o preço da liberdade

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“Tenhamos a noção que nas próximas semanas a nossa vida não vai ser igual à que tínhamos (…) a situação de guerra só agora se começou a sentir e vai exigir da parte de todos uma adaptação”. A frase é do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Mendonça Mendes, e resume de forma objetiva os dias difíceis que aí vêm. A não ser que a guerra acabe já, o que não se afigura plausível.
As declarações de Mendonça Mendes estão suportadas na realidade que já se vive em algumas zonas do país, onde algumas superficies comerciais já começaram a impor limites à compra de determinados bens e há fornecedores a mudar preços diariamente.
A situação é de tal forma preocupante que o presidente da Confederação dos Agricultores, Eduardo Oliveira e Sousa (em declarações ao Expresso), admite que venha a ser imposto o racionamento de alguns produtos essenciais.
A guerra já está a fazer disparar os preços de diversas matérias primas e o grande receio que já preocupa o BCE e a UE é o da estagflação: estagnação da economia, aumento do desemprego e subida acentuada da inflação. Um cenário idêntico ao da década de 70 do século passado que fez mergulhar em recessão as economias dos países industrializados.
É o preço a pagar por uma guerra decretada por um louco que ninguém sabe como travar. Esta guerra, chamemos as coisas pelo seu nome próprio, sem eufemismos patéticos como faz as Nações Unidas ou hipócritas como faz Putin, vai ter um impacto profundo no modelo europeu e catalisar uma mudança que já tardava. A Europa vai mudar a sua estrutura energética, o seu modelo de defesa (a tão falada mas nunca concretizada política de defesa comum), e terá que rever parcerias e alianças. Esta Europa tornou-se demasiado confortável, demasiado burguesa, os europeus adormeceram e, enquanto isso, o gigante russo preparava-se. Como se preparou o gigante asiático.
A Europa tem necessariamente que sair mais forte deste conflito. Putin poderá cantar vitória no campo de batalha, mas a Europa tem que continuar a asfixiar economicamente um gigante que afinal tem pés de barro.
A fatura que vamos pagar nos tempos mais próximos será dura, mas mais dura, incomparavelmente, é a fatura que estão todos os ucranianos apagar ao lutarem pela sua independência. Algo que nós açorianos bem sabemos o que significa: antes morrer livres do que em paz sujeitos. Glória à Liberdade!
(Paulo Simões – Açoriano Oriental de 13/03/2022)
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EUROPA E UCRÂNIA ENTRE O TEXTO E O CONTEXTO DE UMA HISTÓRIA MAL-CONTADA

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EUROPA E UCRÂNIA ENTRE O TEXTO E O CONTEXTO DE UMA HISTÓRIA MAL-CONTADA

 

EUROPA E UCRÂNIA ENTRE O TEXTO E O CONTEXTO DE UMA HISTÓRIA MAL-CONTADA
A Paz voltará à Europa quando a Ucrânia e a Europa se tornarem independentes
Os ciclones vindos da Rússia e dos EUA começaram por varrer a Ucrânia e por colocar as populações europeias ao sabor dos ventos. Quanto aos políticos, que se encontram em lugares mais altos, esses assumiram sobretudo as funções de cata-ventos da OTAN/USA!
Com a invasão russa na Ucrânia criou-se uma cena tão trágica que fez renascer os velhos demónios da luta entre capitalismo e socialismo…
… no cenário temos a guerra quente e no público temos a guerra fria!… uns com armas de fogo outros com armas da opinião, tudo “fardado” ao serviço do Bloco Russo ou do Bloco OTAN e tudo isto à margem dos interesses da Ucrânia e da Europa!
Tudo olha agora só para a fogueira não se interessando por quem acarretou a lenha!…
…uma alternativa insatisfatória: sair de um poderio militar para entrarem noutro, quando o óbvio seria entrar numa Europa livre emancipada dos blocos; a verdadeira opção seria uma União Europeia, que não existe como verdadeira entidade europeia promissora de futuro, dado ter-se tornado no braço estendido americano (OTAN…
A tragédia ucraniana, tomada a sério, levaria a bela adormecida Europa finalmente a acordar! A Europa tem que assumir-se a si mesma e aprender a andar pelo próprio pé! Só então será equilibrada e poderá tornar-se num luzeiro de política da paz para o mundo…
…Em concreto, esta guerra é uma intervenção contra toda a Europa!
Mas se olhamos para a Ucrânia, a sua indecisão interna espelha a indecisão europeia na sua expressão de estar sem ser. É irresponsável continuar a agir-se segundo a divisa emocional: o inimigo do meu amigo meu inimigo é!…
…Respira-se no ar um desejo de unilateralidade nas posições enquanto a UE se esconde sob o manto da irresponsabilidade tornando-se também ela cúmplice do que acontece na Ucrânia e na UE!
A Ucrânia é uma nação independente, mas com o pobre destino de se encontrar na zona ciclónica onde o Ocidente e o Oriente se digladiam. No meio de tudo isto quem perde é a Ucrânia e a Europa.
De facto, em terreno ucraniano já há anos se dava uma guerra-civil: uma guerra representativa dos interesses da Rússia, por um lado, e dos EUA, por outro, e com uma Europa que não é carne nem peixe e por isso se encosta à NATO que a impede de poder crescer e aparecer de maneira pacifica e complementar numa estratégia comum que poderia ir de Lisboa até aos Urais…
Cada lado pensa ser o bom, lutando um contra o outro, sem pensar que assim o bom se torna mau e no fim só se safam os maus à custa do sofrimento do povo e de uma Europa adiada…
por anda o povo?! Esse anda, por aí desgarrado, à procura de um regaço seja na Ucrânia, na Europa ou na Rússia!…
… faz lembrar o da pandemia Covid-19, onde, olhe-se para onde se olhar, em vez de rostos humanos, só se veem máscaras e no que toca ao imbróglio da Ucrânia, olhe-se para onde se olhar, em vez de cabeças só se avistam barretes e chapéus!
Nesta estratégia toda a informação é dada no sentido de não se compreender o que verdadeiramente se passou e se passa! Ao poder importa espalhar o medo e a confusão entre o povo para não serem chamados à responsabilidade.
Toda a gente fala sem ouvir o que a Rússia quer, o que quer a Ucrânia, o que quer a Europa e o que querem os USA; uns e outros também não querem saber o que se tem feito de mal (por fazer ou por deixar de fazer) à Europa, à Ucrânia, à Rússia, à EU e à própria NATO! …
O mesmo erro que cometeu a Alemanha aquando da Reunificação alemã, que, em vez de aproveitar a oportunidade para começar a andar com os próprios pés e com a Europa, preferiu encostar-se à avalanche anglo-saxónica e deste modo atraiçoar a vocação genuína europeia; o mesmo tem estado a acontecer na Ucrânia (transformada num cavalo troiano da Rússia e da OTAN/USA! Nós abdicamos de sermos europeus e a Ucrânia foi vitimada pela falta desta consciência. Tudo leva a crer que uma Europa arrastada pelos USA e orientada pela Alemanha (ver: Viragem na Ordem Europeia https://antonio-justo.eu/?p=7138 ) persistirá na sua decadência e autodestruição…
É muito questionável o facto de, quando a Guerra Fria terminou e o Pacto de Varsóvia se dissolveu, a OTAN ter continuado. A Europa só pode acordar e vir a si própria quando a OTAN se dissolver…
Por um lado os USA queriam uma Rússia vencida e humilhada como se prevê da expressão pública de Obama quando disse que a Rússia era apena uma potência regional…
Por um lado, Khrushchev, na Crise dos Mísseis Cubanos entre os EUA e a URSS, retirou os seus abastecimentos militares de Cuba porque o Ocidente não tolerava a sua presença naquele país. Por outro lado, a OTAN não compreende que a Rússia não queira ter uma ameaça militar na sua vizinhança imediata (Mísseis da OTAN na Polónia, etc…)….
As diversas contribuições, sobre o assunto, ajudam a compreender melhor o que se quer incompreensível…
Que acontecerá quando Putin ficar encostado à parede? Será que queremos uma aliança entre a Rússia e a China? Uma Europa pronta a espelhar os valores cristãos não deve alinhar-se quer na “tradição” bélica dos USA/OTAN quer na tradição” bélica da Rússia…
Cinicamente, o presidente dos EUA já tentou descalçar a bota ao dizer: “Não somos parte nesta guerra.” Na consequência a Europa, de cabeça no ar, tenta enfiar ainda mais a bota!
Contextualização:
…. Propriamente a guerra civil começou em 2014 devido à decisão do governo ucraniano de impedir um acordo com a EU fazendo isto contra a vontade de uma grande parte da população (tendo sido deposto o presidente, na consequência). Uma parte da população era por uma aproximação da Ucrânia ao Ocidente e a outros eram pela aproximação à união à Rússia…
Agora em guerra, o presidente ucraniano Selenskyi mostrou vontade de fazer cedências em Donetsk e Lugansk, estendendo a mão no sentido das exigências de Putin (3). Isto daria abertura a uma espécie de divisória dessas repúblicas da Ucrânia se houvesse uma possível a cláusula de unificação nacional pacífica como objetivo…
A situação de hoje é semelhante à de 1939 antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial onde o papa Pio XII a 24 de agosto de 1939 advertia: “Que os homens voltem a se entender. Que voltem a negociar. Ao tratar com boa vontade e com respeito pelos direitos recíprocos, descobrirão que as negociações sinceras e eficazes nunca são excluídas de um sucesso honroso”. Tratava-se de ontem como hoje, não cultivar a memória das negatividades e as feridas recíprocas! A Europa está a perder uma chance de se encontrar a si mesma para assumir liderar os próprios destinos!
António da Cunha Duarte Justo
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armas eua, china e rússia

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FALCÕES OU POMBOS DE MAU HUMOR?
por David Goldman – American Conservative
As elites americanas desperdiçaram nossa vantagem tecnológica e manufatureira sobre a Rússia e a China.
10 de março de 2022 – American Conservative
DAVID P. GOLDMAN
Poucos contestam que a crise na Ucrânia traz consigo o risco de uma escalada nuclear. O inverso também pode ser verdade: a crise na Ucrânia pode ser o resultado de uma mudança no equilíbrio nuclear do mundo.
Com uma economia menor que a do estado do Texas, a Rússia construiu armas estratégicas superiores a muitas do arsenal americano. Isso inclui armas hipersônicas lançadas por terra e por submarinos que podem transportar mísseis nucleares além de qualquer defesa americana, bem como o melhor sistema de defesa aérea do mundo, o S-500. O teste de 4 de outubro de 2021 do míssil hipersônico “Zircon” lançado por submarino da Rússia foi o primeiro disparo subaquático de uma arma de baixa altitude que voa a nove vezes a velocidade do som, de acordo com alegações russas. Um submarino russo à espreita a 160 quilômetros da costa americana poderia bombardear Washington em um minuto.
Um dia depois, a Rússia testou seu sistema de defesa aérea S-500, projetado para destruir aeronaves e mísseis em um raio de 600 quilômetros, incluindo alvos em espaços próximos. E em dezembro passado, a Rússia afirmou ter testado a atualização do S-550, que supostamente pode destruir ICBMs e satélites. A Rússia vendeu o sistema S-400 anterior para a Índia, China e Turquia; A Índia pode ser o primeiro cliente estrangeiro de um S-500.
Em agosto de 2021, a China circulou o globo com um veículo de planador hipersônico voando baixo. Seu veículo planador hipersônico DF-ZF está operacional desde outubro de 2019. Presumivelmente, tanto os HGVs chineses quanto os mísseis balísticos superfície-navio convencionais podem penetrar ou inundar a defesa dos porta-aviões americanos. Há algum debate sobre se os 1.300 mísseis superfície-navio de médio alcance da China podem rastrear e matar um porta-aviões a todo vapor.
Não sabemos quão eficazes são as novas armas ofensivas e defensivas. A Rússia realizou esses testes à vista de observadores ocidentais e divulgou suas supostas capacidades em declarações públicas. As questões-chave permanecem em aberto. A Rússia está blefando ou está dando ao Ocidente um aviso justo de suas novas capacidades? Até que ponto a Rússia construiu um escudo antimísseis eficaz? Quantas das novas baterias S-500 ou S-550 a Rússia pode colocar em campo? Com que rapidez mísseis e lasers russos e chineses poderiam colocar nossos satélites fora de ação? Quão vulneráveis ​​são os porta-aviões americanos? As novas tecnologias são formidáveis, mas estes são os primeiros dias.
Estamos em um mundo crepuscular de competição de armas estratégicas. Um ponto de referência para comparação pode ser o advento do torpedeiro no início da Segunda Guerra Mundial, que provou a obsolescência do couraçado – até então o epítome do poder militar – com o ataque a Pearl Harbor, com a destruição do navio italiano frota em Taranto, com a perda do Prince of Wales e Repulse perto de Singapura, e com o naufrágio do Bismarck no Atlântico Norte. Nenhuma das marinhas do mundo reconheceu que o couraçado estava obsoleto até 1940.
Meu melhor palpite é que, se a Rússia e a China ainda não tiverem uma vantagem estratégica, terão, na trajetória atual, uma vantagem estratégica em muito poucos anos. Isso inclui aplicação da inteligência artificial. A Comissão de Segurança Nacional de Inteligência Artificial escreveu em 2021: “Não é segredo que os rivais militares dos Estados Unidos estão integrando conceitos e plataformas de IA para desafiar a vantagem tecnológica de décadas dos Estados Unidos. Não seremos capazes de nos defender contra ameaças habilitadas por IA sem recursos de IA onipresentes e novos paradigmas de combate.” O que deveria ser intolerável é que os Estados Unidos, vencedores da Guerra Fria e únicos inventores da revolução digital, se encontrem em desvantagem na tecnologia de defesa.
Uma avaliação completa da mudança na vantagem das armas estratégicas provavelmente não é possível neste momento; se fosse, estaria entre os segredos de Estado mais bem guardados. No entanto, essas considerações incidem diretamente sobre questões urgentes do momento, que têm profundo impacto nas condições de vida e na segurança dos americanos, e que devem permanecer sujeitas às deliberações do governo democrático.
As perguntas difíceis de fazer ao nosso governo são:
Primeiro, como é possível que a Rússia e a China tenham obtido uma vantagem estratégica sobre os Estados Unidos em veículos planadores de hipervelocidade, defesa antimísseis e outros aspectos-chave da tecnologia militar? O orçamento militar dos Estados Unidos é o triplo do da China e o da Rússia, mas desperdiçamos vastos recursos em guerras estrangeiras infrutíferas e armas superfaturadas que podem já estar obsoletas.
Em segundo lugar, qual é o interesse nacional dos Estados Unidos na expansão da OTAN? A possível adesão da Ucrânia à OTAN é uma tentativa de acabar com a nova geração de defesa antimísseis da Rússia, tornando possível estacionar mísseis perto o suficiente das cidades russas para ficar sob o guarda-chuva de defesa da Rússia?
Isso, aparentemente, é o que Vladimir Putin acredita. Ele disse em 23 de fevereiro, na véspera de sua invasão da Ucrânia:
“A Aliança, sua infraestrutura militar, chegou às fronteiras da Rússia. Esta é uma das principais causas da crise de segurança europeia; teve o impacto mais negativo em todo o sistema de relações internacionais e levou à perda da confiança mútua.
A situação continua a se deteriorar, inclusive na área estratégica. Assim, áreas de posicionamento de mísseis interceptores estão sendo estabelecidas na Romênia e na Polônia como parte do projeto dos EUA para criar um sistema global de defesa antimísseis. É do conhecimento geral que os lançadores implantados lá podem ser usados ​​para mísseis de cruzeiro Tomahawk – sistemas de ataque ofensivo.
Além disso, os Estados Unidos estão desenvolvendo seu Míssil Padrão 6 para todos os fins, que pode fornecer defesa aérea e de mísseis, bem como atingir alvos terrestres e de superfície. Em outras palavras, o sistema de defesa antimísseis dos EUA supostamente defensivo está desenvolvendo e expandindo suas novas capacidades ofensivas.
As informações de que dispomos dão-nos boas razões para acreditar que a adesão da Ucrânia à OTAN e a subsequente implantação das instalações da OTAN já foi decidida e é apenas uma questão de tempo. Entendemos claramente que, diante desse cenário, o nível de ameaças militares à Rússia aumentará drasticamente, várias vezes. E gostaria de enfatizar neste ponto que o risco de uma greve repentina em nosso país se multiplicará.
Vou explicar que os documentos de planejamento estratégico americanos confirmam a possibilidade de um assim chamado ataque preventivo aos sistemas de mísseis inimigos. Também conhecemos o principal adversário dos Estados Unidos e da OTAN. É a Rússia. Documentos da OTAN declaram oficialmente que nosso país é a principal ameaça à segurança euro-atlântica. A Ucrânia servirá como uma ponte avançada para tal ataque…
Finalmente, depois que os EUA destruíram o Tratado INF, o Pentágono vem desenvolvendo abertamente muitas armas de ataque terrestres, incluindo mísseis balísticos capazes de atingir alvos a uma distância de até 5.500 km. Se implantados na Ucrânia, esses sistemas poderão atingir alvos em toda a parte europeia da Rússia. O tempo de voo dos mísseis de cruzeiro Tomahawk para Moscovo será inferior a 35 minutos; mísseis balísticos de Kharkov levarão de sete a oito minutos; e armas de assalto hipersônicas, de quatro a cinco minutos. É como uma faca na garganta. Não tenho dúvidas de que eles esperam realizar esses planos, como fizeram muitas vezes no passado, expandindo a OTAN para o leste, movendo sua infraestrutura militar para as fronteiras russas e ignorando totalmente nossas preocupações, protestos e advertências.”
A referência de Putin aos interceptadores na Polônia e na Romênia refere-se a protestos americanos de que os locais de mísseis fornecem apenas um escudo defensivo contra mísseis iranianos. De acordo com um documento publicado pela primeira vez pelo jornal espanhol El Pais e posteriormente verificado por fontes norte-americanas, os EUA se ofereceram para permitir que a Rússia inspecionasse os locais. De acordo com o Instituto Naval dos EUA, Putin está correto ao dizer que as instalações “podem colocar uma variedade de mísseis”.
Como exercício analítico, vamos supor por um momento que Putin quis dizer exatamente o que disse em 23 de fevereiro: a expansão da OTAN na Ucrânia representa um posicionamento para uma vantagem nuclear estratégica. De forma alguma eu apoio a invasão ilegal e repreensível de Putin da Ucrânia. Mas isso não é motivo para excluir a possibilidade de que as ações de Putin sejam uma resposta racional a ações anteriores dos Estados Unidos. Jack F. Matlock, embaixador de Reagan na União Soviética durante 1987-1991, compara as objeções da Rússia à adesão da Ucrânia à OTAN às objeções dos Estados Unidos aos mísseis russos em Cuba.
Cuba, porém, é um ponto de referência histórico menos apropriado do que a crise nuclear de novembro de 1983 durante o exercício da Operação Able Archer. Os Estados Unidos haviam implantado mísseis de alcance intermediário Pershing II na Alemanha e na Itália. A Rússia confundiu o exercício altamente realista, que trouxe Margaret Thatcher e Helmut Kohl como jogadores ao vivo, com um ataque nuclear incipiente. O mundo não teve então guerra nuclear por um fio. A liderança comunista em Moscovo considerou o enorme acúmulo militar dos Estados Unidos, suas vantagens tecnológicas e seu compromisso com a Iniciativa de Defesa Estratégica. Pesou os méritos de travar uma guerra nuclear com os Estados Unidos enquanto ainda podia e decidiu não fazê-lo. Esse foi o começo do fim da União Soviética.
Os Estados Unidos tinham a vantagem tecnológica em 1983. Hoje, parece que a Rússia e a China ganharam uma vantagem tecnológica e estão prontas para estendê-la. Essa deveria ser a ocasião para um Momento Sputnik – debate nacional sobre os rumos do nosso país. As mesmas tecnologias que nos tornam mais seguros nos dão novos setores, maior produtividade e padrões de vida mais altos. O fato de termos ficado para trás representa um fracasso catastrófico por parte da elite bipartidária que desperdiçou sangue e tesouros sem fim em aventuras estrangeiras, negligenciando as fontes reais de nossa força nacional, nossa vantagem tecnológica e nossa indústria manufatureira.
Os gastos federais com desenvolvimento – incluindo o projeto e teste de novas tecnologias de armas – caíram de 1,5% do PIB durante os primeiros dias do programa Apollo, para 0,8% do PIB em 1984 e apenas 0,3% do PIB hoje, de acordo com a National Science Foundation . Essa é a consequência da má alocação maciça de recursos em busca do projeto utópico fracassado de refazer o mundo à imagem da América.
A pergunta difícil que deve ser feita, e feita incansavelmente, é esta: o establishment da política externa dos EUA reagiu ao seu fracasso dobrando, promovendo a expansão da OTAN para compensar a crescente desvantagem estratégica dos EUA?
Reagan propôs a paz através da força. O establishment da política externa, em vez disso, oferece provocação a partir da fraqueza.
Tentativas posteriores de compensar erros passados ​​podem estar nos levando para mais perto de uma guerra que podemos perder, com o risco de uma guerra nuclear que ninguém venceria. Há uma tentação de travar uma guerra agora em vez de esperar enquanto as probabilidades mudam contra nós. O establishment americano não são falcões. São pombos de mau humor.
David P. Goldman é presidente da Macrostrategy LLC e Washington Fellow do Claremont Institute’s Center for the American Way of Life. Ele escreve a coluna “Spengler” para o Asia Times Online e o blog “Spengler” na PJ Media, e é autor de You Will Be Assimilated: China’s Plan to Sino-Form the World and How Civilizations Die (and Why Islam is Dying Too) ).
Pode ser uma imagem de avião e ao ar livre
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  • Augusto Almeida

    Diria insensatez cega
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  • João Gomes

    Cansei-me a ler todo o texto parei pouco depois do meio deste. A ser verdade todo o descritivo, no caso desta guerra contra a Ucrânia lançada por Putin, ele avançou com o exército convencional mais básico e conhecido, sem grandes armas de nova estratégia militar, aparentemente. Uma “boa” oportunidade de “estudar” o comportamento no terreno, da sua tropa mais convencional, mesmo perdendo muitas unidades militares aparentemente obsoletas no contexto da modernização referia no texto publicado. Para quando uma verdadeira ação global de desmilitarização dos exércitos ? Isso passaria por um “novo projeto” de confiança, incapaz de ser atingido quando, de um lado e do outro, se chocam, não conceitos económicos e ideológicos, tão mais diluídos pela entrada da Rússia num outro “mundo” onde o capital não é despiciendo e se jogam, igualmente, princípios ligados ao mundo do capital e da especulação bolsista, mas sim visões de geo-estratégia que não fazem parar as grandes máquinas de pesquisa militar para destruir mais rápido, mais forte e mais intensamente. A ONU deixou, há muito, de ter uma palavra que faça ponderar os grandes poderes, mesmo com toda a boa vontade de alguns dos seus melhores dirigentes. A ideia de que as riquezas deste Mundo tem que ser controladas, não pelas nações que as detém, mas por quem delas se quer assenhorear, de forma direta ou indireta, leva a esta situação de escalada belicista. Infelizmente a população do planeta, dividida pelos seus dirigentes, pelas suas cores e religiões, pela sua vontade de ser melhor, sem ser solidária, temendo-se, inclusivamente, pela cor da pele, é incapaz de dirigir os seus destinos para os caminhos da Paz. O fim de todos será o nosso futuro.
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  • Miguel Cunha Duarte

    Tão avançada tecnologicamente e ataca a Ucrânia com material de guerra ultrapassado. Estranho, não?
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    • Aníbal Carocinho

      Miguel Cunha Duarte não, o artigo contém a resposta à sua questão. Leia atentamente.
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guerra, a primeira vaga, Viriato Soromenho Marques

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GUERRA NA UCRÂNIA
BAIXAS E DANOS DA PRIMEIRA VAGA
Viriato Soromenho Marques – Opinião/DN
A guerra pela Ucrânia continua a ser travada sobre um campo de gelo muito fino. Os erros de cálculo, combinados com gestos arriscados, como é o caso de transformação de centrais nucleares em palco de combates, tornam difícil vislumbrar até o futuro imediato. Muito embora não existam dados objetivos suficientes para perceber o verdadeiro plano operacional inicial de Putin, a simples constatação de 15 dias após a ofensiva a situação militar ter entrado numa espécie de pausa parece indicar que ele subestimou a capacidade de resistência das forças armadas da Ucrânia. Contudo, o facto de uma coluna militar russa de 64 quilómetros se arrastar há muitos dias numa manobra de cerco de Kiev, sem ser importunada pela aviação ucraniana, e de cada vez mais os civis se juntarem à luta parece indicar que no ar e em terra o primado da iniciativa militar pertence inteiramente à Rússia. A multiplicação de iniciativas diplomáticas, e a clara redução do ritmo da ofensiva podem significar que Moscovo quer diminuir as suas baixas, mas também evitar precipitar-se numa batalha decisiva por Kiev. Se o quisesse, a Rússia poderia arrasar a capital ucraniana. Todavia, com o permanente fluxo de armas sofisticadas da NATO a chegar aos resistentes, essa batalha seria uma hecatombe sangrenta, transmitida em direto pelas televisões do mundo inteiro. Putin percebe bem, até pela catadupa de sanções, que uma vitória brutal teria a longo prazo um sabor amargo de quase derrota.
Do lado ucraniano, o saldo de dor e destruição é imenso. O final desta primeira vaga e o facto de a Rússia parecer hesitante em transformar Kiev numa nova Estalinegrado podem constituir uma oportunidade para poupar à população um sofrimento ainda maior. Será preciso, contudo, abertura diplomática e compromissos com Moscovo, em particular na questão da neutralidade e das regiões do leste do país de maioria russa. Caso contrário, a brutal lógica da força tenderá a prevalecer numa segunda vaga. Do lado ocidental, há custos, para além dos evidentes com os efeitos de boomerang das sanções. Esta guerra parece ter consolidado uma tendência geopolítica global, que se vinha desenhando mesmo antes do conflito. Doravante, no diretório mundial, a emergente China terá a seu lado a Rússia. A autocomplacência da política externa de Washington e a abstenção da UE conseguiram algo que nem nos tempos do comunismo ocorreu: empurrar Moscovo para o regaço de Pequim, numa aliança “sólida como uma rocha”, para citar o MNE chinês.
Mesmo que as armas se calem em breve, o que está longe de ser o mais provável, os danos mais profundos atingem-nos a todos nós, membros desta anárquica comunidade internacional. E não estou a considerar apenas as ondas de choque de uma crise económica, financeira e social, que vai afetar quase toda gente e sobretudo as camadas sociais e as regiões mais vulneráveis. Estou a referir-me também ao modo como esta guerra, travada entre países da linha da frente da hierarquia do sistema internacional, vai desvitalizar e desacreditar a mobilização geral para a única luta que, desde há muito, deveríamos estar a travar, a campanha para salvar o futuro comum. Talvez consigamos evitar, outra vez, a Destruição Mútua Assegurada de uma guerra nuclear, mas estamos mais perto de perder a luta contra a mútua Destruição Ambiental Assegurada.
Professor universitário
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Artur Arêde, Paula Villares Pires and 325 others
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  • João Gomes

    Tudo é possível e também é possível que o odioso Putin esteja a poupar as infraestruturas possíveis para “dar” um país em minimas condições ao próximo governo que o apoie ou não agrida. Mais abaixo publiquei um video de um militar americano que sabe de…

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  • Augusto Almeida

    Subscrevo sem emendas!
    Que ficássemos por aqui .. mas creio que existem muitos loucos ditos civilizados e democratas que não o pretendem .. serão eles deste mundo/planeta?
    Raispele …
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  • Cecília Dias

    Subscrevo. Só os lunáticos maldosos o não vislumbram…
  • Fernanda Martins

    Guerra é a face mais estúpida do ser humano.
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  • Carlos Fragoeiro

    De onde recolheu informação que a coluna não sofreu ataques?
  • André Barros

    De acordo, mas…não no final e a referencia ao “nosso” destino “comum”. Demagogia ainda que não propositada, esta é a próxima a “aquecer” o medo e a propaganda. Existe, mas desconfio que continuará a ser a luta de classes, os ricos contra os pobres, os …

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  • Gonçalves José

    Está aqui uma opinião que em parte eu discordo. A china tem mais interesses do lado ocidental do que propriamente do lado da Rússia, os Chineses são muito inteligentes , concordam dão aquele sorrisinho , mas depois é por onde lhe interessa mais. O pod…

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  • Lúcia Santos

    só temos informação de um lado…
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  • José Pinto Correia

    Um texto de um intelectual que no meio de tantos parágrafos é incapaz de condenar o invasor e de acusar os crimes de guerra que estão a ser cometidos pelo delírio imperial do ditador Putin. Serviço limpinho, obviamente!
  • Cachada Manuel Fernandes

    a ue foi apanhada de surpresa ! mas deveria investir mais na capacidade de defesa… mas preocupo -se demais com o sistema monetário !
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  • Joao Rodrigues

    Realmente,a Ucrânia tem tanto poderio militar 😭,nota se pelas infraestruturas bombardeadas.
    🙏🌹
  • Antonio Coelho

    Vasco Pulido Valente escreveu isto em 2015! Vocês nada viram na altura!
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  • Joao Barbosa

    O “exercito ucraniano “está nas cidades usando a população como escudo.
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  • José Rui Almeida

    Quem mais ganha é a China.
  • Luis Galhardo

    Lamentável condução política que não privilegiou a diálogo e só o diálogo para a Paz.
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  • José Duarte

    Por favor!… Deixem-se de merdas!
  • Maria De Fátima Filipe

    Qual aviação ucraniana? A q foi arrasada pelos russos no 1° dia da invasão?
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sorrisos de pedra – poesia

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e é um prazer fazer parte desta coletânea, infelizmente não poderei deslocar-me ao Porto

Chrys

——– Forwarded Message ——–

Subject: Convite – Sorrisos de Pedra
Date: Sat, 12 Mar 2022 16:50:29 -0000
From: info@gubiangallery.pt
To: drchryschrystello@yahoo.com.au

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Exmo. Senhor Dr. Chrys Chrystello,

 

É com alegria que a Gubian Art Gallery faz o convite para a apresentação das obras que integram o livro “31 variações sobre desenhos”, de Judy Rodrigues, a realizar-se no próximo dia 19 de março, sábado, às 16 horas. A exposição fica patente até 23 de abril de 2022. Leituras por: Danyel Guerra, Jorge Taxa e José Efe.

 

Judy Rodrigues

em colaboração com a Gubian Gallery

Da pedra afeiçoada

 

Helena Amaral, Alma Mater dos “Sorrisos de Pedra”, alinda as nove ilhas Açorianas com a originalidade da sua Arte. Os “Sorrisos” transpuseram já fronteiras, disseminando-se pelos quatro cantos do mundo. Admirável, pois, o seu legado. Lançado o repto à pintora Judy Rodrigues para conceber os 31 “Sorrisos” – aos escritores foi pedido a interpretação de um “Sorriso”, que lhes foi atribuído de forma aleatória – a anuência foi imediata.

 

José Efe

 

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