António Bulcão O clube dos poetas tortos

Views: 4

O clube dos poetas tortos
Armando queria muito sentir-se importante. Não que não o fosse, para os familiares, amigos, antigos colegas de trabalho. Mas Armando queria mais. Desejava o que se poderá chamar um “reconhecimento universal” da sua importância.
Talvez fosse tarde, pensava. Para cima dos sessenta, tivera mais de meio século para se tornar importante. Mas não ligara. Atarefado com a profissão, com o partido político em que militava, com a casa e a família, deixara andar, mais um ser humano por aí, um de nós. E só agora, que entrara no último terço da sua vida, sentia aquele imperativo quase kantiano de se sentir importante.
Tinha de ser através das artes. Uma arte qualquer. Cinema ou teatro nem pensar. Nunca fora grande actor, fosse qual fosse o papel que lhe davam para representar andava sempre aos papéis, enganando-se nas falas, chegando a saltar várias páginas do drama, o que estragava logo a peça.
Pintura estava igualmente fora de questão, nem uma parede ficava capaz se via um pincel em cujo cabo se segurasse Armando. Ainda pensou em coisas abstractas, mas desistiu à primeira tentativa, saiu-lhe uma coisa tão concreta que nem conseguia imaginar o que fosse. Pintor também não seria.
Considerou a hipótese de se tornar escritor, mas desistiu depois de ler alguns romances de autores consagrados. Para se tornar importante como escritor teria de estar, pelo menos, àquele nível e sentiu não ter imaginação para tanto. Quer dizer, imaginação até talvez pudesse criar, paciência é que não. Tratava-se de muita página, bastantes personagens, lugares desconhecidos, acções incríveis, não, tal canseira não era para ele.
Vários meses nesta agonia de querer ser importante, mas não saber como e, finalmente, Armando descobriu a solução – ia ser poeta.
Claro que Armando, esperto como era, começou logo a antever as perguntas incómodas que lhe poderiam fazer desde logo os mais chegados, depois jornalistas e intelectuais de vária espécie: como é que alguém só descobre que é poeta já praticamente velho? um poeta que o seja verdadeiramente auto intitula-se como tal? onde está um verso, uma quadra, um soneto, um poema digno de tal nome, produzido no passado e escondido, por pudor ou desejo de anonimato?
Armando não se deixou intimidar por tais inconvenientes potencialidades de questionário. A qualidade da sua obra calaria de imediato essas bocas invejosas, queriam era serem eles poetas, mas isto não é para quem quer, mas para quem pode. Nos meses seguintes, o seu maior amigo foi o Google. Escrevia “palavras que rimem com” por exemplo amor, e apareciam-lhe todas as possibilidades, cor, dor, favor, labor, pavor, rancor, um sem fim de hipóteses que lhe davam um jeitão para produzir quadras sem fim.
Mas Armando não queria ser importante como “poeta popular”. Aquele “popular” à frente de poeta parecia-lhe uma menorização do seu génio. Começou, então, a escrever como se fosse prosa, mas dividindo o texto naquilo que chamou versos.
Para melhor compreensão, deixamos aqui um “poema” armandino.
“Deixa-me perder-me no teu triângulo, amor
Bermudas de baptizo entre coxas
Onde não encontrarei iates, nem aviões, nem nada que se tenha perdido,
Porque só eu voo, navego, me perco nas tuas profundezas,
No leme e nas asas da poesia”.
Post Scriptum: Perdoe algum leitor se encontrar algum resquício de poesia no que acima deixei. Se tal tiver acontecido, juro que não foi de propósito. Tentei dar o meu pior.
(publicada hoje no Diário Insular)

faltam manuais nos açores

Views: 2

Como é possível que , em fins de outubro , os alunos de quinto ano ainda não terem tablets para estudar! Não se concebe! Não têm direito a manuais e ao que parece, nem a tablets! Mas , corre tudo bem no reino da Dinamarca…

a mudança de hora, 20.10.2025

Views: 3

  1. a mudança de hora, 20.10.2025

esta e as anteriores crónicas estão em https://www.lusofonias.net/mais/as-ana-chronicas-acorianas.html

No último fim de semana de outubro mudou a hora, pelas 01:00 passamos a estar na meia-noite o que me desagrada assim como a muita gente que preferia estar sempre na hora de verão, mas a proposta da EU é precisamente o oposto, passarmos a ter a hora de Inverno todo o ano – porque é o que está mais de acordo com a dinâmica da exposição solar terrestre.

Como escrevia Ana Oliveira (Letras Lavadas e Publiçor) nesta data: “Os jornalistas sabem que o povo só lê o título, e agora está na moda nem sequer pôr subtítulo para contextualizar – contribuindo ainda mais para a ignorância das pessoas. Tudo em favor do tão maravilhoso «click-bait». O problema é que ninguém clica e fica ignorante. E o facto de só trazerem à baila este tópico quando a mudança da hora é do Verão para o Inverno, infere-se que este tipo de iniciativas é para acabar com o horário de Inverno. Só que não é, é para acabar com ele. É por estas e por outras que tenho vergonha de ter tirado o curso de Jornalismo. O lixo em que se tornou esta profissão.”

Tudo começou em 1916, durante a I Guerra Mundial, quando obrigaram à mudança da hora com o intuito de poupar carvão (combustível) usado na iluminação. Os primeiros países foram a Alemanha e a Áustria, mas rapidamente outros, nomeadamente Portugal, fizeram o mesmo. Nessa época houve uma poupança de energia. Em língua inglesa a hora de verão é conhecida como “Daylight Savings Time”, que se pode traduzir como “tempo de poupança de luz do dia”.

Os efeitos de atrasar e adiantar a hora: no outono, no dia anterior à mudança, quem sai para trabalhar pelas 07:30 levanta-se de noite, com o Sol a pôr-se às 18:30. Em compensação, no dia seguinte, às 07:30 é dia, e o Sol põe-se às 17:30. Na primavera o efeito é oposto. Mas se o objetivo é aproveitar a iluminação do Sol, só funciona para países a latitudes médias. Como o eixo de rotação da Terra é inclinado, perto do equador, a duração do dia muda pouco ao longo do ano, pelo que não há necessidade de mudança. Em Svalbard, Noruega, latitude 80º N, desde abril até agosto, o Sol nunca se põe, e desde o novembro até fevereiro, o Sol nunca nasce! Adiantar ou atrasar a hora torna-se, assim, inútil. Por isso, só nas latitudes médias, nem demasiado perto do equador, nem dos polos é que a hora de verão significa uma “poupança de luz do dia”.

Em 1996, a União Europeia decidiu padronizar a hora de verão entre os Estados (exceções: Islândia e Rússia). A convenção é avançar os relógios 60 minutos do último domingo de março e voltar a atrasá-los 60 minutos do último domingo de outubro. Em 2018, o Parlamento Europeu lançou um inquérito para determinar se os cidadãos preferiam manter ou terminar com a mudança de hora. A maioria dos votos foi a favor de acabar com a mudança da hora, mas só 0,85% dos Europeus votaram, dos quais 70% eram alemães. O voto alemão é compreensível: no dia do solstício de verão, Berlim tem mais duas horas de luz do dia do que Lisboa, enquanto no solstício de inverno, o dia dura menos duas horas do que na capital portuguesa, com o Sol a nascer às 8h15 e a pôr-se antes das 16h00. Assim se explica que, na Alemanha, a mudança é irrelevante em termos de aproveitamento de luz solar.

Baseado nos resultados do inquérito, em 2019 o Parlamento Europeu votou para terminar a mudança da hora, em 2021. No entanto, o Conselho da UE exigiu um estudo do impacto detalhado que o fim da mudança acarretaria, ainda por elaborar. Há variadíssimos estudos que analisam o impacto no consumo de energia, número de acidentes rodoviários, perturbações do ciclo circadiano (o nosso relógio biológico), impacto na economia e o simples bem-estar da população. Destes, uns apontam para vantagens em manter a mudança (por exº, sair para a Escola de noite, no pico do inverno, aumenta a hipótese de atropelamento das crianças), outros mostram vantagens em manter a mesma hora todo o ano (o stress da mudança pode ser nocivo para a saúde de imunodeprimidos ou com doenças de sono) e outros afirmam não haver qualquer diferença entre manter ou não a mudança (como o relatório do Laboratório Nacional de Energia e Geologia, que analisa o impacto da mudança da hora na penetração da geração de energia renovável no consumo).

Em Portugal, a Comissão Permanente da Hora é o órgão consultivo da República, para “estudar, propor e fazer cumprir as medidas de natureza científica e regulamentar ligadas ao regime de hora legal e aos problemas da hora científica”. Em 2018, a comissão elaborou um parecer e concluiu que “nenhuma das hipóteses é boa solução, sendo a UTC+1 a pior delas”. Manter UTC+1 corresponderia a manter permanentemente a hora de verão, algo semelhante ao que aconteceu entre 1992 e 1996, durante o Governo de Cavaco Silva, quando Portugal adotou o fuso horário CET (Central European Time), o mesmo que o resto da Europa. Nessa altura, no pico do inverno, o Sol nascia por volta das 9h00. No entanto, em 2021, um conjunto de peritos assinou a Declaração de Barcelona sobre Políticas do Tempo, sustentando que se deve acabar com a mudança, pois “não tem efeitos significativos na poupança energética, nem melhora a saúde, economia, segurança e meio ambiente”.

Na Região, a mudança ocorre pelo Decreto Legislativo Regional 6/96/M. Como pessoa da quarta idade, cada vez simpatizo menos com a mudança de hora. Em novo gostava da mudança invernal para dormir mais uma hora, não sinto nenhuma vantagem, antes pelo contrário. A alteração no ritmo circadiano afeta-me, e demoro semanas infindas a ajustar-me. No inverno acordo à hora habitual e não me deito uma hora mais cedo como devia. Para mim, isto é um negócio que favorece as companhias de eletricidade, pois são menos as pessoas e as horas em que se liga a luz de manhã comparadas com mais pessoas e mais horas de luz ligada no fim do dia.

Resultado: maior consumo de energia e quem disser o contrário mente. Como país carneirento ninguém protesta, todos fazem o que mandam e mudam os relógios duas vezes ao ano, esqueceram-se de avisar os animais que são as maiores vítimas da mudança de hora para alterarem o relógio biológico.

O Governo espanhol vai propor à EU, ainda este ano de 2025, o fim definitivo da mudança da hora na Europa. No inverno de 1992 para 1993, o governo de Cavaco Silva decidiu não mudar a hora em outubro, mantendo o horário de verão durante todo o inverno. A ideia era alinhar Portugal com o horário da Europa Central (como França e Alemanha) e avaliar os efeitos na economia e na produtividade. No entanto, a medida foi muito impopular: os dias amanheciam demasiado tarde (em alguns sítios, só havia luz natural perto das 9h da manhã), o que causou muitas queixas, sobretudo no norte e interior do país.

Por isso, em 1993, Portugal voltou ao regime habitual de mudança de hora — GMT no inverno e GMT+1 no verão. A malta reclama do horário de inverno (pois o horário de inverno o ano todo é deprimente, é um facto sem controvérsia), mas obrigar os miúdos a acordar de noite e entrarem na escola de noite em dezembro pode ser puxado…claro que é melhor levar os miúdos de noite porque muitos vão com os pais e à saída muitos saem sozinhos, porque os pais estão a trabalhar e pelo menos ainda é de dia. Para quem diz que as crianças entram ou saem de noite da escola, que no horário de inverno, “fica de noite” ainda mais cedo, lembrem-se de que só os estamos a preparar para o futuro, quando tiverem de trabalhar, pois irão ter horários que os vão obrigar a tal situação. Mas não somos nós que decidimos.

Noutra área há quem se recorde afetiva e emocionalmente desta cena. Como eu nunca o fiz, nem achava qualquer piada na época, agora, em idade avançada, também me chateava profundamente quando a miudagem aqui da Lomba o fazia, em especial quando saía da catequese (aqui ao lado da casa). Irritava-me sem entender qual o gozo das crianças fazerem isso, mas deve ser defeito meu e da minha infância reprimida.

Após programa piloto, Irlanda avança com Rendimento Básico de 1400 euros para artistas – ZAP Notícias

Views: 3

A Irlanda vai tornar permanente o Rendimento Básico para Artistas, após um bem sucedido programa piloto de três anos. No âmbito do programa, 2.000 artistas vão receber um rendimento semanal de 325 euros — cerca de 1400 euros por mês. Deve um país apoiar financeiramente os seus artistas? Esta foi a questão que a Irlanda procurou responder com um programa piloto realizado entre 2022 e 2025, durante o qual o governo forneceu a 2.000 criativos um rendimento de 325 euros por semana. Agora, o governo irlandês decidiu tornar permanente o seu programa de Rendimento Básico para Artistas. “Isto é verdadeiramente

Source: Após programa piloto, Irlanda avança com Rendimento Básico de 1400 euros para artistas – ZAP Notícias

Portugal em 3º lugar na lista de países da UE que melhor integra imigrantes

Views: 2

Numa altura em que os governos europeus endurecem as políticas de imigração, alguns países continuam a destacar-se na forma como integram os novos residentes. Segundo um novo estudo, Portugal é o terceiro país que melhor o faz, numa lista liderada pela Suécia. Apesar do reforço das regras de entrada e permanência, a Suécia é o país da União Europeia com as políticas de integração mais robustas, de acordo com a edição 2025 do índice MIPEX (Índice de Políticas de Integração de Migrantes) do centro de estudos Migration Policy Group, recentemente divulgado. O índice criado pelo think tank sediado em Bruxelas,

Source: Portugal em 3º lugar na lista de países da UE que melhor integra imigrantes

algumas obras do autor

Views: 2

 

May be an image of text that says "MELHOR DO QUE SER CONHECIDO, É SER UMA PESSOA QUE VALE A PENA CONHECER"

A família

A família : o desafio da diversidade / Adelina Gimeno ; trad. Chrys Chrystello. – Lisboa : Instituto Piaget, D.L. 2003. – 335, [4] p. ; 24 cm. – (Epistemologia e sociedade ; 197). – Tít. orig.: La familia: el desafio de la diversidad. – Bibliografia, p. 319-326. – ISBN 972-771-596-6
Link persistente: http://id.bnportugal.gov.pt/bib/bibnacional/1166364 Copiar link

A Família - O Desafio da Diversidade de Adelina Gimeno - Livro - WOOK

Ver títulos
destes autores: Adelina Gimeno Collado , J. Chrys Chrystello
destes temas:
316.35(075) (sociologia, política, direito, educação, etnografia, …)
316.47(075)
deste editor: Instituto Piaget
desta coleção: Epistemologia e sociedade

https://bibliografia.bnportugal.gov.pt/bnp/bnp.exe/q?mfn=88019&qf_AU==CHRYSTELLO%2C%20J.%20CHRYS%2C%201949-

lendas da minha Galiza (lomba da maia, dez.º 2011) poema de chrys c

Views: 3

1. lendas da minha Galiza (lomba da maia, dez.º 2011)

Galiza és tão especial quando sorris

por que não sorris sempre?

Galiza és tão bela quando escarneces com gargalhadas cristalinas

por que não ris sempre?

Galiza és tão enamorada quando falas e cicias

por que não tagarelas sempre?

no monte das Ánimas

na era dos Templários

os cervos eram livres

e os servos escravos

do poço no meu eido

transbordam palavras

dele sorvo inspiração

amores e mouras encantadas

lá aprendi a história de Ith

filho de Breogán

indo à Torre de Hércules

seduzir Eirin a Verde

este conto queda silente

na memória dos velhos

já não o aprendem os nenos

li em livros vetustos

o sumiço das Cassitérides

eram cativos os Ártabros

nas forjas de estanho

não encontrei os mapas

no meu poço seco e definhado

nem um fio de água

sem pardais nas árvores

nem flores no jardim

senti o coração trespassado

as lágrimas minguaram

jamais haveria fadas ou sereias

cronópios e polinópios

fui penar ao cimo do monte

 

pios e polinia fadas ou sereias

atopei umas Meigas

a dançar com o Dianho

também vi o Chupacabras

estandarte de Castela

sem medo de travessuras de Trasgos

nem Marimanta ou Dama de Castro

sem temor da Santa Companhaa Santa Companhatravessuras de Trasgosa

nem do Nubeiro vagueando

entre tempestades e tormentas

juntei ferraduras, alho e sal

colares de conchas e tesouras abertas

esconjurei meigas castelhanas

que me salve o burro farinheiro

ou o banho santo em Lanzada[1]

visitei Santo Andrés de Teixido

duas vezes de morto

que não o visitei uma de vivo

desci a Ribadavia

ali nasce o Minho

que ora passa caladinho

para não despertar os meninos

sigo caminhando

busco a moura fiandeira

um dia virá o eco

e brotará áuga do meu poço

escreverei os versos e serão mágicos

afincado no chão

erguerei a tua flâmula

no poste mais alto e cantarei

Galiza livre sempre.

 

[1] (Sansenxo)

vontade é partir. projetos para uma utopia (poema de chrys c de fevº 1976)

Views: 2

 

 

 

vontade é partir. projetos para uma utopia (fevº 1976)

https://blog.lusofonias.net/wp-content/uploads/2025/10/vontade-e-partir.pdf

vontade é partir. projetos para uma utopia (fevº 1976)

 

improvisa um despertar

nada tens aqui de teu

nada podes perder

quando nada tens

só a solidão pode perdoar

improvisa um despertar

dele será a tua luta

quotidiana

cobardes

inermes

inertes

e outros

bichos-de-sem-vontade

mero adorno

objeto a marginalizar

vontade é partir

tu

as alturas e as muralhas

montanhas do teu ser

vontade é erguer novo

tu

mundo dos filhos sonhados

habitantes futuros

improvisa um despertar

e parte!

o que é novo

o que é mundo

não espera

tu desesperas

parte já

novo o queres

logo é já amanhã

demasiado tarde

vontade é partir

fly me into the earth

plastic world

tudo é plástico

até o céu azul-metileno

as ruas

as casas

as próprias pessoas

no deposit on return useless as everything else

people to throw away pure waste everything’s plastic

até eu escrevo no plástico papel

com uma esferoplastográfica

vontade é partir

vivemos num mundo uniforme

sem classes só lutas

tudo é meramente igual

constante matemática complexa

a igualdade do ser ao plástico

vontade é partir

levem-me daqui

fly me

take me away

to longtime lost and forgotten worlds

matthew and son

o gato esteves

ainda hoje é voz

mas sem nome de cat stevens

terna expressão

diz-nos das mãos cansadas

trabalho de dias sem fim

em troca de quase nada ou nada

led zeppelin e a propulsão do hélio

pelo mundo toda a mensagem

whole lotta love

resultados trágicos

inesperados

vontade é partir

confundidos com a vinda do messias

os judeus de Israel

tomaram de assalto o sinai

sinal de quem espera amor

o todo total dos lados do suez

cá em baixo do céu

mulher

amor

nem de plástico

e tudo é azul

no calor tranquilo

modorrento da família

amoleces na indecisão

vontade é partir

deixa o hábito onde o usaste

sempre

num cabide

esquece-te dele

deixa passados por ressuscitar

sonhos irrealistas

qualquer passado

é futuro de triste presente

não é livre como o vento

nem raiz no pensamento

vontade é partir

como quem regressa

saber do hoje

o percurso frustre

 

O CERCO APERTA

andamento 1º

sou este cavalo louco

desfilo nas noites

cavalgo ideias

ignoro donos e senhores

sei da liberdade esta vontade

voz incómoda jamais obnubilada

et ça

ça suffit

andamento 2º

prometa a salvaguarda dos interesses

retome a louca compostura do silêncio

diálogos cruzados

impostor! anarquista!

destruidor premeditado da sociedade!

novo e ingénuo levado por utopias

belas e impraticáveis

pretendo a sociedade e não estereótipos

as estruturas disfarçam jogos subterrâneos

a estabilidade estagnante

é preciso reinventar a vida

entre os dois primeiros seres

partir numa conjugação correta do zero

abolir dogmas quaisquer que sejam

ordenar o código geral não-penal

andamento 3º

sem donos nem senhores

desfilada na noite

da libertação conheces utopias

tua a voz

incómoda

perdida a louca compostura

do silêncio

a vida no grau zero do zen.

 

 

Timor oriental, au pays des crocodiles – Regarder le documentaire complet | ARTE

Views: 4

Le Timor oriental est le plus jeune État d’Asie – il a obtenu son indépendance en 2002. Dans ce pays, la nouvelle génération s’attelle à protéger une nature encore préservée, où évoluent de rares espèces animales, dont le célèbre crocodile marin, ancêtre vénéré de l’île devenu aujourd’hui monstre tueur.

Source: Timor oriental, au pays des crocodiles – Regarder le documentaire complet | ARTE

o regresso do urso

Views: 1

+18 e,m https://www.facebook.com/photo/?fbid=4667855966589265&set=pcb.3106540942788903
A extraordinária história do regresso do urso-pardo
Por estes dias ainda estão em hibernação – os ursos saem das covas em maio, quando as flores das árvores já se transformaram em fruto. A maioria permanece na zona onde nasceu, mas alguns avançam para sul, movendo-se de noite, de esconderijo em esconderijo. Caminham em quatro patas, em média dez quilómetros por dia, numa grande marcha por território e alimento. E vão caminhando, lentamente. Os ursos avançam a passo firme. E avançam para Portugal.
Depois de séculos de extinção, os cientistas da Fundación Oso Pardo (FOP), associação que trabalha há 25 anos na conservação desta espécie, estimam que o nordeste transmontano comece a receber visitas de ursos ao longo da próxima década. “A natureza tem sempre um grau de imprevisibilidade, por isso a nossa certeza não pode ser total. Ficamo-nos nos 95% de convicção, vá”, ri-se Fernando Ballesteros, biólogo da FOP. O que está a acontecer, na sua opinião, é um pequeno milagre. Há 30 anos, afinal, a espécie estava praticamente à beira da extinção na cordilheira Cantábrica. “Mas a população recuperou, está a expandir-se e a chegar a zonas de onde tinha desaparecido há séculos.”
Francisco Álvares, biólogo do CIBIO, centro de investigação da Universidade do Porto, e representante português da Rede Europeia de Estudos de Grandes Carnívoros, escreveu em 2010 um artigo em que anunciava a possibilidade do regresso do urso-pardo a Portugal. “As coisas estão a acontecer mais rápido do que imaginávamos e agora é urgente fazer duas coisas. Por um lado travar as notícias falsas de aparecimento de urso, como aconteceu o mês passado no Gerês, porque elas criam inquietação nas pessoas. Por outro, é urgente arrancar com um plano de informação às populações que vão passar a conviver com o urso. É preciso que ele não seja visto como uma ameaça, mas sim como uma oportunidade.”
Isto é certo: os ursos que chegarem, vão chegar assustados. São jovens adultos, machos, em processo de dispersão. A partir do momento em que aparecer o primeiro, é altamente provável que outros se sigam – os animais deixam marcas nas suas incursões e, quando encontram bons corredores ecológicos, percorrem-nos repetidamente. “Não haverá populações fixas em Portugal, nem fêmeas com crias, apenas animais de passagem”, e Fernando Ballesteros explica que um processo desses demorará no mínimo meio século.
Mas porque vêm então os bichos para aqui? A fronteira norte de Portugal preserva uma mancha de floresta nativa que lhes permite algum refúgio. Não é impossível que os animais regressem ao Gerês, mas o nordeste transmontano tem um fator diferenciador. É que, nas últimas duas décadas, os concelhos de Bragança e Vinhais encheram o seu território de castanheiro. “Há alimento. E é por isso que os ursos vão voltar.”
Um grande negócio
Os ursos que avançam em direção a Portugal são originários do sudoeste da Cordilheira Cantábrica – 150 quilómetros em linha reta da fronteira portuguesa. Ao longo da última década foram avançando para sul, em todas as direções, mas o seu ponto de origem são os montes de Somiedo. É terra asturiana, está encostada à região de Castilla-León e perto da Galiza. A rota que os animais cumprem hoje não é assim tão diferente da dos cruzados que iniciaram a reconquista no século VIII. A partir das Astúrias, os ursos vão tomando a Península.
“Estivemos pertinho de perder os bichos todos, mas conseguimos recuperar e isso foi a melhor coisa que nos podia ter acontecido”, diz Belarmino Fernández, alcaide de Somiedo. É um homem baixo e de sorriso fácil, filho de ganadeiros, como todos na região. “Fazíamos tanta caça ao urso que há 30 anos já só nos restavam três. Mas depois transformámos todo o território do município em parque natural – e os animais começaram a recuperar.”
Somiedo tem 300 quilómetros quadrados, todos eles classificados como Reserva da Biosfera pela UNESCO desde 2000. 42% do território é de reserva integral – aqui os humanos não podem entrar. Foi onde os ursos encontraram espaço para se reproduzir. Hoje, a população calcula-se em 70 indivíduos (os números são sempre aproximados, porque os biólogos só contabilizam as fêmeas com crias).
Somiedo fica no sudoeste das Astúrias. Em 30 anos, passou de uma população de 3 ursos a 70.
Nas estradas de alcatrão há sinais a alertar os condutores para a possibilidade de atropelarem ursos. Belarmino percorre de jipe o caminho dos lagos do vale, e vai apontando para os montes à volta do planalto. “Aqui é uma cova de reprodução, ali descem para comer, ali vi um dia três crias na brincadeira.” Entre maio e outubro os animais estão bastante ativos e não é difícil vê-los a uma relativa distância.
Todos os anos, chegam milhares de pessoas de todo o mundo para ver os maiores carnívoros da Europa. “Quando eu era criança, toda a gente aqui vivia das vacas, era uma economia de subsistência. Cada família tinha três ou quatro, os mais ricos tinham umas dez”, conta Belarmino. “Ainda é uma fatia importante da nossa economia. Temos oito mil vacas e 150 pastores.”
Os rendimentos dos 1300 habitantes de Somiedo têm, na maioria dos casos, outra fonte. “Temos 90 negócios turísticos no nosso concelho. Empresas de observação de ursos são umas dez, restaurantes uns 20, temos mais de 1400 camas na hotelaria.” E o alcaide assegura que o ecoturismo representa mais de metade dos rendimentos da região. “Isto só existe porque temos um símbolo como o urso. Mesmo que as pessoas não o vejam sempre, o facto de ele existir aqui certifica-nos como um paraíso natural e isso é um fator de atração.”
Em Somiedo, o urso não é só o urso. É também a salvação de uma terra esquecida.
Yo me quedo
Sérgio Coframa, 33 anos, já chamou as autoridades. Ontem à noite apareceram-lhe três colmeias todas escavacadas e o homem não tem grandes dúvidas: andou ali urso. Agora tem de mostrar os danos aos agentes da Patrulla Oso, um corpo da guarda-florestal encarregado da monitorização desta espécie. Juan Díaz avalia o estrago, procura os terrenos à volta e encontra excrementos do animal. “Foi urso sim senhor.”
As autoridades asturianas pagam aos apicultores por cada colmeia atacada. Mas a verdade é que, há 30 anos, quando Somiedo se transformou em parque natural, os produtores de mel receberam todos formação de como haviam de proteger as suas explorações. “Nas mais das vezes isso faz-se com vedações eletrificadas”, conta Coframa. “Mas a culpa foi minha, que deixei desleixar a minha. O animal não tem culpa nenhuma.”
Fernando Ballesteros diz que a prevenção é essencial para estancar qualquer conflito entre o urso e o homem. É isso que a FOP anda agora a fazer pela Galiza. Em Somiedo, como se vê no exemplo do apicultor atacado, não é preciso. “Todos aqui entendem que o urso só traz benefícios.”
O alcaide da terra acredita que se deve ao animal o fim da sangria populacional que lavrava a região. “Como todas as zonas rurais, a população estava em declínio, mas de há vinte anos para cá tem vindo até a aumentar ligeiramente. Agora há emprego, por causa do ecoturismo, e vemos que mais gente fica e até regressa.”
Marcos Simón, que trabalha no centro de interpretação do Urso Pardo e organiza caminhadas de avistamento, regressou há dez anos, trouxe para cá a mulher de Madrid, e acabaram de ter um filho, o primeiro bebé de 2019 no município. Noé Alvarez também voltou: estudou informática em Oviedo, mas quando a mãe abriu um complexo com hotel, parque de campismo e restaurante, decidiu regressar com a namorada às origens e assumir a cozinha.
Jimena Cerna e Alfredo Martinez criaram uma empresa curiosa. Dão aulas de espanhol em Somiedo a estrangeiros que pagam para aprender línguas e visitar o território do urso – por estes dias têm uma francesa chamada Vivianne a passar uma semana com eles.
O caso mais peculiar é, no entanto, o de Pablo García, 40 anos. Antigo guarda-costas do governo do País Basco, fazia segurança pessoal a políticos que várias vezes foram alvos de atentados da ETA. “Um dia escapei por pouco à explosão de um carro-bomba em que um colega meu perdeu as pernas e outro ficou cego. Foi então que me fartei e decidi mudar-me para aqui.”
Não tinha ligação a Somedo, mas quando descobriu que a mais antiga mercearia da vila havia fechado portas há meia dúzia de anos, comprou-a e transformou-a em bar e venda de lembranças. Vende e aluga binóculos para observações, camisolas, canecas e peluches do urso-pardo. “Ganho por ano uns bons 30 mil euros graças aos recuerdos do animal. É tanto quanto faturo em tudo o resto.”
Memória portuguesa, com certeza
Era uma noite de inverno de janeiro de 1989 e chovia que se fartava. Armindo Alves, hoje com 65 anos, tinha passado a tarde com os amigos a trocar conversa e copos de vinho na aldeia de Pinheiro, concelho de Vinhais. “Era noite quando me pus a caminho da vila. Tive medo de ser caçado pela Guarda, então meti-me num antigo caminho que devia haver uns 50 anos que já ninguém usava.”
O caminho de Cabanelas é hoje de terra batida e está aberto, mas naquela altura tinha sido invadido pelo mato. Com o jipe, ia abatendo os pequenos pinheiros que ocupavam o que um dia havia sido um atalho, até que foi parar a um curso de água e já não conseguiu passar. “Fiquei ali atolado toda a noite e só na manhã seguinte é que percebi onde estava.”
Quando amanheceu, a chuva parou. E foi então que o homem reparou “num muro de xisto muito direitinho que estava meio escondido no meio da urze”. Foi lá espreitar e percebeu que era largo e redondo. Uma circunferência com 80 metros de diâmetro, definida por muros de pedra de três metros de altura por um de largo. Por cima, ainda repousavam algumas lajes saídas. “Percebi logo que era uma espécie de fortaleza.”
O que Armindo descobriu nessa noite foi uma das mais antigas e bem conservadas silhas do mundo. Foi provavelmente erguida antes da fundação de Portugal e servia para proteger as colmeias dos ataques de urso. Nos meses seguintes, comprou os terrenos e descobriu mais duas estruturas idênticas mesmo ali ao lado. “Hoje produzo aqui mel e vêm cá os miúdos das escolas ver isto. É mesmo bonito, não é?”
Ainda que não sejam tão imponentes, há silhas espalhadas por todo o país, o que é determinante para perceber que o urso esteve presente em todo o território. “Portugal tem, aliás, uma das mais antigas leis de proteção de uma espécie”, diz o biólogo Francisco Álvares. “A 5 de fevereiro de 1412 o rei D. João I promulgou uma lei que proíbe a caça aos ursos a sul do rio Tejo.”
A última caçada
Aconteceu em Montalegre, corria o ano de 1843. O facto foi anunciado no ano passado quando foi publicado o livro Urso Pardo em Portugal – Crónica de Uma Extinção. Miguel Brandão Pimenta, antigo funcionário do Parque Nacional Peneda-Gerês (e coautor da obra a par do ex-jornalista Paulo Caetano), foi quem descobriu a história em antigos arquivos. “Até aí, acreditava-se que o animal tinha desaparecido do território português no século XVII.”
A perseguição ao urso foi uma constante na história portuguesa. “Os animais eram caçados porque as peles eram extremamente valiosas e a cabeça um troféu magnífico”, diz o investigador. “Mas aquilo que era verdadeiramente raro eram as patas, obrigatoriamente entregues ao rei, e depois cozinhadas em azeite na corte. Era um dos mais valiosos pitéus que poderiam subir a uma mesa.”
A chegada ao continente americano e a introdução do milho nas regiões montanhosas foram o golpe de misericórdia do urso-pardo em Portugal. “As paisagens bravias passaram então a ser ocupadas e o conflito subiu, até se caçar o último animal.”
Todo este tempo depois, o urso anuncia o regresso. Em Vinhais, a terra da grande silha que Armindo descobriu, a chegada traz expectativas. “O ecoturismo é um dos três grandes vetores da nossa economia, junto com a castanha e o fumeiro”, diz o presidente da câmara, Luís Gonçalves. “Percebemos que o urso pode trazer muita gente, não só para o ver mas porque ele significa um território de excelência ambiental.”
Há uns anos os técnicos de Vinhais visitaram Somiedo e perceberam o impacto económico da presença da espécie. Mesmo Vinhais tem feito as suas apostas na vida selvagem – em 2008 a autarquia abriu um Parque Biológico onde existem veados, javalis e raposas que já não sobrevivem livres. “Em maio vamos abrir um centro de interpretação do lobo-ibérico e podermos acrescentar o urso a isto tudo é um sonho”, diz Alfredo Moura dos Santos, autor do Parque Biológico.
Alfredo é pescador de truta, diz que nos rios de Vinhais não falta alimento. “Em Somiedo aprendemos que o urso dificilmente ataca o homem. Então que venha para Vinhais depressa, que nós aqui temos fama de saber receber quem nos visita.”
Montalegre: o urso que afinal não era
Quando, há um mês, o biólogo espanhol Fernando Ballesteros recebeu a fotografia de uma pegada de urso nos arredores da vila transmontana de Montalegre, não pode senão rir-se. “Tenho cem por cento de certeza que não é de urso pardo e foi exatamente isso que eu disse quando me pediram que a analisasse”, conta o investigador da Fundación Oso Pardo (FOP) ao DN. A FOP é uma associação que trabalha há 25 anos na conservação desta espécie e Ballesteros o responsável pela análise da sua expansão – através de pegadas, marcas nas árvores e excrementos consegue determinar os caminhos por onde o bicho se movimenta.
Em Portugal, a imagem daquela pegada espalhou-se pelas redes sociais como lume em eucalipto, fez notícia em jornais e televisões – isso e o relato de quem assegurava ter visto o animal. “Nos avistamentos e nas pegadas há muito esta confusão: olhando de relance, o que parece um urso é afinal um javali de grandes dimensões.” Aquilo que fez Ballesteros rir, no entanto, não foi a confusão entre os dois bichos – essa é relativamente comum. “O que tem piada é que pôs-se toda a gente a olhar para o Gerês quando é no Montesinho que está a acontecer algo de absolutamente extraordinário.”
Ricardo J. Rodrigues
DN

a falácia de muitos imigrantes

Views: 2

Para desmentir os Venturas, Passos, Taxas e quejandos, que desejam, no fundo, o regresso aos tempos de Mussolini. Vejam bem o número de emigrantes por mil residentes – Portugal está bem cá em baixo…

Filipe Fráguas Mateus

Caro amigo, Temos de ver a origem dos emigrantes e a sua inclusão social. Luxemburgo tem 30% da população portuguesa perfeitamente aculturada e inserida no tecido social. Mas este meu post não está contra quem venha por bem. Quantos mais melhor até porque a nossa história é feita de portugueses emigrantes. Alias em termos percentuais devemos ser o país que mais emigrou desde o século XIX. Por nós e pela nossa história devemos receber estas pessoas, que ,vem por bem, como se fossem nossos familiares. E são.
  • Reply
Luis Fonseca

Querido amigo Mário, 9 em cada mil, segundo o gráfico.
Qualquer coisa como 0,9%……

See more

May be an image of ‎text that says "‎Imigração Novos imigrantes por cada 1000 residentes ፖክያን Média Elevada Luxemburgo Malta 10 Chipre 20 Ietando Litudnia 30 Austria Palses Balros 16 16 27 35 15 Belgica Eslovénia 13 12 12 11 Espanha Dinamarta Alemanha Roménia Portugai 10 Croácia Suécia Hungria Letónia Finlândia 8 Polónia Bulgária Gricia ة França Eslováquia 0品 2013 216 Fonte: Eurostat, INE 고11일 201付 cálculos PORDATA. 고번1호 2011원 까림:‎"‎