a insólita insistência na coincineração

Views: 0

MUSAMI adjudicou incineradora de São Miguel à empresa Termomecânica Ecologia por 57,9 milhões de euros
CORREIODOSACORES.PT
MUSAMI adjudicou incineradora de São Miguel à empresa Termomecânica Ecologia por 57,9 milhões de euros
O Conselho de Administração da MUSAMI, empresa pública da Associaç

Beijos às escuras

Views: 0

Source: (2) Facebook

As nossas bocas têm GPS
Parecem descobridores portugueses
Navegam às escuras
Encontram-se surpreendentemente
P’ra matar as securas
E prazeres
Na noite escura
Viajam em busca louca
Ao encontro da boca
De carícias
Do beijo prolongado
É na noite escura
Que nossos beijos
Repetidos
Quentes e incontidos
Valiosos
São poemas pervertidos
Sequiosos
Doses certas de loucuras
E param o tempo
Iluminam o ser
Alimentam
Puro prazer
Nossos beijos às escuras

Sandra Fernandes

*Foto retirada da net 

See less

overdose informativa

Views: 0

Em overdose informativa, bem precisamos de vacina contra a iliteracia. Esta vem do Carlos Matos Gomes, e tem boa pontaria
Carta de um espetador de telejornais
Excelentíssimos Senhores Diretores de informação, pivôs, pivoas, repórteres de rua e de alpendre de lar de idosos, também às sentinelas de focos de infeção:
Após cerca de um ano de esforços de telescola da vossa parte, para me elucidarem das maldades de um vírus (chinês, segundo o perito Trump) e da falência do Estado português no seu combate, de todas as suas instituições e entidades, das mais altas às mais baixas, do excelentíssimo Presidente da República à mais humilde auxiliar, lamento informar-vos de que chumbei à vossa cadeira.
Fiz um autoteste e, reconhecendo o vosso esforço, competência, entusiasmo, alegria no trabalho, busca incessante pelas maiores e mais evidentes desgraças, alarmes e piscar de olhos, viagens ao estrangeiro, consultas a eminências várias. me encontro no estado que passo a resumir:
Não distingo um vírus da cabeça de alfinete;
Não distingo um ventilador de um aspirador;
Não distingo uma pandemia de uma orgia, ou de uma festa de pândegos, vá lá;
Não distingo um teste rápido de um inquérito de sim ou não;
Não distingo uma UCI de uma UZI;
Não distingo as aptidões das máscaras sociais das antissociais e estas das medicinais;
Não distingo o bastonário dos médicos de entre os 500 médicos que têm passado pelas urgências das televisões;
Não distingo a bastonária dos enfermeiros dos concorrentes do Big Brother;
Não distingo os frascos da astrazeneca da pfizer, nem esta da moderna e a moderna da que está para vir ainda mais moderna (talvez estejam a passar demasiado depressa as imagens…);
Não distingo um lar da Misericórdia de Carregueiros de um Lar da Misericórdia de Reguengos nem este do de Vila de Rei, nem de outros mil por onde passeiam jovens aflitos de microfone;
Não distingo uma cama covid do Alto Tâmega de uma cama covid do Baixo Tejo;
Não distingo os gráficos covid do Paulo Portas dos gráficos covid do Rodrigues dos Santos nem estes dos da SIC (talvez com uns desenhos animados… sei lá);
Não distingo a competência dos comentadores da TVI dos da SIC e estes dos da RTP e dos da CMTV, nem dos da bola, nem do vídeo árbitro;
Não distingo a incompetência do diretor do Hospital Amadora Sintra, da do de Almada e a deste com a do São João no Porto e ainda do da Universidade de Coimbra e da dos diretores e clínicos de todos os hospitais do Médio Tejo, do Alto Douro, da foz do Mondego, do estuário do Sado, dos Algarves e Ilhas;
(Não consigo, aliás, perceber a razão de associar os hospitais aos rios… ainda se fosse a regiões demarcadas de vinhos, mas pelas vossas doutas informações concluí que só existem incompetentes nos lugares de responsabilidade… os competentes estão todos por conta das televisões… é a sagrada lei do mercado, claro!)
Não distingo as estirpes do vírus, a chinesa da inglesa, a inglesa da sul-africana e esta da brasileira, apesar das explicações de um batalhão de especialistas que as conseguem topar à légua, sempre antes do primeiro vigia do Serviço Nacional de Saúde as descobrir;
Não distingo um repórter de máscara à porta de um foco de infeção em Pias de um repórter de máscara à porta de um foco de infeção em Ourém, ou no Sátão;
(Chego a desconfiar que é sempre o mesmo e que as estações de TV têm cenários de cartão com várias portas de urgências… a sério!)
Não distingo um avião cinzento a aterrar no Funchal com um doente covid de um avião cinzento a aterrar no Montijo com um recuperado do covid ou uma senhora em trabalho de parto;
Não distingo um corredor do hospital de Santa Maria de um corredor de Hospital de São João, nem uma maca dos Bombeiros da Chamusca com um doente covid de uma maca dos Bombeiros de Chaves com um corpo coberto com folha de alumínio, mas vossas excelências conseguem.
Tudo isto após quase um ano de lições dadas por teletrabalho, nas vossas telescolas!
Louvo e agradeço o vosso esforço.
Vou, com certeza, reprovar na cadeira de boa informação que magistralmente ministraram e ministram.
Serei, porventura o único.
Por isso, e dado o sucesso que obtiveram, na medida em que apenas eu (e o meu gato, que dorme todo o dia) me declaro publicamente impenetrável às vossas doutas explicações, gráficos, repetições à matéria dada, vos desejo a continuação do vosso trabalho e do vosso método de ensino, assim o vírus vos ajude.
Agradeço-vos terem ressuscitado as aulas de geografia da extinta escola primária do antigo regime, onde fui obrigado a decorar os rios, com afluentes, linhas de caminhos de ferro e ramais com estações e apeadeiros.
Com a vossa preciosa ajuda fiquei a conhecer agora, e graças a vós, repito, a insuspeita rede de lares do país, as portas dos hospitais, os modelos de ambulâncias, de macas, de máscaras, as especialidades de intensivistas, epidemiologistas, virologistas que felizmente zelam por nós contra os alarmistas, os deitabaixistas, os aimeudeusistas que só neste país, contra os rostos patibulares dos comentaristas skypistas, de brincos nas orelhas e olhos esbugalhados.
Excelentíssimos diretores de informação, garante umas das vossas estações de alarme, em rodapé, que estão aí por mim, outras que por mim darão tudo, outras piscam: Alerta! Outras ainda iluminam o ecrã com Última Hora.
Quanto vos agradeço e quanto vos devo.
Sei de cor quantos internados, quantas camas, quantas altas, quantas baixas, quantos óbitos ocorreram.
É claro que podiam vossas excelências ir um pouco mais longe, informar os graus de febre média, o número de ataques de tosse dos doentes, os ais, podiam entrevistar doentes entubados, gostaríamos de apreciar uns pulmões afetados, com o devido aviso de poder impressionar espetadores mais sensíveis, claro.
E o pessoal hospitalar podia dar mais entrevistas, eles não estão nos hospitais para outra coisa, à semelhança dos seus chefes de ordens e sindicatos. Ou isto é um reality show, ou não há liberdade de informação e reina a lei da rolha!
A sério, não percebendo eu nada da pandemia, e tendo vós tanto saber acumulado, porque não fazemos um negócio:
eu vou falar do que não sei para as TV;
e vossas excelências, com os esclarecidíssimos pivôs, pivôas e repórteres vão para o Ministério da Saúde, para os Hospitais, para os lares, para as urgências, para os laboratórios fazer o que as bestas que lá estão não conseguem fazer e que se está mesmo a ver que devia ter sido feito.
Carlos Matos Gomes
(animador cultural em fim da carreira)
55
14 comments
8 shares
Like

Comment
Share
Comments
View previous comments

UM MIMO PARA O DIA DE NAMORADOS CONFINADO

Views: 0

Este amigo nunca mais foi visto…. 😁
May be a meme of text that says "PREPAREI A ÁGUA, A ESPUMA, TUDO TENTANDO SER ROMÂNTICO... ...MAS ELA NUNCA FICA CONTENTE"
42
1 comment
Like

 

Comment
Comments

Chrys Chrystello lê-nos, com a perfeição de quem sente e ama, um excerto do primeiro volume da trilogia «Relação de bordo», de Cristóvão de Aguiar

Views: 0

As nossas leituras
N.º 132
Chrys Chrystello lê-nos, com a perfeição de quem sente e ama, um excerto do primeiro volume da trilogia «Relação de bordo», de Cristóvão de Aguiar, o açoriano do mundo que faz das letras o barco onde navega escrevendo o seu diário de bordo, relatando a sua singradura na vida portuguesa — e nas vidas portuguesas.
Neste trecho, o narrador leva-nos para dentro de um cenário psicológico que, apesar dos trinta e três anos que o separam dos nossos dias, nos lembra logo veleidades atuais. “A poesia virou carraça em pelo de cadelinha”, não há dúvida de que a febre da carraça é contagiosa.
Neste mundo tão alucinante como absurdo em que até o comboio transporta o desprezo, eis que chega a saudade, essa “ilha rodeada de ti”, e a própria declamação acompanha a imagem que se busca, porque “o amor não se cansa”.
João Nuno Azambuja
[Biografia: J. Chrys Chrystello nasceu em 1949,. É um cidadão australiano que não só acredita em multiculturalismo, como é disso um exemplo. De 1967 até hoje dedicou-se ao jornalismo (rádio, televisão e imprensa) e desde 1977 à tradução. Tem mais de vinte obras publicadas desde 1972 em poesia, ensaio político e crónicas. Divulgou desde 1985 a descoberta na Austrália de vestígios da chegada dos Portugueses (1521-1525, mais de 250 anos antes do capitão Cook) e difundiu a existência de tribos aborígenes falando Crioulo Português (há quatro séculos).
Lecionou Linguística e Estudos Multiculturais a candidatos a tradutores e intérpretes em Sidney, na UTS (Universidade de Tecnologia de Sidney). Foi Assessor de Literatura Portuguesa do Australia Council, na UTS (1999-2005). Foi Mentor dos finalistas de Literatura da ACL (Association for Computational Linguistics, Information Technology Research Institute) da Universidade de Brighton, no Reino Unido (2000-2012). Foi Revisor (Translation Studies Department) da Universidade de Helsínquia (2005-2012). Foi Consultor do Programa REMA, da Universidade dos Açores (2008 a 2012). É Académico (Correspondente da AGLP (Academia Galega da Língua Portuguesa). É também Editor dos Cadernos (de Estudos) Açorianos da AICL, publicação online. Preside, desde 2010, à Direção da Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia. Desde 2001-2002 organiza os Colóquios da Lusofonia (trinta edições, duas ao ano) que editaram várias antologias de autores açorianos contemporâneos, muitos deles traduzidos por si para inglês. Em 2019 foi nomeado Vice-Presidente de PPdM para a Oceânia do Movimento Poetas do Mundo e nomeado membro do Pen International (Açores).]
Iniciativa com o apoio institucional da UCCLA.
0:29 / 2:53
Like

 

Comment
Share

Cafés e restaurantes deverão manter-se fechados até fim de abril – O Jornal Económico

Views: 0

Segundo o “Correio da Manhã”, o Governo prevê que o confinamento geral dure até ao final de fevereiro e que, a partir de março, possa haver já um aligeiramento das medidas, mas o desconfinamento só acontecerá depois da Páscoa.

Source: Cafés e restaurantes deverão manter-se fechados até fim de abril – O Jornal Económico

os 4 moscateiros (Terceira) ANTÓNIO BULCÃO

Views: 0

Os 4 moscateiros
O karaoke deu palco aos desafinados. Cada desafinado sente-se estrela quando escolhe a sua canção no menu, agarra o microfone e vai soletrando a letra que aparece no ecrã, tentando acertar nas notas, sem consciência de que está a cantar uma coisa totalmente diferente do original.
Mas é, de certa forma, a democratização da performance musical. Quem afina, canta para públicos, quem desafina canta para os amigos, até para desconhecidos, imaginando-se Tina Turner ou Bruce Springsteen quando geme que é simplesmente the best ou dança in the dark.
O facebook e outras redes sociais abriram espaço para a opinião. Noutros tempos, quem sabia escrever produzia livros, publicava artigos nos jornais. Hoje o que não falta é gente que sabe muita coisa e quer partilhar o seu ponto de vista com toda a gente.
Mas, pode-se dizer, é a liberdade de expressão no seu expoente máximo. Com erros ortográficos, com opiniões muitas vezes sem sentido ou mesmo ofensivas para a honra e consideração de terceiros, lá vai mais um post, dentro de caixinha, fora de caixinha, a cores ou a preto e branco. Depois é só esperar likes, comentários, carinhas a rir, outras furiosas.
Quem gosta de escrever geralmente publica num jornal a sua opinião. E muitas das opiniões que enchem o facebook dificilmente seriam aceites na mais humilde redação.
Ao longo dos anos, sobretudo depois do 25 de Abril, muitos foram os articulistas a deixarem a sua marca nos jornais açorianos. Mas, a partir de certa altura, começaram a surgir escribas ligados aos partidos, produzindo em geral artigos sem grande sabor, sendo que toda a gente já sabia, pela assinatura, o conteúdo dos mesmos.
Mas, depois das eleições de outubro do ano passado, assistimos a uma nova moda: os deputados do PS, eleitos pela Terceira, decidiram começar a escrever todas as semanas. Dividindo pastas entre eles, Educação para o professor, Saúde para o enfermeiro, problemas sociais para a empresária sobretudo dedicada à política na maior parte da sua vida activa e bordoada geral para o que, não fosse a política, estaria desempregado.
Tudo estaria bem se, antes de entrarem para a vida política, ou até depois, enquanto o PS foi governo, tivessem povoado as páginas dos jornais. Seria apenas, nesse caso, a continuação de uma actividade cívica que é sempre louvável – participar na vida colectiva destas ilhas, dar a sua opinião, discutir em praça pública o seu ponto de vista.
Só que não foi o caso. Não me lembro de nenhum escrito assinado pelo especialista em saúde e, muito menos, do expert em educação, sendo que os dois restantes só muito esporadicamente apareceram nestas páginas. Perguntei-lhes, há semanas, o que querem com esta invasão. Nenhum me respondeu.
Tiro, então, as minhas conclusões. Ou antes não sabiam escrever. Ou sabiam, mas não tinham ideias. Vêm agora defender tudo o que podiam ter feito enquanto foram poder e malhar nos que querem governar. Chamam-lhe… oposição. Mas não pensem que as pessoas são tolas. Porque não são.
Ninguém julgue, no entanto, que preferiria deixassem de escrever. Que passei a ser contra a liberdade de expressão. Muito pelo contrário. Porque a vossa fraca escrita e a vossa ausência de ideias dificilmente convencerão alguém. Falta-vos a forma, para além da substância.
E se apenas conseguis escrever enquanto oposição… que nunca mais parem.
António Bulcão
(publicada hoje no Diário Insular)
20
1 comment
1 share
Like

Comment
Share
Comments
  • E é assim que se escreve, é assim que se mostram factos. Uma boa argumentação, com cabeça e conhecimento.
    Só podia ser o Professor Bulcão!
    Quem fala/escreve assim não é gago!!

Governo dos Açores vai reduzir IVA em 50% em 2021 – Jornal Açores 9

Views: 0

“Ficámos a saber que há a intenção, já este ano, de haver um desagravamento fiscal em matéria do IVA em 50%, relativamente ao segundo semestre deste ano. Já em 2022 haverá uma redução fiscal de 10%, o que vai até ao limite máximo permitido por lei de 30% [em relação aos valores praticados no país]”, […]

Source: Governo dos Açores vai reduzir IVA em 50% em 2021 – Jornal Açores 9

Governo dos Açores não concede tolerância de ponto no Carnaval – Jornal Açores 9

Views: 0

O Governo Regional dos Açores decidiu que não irá dar tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval, dia 16 de fevereiro, devido à situação da pandemia de covid-19, foi hoje revelado. “O Governo dos Açores, reunido em Conselho de Governo esta manhã, e considerando a situação pandémica que se atravessa, decidiu não conceder tolerância de […]

Source: Governo dos Açores não concede tolerância de ponto no Carnaval – Jornal Açores 9