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Nuno Sá foi ao VISÃO Fest falar sobre as histórias que retrata em imagens
Source: Visão | Nuno Sá: “Os Açores têm um terço de todas as espécies de baleias e golfinhos do planeta”
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Nuno Sá foi ao VISÃO Fest falar sobre as histórias que retrata em imagens
Source: Visão | Nuno Sá: “Os Açores têm um terço de todas as espécies de baleias e golfinhos do planeta”
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Das ameias do meu castelo, janela aberta sobre o mundo, vejo um planeta em permanente mudança. São vaqueiros a cavalo, em carroça ou carrinha, rumo às vacas, pelas cinco e meia ou seis em rotinas – duas ou três vezes ao dia – até ao escurecer quando regressam dos pastos.
Vejo tratores, mais apropriados ao Oeste norte-americano, às pradarias, à amplidão dos campos australianos ou da Extremadura espanhola do que ao minifúndio micaelense, demasiado grandes para torrões minúsculos, enormes para as pequenas parcelas na Lomba da Maia.
Vejo crianças ruidosas que voltam da escola ou catequese, a correr, aos berros, à pancada, desobedecendo a mães e avós, a atirarem papéis para a rua, como bestinhas que irão ser quando crescerem, saltando para o meio da rua impérvias ao trânsito e à vida que lhe podem roubar.
Vejo anciãs de xaile ou lenço, na cabeça, parecem daguerreótipos do séc. XIX, vagarosamente sobem a rua rumo aos deveres eclesiásticos da fé, missas, novenas, enterros ou procissões. Parecem viúvas a viver num mundo que já não existe, como se tivessem deixado de compreender a realidade circundante. Imagens doutras eras, o passado ancestral, imutável, e que ora deu um pulo para o espaço sideral.
Vejo, pela janela entreaberta da casa em frente, a televisão a debitar telenovelas, entretendo os anos de vida que faltam à moradora que aqui se desloca em feriados e fins de semana…
Desta janela não vejo, noutra casa, o marido que bate na mulher, mas a mulher que bate nos filhos (bem casada ou mal casada?) que não cessa de entrar e sair e falar com todos os homens da aldeia (é freguesia, senhor), fornecedores do pão, fruta, carne, roupas e todos os das carrinhas que aqui aportam diariamente para venderem produtos. Ela aguarda, aperaltada, que o marido siga para as vacas e vai lampeira em busca de quem a ouça e à sua língua. Vive no quotidiano os sonhos imaginados das telenovelas que lhe enchem as noites.
Dizem-me que há gente assim, rua acima e rua abaixo, em freguesias perto e longe.
Da janela, aos domingos, vejo homens de fatiotas puídas, doutras eras (casamento) à porta da Igreja ou a beberem uns copos na tasca da esquina. Não entram na missa o ano todo, mas depois fazem-se à estrada como romeiros, arrostando com frio, chuva e outras privações.
Há os que escapam, sobre quem não impendem acusações de violência doméstica, pedofilia, abusos, alcoolismo ou outras infrações mas que cumprem religiosamente tradições ancestrais que nem sabem explicar nem compreender. Como romeiros têm fama de bons cristãos.
Vejo enterros, procissões, casamentos, vendedores de cracas e lapas, de tudo e mais alguma coisa em carrinhas barulhentas na distribuição e aliciamento de clientes em tempo de crise.
Mas o que nunca vi desta janela foi alguém a ler um livro…
e isso observei, apenas uma vez em Ponta Delgada, junto ao Forte de S. Brás em 2013.
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Tem sido uma semana complicada, diria mesmo, um mês espinhoso. Tudo começou com o 19º Colóquio que ia sendo anulado pela falta de voos por três dias. Depois, aliviou até ao rali da SATA que, em permanente estado de falência, entrou em greve no Santo Cristo, e vieram dias de sol até 30 abril data do susto. Foi muito forte (o maior sismo desde há 8 anos, durou perto de 1 minuto) abanou tudo, a cama batia contra a parede, o candeeiro no hall ficou dez minutos a pendular, partiu-se um passepartout, a cadela entrou em pânico. Dormi com a consciência dos justos, até me acordarem. Depois de Díli e Newcastle 1989, foi o mais violento, e prova a fragilidade das ilhas onde o culto ao Santo Cristo se iniciou por factos idênticos.
Queria falar da crise que nos impingem com o medo. Não posso dizer para saírem à rua armados, seria um incitamento. Pessoas com medo nem pensam nem sonham, os que nos comandam são humanos, sem moral nem princípios, volúveis, corruptos. Apesar das estatísticas afirmarem que os cortes impiedosos (vencimentos, Estado Social, brutais impostos), só aumentam o desemprego e a pobreza, sem reduzir a dívida, ninguém ouviu, que a dívida é dos investimentos tóxicos da banca, só uma pequena parte é a dívida da nação.
Quando o triunvirato, a que chamam troica (mais fino), chegou com 83 biliões €, o dinheiro foi para a banca, a dívida aumentou, juros e mais juros (compostos), e daqui a vinte anos (terá de pagar para trabalhar e morrer à fome) e ela lá estará como hidra à espera do resgate. Na infância gostavam de jogar ao monopólio e comprar o Rossio e Rua Augusta, já venderam o que era riqueza, pouco resta, para dar aos privados. O país já não tem uma marca nacional, apenas o nome se mantém a fingir.
Os emigrantes que saíram depois de 2000 não são como os de 1960, mandam menos remessas e não regressam.
Entretanto no interior abandonado e sem serviços, os resistentes começam a morrer, terras ao abandono, mantendo-se o envelhecimento do país, a sobrepopulação do litoral onde se concentram os serviços que sobraram. O remanescente é uma enorme manta de retalhos, sem gente nem serviços, envelhecendo a ritmo acelerado, sem trabalhadores para sustentarem a pensão de miséria, sem esperança, dominados pelo medo, inseguros sobre os cortes.
Os idosos temem o amanhã como se o inferno pudesse ser pior. Os que trabalham veem continuamente os salários e poder de compra reduzidos e os impostos aumentados, cumulativamente com cortes na saúde, educação, justiça, todos vítimas da chantagem “é uma sorte terem um emprego” enquanto se esquecem de que o direito ao trabalho é um dever de uma nação civilizada. Os pobres morrem nas esquinas, nos vãos de escada, sob as pontes, sós, abandonados em casa, em lares, onde calha, sem dinheiro para ajudarem os filhos e sem comida para darem aos netos que não podem ter educação porque famintos.
Os horários de trabalho aumentaram para níveis da Revolução Industrial com salários miseráveis como no fascismo. O pior está para vir, lembra diariamente a TV, até ao dia em que alguém se revolte. O povo não sai à rua onde as polícias de choque com gás lacrimogéneo ensinam quem manda. A gleba ainda vota acreditando nas ditaduras travestidas de laivos de democracia sem direitos, nem voz, nem livre expressão, as democraduras! Manifestam-se pensando que alguém está atento como nas velhas repúblicas do séc. XX. Cada dia que se manifestem, menos ganham, mais o Estado amealha.
Zeca Afonso, canta para os saudosistas, mas ninguém leva a revolta à rua, amolecidos por mordomias burguesas, anestesiados pelo espetáculo circense do futebol, novelas, o voyeurismo da Casa dos degredos. Incapazes de pensar, educados a não o fazerem, iletrados ou funcionalmente analfabetos, nem compreendem textos mais complexos que um resultado de futebol.
Na Somália morreram de fome 250 mil pessoas nos últimos dois anos e nem um pio se ouviu.
Nove ilhas, separadas por bairrismos ancestrais. Aqui viveram revolucionários e aconteceu história (quase ninguém o sabe), desde a oposição aos Filipes às guerras liberais, ao 6 de junho, mas não vislumbro homens capazes de se libertarem do jugo. Nos Açores, a modorra habitual sem que se apercebam da crise e há sempre um Santo Cristo a quem rezar, a romaria para fazer. Os que compungidos oram nas romarias ficam à porta da igreja ou comungam na taberna enquanto decorre o santo sacrifício da missa. Atavismos de séculos que o medo dos tremores e vulcões em 500 anos perpetuaram no ADN das gentes, acostumadas a aceitar os fados como desígnio divino. Nada fazem para mudarem o que podem e aceitam o que não podem, mas não sabem a diferença. Seguem o ditado de Salazar “dar a beber vinho é alimentar um milhão de portugueses,” batem na mulher e filhos, não por causa do álcool, mas por herança genética.
País com a (injusta) fama de brandos costumes e muitas aleivosias, alevantes populares, revoltas, apaga-se tal como Maias, Astecas e outros que dominavam partes do universo, e eu sem nada fazer a não ser cronicar o fim, esta morte há muito anunciada.
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“Alemanha oferece ensino e emprego a Portugueses.” Comentei: primeiro roubam-lhes o futuro e depois aliciam-nos para irem enriquecer quem lho sequestrou. Há erros estruturais na governação, desde há mil anos, um belo ramalhete de erros criando um permanente estado de bancarrota, de falência das instituições. Eça e Antero definiam o país (há mais de 120 anos) “uma permanente crise endémica que se propaga de geração para geração, sem nunca melhorar.”
Há a guerra da banca que domina a economia, crises abafadas pelos EUA na especulação, e manipulação da economia mundial, imprimem papel-moeda, usam a Goldman Sachs, consórcio, sem cara nem nome, para colocar testas-de-ferro, a chefiar as democracias da Europa.
O proletariado desaparece (os trabalhadores pomposamente chamados colaboradores, melhor designação mas baixam vencimentos), retiram regalias, despedem como se de um trapo usado se tratasse. A desumanização vai para além das políticas da falecida baronesa Thatcher e Ronald Reagan; ultrapassa o nepotismo da clique de George Bush, Dick Cheney e a firma Halliburton. Os meios de comunicação social expressam a voz do dono, produzindo notícias catastróficas, balões de ensaio sobre o que está para vir, anestesiando a população com medo e entretendo-as com telenovelas, Casas dos Segredos, e outras manifestações de atraso mental.
A tática (politicamente correto, uma espécie de duplipensar orwelliano) é branquear a história, cultura, conhecimento científico tradicional, filosofia e disciplinas capazes de levar a pensar. Olho em volta, tento dialogar, poucos se importam e menos estão interessados.
Outros sentem-se ofendidos pela forma, que consideram indigna, como os trato ao criticar a falta de conhecimentos, mesmo admitindo que a culpa não é deles mas do sistema que os formatou. Falta-lhes, o conhecimento histórico, o sentido crítico, a capacidade de discernir e questionar, e, a formação generalista que lhes permita a visão global e desfragmentada das manobras de bastidores, do embrutecimento das pessoas, do ensino, da manipulação, da cultura do medo (sugerindo sempre que amanhã será pior!), da visão repetida até à exaustão de violência.
De tanto repetirem as patranhas o povo, iletrado e inculto, acredita, na enorme lavagem ao cérebro, e vota nos que prometem mundos e fundos até serem eleitos e depois fazem o contrário culpando os antecessores. Entretanto, arranjam-se bodes expiatórios, ameaças de terrorismo, a causarem mais medo e progressiva redução das liberdades em nome da luta contra o inimigo, o terrorista. Temos um complô de teias intricadas que desafiam a credulidade, americanos a matar cidadãos seus? Isso só o inimigo fazia. Como ninguém acredita (atribui-se a Teorias da Conspiração) prepararam terreno para guerras, invasões, em nome do sagrado deus do lucro.
O futuro virá com milhões de desempregados, apartamentos vazios sem comprador, pessoas com fome e sede no meio de butiques da última moda, campos por cultivar e será importada comida (geneticamente modificada da Monsanto). Os ricos cada vez mais ricos, podres de ricos, tão ricos que nem sabem o que fazer ao dinheiro e pobres tão pobres que terão de pagar o ar que respiram e a água que não têm nem bebem.
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Não são 10.43. Escrevo do “bunker” sob o torreão do castelo. Pelo periscópio vejo o céu cinza escuro, vento forte e chuva impiedosa. Não consigo ver o alinhamento dos planetas nem explosões solares. Temo que as previsões do fim do mundo sejam como as do ministro das Finanças.
Ao almoço vou sair, que nem tomei o mata-bicho e preciso de um banho quente pois os “mestres” do bunker esqueceram-se de ligar a água ao poço artesiano no quintal. Do tubo lávico Fogo-Congro se exalam cheiros diabólicos, a natureza profunda!
Na R P da China prenderam as pessoas da seita que anunciou o fim do mundo.
Na Lomba da Maia não houve manifestações, mas preparativos do natal, que costuma vir a horas todos os anos.
O Presidente do Governo Regional não foi à RTP apelar à calma. Só às 17 horas temos notícias locais. Mais espertos, os deputados do parlamento regional, em vez de fingirem que resolvem problemas, foram de férias com a família, juntinhos no fim do mundo.
A Casa-Real não deu conta que D. Pedro foi o vencedor das guerras liberais e teme que o fim do mundo seja o regresso de D. Sebastião, o que prejudica os interesses do pretendente ao trono que não existe, e para o qual não tem direitos como descendente do vencido D. Miguel.
Os invejosos do “El País” noticiam que o país está à venda. É mentira, pois já se vendeu tudo a retalho e o que sobra mal dá para pagar o café e um maço de tabaco.
A programação não está a ser cumprida, deve ter sido organizada por portugueses, que nunca estão a horas nem cumprem horários. Não entendo os Maias a dizerem há centenas de anos que isto ia acabar, e logo hoje que até está sol. Os únicos Maias que conheci eram os do Eça de Queirós (gente fina que não se metia nisto) e uma colega na Faculdade mas essa não era da família. Diziam as más línguas, que o Governo adiara a venda da TAP para os ministros voarem para longe. Era boato sem fundamento, não havia classe executiva suficiente. Nem todos garantiram “tachos” para abandonar a ação misericordiosa, mal compreendida e mal paga que é estar no Governo, e bem mais espinhosa que governar!
Também não é verdade que se esteja a tentar acabar com o SNS. O que parece ser verdade é que uns empresários, finos para o negócio, descobriram que se abrirem hospitais privados podem colher lucros do SNS, nas incontáveis listas de espera, no demorado atendimento e na marcação de consultas daqui a 12 meses.
Igualmente falsa é a asserção de que o Governo pretende privatizar o ensino público. Os privados são coutada de privilegiados que nada acrescentam ao saber nacional, a acreditar nas licenciaturas do Sócrates, Relvas e outros que nunca tiveram tempo de estudar para doutor devido aos afazeres político-partidários.
Na justiça, temos um dos sistemas mais bem preparados em todo o mundo, o país que mais leis fabrica, com a flexibilidade necessária para interpretar de forma diametralmente oposta.
A justiça, a investigação criminal e a preparação dos processos, têm um longo prazo a fim de se apurarem as responsabilidades de todos, e as “fugas ao segredo de justiça” são uma forma elaborada de se descobrir os verdadeiros criminosos.
As inúmeras formas de apelação, os prazos legais que expiram sem acusação, as datas que prescrevem como se fossem prazos de validade de produtos alimentares, as limitações ao tempo de detenção e prisão preventiva permitem a todos os que foram injustamente acusados como o major Valentim, o Isaltino Morais e outros, se defenderem de cabalas monstruosas montadas por aqueles que os não conseguem vencer de forma limpa em eleições livres!
Mas este fim do mundo pode ser a salvação da banca e dos problemas de liquidez depois de lavarem os capitais em ativos tóxicos, mas tudo se cura.
Se a crise continuar, somente dois bancos ficarão operacionais: o Banco de Sangue e o Banco de Esperma! Mais tarde serão fundidos no “The Bloody Fucking Bank” e é com eles que contamos para a retoma financeira e o aumento das taxas de natalidade.

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A Islândia ensinou que é preferível deixar os credores perder investimentos especulativos a reduzir pensões, benefícios sociais e caos na sociedade. Em vez de salvar bancos, deixou-os falir de forma controlada, salvando a economia. Não creio que surjam líderes capazes de se oporem à oligarquia do lucro na América, com agendas secretas de aniquilar a Europa e salvaguardar o dólar. Os EUA mais falidos que a Europa, a dívida nas mãos dos chineses.
A Europa, envelhecida arrisca ficar deserta de europeus. A ministra dos direitos da mulher em Marrocos (23 jul. 2012) disse que “não há motivo para se preocuparem com as violações das mulheres e o casamento abaixo da idade por que isso não são problemas da sociedade marroquina.” Nem nos apoquentemos por estarem na Idade Média, ao apedrejarem uma mulher até à morte no Afeganistão, por adultério, que se veio provar não existir. Devemos calar e respeitar.
Almeida Garrett em “Viagens na Minha Terra” perguntava aos economistas se “calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico, cada um custa centos de infelizes, de miseráveis.” Claro que não, nem sabem da sua existência, algarismos desgarrados, sem família nem existência, casas decimais nas folhas de cálculo de lucro. Aqui ao lado, sem sabermos, nem vermos, nem ouvirmos, famílias que eram pilares da comunidade morrem asfixiadas na miséria, pobreza e humilhação…A terceira guerra (sem tiros nem tanques nem aviões) é mais impiedosa que a depressão de 1929, mas nem por isso menos mortífera. E o povo, licenciado com canudo, tratamento por doutor, assiste refugiado numa telenovela. As elites não lideram, nem os militares. A revolução está fora de questão. Nem acreditem em referendos que funcionam bem no papel, mas na prática não. Se tiverem idade respeitável, emigrar está fora de questão e alternativas são poucas… 

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