Sr. Presidente, precisamos de vacinas!

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Sr. Presidente, precisamos de vacinas!
A visita de um Presidente da República à nossa região é sempre um acontecimento que deve ser enaltecido, mesmo quando ela não traz consequências práticas.
O contacto com as autoridades locais e com as populações, só por si, já sinaliza uma postura dialogante e afectiva, coisa muito arredada nalguns políticos, que gostam de se resguardar no conforto dos gabinetes apalaçados.
Não se conhece a agenda do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa na visita que efectuará hoje aos Açores, mas há uma questão que não pode estar esquecida na mesa das conversas: a gritante falta de vacinas e a lentidão de todo este processo entre a República e as Regiões Autónomas.
Nunca se percebeu o critério da distribuição dos 2% das doses, nem ninguém na República, incluindo o Chefe de Estado, se preocupou em invocar a discriminação positiva a que as regiões ultraperiféricas têm direito.
Nenhuma voz portuguesa se fez ouvir nas instâncias europeias em defesa do tratamento diferenciado a que temos direito, a não ser uma pergunta de uma deputada europeia à Comissária da Saúde, que reconheceu a disciminação positiva da ultraperiferia inscrita no Tratado Europeu, mas remeteu o problema para os estados membros.
Todo o processo de contratação das vacinas, com as farmacêuticas, foi a vergonha que se conhece, pelo que não surpreende que a Comissão Europeia, em mais uma atitude incompetente, lave as mãos deste problema levantado pelas regiões ultraperiféricas.
Fazem bem as autoridades regionais virarem-se para os EUA, pedindo ajuda na aquisição de vacinas, ao abrigo do Acordo de Cooperação entre Portugal e os EUA pela presença militar nas Lajes.
Mas até neste esforço a região não tem recebido qualquer apoio da República.
O desprezo com que o Ministro dos Negócios Estrangeiros tem tratado os Açores nesta e noutras matérias diplomáticas é por demais conhecido e merecia uma mediação mais atenta por parte do Presidente da República.
Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa têm sido tão solícitos, nesta pandemia, a invocar a “continuidade territorial” e a “coesão interna”, pois o Sr. Presidente tem agora uma boa oportunidade, nesta visita, de ouvir os anseios da população açoriana nesta e noutras matérias, mexendo os cordelinhos para termos mais vacinas e um tratamento mais digno e justo por parte da República.
Para que a “continuidade territorial” não seja invocada em vão…
(

Osvaldo Cabral

– Diário dos Açores de 01/05/2021)

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A ORIGEM DOS MAIOS

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A origem dos “Maios” remonta às festas pagãs da Roma antiga, onde no mês de Maio se festejava a deusa Maia, considerada a deusa da fecundidade.
Trata-se de bonecos, representando pessoas em cenas do quotidiano, colocados nas portas, varandas, quintais, jardins, ruas ou largos.Geralmente são acompanhados de pequenas quadras, onde o humor se confunde com o espírito crítico.
Nos Açores a tradição ainda se mantêm em algumas ilhas e é assinalada no dia 1 de Maio.
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1647 O BLOQUEIO A NAGASÁQUI

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O bloqueio de Nagasáqui (1647)
Quando, em 1580, Portugal ficou sob o domínio de Filipe II de Espanha, o conflito com outras potências europeias tornou-se inevitável.
De entre os referidos conflitos destaca-se o que teve lugar com a Holanda, que devido à situação conturbada que tinha com Espanha viu a rota comercial das especiarias com Lisboa embargada. Como resposta, este estado atacou as possessões portuguesas no oriente, de onde resultaram as perdas de Malaca, Ceilão, Cochim e Nagasáqui.
Foram tais acontecimentos que, conjuntamente, com a crescente perda de direitos dos portugueses perante o governo espanhol, conduziram à revolta de 1640 e à restauração da independência.
Nesta sequência, Portugal ficou numa situação de conflito intensa, na qual combatia, no continente, contra os espanhóis e, nas colónias, contra os holandeses. No que se refere a estes últimos confrontos, os mesmos persistiram devido às ações das companhias comercias, de que é exemplo a VOC e, aos constantes ataques nos territórios ultramarinos, não obstante os esforços diplomáticos para estabelecer a paz com Amesterdão.
Neste contexto, e ainda durante o período da restauração, D. João IV tenta restabelecer as relações comerciais com o Japão, enviando uma embaixada de dois galeões, o Santo André e o Santo António de Aveiro, liderada por Gonçalo de Serqueira de Sousa.
Durante a viagem os referidos navios foram obrigados a atracar em Goa para reabastecimento e o vice-rei Filipe de Mascarenhas cedeu o Galeão São João, que havia sido acabado de construir, para a missão, considerando que o seu porte permitiria causar uma impressão superior a que seria obtida pelo Santo André.
No Japão, os Tokugawa tinham ascendido ao poder e a sua intolerância face ao cristianismo tinha conduzido ao massacre de inúmeros missionários portugueses e espanhóis e ao fomentar de uma boa relação comercial com os holandeses.
A 26 de Julho de 1647, a embaixada portuguesa chega aos arredores do porto de Nagasáqui onde foi abordada por um navio japonês que indagou de onde eram os navios e qual o se objectivo, ao que lhe foi respondido que se tratava de um embaixador do rei de Portugal que pretendia reatar a amizade antiga entre os dois países.
Os navios portugueses receberam permissão de entrada no porto, contudo em face da incerteza quanto à recepção pelo imperador, o embaixador português optou por não atracar.
No dia seguinte, os japoneses retornam ao contacto da embaixada portuguesa com vista a perceber qual o ponto de situação da restauração da independência, tendo recebido a informação solicitada, sem, contudo, darem a perceber se os portugueses seriam recebidos pelo imperador.
Na manhã seguinte, o episódio repetiu-se, desta feita com uma insistência por parte dos japoneses para que os portugueses acedessem a atracar no porto.
Num gesto de boa fé, o embaixador português acedeu ao pedido, tendo entrado no porto de Nagasáqui.
Mais uma vez, os japoneses insistiram na obtenção de informações acerca da restauração e das verdadeiras razões que haviam motivado o envio de uma embaixada, pelo monarca português.
De igual modo, perguntaram se este tinha conhecimento das execuções de missionários portugueses que tinham acontecido antes da chegada dos navios àquele porto.
Nesta interação os japoneses solicitaram, ainda, que a carta que havia sido dirigida pelo monarca português ao imperador lhes fosse entregue, solicitação, à qual, o embaixador não acedeu, mantendo-se o impasse.
Posteriormente os japoneses pediram que os galeões portugueses retirassem a sua artilharia para terra à semelhança do que era o costume seguido pelas embarcações estrangeiras naquele porto.
Neste cenário, e tendo o embaixador português percebido a verdadeira intenção subjacente ao pedido, e sem hostilidade, respondeu apenas que tal pedido não fazia sentido no caso de embarcações de guerra. Não obstante tal resposta, o mencionado pedido foi repetido mais duas vezes sempre com a mesma resposta.
Ao mesmo tempo, eram visíveis movimentações militares de tanto os japoneses e holandeses com o objectivo de apreender a embaixada portuguesa no porto e atacá-la.
Perante isto, a tripulação portuguesa sugeriu ao embaixador que rompesse as fortificações que os japoneses contruíam à volta do porto e retornasse a Portugal, contudo este recusou afirmando que apenas retornaria após obter uma resposta do imperador.
Esta atitude de persistência parece ter causado nos japoneses um misto de temor e admiração pois apesar de a embaixada portuguesa não cumprir o objectivo principal foi deixada partir, pelo imperador, devido à sua firmeza e resposta correta às sucessivas armadilhas nipónicas.
Disto reza assim a história que mais uma vez Portugal esteva à altura de um grande desafio mesmo que este não se tratasse de um combate tradicional.
Imagem: Detalhe da obra “ Barbarians from the south” de Kano Naizen (1570-1616), que representa uma embarcação portuguesa.
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AÇORES OS MAIS RICOS EM 1863

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Sou Parente de todos e descendente de três ( Visconde da Praia , Nicolau Raposo do Amaral e José do Canto ) ; só não sou parente dos « pobres » da Santa Casa …. mas por certo essa Instituição foi muito apoiada pelos meus antepassados que sempre tiveram « consciência social e Cristã » , vendo na solidariedade social , com generosidade e altruísmo , um dever que sempre cumpriram , contribuindo assim para o bem comum e para minorar e atenuar as desigualdades sociais e económicas no seu tempo .
May be an image of text that says "os DEZ MAIORES EM 1863 NOTA DO RENDIMENTO COLLECTAVEL 'DOS DEZ MAIORES CONTRIBUINTES D'ESTE DISTRICTO. Nicoláo Maria Raposo d'Amaral. 40:792$907 Marquez da 39:2703327 Visconde da Praia.. 29:050$857 Barão da Fonte Bella 20:518$512 Misericordia de Ponta-delgada 14:065$390 D. Helena Machado de Faria e Maia......... 13:8488 José Jacome Corrêa.. 12:917$642 Dr. Ernesto do Can................... 12:1623407 José do Canto.. 11:991 Caetano 'Andrade Albuquerque 10:306$52 Repartição de fazenda do districto de Ponta-delgada, 5 de novembro de 1863. No rendimento collectavel não se comprehendem os fó- parte considerabilissima dos rendimentos dos maio-"
Os 10 Açorianos mais ricos em 1863
José Manuel Leal, Carlos Melo Bento and 31 others
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  • E 160 anos depois onde estão estes 10 mais no ranking actual …
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    • 12 h
    • Luciano Melo

      o dinheiro mudou de mãos 155 anos depois ; alguns dos descendentes destes ainda se vão safando , mas a maioria já vive muito mais « à pele » .

em memória de JOSÉ PAZ

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Chrys Crystello, presidente da AICL, Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia, Portugal, meu amigo desde 2007, quando comecei a participar dos Colóquios da Lusofonia nos Açores, recomendou-me a publicação do artigo “No Passamento do Companheiro e Amigo José Paz Rodrigues”, escrito por Alexandre Banhos, da Fundaçom Meendinho. Aceitei. Hoje, apenas vou referir de leve a vida de JOSÉ PAZ RODRIGUES, professor de toda uma vida. Mestre de gerações sucessivas, responsável pela fundação de várias bibliotecas, cujo acervo ultrapassa trinta mil títulos, amante do cinema e, o que muito me agradou, apaixonado pela obra de Tagore. Identifiquei-me profundamente com ele. Pepe Paz nasceu na mesma década que eu, somente quatro anos mais tarde (1948). Se houvéssemos nos conhecido, com certeza, seríamos bons amigos pelo percurso profissional que paralelamente construímos e seguimos, em locais tão diferentes e distantes geograficamente entre si, mas que, na verdade, partem de uma mesma fonte genealógica. Mais que isso, somos irmãos em nosso ideal de despertar nos outros a vontade de estudar ao mesmo tempo em que almejamos conhecimento, sabedoria e liberdade.