelevante na formação de eventos no estado-pivô afegão, que fica estrategicamente no meio do espaço da Ásia Central e do Sul da Ásia. Com as costas contra a parede, Nova Déli pode ir sozinha para dobrar sua guerra por procuração anti-Talibã, apesar de haver poucas chances de sucesso e uma chance muito maior de provocar contraproducente a ira dos parceiros, ou pode finalmente chegar ao Taleban como Kabulov sugeriu (e talvez com a mediação de Moscou) para restaurar sua relevância.
Pensamentos Finais
Conectando esses objetivos políticos explícitos e não declarados, pode-se concluir que a Rússia deseja uma solução política para a Guerra Civil Afegã o mais rápido possível. Extraoficialmente, considera o Taleban um aliado antiterrorista, mas pode estar preocupado que qualquer potencial perpetuação da guerra por procuração da Índia contra o grupo possa desestabilizar ainda mais o país e, inadvertidamente, encorajar o ISIS-K e outros grupos terroristas. Ao acomodar simultaneamente os interesses econômicos, financeiros e antiterroristas compartilhados dos EUA e da Índia no Afeganistão, a Rússia espera se antecipar ao pior cenário possível e, assim, facilitar um futuro em que a PAKAFUZ reconstrua o país e beneficie a todos.
* Andrew Korybko — analista político americano
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Pode um país ficar refém de interesses privados?
Posted: 22 Jul 2021 12:20 PM PDT
A angústia dos trabalhadores da Groundforce e a incerteza relativamente ao futuro resultam da falta de vontade política de nacionalizar uma empresa essencial a um sector estratégico para o País.
Já vai longa a novela da maior empresa de handling em Portugal, de quem Alfredo Casimiro se tornou accionista maioritário em 2012, tendo recebido 7,6 milhões de euros em comissões de gestão antes de pagar 3,7 milhões de euros pela maioria de capital, em 2018. Mas, se o negócio foi bom para o fundador da transportadora Urbanos, o mesmo não podem afirmar os trabalhadores da Serviços Portugueses de Handling (SPdH)/Groundforce, cuja actividade é fundamental para o funcionamento da TAP e, consequentemente, para o desenvolvimento do País.
No espaço de um ano, a empresa já despediu mais de mil trabalhadores que prestavam serviço através de contratos a termo ou empresas de trabalho temporário. O quotidiano dos que ficaram tem sido preenchido com atrasos no pagamento dos salários, apesar do aumento da actividade registado com o regresso da actividade aeroportuária. De forma unilateral, a empresa decidiu pagar o salário de Junho em 65% no devido tempo e o restante até 15 de Julho. Este fim-de-semana, os trabalhadores disseram basta aos vários incumprimentos e atropelos aos seus direitos.
A greve de dois dias ocupou os noticiários, mais com imagens referentes aos constrangimentos vividos pelos passageiros, do que com a justeza das reivindicações que levaram à paragem da actividade. Entretanto, o representante dos patrões do turismo, sector alicerçado por excelência na política de baixos salários e na precariedade, já veio dizer que esta greve «não podia ter acontecido» e que a marcada para o final do mês «não pode acontecer», independentemente da situação dos trabalhadores da Groundforce.
Mais do que condicionar o direito à greve dos que vivem do seu salário, importa resolver os problemas de uma empresa cuja actividade, reconhece Francisco Calheiros, é fundamental para o sector do turismo, para além da ligação às comunidades portuguesas e da dinamização de outros sectores. Sendo estratégica para a economia nacional, apesar de agora o seu destino andar pelas mãos do Montepio, cabe ao Governo tomar a opção de a nacionalizar. Afinal de contas, porque há-de o País estar refém de interesses privados em matérias fundamentais para o seu desenvolvimento e soberania?
Ouvido esta manhã no Parlamento, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, argumentou que o Governo não avançou com a nacionalização da Groundforce para evitar «o risco de litigância» e eventual indemnização. Mas a análise deve partir sempre de outros pressupostos, tendo em conta as garantias para os trabalhadores e para o País. Veja-se o exemplo da ANA Aeroportos, com centenas de milhões de euros de lucros anuais, que em vez de servirem a economia nacional vão para os cofres dos franceses da Vinci. Não faz sentido, pois não?
AbrilAbril | editorial | Imagem: Lusa
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Portugal | As superestrelas da Justiça
Posted: 22 Jul 2021 12:55 PM PDT
Rafael Barbosa* | Jornal de Notícias | opinião
Recordemos o que disse o juiz Ivo Rosa, do Tribunal Central de Investigação Criminal, no despacho sobre a acusação da Operação Marquês e, portanto, sobre a forma como avaliou o trabalho do Ministério Público, e em particular o procurador Rosário Teixeira (e de forma indireta o seu colega juiz Carlos Alexandre): há considerações de “pouco rigor e consistência”; diz-se que a acusação é “incoerente em termos cronológicos e lógicos”; que há crimes sem “qualquer elemento de prova”; que há uma “total incoerência”; e, finalmente, que os procuradores se basearam em “especulação e fantasia”.
Rosário Teixeira é igualmente truculento na resposta, vertida no recurso agora entregue ao Tribunal da Relação de Lisboa: acusa o juiz de usurpar as funções do Ministério Público; de criar uma nova narrativa, que distorce os factos e torna impossível fazer prova dos crimes em julgamento (por exemplo, ao afirmar que José Sócrates teria sido corrompido com dinheiro que já era seu); e, finalmente, cereja no topo do bolo, destaca a “ineptidão da pronúncia”. No fundo, responde na mesma moeda, acusando Ivo Rosa de incompetência e de, também ele, no seu despacho, ter mergulhado na especulação e na fantasia.
Este nível de acrimónia é relativamente usual, por exemplo, no debate político. Não deveria ser, mas é. E já todos o aceitamos como natural. No entanto, no âmbito de um processo judicial com o alcance deste, é surpreendente… e assustador. E inaceitável. Juízes, procuradores e advogados dos arguidos (sempre prontos para a fanfarronice) não sairão bem desta história. Ou seja, a Justiça não sairá bem desta história. O Estado de direito não sairá bem desta história. É assim que se põe em causa a democracia. Já não bastava termos um ex-primeiro-ministro a contas com suspeitas de corrupção, temos também ajustes de contas entre as superestrelas do processo judicial. É tudo demasiado mau.
*Diretor-adjunto
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A GUERRA DAS ESTRELAS
Posted: 22 Jul 2021 11:31 PM PDT
Joana Mortágua* | Jornal i | opinião
Isto anda tudo ligado – enquanto o combate às alterações climáticas for empurrado para as costas das nossas decisões individuais, as desigualdades vão levar a melhor.
O planeta está em guerra connosco e, convenhamos, é merecido. Décadas de poluição desenfreada, de políticas industriais e de mobilidade negligentes, de excesso de resíduos e de extrativismo tiveram o seu preço: temperaturas asfixiantes e vagas de incêndios no Canadá e nos Estados Unidos, inundações e mau tempo sem precedentes na Bélgica e na Alemanha, cheias na China. O caos climático está a provocar centenas de mortos, danos materiais incalculáveis e tenderá a aumentar os exércitos de refugiados climáticos.
A ofensiva é poderosa e desta vez atingiu o centro do poder, os países mais ricos. É por isso de esperar que surjam mudanças e até algumas políticas verdes. O problema é que é tudo demasiado lento e demasiado contraditório com o sistema económico e com as políticas orçamentais que nos têm governado.
Mudar a economia, a verdadeira transição energética e industrial, custa muito dinheiro e implica necessariamente quebras nas taxas de lucro. É uma transformação social que não se suporta mercados especulativos nem pode estar dependente de investimentos privados, precisa de um impulso público e de políticas de inovação tecnológica, proteção de emprego e proteção social.
Isto anda tudo ligado – enquanto o combate às alterações climáticas for empurrado para as costas das nossas decisões individuais, as desigualdades vão levar a melhor. A chave está em dar-lhes luta ao mesmo tempo: mão forte para travar a agricultura intensiva, a monocultura do turismo e as indústrias poluentes; capacidade para direcionar o investimento para setores sustentáveis; poderosas políticas políticas para financiar a educação e o desenvolvimento científico, a proteção social o e controlo democrático de setores estratégicos como a energia.
Mas como financiar tudo isto? Em primeiro lugar, grandes reformas fiscais e uma revisão profunda dos “travões” orçamentais que criminalizam o investimento público através de metas de défice e de dívida pública. Mas também não chega. Continuará a existir um abutre a pairar sobre o investimento público chamado sistema financeiro, sempre disposto a especular sobre um novo produto estruturado de risco incerto ou a cortar as vazas a um país inteiro. A Alemanha pode conseguir financiar as suas políticas ambientais a baixo custo mas a crise ambiental, tal como o capital, não conhece fronteiras.
Que o digam os multimilionários que andam a brincar à conquista da termosfera, investindo milhões no desenvolvimento de naves espaciais para passear no espaço. Talvez Richard Branson (Virgin) ou Jeff Bezos (Amazon) tenham perdido a esperança na sua própria espécie – a dos capitalistas – e andem à procura de um planeta B onde se possam refugiar. Ou talvez tenham apenas encontrado uma nova oportunidade de negócio. O que é certo é que o turismo espacial deixou de ser tema de ficção científica e está prestes a transformar-se numa indústria de luxo. Prevê-se que o primeiro hotel espacial orbital esteja pronto até 2025.
“Visionários”, dirão os liberais, cheios de inveja, ao ver o lançamento de um foguetão que polui tanto como 395 voos transatlânticos só de ida. “Mas é o preço a pagar pela ciência e pelo bem comum, e eles pagam-nos com o próprio dinheiro”, responderão. Não é bem assim. Bem comum seria a Amazon pagar impostos pelos 44 mil milhões de euros em receitas líquidas que teve na Europa, ou não enriquecer à custa de maus tratos e da brutal exploração dos seus trabalhadores. Bem comum foi o investimento público que deu origem aos conhecimentos tecnológicos que os multimilionários agora desenvolvem para conquistar o mercado espacial.
A nova guerra das estrelas não passa de uma excentricidade de homens muito ricos. Cá em baixo a guerra é outra e eles estão do lado errado, do que nos ataca.
*Deputada do Bloco de Esquerda
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Israel-Palestina: Colonatos são “anexação ilegal”, diz Parlamento de Portugal
Posted: 23 Jul 2021 12:14 AM PDT
Parlamento português recomenda ao Governo que classifique colonatos israelitas na Palestina como “anexação ilegal”
Projeto de resolução do BE relembra que de acordo “com a Quarta Convenção de Genebra e o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, a construção de colonatos constitui crime de guerra e uma grave violação do Direito Internacional humanitário”
A Assembleia da República aprovou esta quinta-feira uma resolução do BE que recomenda ao Governo português que classifique os colonatos israelitas na Palestina como “anexação ilegal de facto desse território”.
A votação da iniciativa estava prevista para terça-feira desta semana, no parlamento, mas acabou por ser adiada, depois de o Bloco de Esquerda ter pedido que a votação fosse feita por pontos.
O primeiro ponto, que recomenda ao Governo que “classifique os colonatos israelitas na Palestina como anexação ilegal de facto desse território”, contou com os votos contra do CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal, abstenções de PS e PSD e votos a favor dos restantes partidos e deputadas não inscritas e ainda nove deputados socialistas: Isabel Moreira, Jamila Madeira, Carla Sousa, Maria Begonha, Miguel Matos, Bacelar Vasconcelos, Joana Sá Pereira, Joël Gomes e Pedro Delgado Alves.
Já o segundo ponto, que recomenda ao executivo que “ponha fim a todos os acordos celebrados com Israel que incidam sobre aqueles territórios, a sua população e os seus recursos”, contou com votos contra de PSD, CDS-PP, Chega e IL e votos favoráveis das restantes bancadas.
No texto, que não tem força de lei, os bloquistas referem que “há mais de meio século que o povo palestiniano vê o seu território ocupado e os seus direitos fundamentais, coletivos e individuais, negados”.
“A realidade de casas arrasadas, de famílias desmembradas, de muros a dividir comunidades, de caminhos intercetados por sucessivos ‘checkpoints’ que retêm e humilham, mantém-se incólume. Enquanto isso, assiste-se a uma clara expansão dos colonatos pelo governo israelita, ignorando as regras básicas do Direito Internacional e deliberações vinculativas das Nações Unidas e violando, reiterada e gravemente, os direitos humanos da população palestiniana”, escrevem.
O BE aponta que “a política de edificação de colonatos continua a ser a principal causa de violações dos direitos humanos contra os palestinianos e tem sido um dos principais entraves à materialização da solução de dois Estados prevista nos acordos de paz de Oslo”.
“O caso mais flagrante deste cenário de expansionismo e incorporação reiterada de uma entidade territorial e geopolítica prende-se com a ocupação de Israel na Cisjordânia palestiniana, que desde 1967 forçou a transferência ilegal, do ponto de vista do Direito Internacional, de mais de 600 mil cidadãos israelitas para os 200 colonatos estabelecidos ilegalmente naquele território”, apontam.
O BE relembra ainda que, “de acordo com a Quarta Convenção de Genebra e o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, a construção de colonatos constitui crime de guerra e uma grave violação do Direito Internacional humanitário”.
“Impõe-se, por isso, considerar que o deslocamento forçado da população palestiniana e a presença e expansão dos colonatos israelitas que vêm tendo lugar não apenas nas últimas semanas, mas ao longo de décadas, minam quaisquer perspetivas de paz naquela região do Médio Oriente”, argumentam.
Na opinião dos bloquistas, tendo por base estes dados “e porque o estabelecimento de uma paz justa e duradoura exige o enfrentamento da pobreza, da desigualdade, da injustiça e das causas subjacentes desses ciclos de violência, além de uma responsabilização significativa pelas violações do Direito Internacional”, a “classificação dos colonatos israelitas como expressões de anexação não só melhor representa os factos tidos naquela região, como vincula todos os Estados a tirarem daí as devidas consequências, designadamente a ilegitimidade de todos os acordos com Israel que incidam, de alguma maneira, sobre os territórios anexados”.
O conflito israelo-palestiniano remonta à fundação do Estado de Israel, cuja independência foi proclamada em 14 de maio de 1948.
Expresso | Lusa
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