missão impossível.

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Parar as cadeias de contágio em S. Miguel é uma missão impossível.
As últimas semanas encarregaram-se de provar a tese, que já aqui desenvolvi, de que o problema só será sanado com a vacinação total da população, porque o combate total ao vírus é tão impossível nesta ilha como acabar com a pobreza e a exclusão social.
Não é criar estigma, nem tão pouco menosprezar as enormes bolsas de pobreza existentes em S. Miguel, mas se repararem bem os maiores focos de transmissão desenvolvem-se mais rapidamente nas comunidades onde existe maior pobreza.
A explicação é simples e basta falar com os autarcas das freguesias ou com os profissionais da área de Acção Social que estão no terreno: as famílias carenciadas não conseguem fechar-se em casa porque precisam de ir à procura de alimento.
Em cada família carenciada, se não for fortemente apoiada, há a procura de um sustento a qualquer custo.
Muitos dos que compõem o agregado têm que sair à procura de um biscate, ora no campo, na construção civil, na lavoura ou na pesca.
Por outro lado, manter cafés e bares abertos nessas comunidades, no meio dos focos de contágio, é um autêntico rastilho para o vírus, assim como é um erro crasso permitir a venda ao postigo, sobretudo nessas comunidades em que não têm condições para tal. Não só permite o aglomerado à porta, com gente sem respeito pelas regras, como os respectivos proprietários fecham os olhos às infracções, porque querem é vender.
Um em cada três açorianos é pobre e em S. Miguel concentram-se dois terços dos pobres dos Açores.
Naturalmente que não é apenas esta classe que é infectada, mas é a que tem menores recursos para se manter confinada em casa e fazer ‘take away’, como muitas outras famílias.
A permanência do vírus e respectiva transmissão contínua em S. Miguel é a consequência dos longos anos em que se atrasou o combate à pobreza e exclusão social, que não é só material, mas também de espírito e de iliteracia.
Impõe-se, por isso, um combate urgente às bolsas de pobreza na região, especialmente em S. Miguel, porque no dia em que debelarmos este flagelo é meio caminho andado para se acabar com outras desgraças sociais, dando uma esperança às novas gerações que nascem entre estas comunidades.
É mais do que óbvio que o Plano de Recuperação e Resiliência para os Açores tem que ser alterado, canalizando larga fatia do investimento para a área social e para a recuperação das empresas, a fim de manterem os postos de trabalho e criarem outros.
Entregar à EDA 30 milhões de euros para comprar baterias para espalhar pelas ilhas, em nome da ‘transição energética’, pode ser muito importante, mas temos outras prioridades no presente, que são uma emergência para as famílias que vivem nestas ilhas.
Concentre-se as energias na recuperação e desenvolvimento da nossa economia, criando riqueza, até porque estes dois últimos anos foram devastadores para muitas empresas e famílias.
Não sei se é possível fazer uma estimativa de quanto já se perdeu só no sector da restauração em S. Miguel, mas é possível escolher como barómetro os prejuízos no sector do turismo para se ficar com uma ideia da enorme devastação que vai na economia regional.
Nos primeiros dois meses deste ano (são os números até agora disponíveis), as receitas da hotelaria açoriana nem chegaram a 2 milhões de euros, quando no mesmo período do ano passado ultrapassaram os 7 milhões de euros.
As receitas totais da hotelaria ultrapassaram os 100 milhões de euros em 2019 e afundaram-se no ano passado para os 27 milhões.
S. Miguel, que arrecadou mais de 80 milhões em 2019, ficou-se apenas pelos 18 milhões de euros no ano passado.
Nos primeiros dois meses deste ano, a desgraça continua na hotelaria micaelense, com pouco mais de 1 milhão de euros de receitas, quando no ano passado ultrapassou os 3,5 milhões de euros.
Não admira que, só nos primeiros quatro meses deste ano, as insolvências em Ponta Delgada tenham aumentado 70% em relação ao mesmo período do ano passado.
Portanto, senhores governantes, deixem-se de coisas pomposas à volta das “transições” e outras tretas. Canalizem o vosso foco para a economia e a área social, que estão devastadas.
É aqui que precisamos da bazuca.
Só assim poderemos matar as duas pandemias: a sanitária e a da pobreza.
(Osvaldo Cabral – Diário dos Açores de 12/05/2021)

guitarra galega

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Isabel Rei Samartim is feeling happy with António Gil Hdez and

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Em 15 de setembro de 2020, o dia a seguir da apresentação da tese “A guitarra na Galiza” na USC, eu não dava crédito ao convite que me fazia a escritora Teresa Moure para a coleção Alicerces da Através Editora. Mas a perspetiva de escrever um livro de bolso (ou seja, pequeno), para pessoas não músicas (mas também para músicas), e sobre a guitarra galega (uma aproximação simples à tese, que é longa e complexa), parecia-me muito boa ideia, e a oportunidade, de ouro.
Sai agora esse ouro em forma de livro de bolso, prologado pela pianista Helena Marinho, da Universidade de Aveiro, que procura encher o vazio conceptual a respeito do uso da guitarra/viola/violão na Galiza em todas as épocas desde que temos documentos.
O livro, que já está à venda, pode adquirir-se aqui: https://www.atraves-editora.com/produto/guitarra-galega/
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ANGOCHE – OS FANTASMAS DO IMPÉRIO

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ANGOCHE – OS FANTASMAS DO IMPÉRIO
Nacala, 23 de abril de 1971. Um navio da Marinha mercante portuguesa parte desse porto moçambicano com destino a Porto Amélia (hoje, Pemba). A bordo leva 24 almas, bem como um importante carregamento de material de guerra destinado ao Exército português no Ultramar. Na madrugada seguinte, um petroleiro encontra esse navio, de seu nome Angoche, à deriva, incendiado e sem ninguém a bordo, como se de um navio-fantasma se tratasse. De imediato, a PIDE/DGS abre um inquérito. As teorias para o que aconteceu surgem em catadupa. Não faltam presumíveis culpados a quem apontar o dedo, mas não há provas. Para adensar o mistério, na noite do desaparecimento do Angoche, uma portuguesa que trabalhava num cabaré da cidade da Beira e é tida como amante de um oficial da Marinha, cai de um edifício. Suicídio ou assassinato, as circunstâncias da sua morte nunca são verdadeiramente esclarecidas…
Depois do 25 de Abril, os relatórios da PIDE/DGS desaparecem. A carcaça do navio, ancorado no porto de Lourenço Marques, acaba por ser afundada. Se testemunhas houve, não falam. Estes são os factos. A partir deles, Carlos Vale Ferraz constrói um romance puramente ficcional, embora essencial e certeiro, sobre moralidade e heroísmo.
« Angoche – Fantasmas do Império é um romance. É um romance porque só a ficção me permite exprimir o que julgo saber sobre os homens que querem ser heróis e sobre os Estados que utilizam esses homens dispostos a tudo para os seus fins. É uma ficção sobre as taras do poder, como tantas outras obras da literatura ao longo dos séculos, da Odisseia de Homero a Hamlet de Shakespeare, do Coração das Trevas de Conrad a Uma Verdade Incómoda de Le Carré.»
Carlos Vale Ferraz
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PACHECO PEREIRA DESCOBRIU O BRASIL ANTES DE CABRAL

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Duarte Pacheco Pereira: o navegador que descobriu o Brasil antes de Cabral
Embora a descoberta oficial tenha sido atribuída a Pedro Álvares Cabral, são muitos os indícios que terá sido Duarte Pacheco Pereira a descobrir o Brasil.
Quem chegou primeiro ao Brasil – Pedro Álvares Cabral ou Duarte Pacheco Pereira?
A pergunta pode parecer algo estranha para os amantes de história, mas a verdade é que Pacheco Pereira deixou escritas na obra Esmeraldo de Situ Orbis algumas frases que têm sido tomadas como prova de que foi este o primeiro a chegar ao Brasil, antes da data oficial de 1500.
Como o documento apenas foi revelado em 1892, o debate tem estado aceso desde então.
Duarte Pacheco Pereira foi um dos primeiros heróis dos descobrimentos, capitão de guerra na Índia, recebido em Lisboa com um desfile triunfal.
Camões chamou-lhe “Aquiles lusitano”, sendo o navegador um hábil marinheiro e guerreiro com fama de colérico e agastado.
Nascido em Santarém, foi cavaleiro da Casa de El-Rei D. João II, tendo já sido notado antes da sua viagem à Índia na expedição de Afonso de Albuquerque, onde comandava a nau Espírito Santo.
Pacheco Pereira era filho de um navegador e neto de um armador, tendo crescido em contacto próximo com o mar e com as arrojadas viagens dos portugueses que desbravaram o oceano, descobrindo novos povos e terras.
Assim, o seu espírito parecia cheio de ardor de aventuras e de grandes feitos, tendo-o demonstrado toda a vida, no seu serviço à pátria, com feitos que o tornaram um dos portugueses mais notáveis do seu tempo.
A epopeia de Pacheco Pereira inicia-se em viagens de exploração e reconhecimento ao longo da costa ocidental da África.
Em 1494, fez parte da delegação portuguesa na conferência de onde resultou o célebre Tratado de Tordesilhas, considerado o mais importante tratado do séc. XV.
Nessa conferência, revela todo o seu saber científico, revelando-se um elemento fundamental na defesa das pretensões portuguesas.
A confiança que D. João II tinha nele prolongou-se pelo reinado de D. Manuel, que o envia em 1498 para além do Mar Oceano em busca de terras ocidentais do Atlântico, onde o navegador encontrou terra firme, com grandes ilhas adjacentes.
Esta expedição teria como objetivo reconhecer as zonas situadas para além da linha definida no Tratado de Tordesilhas.
Pensa-se, assim, que Pacheco Pereira terá descoberto o Brasil, algo que a política de então não lhe permitiria revelar, para não provocar confrontos com Espanha.
Em 1500, o descobrimento é tornado oficial por Pedro Álvares Cabral, evitando-se desta forma atritos e reclamações que poderiam ter surgido, se o acontecimento não se tivesse revestido de todos os cuidados e de sigilo sobre as navegações anteriormente realizadas.
O papel de Duarte Pacheco Pereira no Tratado de Tordesilhas
Realizou algumas viagens à costa da Guiné, sob as ordens de D. João II. Depois, a sua competência em matéria de geografia e de cosmografia, assim como a sua experiência de navegador, levaram-no a figurar entre os membros da delegação portuguesa encarregada de estabelecer, com os castelhanos, os termos do Tratado de Tordesilhas, em 1494.
D. Manuel I, em 1498, encarregou-o de uma expedição relacionada com a demarcação da linha estabelecida pelo mesmo tratado, o que terá constituído um passo preparatório do descobrimento do Brasil. Aliás, Pacheco Pereira acompanharia Pedro Álvares Cabral na viagem de 1500.
É autor do Esmeraldo de situ orbis, obra que ficou incompleta e que constitui um roteiro comentado das costas ocidental e oriental da África.
Nela, Duarte Pacheco Pereira refere, embora não muito claramente, que o rei D. Manuel o tinha mandado descobrir «uma tão grande terra firme» a ocidente do Oceano Atlântico, facto até hoje desprovido de provas convincentes e que deu origem a várias especulações sobre a sua veracidade.
Depois de várias outras viagens, nomeadamente à Índia, exerceu o cargo de capitão de S. Jorge da Mina entre 1519 e 1522, altura em que regressou a Lisboa.
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