50 Hilarious Jealous Moments Caught on Camera – en.precincttv.com

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50 Hilarious Jealous Moments Caught on Camera – A Sideways Smirk That Reveals a Lot Girls have a strange habit of constantly comparing themselves to one another, using someone elses assets to highlight their own flaws (whether imaginary or real). In this shot, gorgeous actresses Vanessa Hudgens, Selena Gomez, and Ashley Benson sit alongside one another as they chat about their roles in the film Spring Breakers. . The photographer caught the particular moment when both brunettes were scoping out their blonde co-stars impressive assets. But ins

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ELÉTRICO 28

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É
Ti Adérito, mirandês dos quatro costados, tinha por hábito descer à capital, duas ou três vezes por ano. Apanhava um autocarro em Miranda do Douro e lá seguia caminho.
Quem o via, olhava-o com caridade. Vestia-se com roupas para lá de velhas; tinha trejeitos de mendigo; carteira ou porta-moedas nunca se lhe vira; maneiras rudes e parolas; e não se coibia de falar em mirandês, língua em que era fluente.
Chegado a Lisboa, instalava-se na casa de uma irmã para a viagem sair mais económica. Nunca levava uma lembrança aos sobrinhos que tanto adoravam a bola doce mirandesa, ou uma alheira caseira, ou até uma couve do quintal! Nada de nada. Depois de assentar poiso, dava umas voltas pela cidade. Como a irmã vivia lá para os lados da Graça, apanhava o elétrico 28. O percurso começa no Martim Moniz e vai até Campo de Ourique, junto ao cemitério dos Prazeres – não compreendo como alguém dá o nome “Prazeres” a um cemitério! Qual é o prazer de morrer? Cá por mim, deixo-me estar por estas bandas que das outras não quero saber, por ora. Passa pelas zonas mais emblemáticas de Lisboa, onde os turistas gostam de ir: Igreja dos Anjos, miradouros, Sé, Chiado, Camões, Basílica da Estrela, etc. Quem vive em Lisboa, conhece sobejamente este elétrico. Pasme-se: qualquer visitante estrangeiro desprevenido fica sem a carteira e nunca mais esquece o elétrico. Por mais polícias, à paisana, que circulem no elétrico 28, os manhosos dos carteiristas, contornam a questão.
Com tão triste figura, passava incólume às mãos dos larápios. Quereis saber onde guardava o dinheiro? As moedas iam enroladas num lenço das mãos; e as notas dentro das meias, presas com um elástico a reforçar.
As razões, destas viagens a Lisboa, na terra ninguém as conhecia, nem ele fazia alarido delas. Cada um aventava o que melhor lhe parecia, mas longe ficavam da realidade. Estais em pulgas para saber do que se trata, não é verdade?
Era proprietário de dois prédios, cada um com cinco andares, vários apartamentos em cada piso e todos arrendados. Ia ver se estava tudo bem cuidado, as rendas em dia e falar com o gerente do banco – não queria expor-se aos bancos lá da terra, preferia manter o caso em segredo.
Em certa viagem de elétrico, deparou-se com uma rapariga a olhá-lo de forma que ele não compreendia. Olhar fixo, oblíquo e penetrante. Dos lábios, vermelhos e carnudos, soltava um sorriso discreto. Mal mostrava os dentes, brancos e reluzentes. Meneava, com trejeitos, fartos cabelos lisos e longos, negros como a noite. Por debaixo de uma blusa de rendas – saltavam aos olhos -, um par de roliços seios. A cintura era delgada como a de uma vespa, ancorada em coxas fartas que transpareciam por debaixo de uma saia justa, que batia um pouco acima dos joelhos. As mãos eram esguias e longas; a tez, alva como a neve da serra da Nogueira.
Que figura inquietante! Por que razão estaria a olhá-lo, sendo ele de tão fraca aparência, bem o sabia? Deixou-se estar a ruminar no assunto, sem se mover do lugar de onde vinha sentado, junto à janela. O lugar ao lado vagara, saíra um homem na paragem. A mulher, delicadamente, pedira se podia sentar-se. Não disse que sim nem que não – ti Adérito. O silêncio foi entendido como consentimento. O homem permanecia estático e como se nada fora com ele, mas só na aparência, já que o coração lhe pulava no peito. – Que quererá o dianho da mulher? – pensava entre dentes – Se calhar é alguma inquilina e eu não me lembro dela?! Mas que diabo se passa? É melhor esperar um pouco a ver se ela abre a boca, se não, saio e depois apanho outro. Raios na mulher! Está a pôr-me doido.
Passaram duas paragens e a mulher resolveu meter conversa.
– O senhor não é de cá, pois não?
Sem saber se abria a boca, ou pulava borda fora, assim permaneceu, por breves segundos, ti Adérito. Sempre fora contido e discreto, quanto à sua vida, e, agora, uma estranha a meter conversa?! Querem lá ver o despropósito?
– Não.
– Logo vi. O senhor veio visitar os seus filhos?
– Não tenho filhos.
– Tem a certeza?
– Absoluta, menina. Nunca me casei.
– Veja se conhece quem está nesta fotografia – abrira a carteira para lha mostrar.
O pobre do ti Adérito ficara sem uma gota de sangue, nem respirar era capaz. Reconhecera-se na fotografia, junto a uma jovem, muitos e muitos anos atrás.
– É a minha mãezinha e o senhor Adérito, não é verdade?
– Se a menina diz ser filha desta senhora…
– E sua, também.
– Cruz, credo! Nunca soube de tal. – parecia que ia desmaiar de susto.
– Pois não. Quando a mãezinha soube que estava grávida, foi embora de Lisboa. Tinha vergonha de ser mãe solteira. Mas olhe que nada me faltou. Cuidou de mim com muito amor e carinho. Hoje, sou eu que cuido dela. Estudei, arranjei um bom emprego e vivemos bem. Quer ver a mãezinha? Dou-lhe a morada.
Meneou a cabeça dizendo que sim. As palavras ficaram-lhe coladas ao céu da boca. Por mais que tentasse balbuciar algo, a língua estava enrolada.
Acertaram a visita. Convinha preparar a mãe para o receber.
No dia e hora combinados, bateu à porta do 3.º andar esquerdo, no número 20 da Calçada da Estrela. Comprara roupa e uns sapatos novos para se apresentar condignamente. Nas mãos, levava um ramo de rosas amarelas, ainda se lembrava serem as preferias da Natalina.
A porta abrira-se e ele, assim que bateu com os olhos em Natalina, caiu de joelhos ao chão. Não aguentou tanta emoção. Abraçou a filha e a mãe com o rosto coberto de lágrimas, pediu-lhes perdão por não saber nada delas, que tudo teria sido diferente se soubesse do caso…
– Deixe lá, paizinho. Daqui para a frente tudo pode mudar, se o paizinho nos aceitar.
– Amanhã mesmo vou falar ao meu advogado para resolvermos tudo. Quero que sejas reconhecida como minha filha. Que nome te deu tua mãe?
– Deu-me o nome da sua mãe: Eugénia.
– Então vais passar a chamar-te Eugénia de Andrade Correia.
Havia, sobre a mesa da sala, uma toalha alvíssima bordada com umas ramagens de campos de trigo, que o transportou a longuíssimos tempos. Tinha sido um presente que dera a Natalina. Como ela ainda conservava aquela toalha. Não se esquecera dele.
Eugénia serviu bolo mármore, acabado de fazer, e chá. Sabia ser o bolo preferido do pai.
:..
©Teresa do Amparo Ferreira
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Chrys Chrystello

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ANEL DE CASAMENTO

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MEMÓRIAS DO LICEU CAMÕES

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MEMÓRIAS DO LICEU CAMÕES
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Eu fiz o ensino secundário num estabelecimento chamado Liceu Camões que ainda hoje acho o mais pavoroso e sinistro local que frequentei na vida. Os professores eram inenarráveis. O de Matemática, por exemplo, gordo, careca e de bata a proteger o fato dado que os números sujam, entregava-nos os testes num desgosto profundo porque quase toda a turma tinha negativas e a seguir, a abanar a cabeça, culpava as asneiras que a gente escrevia com o cinema. Na sua opinião só pensávamos no cinema e, em lugar de estudar, passávamos o tempo em salas às escuras a regalarmo-nos com inutilidades que nos faziam mirrar a massa cinzenta. E dava-se então a si mesmo como edificante exemplo de devoção e trabalho, em frases espantosas que nunca esqueci, como por exemplo
– Eu, quando tinha a vossa idade, ia ao cinema uma vez por semana e era lá de mês a mês
ao passo que nós gastávamos a existência a ver o Fred Às Tiras e a Ginja Às Rodas, não falando no corsário Enrola O Filme e no galã Tiró Pulover, que nos desviavam das equações do segundo grau e outras utilidades semelhantes.
O professor de Inglês, outra luminária, ditava-nos o texto do ponto num vozeirão feroz
– A filha da tia da prima dele encontrou o lápis em cima da mesa por baixo da lâmpada ao lado da cómoda da sogra da avó da amiga dela. Cinco minutos para porem isto numa linguagem decente.
E classificava em voz alta, baixando um valor a cada erro, que marcava com um lápis encarnado, descendo do dezoito porque os hotentotes que éramos não tinham direito a mais.
Lembro-me de estar de pé ao lado da secretária onde ele, sentado, enorme, feio e sonoro gritava em soslaios ferozes
– Dezoito dezassete dezasseis quinze catorze treze doze onze dez nove oito sete seis cinco quatro três dois um
após o que erguia para mim a cabeça terrível e me entregava o papel despachando-me com o profundo desdém das costas da mão
– Zierao, parabéns ó feliz, vai-te embora.
O professor de Desenho, na prova de Desenho à Vista
(o que seria Desenho ao Ouvido?)
premiava as minhas canecas tortas com um sete indulgente. O de Geografia enfurecia-se comigo por me faltar uma estação no ramal da Beira Baixa. O de Francês achava que eu tinha um sotaque de Volapuque e não me passava do oito.
No bendito Liceu Camões volta e meia não havia Ginástica porque o Ginásio estava ocupado pelas cadeiras de uns eventos chamados Serões para Trabalhadores com cantorias e orquestra. Nessas abençoadas alturas o professor de Ginástica vinha dar a lição à turma, isto é contar histórias de que ele era o herói.
Exemplo tal e qual:
  • Uma tarde, filhos, ia eu na minha Norton setecentos e cinquenta, perigosa, por vezes temível, aparece-me um muro pela frente, isto a cento e vinte à hora, falham-me os travões e eu digo para mim mesmo: alto, João, prepara o mortal.
  • Salto
(pausa angustiante em que as mãos rebolavam uma por cima da outra)
e caio em perfeita flexão de pernas em cima do muro.
E, lá para o fundo da sala:
– Estás a rir-te ó idiota? Então sai já para o recreio antes que eu te dê uma biqueirada das minhas.
Claro que um estabelecimento destes só podia formar adolescentes mentecaptos. A minha sorte era que um camarada do Colégio Militar do meu avô era professor lá e, no terceiro período, as minhas notas transformavam-se miraculosamente em dozes e trezes e portanto acabei aquela fantochada aos dezasseis anos. A fantochada possuía no entanto as suas compensações: um dos contínuos, que tinha um gabinete minúsculo e uma mala muito grande, recebia uma porção de professoras no dito gabinete. Abria a mala, que estava cheia de lingerie mais ou menos transparente e outras coisas esquisitas que a minha mãe também não tinha e as setôras vinham comprar, agrupadas num bando de rolas famintas connosco a empurrarmo-nos uns aos outros a fim de espreitar a sessão de provas de um postigo junto ao tecto. Devo ao gabinete, à mala e ao contínuo
(senhor Ribeiro como podia esquecer-lhe o nome?)
os momentos mais felizes e as sensações mais estranhas da minha vida. Metamorfoseadas num grupo de unicórnios de catorze ou quinze anos incendiávamo-nos de entusiasmo, alegria, espanto e estranheza por estarmos finalmente diante de Ginjas às Rodas ao natural, que circulavam diante umas das outras a arrulharem suspiros que nós partilhávamos num júbilo mudo. Devo-lhes as minhas primeiras e confusas exaltações, os meus primeiros e confusos prazeres.
Espero, de coração, que os maridos das setôras se sentissem tão felizes quanto nós. Portanto nem tudo era mau no Liceu Camões que se tornou, graças ao senhor Ribeiro, que merecia ser homenageado com o seu nome numa rua próxima, um verdadeiro estabelecimento de ensino. Mas talvez o planeta seja injusto e esqueça os grandes pedagogos. O facto é que até a setôra de Ciências me comovia, apesar de muito feia, e guardo dela uma calorosa lembrança. Devo ao Liceu Camões haver-me transformado não num homem, mas num geyser em botão. A nossa geração tornou-se incandescente e perigosa, fumegando lava a toda a hora. O problema, para mim, era que o senhor prior me compreendia mal durante as confissões, me carregava a penitência de Pais Nossos às dúzias, e os meus pais me olhavam por vezes com um sobrolho contumaz.
Não sei muito bem o que contumaz quer dizer mas, de qualquer maneira, ignoro porquê, a palavra ainda me assusta. Uma marca de lingerie de certeza que não é.
António Lobo Antunes
(Crónica publicada em 2017)
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Carlos Peralta

António Guterres, Durão Barroso, Jorge Palma, Mário de Sá Carneiro, Júlio Isidro, Nicolau Breyner ou João Lobo Antunes são apenas alguns de muitos nomes que frequentaram o Camões……..r EU……para anos 60 este texto não tem nada ver……

a minha poesia não vale uma banana???

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Hoje, na mercearia, comprei algumas frutas e legumes. Chegou o momento de pagar, faltavam 20 cêntimos. Perguntei se podia pagar mais tarde, o funcionário (filho do patrão) mostrou-se intransigente. Criou-se um impasse, perguntei se podia pagar com o meu livro de poesia que segurava debaixo do braço. Resposta pronta do jovem em tom jocoso: poesia… livro?! Isso não enche barriga… Das oito bananas que tinha no saco, retirei uma, pedi ao jovem para voltar a pesar; e agora já chega o dinheiro para pagar? – perguntei. Resposta pronta do jovem: chega e sobra 27 cêntimos.
Pensando bem no que me tinha acontecido, cheguei à seguinte conclusão e sem pretensiosismos:
– A Poesia que escrevo não vale uma banana.
Em seguida veio à minha memória o Grande Luís Vaz de Camões, sabe-se lá porquê (desculpem a minha ironia).
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Ana Paula Costa

Lamento, quem perdeu foi o jovem. Pode ser que ele ainda vá a tempo um dia destes. Vou partilhar, com a sua licença.