A FALÁCIA DOS IMPOSTOS

May be an image of text that says "RESULTADO Funcionário Total de Abonos Empresa 2700 € Total Mensal Segurança Social (23,75%) 641,25€ Remuneração Tributável 2700 € Segurança Social (11%) 297 € Total Mensal Fundo de Compensação 27 IRS (26,0%) 702,0 € Total Anual Segurança Social (23,75%) 8977,5€ Remuneração Líquida 1701,0€ Total Anual Fundo de Compensação 378 € Faturação grátis? facturadigital.pt Total Anual Seguro Contabilista? contabilista.online 90 € Total Anual 47913,75€"
Ainda sobre os 2700 € de ordenado base.
Parece absurdo, não é?
Eu sou empresário e uma das minhas principais preocupações é pagar bem à minha equipa. É uma questão de princípio.
É claro que os cínicos vão logo achar que é mentira e que o objetivo das empresas é lucrar à custa de tudo e de todos.
Os cínicos não têm equipas, não têm pessoas a seu cargo, não tem famílias a cuidar. Os cínicos não fazem ideia do que exige montar uma empresa saudável, muito menos uma empresa de sucesso.
Estou rodeado de pessoas excelentes, pessoas que trabalham muito e que dão a alma e o coração mas, acima de tudo, dão o seu futuro à nossa empresa, a STAT Artes Marciais.
Então porque é que não é tão difícil pagar 2.700€?
Fui ao site https://www.pmesalarios.pt/simulacao/custofunc para simular o custo para a empresa deste salário base.
Para um salário base de 2700€, a empresa gasta 3368,25 e, o colaborador leva para casa 1700€.
Leiam outra vez:
o Colaborador leva para casa 1700. A empresa gasta quase 3.400€. (isto para 12 meses. Faltam os subsídios de férias e de Natal).
o Estado fica com 1668,25.
O Estado recebe tanto quanto o colaborador.
Ninguém fica a ganhar com este sistema.
Não consigo perceber a falta de visão de tudo isto. Não me venham com a história da distribuição de riqueza através do Estado. A única coisa que vejo é a falta de liquidez nos bolsos das pessoas e falta de liberdade para distribuirem a riqueza que possam conquistar.
Acredito que o Estado deve proteger quem, realmente, precisa de ajuda mas não é o que está a acontecer. A maioria dos nossos impostos serve para pagar o Estado em si. Para pagar ordenados, rendas, imóveis, carros, tudo do Estado. Não está tudo nos hospitais, na educação e nas estradas.
Os hospitais estão a funcionar porque há um acréscimo colossal de hospitais privados. As escolas, sobretudo o pré-escolar e o 1º ciclo, conseguem operar porque há milhares de alunos no privado. As estradas, as grandes e importantes estradas, são pagas por mais impostos, as portagens.
A distribuição de riqueza não se faz assim.
Em Portugal ainda há muito medo do privado. Há muito medo da empresa. Há muita falta de educação no que toca ao tecido económico e financeiro de uma sociedade. Cola-se a narrativa do trabalhador coitadinho, explorado pelo magnata capitalista.
Esta história, para além de ultrapassada, não reflete a esmagadora maioria das empresas em Portugal. Pequenas e médias empresas que fazem tudo o que conseguem para existir, pagar ordenados e levar avante os seus projetos.
Se eu fosse Primeiro-Ministro, procurava levar Portugal a outro patamar. Começava por educar, de facto, a população nos temas que são vitais para o futuro.
Reduziria a máquina Estado em 30% para criar espaço ao crescimento do tecido social, económico e financeiro. No processo, protegeria os débeis e investia os recursos do Estado em mais formação, mais capacitação e mais ferramentas. Não só para a franja mais desfavorecida da sociedade. Os empresários portugueses também precisam de aprender a trabalhar a um nível mais competente.
Para isto funcionar, teria de haver um projeto ambicioso de colocar Portugal no mundo. Na minha modesta opinião, apostaria em produtos de exportação de gama alta. Já fomos ultrapassados em quase todos os outros tipos de produto. Eu tornaria Portugal num país exportador de excelência.
Isto era o que eu faria para que 2700€ fosse um ordenado normal em Portugal.
Parece impossível mas o impossível é o que nós, pequenos empresários, fazemos diariamente.
Não sou Primeiro-Ministro e respeito muito a posição. Sou apenas mais um empresário que sente que Portugal poderia ser muito mais.
Gostaria que não ficássemos todos chocados com a revelação da nossa pequenez e fizéssemos algo, enquanto país, para chegar a um sítio melhor.
Acho que todos os portugueses querem o mesmo. Então o que falta para darmos os primeiros passos? Sem cinismos, sem populismos, sem escândalos. O que falta para sermos o Portugal do futuro?
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lusofonias.net

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL