morreu EDGAR MORIN

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Tal como aconteceu com o nosso sefardita Bento Espinosa, exilado, banido da sua comunidade, excomungado e amaldiçoado com danação eterna, ao ponto de proibirem que o seu corpo recebesse terra no cemitério judaico de Amesterdão, Edgar Morin, em tempos defensor de Israel e aclamado por quantos nele reconheciam um intelectual de primeira plana, é hoje insultado no dia do termo da vida centenária. Morin passou a ser odiado assim que manifestou desgosto moral perante o que considerava a repetição histórica da violência genocida e deu um brado de indignação pelo facto de os descendentes de um povo que foi perseguido e massacrado serem hoje os algozes dos Palestinianos. Ao designar o genocídio de Gaza e a matança indiscriminada de civis, mulheres e crianças como a mais sinistra página do nosso tempo e denunciar a passividade e o silêncio do mundo, Morin foi calado em vida. Não é, pois, de espantar que o seu funeral não convide a grandes exuberâncias carpideiras e que a reserva mental triunfe.

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