BRASIL E PORTUGAL uma tese de CARLOS FINO

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“PORTUGAL-BRASIL: RAÍZES DO ESTRANHAMENTO” SUSCITA POLÉMICA
Acabei de enviar o texto que segue ao Jornal de Notícias, com pedido de publicação ao abrigo do direito de resposta consagrado na Lei de Imprensa:
Portugal – Brasil: o estranhamento incontornável que alguns se recusam a ver
Por Carlos Fino 22/01/07
Em artigo de opinião neste jornal, José Manuel Diogo afirma que o estranhamento entre Portugal e Brasil – tema da minha tese de doutorado agora publicada em livro – “nunca existiu”.
Na sua opinião, eu teria partido de uma convicção indemonstrável com base numa amostra fraca e, em vez de ter tido a coragem de recuar e escolher outro tema, avancei para concluir o que não podia ser concluído – a saber, que existe um estranhamento entre Portugal e o Brasil, que o Brasil não valoriza a herança lusitana e os portugueses menosprezam o Brasil.
Pelo conteúdo dos cinco parágrafos em que o autor tenta desvalorizar uma investigação de vários anos expressa ao longo de 500 páginas, avalizada por duas universidades – a do Minho e a de Brasília – percebe-se que JMD não leu a tese, limitando-se a expor, com a ousadia de quem não conhece, uma opinião pré-formada contrária às conclusões que apresentei.
Se tivesse lido, teria percebido que eu não tentei demonstrar a existência de estranhamento entre Portugal e o Brasil – facto por demais conhecido – mas sim entender, com base em ampla investigação histórica, os porquês dessa realidade omnipresente que ele se recusa a ver.
De caminho, ainda me acusa de pretender “sensacionalismo fácil” e inoportuno sobre tema de relevância nacional e bilateral, no preciso momento em que se assinalam os 200 anos da independência do Brasil, como se as celebrações oficiais fossem impedimento da investigação e não, como é óbvio, um estímulo suplementar ao debate sobre tema tão relevante.
Em resumo – JMD faz exatamente aquilo de que me acusa – defender uma opinião sem fundamento. Numa coisa, porém, estamos de acordo: “Às vezes é muito melhor ficar calado”.
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Carlos Fino

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UMINHO – COMUNICADO À IMPRENSA
Carlos Fino publica em livro tese doutoral defendida na UMinho
sexta-feira, 07/01/2022
O jornalista Carlos Fino, que foi correspondente da RTP em Moscovo, Bruxelas e Washington, acaba de lançar o livro “Portugal-Brasil: Raízes do Estranhamento”.
Editada pela Lisbon Press, a obra de 500 páginas é fruto da sua tese de doutoramento em Ciências da Comunicação na Universidade do Minho, em conjunto com a Universidade de Brasília.
Apesar do sempre reiterado discurso político-diplomático sobre os “laços de sangue e de amizade”, Carlos Fino – na sequência de outros autores que se debruçaram sobre o relacionamento bilateral – considera haver “um estranhamento” mútuo, impedindo o aprofundamento das relações: os portugueses tendem a subvalorizar o Brasil, enquanto o Brasil alimenta, desde a independência, há 200 anos, um antilusitanismo que se prolonga até hoje nos livros didáticos e nos média. Um sentimento que, diz, de tão repetido, se naturalizou, a ponto de muitas vezes não ser sequer consciente.
De acordo com o autor, o antilusitanismo faz parte do próprio DNA da nacionalidade brasileira, que, para se formar, teve que se contrapor à portuguesa. Esse antiportuguesismo de carácter histórico não se estende, é certo, ao Portugal contemporâneo, que muitos brasileiros apreciam, onde milhares trabalham e muitos adquirem casa, em busca de melhor nível de vida e segurança; mas isso não apaga o preconceito enraizado contra a herança lusitana, vista pela corrente lusófoba dominante como a origem de todos os males do Brasil.
Exemplo flagrante desse antilusitanismo – que começou ainda no século XIX, com os liberais do Império, se acentuou na República com os jacobinos e se prolongou depois, a partir dos anos 50 do século passado, na intelectualidade de inspiração marxista – é o facto do Brasil não celebrar sequer a chegada de Pedro Álvares Cabral – claro sinal de rejeição do acto fundador, como já notara Eduardo Lourenço.
Carlos Fino realça que o aumento das trocas e dos fluxos humanos a que assistimos nos últimos anos não chega para reduzir o estranhamento instalado. Para o autor, Portugal “tem, por um lado, que debater o lado maldito da sua herança colonial”, ainda marcada pela exaltação salazarista de feitos como os Descobrimentos, e por outro “garantir presença mediática muito mais visível e persistente no Brasil, designadamente através da agência Lusa e da RTP, “que desde os anos 90 tem uma RTP-África, mas inexplicavelmente nunca criou uma RTP-Brasil”.
Nota biográfica
De fortes raízes familiares fincadas na vila de Fronteira, no Alto Alentejo, Carlos Fino nasceu há 73 anos em Lisboa. Foi perseguido pela PIDE por se opor ao Estado Novo e fugiu para Paris, tendo atravessado a fronteira a salto. Cursou Direito na ULB – Université Libre de Bruxelles até ser convidado para locutor e tradutor em Moscovo. Regressou a Portugal a seguir ao 25 de Abril, tendo trabalhado na agência Nóvosti, em jornais e na antiga Emissora Nacional, que pouco depois o nomeou seu correspondente na ex-URSS.
Foram dele reportagens marcantes sobre o colapso da URSS e do comunismo no Leste europeu, a primeira guerra da Chechénia, a entrada dos mujahidin em Cabul, a reocupação israelita dos territórios palestinos, o ataque dos EUA contra os taliban e a guerra do Iraque, anunciando em direto o primeiro bombardeamento de Bagdade, em 2003. Esse momento impactou o Brasil, que Carlos Fino foi convidado a visitar a seguir ao conflito e onde foi recebido pelo então Presidente Lula da Silva, deu palestras em universidades e foi depois conselheiro de imprensa da Embaixada de Portugal (2004-12).
Ao longo de quase quatro décadas como comunicador, Carlos Fino foi distinguido com diversos prémios, entre os quais se destacam o Grande Prémio de Jornalismo do Club Português de Imprensa, o Troféu Gazeta de Mérito do Clube de Jornalistas e um Reconhecimento pela National Academy of Television Arts & Sciences (EUA).
Em 2019, perante um júri universitário luso-brasileiro, Carlos Fino defendeu na UMinho, em Braga, a tese de doutoramento em Ciências da Comunicação “Portugal-Brasil: Raízes do Estranhamento e da (In)comunicação”, que serviu de base ao livro agora publicado, em simultâneo em Portugal e no Brasil.
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conversas pandémicas

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Os EUA, a Itália, a Irlanda, a Dinamarca, França, Reino Unido e Portugal durante esta semana bateram, largamente, o record de novos casos de COVID19, diários.
Epidemiologicamente, a VOC Omicron é quase um outro vírus: muito mais transmissível, menos severo. Mas, saliento, ã é “”, “çã”: , í ã , à .
Neste momento estamos em compasso de espera, para perceber a evolução da interação entre as variáveis transmissibilidade e gravidade.
Para já, os cenários apontam para um enorme potencial de sobrecarga nos serviços de saúde, com as consequentes implicações nos doentes não-COVID19 (um número elevado de infectados condicionará a capacidade dos sistemas de saúde em manterem o seu normal funcionamento: por um lado, pelo congestionamento na prestação de serviços de saúde a um número extraordinário de “infectados ligeiros”; por outro, pela diminuição dos recursos humanos disponíveis para prestar os serviços de saúde – eles próprios infectados).
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Sabemos que mesmo as pandemias mais persistentes terminam nalgum momento. Quando tal será alcançado, exactamente, no caso da COVID19 depende de vários factores. E, a variante Omicron tornou as previsões um pouco mais complicadas.
çã ç , çã. A Omicron parece causar menos mortes do que as variantes anteriores. E aqueles que sobrevivem a uma infecção têm defesas adicionais contra as outras formas do vírus que ainda estão em circulação – possivelmente, também contra futuras mutações.
çã ú () á ú í ú çõ – , , ú ç -, ã á . – ã . , ( ó) “ ” “á ” .
Mas, mesmo disso acontecer é muito provável que o vírus permaneça galopante nalgumas partes do mundo, especialmente nos países mais pobres, com poucas vacinas, e com opções de tratamento insuficientes.
A maioria dos países poderá um dia alcançar uma situação “endémica”, de forma semelhante à da gripe. Em jeito de comparação: é, . , ó . , . . , , . – ç ú…?
Portanto, a questão central, neste momento, é: í á …?
é ã í, ã é í.
O Dr. Anthony Fauci estabeleceu uma meta, a de colocar o Sarscov2 sob controle, de tal forma que a sociedade e a economia deixem de ser prejudicadas. Embora este “novo normal” ainda não tenha sido claramente definido, há cada vez mais sinais de que os EUA, e outros países, estão a fazer esse caminho.
Graças às vacinações de reforço, a novos métodos de tratamento e ao uso generalizado de máscaras, a variante omicron, considerada particularmente contagiosa, ainda não exigiu confinamentos semelhantes aos que foram impostos em muitas partes do mundo no início da pandemia.
Segundo muitos especialistas, o futuro pode ser algo assim: após o fim da pandemia, o sarscov2 causará uma constipação nalgumas pessoas e doença grave noutras – dependendo do seu estado geral de saúde, do estado de vacinação e de infecções anteriores. As mutações continuarão a aparecer, e poderão exigir vacinações de reforço ajustadas, em determinados intervalos.
A vacinação é claramente a melhor maneira de superar esta pandemia. No entanto, neste momento, sem se saber o tempo real de protecção e eficácia da vacinação, não se pode fazer uma recomendação sobre a vacinação.
É á , , é á , á . á á, ç ú ú, . , ã . É , , . ã ã .
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A carta aberta “Covid-19: An urgent call for global “vaccines-plus” action”,publicada no BMJ 2022; 376, [https://doi.org/10.1136/bmj.o1], de 03 de Janeiro de 2022, reúne um amplo leque de conhecimentos adquiridos em 2 anos de pandemia, e propõe uma abordagem a esta fase da Pandemia. Saliento:
“(…) Por todas as razões, a abordagem “vacinas plus” deve ser adoptada globalmente.
Esta estratégia retardará o surgimento de novas variantes, garantindo que existam num ambiente de baixa transmissão, onde possam ser controladas por medidas eficazes de saúde pública, enquanto permite que todos (incluindo os clinicamente vulneráveis) vivam as suas vidas com mais liberdade. (…) Consequentemente, apelamos à OMS, e aos governos nacionais, para:
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Os benefícios (significativos) do uso comunitário da máscara estão bem documentados.
á , / devem ser utilizadas em todos os ambientes interiores onde as pessoas se encontrem, e pelos profissionais de saúde em todos os momentos.
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É hora de ir além de “abrir as janelas” e procurar uma mudança de paradigma para garantir que todos os edifícios públicos sejam idealmente projectados, construídos, adaptados e utilizados para maximizar o ar limpo aos ocupantes – estratégias que têm demonstrado reduzir a transmissão SARS-CoV-2.
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Localização, testagem, rastreio, isolamento e suporte eficazes continuarão a ser essenciais para bloquear a transmissão.
Baixar as taxas de transmissão permite que todas as medidas disponíveis tenham melhores hipóteses de serem eficazes, criando um ciclo positivo e auto-reforçador de controle da doença. (…)
. – ç , incluindo a partilha de vacinas, a suspensão de patentes, a remoção de barreiras à transferência de tecnologia e estabeleçam-se centros de produção regionais para criar um fornecimento local abundante de vacinas de alta qualidade em todos os paises.
O lançamento global de vacinas deve incluir esforços coordenados para lidar com a desinformação, para garantir que as pessoas tenham acesso a dados precisos e oportunos sobre a eficácia e proteção da vacina.”
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O Dr. Michael Mina, epidemiologista, partindo de uma experiência do Prof Saul Kato, elaborou um esquema extremamente interessante. O Prof Kato, aquando da sua situação de doença COVID19, realizou testes rápidos diários, monitorizando assim a infecção (que teve características de leve) de COVID19, há duas semanas atrás. Duas importantes conclusões podem ser tiradas:
(1) O Prof Kato foi “positivo”, mais de 9 dias.
(2) Os testes rápidos mostram uma graduação, que pode ter algum valor para monitorizar a carga viral nasal/ infecção, presuntiva.
Com dezenas de milhares de casos diários o risco de aparecimento de supervariantes é real, assim como real é o risco de sobrecarga dos serviços públicos de saúde. é ê, , , é á çã.
ç ú ú , ç ú õ ú ã-. ã é ã á ã , çã .
Mario Freitas, é () ú ú ú
(Diário dos Açores de 07/01/2022)
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