antónio justo UM DESABAFO SOBRE DEMOCRACIA E ÉTICA NO MEU PAÍS E NA EUROPA

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UM DESABAFO SOBRE DEMOCRACIA E ÉTICA NO MEU PAÍS E NA EUROPA

Encontro-me em Portugal e o que se revela aos meus olhos? Uma nação de braços e génio, rica em humanidade e força de trabalho, cujo fado paradoxal a ancorou no breve sonho do dia-a-dia, enquanto seu horizonte mais ardente se transformou no mapa da partida. O espanto é a primeira reação: o país assemelha-se a um jardim infantil, onde a coisa pública é um cadáver em putrefação, adornado com o discurso vazio de uma classe política instalada que vive de aparências enganosas. Um povo desorientado, sem esperança, aponta o dedo ao vizinho, sentindo-se sem representação.

A depravação ética envergonha qualquer seguidor do imperativo categórico de Kant. Os mais corruptos usam os púlpitos da democracia para gritar contra tudo, defendendo um Estado sem governação para melhor o controlarem. Quem tem poder, tem razão, mesmo estando divorciado da justiça. Testemunha-se a metamorfose de pessoas boas que, ao alcançarem o poder, se tornam irreconhecíveis, absolutizadas pelo controlo do dinheiro público.

Faltam-nos estadistas. Temos apenas políticos e administradores subordinados a Bruxelas, onde as elites dançarinas do poder encaram o povo com cinismo. São oportunos para o partido, mas não para a nação, alheios a quaisquer princípios éticos ou filosóficos.

A virtude, que para Platão era o alicerce de uma República justa, tornou-se um termo estranho. O sistema fomenta a banalidade e difama a honra, destruindo o senso comum e a capacidade de discernimento. A sociedade adia ações, substituindo-as por um rosário de lamentações que, ironicamente, sustenta o sistema ao dar a ilusão de uma vida ética.

A saída só poderá vir de uma sociedade civil organizada, não apenas em torno de interesses económicos, como os sindicatos, mas em “biótopos” de consciência que exijam humanidade em paz e justiça. É preciso contrapor-se à opinião pública fabricada pelos media ao serviço de Lisboa e Bruxelas.

O espírito crítico, que é a presença viva da pessoa na sociedade, é o antídoto para uma vida manietada entre o salário e o consumo. É a recusa em ser um mero detergente social que limpa a corrupção, prolongando-a. O despertar individual é o primeiro passo para a libertação coletiva.

António da Cunha Duarte Justo

Resumo do artigo completo em Pegadas do Tempo https://antonio-justo.eu/?p=10445

 

Sobre CHRYS CHRYSTELLO

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção da AICL
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