ainda o 28 de maio 2026 por CHRYS C

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601. ainda o 28 de maio 2026

 

28 maio

Regresso ao presente (maio 2026), sabemos que os Açores estão permanentemente em crise. Agora é a caranguejola, uma espécie de coligação a 3, que se decompõe dois anos antes do fim do mandato, com intervenientes a venderem a alma à oposição, outros a dizerem que está tudo bem, como se conseguissem projetar um holograma duma realidade que só eles miram.

O naufrágio do navio Titanic — que se afundou em 1912, alegadamente devido a um icebergue — ocorreu dois anos antes do nascimento do meu pai, 11 anos antes do da minha mãe e 37 anos antes do meu. Morreram 1500 almas, bem mais passageiros de menos posses, e não tiveram lugar nos botes salva-vidas disponíveis. Por outro lado, morreram apenas 4 senhoras das 144 que viajavam em 1.ª classe, na 3.ª classe faleceram 89, das 165 que viajavam nessa classe. A tragédia deu origem a várias obras de cinema, como o Titanic de James Cameron, mas não creio que alguém vá fazer um filme, nem sequer um documentário ou uma curta-metragem, sobre o afundamento deste governo, e não haverá, decerto, histórias comoventes de amor inventado entre os 3 parceiros coligados.

Vejamos alguns problemas, pagamentos a fornecedores dos hospitais milhões atrás de milhões pagos tarde e a más horas, a saúde caótica e a degradar-se, em especial depois do incêndio de maio 2024 no HDES, agora agravada pelos bairrismos doentios da ilha Terceira (do Vice-Presidente do governo e do líder da claque da Câmara de Comércio local) que recusam ouvir falar de centro académico clínico na Universidade dos Açores, hospital universitário, hospital central ou de qualquer investimento na ilha de São Miguel. Depois, há a obra de Santa Engrácia na ilha das Flores, o porto, demolido pelo furacão Lorenzo em 2019, que, com sorte, poderá estar concluído em 2030. As estradas regionais estão, em todas as ilhas, a precisar de remendos urgentes, mas, aparentemente, o PRR não chega para tanto; a habitação carente vai ficar muito aquém do necessário; só houve lugar para AL, e as pessoas, em especial os jovens, foram corridas para fora das urbes. Ponta Delgada precisa há muito tempo de um segundo porto, mas quando pensarem em construí-lo, será tarde. O Aeroporto de PDL já há muito deixou de ser suficiente e, mesmo com a retirada da Ryanair, continua insatisfatório. Nisto e em tudo o mais (noutras necessidades de outras ilhas, como a ampliação das pistas do Pico e da Horta) existe uma total falta de visão para o futuro e um bairrismo arraigado ao passado, quando Angra do Heroísmo era heroica e famosa. Todos os Museus precisam de obras, idem para as Bibliotecas Regionais (a de PDL há muito que clama por uma mão de tinta branca, a disfarçar as manchas…). Faltam transportes marítimos de passageiros entre S. Miguel, Santa Maria e as restantes ilhas; o transporte de mercadorias interilhas é uma desgraça, sempre a ser remendado; idem para o transporte aéreo, que tanto prejudica os produtores das ilhas. Agora, a companhia aérea vai dar-se a privados e nós, contribuintes, ficaremos a pagar milhões em prejuízo e deixaremos de ter uma companhia aérea tão fundamental para a nossa insularidade. A Universidade está sempre subfinanciada, mas os Hospitais estão bem piores.

A estrada Furnas-Povoação é uma pista mortal que há anos aguarda atualização; a lancha Espalamaca continua parada no Pico com desculpas de toda a ordem, a apodrecer, após milhares de euros em obras de renovação.

Há centenas de edifícios do Estado (seja da República, do Governo Regional ou mesmo das autarquias) a caírem de podres quando poderiam ser renovados para habitação ou para dinamizar e contrariar o envelhecimento das cidades. Todos os fortes e outras construções militares deixam-se degradar até caírem, como as inúmeras campanhas para salvar o forte de São João Baptista, na Praia Formosa, comprovam. Os restos de Porto Formoso são apenas isso: restos, e em tantas ilhas o cenário se repete, sem respeito nem honra pelos monumentos do passado heroico do arquipélago. Parece haver vergonha da nossa História, mas não há vergonha nenhuma de se aproveitarem dela para benefício pessoal.

 

Ontem, finalmente, fiz o caderno de estudos açorianos dedicado a Dora Gago… Estava há umas 4 semanas à espera e, em breve, segue outro.

Mandei 4 cartas para as autarquias das ilhas de S. Jorge, Pico e Faial, a ver se nos querem lá com a Lusofonia…

 

Publicado por

CHRYS CHRYSTELLO

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção da AICL

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