ATERRAR NO PICO

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Luis Ferreira posted in 2 groups.
Parabéns ao comandante e toda a tripulação da Sata Azores Airlines (S4141) entre Lisboa e o Pico e da Sata Air Açores (SP430) entre São Miguel e o Pico, de hoje, quarta-feira 30 de março, pela aproximação e aterragem hoje na ilha do Pico.
Hoje no Pico, as condições meteorológicas não eram as melhores dado o nevoeiro e tetos baixos persistentes que se faziam sentir na zona do aeroporto.
Ambos os voos aguardaram por melhoria do tempo, com esperas por cima de São Jorge.
Neste caso, o sistema por aproximação ILS para a pista 27 (lado de São Roque) fez a diferença o que demonstra a sua importância na melhoria de operacionalidade e segurança. O mesmo agora deve ser feito para a pista 09 (lado Madalena) com implementação de aproximação por RNP.
Parabéns ao comandante e toda a tripulação da Sata Azores Airlines (S4141) entre Lisboa e o Pico e da Sata Air Açores (SP430) entre São Miguel e o Pico, de hoje, quarta-feira 30 de março, pela aproximação e aterragem hoje na ilha do Pico.
Hoje no Pico, as condições meteorológicas não eram as melhores dado o nevoeiro e tetos baixos persistentes que se faziam sentir na zona do aeroporto.
Ambos os voos aguardaram por melhoria do tempo, com esperas por cima de São Jorge.
Neste caso, o sistema por aproximação ILS para a pista 27 (lado de São Roque) fez a diferença o que demonstra a sua importância na melhoria de operacionalidade e segurança. O mesmo agora deve ser feito para a pista 09 (lado Madalena) com implementação de aproximação por RNP.
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A PROPÓSITO DA CRISE SÍSMICA

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Enquanto São Jorge continua a viver o seu drama subterrâneo e avassalador, que a todos nos consome, como um fogo duplo de receio e compaixão, há um outro aspeto desta crise, perante a qual apenas nos resta rezar ou esperar, consoante o pendor individual de cada um, que talvez seja lateral, mas que, julgo, merece alguma reflexão, que é a resposta política e científica ao fenómeno.
Nos últimos anos, temos vivido debaixo do manto escuro da pandemia. O medo e, principalmente, o dogma pandémico enclausuraram as nossas vidas sob a capa da opressão e do ditame viral. Em face do desconhecido, virologistas e epidemiologistas, matemáticos e políticos, jornalistas, catastrofistas e todo o tipo de especialistas empenharam-se em subjugar os mais básicos e elementares fundamentos da Democracia, do Estado de Direito e, diria mesmo, da nossa Civilização, ao abrigo da ditadura da chantagem viral. Não vale a pena recuar e lembrar os inúmeros episódios desse teatro negro, que tomou conta do nosso dia-a-dia e cujo guião, ainda hoje, sobrevive em tantas pequenas coisas, como é o caso, absurdamente, das máscaras nas escolas. Todos carregamos na pele, de forma mais ou menos profunda, as cicatrizes da pandemia. Mas, hoje, à luz da imprevisibilidade omnipotente do chão planetário que pisamos, vale a pena pensar em como é diferente a atitude dos responsáveis perante os desígnios da natureza.
Virologia e Vulcanologia são ambas ciências, mas enquanto uma se quis arrogar a si a sapiência suprema sobre o desconhecido a outra, por força da sua própria natureza, assume a sua incapacidade, e natural impossibilidade, de prever, quanto mais determinar, os desígnios do magma, do sismo ou da erupção. É claro que a dimensão circunscrita da pequenez insular, comparada com a massificação global covidica, explica muito do que são as reações, tanto de especialistas, como de jornalistas, como dos decisores políticos. Há aqui como que uma espécie de recato, ou despercebimento, se quisermos, sobre a forma e o conteúdo do drama que nos assola. Um pouco até como as reações opostas aos conflitos em Africa em oposição à guerra na Ucrânia. O que uma tem de choro as outras tem de alheamento. O vulcão só se impõe sobre si próprio, não tem esfera de influência geoestratégica, nem se dissemina como um vírus ou uma crise de refugiados. E, mesmo os deslocados das Velas são apenas poucos milhares e não tocam piano e isso, para a excitação televisiva e a demagogia populista, faz toda a diferença.
Depois, e mesmo apesar do habitual histericismo do Professor Marcelo, atrevo-me a dizer que há aqui, também, uma dimensão individual, humana, que explica a diferenciação na forma como esta crise sismo-vulcânica de Manadas têm sido vivida. O facto de o principal responsável pelo aconselhamento do Governo ser uma pessoa como Rui Marques, que não conheço pessoalmente, mas que parece ser alguém ponderado, calmo, com uma honestidade e um desassombro impressionantes, permite perceber que a abordagem e o método na resposta a esta crise seja diametralmente oposta ao desvairado circo pandémico de má memória. Aliás, ao pé do inefável Tato Borges, Rui Marques é um paladino de bom-senso e de bom gosto.
Podemos, obviamente, sempre discutir se a informação é correta, ou suficiente, ou o porquê de os cientistas espanhóis divulgarem uma análise e uma opinião e os nossos outra, ou o facto de surgirem mais depressa no Twitter e outras redes sociais imagens e dados que o IPMA e o CIVISA quase nunca, ou nem chegam a divulgar. Mas, no fundo, fica-nos a certeza de que perante a inevitabilidade e imponência da natureza resta-nos pouco mais, a nós meros mortais, do que acudir-nos uns aos outros, com afeto, com emoção, com entreajuda, um abraço, um abrigo e, no fim, se for caso disso, esperança e reconstrução. E enquanto o destino não nos absorve irmos, assim, passo a passo, vivendo as nossas vidas o melhor que podemos…
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novo livro almeida maia

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Uma das inúmeras fotografias a que recorri durante a escrita do novo romance. O tema é a escravatura branca açoriana, no final do século XIX, quando as bofetadas davam azo a outro tipo de discussão. Novidades para breve, com a Cultura Editora. #livros
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Em tom muito mais pacifista do que o mundo à nossa volta, as novidades que trago são fruto do recente trabalho com a Cultura Editora: o novo livro está em fase final de revisões. Uma açoriana que abandona as Ilhas Adjacentes do Reino de Portugal para se aventurar no Império do Brasil dos finais do século XIX. Na foto, o Rio de Janeiro daquele tempo, da Coleção Princesa Isabel (domínio público). #almeidamaia
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AÇORES | Preços dos combustíveis continuam os mais baixos do país – Rádio Ilhéu

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O Governo Regional dos Açores decidiu reduzir o ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos) na Região, em 3 cêntimos no gasóleo rodoviário e em 2 cêntimos na gasolina

Source: AÇORES | Preços dos combustíveis continuam os mais baixos do país – Rádio Ilhéu

A BRETANHA DE SÃO MIGUEL

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Relativamente à Bretanha de S. Miguel, notam-se factos e fenómenos que justificam plenamente a equação do Topónimo em causa.
1º – nome “Bretanha”;
2º – vários outros topónimos de manifesta origem gaulesa;
3º – Apelidos e expressões na linguagem corrente;
4º – Disposição das habitações consideradas primitivas;
5º – O tipo dos moinhos de vento existentes naquela região;
6º – caracteres físicos e morais dos seus habitantes;
Ainda falando da Bretanha micaelense, o topónimo do lugar “João Bom”, atribuído a uma extremidade da freguesia, parece vir de “Jean de Bon” ou de “Jambon” (presunto). Oliveira San Bento (ilustre poeta micaelense do século XX já falecido) ouviu de um velho da Bretanha o nome de “beau lieu” atribuído a um lugar da freguesia. Além disso encontra-se ainda em antigos documentos os nomes de Alta Bretanha e Baixa Bretanha, como em França.
Algumas palavras de acentuadas características francesas na Bretanha micaelense como “intrumentable” e “trovar” a primeira significando coberta de mesa (chemin de table), e a segunda querendo dizer “encontrar” ou seja “trover”, são provas sólidas da presença linguística francesa nesta parte oeste de São Miguel.
A Bretanha é um centro importante de produção de inhames, os mais pequenos, os quais tomam ali o nome de “minhotos”, palavra que derivaria do francês “mignon” que significa “pequeno”. Além disso o “U” francês que caracteriza a pronúncia micaelense, tem na Bretanha um acento mais declaradamente francês.
Quando alguém na Bretanha micaelense bate à porta,ouve-se sempre de dentro da casa perguntar: “qui est lá”.
In: Costa, Carreiro da, Esboço Histórico dos Açores, Instituto Universitário dos Açores, pág, 77-79
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  • Antoine De Laborde Noguez

    Sou originario da Bretagne Francesa e cheguei a viver nos Açores 35 anos… Fiquei evidentemente muito surpreendido quando descobri a existencia do lugar da Bretanha na Costa norte da ilha de São Miguel. Forem historiadores que me explicarem a origina do nome na ilha. Houve uma implantação de uma comunaudade oriunda da Bretagne Francesa que se instalou em São Miguel, provavelmente em tempos proximos depois das primeiras instalações dos Portugueses na ilha de São Miguel que introduzirem a cultura do linho na região. Escolherem o lugar actual da freguesia da Bretanha para se instalar por se aproximar do tipo de ambiente que conheciem da suas terras natais.. Suponha se que a Fabrica do linho da Ribeira Grande, hoje extincta, é derivada deste processo de implantação. De facto o linho é uma cultura tradicional na Bretagne Francesa, e esta cultura sobreviveu até os anos 75/80 em S.M.até que fechou se as actividades desta fabrica… Tenho ainda comigo um casaco feito à medida com as ultimas peças saindas desta produção. Haverá muito mais para contar sobre à presencia dos Bretões nos Açores como por exemplo sobre a existencia misteriosa de uma familia “Capeto” no local, nome que parece estar derivado da dinastia ” des Capetiens” berco da familia real regente da França durante quase 700 anos a partir do IX seculo… Historia que não foi possivel comprovar até nossos dias, razão pela qual não irei aprofundar o tema…

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  • David Helenice Pimentel

    Gostei imenso deste post. Muitíssimo obrigado.
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  • Simone Aguiar

    Atençao que esse moinho nao fica no joao bom i sim na ajuda da bretanha

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    • Patrícia Andrade

      Não deixa de ser na Bretanha, e é disso que o texto fala.
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  • Alexandre São Miguel

    A pequena “Bretanha Francesa”. Excelente descrição histórica!
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  • Velma Coderniz

    Que maravilha!!!
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  • Lidia Martins

    Maravilha
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ASFALTO PRECISA-SE EM SANTA MARIA

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Não há alguém do governo ou câmara , que se lembre de dar asfalto nesse caminho!! Parece todo o terreno.. e uma vergonha as nossas estradas!! Pagar imposto de selo para andar nessas estradas vergonhosas,por toda a ilha estão assim … 😡🤬🤬
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  • Fernanda Valente

    calma estão em obras vão arranjar as estradas
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  • Ana Pereira

    Uma vergonha, que imagem degradante…!
    Com o Centro de empresas mesmo em frente e o Centro de formação da Sata,que linda imagem levam os formates da Sata!
    Querem as coisas ,mas as áreas envolventes é o que vê!!!!!!!
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  • João Cabral

    Essa estrada foi construída em mil novecentos e Sessenta e oito, pelo então grupo de José da Costa, ainda muitos anos resistiu sem mais nenhuma manutenção, essa estrada tem uma caixa de pedra com mais de quarenta cêntimos, um tapete de cinco cêntimos e…

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    • Jose Antonio Freitas Cabral

      João Cabral vi fazerem esta estrada. Neste tempo amigo João faziasse as coisas como deve ser. Por isso muito aguentou esta estrada. Agora fazem as coisas e dias depois estão arranjando. Ainda à pouco tempo arranjaram a estrada do quartel e já nec…

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      • João Cabral

        Jose Antonio Freitas Cabral Não quero ofender ninguém mas já não há quem saiba trabalhar em trabalhos com aquela pequena equipa de manutenção, formada por José da Costa, Henrique Medeiros, o Sr. Luis Reis, José Batista Luís Freitas Sousa, o José Custód…

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      • António Carlos Botelho Sousa

        João Cabral uma grande equipa e com grandes responsáveis que, sem engenharias, fiscalizavam todo o trabalho que não podia ficar mal feito ou aldrabado.
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      • João Cabral

        António Carlos Botelho Sousa É verdade grandes trabalhadores, e sempre também aconpanhados pelo Senhor Gigante, um grande fiscal, trabalhei como pedreiro na construção da Central eléctrica do Aeroporto, o Senhor Gigante é que foi o fiscal daquela obra …

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  • Jose Dinis Resendes

    Caro amigo João, És um repositório histórico que vale a pena preservar, porque senão muitos ficam com amnésia ou não têm conhecimento de facto. Um grande abraço
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    • João Cabral

      Jose Dinis Resendes Para fique mais exclrarecido, foi no tempo da DGAC e sobre o Comando do teu Sogro Senhor Fernando Rognes Peres, o mais conpetente chefe que houve nas oficinas gerais do Aeroporto de Santa Maria
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  • Dinarte Rodrigues

    Não deixem todo este património ruir á míngua de cuidados mínimos á que preservar o que de bom temos…🙂
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  • Paula Magalhães

    Realmente vergonhoso!! 😠
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  • Pedro Luz Cambraia

    Era para arranjar depois de concluída a obra da incubadora. Entretanto já passaram dois anos e nad
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  • Hugo Ferreira

    Bergonha!!
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  • Luís Botelho

    Desde há muito que Santa Maria, no que se refere a necessidades mais prementes, existem duas que merecem uma atenção especial, ou sejam:- A) o abastecimento em condições de ÁGUA, um bem essencial para a vida; e, B) a conservação e/ou reparação da sua R…

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  • Joseph Medeiros

    Eu vou aí todos os anos de férias dois o três meses e vejo as estradas quase sempre da mesma maneira.
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  • Beverley Braga

    Nós igualmente
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SANÇÕWES AO CATAR

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à ÇÕ ….? «»!?
– Este ano vai decorrer o Mundial de Futebol naquele pequeno país árabe do Golfo Pérsico….
– Toda a gente sabe como é que este grande «colosso» do futebol mundial conseguiu a realização do campeonato no seu território…
– Mas o pior não é isto – este pequeno país tem sido um dos grandes financiadores do fundamentalismo islâmico no Mundo, desde Estado Islâmico, Al Quaeda e outros grupos terroristas..
– Porque é que os EUA, a UE, o G7, Portugal, etc, não aplicam sanções financeiras e diplomáticas a este país, um ninho de cleptocratas, oligarcas e torcionários?
Why, pergunta o meu gato…
@ Ryc
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Most relevant

  • Frank-Sue Leal

    Tudo farinha do mesmo Saco.Só show para a Propaganda!Dinheiro e Poder há vista.Viva a Democracia há Força da Conveniência!

PUTIN QUER RECRIAR A URSS

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GUERRA NA UCRÂNIA
PUTIN QUER RECRIAR O IMPÉRIO RUSSO, Não A UNIÃO SOVIÉTICA
Diz o biógrafo de Vladimir Putin nesta ter., 29 de março de 2022 11:44 AM
Vladimir Putin é um dos políticos mais midiáticos das últimas décadas e, ao mesmo tempo, um dos mais enigmáticos.
O que está por trás do homem que desencadeou uma crise global? O que o motiva? A quem alguém com tanto poder respeita?
O jornalista Steven Lee Myers trabalhou sete anos como correspondente do jornal americano The New York Times em Moscou. Durante este tempo, pôde conhecer e entrevistar Vladimir Putin, assim como analisar sua ascensão no poder.
O que move Putin? Agentes estrangeiros tentam entender mente do líder russo
Guerra da Ucrânia: as medidas de segurança extremas para proteger Putin
Em entrevista à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, Myers descreve Putin como alguém para quem a ordem e a estabilidade são muito importantes, com um compromisso “quase religioso” com seu país e que guarda ressentimentos em relação ao Ocidente.
Na conversa, Myers diz o que motiva Putin, o que se sabe sobre seu círculo mais próximo e que cenários podem estar à sua espera na guerra com a Ucrânia.
Myers, autor da biografia O novo Czar: ascensão e reinado de Vladimir Putin, é atualmente editor-chefe da redação do jornal The New York Times em Pequim.
Steven Lee Myers
Steven Lee Myers teve vários encontros com o presidente russo
BBC News Mundo -Você se referiu a Putin como “alguém que sempre vence”, o que você quer dizer?
Steven Lee Myers – Quero dizer que, durante os 22 anos em que ele tem estado no poder, houve várias vezes em que as pessoas pensaram que este homem não conseguiria sobreviver aos desafios que precisou enfrentar.
Inicialmente, foi a guerra na Chechênia. Em seguida, foi recebido com protestos quando voltou à presidência depois de exercer o cargo de primeiro-ministro. Houve protestos em massa. A certa altura, havia um milhão de pessoas nas ruas de Moscou. As pessoas diziam: “Como é possível sobreviver a isso?”
Depois, após a anexação da Crimeia em 2014, a economia russa sofreu muito. O valor do rublo caiu drasticamente e nunca se recuperou. No entanto, Putin conseguiu permanecer no poder e, de certa forma, conseguiu seguir sendo uma figura forte.
Então é isso que quero dizer, até agora, Putin conseguiu decepcionar aqueles que têm a expectativa de que ele se veja obrigado a deixar o poder.
Chechênia, 1994
Chechênia, 1994
BBC News Mundo -Como é um encontro cara a cara com Putin?
Myers – Depende muito da pessoa e talvez também das circunstâncias. Quando o conheci, estava cobrindo a Rússia há algum tempo, então eu já estava bastante familiarizado com ele. Ele é muito bom de papo, algumas pessoas atribuem isso à sua carreira na KGB. Chega às suas reuniões extremamente bem preparado.
É capaz de se lembrar de estatísticas e falar sobre vários assuntos com um nível de detalhe incrível, de forma espontânea, sem anotações. É uma pessoa bastante perspicaz, e também pode ser um pouco irritável, temos visto seus ataques de raiva, suas explosões. Ele sempre teve, mas parece que agora tem mais.
Veja o discurso dele alguns dias atrás, em que usou palavras como “escória” e “traidores”. Este tipo de linguagem sempre pontuou seus comentários, mas parece estar mais marcante agora do que antes.
Mas olha, algumas pessoas o conhecem e ficam encantadas com esse estilo, com a forma como se envolve na conversa, faz você se sentir ouvido. Pessoas que o conhecem muito mais do que eu, como Angela Merkel, por exemplo, disseram a Obama durante a crise da Crimeia que Putin vivia em outro mundo.
Um conselheiro de Macron disse há alguns dias algo semelhante. Então, eu acho que há essa sensação de que Putin é, não digamos delirante, mas que simplesmente vê o mundo de uma perspectiva diferente das pessoas que lidam com ele.
Angela Merkel e Vladimir Putin reunidos em Moscou em 2020
Angela Merkel e Vladimir Putin reunidos em Moscou em 2020
BBC News Mundo -Há algum evento na infância ou juventude de Putin que tenha marcado sua visão de mundo?
Myers – Há várias coisas… Começo meu livro falando sobre o pai de Putin e sua experiência na Segunda Guerra Mundial. Ele foi um soldado que lutou no cerco de Leningrado, um conflito absolutamente horrendo em que milhões de pessoas morreram.
A guerra atingiu quase todas as famílias da União Soviética, e isso permanece na memória histórica de sua cultura até hoje. Acho que, de certa maneira, não nos damos conta de que o único país que teve um nível semelhante de destruição foi a própria Alemanha.
Ele cresceu em uma época em que a União Soviética começou a prestar homenagem a este esforço. A União Soviética, Stálin, não importa o que você pense deles, derrotaram a Alemanha nazista. É preciso dar crédito a eles por isso.
Acredito que essa experiência, essa mitologia em torno da guerra, é algo com que Putin cresceu e é fundamental para seu caráter. Há também uma história que ele mesmo conta, e não se sabe o quanto dela é verdade.
Ele fala sobre um livro e uma série de 1968 chamada O Escudo e a Espada. Era uma série de guerra em que havia um personagem que era como um espião infiltrado no exército nazista e que ajudou a vencer a guerra.
Putin adorou a série e disse que ficou tão emocionado que imediatamente tentou se alistar na KGB, mesmo ainda sendo muito jovem. Então, isso fazia parte de sua ideia de servir a esta grande causa contra os nazistas, que, como temos visto, também faz parte de seu discurso na guerra de hoje contra a Ucrânia.
Putin
Documento de identificação de Putin na Stasi, 1985
BBC News Mundo -O que motiva Putin, o que o move?
Myers – Muita gente pensa erroneamente que Putin está tentando recriar a União Soviética. Acho que não é isso que o motiva.
Acho que ele tem uma obsessão particular pela Ucrânia. Isso tampouco é novidade. Remonta ao início de seu mandato na presidência e vem à tona sempre que a Ucrânia parece sair da órbita da Rússia.
Não é simplesmente que a Ucrânia vai aderir à Otan. É mais complicado do que isso. Acho que ele vê a Ucrânia literalmente como parte do Estado russo.
Em 2008, Putin disse a George Bush que a Ucrânia nem sequer era um país, e no ano passado ele repetiu isso no ensaio e no discurso que fez como prelúdio deste conflito.
Não acho que ele queira recriar a União Soviética, acho que ele quer recriar algo muito mais antigo: o Império Russo.
Algumas das declarações que ele deu nos últimos dias evocam de alguma forma um senso de missão sagrada, para defender o estado sagrado russo de uma maneira quase religiosa.
As origens da ortodoxia russa remontam ao que hoje é a Ucrânia, e pode-se dizer que o estado russo nasceu a partir da Ucrânia. Portanto, ele não vê a Ucrânia como um país distinto, mas como algo integrado à Rússia.
BBC News Mundo -Você retrata Putin como alguém para quem a estabilidade e a ordem são muito importantes. Como isso se reflete em sua maneira de agir?
Myers – Não pretendo fazer uma análise psicanalítica, mas ele é muito meticuloso. Cuida da alimentação, é abstêmio, se exercita obsessivamente, ou pelo menos costumava ser assim. Não sei como tem sido nos últimos dois anos.
Você vê esse senso de disciplina nele. E outra coisa que me impressionou, embora não seja algo novo, é algo que se viu desde o início: o desdém ou medo que ele sente em relação ao que considera o mandato das multidões, ou seja, a democracia.
A democracia pode ser caótica em alguns momentos, envolvendo paixões, disputas e protestos. Mas, em sua mente, estas são ameaças ao Estado. Ele viveu isso quando era agente da KGB na Alemanha Oriental, e o Muro de Berlim caiu enquanto ele estava lá. Uma multidão invadiu as instalações da Stasi (o serviço de segurança estatal da Alemanha Oriental) em Dresden, onde Putin estava servindo. Tentaram até ocupar o escritório da KGB onde ele estava naquela noite. Acho que isso o marcou.
Toda vez que você o ouve falar sobre protestos, ele não acha que pode haver uma emoção genuína de pessoas que buscam justiça ou tentam fazer com que suas vozes sejam ouvidas.
Ele os vê como rebeldes, como hordas tentando derrubar a ordem estabelecida.
Escritório da KGB em Dresden durante a Guerra Fria
Este era o escritório da KGB em Dresden durante a Guerra Fria
BBC News Mundo -Quem Putin respeita?
Myers – Passei os últimos cinco anos observando a relação entre Putin e Xi Jinping (presidente da China), vendo como esta relação cresce e se aprofunda.
Em uma de suas últimas reuniões, me chamou a atenção o quão deferente, inclusive obsequioso, Putin é com Xi, enquanto em reuniões com outros líderes ou até mesmo com sua própria equipe, Putin é visto com uma postura arrogante, sentado com as pernas abertas e com um olhar acusador.
Barack Obama disse uma vez que Putin se parecia com o típico estudante entediado sentado no fundo da sala de aula. E acho que Putin se comportou assim com Obama porque não gostava dele.
Mas você pode realmente ver a diferença com as pessoas que ele respeita, e Xi é definitivamente uma dessas pessoas.
Recentemente, conversei com um analista russo que também acompanha de perto a relação Rússia-China, e ele me disse que, pelo menos até pouco tempo, Putin era respeitoso com Biden. Isso me surpreendeu, dado o quão tensa é a relação.
Mas, fora isso, Putin é conhecido por deixar as pessoas esperando por horas, seja para entrevistas ou reuniões de trabalho importantes. Algumas pessoas dizem que isso faz parte de suas táticas psicológicas, não sei, mas é um sinal de sua arrogância.
Nas reuniões com Xi, ele é pontual.
Vladimir Putin e Xi Jinping
Putin e Xi Jinping reunidos em 4 de fevereiro de 2022, em Pequim
BBC News Mundo -Tem havido muita especulação sobre como a pandemia e o isolamento durante estes dois anos podem ter afetado a saúde mental de Putin. Você sabe alguma coisa sobre isso?
Myers – A melhor coisa que li sobre isso é um artigo escrito por Mikhail Zygar. Zygar escreve que desde o início da pandemia Putin nem sequer está hospedado em sua casa nos arredores de Moscou, mas em outra residência oficial, entre Moscou e São Petersburgo. Faz videoconferências de lá para evitar o risco do coronavírus.
Mas, neste artigo, Zygar menciona uma das pessoas que tem estado lá com Putin. Ele se refere a Yuri Kovalchuk, um de seus amigos próximos, conhecido como “o banqueiro de Putin”. Kovalchuk faz parte do círculo íntimo de Putin, não apenas a nível de governo, mas pessoal. Ambos compartilham esta visão quase religiosa da Rússia e do conflito com o Ocidente.
Zygar, como todos nós, especula sobre que tipo de conselho Putin está recebendo e o que está acontecendo em seu círculo mais próximo, mas me parece bastante persuasivo seu argumento de que Kovalchuk tem sido o único nessa bolha nos últimos dois anos, ou pelo menos um dos poucos a fazer parte dela.
BBC News Mundo -O que se sabe sobre sua família?
Myers – Ele é divorciado, e sabemos muito pouco sobre sua vida pessoal além disso.
É avô, tem pelo menos dois filhos, e há rumores de que tem outros. Não está claro quanto tempo dedica a passar com eles.
BBC News Mundo -Neste momento, Putin é visto como vilão pelo Ocidente. Há alguma possibilidade de que no Ocidente haja uma visão reducionista ou maniqueísta dele?
Myers – Acho que há uma espécie de caricatura de Putin, quase como se ele fosse um personagem de desenho animado ou um vilão de James Bond. As pessoas dizem “ah sim, ele foi um agente da KGB” — e, sim, ele foi, mas é apenas uma parte de sua vida. Ele nunca foi um James Bond em serviço. Não era um agente disfarçado, não fazia operações secretas. Era mais um oficial de inteligência coletando informações, que é o que a maioria deles faz. Às vezes, sinto que exageramos sua ameaça dessa maneira caricatural.
Dito isto, Putin mostrou claramente disposição para lançar uma grande invasão sobre um país soberano. Isso não acontece com muita frequência sem algum tipo de justificativa internacional, para além daquilo que se pensa da guerra no Iraque. Os Estados Unidos e seus aliados usaram um fórum internacional e a lei para justificá-la. Putin não fez nada disso. A última vez que vimos uma invasão como esta foi quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait em 1990.
Então, quando digo que exageramos sua vilania, não estou tentando subestimar o que aconteceu.
Kharkiv
A cidade de Kharkiv foi um dos alvos dos ataques russos durante a invasão à Ucrânia
BBC News Mundo -Putin tem algum ressentimento em relação ao Ocidente?
Myers – Acho que o ressentimento e o agravo é o que tem motivado tudo isso. Ele tem a sensação de que o Ocidente está tentando manter a Rússia sob controle, e que os EUA estão orquestrando tudo isso para destruí-los e roubar suas riquezas.
Esse tem sido o tema de suas declarações durante anos.
No entanto, quando ele chegou pela primeira vez ao poder, houve uma tentativa genuína de sua parte de manter ou até mesmo melhorar as relações com os EUA e a Europa.
Durante seus dois primeiros mandatos presidenciais, Putin manteve boas relações com Berlusconi na Itália e com o ex-chanceler Gerhard Schroeder na Alemanha, de quem se tornou amigo pessoal e que depois foi contratado por uma empresa estatal russa.
Então, nem sempre foi como é agora, mas acho que definitivamente com o caso dos EUA e da Otan, e obviamente toda a coisa da Ucrânia, as revoltas populares e a Revolução Laranja em 2014, Putin chegou a essa visão sombria do Oeste. Acho que tudo se resume a essa sensação de que a Rússia é uma grande potência e que a Otan está simplesmente empenhada em destruí-la.
Protestos na Praça da Independência de Kiev, conhecida como Maidan, em 14 de dezembro de 2013
Protestos na Praça da Independência de Kiev, conhecida como Maidan, em 14 de dezembro de 2013
BBC News Mundo -Se Putin sempre vence, ele pode vencer esta guerra?
Myers – Obviamente não posso fazer previsões, mas é difícil para mim ver como a Rússia pode sair vitoriosa.
Mesmo que consiga conquistar a Ucrânia e instalar um governo e regime militar, parece que não tem os meios para isso.
Mesmo que consiga fazer isso, ainda terá que enfrentar o isolamento e a condenação mundial que enfrenta hoje.
Muita gente diz que a China está do lado dele, e é verdade que a China não está criticando a invasão, mas a China não está confortável com essa situação.
Ele está encurralado, e há sinais de que ele está procurando uma maneira de sair disso. É difícil imaginar, dadas as consequências, não apenas para ele, mas para toda a Rússia, que ele possa triunfar.
BBC News Mundo -Como você acha que Putin quer ser lembrado?
Myers – Acho que ele gostaria de ser visto como o homem que devolveu a grandeza à Rússia.
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