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NAZIS MATARAM PORTUGUESES

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Investigação revela portugueses detidos e mortos pelos nazis durante a II Guerra Mundial
Lisboa, 21 jul 2023 (Lusa) – O novo livro da investigadora Miriam Assor revela que centenas de portugueses e cidadãos de origem portuguesa estiveram nos campos de concentração nazis ou morreram às mãos de Hitler, apesar de Portugal ter sido neutral durante a II Guerra Mundial.
O livro, “Portugueses na Lista Negra de Hitler” desvenda o rasto de portugueses ou cidadãos de origem portuguesa, maioritariamente judeus, que residiam fora de Portugal e não foram salvos “devido à morosidade e desleixo das autoridades portuguesas”, disse Miriam Assor em declarações à agência Lusa.
Miriam Assor realçou à Lusa que “nem todos eram judeus” e “houve um desleixo e impasse burocrático das autoridades portugueses que tinham um certo medo dos nazis alemães”.
A investigadora referiu um grupo de portugueses que ficou detido em Le Vernet, em França, durante cerca de quatro anos, e foi depois deportado para o campo de concentração de Dachau, na Alemanha, onde a maioria morreu. “Estes não eram judeus”, disse.
Em Le Vernet, nos Pirenéus franceses, estiveram detidos cerca de 12 mil anarquistas espanhóis da Divisão Durruti, e a partir de 1942 tornou-se um centro de detenção para judeus, tendo os últimos prisioneiros sido levados no “comboio fantasma”, em junho de 1944, para Dachau. Neste campo de concentração estiveram detidos cerca de 40 mil pessoas de 58 nacionalidades, incluindo a portuguesa.
A autora referiu que “a neutralidade portuguesa foi oscilando com o evoluir da guerra, até ao ‘Dia D’ [6 de junho de 1944], a guerra dá muita volta e Portugal também”.
O “Dia D” foi a operação militar aliada, dos Estados Unidos, Reino Unido e Commonwealth e outras nações, de desembarque das tropas na costa da Normandia, França, e que deu início à libertação da Europa do domínio militar nazi.
Miriam Assor afirmou que não encontrou posições de antissemitismo por parte do Governo de Portugal, nomeadamente do então presidente do Conselho de Ministros e ministro dos Negócios Estrangeiros – “António de Oliveira Salazar e do seu séquito” -, mas notou “uma falta de responsabilidade e de tomada de decisão”.
O Governo de então “não quis assumir, ao contrário até dos nazis, que pediam para Portugal retirar os seus cidadãos dos territórios sob o seu domínio”.
À Lusa, a autora referiu os portugueses que se encontravam no campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha, foram colocados num “bloco onde não eram obrigados a trabalhar”. “Tinham de se levantar de manhã e estar cinco a seis horas numa fila para receberem a sopa diária. Tiveram doenças e emagreceram bastante, mas há uma diferença ordenada pelo Hitler, porque eram de um país neutro”.
Relativamente à indecisão de Lisboa em reconhecer a nacionalidade de alguns dos seus cidadãos, nomeadamente residentes em França, ocupada parcialmente pelas forças alemãs, e na Grécia, ambos os países sob ocupação nazi entre 1940 e 1944, a autora afirmou que não teve dúvidas e considerou-os “portugueses”.
“Considerei-os portugueses, porque as documentações que eu vi levaram-me a crer que essas pessoas eram portuguesas”, disse, referindo que houve várias pessoas que “pediram a Portugal para lhes renovar a documentação e Portugal esquivou-se”. “Até à guerra eram portugueses, mas depois da guerra Portugal percebeu que tinha ali um grande imbróglio”, assegurou.
Miriam Assor afirmou que “a sorte dos judeus portugueses na Grécia foi muito inferior à dos judeus portugueses em França que conseguiram ser repatriados à conta de cônsules-honorários que arriscaram a sua carreira para salvarem pessoas”, como Aristides de Sousa Mendes (1885-1954), que foi cônsul-honorário em Bordéus, no sudoeste de França.
“A ditadura [portuguesa] em nenhum momento tomou uma decisão de salvar estas pessoas – os nossos. É sempre alguém, um pouco sub-repticiamente, que salva”.
Em 1940, Aristides de Sousa Mendes “já tinha caído em desgraça”, exonerado pelo Governo de Salazar.
Miriam Assor levou dez anos a escrever este livro, tendo recolhido vários testemunhos, nomeadamente dos descendes, mas falou com sobreviventes, como o sefardita Maurício Lévi, de 88 anos, que vive no Estado norte-americano da Virgínia.
A obra reproduz vários documentos oficiais portugueses, nomeadamente diplomáticos, incluindo uma lista de nomes dos portugueses presos pela milícia paramilitar nazi Schutzstaffel (SS) em Atenas, em 1944, e mais tarde deportados. Desta lista constam 19 nomes.
A autora refere vários portugueses e tece a sua curta biografia, ao longo da obra, como o minhoto João Fernandes, de Gondariz (Viana do Castelo) deportado para o campo de concentração em Mauthausen, na Áustria sob bandeira nazi, e, posteriormente para o de Natzweiller-Struthof, atualmente em França, na época sob administração alemã, “um dos raros” que sobreviveu à guerra.
Outro sobrevivente foi Joaquim Sequeira, natural de Lalim, no concelho de Lamego, distrito de Viseu, que esteve em Dachau e em Natzweiller-Struthof.
Também João Faria de Sá, de Vila Nova de Famalicão (Braga), esteve no campo de concentração de Buchenwald, na Alemanha.
A estes nomes juntam-se outros como Raquel Batista, de Lisboa, que foi morta no campo de concentração de Auschewitz-Birkenaum na Alemanha, em agosto de 1942, e Bernardino da Silva, de Santo Tirso (Porto), “o único português no denominado ‘Comboio da Morte’ que saiu da cidade francesa de Compiègne, em julho de 1944, em direção a Dachau”, tendo morrido durante o trajeto.
“Dentro desta tragédia encontrei amor”, sentenciou a autora que não dá por terminada a investigação, afirmando: “Continuo na expectativa de descobrir e divulgar mais detalhes sobre os portugueses que sofreram na II Guerra Mundial [1939-1945]”.
Miriam Assor, jornalista que iniciou carreira no semanário O Independente, tem publicado vários livros sobre judeus, como “Aristides de Sousa Mendes – Um Justo Contra a Corrente” e “Judeus Ilustres de Portugal”.
NL // MAG
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Conheça a história de Akbal Pinheiro, líder do Reino do Pineal

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Adepto de teorias da conspiração e antigo chefe de cozinha de profissão, este é o líder do misterioso Reino de Pineal.

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JÁ SE PODE COMER O PAPA

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Na Avenida Duque de Loulé, do 113 ao 119, em Lisboa, já é possível comer o Papa. Ou seja, trincar bolachas com o rosto de Sua Santidade.

 

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gilgamesh

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Acerca deste livro maravilhoso, de que me vem à cabeça muitas vezes as tendas construídas para se sonhar, escrevi há uns tempos o texto abaixo. Sim, tendas construídas para sonhar. Uma coisa muito simples, uma tenda de pano, que os Sumérios levantavam fora de casa, punham uma manta por baixo, uma almofada, e deitavam-se a dormir, só para sonharem sonhos diferentes de quando dormimos na nossa cama habitual. Não queriam fazer do sono o quotidiano, desejavam comunicar com o transcendente. Sonhar é viver. Dormir é trabalhar. O sonho é uma forma de poesia, porventura a melhor de todas.
«Os escritores bebem em fontes como quem rouba água às nascentes. Quanto mais andamos para trás, em busca de uma origem, mais nos enredamos numa encruzilhada da qual só nos apercebemos de uma coisa: a literatura é impressionante na dimensão do seu fascínio. O fio de Ariadne é a emoção que nos conduz a lado nenhum em toda a parte. As Sagradas Escrituras descobriram-se no mesmo caminho sem fim de que é feita a senda humanidade. O «Épico de Gilgamés» (aqui no texto traduzido e comentado por Francisco Luís Parreira e publicado pela Assírio & Alvim) narra a epopeia do rei lendário de Uruk, que terá sido inicialmente escrita há perto de cinco mil anos, na Suméria, tendo passado por várias transcrições ao longo dos séculos subsequentes, até se perder nas areias do deserto por meados do primeiro milénio antes de Cristo. As tabuinhas de argila onde o texto se encontra fixado só seriam redescobertas no século XIX, incompreensíveis, e mais tarde decifradas graças ao paciente estudo de quem se ia progressivamente fascinando com o que desvendava. O resultado foi tão surpreendente que esteve próximo de causar escândalo, mas só por causa da nossa vastíssima ignorância. Não de uma ignorância incompetente ou desleixada, mas de um desconhecimento de que nunca nos livraremos, se Deus quiser. Foi assim que o sagrado se profanou, e foi assim que Homero deixou de ser pai, ao serem-nos reveladas as suas fontes. O épico de Gilgamés, porém, conduz-nos à pergunta: o que estará por trás dele? O que se perdeu nas brumas do tempo? Que hinos, que canções, que aventuras, que poemas, que histórias? A resposta não surpreende: nada com que nos dêmos por satisfeitos.
Tudo começa com o verso: «Aquele que testemunhou o abismo», e daqui se parte para o relato das aventuras do sábio e poderoso Gilagamés, senhor de uma enorme estatura, peito e ombros largos, pernas que abarcam quatro metros a cada passo. Encontra em Enkidu o companheiro, verdadeiro amigo e irmão para a sua busca da imortalidade, da glória e da fuga aos estreitos termos impostos pela fatalidade da vida. Logo na primeira tábua (a epopeia está dividida em doze tábuas) ficamos a saber que o seu nome — cujo significado será “Descendente de um herói” — foi pronunciado no dia do nascimento, indicando que estava predestinado para façanhas extraordinárias. Ora, encontrando Enkidu, Gilgamés encontra também um sentido para a vida, e decide partir com ele pelo mundo a combater o maior flagelo da Terra, Humbaba, o monstro que protege a Floresta do Cedro. Após longas jornadas arribam ao famigerado território. Gilgamés, pleno daqueles sentimentos que nos habituámos a observar nos clássicos, vacila finalmente à vista do tenebroso matagal de ciprestes, retiro do gigante e viveiro de sons medonhos. Enche-se de terror. «Meu amigo, ampara-me», pede o rei de Uruk ao companheiro. Só o incitamento de Enkidu consegue devolver-lhe a coragem. É então que um rugido horripilante anuncia a presença de Humbaba. Novamente Gilgamés hesita, derramando lágrimas de pânico, pedindo a Samas, o deus-Sol, que o ajude. Acedendo o deus, o combate inicia-se com as ameaças do guardião da floresta. «Trouxeste-me Gilgamés, ó traiçoeiro Enkidu, mas vou rachar-lhe o pescoço e as goelas, darei a sua carne aos abutres.» Engalfinhando-se numa luta de proporções titânicas, Gilgamés é auxiliado por Samas e vence o monstro. Humbaba suplica clemência, num discurso tão comovente que provoca a piedade do leitor moderno. Prostrado no chão, indefeso, o portento medonho de rosto disforme, qual Adamastor nos confins da África, roga ao seu vencedor, correndo-lhe as lágrimas perante os raios do Sol: «Poupa-me a vida, Gilgamés. Viva eu ao teu serviço aqui na Floresta do Cedro. Tudo te darei.» Enkidu exorta Gilgamés a não poupar a vida do monstro e a matá-lo imediatamente. Humbaba vira-se então para Enkidu, dizendo-lhe que a sua liberdade depende dele. Não obtendo indulgência, Humbaba enfurece-se e amaldiçoa os seus captores, pedindo aos céus que lhes concedam escassos dias de vida (faz lembrar a ira de Posídon, na Odisseia). O rei de Uruk pega então no machado e crava-lho no pescoço, matando-o. Quem não vê nesta narrativa emocionante tantos traços de Homero, que viveu numa época em que a história ainda circulava? Quem não sente na amizade de Enkidu e Gilgamés o amor que unia Aquiles e Pátroclo? O herói Aquiles, por desejo de vingança e de fama terrena, empunha as armas para matar Heitor, o maior guerreiro de Troia, flagelo dos aqueus, e recusa todos os pedidos de misericórdia do adversário; chora lágrimas abundantes pela morte de Pátroclo e dedica-lhe um funeral digno dos deuses. Mas a epopeia prossegue, até porque a beleza, a força e a coragem de Gilgamés despertam a paixão desenfreada da deusa Istar (sem dúvida a Afrodite homérica, de quem o próprio nome deriva, segundo Francisco Luís Parreira, pois terá evoluído da forma semítica ocidental Astorith [Istar]). A deusa da fertilidade e da sexualidade propõe casamento ao rei vencedor. Gilgamés, no entanto, recusa insolentemente, acusando-a de promiscuidade e do infortúnio de todos os seus amantes anteriores. Istar, enfurecida pelo desacato do mortal, comparece a chorar perante o pai, Anu, deus do Céu, e pede-lhe que castigue Gilgamés pela afronta inadmissível. Anu dá-lhe o Touro dos Céus, pondo-lhe na mão a corda que o puxa. O animal gigantesco desce à terra e comete devastações, provocando, entre outras calamidades, a morte de centenas de habitantes de Uruk. Enkidu e Gilgamés unem-se novamente para livrar o mundo de mais uma praga e conseguem matar o Touro dos Céus, cravando-lhe o punhal no cachaço, enfurecendo ainda mais a ofendida Istar. A que fonte foi beber Homero para o relato da Afrodite injuriada por Diomedes, na Ilíada, senão a este episódio? É tão evidente a analogia que até as personagens são as mesmas: Anu — Zeus; Istar — Afrodite; e um mortal cujo atrevimento chega ao ponto de enfrentar os deuses — Gilgamés/Diomedes). O povo de Uruk celebra esta esplêndida vitória festejando nas ruas da cidade, em aclamações de júbilo. «Gilgamés é o mais glorioso de entre os homens!» Tudo caminharia para um final feliz se Enkidu, nessa mesma noite, não tivesse um sonho angustiante, o prenúncio de um acontecimento tão horrendo como natural: a morte. Nesse sonho, os deuses discutem qual dos dois heróis deve abandonar o mundo dos vivos como castigo pela ousadia de terem matado o Touro dos Céus. A escolha recai sobre Enkidu, que acorda em lágrimas a lamentar a fatalidade do destino. «Ó meu querido irmão, terei de me sentar entre os mortos e nunca mais contemplar o meu irmão querido com os meus próprios olhos!» O desespero é tão avassalador que perde o domínio de si e amaldiçoa tudo e todos, até finalmente se aquietar, entristecido, e se arrepende das palavras desenfreadas. Adoece, padece de uma agonia de doze dias, prostrado no leito, e morre. As suas últimas palavras foram de desgosto por não morrer como um bravo, no meio da batalha, mas deitado numa cama, murmurando ao companheiro: «Eu não caio em combate, eu não engrandeço o meu nome.» Gilgamés fica inconsolável, caindo em pranto, pedindo ao mundo inteiro que chore por Enkidu. O seu amor por ele roça a homossexualidade: «Cobriu o rosto do amigo, como a uma esposa.» As lamentações fazem lembrar as de Adriano por Antínoo quando o imperador romano soube da morte do jovem e lhe dedicou um enterro digno de um estadista e um culto divino para a posteridade: «Os príncipes da terra virão beijar-te os pés. Farei com que o povo de Uruk te chore e lastime, por ti, entre a formosa gente farei alastrar a dor.» Deu-lhe um funeral que nos remete para as honras fúnebres de Pátroclo, prestadas por Aquiles, e depois abandonou a comunidade dos homens, vagueando pelos ermos e pelos descampados na mais profunda desolação de alma, sufocado não só pela melancolia mas também pela terrível angústia existencial que a certeza da morte acarreta. «Morrerei: não ficarei eu, então, igual a Enkidu?» Decide por isso ir em busca da vida eterna procurando Uta-napisti, um homem a quem os deuses concederam a imortalidade. É notória a semelhança com a fatalidade homérica, a luta inglória contra o destino: qualquer um de nós pode pegar em armas e cometer e veleidade de enfrentar a morte, mas sabe que vai perder. É uma espécie de suicídio ritual, quando se almejava precisamente o contrário. O resultado só pode ser um: o desespero. Nele se enreda Gilgamés na sua busca por Uta-napisti, o único imortal nascido humano, a derradeira tentativa de vir a fruir da vida eterna. Porém, todos os que encontra pelo caminho lhe dizem: «A vida que procuras, não a encontrarás.» Finalmente chega até Uta-napisti, contando-lhe a sua desdita, para obter como resposta: «A ti mesmo te gastas com trabalhos incessantes, apressando o fim dos teus dias.» Gilgamés pede ao menos que conte como lhe foi possível a ele, Uta-napisti, aceder à assembleia dos imortais. Segue-se um relato que impressiona por nos soar a algo de incrivelmente familiar. Uta-napisti não é outro senão o Noé judaico-cristão que relata ao seu interlocutor a história do Dilúvio. Quando a humanidade se tornou um incómodo para os deuses, estes decidiram destruí-la. No entanto, o deus Ea revela a intenção divina a Uta-napisti, rei de Surupak, e diz-lhe para construir uma arca de madeira que flutue nas águas alterosas da grande inundação. Fornece-lhe as medidas para a obra e ordena-lhe: «Faz embarcar a semente de tudo o que é vivo.» Após a conclusão dos trabalhos, aproximou-se uma nuvem negra que desencadeia os vendavais arrasadores e o Dilúvio. Chove até a água cobrir a totalidade da terra. Vindo a acalmia, Uta-napisti lança sucessivamente uma pomba, uma andorinha e um corvo para ver se há lugar onde aportar. Só à terceira tentativa obtém resposta positiva: as águas baixavam, e assim se pôde repovoar o mundo.
O épico de Gilgamés esteve enterrado no deserto, completamente ignorado, durante dois mil e quinhentos anos. Nesse intervalo de tempo nasceram, cresceram, expandiram-se, reformaram-se, adulteraram-se, corromperam-se e povoaram-se de bem-aventurados várias religiões, uma era, um viveiro de impérios, uma incubadora de revoluções, uma sucessão de mortes e renascimentos, um desfile de ideais e de filosofias, enquanto as areias calmamente os viam passar. O dom da imortalidade, que muitos procuraram sem sucesso, atingiu-o o sonho. E basta dormir numa cama diferente da habitual.»
Pode ser uma imagem de texto que diz "ÉPICO DE GILGAMEŠ tradução, introdução notas de FRANCISCO Luís PARREIRA ASSÍRIO & ALVIM"
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José Moreira da Silva

Não li esse livro, mas abriste-me o apetite. Numa parte do teu texto lembrei-me de Herman Hesse e do seu Siddhartha…
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antiga internet do corvo

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O largo do Outeiro era frequentado essencialmente pelos homens adultos da ilha, principalmente ao final da tarde. Lá “ponham a conversa em dia”, falavam dos problemas da ilha, da lavoura e da agricultura. Ocasionalmente as senhoras também o frequentavam, sobretudo em dias de navio e quando chegavam à ilha desconhecidos. Tentavam adivinhar quem era e o que vinham fazer. Era o quotidiano corvino de outros tempos.
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Alexandrina Bettencourt

Bom dia.. bonita recordação!
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Mapa do mundo de 3000ac até 1000dc: 4000 anos de guerras

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Veja “Mapa do mundo de 3000ac até 1000dc: 4000 anos de guerras” no YouTube

Desde os primeiros Estados-Impérios no Crescente Fértil até ao Califado Abássida. Destaque para o Mediterrâneo e para o Império Romano. Centrem a atenção em 3 focos geográficos distintos que se pode designar por «Centros do Mundo»: Mediterrâneo, Ásia Meridional (Índia) e o litoral da Ásia Oriental (China). No ano 1000 Portugal ainda não existia (Fundação em 5 de Outubro de 1143 – Tratado de Zamora).


BOEING 1916

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Em 1916, foi fundada a Boeing Airplane Company, nos EUA, uma empresa que tinha por fim a construção de aeronaves.
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1962 sobre naufrágios nas Ilhas das Flores e Corvo

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Artigo de Jacob Tomaz, n’0 Telégrafo de 2 de Setembro de 1962, sobre a barca Modena.
Alguns apontamentos sobre naufrágios nas Ilhas das Flores e Corvo
(Jacob Tomaz, n’0 Telégrafo de 2 de Setembro de 1962)
Desde que se procedeu ao povoamento dos Açores, estas Ilhas começaram a ser visitadas por barcos de diversas nacionalidades nomeadamente espanhois, ingleses e argelinos e a partir daí essas visitas mais e mais se foram intensificando. Nos alvores do século XIX a frota baleeira de New Bedford invade estes mares bem como a marinha mercante inglesa que já no século XVIII, quanto às Flores, traficara de diversas formas. Depois tudo se vai normalizando até ficar reduzido ao seu estado actual.
Com a descoberta do Caminho Marítimo para a India e depois o comércio estabelecido entre aquele continente e o Reino de Portugal, os Açores passam a ser passagem obrigatória para as nossas naus e para toda a navegação interessada nas riquezas do Oriente. Simultâneamente os navios piratas de diversas nacionalidades infestam estes mares e as populações passam a viver suspensas do terror das pilhagens.
E quando se iniciam as navegações entre a Europa e a América do Norte e Central e mesmo com o Brasil, as Flores deve ter sido, entre as Ilhas dos Açores, uma das que mais navios via demandar as suas costas, quer para fornecer refresco, quer para receber destroços, quer ainda para ser vítima de numerosas pilhagens e massacres. E naus da India por aqui passaram também….
A dura luta travada entre florentinos e piratas deixou longa História na tradição oral e na toponimia, influindo assinaladamente sobre a localização de povoações e até sobre a forma e disposição arquitectónicas das moradias. Até nos registos de óbitos da época (os mais antigos são do século XVII) algum padre mais comovido ou minucioso deixou confirmação de alguma coisa do que acima se diz. Faltam porém as melhores fontes coevas de informação já que os arquivos desta Ilha estiveram igualmente sujeitos – mesmo em pleno século XX – a piratarias e vandalismos de outra espécie.
Quantos dramas se não viveram? A quantos naufrágios se não assistiu? Embora nenhuma tentativa séria se tenha feito ainda no sentido de relatar esse aspecto da nossa heróica história de Ilhéus durante essas largas décadas de colonização e fixação é mais que certo que nunca esse relato poderá ser completo. No entanto muito se poderia fazer ainda. Melhor diria muito se poderia fazer já. Descortina-se até, por de trás de tudo isso, a estruturação de características que hoje o açoriano mantém, vincadamente.
Datam do século XVII os primeiros naufrágios longamente relatados, ocorridos nas Ilhas das Flores e Corvo. Do princípio do século XVIII também existe o relato em pormenor de um que, pelas promessas feitas por dois dos seus passageiros, nobres espanhois, iria ter poderoso reflexo no enriquecimento do património artístico do convento de S. Boaventura, daí transitando parcialmente para outras igrejas da Ilha. Trata-se de alguns exemplares da magnífica escultura religiosa espanhola do fim do século XVII. Infelizmente, tal como aconteceu aos arquivos das Flores, mesmo em pleno século XX tivemos de assistir ao massacre de algumas dessas joias artísticas.
Também no século XVII, a passagem de uma fragata dinamarquesa (1) por esta Ilha pode ter influido em larga medida, na evolução da sua vida social, contribuindo para que as populações se refrescassem por diversas formas, com a cultura e mentalidade dos povos daquele Reino. Este, porém, é estudo que está por fazer e do qual só existe um leve rastro difícil senão impossivel de seguir e de desbravar.
Até nossos dias e nesta Ilha das Flores, os naufrágios se têm sucedido, mais ou menos dramáticos, mais ou menos espectaculares. Destes, o mais importante foi o do vapor Slavonia ocorrido em 1909; daqueles, teremos o da barca Bedart [Bidart] ocorrido em 1915 para só falar em dois, ambos deste século.
Tudo isto vem a propósito de uma inscrição encontrada pelo sr. Celestino de Carvalho Flores, em 1960 na Fajã do Conde, Santa Cruz, a qual já deu motivo a uma interessantíssima palestra proferida aos microfones de Rádio Club dos Açores, pelo sr. Tenente Coronel José Agostinho.
Com os elementos reunidos por duas vias diferentes (Celestino Flores e José Agostinho) se dá agora a presente notícia.
Primeiramente temos a inscrição, tal como a copiei em 10/10/1961, feita em grande bloco granítico, de forma mais ou menos cúbica, para a qual foi necessário alisar grosseira e parcialmente, uma das faces:
CAPT. W. H. LANG
[aqui reprodução de símbolo que alguns crêem maçónico]
AND 11 MEN
LANDED MAY 5 73 (2)
FROM BARK MODENA
OF BOSTON MASS.
FOUDERD [FOUNDERD] APRIL 22
Modena – era uma barca americana, construída em Duxbury, Mass. em 1851. Tinha 206 toneladas e eram seus proprietários em 1873 Rideout e Roberts, de Boston (3).
Em 9 de Março de 1873 chegou a Bermuda, vinda da Serra Leôa e a 15 de Abril partiu da Bermuda para Boston.
A 22 de Abril foi abandonada na Lat. 35° N, Long. 65° W sendo salva toda a tripulação. (4).
No Merchantil [Mercantile] Navy List, Bureau of Statistics está o seguinte registo (5):
Modena – barco [barca]
Número oficial – 16295
Sinal – HMVN (6)
Tonelagem – 175.08
No National Archives encontra-se um certificado do Registo datado de 13 3.1867 no qual se diz que Modena foi construída em Boston, tendo por armadores J. Rideout, H. O. Roberts e N. Mansfield, da qual era capitão David A. Roberts (7)
DIMENSÕES:
98,70 pés de comprimento
25,75 pés de largura
10,42 pés de «creux» (😎
Tinha uma «Square stern», proa sem ornamentações, uma ponte e 3 mastros. Do naufrágio alguém teria escapado visto que no verso do registo se encontravam as palavras «Surrendered at Faial». (9)
Não resta dúvida de que as duas informações se completam e se devem referir à mesma barca, embora exista contradição nalguns pormenores.
«Como do ponto onde a barca se afundou até às Flores medeiam 1.700 milhas, não poderia acreditar-se que o capitão Lang e os seus homens fizessem tal travessia no salva-vidas da barca e, para mais, em menos de duas semanas. O que aconteceu decerto foi a tripulação da barca Modena ter sido recolhida por um navio que passou para Oeste [Este] tendo desembarcado os náufragos na Ilha das Flores, a primeira que encontrou» (10).
(1) Até há dias só havia notícia desta ocorrência através de um oficio do comandante do Royal Norwegian Navy – Orlogs kaptein Rolf Scheen. Agora, porém, mais um elemento de poderosa sedução pude encontrar pelo que é de prosseguir na pesquisa.
(2) O algarismo 5 está gravado demasiado junto do 7 pelo que se lê, de início, 573.
(3) inf. do museu Peabody, de Salens, Mass – J. Agostinho.
(4) inf. de Mr. C. C. Cutler, tirada do New York Maritime Register – J. Agostinho.
(5) inf. do department of Armed Forces History – C. Flores.
(6) Com o M e o V deste sinal ter-se-á procurado fazer o sinal que aparece na inscrição, logo abaixo do nome do capt. W. H. Lang?
(7) inf. de Mr. M. L. Peterson – C. Flores.
(😎 idem, idem; não se traduziu a palavra francesa «Creux» que talvez signifique pontal.
(9) inf. de Mr. M. L. Peterson – C Flores.
(10) in «A União», n.º 19 866 de 20 de Fevereiro de 1962 – J. Agostinho.
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MEMÓRIA FURNAS

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1950s, Furnas, Ilha de São Miguel
● A fachada principal com colaboradores da “Água da Helena” nas Furnas na década de 50 do Século passado
“Na última década do século XIX, na ilha de São Miguel, algumas nascentes frias de água mineral, com interesse económico, turístico e regional, começaram a ser aproveitadas por indústrias de águas engarrafadas: no Maciço do Fogo, explorou-se a Água das Lombadas (1895) (Ribeira Grande) e no Maciço das Furnas, a Água do Alcântara (1899), Serra do Trigo (1899-1980), Água da Helena (1951), Gloria Patri (1994) e Magnificat.”
Foto de autor desconhecido partilhada por Gilberta Carvalho; Texto in SIARAM

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GREENPEACE, ASSASSINADO FOTÓGRAFO PORTUGUÊS HÁ 38 ANOS

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Faz hoje 38 anos
Fernando Pereira, ativista da Greenpeace e vítima mortal do terrorismo de Estado
Em 10 de Julho de 1985 o fotógrafo português Fernando Pereira foi assassinado pelos serviços secretos franceses num atentado bombista contra o navio Rainbow Warrior da organização ecologista GreenPeace.
A filha de Fernando Pereira, fotógrafo da Greenpeace, recorda o pai
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ribeirinha faial 25 anos depois do sismo

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Freguesia da Ribeirinha, ilha do Faial, 25 anos depois do terramoto de 9 de Julho que a arrasou.

s fotos seguintes são de chrys chrystello entre 2007 e 2023

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