ingratos a fugir do paraíso

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Drone footage shows a massive line of traffic at the border between Russia and Georgia as huge numbers of Russians seek to flee the country amid fears they will be drafted to fight in the war in Ukraine. https://abcn.ws/3xYkZKn

os idosos José Gabriel Ávila

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Em prol da velhice – Crónica Rádio Atlântida
Ainda sou do tempo em que, quase todos os dias, os filhos casados visitavam a casa dos pais. Era um hábito antigo que traduzia o amor filial e uma certa dependência do mais velho chefe de família. Esse costume permitia também que os netos tivessem um contato estreito com a casa dos avós à qual se recorria sempre que necessário.
De há uns tempos para cá a figura dos avós nos espaços urbanos e nas localidades rurais alterou-se profundamente.
Poucos filhos visitam regularmente os pais, exemplo seguido pelos netos, a não ser por razões de mera conveniência: ir buscar os meninos à escola, dar-lhes de comer, levá-los a atividades extra-escolares, ou seja: para ser uma espécie de bá-bá que se usa quando interessa…
O tempo em que os netos ouviam estórias, eram acompanhados nos trabalhos de casa, ajudavam nas lidas da terra, ou aprendiam a fazer brinquedos tradicionais com as suas próprias mãos, pertence a um passado remoto.
O mundo mudou, é verdade, mas a experiência dos idosos e idosas constitui um património familiar e social que tem de se preservar.
A sociedade hoje tem na inclusão dos idosos um objetivo primordial. E para se manter solidária e humanista, tem de fazer alguma coisa para concretizar este desígnio.
Porque o idoso não pode ser um peso, um fardo, gente a mais, nem para a família nem para a sociedade. É uma pessoa com direitos e deveres como os demais e merece estar ativa e transmitir os seus conhecimentos de experiências feitos, para benefício de todos.
Impõe-se por isso, que os idosos sejam respeitados e vejam satisfeitas as suas necessidades básicas. O direito à saúde, à assistência médica, o direito à mobilidade no interior e exterior da sua casa, o direito a uma reforma ou pensão dignas das suas necessidades pessoais e familiares. E não um chequezinho numa situação aflitiva.
Responder aos direitos e necessidades da pessoa idosa, que são cada vez mais numerosas, enclausurando-as em lares e instituições de cuidados continuados, sem pessoal médico, de enfermagem e de técnicos preparados para cuidarem dessa gente fragilizada, é agravar-lhes a solidão e apressar-lhes o destino final.
Esta é também uma forma de violência em que vivem muitos cidadãos na vida ativa, mas quando ela afeta os mais frágeis e idosos, é de uma indignidade reprovável.
No próximo sábado vai celebrar-se, o Dia Internacional da Pessoa Idosa, instituído pela ONU em 1991.
Antevejo visitas e festinhas celebrativas, onde os responsáveis governamentais anunciarão aumentos de uns euritos nas magras pensões, ou um chequezinho para emagrecer as despesas com os encargos da saúde e da sobrevivência.
Os idosos, que a custo carregaram o tecido social, merecem muito mais. Merecem sobretudo que não os desconsiderem, com esmolas e gestos de caridadezinhas que não dignificam ninguém. Antes é uma forma de rejeitá-los e de exclui-los da sociedade que ajudaram a construir.
Para todos os idosos, o meu agradecimento pelas lições de honra, ajuda, simplicidade e dignidade que diariamente nos dão, e votos sinceros de Haja Saúde!
26 de setembro de 2022
You, Mario Jorge Costa and 17 others
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  • José Gabriel Ávila

    Curiosamente estes dois amigos vivem em Toronto. Para a rene um bj e para o Jo, um abraço e até ao verão se Deus quiser.
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    • 1 h
  • Graça Ávila

    👏👏👏 Como sempre!
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    • 1 h
  • Maria De Fatima Amaral

    Bem-Haja José Gabriel Àvila pelo texto maravilhoso e real que nos deu o prazer de ler. Verdade, uma verdade que nos tempos actuais, cada vez é mais notório. Há filhos que colocam os pais em qualquer lar e depois nem os vão visitar. Numa visita que f…

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    • 1 h
  • Lucia Martinho

    Que texto maravilhoso! Tão verdadeiro! Adorei, obrigado pela partilha