OTÍLIA FRAYÃO A MULHER QUE FUGIU NO VELEIRO

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OTÍLIA FRAYÃO
HISTÓRIA DE OTÍLIA FRAYÃO SERÁ TRANSFORMADA EM DOCUMENTÁRIO.
@Otília Frayão nasceu na Horta em 1927. Uma parte da sua vida é contada quase como um romance. Para fugir à sua vivência no Faial, escondeu-se num iate, o “Temptress”, que tinha chegado à ilha avariado e com o tripulante ferido. Tratava-se Edward Allcard, arquiteto naval inglês, topógrafo marinho, navegador solitário e escritor, que só em pleno oceano descobriu que tinha mais uma passageira a bordo, que lhe pediu que a deixasse continuar a viagem. E assim, supostamente, a levaria até Inglaterra. Só que, por causa de uma tempestade, tiveram de aportar em Casablanca. Otília já era então uma navegadora e colaborava em todas as tarefas. A notícia da sua fuga tinha-se tornado conhecida e foi acolhida por muitos jornalistas e fotógrafos. Um dia Otília recebeu um telegrama de uma senhora inglesa a oferecer-lhe uma passagem para Inglaterra e a estadia por um ano. Otília aceitou desde logo. Meses depois contou a sua história em livro, com o que resolveu os seus problemas financeiros. Mais tarde casou com um nobre inglês. Toda esta aventura está contada no livro “Temptress Returns (ed. Putnam, Londres 1952) do próprio Edward Allcard.
A sua história foi tão falada que Camilo José Cella escreveu uma crónica intitulada “Eduardo Allcard e señorita Otília – el Robinson y su Beatrice”.
Dela disse Ruy Galvão de Carvalho: “Os poemas que ela nos deixou impõem-na como uma poetisa de largo vôo”.
Otília era tia do também poeta faialense Mário Machado Fraião e irmã de Mário Frayão cronista e figura do panorama cultural faialense. Otília morreu em 2020 em Espanha, onde viveu os últimos anos da sua vida.
O poema que publicamos traduz a vontade de sair da ilha.
“RAÍZES“
Oh! este desejo de partir
e não voltar.
Este receio de ficar
por não poder partir.
Esta brusca saudade
daquilo que existe lá longe
no meio, princípio e fim
dessas águas de sombra…
Este querer doloroso…
que salta, geme e se espalha
por coisas nunca vividas
que grita enlouquecido
a dor de não poder entrar
no porto que não quero ver.
Luz que não quero acender
e que em vão procuro apagar.
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mulher após os 50

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Exatamente assim.😊
Os de menos de 50 reflitam sobre este texto e não esperem pelos 50 para lamentarem a falta de tempo para viverem livres e como verdadeiramente querem viver 😁
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PARA REFLETIR
“Após os cinquenta anos, você não aguenta mais as restrições.
Você não suporta o sutiã muito apertado, os jantares forçados com a cunhada que verifica a poeira em seus cantos, os saltos altos nas pedras e os sorrisos das circunstâncias…
Aos cinquenta você não quer mais provar.
Você é quem você é, as coisas que você fez e as coisas que você ainda quer fazer.
Se estiver tudo bem com os outros, tudo bem.
Caso contrário, é assim mesmo.
Após os cinquenta, não importa se você teve filhos ou não.
Você ainda será a mãe: de sua mãe, de seu pai, de uma tia deixada sozinha, de seu cachorro ou de um gato careca que você pegou na rua.
E se tudo isso não estiver lá, você será sua própria mãe.
Porque ao longo dos anos você terá aprendido a cuidar de um corpo que finalmente ama, em que ele se torna cada vez mais imperfeito apenas aos olhos dos outros.
Quem se importa se metade do armário é do tamanho errado.
O importante é que suas costas não rangem muito ao se levantar, que ao tocar seus seios não sinta bolas e que a menstruação finalmente se torne um problema para os outros.
Após os cinquenta você quer liberdade.
Livre para dizer não, livre para ficar de pijama todo o domingo, livre para se sentir bonita por si mesma e não pelos outros.
Livre para andar sozinha: quem te ama acompanhará você, quem se importa com os outros.
Você é livre para cantar em voz alta em seu carro, mesmo se olhar mal para você nos semáforos.
Você não terá mais registros de aulas para verificar ou bate-papos de mães para suportar.
Você terá sonhos como em seus vinte anos e pedirá a cada deus tempo para realizar mais.
Você terá se despido pelos homens que amou e pelas inseguranças que a fizeram tremer.
E agora, justo agora que você comeu metade de sua vida em grandes mordidas e com pressa, você encontrará o desejo de saborear lentamente todo o açúcar e sal dos dias à sua frente.”
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AÇORES PATRIMÓNIO EUROPEU

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AÇORES DISTINGUIDOS EM BRUXELAS COM A MARCA DO PATRIMÓNIO EUROPEU
O Património Subaquático dos Açores foi distinguido pela Comissão Europeia com a Marca do Património Europeu numa cerimónia realizada esta semana em Bruxelas, um prémio que se destina a “manifestações culturais e sítios de elevado interesse na área do património cultural, que conjuguem a herança histórica, arqueológica e imaterial da identidade europeia”.
A Marca do Património Europeu “já distinguiu 60 sítios da União Europeia” e “Portugal é distinguido agora pela quarta vez”.
Desde a década de 1970, foram detetados, através de sucessivos trabalhos arqueológicos em todo o arquipélago, mais de uma centena de naufrágios, registados na Carta Arqueológica dos Açores, existindo cerca de um milhar de sítios documentados.
O arquipélago dos Açores corresponde “a um dos sítios, ao nível mundial, com maior potencial patrimonial nas suas águas”.
A Marca do Património Europeu é “a distinção de maior relevo, a nível europeu, no âmbito do património cultural, pretendendo aumentar o sentimento de pertença à União Europeia”
Luiz Nilton Corrêa and 3 others
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PARABÉNS CHICO

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Parabéns
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PA.RA.BÉNS, CHICO!
.
Chico Buarque nasceu em 19 de Junho de 1944. O tempo voa e o menino virou velho. E daí?
Alguns vídeos, incluindo «QUE TAL UM SAMBA?», que saiu esta semana, AQUI: https://entreasbrumasdamemoria.blogspot.com/…/parabens…
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RESTAURADOR OLEX Do homem açoriano a pintar o cabelo

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Do homem açoriano a pintar o cabelo
Conquista tardia da Autonomia?
Não é crime. Ou ofensa pública. Ou insulto contra a açorianidade.
Discriminação? Vaidade.
Sem complexos culturais.
Já não é, então, “masculinidade tóxica”, como dizem as “feministas radicais” dos Açores que não acreditam na depilação.
Foi, eu sei, um longo caminho para a liberdade:
a longa noite(fascista?)dos homens açorianos sem cor no cabelo.
Sei do que escrevo. Fiquei com o cabelo branco aos trinta e poucos anos.
E depois foi sempre a descer.
Sem solução aceitável.
Pelo menos uma solução açoriana. Onde os homens não estavam, como se sabe, autorizados a pintar o cabelo. Ou a discutir o assunto em público.
Os tempos da vergonha. Onde a tinta ficava nos armários das intenções.
Fiz, é verdade, parte da resistência:
De férias, na Florida, em Miami, já lá vão uns anos valentes, reparei que estava mais para lá do que para cá.
E que a minha esposa (que é muito bonita) provavelmente preferia alguém com o cabelo menos branco. Não poderia ficar em paz com as minhas inseguranças:
tive “de me antecipar”. A melhor defesa é o contra-ataque. Um açoriano tem de ser “pró-activo”.
E é na Florida que vivem muitos dos reformados açorianos das Américas. Sem cabelos brancos. Ou seja: experiência no terreno. Solidariedade insular. E a coragem apareceu. Quase um milagre!
Fui a um supermercado(barato que sou um forreta açoriano, o Walmart) e comprei a tinta. Com a confiança possível.
O plano seria castanho escuro. Uma coisa discreta mas “que faria o serviço”.
Ainda fui tentado pela tinta preta mas o brilho seria suspeito.
Adeus “gadelhas brancas”!
Só que as coisas são o que são.
A química.
Fiquei ruivo. Sem piedade ou remorso. Uma coisa para além “do horrível”.
E a minha esposa não foi meiga:
pareces um “drag queen” que reprovou no acesso à profissão ou um político açoriano.
Nunca mais.
Foto: busca Google “tinta para cabelos de homem em Portugal”.
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a beleza antigamente

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A reminder to any woman who looks at her body and finds it flawed: these are prehistoric carvings of goddesses. These represent the epitome of feminine beauty to those we seek to emulate when we go on “paleo” diets. Not a flat tummy, thigh gap, or gravity-defying breast among them.
These are bodies that are unique to their owners, and contain stories of desire, creation, hardship, and perseverance. These are bodies that are ready to hold you as you cry. These are bodies that worked every day to provide nourishment, resources and guidance to their communities while also caring for the next generation. They supported one another in their labor, holding one another’s babies while they worked crafting tools, collecting water & singing songs to teach the young about the goddesses they so closely resembled.
And these carvings weren’t found in just one area. They’ve been discovered nearly everywhere humanity has settled and thrived. Which means there was a time when womanhood, in all her power and capacity, was revered not as merely a sexual novelty or shunned as sinful temptation, but seen as a source of inspiration to create, to connect, and to find courage.
Today, our patriarchal society reveres conformity in women over all. It demands that women strive to achieve and maintain a form that resembles an untested girl. Our bodies must look perpetually untouched, unspoiled, a blank slate for a man to claim and use and write his own story upon. Instead of worshiping women as they are, we scrutinize and discard them as never good enough. And the more we strive to conform, the more we give up control of our bodies.
So have comfort, women: with each fat roll and jiggle you gain as you move forward in time, you come closer to resembling the goddess as she originally appeared in the hearts of humanity. She lives in you and longs to be seen and revered as she was before.
And you deserve to be worshipped.
Re post ~ Alaura Weaver

chocante mural russo

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Not a joke, not a hoax: mural painted in Mariupol on the orders of Russian occupiers. Caption supplied by writer Gary Shteyngart: “I killed your dad and now I’m taking you to Russia”
May be an image of 4 people, people standing and outdoors
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henrique constância internacional

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May be an image of map, sky and text that says "MASSACH CONNECTI NNSYLVANIA New York MARYLAND NEW JERSEY Washington DELAWARE sville"
Less than a month to go! 🇺🇸
From July 4th to 14th, Mankes Piano Quartet will be in concert in New York, Pennsylvania and Delaware!
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RABO DE PEIXE NÃO QUER ESTAR NA NETFLIX

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é ã
A perspectiva de uma série inspirada no carregamento de cocaína que em 2001 deu à costa em São Miguel não caiu bem numa freguesia saturada de ser notícia pelos piores motivos
Rabo de Peixe, Açores. Carla Freitas circula numa das ruas estreitas de casas coloridas que desembocam no mar. Mora ali, sempre morou. Pergunta-se-lhe sobre a nova série da Netflix, que está a ser gravada a poucos metros, e a resposta surge imediata, como se estivesse pronta a ser debitada.
“Não oiço ninguém a falar tanto de uma freguesia como [se fala] de Rabo de Peixe. Deve ser a terra mais falada de Portugal e agora até vai ser falada no mundo todo”, atira, num tom proclamatório, que chama a atenção de quem ali passa. “Rabo de Peixe tem muita coisa para falar bem, mas só falam em droga, droga, droga.”
As declarações de Carla motivam um intenso debate na rua, ou não estivéssemos numa terra onde a vida parece decorrer mais fora de portas do que dentro. Toda a gente pretende falar da série Rabo de Peixe, o anunciado “thriller com toques de humor sarcástico”, “inspirado livremente em factos reais”, que a Netflix ali está a rodar — e que constituirá, depois de Glória, o segundo original português da plataforma líder do mercado do streaming. Os “factos reais” remontam a 2001, quando mais de meia tonelada de cocaína deu à costa em São Miguel.
“Não faltam sítios com problemas de droga mesmo aqui na ilha. Parece que só existe Rabo de Peixe. Tudo o que é de mal é para aqui. É mais fácil falar de Rabo de Peixe”, intromete-se a vizinha Francisca Cabral, quando se apercebe do assunto da conversa. Mulher de pescador, teme que a série aumente o estigma em torno da freguesia. “A comunidade piscatória não tem culpa do que se passou. Somos pessoas sérias.”
As opiniões cruzam-se, vindas de vários pontos da rua. No meio da vozearia, os argumentos repetem-se. “Sabe o que é que a minha filha de nove anos me perguntou quando eles começaram a gravar para aí?”, pergunta Luciana Penacho do alto de uma janela. — O que é a cocaína, mãe?’, foi isso que a minha filha me perguntou.”
A revelação indigna Carla Freitas, uma das locais que levaram os filhos a tirarem fotografias com os actores da produção — que conta com Helena Caldeira, André Leitão, Kelly Bailei, Maria João Bastos, Pepê Rapazote e Albano Jerónimo. “Eles não explicaram que era uma série sobre droga. Não disseram. Só quando percebemos o assunto é que nos revoltámos contra eles.” Agora a população sente-se “traída”.
“É uma série feita com episódios que são mentiras!”, insiste Carla, corroborada pelos presentes, antes de encerrar a conversa. “Eles querem enriquecer à nossa custa, à custa das fraquezas das pessoas.”
Entre a realidade e a ficção
Carla Freitas ficou a conhecer os pormenores da série quando o guião caiu nas redes sociais e a população se insurgiu contra um conjunto de boatos sobre aquele tempo que o enredo de Rabo de Peixe promete explorar. Mulheres a panarem peixe com cocaína, idosos a esconderem droga a pedido dos traficantes em troca de dinheiro para o almoço, rapazes a marcarem as linhas do campo de futebol com a substância, pescadores a tornarem-se criminosos, gente a preparar o material em linhas de montagem.
Pelas ruas da freguesia, uma das maiores dos Açores, com cerca de dez mil habitantes (mais do que a população de cinco das ilhas do arquipélago), condena-se a amplificação destas histórias, que os locais dizem ter sido repetidas exaustivamente por vários meios de comunicação até se confundirem com a realidade.
Mas, entre conversas e à boleia da vontade de ajudar típica dos rabo-peixenses, o PÚBLICO encontrou um homem (não quis ser identificado) que se lembra de facto de ter utilizado cocaína para marcar as linhas de um campo de futebol. A história é inusitada, mas “não tem o drama” que o tempo lhe deu, garante o protagonista, então uma criança.
Tratava-se de um terreiro perto do porto (que já não existe) e que servia de palco às brincadeiras dos jovens. Certo dia, improvisaram as linhas do jogo com um material branco que encontraram nas redondezas e que julgavam ser cal. Ao que parece, a cocaína não cumpriu o propósito e poucas horas depois o campo já não existia.
São lembranças de outros tempos que a população não deseja guardar para o futuro. No centro da vila, a série da Netflix marca as conversas: as mulheres, sentadas à soleira de casa ou a carregar sacos de compras, queixam-se de a freguesia só ser notícia pelos maus motivos; os homens, a preparar a faina ou nos cafés a jogar às cartas, puxam pela honra, que não se coaduna com tráficos de substância alguma.
Toda a gente parece conhecer a narrativa, e as críticas são generalizadas. Não sugerem o cancelamento da série, mas dizem não querer perpetuar o estigma que a terra ganhou com o tempo, devido à exploração mediática dos flagelos sociais ali enraizados. Um sentimento que, aliás, já vinha a crescer nos últimos tempos: a produção da Netflix foi só a gota de água.
Uma situação “complexa”
Mas, como em tudo, há excepções. Junto às arrecadações dos pescadores, as conhecidas “barracas”, Marco Mota não tem pejo em passear com um blusão da série, mesmo reconhecendo que “está em minoria”. “Eu sou a favor, podem dizer o que quiserem”, começa por afirmar, apontando para a camisa onde se lê “Rabo de Peixe Film Crew”.
“Fazem-se séries em todo o mundo, porque é que não se pode fazer em Rabo de Peixe?”, insiste o mergulhador de profissão, lembrando que os acontecimentos relatados “aconteceram há muitos anos”, mas compreendendo o sentimento geral de uma população “muito defensora da sua terra” e que “já passou por muita coisa”.
Tudo pesado, Marco acredita ainda assim que a produção pode ter “mais prós do que contras”, porque será uma “grande montra” para São Miguel. “Vai mostrar muita paisagem bonita em toda a ilha. Não vai só falar em porcaria. Mas é verdade que isso [o desembarque da cocaína] aconteceu na vida real.”
Rui Faria, 42 anos, lembra-se bem de quando os pacotes de cocaína começaram a dar à costa em São Miguel, depois de o veleiro Sun Kiss 47, do italiano Antonino Quinci, ter sido destruído pelo mau tempo, que lhe interrompeu a viagem entre o Golfo de Cariaco e as Baleares.
Três semanas depois, contavam-se 20 mortes e dezenas de internamentos por intoxicação.
“Não se trata de um documentário. É uma obra a partir de factos verídicos. E seja como for eu vivi esse dia-a-dia há 20 anos. Sei o que se passou. A realidade foi bem mais dramática do que aquilo que o guião transmite”, defende o rabo-peixense, que integra a equipa da Câmara da Ribeira Grande responsável pelo apoio à produção.
Rui Faria é um filho da terra: foi fundador do Clube de Teatro, do Clube Naval e da Associação de Jovens de Rabo de Peixe, entidades às quais ainda mantém ligação. Formado em História de Arte, reconhece o “amor dos locais” por Rabo de Peixe, mas considera que criticar a série por promover o estigma da freguesia é apontar ao alvo errado. “Quem se deve preocupar com o estigma são os politicos”, diz, que “não fizeram o que deviam ter feito” para combater os problemas da vila. “Nós já não vivemos no pré-1974.
Vivemos em liberdade. Mal estaríamos, se em 2022 tivéssemos de censurar alguém porque fala mal da minha terra.”
O debate volta-se para as fronteiras da liberdade criativa e do direito à crítica, mas importa perceber o contexto, realça Paulo César Andrade, rabo-peixense orgulhoso, gestor de profissão. “É uma população que já sofreu muito. Rabo de Peixe não precisa de ser mais estigmatizado do que já é”, diz, lembrando que a marginalização da freguesia voltou a aumentar devido às cercas sanitárias que a isolaram dez dias em Dezembro de 2020 e por mais três meses no início de 2021.
O jovem de 32 anos, músico de paixão que integrou a filarmónica da terra, hesita em alinhar com uma das partes e faz questão de destacar a presença de açorianos na equipa de produção, a começar por Augusto Fraga (que não quis falar com o PÚBLICO), um dos realizadores, com Patrícia Sequeira. Considera que esse factor pode fazer a diferença, quando está em causa “uma realidade complexa”, um “tema sensível”: “É um assunto que não foi ultrapassado. Foi apenas há 20 anos. Foi uma altura complicada. Destruiu famílias.”
Agora, é “esperar para ver”, acautela Paulo César, deixando uma sugestão: “Uma solução talvez fosse apresentar a série à população e começar a promover um contacto mais próximo com as pessoas.” De Rabo de Peixe, com amor — uma terra que não cabe num preconceito.
(Rui Pedro Paiva: texto – Rui Soares: fotografia – Público de 19.06.2022)
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  • Bruno Oliveira

    Nem com 10 temporadas conseguiam espelhar a realidade do sítio.