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Que modelo de desenvolvimento?
Os Açores têm que definir o seu modelo de desenvolvimento, assente e sustentado em bases científicas, bem estudadas por quem sabe, longe de “modas” e de ciclos. Os políticos muitas vezes não são quem sabe mais, até porque funcionam com facilidade na base de eleitoralismos, ignorando os interesses gerais da sociedade.
Antes as vacas é que “eram”. Deram muito, sim, mas depois caiu-se no exagero, com vacas a mais e leite a mais, num mercado nacional e internacional muito concorrencial. Quando as vacas começaram a dar menos lucros, até já dão prejuízos, foi um tal “correr” para o turismo, com hotéis e unidades afins por todos os lados, sem esquecer que consta que existe muito alojamento ilegal.
Defendem a economia de mercado e não querem o Estado na economia. É um bom princípio, com certeza. O problema é que quando a lavoura e o turismo estão com “as calças na mão”, como agora, cheios de dificuldades porque o mercado está cada vez mais limitado, vão “bater à porta”, muito aflitos, dos organismos estatais. Até parece que o Governo Regional, que também está falido, funciona como uma Câmara do Comércio e Indústria ou como uma Associação Agrícola. Mas o Governo Regional não tem muito para dar, pois não, nem está obrigado a tal.
Enquanto os lavradores e os operadores turísticos ganharam milhões e julgaram que a riqueza era para sempre, não se preocuparam em ajudar sectores económicos e sociais carenciados, de forma que houvesse um desenvolvimento mais equilibrado. Agora aguentem-se e acreditem em melhores dias, se chegarem.
Volto a dizer. Não sabemos qual o modelo de desenvolvimento que se quer para os Açores. “Navegar à vista” ou aplicar medidas avulsas mal fundamentadas não resultam. O presente está difícil e o futuro poderá ser ainda mais preocupante para o arquipélago. Até porque a tendência é para diminuirem os fundos europeus e o Governo nacional tem feito tudo para atrasar a elaboração de uma nova Lei de Finanças Regionais, já que a existente está desactalizada e, como tal, limita as transferências do Orçamento de Estado para a Região Autónoma.
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