ILHAS : Autoridade Regional da Vergonha

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Autoridade Regional da Vergonha

 

Suponho que deva começar por confessar, em jeito de declaração de intenções, a minha absoluta falta de simpatia por rallies e pelo desporto automóvel em geral. Tenho com os automóveis uma relação puramente utilitária pelo que a realização ou não do rally é-me totalmente indiferente. Mas, no entanto, a verdadeira telenovela em que se transformou o evento, neste pandemico ano de 2020, tem aspectos dignos de ressalva. Desde o início que me parecia perfeitamente claro que em face da pandemia e, ou melhor, em face do autoritarismo cego da autoridade de saúde (passe o pleonasmo), era ridículo sequer ponderar a realização da prova. Aliás, em face das limitações impostas a tantas outras actividades, desde a cultura a outras modalidades desportivas e a tantos sectores da economia essa noção, que andaram meses a debater e a analisar, de que o rally açoriano se deveria realizar era um verdadeiro insulto ao sacrifício e à desgraça de milhares de pessoas que desde Março viram as suas vidas devastadas, não tanto pelo vírus mas pela arbitrariedade das decisões da ditadura sanitária. De igual modo o é o avança e recua e avança de novo da festa brava terceirense, pela qual, diga-se, nutro, agora sim, filial simpatia. O que tudo isto vem demonstrar, com límpida claridade, é o populismo e o eleitoralismo com que o SARS-CoV-2 tem vindo a ser tratado na região. Desde Março a região contabilizou pouco mais de 200 casos de infecção o que equivale a 0,08% da população (e se lhe juntarmos os perigosíssimos turistas a percentagem é ainda mais pequena), destes contabilizam-se cerca de 150 recuperados e, infeliz e fatidicamente, embora se calhar seria bom também aqui uma auditoria da Ordem dos Médicos, cerca de 14 óbitos num lar de idosos do Nordeste. Mas, por cá, a Ordem não se quer meter nessas coisas. O que estes números demonstram, e seria também interessante ter uma noção da percentagem de resultados positivos por número de testes realizados, é que estamos perante uma pandemia de pânico gerida por decretos governamentais e não perante uma real e efectiva ameaça de saúde pública. O conceito, aliás, de saúde publica é uma abstracção manipulada pelo governo a seu belo prazer. Veja-se o exemplo de uma suposta cadeia de transmissão local que existiria em São Miguel provocada pelos comportamentos hedonistas de uns quantos jovens rebeldes que entretidos entre banhos de mar e copos cuspiam vírus pela noite dentro nos bares da ilha. Ao ponto do Governo ter decretado o seu encerramento forçado às dez da noite para, pasme-se, nunca mais se ouvir falar sequer de um caso positivo dessa gravíssima cadeia de transmissão. Segundo os comunicados oficiais, desde o passado dia 11 de Agosto, dia em que o Governo Regional anunciou a existência dessa cadeia de transmissão local e decretou as medidas para a sua contenção, foram feitos na região 19103 testes, destes 17 foram positivos, repito: dezassete positivos num total de dezanove mil cento e três testes! Dos 17 e de acordo com o próprio Governo Regional apenas 4, repito quatro, são casos relacionados com essa cadeia de transmissão local. O que isto demonstra é que hoje, dia 25 de Agosto, precisamente 14 dias, o famoso período de incubação, desde que foi ordenada por decreto a existência de uma cadeia de transmissão local e que por causa disso dezenas, para não dizer centenas de negócios e milhares de vidas foram autoritariamente suspensas e despoticamente subvertidas por causa de apenas quatro pessoas infectadas e uma taxa de testes positivos de 0,02%. E tudo porque o Governo encontrou no medo e, pior, na manipulação do medo uma forma segura de ganhar eleições. O que estamos a viver hoje nos Açores não é política, nem é ciência. O que estamos a viver é só e apenas uma vergonha.

pedro arruda

corrupção na SATA? caso de polícia e não de comissões de inquéito aos 23 milhões

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André Silveira is in Ponta Delgada, Azores.

Favor não esquecer porque recordar é viver e esta foto interessa à história. Interessa porque a culpa não pode morrer solteira e não é só nas inaugurações que os senhores políticos devem ser chamados à colação.
Espero bem que na próxima legislatura haja uma comissão de inquérito a sério sobre isto. Que se entenda muito bem as responsabilidades dos senhores das fotos e de todos os que ajudaram a um buraco de dezenas de milhões de euros só com o bonito avião da foto.

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CAEM QUE NEM TORDOS OS MORTOS NÃO-COVID

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Maria Helena Pereira Arruda to Açores Global
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E disto ninguém fala! “O bastonário da Ordem dos Médicos não tem dúvidas: o excesso de mortalidade registado em julho (o maior número em 12 anos) deve-se aos doentes não-Covid que “ficaram para trás”.
“O excesso de mortalidade deve-se aos doentes não-Covid que claramente ficaram atrasados. Ponto. Não vale a pena arranjar outras explicações”, afirma categoricamente Miguel Guimarães, em declarações à Renascença.
Na opinião deste médico, a saúde deveria ter sido o primeiro setor a desconfinar, de modo a poder-se evitar males maiores decorrentes de doenças mais graves.
Se, ao início, foi necessário concentrar todas as atenções no novo coronavírus, “passada esta fase de embate, quando decidimos desconfinar, a primeira coisa que tinha de descofinar não eram os restaurantes, era a saúde”.
“Imediamente, tirar o medo das pessoas de ir aos hospitais”, porque “as pessoas tiveram medo”, afirma. Por isso, era preciso “ter logo uma pedagogia forte, preparar as unidades de saúde para a resposta, se necessário socorrer-nos do setor privado e social para ajudar, mas rapidamente pegarmos naqueles doentes todos que ficaram para trás”, defende.”
Portugal registou mais mortes este ano em julho do que no mesmo mês do ano passado. A DGS aponta o calor como causa, mas o bastonário da Ordem dos Médicos tem outra perspetiva e explica-a à Renascença.

RR.SAPO.PT
Portugal registou mais mortes este ano em julho do que no mesmo mês do ano passado. A DGS aponta o calor como causa, mas o bastonário da Ordem dos Médicos tem outra perspetiva e explica-a à Renascença.

Timor apertado controlo e vigilância

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Covid-19: Cidadãos estrangeiros que chegam a Timor-Leste reportam controlo e vigilância

Díli, 05 ago 2020 (Lusa) – Cidadãos estrangeiros, incluindo portugueses, que regressaram a Timor-Leste nas últimas semanas, reportaram à Lusa um apertado e cuidado sistema de controlo e vigilância sanitária à chegada e durante o período de quarentena.
Pessoas que viajaram diretamente da Austrália e de outros países, nomeadamente de Portugal, recorrendo a um voo do Programa Alimentar Mundial (PAM), indicaram que além do controlo no aeroporto, são visitados e contactados regularmente por equipas do Ministério da Saúde.
Visitas surpresa para confirmar que estão a cumprir a quarentena obrigatória – quer em hotéis quer nas suas casas, mediante uma aprovação prévia – e contactos regulares para saber do estado de saúde fazem parte das medidas de segurança e prevenção da covid-19.
Portugueses que chegaram a Díli a 22 de julho – viajaram até à Malásia em voos comerciais e posteriormente entre Kuala Lumpur e Timor-Leste no voo do PAM – explicaram à Lusa que houve controlo e vigilância apertada desde o momento que chegam à ilha.
Um controlo que começa ainda antes da chegada, com inspeções rigorosas aos locais, casas privada ou hotéis, que têm que ser previamente inspecionados e certificados pelo Ministério da Saúde.
Responsáveis portugueses que acompanharam esse processo, notam que a inspeção é “detalhada”, com informação dada aos vizinhos, aos senhorios e determinação clara de que não pode haver quais contactos.
Susana Soares, professora na Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) ao abrigo do Projeto FOCO do Camões – e que viajou com dois filhos menores para Díli – explicou que no voo até Kuala Lumpur, na companhia Qatar, lhes foram dadas máscaras e viseiras, que usaram permanentemente e durante as escalas.
“Quando chegamos foi-nos medida a temperatura, tivemos que apresentar o teste com resultado negativo e preencher uma declaração médica”, contou à Lusa.
“No meu caso tinha sido feito um pedido para ficar em minha casa que foi inspecionada antes. A equipa verificou tudo, foram-nos ditas as regras que incluem que só uma pessoa nos podia trazer mantimentos que tinha que deixar à porta”, disse.
Susana Soares disse que durante a quarentena, que ainda decorre – está à espera da confirmação do resultado dos testes – foi contactada telefonicamente várias vezes e visitada por equipas do Ministério da Saúde.
“Não sabíamos quando eram as visitas. Tiraram a temperatura e, oito dias depois, fizeram o teste”, referiu.
Outra cidadã portuguesa, que viajou com a filha no mesmo avião – e que está a cumprir quarentena num hotel previamente autorizado em Díli – contou à Lusa uma experiência idêntica.
“Viemos diretamente para o hotel, onde ficamos num quarto numa zona separada. A ementa é-nos dada por WhatsApp, fazemos os pedidos e a comida é deixada à porta em embalagens descartáveis”, referiu.
“Ninguém entra no quarto, nem para fazer a limpeza”, referiu.
O teste foi feito nove dias depois de chegar com visitas de equipas “devidamente protegidas” que antes tinha feito verificações do estado de saúde, incluindo medir a temperatura.
“Estamos agora à espera do resultado para podermos sair. Só assim podemos sair”, referiu.
Martin Breen, advogado australiano, e que recentemente completou a sua quarentena, explicou à Lusa que os sistemas implementados em Timor-Leste “chegam a ser melhores que na Austrália”, com várias medidas à chegada e durante a quarentena.
Breen explicou à Lusa que o controlo começa na Austrália onde a Border Force – unidade que reúne imigração e alfandega – exige a apresentação de um teste negativo de covid-19 com menos de três dias.
“Foi preciso ter autorização prévia da Border Force e isso é registado e verificado quando chegamos ao aeroporto em Darwin”, referiu.
À chegada a Díli, explicou, os passageiros – que têm que usar máscaras permanentemente – saem “um por um” do avião, são desinfetados, preenchem uma declaração médica, voltam a apresentar o resultado negativo do teste.
“No meu caso tinha uma autorização prévia para ficar em autoquarentena. O local onde ia ficar foi inspecionado e validado. O carro onde viajei foi desinfetado e as minhas malas também”, referiu.
“O senhorio e os vizinhos foram informados de que ia ficar em isolamento e a comida era-me trazida e deixada fora da porta”, explicou.
Breen nota que durante a quarentena foi visitado duas vezes, sem marcação prévia – quer para confirmar que a quarentena estava a ser cumprida quer para medir temperatura e fazer novo teste de covid-19.
“Depois do resultado negativo ser confirmado, fui buscar o resultado e deram-me uma carta a confirmar esse resultado”, afirmou.
“Foi tudo conduzido de forma muito profissional e todos nós cumprimos para minimizar o risco de trazer a covid-19 para Timor-Leste. O sistema de vigilância parece estar a funcionar”, referiu.

ASP//MIM
Lusa/Fim

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FRANCISCO MADURO-DIAS· ASAS PARA QUE VOS QUERO

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ASAS PARA QUE VOS QUERO
Há 50 anos havia três distritos, nos Açores. O de Angra do Heroísmo, o da Horta e o de Ponta Delgada.
Todos sabemos que, em termos económicos, se havia algum tipo de superavit era no de Ponta Delgada, que o de Angra andava “assim assim” e que o da Horta era o mais fraquinho. Mas eram três estruturas de comando e coordenação e passaram a ser três portas de entrada e saída no arquipélago, quando a TAP passou a voar para as Lajes e Horta, a somar aos muitos e desvairados que passavam por Santa Maria.
Talvez valha a pena recordar, entretanto, que esses aviões, que por aqui passavam, excepto no caso da Horta, eram aviões “que passavam”, vindos de outras partes do mundo ou a caminho delas, tornando a escala muito mais barata, porque era uma escala e não um destino.
Até há pouco tempo, e escrevo isto porque não vai ser fácil saber em que é que as coisas se vão tornar, depois de passado o vendaval da pandemia, tínhamos aviões quase até ao quintal.
Da míngua de um avião por semana a vários voos diários, o panorama ficou muito diferente, é facto. A gente habituou-se a comunicar por ar como quem bebe um copo de água e acha natural.
Depois da confusão que a pandemia gerou, ninguém esperaria que as coisas voltassem ao mesmo. Por um lado, nada regressa, nunca, ao estádio em que estava, por outro lado, a vida e as coisas estão e ficaram definitivamente diferentes.
Só que as ilhas continuam no mesmo sítio, temos eleições no Outono – Inverno, as manifestações culturais, desde as touradas aos concertos musicais e a outras actividades de rua e de salão estão suspensas, quanto ao desporto é o que se vê, e uma das maiores alavancas da nossa economia, na era depois da vaca, está pelas ruas da amargura: o Turismo.
Para os que acham que os Açores podem viver sem turistas e sem turismo deixo apenas este comentário: olhem à volta e vejam quantos restaurantes de qualidade, quantas exposições e actividades culturais, quantos produtos de qualidade e mais diversificados existem, entre nós, porque o mercado global aterrou, aqui, sob a forma dos múltiplos visitantes que nos chegam?
Mas, afinal, o título – coitado – ficou lá em cima, sem culpa e sem comentário que justifique?
Pois bem, ele está ali porque me dizem que, volta e meia, recebem mais uma desistência de estadia “porque o voo da transportadora havia sido cancelado”. Têm sido vários e, para todos os que têm algo a ver com essa área de negócio, isso não é nada bom!
A questão das asas é básica. Concentrar, como agora parece estar na linha das previsões de alguns, só fecha sobre si próprio um arquipélago que sempre viveu e sobreviveu porque essa concentração não existia.
Um visitante que tenha de ficar, em trânsito, à espera de voar para o seu real destino, duas, três, cinco horas, visita menos, gasta menos, conhece menos nesse destino, permanece menos onde devia, consome horas das suas férias para nada, e isso é péssimo! Para a economia, para as pessoas, para o sonho de autonomia que tínhamos.
Este tempo de autonomia regional tem de ser melhor que o tempo dos três distritos de costas voltadas!

(Publicado em letra de forma no Diario Insular e no Açoriano Oriental. Obrigado a eles por aceitarem os meus escritos há tanto tempo)

já voam aviões sem piloto

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Pois! A tecnologia pode estar disponível, mas até que as entidades reguladoras a nível mundial a aceitem, vamos esperar pelo menos uma década, e neste caso estou de acordo com testes muito aprofundados.
Não se trata aqui de um qualquer robot a soldar chapa de automóveis!

Airbus finished the tests in June after its first autonomous take-off in December, paving the way for pilot-less passenger flights in the future.

Airbus finished the tests in June after its first autonomous take-off in December, paving the way for pilot-less passenger flights in the future.
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Afonso Chaves. O homem que fez dos Açores um laboratório da ciência mundial

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Afonso Chaves. O homem que fez dos Açores um laboratório da ciência mundial

Foi um destacado cientista do final do século XIX e início do século XX. Reconhecido internacionalmente, foi pioneiro nas áreas da meteorologia, sismologia, vulcanismo e oceanografıa e contribuiu para outras áreas, como a biologia e a fotografıa

Logo na entrada da casa de João Luís Cogumbreiro, um velho retrato do trisavô está cuidadosamente emoldurado na parede. Apesar de nunca o ter conhecido, a figura do “avô Chaves” esteve sempre presente: quer lá em casa, quer ao longo da vida. João Luís é o mais novo de seis irmãos e coube-lhe a responsabilidade de cuidar do legado do coronel Francisco Afonso Chaves (1857-1926), um dos mais destacados cientistas portugueses do final do século XIX e início do século XX. Quando fala do trisavô, não consegue disfarçar o entusiasmo. “É fácil estar apaixonado pela figura, fez coisas lindíssimas e hoje em dia vivemos numa geração sem heróis”, diz, de sorriso aberto e com a voz preenchida de orgulho.
Pela longa mesa de madeira está criteriosamente espalhado um manancial de artigos. Entre livros e dossiers, a diversidade temática da informação revela a variedade de áreas que Afonso Chaves tocou: a meteorologia, a sismologia, o magnetismo terrestre, a oceanografia, a história natural, a biologia e a fotografia — só para enumerar a disciplinas mais presentes. Alguns objectos eram do próprio Afonso Chaves. Caso da agenda pessoal, que servia para todo o tipo de anotações, como as compras de mercearia e os pagamentos aos funcionários. Ou a tina, uma caixinha aberta em vidro, que suportava os banhos químicos das lâminas de vidro para a revelação de fotografias.
João Luís, que saiu por instantes da sala, volta, trazendo na mão um estojo que transporta como se fosse um tesouro. Antes de o abrir, avisa: “Isto é fantástico.” Lá de dentro, retira meticulosamente as condecorações da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e da Ordem de Saint-Charles (do principado do Mónaco), atribuídas ao coronel Chaves.
A colecção está, porém, mais pequena desde 2013, quando as cartas foram doadas à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada. Uma forma de “zelar pela conservação” e “facilitar os conteúdos” aos interessados, nota João Luís Cogumbreiro, que, com a mulher, Iva Matos, bibliotecária, catalogaram e transcreveram dezenas de cartas antes da doação.
No acervo de seis mil cartas, há correspondência trocada com algumas das figuras de maior destaque daquela altura: Jules Richard (primeiro director do Museu Oceanográfico do Mónaco), Charles Richet (Nobel da Medicina de 1913), Frijdov Nansen (Nobel da Paz de 1922), irmãos Lumière (precursores do cinema), Francisco Lacerda (músico português), Hintze-Ribeiro, ministro do reino de então, e claro, Alberto I do Mónaco, o príncipe cientista, com quem Chaves desenvolveu uma amizade que lhe iria abrir as portas da ciência mundial.
Para lá da família, provavelmente ninguém conhece tão bem o espólio como Conceição Tavares. Para esta investigadora do CHAM — Centro de Humanidades, das universidades Nova de Lisboa e dos Açores, os contactos com algumas das maiores figuras da altura são fundamentais para perceber o “maior legado” do cientista falecido há 94 anos. “A integração dos Açores no mapa científico internacional, sem dúvida, ao nível da meteorologia, da sismologia e oceanografia, sobretudo”, frisa, quando questionada sobre o maior legado de Chaves e aprofundando, em seguida, a credibilidade internacional de que o cientista gozava: “Era um interlocutor credível, fiável, responsável, reconhecido pelas redes internacionais que procuravam penetrar no Atlântico nas diferentes especialidades.” Entre essas especialidades, parece consensual entre os investigadores que a meteorologia é a mais evidente. Para perceber o cientista Afonso Chaves, é necessário perceber a história da meteorologia nos Açores.

Um centro meteorológico

A telegrafia sem fios chegou aos Açores em 1893, depois de meio século de avanços e recuos. A operação só viria a avançar devido ao ultimato inglês e ao resfriamento das relações entre Portugal e Reino Unido. “Os Açores eram uma reserva do império britânico em termos práticos”, explica Conceição Tavares, referindo que a ligação entre o continente europeu e um arquipélago estrategicamente localizado no meio do Atlântico depreendia um potencial enorme que os ingleses não queriam ver aproveitado pelas nações concorrentes.
Afonso Chaves percebeu a oportunidade e, quando soube que o telégrafo ia mesmo avançar, não esteve com meias medidas: escreveu a Brito Capelo, director do Observatório Meteorológico do Infante D. Luiz, em Lisboa, a pedir autorização para chefiar o Observatório de Ponta Delgada. Chaves assumiu as rédeas de um observatório “praticamente ao abandono” e modernizou-o, através de donativos da elite local, desafiada a contribuir para colocar os Açores no mapa da meteorologia mundial.
Para o sucesso desse desafio, a colaboração do príncipe Alberto I do Mónaco foi decisiva. “Tudo isso ia chegando aos ouvidos do príncipe através de cartas. Afonso Chaves pôs o posto apto a responder às solicitações a que ele sabia que ia responder”, explica a investigadora. Seis anos antes, Alberto tinha conhecido o jovem cientista Afonso Chaves, aquando da segunda expedição das famosas campanhas oceanográficas que realizou. O príncipe foi visitar o museu da cidade de Ponta Delgada e registou em diário o quão impressionado ficou com as competências demonstradas pelo então assistente do director do museu. Oito anos depois, e após vária correspondência trocada com a equipa científica do Mónaco, Afonso Chaves recebeu a primeira carta do príncipe — e logo com uma proposta ambiciosa. Alberto queria montar um serviço internacional de meteorologia nos Açores e queria que Chaves o liderasse.
A ideia de um Serviço Meteorológico Internacional no meio do Atlântico entusiasmou o mundo e França e Alemanha disponibilizaram-se de imediato a financiá-lo. Afonso Chaves correu a Europa para conhecer todos os observatórios meteorológicos europeus, mas o projecto acabou por não avançar. Mais uma vez, devido à pressão britânica, a que o rei D. Carlos foi sensível. “Havia um problema de correlação de forças internacionais sobre o Atlântico, que era o objecto da atenção e da cobiça internacional”, vinca Conceição Tavares.
O projecto perdeu o cariz internacional e foi ajustado à dimensão nacional, mas nem por isso perdeu importância. A “dinâmica internacional” tinha sido criada e Alberto do Mónaco firmou-se com um “porta-voz mundial” do Serviço Meteorológico dos Açores, finalmente criado em 1901. Além disso, os dados do Atlântico eram “fundamentais” para a previsão do tempo. Com tudo isso, Conceição Tavares não tem dúvidas: “O Serviço Meteorológico dos Açores tornou-se o interlocutor internacional da meteorologia em Portugal.” Com Afonso Chaves na liderança.

O pioneirismo

Para o meteorologista Diamantino Henriques, a criação deste serviço é mesmo a “grande marca” de Afonso Chaves na história da ciência nacional. Até porque, destaca, foi o primeiro serviço meteorológico num país até então apenas composto por observatórios. A diferença não é só semântica: “A meteorologia estava dispersa pelas Forças Armadas, a academia, os serviços agrários, por uma série de instituições e não havia um serviço meteorológico autónomo.” Afonso Chaves, que irá liderar o Serviço Meteorológico dos Açores até ao final da vida, criou postos nas Flores e Faial e estações de observação no Pico.
Entre os muitos trabalhos de Chaves, Diamantino Henriques destaca a de finição da hora oficial, os anuários climatológicos “muito bem feitos”, mesmo para a visão actual, e a criação de um sistema de pré-aviso de ondas. A criação desse sistema foi incentivada pelo Governo francês, que pediu a colaboração de Chaves para a previsão das tempestades sofridas em Marrocos. “Ajudou a construir a estrutura da meteorologia e tinha uma visão da meteorologia muito parecida com a que temos hoje”, resume o meteorologista, dando como exemplo a intenção de criar uma estação meteorológica na montanha do Pico. Foi “pioneiro da ciência meteorológica em Portugal e até mesmo no mundo”.
O seu pioneirismo estende-se a outras áreas. “Foi um pioneiro na sismologia e vulcanologia dos Açores, diria até do Atlântico Norte”, aponta Victor Hugo Forjaz, professor catedrático de Vulcanologia, destacando a criação do primeiro posto sismográfico do país em São Miguel em 1902 e a primeira lista de erupções submarinas dos Açores, dando o exemplo da erupção de 1720 do banco D. João de Castro. “Foi ele quem descobriu essa grande erupção, que tem um historial muito interessante porque era a décima ilha dos Açores.”
Correndo-se o risco de a expressão “pioneiro” se banalizar, há outra área em que Afonso Chaves foi precursor: a da fotografia científica em Portugal, que serviu de extensão aos trabalhos de divulgação de centenas de espécies. “A fotografia servia uma função essencialmente de divulgação de registos de observação, o que, até então, era limitado ao desenho”, diz Conceição Tavares. O espólio de sete mil fotografias esteve remetido ao esquecimento durante décadas no Museu Carlos Machado até 2007, quando Victor dos Reis decidiu trazê-las para exposição — de que resultou no catálogo A Imagem Paradoxal: Francisco Afonso Chaves (1857-1926).
Nesta redescoberta de parte do legado de Afonso Chaves, além da vertente científica, para Conceição Tavares ficou evidente a “sensibilidade artística” e o “domínio das técnicas fotográficas”, como a estereoscopia.
Entre tantas áreas de em que teve projecção nacional e internacional, João Paulo Constância lembra a importância local de Afonso Chaves, sobretudo na museologia e na vida do Museu Carlos Machado, de que foi o segundo director durante 25 anos. O conservador da colecção de história natural daquele museu assinala que Afonso Chaves foi decisivo para assegurar a sobrevivência numa altura crítica da instituição, tendo também contribuindo para a colecção de história natural. “Através de exemplares ou publicações, foi uma figura essencial na história do museu.”

O legado

O busto de Afonso Chaves na entrada da delegação do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) nos Açores antecipa a designação de Observatório Afonso Chaves para a sede do IPMA na região. Além do observatório, a sua memória procura ser preservada pela Sociedade Afonso Chaves, fundada em 1932, seis anos após a morte do patrono. Desde então, a sociedade publica a revista Açoreana, que procura “reflectir sobre os Açores”, como explica o actual presidente António Frias Martins, professor catedrático de Biologia. “Tem uma missão dupla de investigação e divulgação da ciência e da ciência dos Açores”, diz, referindo que a sociedade também gere o único Centro de Ciência Viva nos Açores.
Apesar dos exemplos, a família do coronel Chaves acredita que a figura está “um pouco esquecida” e “merecia mais destaque”, por exemplo, nos “guias turísticos da região”. “Acho que não tem o reconhecimento devido”, diz João Luís Cogumbreiro: “As informações que chegam de fora são mais fortes do que as de dentro e, quando é assim, não estamos a cumprir o nosso dever perante o legado.” Conceição Tavares partilha da opinião. Se o legado científico está “bem tratado”, a figura é apenas recordada “num círculo muito restrito” de pessoas, diz. “Continuamos a fazer óptima meteorologia e óptima geofísica, mas a pessoa que pôs os Açores no mapa internacional destas questões está um bocadinho esquecida.”
É indesmentível o contributo de Afonso Chaves na história moderna da ciência portuguesa. Fez de todo o arquipélago objecto de trabalho: percorria todas as ilhas regularmente e, além de viver em São Miguel, passava longos períodos nas Flores e no Faial. A abrangência dos estudos pode ser resumida numa grande categoria: os fenómenos naturais da geografia dos Açores. “O fenómeno de sermos ilhasmar numa perspectiva científica”, descreve João Luís Cogumbreiro, o descendente, para quem ainda falta responder a uma “questão importante” sobre o seu trisavô: qual o maior contributo deixado por Afonso Chaves? “Era um homem muito focado no que hoje em dia se chama ‘ambiente e sustentabilidade’. Estava muito à frente, focado na ideia de que o que temos é para preservar e temos de saber o que temos para o conseguir preservar.” Encarou a ciência como uma “forma de servir as pessoas”.

(Rui Pedro Paiva – Edição Público Porto)

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efeitos do novo coronavírus sobre o sistema nervoso

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Um estudo israelo-norte-americano debruçou-se sobre os efeitos da Covid-19 em órgãos diversos do corpo humano.

Depois dos cientistas espanhóis que observaram detalhadamente os efeitos do novo coronavírus sobre o sistema nervoso, um estudo israelo-norte-americano debruçou-se, mais genericamente, sobre os seus efeitos em órgãos diversos do corpo humano. A conclusão do estudo aponta no mesmo sentido: a co…

outra leitura médica sobre covid

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-32:10

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Pedro Maia

Até que enfim que existe um médico a começar a falar a verdade!…aposto que mais dia menos dia este video vai ser apagado….

covid europeu é mais perigoso

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Jose Antonio M Macedo to Info Açores
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DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 03/07/2020: Coronavírus europeu seis vezes mais potente que o original. Vírus da covid-19 sofreu mutação na Europa e infeta muito mais células do que o que apareceu em Wuhan (China) em dezembro de 2019.

Vírus da covid-19 sofreu mutação na Europa e infeta muito mais células do que o que apareceu em Wuhan (China) em dezembro de 2019.

Vírus da covid-19 sofreu mutação na Europa e infeta muito mais células do que o que apareceu em Wuhan (China) em dezembro de 2019.
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  • Alda DiasFonseca Aterrorizador, mas muito interessante.
    Espero estar viva para ler as explicações científicas para o acontecimento.
  • Roberto Garcia e quando chegarmos ao covid-30,vais ser um desatino,com os politicos todos nas televisoes,a explicar o que falhou ,nesta altura ja nao ha dinheiro para os malandros,abraço
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NÃO VOE COM A PIA

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The move by PIA to ground the pilots comes a day after the country’s aviation minister, Ghulam Sarqar Khan,…

Portugal menos testes mas mais casos positivos ( o contrário do que diz o 1º M)

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nel Morgado and Rogério Mimoso Correia shared a link.
A queda do número de testes pode representar 24% em relação ao início da reabertura da economia. Não só estamos a fazer menos testes, como temos mais …

A queda do número de testes pode representar 24% em relação ao início da reabertura da economia. Não só estamos a fazer menos testes, como temos mais …

Noruega, o país que recusa desconfinar. ″Isto é um pesadelo″ – DN

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Com 248 mortos para uma população de quase 5 milhões e meio, a Noruega tem sido apontada como um caso de sucesso na luta contra a covid-19. E as autoridades estão empenhadas em que assim continue.

Source: Noruega, o país que recusa desconfinar. ″Isto é um pesadelo″ – DN