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“Não podemos correr o risco de ficar com parte de Portugal sem comunicações”. Anacom reitera a urgência da substituição dos cabos submarinos que ligam continente, Açores e Madeira – Tecnologia – SAPO 24

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O presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) reiterou hoje a urgência da substituição dos cabos submarinos que ligam continente, Açores e Madeira, alegando que Portugal não pode correr o risco de as regiões autónomas ficarem sem comunicações.

Source: “Não podemos correr o risco de ficar com parte de Portugal sem comunicações”. Anacom reitera a urgência da substituição dos cabos submarinos que ligam continente, Açores e Madeira – Tecnologia – SAPO 24

white pride gay pride

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«Baltazar Almeida tinha orgulho em ser branco. Odiava com igual paixão negros e gays. Aos 20 anos tatuara no ombro direito, em letras góticas, grandes e sólidas: white pride. O problema é que não era branco – era português.

Evitava apanhar sol. Usava protetor solar de grau máximo e nunca ia à praia. Mesmo assim, passeando em qualquer cidade europeia acima de Barcelona era frequentemente confundido com um árabe. O jovem sofria com o equívoco. Por vezes, ao cruzar-se com outros cabeças-rapadas (que mostravam, nos fortes braços, tatuagens semelhantes à sua), estes cuspiam-lhe insultos ferozes: “Volta para a tua terra, pastor de camelos!”, ou algo do género, e era como se lhe acertassem duas facadas certeiras no âmago da sua puríssima alma ariana.

Aquele era o tipo de insultos que o próprio Baltazar gritava em Lisboa contra os pretos. Nada a ver, tentou explicar à namorada, Fátima: uma coisa eram os pretos na Europa, vindos aos magotes de África para roubar os empregos aos brancos, para corromper as culturas nacionais, para impor o Islão, para subverter as instituições, para violar as mulheres e degradar o precioso património genético ocidental; outra era um honesto jovem europeu passeando no glorioso continente dos seus ancestrais.
– Além disso, o que tenho eu a ver com um árabe?

Baltazar viajava bastante pela Europa, em trabalho. Escondia as tatuagens dos colegas, mas tinha mais dificuldade em ocultar os preconceitos, o que já lhe trouxera vários dissabores. Certa tarde, estando de passagem por Hamburgo, achou-se diante de uma manifestação de extrema-direita. Viu a sua gente avançar, uma multidão sólida, vestida de negro, gritando palavras ásperas, e, num impulso solidário, correu a juntar-se a ela. Infelizmente, o seu gesto foi mal-interpretado. Um sujeito gordo, espantosamente ágil atendendo ao excesso de peso, cortou-lhe o caminho com um súbito golpe no pescoço. O português caiu no chão, arfando, e no instante seguinte estava rodeado de brutos, que o socavam e pontapeavam. Viu o brilho de uma lâmina e o sangue que saltava, mas não sentiu dor nem compreendeu onde o haviam ferido. Julgou que morreria ali, por um triste equívoco, às mãos dos companheiros de ideais. O alarido aumentou. Uma turba embateu contra a primeira. Alguém o ergueu. Baltazar abriu os olhos e percebeu que mudara de lado. Um grupo de jovens arrastava-o para longe. Gritavam em árabe. “Estes gajos estão a falar árabe!”, pensou, aterrorizado: “Estou a ser raptado por árabes!”

Na verdade, seria mais acertado chamar-lhe resgate. Uma porta abriu-se, outra fechou-se. Estenderam-no num divã. Baltazar olhou em volta e percebeu que estavam num restaurante oriental. Doía-lhe o corpo todo. Levou a mão esquerda ao ombro direito e sentiu a camisa empapada. Um rapaz de olhos largos e brilhantes colocou-se diante dele. Falava alto, numa algaraviada rápida e cerrada.

– Sou português. – Conseguiu dizer Baltazar, em inglês. – Não falo árabe.
– É português – disse o rapaz para os outros, mudando também para o inglês. – Um árabe cristão. Como te chamas?
– Almeida…
– Al-Maída, a mesa – traduziu o rapaz, rindo-se muito. Todos se riram. – És um bravo! Vimos como te lançaste sozinho contra os nazis.
– Não… Eu…
— Sim, sim, todos nós vimos. És um herói, Al-Maída.
Os outros vieram abraçá-lo, comovidos. Uma moça apareceu com água e material de primeiros socorros. Explicou que era enfermeira e pediu-lhe para tirar a camisa. Precisava tratar do ferimento. Baltazar lembrou-se da tatuagem. O que aconteceria se vissem a tatuagem?
– Não, não! Estou bem. Não vale a pena. Isto é só um arranhão…
A moça insistiu. Com uma tesoura, cortou a camisa. Depois, com um algodão, delicadamente, começou a limpar-lhe o ombro. Baltazar fechou os olhos. Pela primeira vez arrependia-se de ter mandado fazer a tatuagem.
– A ferida não é profunda – disse a enfermeira. – Mas estragaram-lhe a tatuagem. Só se consegue ler “pride”. Era “gay pride”?
À sua volta houve murmúrios, risos abafados.
– O português é gay – disse um dos rapazes.
A moça indignou-se:
– E qual é o problema de ser gay? É mais corajoso do que qualquer um de vocês.
Baltazar assumiu: sim, era gay, um gay português, quase árabe. Regressado a Lisboa, contou à namorada que havia sido assaltado por um bando de pretos. Um deles dera-lhe uma facada no ombro. Destruíra-lhe a tatuagem. “Não te preocupes”, consolou-o Fátima: “Fazes outra.”

Então, torturado pelos remorsos, Baltazar hesitou:
– Talvez não fossem bem pretos…
– Não?!
– Talvez fosse o contrário.
– Como assim?
– O preto era eu. O preto deles.
E caiu num imenso pranto. Depois, sentiu-se melhor. A verdade conforta.

(Crónica publicada na VISÃO 1405 de 6 de fevereiro)»

Certa tarde, estando de passagem por Hamburgo, achou–se diante de uma manifestação de extrema-direita. Viu a sua gente avançar, uma multidão sólida, vestida de negro, gritando palavras ásperas, e, num impulso solidário, correu a juntar-se a ela. Infelizmente, o seu gesto foi mal-interpretado

VISAO.SAPO.PT
Certa tarde, estando de passagem por Hamburgo, achou–se diante de uma manifestação de extrema-direita. Viu a sua gente avançar, uma multidão sólida, vestida de negro, gritando palavras ásperas, e, num impulso solidário, correu a juntar-se a ela. Infelizmente, o seu gesto foi mal-interpretado

o cemitério das eólicas: Wind Turbine Blades Can’t Be Recycled, So They’re Piling Up in Landfills – Bloomberg

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Companies are searching for ways to deal with the tens of thousands of blades that have reached the end of their lives.

Source: Wind Turbine Blades Can’t Be Recycled, So They’re Piling Up in Landfills – Bloomberg

Base das Lajes: um atentado à vida texto de J Soares

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Base das Lajes: um atentado à vida

Dada a localização dos Açores, no meio do Atlântico, entre dois continentes, na Primeira Guerra Mundial instalou-se uma base naval e na Segunda Guerra Mundial duas bases aéreas. No presente texto faremos, apenas, referência à utilização pelos Estados Unidos da América, da Base das Lajes e outras infraestruturas a ela associadas, na ilha Terceira.

Base das Lajes tem servido ao longo dos tempos como instrumento de agressão e morticínio de populações em várias partes do mundo e é um foco de poluição ambiental associada à degradação da qualidade de vida da população da ilha Terceira.

No que diz respeito à utilização da Base das Lajes para espalhar a morte, não pretendendo ser exaustivo, aqui vão alguns exemplos: em julho de 1958, intervenção americana no Líbano com vista a proteger o “governo pró-Ocidente”; em 1973, apoio militar aos israelitas durante a última guerra israelo-árabe; em 1975, envio de material de guerra para as forças de direita no Líbano e entre agosto de 1990 e fevereiro de 1991, escala e reabastecimento de aviões para a guerra do Golfo;

A existência de armas nucleares na ilha Terceira foi por diversas vezes denunciada por várias entidades, nomeadamente num relatório da francesa Fundation pour les Etudes de Defense Nacional, na década de 80 do século passado. Como se sabe a presença de armas nucleares leva ao aumento da radioatividade e esta associada um conjunto de problemas de saúde, entre os quais doenças do foro oncológico.

Mais recentemente, o armazenamento de munições e de combustíveis e os consequentes efeitos perniciosos na saúde das populações foi denunciado por uma petição pública (1), em cujo texto se pode ler o seguinte:

“Já em 2005, há 12 anos, foram identificados, pela força aérea dos Estados Unidos da América, 35 locais contaminados com hidrocarbonetos e metais pesados nos solos e aquíferos da ilha Terceira. Contaminação posteriormente confirmada, em 2009, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

A saúde pública dos habitantes da ilha, é algo que tem vindo a ser discutido localmente durante décadas. Atualmente, existe um medo palpável entre a população devido ao número anormal de casos de cancro, e a suspeita do mesmo estar relacionado com uma possível contaminação dos solos e aquíferos. Só no concelho da Praia da Vitória incidem 33% dos casos de cancro nos olhos e 21% de casos de cancro de colo do útero a nível regional, num concelho que representa apenas 8,5% da população regional.”

Face aos problemas existentes, surgem várias reações por parte de personalidades diversas ou das forças partidárias.

A esmagadora maioria das forças partidárias, ou ignora o assunto ou pretende esconder o sol com uma peneira, não só desvalorizando a perda da qualidade de vida e nunca pondo em causa a presença militar dos norte-americanos. Assim, sendo cúmplices de todos os atentados cometidos, hoje, após terem acordado de longa letargia, passaram a reivindicar a descontaminação ambiental da ilha Terceira e a exigir que o Estado Português assuma as suas responsabilidades.

Felizmente, a comunicação social dos Açores, nomeadamente o jornal terceirense Diário Insular, tem dado voz a quem se preocupa com o problema e tem divulgado relatórios e análises à água e aos solos. A título de exemplo, a 15 de agosto de 2019, aquele jornal anunciava que a água da Base das Lajes estava contaminada com bromato, um produto químico sob suspeita de ser cancerígeno. O mesmo periódico, no dia 9 de novembro de 2019, publicou um texto “intitulado “Contaminação degrada na Terceira todas as formas de vida”, onde um americano confessa que mais do que a questão dos cancros, o grande problema é o da bioacumulação que põe em causa toda a qualidade de vida, em geral, e em particular, está na origem, mais cedo ou mais tarde, de várias doenças responsáveis pela diminuição da esperança de vida”.

A comunidade científica que poderia ser útil no esclarecimento das populações com verdade e sem alarmismos, está dividida. Se a grande maioria mantém-se em silêncio absoluto, muito poucos alertam para a gravidade dos problemas e apelam à necessidade urgente de se proceder à descontaminação e outros há que quando se fazem ouvir é para “chamar de alarmistas” aos colegas e para tentar branquear a situação, afirmando que apesar da contaminação, afinal nada de grave se passa.

Uma das poucas pessoas que não se tem calado é o professor da Universidade dos Açores, Félix Rodrigues, que, por várias vezes, tem denunciado o secretismo que pretendem que exista em torno do assunto. No Diário Insular de 21 de dezembro de 2018, Félix Rodrigues afirmou o seguinte: “Tanto Lisboa como os EUA têm muito que explicar aos açorianos e terceirenses em particular. A explicação não deverá ser somente filosófica ou política, mas concreta, onde se deve dizer o que se fez, passo a passo e com que tecnologia. É incompreensível que o controlo da descontaminação seja feito sem a participação de quem é afetado. Faz sentido que quem me pode envenenar seja a pessoa que me faz o tratamento de cura, sem que tenha conhecimento disso? Isso é no mínimo incompreensível e pouco ético.

(1) http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=terceira

José Soares.
Letra a Letra nº 9, fevereiro de 2020

Nota: a revista Letra a Letra pode ser pedida através do seguinte contacto: jope103@hotmail.com

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Várias lusofonias, uma grafia – DN

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O tema das relações entre os denominados países de língua portuguesa, em todas as áreas, é habitualmente tratado com muitas paixões, mas também equívocos, preconceitos e uma total ausência de uma estratégia comum, pensada e definida por todos, em pé de igualdade.

Source: Várias lusofonias, uma grafia – DN

VENHA A EUTANÁSIA POIS Cuidados paliativos não chegam a mais de 80% dos doentes – DN

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Escassez de equipas e falta de formação específica também são problemas da área. Era suposto existirem 100 equipas domiciliárias. Existem 26

Source: Cuidados paliativos não chegam a mais de 80% dos doentes – DN