Osvaldo José Vieira Cabral · UMA GOVERNAÇÃO EM DECLÍNIO

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UMA GOVERNAÇÃO EM DECLÍNIO
A dura verdade da nossa realidade !
UMA GOVERNAÇÃO EM DECLÍNIO
As trapalhadas do Governo Regional têm um padrão comum: nunca temos a certeza como acabam, mas sabemos que vai piorar.
Agora ficamos a saber que a incompetência do governo no processo de privatização da SATA vai custar aos contribuintes açorianos (para já) 3 milhões de euros!
Como todos nos recordamos, o governo anunciou no ano passado, em tom festivo, que a Comissão Europeia tinha autorizado adiar a privatização por mais um ano, mas escondeu dos açorianos o custo deste adiamento, que agora veio a público através da comunicação social.
O Governo dos Açores veio dizer que é um “bom resultado”, como quem goza com os nossos impostos, já de si mal gastos e sem critério.
O pior é que vamos pagar, ainda, os prejuízos dos resultados operacionais da SATA deste ano, que poderão atingir novamente os 50 milhões de euros, quando a gestão já devia estar entregue aos privados.
Mas o maior prejuízo, a meu ver, é político.
Os danos reputacionais que isto está a provocar na governação regional são um desastre.
Os governos do Partido Socialista afundaram-se com a gestão ruinosa da SATA, mas o governo de José Manuel Bolieiro, em vez de aprender com a História, escava ainda mais o buraco ruinoso de toda esta gestão desastrada.
A percepção que fica, em todos os sectores da sociedade, é que estamos a regressar a um passado pior.
Desde 2015, a economia dos Açores foi bafejada pelo maná da liberalização do espaço aéreo (S. Miguel primeiro e depois Terceira). O impacto foi inquestionável.
Desbloqueou-se um nó górdio da economia dos Açores e fez-se manifestar o seu potencial no turismo, catapultado pelos excelentes canais de distribuição das companhias low-cost, EasyJet e Ryanair.
A EasyJet, desde muito cedo, abandonou a rota dos Açores porque não estava disponível para competir com duas companhias públicas, sistematicamente deficitárias e a concorrer de forma desleal, porque os défices eram branqueados pelas autoridades nacionais (Governo da República e Governo Regional dos Açores).
Acresciam os subsídios à Ryanair para fazer rotas que, normalmente, não faria. O mercado estava totalmente distorcido. E continuou a distorcer-se ainda mais com o decorrer dos anos.
Como se não bastasse a distorção inicial, é encetada uma estratégia de recuperação da SATA baseada no crescimento das receitas, o que levou a empresa a intensificar as rotações nos mercados já povoados pelas outras companhias, secando as oportunidades com base em défices crescentes de exploração.
Por outro lado, a estratégia para a privatização foi-se revelando um fracasso mês após mês. Nem a empresa ganhou dinheiro com a estratégia, nem conseguiu criar as condições mínimas para a sua privatização.
Em vez de remediar, a situação foi-se agravando.
Chegados a março de 2026, onze anos depois da liberalização e de um crescimento exponencial do turismo, temos uma crise imensa entre mãos: não se vislumbra um bom desfecho da privatização da SATA Internacional, que é agora penalizada por não ter cumprido as metas fixadas, caminhando para mais perto do cenário da cessação da sua atividade; a SATA está proibida de comprar novos aviões; a TAP está multada por também não ter cumprido a meta da privatização e está impedida de aumentar a sua frota; a Ryanair abandona o mercado dos Açores; o turismo já enfrenta taxas negativas de crescimento; aproxima-se uma época alta totalmente incerta, com oferta de lugares limitada pela saída da Ryanair e pelas contingências da TAP e da SATA.
Voltamos ao passado, sem companhias privadas a voar todo o ano, num cenário ainda mais negro, com as duas companhias públicas limitadas na sua ação.
Como chegamos aqui?
Boa pergunta para um governo em franca degradação, ficando mesmo a dúvida se uma remodelação, lá para depois do Verão, quando os secretários concluírem o PRR, será solução que remenda a coligação.
É que nem a receita do governo centralista de Lisboa valerá alguma coisa: 11 mil euros para maquilhagem e cabeleireiro não dá para camuflar uma governação tão medíocre.
Vamos aguardar pela próxima trapalhada… com barba e cabelo.
Osvaldo Cabral
Fevereiro 2026
(Açoriano Oriental, Diário Insular, Portuguese Times EUA, LusoPress Montreal)

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