MORREU MÁRIO CARRASCALÃO – PERDEMOS UM GRANDE HOMEM

Views: 3

http://timoragora.blogspot.pt/2017/05/mario-carrascalao-faleceu-numa-rua-da.html?spref=fb

Antonio Sampaio’s post.

20 November 2015 ·
ENTREVISTA Agência Lusa

40 anos/Timor-Leste: Mário Carrascalão defende a sua ação de abertura de Timor durante mandato

Díli, 20 nov (Lusa) – Mário Carrascalão considera que a sua pressão sobre a Indonésia para abrir Timor-Leste e a postura neutra que manteve enquanto governador, permitindo manter o cargo e ajudar muitos timorenses, contribuíram para a independência do país.
“Enquanto estive aqui como governador não se pode dizer que estive do lado dos independentes ou dos integracionistas. Tive que me manter sempre neutro porque se fosse nitidamente pró independência já sabia de antemão que os indonésios me sacavam do lugar porque não permitiram que atuasse contra eles”, afirmou em entrevista à Lusa.
“Pensei mais no futuro. O mundo não podia continuar a ignorar o que se passava em Timor. Pedi ao [ex-presidente indonésio] Suharto para abrir Timor”, afirmou o ex-governador, que esteve no cargo entre 1983 e 1992.
O jornalista britânico que filmou em 1991 o massacre no cemitério de Santa Cruz, Max Stahl, “nunca teria entrado em Timor se eu não tivesse pedido ao Suharto para abrir Timor”, afirmou.
Esse jogo de cintura foi possível porque conseguiu a confiança dos indonésios que, por seu lado, precisavam do governador para limpar a imagem dos seus antecessores, ferrenhos apoiantes da integração, apontou.
“Criei uma imagem que favoreceu a Indonésia e o que eu pedia era aceite”, afirmou “A minha ação aqui em Timor é interpretada de uma forma. Lá fora fui sempre visto como um traidor, um colaborador de Suharto. Para alguns convinha criar o inimigo fictício. Mas aqui em Timor era um dos daqui e tudo fazia para poder salvar este ou aquele e para ajudar”, argumentou.
Numa nota publicada na sua página na rede social Facebook em outubro, o ex-presidente da República, José Ramos-Horta, recorda o facto de Mário Carrascalão, ao contrário dos seus antecessores, não ter embolsado o equivalente a 30 mil dólares mensais que o Governo indonésio lhe atribuía.
Em vez disso, “despendia todo esse valor mensal realmente ajudando os mais necessitados” e “nunca se deixou subornar por ninguém”, com os anos do seu mandato a serem os de “maior abertura do território ao exterior” e “de oportunidades para jovens timorenses irem estudar fora de Timor-Leste, em Jacarta e outras cidades indonésias”.
“Salvou centenas de vidas, forçou a abertura de Timor-Leste ao mundo, conseguiu que milhares de jovens timorenses tivessem uma oportunidade única de se formarem. Mas talvez mais importante, conseguiu convencer o comando militar indonésio em Timor-Leste a dialogar com [o líder da resistência] Xanana”, disse Ramos-Horta.
Mário Carrascalão diz que só mesmo na sua família sabia o que estava a fazer e que a sua chegada ao poder marcou o fim de dois mandatos de timorenses “que quando a Indonésia dizia ‘esfola’, eles diziam ‘mata’”.
“Daí o facto de eu ter que aceitar o cargo. Sabia como lidar com os indonésios, conhecia as leis indonésias, sabia que as leis não mandavam matar e torturar. Sabia que para poder conseguir fazer algo em Timor tinha que ter boas relações com a Indonésia, com o Suharto inclusive, com o general Benny Moerdani”, chefe das Forças Armadas e ministro da Defesa da Indonésia nos anos 80.
“Tinha que ser apoiado por eles para poder aqui virar-me contra os militares e levantar a minha voz contras eles e pode fazer qualquer coisa em defesa do povo de Timor”, afirmou.
Carrascalão insiste que lutou diretamente contra Jakarta para defender a abertura e que isso foi essencial a todo o processo.
“Foi quanto a mim a abertura de Timor que possibilitou a independência de Timor. Quer reconheçam quer não reconheçam. Eu dizia-lhes: mas vocês pensam que os timorenses são como cabritos, que vocês metem num curral, dão-lhes palha e nunca mais querem sair do curral? Estão muito enganados”, lembrou.
“Acho que valeu a pena. Se eu não tivesse tomado a atitude que tomei, por exemplo, na formação de novos quadros para Timor, mesmo que as Nações Unidas dessem de bandeja a independência a Timor-Leste o que é que os líderes da resistência iam governar? Pedras e paus e bocados de calhau? Os sucessivos governos de Timor utilizaram os quadros que eu criei”, disse.
Hoje, os timorenses que estavam em Timor na altura reconhecem esse papel, ainda que nem todos “os lá de fora” pensem assim, considerou.
“Inclusive na minha família, havia pessoas que estavam reticentes, que pensaram duas vezes em utilizar o meu apelido para não serem confundidos com o Mário Carrascalão. Também houve disso”, reconheceu.

ASP // APN
Lusa/Fim

Antonio Sampaio
4 hrs ·
Morreu o ex-vice-primeiro-ministro timorense Mário Carrascalão (ATUALIZADA)
Díli, 19 mai (Lusa) – O ex-vice-primeiro-ministro de Timor-Leste, Mário Carrascalão, morreu hoje no Hospital Nacional Guido Valadares, em Díli, disse à Lusa um familiar.
Mário Carrascalão, que foi governador durante a ocupação indonésia e vice-primeiro-ministro após a independência, faleceu um dia depois de ser galardoado com o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste, a mais alta condecoração do país, entregue pelo chefe de Estado, Taur Matan Ruak.
Indicações preliminares apontam que Mário Carrascalão terá sofrido um ataque cardíaco quando conduzia e viajava sozinho no seu carro privado, na zona do bairro do Farol, em Díli. O carro está ainda no local, tendo subido o passeio e embatido contra um poste, conforme constatou a Lusa.
Desconhece-se se o acidente ocorreu antes ou depois do ataque cardíaco.
Testemunhas relataram à Lusa que transeuntes transportaram Mário Carrascalão para o hospital, onde equipas médicas confirmaram o seu óbito.
“Ainda ontem estivemos todos a jantar em família e ele estava muito bem-disposto, foi galardoado e estávamos a celebrar” disse a Lusa a irmã Ângela Carrascalão.
Uma multidão começou já a juntar-se no espaço mortuário do Hospital Nacional Guido Valadares.
ASP//ISG
Lusa/fim

Antonio Sampaio
2 hrs ·
PERFIL: Óbito/Mário Carrascalão: Defensor de consensos e diálogo
Díli, 19 mai (Lusa) – Mário Carrascalão, que hoje morreu aos 80 anos em Díli, não suscitava avaliações consensuais entre os timorenses, mas trabalhou grande parte da vida pelos consensos, abrindo até a porta ao diálogo entre a resistência e os ocupantes indonésios.
Líderes timorenses recordaram a voz de denúncia sobre a situação no território, mesmo enquanto Governador nomeado por Jacarta (1982 a 1992), e o papel interventivo que permitiu a primeira abertura de Timor-Leste, levando muitos timorenses a estudar em universidades indonésias.
“Salvou centenas de vidas, forçou a abertura de Timor-Leste ao mundo, conseguiu que milhares de jovens timorenses tivessem uma oportunidade única de se formarem. Mas talvez mais importante, conseguiu convencer o comando militar Indonésio em Timor-Leste a dialogar com Xanana”, escreveu sobre si, em outubro de 2015, o ex-Presidente José Ramos-Horta.
Vítima de um ataque cardíaco, Carrascalão morreu hoje em Díli, 24 horas depois de ter recebido das mãos do Presidente timorense, Taur Matan Ruak, a mais alta condecoração do Estado, o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste.
As imagens da entrega da condecoração dominam hoje as redes sociais em Timor-Leste, onde se sucedem os comentários de pêsames de familiares, amigos, dirigentes timorenses e cidadãos comuns, que ensombram os festejos do 15.º aniversário da restauração da independência, no sábado.
Carrascalão, que nasceu em Venilale em 1937, dedicou, como muitos dos 11 irmãos, grande parte da vida à política timorense. Já depois da independência fundou o Partido Social Democrata timorense e chegou a ser vice-primeiro-ministro no IV Governo constitucional, liderado por Xanana Gusmão.
Terceiro Governador nomeado pela Indonésia para Timor (de 18 de setembro de 1983 a 18 de setembro de 1992), recordou em entrevista à Lusa, em 2015, os encontros que manteve com Xanana Gusmão em Lariguto (1983) e Ariana (1990), abrindo a porta ao primeiro diálogo com a resistência.
“Encontrei-me com ele enquanto comandante das Falintil [Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste]. Se se apresentasse como comandante da Fretilin [Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente] eu não me sentaria à mesma mesa. Senti que ele, nessa altura, também me representava e outros como eu. Quando conversava com Xanana Gusmão estava a conversar com alguém que era representante do braço armado do povo timorense, do qual a UDT [União Democrática Timorense] já fazia parte”, explicou.
Carrascalão entrou tarde na escola e fez três anos num, sendo depois dos primeiros alunos do Liceu Dr. Francisco Machado, hoje uma das alas da Universidade Nacional Timor Lorosa’e. Terminou o 5.º ano e. porque em Timor não havia na altura como continuar o ensino, foi até Lisboa terminar o secundário, no Liceu Camões.
Foi dispensado do exame de aptidão e entrou diretamente no Instituto Superior de Agronomia onde se formou em silvicultura, terminando o curso com 19,5 valores e uma tese que foi o primeiro estudo de sempre feito sobre o pinheiro manso português.
Regressado a Timor-Leste, assumiu o cargo de chefe dos serviços de agricultura, funções que ocupava quando em 1974, juntamente com Domingos Oliveira, César Mouzinho, António Nascimento, Francisco Lopes da Cruz e Jacinto dos Reis, fundou a UDT.
Depois do golpe da UDT, do contragolpe da Fretilin e da curta guerra civil, Carrascalão refugiou-se em Atambua, seguindo depois para Jacarta. Ingressou na diplomacia indonésia em 1977.
Numa longa entrevista com a Lusa, em novembro de 2015, Mário Carrascalão lembrou esse período, e cconsiderou que a pressão sobre Suharto [Presidente da Indonésia entre 1967 e 1998] para abrir Timor-Leste e a postura neutra que manteve enquanto governador, permitindo manter o cargo e ajudar “muitos” timorenses, contribuíram para a independência do país.
“Enquanto estive aqui como governador não se pode dizer que estive do lado dos independentes ou dos integracionistas. Tive que me manter sempre neutro porque se fosse nitidamente pró-independência já sabia de antemão que os indonésios me sacavam do lugar porque não permitiram que atuasse contra eles”, afirmou.
“Pensei mais no futuro. O mundo não podia continuar a ignorar o que se passava em Timor. Pedi a Suharto para abrir Timor. Max Stahl nunca teria entrado em Timor se eu não tivesse pedido ao Suharto para abrir” o território, disse.
Um jogo de cintura que foi possível porque conseguiu a confiança dos indonésios, que precisavam do governador para limpar a imagem dos antecessores, ferranhos apoiantes da integração.
“Criei uma imagem que favoreceu a Indonésia e o que eu pedia era aceite”, disse.
Esta sua postura e o cargo que ocupava, não lhe mereceram louvores de todos e para muitos timorenses, como o próprio admitiu, era visto como traidor, colaborador do regime ocupante.
“A minha ação aqui em Timor é interpretada de uma forma. Lá fora fui sempre visto como um traidor, um colaborador de Suharto. Para alguns convinha criar o inimigo fictício. Mas aqui em Timor era um dos daqui e tudo fazia para poder salvar este ou aquele e para ajudar”, disse Carrascalão sobre esse período.
Mário Carrascalão afirmou que só mesmo na sua família sabiam o que estava a fazer e que os timorenses que estavam em Timor na altura reconheceram esse papel, ainda que nem todos “os lá de fora” pensem assim.
“Inclusive na minha família havia pessoas que estavam reticentes, que pensaram duas vezes em utilizar o meu apelido para não ser confundidos com o Mário Carrascalão. Também houve disso”, admitiu.
O velório de Mário Carrascalão realiza-se durante o dia, em Díli, não sendo ainda conhecidos pormenores sobre o funeral.
ASP // EJ
Lusa/Fim
Image may contain: one or more people, people sitting, child and outdoor

The mysterious Piri Reis Map: Is this evidence of a very advanced prehistoric civilization?

Views: 7

Fonte: The mysterious Piri Reis Map: Is this evidence of a very advanced prehistoric civilization?

Continuar a ler

 EM LARANTUCA (ilha das Flores Indonésia) REZA-SE, HÁ MAIS DE DOIS SÉCULOS, O TERÇO EM LÍNGUA PORTUGUESA

Views: 1

Em Larantuca reza-se, há mais de dois séculos, o terço em língua portuguesa

“Rosas de Ermera” conta a história da família de Zeca Afonso em Timor durante a II Guerra Mundial · Global Voices em Português

Views: 4

Fonte: “Rosas de Ermera” conta a história da família de Zeca Afonso em Timor durante a II Guerra Mundial · Global Voices em Português

Continuar a ler

achamento do Brasil carta de Pero Vaz de Caminha

Views: 1

2 new photos.
22 mins ·
HISTÓRIA – 01 DE MAIO DE 1500
Carta de Pero Vaz de Caminha a D. Manuel sobre o achamento do Brasil
Carta de Pero Vaz de Caminha Image result for carta pero vaz de caminha

Continuar a ler

Passarola de Gusmão: o primeiro homem do mundo a voar foi um padre português | VortexMag

Views: 3

O primeiro homem do mundo a voar era um português nascido no Brasil. Descubra a fantástica história da Passarola de Gusmão, o padre voador.

Fonte: Passarola de Gusmão: o primeiro homem do mundo a voar foi um padre português | VortexMag

Continuar a ler

Marcas lusas quase invisíveis na antiga capital do Sião

Views: 0

Fonte: Marcas lusas quase invisíveis na antiga capital do Sião

Continuar a ler

Castelo de Bragança: Um dos mais bem preservados castelos portugueses

Views: 1

O Castelo de Bragança fica situado na freguesia de Santa Maria, no centro histórico da cidade.

https://youtu.be/W5qRt1QdvM0

Fonte: Castelo de Bragança: Um dos mais bem preservados castelos portugueses

 

Castelo de Bragança: Um dos mais bem preservados castelos portugueses

Castelo de Bragança: Um dos mais bem preservados castelos portugueses

O Castelo de Bragança fica situado na freguesia de Santa Maria, no centro histórico da cidade. É naquela cidade transmontana, sede de concelho e de distrito, e à margem do rio Fervença, que se encontra um dos mais importantes e bem preservados castelos portugueses. Do alto dos seus muros, até onde a vista alcança, vê-se a serra de Montesinho, a serra de Sanabria, a serra de Rebordões e a serra de Nogueira.

Este é um castelo de arquitetura militar, em estilo gótico, isolado, erguido a quase 700 metros acima do nível do mar, sendo o limite leste do núcleo urbano de Bragança.
A cerca da vila, adaptada à morfologia do terreno, composta por muralhas aprumadas, com cerca de dois metros de largura, reforçadas por 15 torres ou cubelos, de diferentes formas e normalmente mais altas que as muralhas. Algumas das ameias (aberturas no parapeito das muralhas, por onde os defensores visavam o inimigo) são rasgadas por seteiras retangulares. Interiormente a muralha possui duas portas, em arco de volta perfeita, interligadas pela via estruturante da cidade. A cerca integra ainda, a sudoeste, uma couraça para proteger uma fonte de abastecimento de água, o poço do rei, e, quase a oeste, uma alta torre com faces exteriores de seção semicircular ao centro.
No interior da cerca espalha-se o aglomerado de fundação medieval estruturado pela Rua Fernão o Bravo, com orientação leste/oeste, estabelecendo a comunicação entre as duas portas da muralha, a Porta do Sol, a leste, e a Porta da Vila ou de Santo António, a oeste, que dá acesso ao antigo arrabalde e ao rio. Ali o visitante pode apreciar as edificações do “DomusMunicipalis” (exemplar único no país da arquitetura civil românica e que se acredita tenha tido, primitivamente, as funções de cisterna), da Igreja de Santa Maria (ou de Nossa Senhora do Sardão) e o Pelourinho medieval.

Para defesa das suas gentes
Em meados do século X, numa altura em que se tentava repovoar a região de Guimarães com um esforço muito grande nesse sentido sobretudo pelo conde Hermenegildo Gonçalves e sua esposa Mumadona Dias, os domínios de Bragança tinham como senhor um irmão de Hermenegildo: o conde Paio Gonçalves. Posteriormente, o senhorio passou para a posse de um ramo da família Mendes, encontrando-se no domínio de Fernão Mendes de Bragança II, “tenens” da Terra de Chaves e senhor de Bragança, cunhado de D. Afonso Henriques (1143-1185). Considera-se que, nesse período, por razões de defesa, a povoação terá sido transferida para o atual sítio, no outeiro da Benquerença, à margem do rio Fervença, reaproveitando-se os materiais na construção das novas residências e de um castelo para a defesa das gentes.
As informações mais seguras referem entretanto que, pela importância de sua posição estratégica sobre a Galiza, em 1 de junho de 1187 recebeu carta de foral de Sancho I de Portugal (1185-1211), que ordenou o repovoamento e a edificação do castelo no lugar de Benquerença, dando isenções e privilégios aos moradores. Este soberano deixou em testamento, em março de 1188, uma verba para a construção das muralhas de Bragança, empreitada que durou várias décadas. Os conflitos entre este soberano e Afonso IX de Leão levaram a que esta região fosse invadida pelas forças leonesas (1199) até à reação do soberano português.
Afonso II de Portugal (1211-1223) confirmou o foral da vila (1219), e o mesmo fez Afonso III de Portugal (1248-1279), a 20 de maio de 1253. Ainda no reinado deste soberano, as Inquirições de 1258 referem a existência na vila de quatro paróquias: Santa Maria e Santiago intra-muros e São João e São Vicente no arrabalde. As terças das igrejas de Santa Maria de Bragança e de Grijó eram para a construção das muralhas de Bragança.
Sob o reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325), entre 1261 e 1325, a pedido dos procuradores de Bragança, o soberano contribuiu para a reconstrução das muralhas.
O seu sucessor, Afonso IV de Portugal (1325-1357), ao subir ao trono, confiscou os bens de seu meio-irmão, D. Afonso Sanches (1289-1340), que então residia na vila de Albuquerque. Defendendo os seus interesses, D. Afonso Sanches declarou guerra ao soberano e invadiu Portugal pela fronteira de Bragança, matando quem lhe fizesse frente, saqueando bens e destruindo propriedades. A paz foi acordada, com dificuldade, pela viúva de D. Dinis, a Rainha Santa Isabel.
Posteriormente e já sob o reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383), recebeu novas obras. Neste período, por via do forte envolvimento do monarca na disputa sucessória de Castela, no contexto da I Guerra Fernandina (1369-1370), Bragança foi cercada e conquistada pelas forças de Henrique I de Castela, retornando à posse portuguesa apenas mediante a assinatura do Tratado de Alcoutim (1371).
No contexto da afirmação da nova dinastia – a de Avis – teve lugar uma grande campanha de reforço das defesas da cidade, nomeadamente nas torres que ladeiam a porta principal, de planta pentagonal, na chamada “torre do relógio”, com reforços laterais semi-circulares, e nos cubelos semicirculares da barbacã do castelo, apenas documentadas em planta por Duarte de Armas (c. 1509).
Em 1401 foi estabelecida a Casa de Bragança pelo casamento de D. Afonso, conde de Barcelos e 1.º duque de Bragança, com D. Beatriz, filha de D. Nuno Álvares Pereira. Em 1409 tiveram início os trabalhos de consolidação das muralhas e a construção de torres, obras que duraram quarenta anos.
Afonso V de Portugal (1438-1481) fez a doação do castelo ao I duque de Bragança (28 de junho de 1449). A pedido de D. Fernando, II duque de Bragança, o soberano concedeu o título de cidade à vila de Bragança no dia 20 de fevereiro de 1464.

Museu histórico militar
O castelo foi classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910. A partir da década de 1930 a Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) iniciou uma extensa intervenção de consolidação e restauro. Foram restauradas e reconstruídas as muralhas, torres e caminhos de ronda, incluíram-se ameias em toda a extensão das muralhas, demoliu-se o quartel oitocentista e vários edifícios contíguos aos muros. E em 1936 foi instalado um museu histórico-militar nas dependências da torre de menagem.
Os trabalhos prosseguiram nas décadas de 1940, 1950 e 1960. Viriam a ser retomados, na segunda metade da década de 1970, com destaque, no início da década de 1980, para as obras de recuperação da torre de menagem, visando requalificá-la para a reinstalação do museu militar. Em 22 de agosto de 2008 a Câmara Municipal de Bragança, atribuiu a medalha Municipal de Mérito ao Museu Militar de Bragança, na comemoração dos 25 anos daquela instituição.

A lenda da Torre da Princesa
No lado norte da cerca existe a chamada Torre da Princesa. A ela está ligada uma lenda que conta que quando Bragança ainda se chamava Benquerença, ali vivia com o seu tio, uma bela princesa. Era pretendida por um nobre mas pobre cavaleiro, que se viu na necessidade de partir em busca de fortuna, prometendo-lhe a princesa esperar pelo seu regresso, para pedir a sua mão a seu tio.
Durante vários anos a princesa recusou todos os seus pretendentes, até que o seu tio a prometeu a um amigo, tentando força-la ao compromisso. Mas a princesa confessou que o seu coração pertencia a outro homem, e que esperava pelo seu regresso. O tio decidiu usar um estratagema e, uma noite, disfarçado de fantasma, penetrou por uma das portas nos aposentos da princesa. Simulando ser o fantasma do jovem, disse-lhe que se não aceitasse casar-se com o novo pretendente, seria uma alma condenada. Mas apesar de ser noite, um raio de sol entrou pela segunda porta e desmascarou o tio. As portas passaram a ser conhecidas como Porta da Traição e Porta do Sol.

O acesso à cidadela realiza-se pela Rua do Santo Condestável e pela Rua da Rainha D. Maria I. No Castelo/torre de menagem localiza-se o Museu Militar de Bragança. Para os nossos leitores que pretendam visitar este local único, podem fazê-lo de terça-feira a domingo, das 9h às 12, da parte da manhã, e das 14h às 17, da parte da tarde. O custo dos bilhetes fica pelos dois euros no caso dos adultos e um euro para crianças e jovens até aos 17 anos e cidadãos acima de 65 anos. Há descontos especiais para famílias, grupos e escolas.

ver https://lusofonias.net/portugalizafilms/brigantiafilms/2128-bragan%C3%A7a-promo-2015.html

 

Pouco resta do maior bairro estrangeiro que Portugal construiu na Tailândia – SAPO Viagens

Views: 0

Fonte: Pouco resta do maior bairro estrangeiro que Portugal construiu na Tailândia – SAPO Viagens

Continuar a ler

Memória do Estado Novo, para que te queremos? – PÚBLICO

Views: 0

Fonte: Memória do Estado Novo, para que te queremos? – PÚBLICO

Continuar a ler

Batalha de Ormuz: a vitória de 6 naus contra 160 barcos de guerra persas | VortexMag

Views: 20

Foi uma das maiores batalhas da história de Portugal protagonizada pelo grande Afonso de Albuquerque. Falamos da Batalha de Ormuz, no actual Irão.

Fonte: Batalha de Ormuz: a vitória de 6 naus contra 160 barcos de guerra persas | VortexMag

 

Batalha de Ormuz: a vitória de 6 naus contra 160 barcos de guerra persas

Foi uma das maiores batalhas da história de Portugal protagonizada pelo grande Afonso de Albuquerque. Falamos da Batalha naval de Ormuz, no actual Irão.

31806
2
Batalha de Ormuz
Ormuz – Irão

Conhece a fantástica história da Batalha de Ormuz? Ao raiar do dia 25 de Setembro do ano de 1507 começou a aproximar-se do fundeadouro principal da cidade de Ormuz uma estranha esquadra de seis naus, coberta de bandeiras e pendões que nunca haviam sido vistos por aqueles mares. Tratava-se de uma esquadra portuguesa que partira de Lisboa no fim do Inverno de 1506, integrada na armada de Tristão da Cunha. O seu capitão-mor chamava-se Afonso de Albuquerque!

Afonso de Albuquerque

Ormuz era nessa época um reino praticamente independente, embora vagamente vassalo do xá da Pérsia. Quem o governava não era o rei, que tinha apenas quinze anos, mas sim um grão-vizir todo poderoso chamado Cogeatar.

A chegada dos portugueses, com todo o seu aparato bélico, constituiu um choque mas não propriamente uma surpresa para este. Na verdade, durante as últimas cinco semanas não tinham cessado de chegar a Ormuz notícias alarmantes, mesmo aterradoras, acerca de uma esquadra de frangues (cristãos) e de um terrível capitão que estava pondo a ferro e fogo a costa de Omã.

Sabia-se que Calaiate, Curiate, Mascate, Soar e Corfação se haviam tornado vassalas do rei de Portugal; que aquelas que tinham resistido tinham sido tomadas à viva força e saqueadas; que aos prisioneiros de guerra tinham sido cortados os narizes e as orelhas.

costa de Omã

Dizia-se mesmo que os Portugueses comiam gente! Por tudo isto Cogeatar se sentia apreensivo e tratara de tomar as suas precauções. Proibira a saída de qualquer das cerca de sessenta naus que estavam fundeadas em Ormuz e guarnecera-as com muita gente de armas, ao mesmo tempo que mandava chamar a sua armada, constituída por cerca de cem terradas (navios parecidos com fustas) que se encontravam na costa da Pérsia.

Mas Afonso de Albuquerque era um actor consumado e um mestre na arte da guerra psicológica. Apesar de ter os navios e as guarnições a cair aos bocados e de os seus capitães estarem à beira da rebelião, comportou-se como se dispusesse da maior e mais bem equipada armada do mundo e acabou por convencer disso os seus adversários, criando neles um complexo de inferioridade e de receio.

Uma hora depois de ter fundeado, como não tivesse aparecido ninguém a cumprimentos, Albuquerque mandou recado à maior nau que estava no porto, junto da qual tinha largado ferro, para que o seu capitão viesse imediatamente a bordo, caso contrário a meteria no fundo!

Afonso de Albuquerque

Tratava-se de uma nau enorme, pertencente ao rei de Cambaia, que tinha a bordo perto de mil homens entre marinheiros e soldados. Pois o que aconteceu é que, perante o ultimato de Afonso de Albuquerque, o seu capitão acobardou-se e foi-se apresentar imediatamente no navio daquele.

Para o receber, Albuquerque montou uma encenação grandiosa, aparecendo ricamente vestido, rodeado de fidalgos e homens de armas cobertos com armaduras reluzentes e empunhando lanças e espadas, no meio de bandeiras, colgaduras e almofadas de seda, à mistura com pelouros, bestas e machados de abordagem.

Aproveitando o efeito produzido por todo este aparato, explicou amavelmente ao capitão da nau de Cambaia que ele, capitão-mor daquela esquadra, tinha vindo por mandado de el-rei D. Manuel de Portugal apenas para tomar Ormuz sob a sua protecção e autorizar todos os navios que navegavam por aqueles mares que o continuassem a fazer livremente desde que, evidentemente, o reconhecessem por soberano e senhor.

Ormuz

Pediu-lhe que levasse o recado a Cogeatar e que lhe dissesse mais o seguinte: que, no caso de estar disposto a aceitar tão generosa oferta, se devia apresentar no dia seguinte naquela mesma nau para assentar pormenores; caso contrário, que teria muita pena, mas que se veria obrigado a queimar todas as naus que estavam no porto e a tomar Ormuz pela força das armas como havia feito com as cidades da costa de Omã que lhe tinham resistido.

E acrescentou, à laia de confidência, que a si tanto lhe fazia, mas até que preferia que Cogeatar recusasse porque ele próprio, assim como os fidalgos e soldados que ali via, já estavam com saudades de um bom combate!

Marinha de Guerra Portuguesa

Ao receber a mensagem de Albuquerque, Cogeatar pensou que ele devia ser doido para se atrever a desafiá-lo, apenas com seis pequenas naus metidas no meio de sessenta muito maiores e bem guarnecidas de gente de armas.

Mas o capitão da grande nau do rei de Cambaia aconselhou-o a que tivesse cautela. O capitão português o os fidalgos e soldados que estavam com ele pareciam gente muito perigosa. Que se lembrasse do que tinha acontecido às cidades da costa de Omã!

Cogeatar era um político hábil e prudente. Por isso não se precipitou. Foi consumindo todo o dia 26 com respostas evasivas e dilatórias, procurando ganhar tempo, para que a sua armada de terradas pudesse chegar a Ormuz, o que veio a acontecer nessa mesma noite.

Ormuz

Notando que a coberto da escuridão as naus que estavam mais perto dos navios portugueses mudavam de posição e ouvindo o rumor provocado pelo intenso movimento dos batéis que traziam reforços de armas e soldados, Afonso de Albuquerque compreendeu que Cogeatar não se assustara suficientemente e decidira combater.

Ao amanhecer do dia 27, os portugueses puderam constatar que as naus inimigas tinham ido fundear mais junto à praia, muito próximas umas das outras, tendo a maior parte delas os costados protegidos com arrombadas feitas com sacos de algodão. Em algumas, já as guarnições estavam tocando trombetas, fazendo grande alarido e agitando as armas.

Detrás das naus, saiam em grupos compactos as terradas de Ormuz que vinham tomar posição pelo outro bordo dos nossos navios, de modo a cercá-los completamente. Ao longo da praia viam-se muitos esquadrões formados e alguns baluartes com artilharia.

Ormuz

Afonso de Albuquerque não perdeu tempo. Como o vento era muito fraco, ordenou aos batéis que tomassem as suas naus a reboque e foi fundear a curta distância da grande nau do rei de Cambaia e das outras naus que lhe pareceu serem as principais da armada inimiga. E, sem mais detença, abriu fogo!

O inimigo respondeu de imediato, travando-se um furioso duelo de artilharia, acompanhado por contínuas descargas das espingardas e arremessos de flechas, tudo isso no meio de um barulho ensurdecedor e de uma densa fumarada que o vento, por ser muito fraco, não conseguia dissipar.

Afonso de Albuquerque

Aproveitando o empenhamento dos portugueses no combate com as naus e as nuvens de fumo que, em parte, cobriam os seus movimentos, as terradas de Ormuz atacaram várias vezes pelo bordo contrário. Começaram então as nossas naus a experimentar algumas dificuldades, pois tinham pouca gente e viam-se obrigadas a sustentar o combate de artilharia com as naus adversas por um bordo e, ao mesmo tempo, repelir os ataques das terradas pelo outro.

Porém, como estas, devido ao seu número, eram forçadas a avançar em massas compactas, ofereciam um alvo ideal aos nossos bombardeiros, que não perdiam um tiro. Depois de algumas delas terem sido afundadas e outras terem sofrido avarias graves e terem tido muitos mortos e feridos, desistiram dos seus ataques e regressaram à praia.

Marinha de Guerra Portuguesa

Albuquerque aceitou a rendição a troco do pagamento de um pesado tributo anual e da autorização para construir uma grande fortaleza na ponta norte da ilha, destinada a assegurar em definitivo o domínio do Golfo Pérsico e regiões circundantes pelos Portugueses.

Na batalha naval de Ormuz perderam os Ormuzinos cerca de oitenta naus, entre as que foram afundadas, queimadas no mar ou em terra, ou capturadas bem como cerca de trinta terradas afundadas ou capturadas e cerca de três mil mortos além de muitos mais feridos. Do lado português houve apenas onze feridos, entre os quais alguns graves.

Marinha de Guerra Portuguesa

Terminada a batalha os soldados portugueses puderam verificar que muitos dos inimigos mortos tinham flechas espetadas no corpo, arma que os portugueses não usavam. Supomos que terão sido flechas disparadas pelas terradas que, passando por cima das naus portuguesas, terão ido atingir as guarnições das naus de Ormuz que estavam do lado contrário. A versão que correu entre os nossos para explicar o facto foi que Deus tinha enviado os anjos, armados com arcos e flechas, para combater a seu lado!