OSVALDO CABRAL O COMBATE À DESINFORMAÇÃO

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O COMBATE À DESINFORMAÇÃO
Há uma nova moda, viral, entre os jovens nas escolas, gerada por Inteligência Artificial (IA).
Com uma aplicação, de fácil acesso, os jovens conseguem transformar as colegas da turma em nudez total, narrando histórias íntimas como se fossem verdadeiras.
O fenómeno está a preocupar vários países, com destaque para Espanha, onde vários casos foram denunciados nos últimos meses.
As grandes empresas tecnológicas andam em roda livre face à passividade de muitos países, especialmente na União Europeia, onde os reguladores demoram uma eternidade, envolvidos em altas burocracias, até formalizarem regulamentos alinhados com a avalanche de desinformação que é produzida nas redes sociais.
Até agora, apenas conseguiram uma “Declaração Conjunta sobre Imagens Geradas por Inteligência Artificial”, assinada por 60 reguladores, também subscrita pela Comissão Nacional de Protecção de Dados de Portugal.
O documento chama a atenção para os riscos que o mau uso da IA representa para a privacidade e para os direitos dos titulares dos dados, recordando que a criação de imagens íntimas sem consentimento “pode constituir um crime em muitas jurisdições”.
Nalgumas escolas que tenho visitado para falar destes assuntos é notória a falta de informação entre os alunos, que fazem circular entre si um volume considerável de informação gerada por IA, a esmagadora maioria sem nenhum controlo de verificação e proveniente de muitas fontes de desinformação.
Até agora estávamos preocupados com as “cheap fakes”, as tais notícias falsas geradas através de software básico e de má qualidade, mas o que está agora a invadir o nosso dia-a-dia são as “deep fakes”, geradas por IA, com software mais sofisticado e com um grau de qualidade impressionante.
Donald Trump é um “mestre” no uso deste fenómeno, onde até se pôs a fazer habilidades com a bola de futebol, na Sala Oval, com Cristiano Ronaldo, apenas para que os menos incautos julguem que ele é tão habilidoso como o jogador português.
A desinformação é uma crença e quem a utiliza tem os seus objectivos para o apelo irracional à informação falsa, estando presente nas redes sociais, nos debates políticos, na propaganda de guerra, nas aplicações de mensagens, nos sites de notícias falsas e em quase tudo que gera informação sem regulação.
É difícil explicar o percurso psicológico e social que leva pessoas a desconfiar de verdades aceites e aderem de imediato aos “factos alternativos”, à “pós-verdade”, a teorias de conspiração e por aí fora.
Nos Açores, se não nos prepararmos para estes fenómenos, vamos criar uma sociedade inquietantemente desinformada e mal preparada socialmente.
A nossa Região precisa de criar programas com uma postura de educação e literacia nas escolas e nos média, levar os profissionais às escolas, às instituições e envolver as pessoas responsáveis no combate à desinformação.
É um trabalho de todos nós, cidadãos, jornalistas, profissionais da comunicação, professores e das instituições democráticas.
Mais de 80% dos europeus concordam que a desinformação e as notícias falsas são um problema para a democracia e 77% já consideram que isto é um problema no seu país.
Antes que seja tarde, é tempo de os responsáveis pelas instituições regionais fazerem alguma coisa para travar a desinformação.
Os jornais têm um papel redobrado neste combate, porque são o último reduto da credibilidade da informação e porque são os únicos que ainda fazem “fact-checking” (confirmação dos factos), pelo que o novo programa de apoio aos média, instituído pelo Governo dos Açores, é uma excelente iniciativa pública em defesa de uma sociedade informada e democrática.
Apesar das dificuldades na comunicação social açoriana, é preciso não desistir.
E resistir, sempre!
Osvaldo Cabral
Março 2026
(Açoriano Oriental, Diário Insular, Portuguese Times EUA, LusoPresse Montreal)

Sobre CHRYS CHRYSTELLO

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção da AICL
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