AS ANTAS DO CABRITO NO PICO…

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AS ‘ANTAS’ DO CABRITO 😉
Um destes dias armei-me em turista na minha terra. No Cabrito, Santa Luzia, chamou-me a atenção uma placa indicando a direção duns arcos vulcânicos. Não me lembro se já os tinha visto, mas lá voltei mais tarde. Vi-os, fotografei-os…e acho bem a referência e a indicação (embora pudesse ser mais precisa a localização)… mas não havia necessidade de usarem o símbolo duma anta (!?) para se referirem aos arcos. (A placa foi feita por uma empresa de mobiliário urbano de … Bragança, Bricantel, mas alguém de cá podia ter dito que não há antas nos Açores. Haverá uma ou outra ‘anta’, mas não antas dessas. 😉 Os Arcos, mais ao lado foram assim designados por causa dos seus arcos , o mais emblemático a Ponta da Baixa…que já caiu. É curioso que seja agora o Cabrito o sítio onde se pode ver mais arcos.
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“Estado islâmico” alimentar?

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“Estado islâmico” alimentar?
Sandes de chouriço, croissants, empadas ou batatas fritas são alguns dos alimentos que passam a ser proibidos nos bares das escolas públicas, onde também deixará de haver hambúrgueres, cachorros-quentes e sumos com açúcar adicionado. É o “politicamente correcto” levado ao exagero! Nem tanto ao mar, nem tanto à serra.
Conheci uma senhora com 90 anos de idade que quando ia ao médico a conversa era sempre a mesma. “A senhora não pode comer isto e aquilo. Também não pode comer aquilo e mais aquilo”. Dizia mais ou menos assim o médico, de resto muito competente. Até que um dia a senhora retorquiu: “Olhe, senhor dr., pior que tudo é passar fome. E eu não vou passar fome”. Resposta do clínico: “Também tem razão!”.
Como os alunos nas escolas públicas não podem agora comer sandes de chouriço, croissants, empadas, batatas fritas, hambúrgueres, cachorros-quentes e sumos com açúcar adicionado, vão comer isso tudo – e muito mais, certamente – nos estabelecimentos de restauração no exterior das unidades escolares. Fome é que não vão passar, como sugeria a tal senhora idosa.
Tem que se defender e promover uma alimentação saudável, mas sem exageros. A proibição agora imposta resolve pouco, porque, como referi, os alunos vão procurar alternativas.
De resto, gostaria de saber se os decisores político-governamentais que impuseram agora tal medida comem ou não sandes de chouriço, croissants, empadas, batatas fritas, hambúrgueres, cachorros-quentes e sumos com açúcar adicionado.
Muito pior do que tudo isso, é proliferar droga – ou drogas – nas escolas públicas ou nas imediações das mesmas, como de vez em quando é referido. É com isso que as autoridades têm que se preocupar, acima de tudo. Sandes de chouriço, croissants, empadas, batatas fritas, hambúrgueres, cachorros-quentes e sumos com açúcar adicionado podem ser consumidos com “peso e medida”, porque não matam ninguém. A droga, essa sim, mata! Deixem-se de exageros! Ou caminhamos para um “estado islâmico” alimentar?
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Afeganistão: consciência ideológica, nacionalismo e fundamentalismo

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Afeganistão: consciência ideológica, nacionalismo e fundamentalismo
Prometo que será o último post sobre o Afeganistão (ainda que saiba que será uma promessa difícil de cumprir).
Quando a Revolução Socialista foi vitoriosa no Afeganistão, implantou profundas medidas libertadoras, tanto no campo dos direitos civis, como no caso das mulheres e na separação do Estado e religião, como económica, com a reforma agrária. Contudo, houve um descompasso entre o avanço nas relações de produção e as forças produtivas existentes, bem como na superestrutura ideológica. A hegemonia socialista estava em Cabul e arredores, com resistência tribal nos campos. Nada disso seria grave, se não fosse a intervenção imperialista no suporte militar aos fundamentalistas islâmicos do interior do país, que não teriam sido capazes de impedir o progresso e a mudança de consciências caso não fossem articulados e armados pelos EUA e aliados. Cabul recorreu à Moscovo. Infelizmente, nas condições que existiam então, esse auxílio externo, com toda a máquina de propaganda e militar que trabalhou em favor dos fundamentalistas tribais, não poderia ser vitorioso. Cabul não é o conjunto do país.
Este caldo engendrou os talebãs. Que provavelmente, quando governaram entre 1996 e 2001, não contassem ainda com um apoio da maioria da população. Contudo, a intervenção imperialista, da qual os EUA é o maior responsável, mas na qual outros Estados, como Portugal, colaboraram, mudou essa situação. Isto nos deve lembrar de um facto que incrivelmente uma grande parte da esquerda esquece (a social-democracia, a esquerda post-moderna, incluindo muitos trotskistas e mesmo alguns partidos comunistas, encantados com ficções como ‘o projeto europeu’ do grande capital internacional), de que mais potente que a solidariedade de classe ou mesmo a religião, a força ideológica mais mobilizadora nos últimos duzentos anos é o nacionalismo. Obviamente, com distintas implicações em cada caso: se nacionalismo de nações imperialistas ou de colónias e países dependentes; se misturada com conteúdos racistas ou socialistas, etc. Porém, foi e é a maior força mobilizadora dos povos.
Provavelmente, os talebãs, que não eram uma força maioritária, converteu-se hoje nesta, pois apesar de todo os seu reaccionarismo era a única forma de resistência contra a ocupação estrangeira. Infelizmente, quem pagará o preço disto não serão os promotores da invasão, mas as mulheres e o povo afegão em geral.
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  • Gabriel Magalhães

    Cenários possíveis para o Afeganistão após 20 anos de ocupação imperialista: 1) manutenção da ocupação e de uma guerra sem fim; 2) saída dos ocupantes e início de uma guerra civil entre os Talibãs e o exército títere dos EUA. Pior cenário a meu ver; 3) vitória do Talibã sem guerra civil. Dadas as circunstâncias duríssimas, o melhor cenário. É torcer para que o Talibã se conecte à China a partir da Rota da Seda e isso possa garantir algum aprimoramento na infraestrutura e crescimento econômico, de modo a, a média prazo, fortalecer internamente sujeitos que busquem o fim do Talibã. Está claro que algo desta natureza tem que ter tentáculos no meio rural do país, caso contrário um novo 1871 emergirá para esmagar possíveis forças laicas e socialistas que só tenham bases em Kabul.
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  • Carlos Serrano

    Germano Almeida, este post dialoga com o seu.
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a limpeza étnica da língua

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Porque vale a pena pensar:
O que você acha da iniciativa do pessoal da internet de implantar um “gênero neutro” na língua portuguesa?
Não tem base linguística, não contribui a uma sociedade mais justa e é uma mudança cosmética no idioma, totalmente infundada. Se me permite dizer o que penso, é uma grande tolice. Tome a imagem das mulheres afegãs. Com todo o respeito que eu devo a essas mulheres que sofrem uma desigualdade tremenda no seu país por causa da ignorância dos que detêm o poder político e social sobre elas, acho que os que adotam a linguagem neutra porque supostamente um género neutro seria garantia de igualdade no tratamento a ambos os sexos (ou aos que não se identificam com sexo algum) nem sequer imaginam que a língua oficial do Afeganistão, do Irão e do Tajiquistão é “neutra”, destituída de géneros gramaticais. Sim, o persa é exatamente assim, nenhum traço de género, nem nos substantivos nem nos adjetivos. Para dar um bom exemplo, “o amigo” e “a amiga” neste idioma são ditos com uma só palavra, que não tem artigo definido ou forma específica para o masculino ou o feminino. O vocábulo original é “dūst” (“دوست” em alfabeto árabe, “дӯст” em cirílico). Se, portanto, a ausência de género nos levasse a crer na “modernidade” do persa nesse aspeto, então, como explicar que o talibã e o regime dos aiatolás não sejam exatamente o que se pode chamar governos feministas? Nem sequer tolerantes com as minorias sexuais? Ora, a condição da mulher nesses países está longe, muito longe de ser invejável, e nos dois primeiros a homossexualidade ainda é passível de pena de morte. Que o persa falado por lá seja um idioma “inclusivo” não interfere em nada, uma mulher afegã ou um homossexual afegão ficariam felizes se pudessem viver em Lisboa ou no Rio de Janeiro, mesmo tendo que falar um idioma como o nosso, tão “machista” em comparação com o persa. Por favor, um pouco de bom senso: algo não encaixa com a teoria da utilidade da linguagem neutra.
Voltemos à pergunta: dizer o quê? Duvido muito que essas pessoas consigam ser coerentes consigo mesmas e falar assim no quotidiano. Soa estranhíssimo aos ouvidos e para dizer a verdade cansa. Vamos por partes. Em primeiro lugar, é totalmente redundante começar a mencionar sempre ambos os géneros gramaticais em frases como “os professores e as professoras”, quando a forma mais curta “os professores” sempre bastou por si só para expressar a mesma ideia. Além de ser redundante, alonga desnecessariamente a frase, e na comunicação oral e escrita sabemos muito bem que o tempo é precioso. Quem estiver disposto a perdê-lo ainda que um pouquinho, que não se queixe dos resultados práticos, o primeiro deles é abrir mão da naturalidade e a consequente obrigação de prestar mais atenção. Uma pessoa que queira expressar-se assim terá que se vigiar constantemente para não acabar voltando atrás depois.
Na gramática o que chamamos às vezes de masculino genérico não significa que a mulher seja excluída da frase. Ela está incluída de maneira implícita, principalmente se a frase estiver no plural. Se estiver no singular, o sujeito poderá ser de qualquer sexo se for desconhecido ou se não se o quiser especificar: “O aluno desobediente será suspenso”, “aquele que quiser o melhor produto deverá pagar mais caro para obtê-lo”. Tanto aluno como aquele são de qualquer sexo imaginável. Quem não conhece o adágio popular “o bom filho a casa torna”? Pois filho aqui pode se referir ao filho varão ou à filha mulher, pouco importa. Acredito que ninguém em sã consciência seria capaz de interpretar a frase “todos os cidadãos são iguais perante a lei” como exclusivista (só seriam iguais os homens), pois o contexto é claro. Ao falar de leis, tem-se entendido que é para todo mundo. Além disso, a gramática portuguesa estabeleceu que o género das palavras muitas vezes fosse totalmente aleatório: as vítimas, as autoridades, as testemunhas, eis aqui palavras em princípio femininas, mas que incluem implicitamente indivíduos de qualquer sexo. “As autoridades pediram calma à população”. (Quem? Aqueles que estão no governo ou que ocupam uma posição de liderança num determinado grupo ou sociedade, claro, e na maioria das vezes podem ser tanto homens como mulheres… contanto que não se esteja a falar de autoridades eclesiásticas num contexto católico). Na sua opinião o masculino genérico é “injusto”? Justo ou injusto, faz parte da gramática da língua, todos os falantes falam desse jeito. Como o português não é uma língua construída intencionalmente como o esperanto, mas uma língua natural como a maioria das línguas com ou sem género gramatical, nenhuma das suas características gramaticais é voluntária (aqui eu falo de gramática descritiva, não de gramática prescritiva, mesmo que a segunda normalmente derive da primeira).
Em português sexo biológico e género gramatical não têm relação direta na língua portuguesa. Quer exemplos? Diálogo, desejo, ardor, parabéns, botão, lápis, caderno, tomate, freio, motor, anel, bracelete, colar, cabelo, ânus, dedo, pé, puma, leopardo, jaguar, jacaré, avestruz, bolo, açúcar, pinhão, bebé, conselho, augúrio, sortilégio, feitiço, gnomo ou anjo são palavras masculinas, mas são femininas as palavras conversação, saudade, crítica, dor, solidão, televisão, chave, carta, medalha, condecoração, unha, mão, pele, íris, onça, jaguatirica, garagem, chantagem, formiga, serpente, melancia, ginja, farinha, pinha, caneta, batata, admoestação, bruxaria, fada e assim por diante. Por qual razão areia, argila e terra tem que ser palavras femininas, mas pó, solo e chão são masculinas? Quem é capaz de entender isso? Tanto os conceitos mais abstratos como as realidades concretas dos seres e das coisas sempre puderam receber qualquer um dos dois géneros gramaticais da nossa língua, não há regra para isso.
Algumas palavrinhas bastante comuns são epicenas, ou seja, descrevem qualquer sujeito, independente do sexo: profissional, pediatra, adolescente, cliente, comunista, budista, cientista, presidente, vidente, paciente, artista, general, etc., com esses substantivos posso falar tanto da Maria como do José: “dizem que ele é um mal profissional”, “aquela adolescente gosta de atividades físicas”, “Cristina Krirschner foi presidente da Argentina”, “fulano é budista”… No português impera uma desordem total, não existe uma regra fixa para o uso do género gramatical do tipo “toda palavra terminada em a é feminina” ou “todo substantivo masculino tem que terminar em o”, e quando existe, há várias exceções. O idioma é aleatório na escolha do género e de muito mais, mas detrás da desordem há o uso das palavras, os seus significados, o seu peso: tudo foi sendo testado pelos falantes durante séculos e o que servia ficou; o que não servia, adeus.
A linguagem inclusiva estabelece uma uniformidade assustadora, quer pôr ordem na casa de supetão. Exagerando a importância da questão sexual e transplantando uma reflexão sociológica e política ao terreno do idioma, ela sonha em “corrigir” através dele um problema que ele nunca gerou. Como se bastasse incluir explicitamente alguém na fala para que todas as injustiças contra essa pessoa se resolvessem da noite para o dia. A língua portuguesa por si mesma nunca foi machista, as pessoas é que o são (salvo as exceções). Não há defeitos gramaticais em jogo, o que pode existir é machismo nas sociedades, coisa que se resolve com uma mudança de mentalidade, não com uma mera revisão do dicionário. Outrora a palavra gay era motivo de orgulho, pois além de homossexual (cuja origem remonta ao século XIX, na área da psicologia e da medicina) todas as outras mais coloquiais eram consideradas ofensivas: invertido, marica, maricas, larilas, chegado, rabeta, etc. Para não citar piores… Agora quando alguém diz “seu gay!” considera-se insulto em muitos lugares do Brasil. Uma simples mudança de vocabulário não basta, é a mentalidade que precisa ser repensada.
Em resumo, a intenção é boa (dar visibilidade às mulheres). Mas parte do ponto de vista duvidoso de que é a língua portuguesa que vai fazer isso, e não as ações concretas das pessoas na sociedade. É uma ideia absurda, cosmética e perigosa, porque desvia a atenção das pessoas dos verdadeiros objetivos da luta feminista e dos LGBT+ (dentro dos quais se inclui este que vos fala). Visibilizar verbalmente as mulheres e colocá-las ao lado dos homens em tudo o que se diga, acaba alargando desnecessariamente as frases, além de inevitavelmente excluir os indivíduos que não se reconhecem em categorias sexuais, ou talvez alguns transexuais. Sempre haverá aqueles que não se identificarão nem com um sexo, nem com o outro, e para eles ficará “elas por elas”, como diz o ditado.
Richard Aerts
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Žižek: Nossa resposta ao Talibã – Blog da Boitempo

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Slavoj Žižek / “Se realmente quisermos mudar todo o nosso modo de vida, o ‘cuidado de si’ individualista que gira em torno do uso dos nossos prazeres terá que ser superado. Por ou…

Source: Žižek: Nossa resposta ao Talibã – Blog da Boitempo

Cabul e a vitória da guerrilha

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Cabul e a vitória da guerrilha
O Afeganistão foi um território onde ingleses, russos e americanos nunca conseguiram impor-se à cultura local.
Só há uma explicação para isso: ao contrário de compreenderem o povo afegão, os seus costumes, as suas necessidades e os seus anseios, tentaram ocidentalizá-los, abrindo estradas, fazendo escolas e hospitais. Tudo isso constituiu um tremendo erro.
O islamismo tem de ser compreendido, estudado e interpretado segundo os princípios que o regem. A primeira grande diferença entre as culturas ocidentais, influenciadas pelas culturas greco-romana e judaica é que a religião, tal como Jesus afirmou, “é de Deus” e a política “é de César”. No islamismo, política, justiça e religião confundem-se sem dar lugar à tripartição do poder ‒ legislativo, executivo e judicial ‒ porque, soberano é Deus, que se revelou e ditou a justiça, as leis e a governação, através do seu profeta, Maomé.
As fontes da Lei são o Alcorão seguido da Suna (relato da vida e dos caminhos do profeta) e, depois, os hádices (narrativas do profeta). Tudo está contemplado nestes escritos tidos como sagrados e, mais do que isso, soberanos no sentido atribuído pelo Ocidente à palavra (depois da Revolução Francesa), ou seja, detentores de todos os poderes.
É assim, deste modo que, para um muçulmano, o Estado, a chefia do Estado e a chefia religiosa se confundem. Um condutor religioso é, também, um condutor político e jurídico.
Poder-se-á perguntar como foi possível, em certas regiões do Próximo Oriente e, até, nos Balcãs e na Península Ibérica, ter-se verificado, em tempos distantes, desenvolvimentos filosóficos e científicos que ultrapassavam os dos cristãos e, todavia, a resposta é simples, se a quisermos curta e sintética: o estádio de desenvolvimento cultural dos povos do Ocidente estava ainda fechado em torno de uma religião que, em moldes de rigor proselítico, não andava muito longe do dos islâmicos mais radicais.
O que aconteceu no Ocidente, justificativo da distância cultural entre cristianismo e islamismo, foi que, por cá, se ultrapassou, em pleno Renascimento, o teocentrismo, dando lugar a um antropocentrismo que, não renegando o papel de Deus no plano da religião, dá ao Homem um lugar que, em última análise, até pode “explicar” a vontade de Deus e a Sua obra criadora. Este foi o momento de corte entre as duas religiões e, consequentemente, das culturas que geram.
Na Turquia, depois do fim da Grande Guerra e da derrota militar do império Otomano, o general Mustafa Kemal Atatürk, fez-se proclamar Presidente da República e porque conhecia e entendia o papel do Iluminismo (um tempo de subversão do teocentrismo) na História do Ocidente, determinou a laicização do Estado, o mesmo é dizer, criou estruturas políticas e judiciais separadas da prática religiosa. Queria, assim, “modernizar” uma sociedade que, mantendo-se apegada ao modelo tradicional, jamais conseguiria aproximar-se das novidades de um mercado que se abria à tecnologia, à comodidade e ao conhecimento.
Para simplificar, podemos dizer que, com um golpe estratégico dentro da tradição islâmica, ele abriu as portas a um novo entendimento do papel da religião. É assim que se tornou possível, sem embates de maior nem choques culturais permanentes, a coexistência de comunidades islâmicas no seio das de maioria cristã.
Não perceber estas relações e a necessidade de conciliar tradições com inovações levou as grandes potências ocidentais até ao Afeganistão com uma só ideia: modificar, sem plano islâmico, uma população islâmica. Fizeram qualquer coisa como abrir uma estrada onde ninguém quer transitar. Ora, o único processo de poder alcançar mudanças era, estrategicamente, subverter a cultura islâmica através da sua própria cultura e, para tal, não sendo muçulmano como Atatürk, era preciso pensar como islâmico, deixando de lado todos os preconceitos ocidentais, porque, subverter passa por “estar dentro”, o mesmo é, literalmente, “entornar”, partindo de baixo para cima, porque o que as grandes potência quiseram fazer foi “sobreverter “ ou seja, fazendo tábua rasa do islamismo, “derramar”, sobre um povo impreparado, uma nova ordem cultural, jurídica, política e religiosa.
Esta vitória do islamismo radical vai ter efeitos que não podemos calcular de momento, mas de que, em breve, teremos notícias.
Para jogar xadrez não basta saber movimentar as peças!
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Para os meus amigos que não terão acesso a estes textos, aqui vos deixo esta importante e interessante lição da autoria do meu Amigo Luis Alves de Fraga.

o embelezamento da costa da Lagoa foi sol de pouca dura

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A saga da baía de Santa Cruz continua. Por agora, a poça continua interdita, o verão daqui a pouco acaba, o inverno tratará de destruir o resto da obra de cosmética política que a CML optou por fazer à pressa para eleitor ver. Ora, se fosse apenas isso, era apenas mais um “tesourinho” das autárquicas, mas não é.
Neste caso é preciso apurar responsabilidades dado que estamos a falar de saúde pública, e para não se perder a memória do que se passou, ficam aqui as declarações do Sr. Vereador em resposta aos alertas de risco, que na altura apelidou de eleitoralistas, mas que 9 dias (nove, não é uma gralha) acabou por reconhecer, sendo ele próprio, “por precaução”, a interditar a poça a banhos dado o risco para a saúde pública.
Numa democracia madura, já se teria demitido como é óbvio, mas em Portugal e nos Açores, responsabilidade política é coisa que não existe para nada, salvo a honrosa excepção, que todos conhecem, de Jorge Coelho. Pior que isso, é o Sr. Vereador ser um técnico relacionado com o Ambiente, e portanto, nem pode alegar desconhecimento técnico. Se fosse um democrata, se fosse um Engenheiro, teria de se demitir dado tão grosseiro erro. Não tenho qualquer esperança que o faça, mas é evidente que não tem condições para continuar ligado a este processo, e muito menos continuar a exercer as funções no executivo, nem como político e nem como técnico.
Resta saber, e tudo farei para o saber, o que fez a Inspecção Regional do Ambiente neste processo. Aguardemos.
E claro, resta também saber qual o papel da Sra. Presidente neste fiasco que além de esbanjar dinheiro dos contribuintes, potencialmente colocou em risco a saúde pública dos seus eleitores.
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sinal de trânsito honesto

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cabul, les hirondelles

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Kabul under Taliban: no books, no cinema, no music, no love, no free will, no instruction, women jailed under a piece of cloth, men terrorized by religious police, where everything hope for a better tomorrow is chimeric.
a hard regime based on religion, shabby women’s conditions, at their lockdowns in Islamist doctrine, tyrannical measures.
From the servitude of the woman!!!!!
FROM ALL HEART WITH THE PEOPLE AFGHAN, PARTICULARING WOMEN AND MINORITIES….
′′ The Swallows of Kabul ′′ the adaptation of a novel by Yasmina Khadra, released in 2002, captured by the contrast between the violence of the subject and the delicacy of the drawing.

See original

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Anna Carrascalão
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os talibãs sabem divertir-se

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Os talibâ divertem-se e fazem exercicio fisicoshttps://youtu.be/NCDv0mqszyk
Afghan Crisis | 'Surreal': Taliban Take Over Amusement Park, Gym in Kabul | The Quint
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Afghan Crisis | ‘Surreal’: Taliban Take Over Amusement Park, Gym in Kabul | The Quint
In crisis-torn #Afghanistan, that is witn