2011 ode a s miguel (memórias )

Views: 2

ODE A S. MIGUEL 15 SET.º 2011, CRÓNICA 108
14.10.1. NOS MOINHOS DE PORTO FORMOSO

Levantei-me cedo, como é usual, fui levar a minha mulher à escola, para as infindáveis reuniões de começo de ano. O filhote foi ver o horário do Liceu onde vai frequentar o 10º ano.

Existe um recanto na costa norte, onde encontro a minha versão do Éden, a praia quase deserta, dez pessoas, na maioria turistas. A esplanada toda para mim, para a “italiana” (“Ristretto” na Austrália e EUA) e água sem gás, gelada, companheiras fiéis das leituras. Uso tanta água gelada como oxigénio. A escolha de leitura recaiu em Martins Garcia, prolífico autor, liberto de penar no mundo. Apesar de notável, a obra hoje serve para deleite dos curiosos e estudiosos, no qual me incluo, malgrado os esforços do Urbano Bettencourt para maior divulgação.

O dia radioso como foi apanágio neste verão. A terra lançada como grão de poeira, é um mero escolho no Grande Oceano, a colorir o mar em tons de verde, a cor da ilha. Neste matrimónio desigual, a terra é finita, mais nova e apelativa, saída das entranhas do fogo, em eflúvios de magma, a mágica lava que encanta e seduz, à distância segura de um qualquer abrigo. O mar, condescendeu a envolver a ilha num manto de espuma, a burilar as abruptas escarpas, numas baías acedeu a depositar areia fina e enegrecida, sem jamais deixar de as banhar, pondo e tirando a seu bel-prazer. Para resguardar o brinquedo não dotou a ilha de angras, dificultando o acesso a corsários, obstando a que a perturbassem com seus botes. Nem sempre com sucesso, que a arte da pirataria tinha meios de violar as ilhas que se querem sem invasores. Repeliram investidas de fenícios, berberes, corsários, franceses, ingleses e outros, remetidos à proveniência depois de raziarem as terras, tomarem cativos para escravos e usando as mulheres para fins soezes como era hábito. Os que ficaram, tementes a deus, escravos dos elementos, volveram a cultivar a terra, arando os solos úberes, que a fúria dos fogos e tremores das entranhas ia vomitando, tentando aplacar a fúria e o castigo divino com preces, procissões e romarias.

Na ilha micaelense, olham para o umbigo, seja de vacas leiteiras que poluem montes, lagoas e ribeiras, sejam campos de milho, batata, beterraba, inhame, que as generosas chuvas insistem em regar de forma copiosa, até conseguirem mais do que uma colheita.

Não se pode confiar no mar que os invernos agrestes trazem ventos e marés de virar barcos, como em março 2011 o “Ana da Quinta”, de Âncora que desapareceu sem rasto, a 150 milhas das Flores. Não houve contacto e nunca apareceu.

Enquanto noutras ilhas as pessoas vivem do mar e para o mar, nesta, de costas para ele, ignoram-no, esquecem o único passaporte de saída para a alforria do feudalismo que impera e as agrilhoa. Na baía dos Moinhos sem baleias, golfinhos ou tubarões, as ondas cumprem o ritual lunar. Parado, a vê-las deixo-me encantar com a cadência incerta que as leva para onde só o pensamento conta e a vontade dos homens não domina. Hoje, nem náufrago nem perdido, mero marinhante, embalado pelos ventos, à deriva. Gostava de perpetuar momentos destes e torná-los permanentes, libertar-me da escravatura que nos impõem como preço de viver.

Neste paraíso que o inverno torna inclemente, as palavras fluem e vêm desaguar numa qualquer folha de papel. A mente liberta-se das peias do quotidiano e voga, como se viver fosse útil ou necessário. Por vezes, preciso sair das ameias do “castelo” e libertar-me da prisão sem grades que as ilhas tendem a ser. Podemos ser livres. Não precisamos de voar como os pássaros, nem nadar como os peixes, basta mar e sol, e a mente a vaguear no salgado eflúvio. A ilha é linda, mas, digo-vos, do outro lado só há mar.

Ouço as ondas aqui

onde o mar é rei

e senhor de todas as horas.

fui ao lado outro da ilha

lá onde nunca ninguém vai

e vi que era verdade

só há mar, nada mais

por todos os lados menos por um

 

MORREU ADRIANO MOREIRA

Views: 0

Morreu Adriano Moreira, aos 100 anos

Morreu Adriano Moreira, aos 100 anos

 

 

BRAGANÇA 2008 NO 10º COLÓQUIO QUANDO ME CHAMOU “POETA”

11º COLÓQUIO LAGOA 2009

20º COLÓQUIO BELMONTE 2018

DEPOIS DE O LEVARMOS AO 10º COLÓQUIO, BRAGANÇA 2008 ACABARIA POR DOAR O SEU ESPOLIO A BRAGANÇA ONDE FICOU NA BIBLIOTECA ADRIANO MOREIRA, FACTO DE QUE EU E OS COLÓQUIOS MUITO NOS ORGULHAMOS

 

OSVALDO CABRAL BOAS NOTÍCIAS

Views: 0

í
Finalmente uma boa notícia: a SATA apresentou lucros no terceiro trimestre, coisa inédita no meio de uma crise, que afecta sobremaneira o preço do combustível dos aviões.
É verdade que os resultados reflectem a melhor época do ano, potenciada por uma maior procura do nosso mercado turístico e o consequente recorde de passageiros, não sendo de esperar que o mesmo aconteça no final do ano, embora todos desejamos que a nossa transportadora feche as contas no posit…

See more
May be an image of 1 person and text
Afonso Quental and 30 others
5
2
Like

Comment
Share
5 comments
View 4 previous comments
All comments

  • Joao Viveiros

    ALALUIA ALALUIA
    • Like

    • https://blog.lusofonias.net/wp-content/uploads/2022/10/osvaldo-cabral-boas-noticias.pdf

Detido em Timor-Leste suspeito de ligação a caso de migrantes em Portugal – Renascença

Views: 3

Detenção no âmbito de operação mais ampla de investigação a empresas ou indivíduos ligados a redes de tráfico humano envolvidas no envio de trabalhadores timorenses para Portugal.

Source: Detido em Timor-Leste suspeito de ligação a caso de migrantes em Portugal – Renascença

J RODRIGUES DOS SANTOS…COM PAPAS E BOLOS…

Views: 0

Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto que diz "Será a China mais perigosa do que a Rússia? JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS A MULHER DO DRAGÃO VERMELHO EM PRÉ- -VENDA"
Com papas e bolos se enganam tolos. Sabedoria popular. Com “romances” também, ou rimances. Todos têm direito à vida e a contar histórias. Os leitores e ouvintes assistem encantados à narrativa. Merecemos o que temos. Comemos o que nos dão. Acreditamos no que nos dizem.
Este anúncio do livro de Natal do autor José Rodrigues dos Santos e da sua nova editora, a espanhola Planeta, prova que somos os mais ingénuos dos hominívoros, comemos tudo (talvez seja essa a razão do nosso sucesso).
Interroga o anúncio do produto: Será a China mais perigosa que a Rússia? Espera-se uma resposta do autor, a troco do preço de capa. Entretanto os clientes não perguntam qual é o perigo que a Rússia representa e para quem e que perigo da Rússia pode ser suplantado pela China?
A pergunta de Rodrigues dos Santos e da Editora é uma armadilha. Descontextualizada serve para tudo, será idêntica a perguntar se o joelho é mais importante que o tornozelo? Será a água mais perigosa do que a cerveja? Será um paralelepípedo mais perigoso que um calhau rolado? As ondas da Nazaré são mais perigosas que as tempestades de areia?
Rodrigues dos Santos patrocina este tipo de charadas com a mensagem sublimar da publicidade ao seu livro.
A mensagem sublimar é que quer a Rússia, quer a China são perigosas para a outra superpotência: os Estados Unidos. O que Rodrigues dos Santos, interrogador ficcionista, quer transmitir é o que o Rodrigues dos Santos na versão jornalista não pode dizer sem comprometer a imagem de independência que lhe garante o salário e o estatuto: Ele defende os Estados Unidos enquanto potência hegemónica, nesta guerra contra a Rússia, travada na Ucrânia, como defendeu as ações dos Estados Unidos no Iraque, no Afeganistão, na Síria, na Líbia. E, neste livro sob a forma de romance, difunde a tese, muito debatida, de que na Ucrânia se trava uma guerra de desgaste da Rússia para que os Estados Unidos possam enfrentar em melhores condições o seu adversário principal – a China – no teatro de operações decisivo do Pacífico.
Aquilo que Rodrigues dos Santos e a sua editora estão a anunciar não é um romance: é uma operação de lavagem ao cérebro, um sermão aos pobres de espirito disfarçado de romance. Propaganda política encapotada para enganar quem está disposto a comprar um engano. O que nada tem de condenável. Estamos na civilização dos chicos espertos e do mercado. E ainda nos piscam o olho!
Chrys Chrystello
Like

 

Comment
Share
0 comments