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FIM DE CICLO
Elon Musk já inventou um carro que voa. Nos Açores, dois anos e meio depois, continuamos sem saber como recuperar dois blocos operatórios destruídos pelo incêndio no HDES.
A Madeira já sabe que contará, no próximo ano, com mais de 50 companhias aéreas a operar para o arquipélago. Nós, nos Açores, contentamo-nos com duas durante este Inverno IATA, que já começou, e com uma campanha promocional anunciada à última hora, à entrada de uma nova época turística.
Toda a gente sabia que o navio Thor teria de entrar em manutenção. Ainda assim, só quando começaram a faltar bens alimentares no Corvo e os protestos se multiplicaram é que o Governo Regional decidiu, à pressa, fretar uma embarcação local para assegurar a substituição.
Estes três exemplos de uma passividade irritante ilustram um padrão de governação caracoleta que se instalou na coligação: chega sempre tarde aos problemas, reage em vez de antecipar e revela uma preocupante ausência de imaginação.
Lá fora encontramos planeamento, criatividade e acção. Cá dentro, predominam a lentidão, a inércia e uma crescente incompetência.
Outro exemplo evidente são as antepropostas do Plano e Orçamento dos Açores para o próximo ano. São documentos sem visão estratégica, sem ambição transformadora e com o inequívoco cheiro de uma governação em fim de ciclo.
Os sinais estão todos lá: menos investimento, ausência de projectos inovadores, nenhuma reforma estrutural e uma alarmante falta de ambição.
Mais surpreendente ainda é o facto de estes documentos parecerem desligados da realidade regional. Não apresentam uma única medida relevante para enfrentar o aumento do custo de vida, problema que tudo indica continuará a agravar-se em 2027.
A única coerência visível é a confirmação da morte anunciada da governação da coligação, já assumida, de forma implícita ou explícita, pelo próprio José Manuel Bolieiro.
Vamos assistir, por isso, a um arrastamento penoso até 2028: um governo sem ideias, sem recursos e sem capacidade política para responder aos desafios do presente.
A incapacidade de responder atempadamente aos problemas é evidente há muito tempo. Mais grave ainda é a incapacidade de antecipá-los, algo que deveria constituir uma regra básica de qualquer governação competente.
Por este andar, o novo aeroporto de Lisboa será construído ainda antes da ampliação das pistas do Faial e do Pico.
Ao ritmo actual, é mais fácil imaginar o regresso do homem à Lua do que assistir à ampliação da aerogare de Ponta Delgada. As obras prometidas não avançam, a nova cadeia continua envolta em indefinições e, entretanto, Lisboa prepara uma nova torre de controlo aeroportuária avaliada em 35 milhões de euros, valor três vezes superior ao das Obrigações de Serviço Público para os Açores.
O Governo da República, que continua a transferir verbas para as Regiões Autónomas com base numa Lei de Finanças Regionais desactualizada, lançou a estratégia Portos 5+, prevendo um investimento de 4 mil milhões de euros em infra-estruturas portuárias até 2035. Os portos oceânicos de Ponta Delgada e da Praia da Vitória ficaram de fora.
Assistimos, um pouco por todo o lado, ao surgimento de uma geração de dirigentes políticos cada vez mais afastados da realidade quotidiana dos cidadãos.
Enquanto as famílias fazem contas todos os meses para acomodar o aumento constante do custo de vida, a classe política circula por eventos, viaja, frequenta os salões dos croquetes e celebra datas que já pouco dizem às novas gerações.
A revolta manifesta-se não apenas nas ruas, mas também nas urnas. Uns optam pela abstenção; outros procuram respostas em projectos políticos cada vez mais radicais, numa forma de protesto contra o sistema vigente.
A crise da habitação é apenas uma das expressões mais evidentes de anos de revolta acumulada.
Nos Açores, também continua a faltar uma verdadeira estratégia para a habitação. Nunca existiu.
Mas a responsabilidade não é apenas