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Arquivo mensal: Setembro 2020
O HOMEM QUE NOS QUER MASCARAR
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E aqui está o rosto de quem nos quer a todos de máscara na cara…onde quer que seja!
Hoje, ficamos a saber (SIC Notícias, cerca das 22H) que se vier a obrigatoriedade da máscara em todo o lado…este é um dos grandes fomentadores, segundo ele próprio.
Shor Dr. Filipe Froes…especialista, aparentemente, em Surf…fala muito de ondas…devem ser do mar, penso eu…desconheço a origem da fixação por tais ondas.
Por outro lado, utiliza frases como “temos que ir atrás dos assintomaticos”…não sei ao certo o que quer dizer com isto…mas, a mim, parece uma ameaça.
Fala em “cerrar fileiras” e “aguentar até à vacina”…já percebem agora onde isto vai?
Gostava de ver o mesmo “tempo de antena” disponibilizado aos “Médicos pela verdade”.
Penso que é pedir demais 🙂 ainda acordavam mais uns quantos…e colocavam em risco toda a operação.
NA CUF SE NÃO TEM COVID NÃO TRATAMOS
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Boa noite a todos!
Ao que ISTO chegou… 😪😪😪
Há 3 dias que estou doente.
Dores de garganta, tosse, dificuldade respiratória, espirros, muito corrimento nasal, dores no peito, dores de cabeça. Tudo fortes indicadores de Covid…
Mas eu sabia que não era. Como doente de risco (!?), tenho saído muito pouco e tomado precauções quando saio. Pensava tratar-se de mais uma pneumonia pois, apesar de vacinada, tenho tido 3 vezes ou mais por ano. Liguei para a Cuf Cascais, para saber se me podia deslocar às urgências com os sintomas que tinha. Informei que sou doente crónica de pneumologia e alergologia. Foi-me dito que sem teste de Covid não poderia entrar. Só na Cuf Infante Santo!!!
Moro em Cascais. Sou “cliente” assídua da Cuf Cascais, têm lá N processos de N maleitas de que padeço. Nem assim, sem teste de Covid, nada feito…
Ontem, depois de inúmeras tentativas, lá consegui uma vaga para fazer o teste às 17h, no Centro de Congressos no Estoril. Entretanto fiz uma consulta telefónica com um médico da Médis, que me mandou a prescrição por e-mail. Devido às suspeita de infecção, ou pneumonia, a prescrição pedia a máxima urgência na entrega do resultado. Devido ao exponencial aumento de casos, o prazo de entrega agora é entre 24/48h.
Hoje às 14h recebi o resultado do teste. Menos de 24h depois. Obrigada ao pessoal do Germano de Sousa!
O resultado foi, como eu sempre soube, negativo!
Saí logo de seguida para as urgências da Cuf Cascais.
Na triagem fiz o relato das queixas e apresentei o resultado do teste.
Qual não foi o meu espanto quando me disseram que não podia ser atendida, porque a nova política do hospital era não atender ninguém com as minhas queixas, mesmo com teste negativo! Fiquei parva!
Expliquei que estou doente, sem tratamento há 3 dias e que me tinham dito mais do que uma vez pelo telefone que com o teste seria atendida. Pedi para que visse o meu processo, etc, etc. Vieram 2 médicos à triagem, viram o meu teste, o meu estado e o meu processo em computador. Depois, como se me estivessem a fazer um grande favor, lá concordaram em atender-me.
Tudo isto demorou mais de 30m!
Inacreditável, revoltante, mesmo repugnante!
Como é que um hospital, digno desse nome, se permite recusar tratar um doente?
Ainda por cima, um doente semanal e seu há mais de 10 anos e ainda por cima na posse de um teste com resultado negativo com menos de 24h?
Só posso concluir que está mesmo tudo doido! 😡
Ah e tenho uma infecção grave nos seios perinasais, que se agravou por tratamento tardio…
AÇORES QUEM NÃO TEM COVID FOI ABANDONADO PELA SAÚDE
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Pierre Sousa Lima is with Carlos A César.
A Covid não justifica tudo! (2)
No passado dia onze, este jornal publicou um artigo intitulado “A Covid não justifica tudo!”, no qual me insurgia contra a forma como estão a ser acompanhados os doentes, nesta pandemia, no serviço de Dermatologia/ Oncologia do Hospital do Divino Espírito Santo em Ponta Delgada.
As reacções a este artigo fizeram-se de várias formas, ultrapassando, em muito, o meu imaginável. O assunto é muito mais grave do que relatava neste artigo!
Senti que fui a voz de muitos e muitos doentes que, por esta ou aquela razão, não denunciam, calam-se e sofrem em silêncio, juntando ao seu padecimento a ansiedade, a depressão e o medo. Fazendo sofrer, também, os seus familiares e amigos!
Afinal, o caos não está só instalado na Dermatologia, também, a Urologia, a Oftalmologia, a Cardiologia, a Recuperação Física – Fisioterapia, padecem do mesmo problema e sabe-se lá o que mais! Em Março, com o argumento da Covid-19, os doentes foram simplesmente postos na rua, abandonados à sua sorte, tratados a olho pelo companheiro ou companheira, como me dizia alguém. Não houve o cuidado de se avaliar a condição do doente para promover a ajuda devida. Em alguns casos, até houve contacto telefónico, com promessa de consulta imediata que ainda está por se realizar à presente data. Atitude terrível e desumana, nos dias de hoje, nem aceitável a um animal!
Como se pode abandonar um doente oncológico, cardíaco, ou outro, à sua sorte? Não estamos a infringir as regras da: Boa Ética Médica; da Carta dos Direitos do Doente e Humana?
Agora percebemos porque o Governo Regional dos Açores, em Março, indicou o Hospital do Santo Espírito, na ilha Terceira, como Hospital de Referência à Covid-19, nos Açores. O Hospital de Ponta Delgada estava tecnologicamente parado no século passado por falta de investimento. Facto que a classe médica há muito vinha reivindicando na urgência de se investir, sob pena da população ser prejudicada na sua saúde pública. Por sinal, é só cerca de sessenta por cento da população dos Açores. A provar, foram as obras de urgência, realizadas à pressa, com todos os inconvenien- tes conhecidos, para adaptar e actualizar o hospital às circunstâncias reais!
O Governo Regional dos Açores, neste ano de campanha eleitoral, tem vindo a lançar primeiras pedras no valor de milhões de euros, em obras que afirma estruturantes e precisas, nada me move contra estas obras, no entanto, no estado de AGONIA que está a Saúde Publica na Região, não será mais prioritário investir nesta área em prol do bem estar e da saúde dos Açorianos?
Por favor!… PAREM… meditem nas prioridades e decidam, porque por este caminho estamos a ir para o abismo com muito, mas muito, sofrimento da população Açoriana!
Um POVO doente não é, certamente, um POVO FELIZ!
(Carlos A César – Correio dos Açores de 18/09/2020)

HOLANDESES QUE AMAM OS AÇORES
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www.festivalcordas.com
https://www.facebook.com/AtelierdeKaasfabriek
PIETER & EWOUT ADRIAANS (Guitarras, Holanda / São Jorge)
#pieteradriaans #ewoutadriaans #bluesmusic #musicfestival #cordasworldmusicfestival #atelierdekaasfabriek #saojorgeisland #picoisland #azores
A IGNORÃNCIA DA EDILIDADE DE ESPINHO
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BOA NOITE.
Espinho está de luto.
Ontem morreram às “mãos da moto-serra” dezenas de árvores,😢
JUSTIÇA, JUÍZES CORRUPTOS, ESTAGIÁRIAS CHUMBADAS E…
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ENTÃO, MINISTÉRIO PÚBLICO?
De que está à espera o Ministério Público para prender preventivamente o ex-juiz Rangel e a ex ou actual namorada que se pensava ser advogada estagiária? Os crimes são gravíssimos. Os cerca de 15 acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa foram redigidos por uma pessoa que não pertencia sequer aos quadros de qualquer tribunal, muito menos da Relação de Lisboa, onde o ex-desembargador “trabalhava”…
A dita ex ou actual namorada apresentada como advogada estagiária chumbou nos testes para fazer parte da Ordem dos Advogados. A senhora não faz parte da lista de advogados e de advogados estagiários da Ordem dos Advogados. Este facto ainda é mais grave, porque uma incompetente estagiária que não conseguiu entrar para a Ordem da classe dos advogados, que competência tinha para escrever um acórdão judicial de um Tribunal da Relação de Lisboa onde o Direito tem de ser tratado e analisado por altos magistrados e, por isso, chegaram a desembargadores?
O ex-juiz é acusado de crimes de corrupção e de abuso na prática da justiça e de deturpação da ética a que era obrigado por via do estatuto de juiz desembargador.
A senhora advogada estagiária, que não o é, teve o desplante de aceitar um trabalho que sabia de antemão ser ilegal e não ter competência para tal.
15 acórdãos envolvem muita gente que esteve em causa nos processos judiciais e que ao serem cometidos os crimes que o Ministério Público investigou e que vieram a público, obrigava a que fosse imediatamente dada ordem de prisão preventiva ao ex-juiz e à advogada estagiária, que não o é.
Não pode haver duas medidas diferentes quando se trata de crimes gravíssimos. O Ministério Público e a Polícia Judiciária têm de se lembrar do que fizeram a José Sócrates e neste caso em causa do Tribunal da Relação de Lisboa a gravidade é a mesma ou maior. Ou estamos a brincar à justiça?…
DO CAIS DO PETER’S – FAIAL
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oão Silveira posted in 2 groups.

Da esplanada do Peter…
Vejo nesta longa praia da baía da Horta Joss Van Huerter, o primeiro capitão-donatário do Faial, desembarcar pela primeira vez. Apaixonou-se por esta ilha, o Faial, pela sua beleza e pelo seu enquadramento: o longo dragão à esquerda, a ilha de S. Jorge, e a montanha perfeita, em frente, a ilha do Pico.
Vejo as caravelas portuguesas a navegarem rumo à capital do reino, Lisboa, vindas do Brasil, da África e da Índia, carregadas de ouro, marfim e especiarias. Vejo navios de piratas a espreitar para se apoderarem destas riquezas.
Vejo naus carregando para exportação, trigo, pastel, urzela, laranjas e muito vinho. Algum deste vinho, o verdelho, vai chegar às cortes russas.
Vejo todas aquelas baleeiras a navegarem para sul, a caminho do Pacífico, numa viagem de 3 a 4 anos, até voltarem a New Bedford, levando muitos açorianos a bordo, que irão assim concretizar o sonho americano. Alguns baleeiros disseram ter visto numa das suas viagens um cachalote branco, a que chamaram Moby Dick.
Vejo no canal vários navios vindos de França, com destino aos Estados Unidos, transportando um presente ainda desmontado, que dizem ser uma enorme mulher, chamada “Liberdade”.
Vejo ali navios dos cabos submarinos, que nos vão ligar a todo o mundo através de mensagens em “morse”, naquela que será a primeira ligação telegráfica do Atlântico.
Vejo o iate “Princess Alice”, com o Principe Albert I do Mónaco a bordo, que veio fazer várias expedições oceanográficas, e ajudar a construir o primeiro observatório meteorológico dos Açores, na Horta.
Vejo ali ao fundo, no canto sul do porto, no edifício redondo, carregar carvão para os navios a vapor que na Primeira Guerra Mundial aqui vieram abastecer-se e fazer reparações.
Vejo o hidroavião “NC-4”, pilotado pelo comandante Albert C. Read, a fazer a primeira travessia aérea transatlântica, e outros “clippers” da Pan America e da Lufthansa a amarar nas águas do porto.
Vejo, a navegarem em direção a Norte, centenas de navios e embarcações de todo o tipo, cujas tripulações tiveram no porto da Horta os últimos momentos de paz, pois iam para a guerra libertar a Europa, na Segunda Guerra Mundial.
Vejo os rebocadores holandeses da “Smith Tug”, os mais potentes do mundo, no meio do porto, prontos a socorrerem os navios em apuros. As suas tripulações ofereceram a tinta azul para pintar a fachada do “Café Sport”.
Vejo a subir a rampa de varagem o jeep-anfíbio “Half-safe” de Ben Carlin, o primeiro veículo anfíbio a dar a volta ao mundo por terra e por mar.
Lá muito ao longe, ainda vejo o veleiro “Spray” do capitão Joshua Slocum, o primeiro homem a dar a volta ao Mundo em solitário.
Vejo o iate de Alain Gerbault, o primeiro francês a dar a volta ao Mundo em solitário.
Vejo o Marcel Bardiaux, a primeira pessoa a dar a volta ao Mundo em solitário, no sentido contrário dos ventos.
Vejo Francis Chichester, o primeiro homem em solitário, a dar a volta ao Mundo só com uma escala.
Vejo Robin Knox-Johnston, o primeiro navegador em solitário a dar a volta ao Mundo, sem escalas, em 312 dias.
Vejo a bordo do seu iate “Vertue XXXV”, Humphrey Barton, fundador de um grande clube de navegadores aventureiros, o Ocean Cruising Club (OCC).
Vejo o grande navegador Éric Tabarly no seu iate “Pen Duik”.
Vejo e ouço o Jacques Brel a tocar violão no seu iate “AsKoy II”.
Vejo no canal um grupo de iates de competição, neles vão: Loick Peyron, Michel Malinovsky, Philippe Poupon, Olivier de Kersauson, Vincent Riou, Jean le Cam, Bernard Stamm, Alex Thompson, Alessandro di Benedetto, Geovani Soldini, Florance Arthaud, a “namoradinha do Atlântico”, e Francis Joyon no seu trimaran a dar a volta ao mundo em 40 dias.
Vejo a navegarem à vela no porto, várias das mais elegantes embarcações do mundo, os botes baleeiros açorianos.
Vejo por fim os milhares de aventureiros, navegadores e iatistas que ao longo dos anos foram passando por este porto, fazendo amizades e criando alegria e história com os três Azevedos do Peter Café Sport: o Henrique, o José (Peter) e o José Henrique.
A todos os que já aqui vieram e aos que estão para vir, brindo com um Gin do Mar e faço votos para que o porto da Horta, a ilha do Faial e as suas gentes, continuem a ser um porto de abrigo!
Bons ventos!
Setembro de 2020
José Henrique Azevedo
Impossible Ancient Stone Work In Peru That Proves They Melted, Shaped and Fitted Huge Blocks Perfect – YouTube
alastra a pandemia de medo e manipulação estatística
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O que falta explicar é porque há um aumento grande de casos e uma diminuição substancial de doentes e de doentes graves. A rigor é preciso ler quase no fim dos artigos que num lar onde há “80 infectados!!!”, todos doentes de risco, na sua maioria com 90 anos, lê-se que são 80 positivos, dos quais 70 assintomáticos, e 2 estáveis. Ou num surto numa escola há “70 alunos em casa!” – 1 tem sintomas ligeiros, 69 estão sem sintomas. Há qualquer coisa que não bate certo.
Sempre fui a favor de cuidado, na dúvida. Não pertenço ao grupo dos negacionistas nem dos conspirativistas. Proteger os mais frágeis é urgente (que continuam sem ser protegidos). Mas a forma de dar estes números é já um estudo de caso do jornalismo. Nada disto faz sentido, está criado um clima de susto e pavor que obstaculiza uma reflexão de um problema complexo.
as ditaduras começaram assim (covid exagero)
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Eu tenho 5 filhos! Estava no café do pingo doce, com 3 dos meus filhos, eu e meu marido. (Estávamos a lanchar). Derrepente chegou o segurança e mandou levantar um dos membros, pois éramos mais de 4. O que fazer? Vamos ter que morar em casas separadas por este andar! Tudo isto está sendo ridículo!….
COVID FRAUDE?
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Vivo em FRANÇA na quarta maior cidade: Toulouse. Em julho Dirijo-me às urgências do hospital com muita fraqueza, nem me segurava de pé, foi o meu marido q me levou. Como tenho problemas de ferritina baixa, provavelmente era esse o problema pois passou assim que comecei a tomar o suplemento de ferro. No hospital q estava VAZIO disseram-me “va pra casa que o hospita está aberto apenas a utentes com covid 19.” Ao que eu perguntei “e onde estão os “covideiros”? É q o hospital está vazio!! Nao querem trabalhar? Vao pra casa, nao precisam estar aqui a encher monte. Ou estão à espera de mortos pra assinar como morreram com a covigarice?!” Saí de la pior ainda q qdo entrei!” E assim está esta palhaçada por todo o mundo. Podemos morrer todos de todas as doenças e mais algumas mas se entramos com o covid num hospital somos tratados como reis! Enfim.. estou viva!
memórias de SANTA MARIA
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Rosélio Reis is with Isabel Biscaia.
António Biscaia Antunes
Numa das minhas visitas a Lisboa estive com a Isabel Biscaia. Já a conhecia de longa data, através do Facebook e, anteriormente, pessoalmente. Recordo-me de a ter visto mas sem nunca a ter abordado. É uma mariense por acidente. Nasceu na Ilha porque o pai era funcionário do aeroporto de Santa Maria, um dos primeiros e mais antigos. E viveu por cá até aos 14 anos de idade, tendo depois ido viver para Lisboa. Nunca mais voltou. Mas nunca enjeitou o facto de ser cem por cento mariense. Continua com a ilha no coração e adora-a muito mais do que pessoas que por aqui vivem .
Já desisti de insistir para, um dia, nos vir visitar. Vontade tem ela. Mas a saúde, diz, já não o permite. Aliás, seria um erro. Melhor será manter a recordação que tem do lugar onde viveu do que atualizar esse conhecimento. Porque, na realidade, até a casa onde morou já desapareceu do mapa. O quintalinho onde o pai colhia os seus morangos virou mato. E o parque infantil onde passou momentos felizes da sua vida, que tinha a senhora Fernanda como vigilante e cuidadora, também virou mato, onde o silvado está a tomar conta de tudo.
Mas a Isabel mostrou-me umas folhas A4 com as memórias do pai, António Biscaia Antunes. Ele mesmo as escreveu e a Isabel complementou. Escreveu um livro que nunca chegou a ser publicado. Eu li e gostei. A intenção seria ficar como recordação para os seus descendentes. Mas um livro é um livro. E, neste caso, há aqui, nestas cento e oitenta e tal páginas A5, muita informação sobre a sua vida na ilha, onde viriam a nascer as suas duas filhas, que até poderia interessar aos estudiosos da nossa memória comum.
António Biscaia Antunes nasceu em 1925 no Alto Alentejo. Faltavam-lhe sete dias para os dois anos de idade quando a mãe lhe faleceu. Foi viver com o pai e irmãos para Lisboa na Rua do Telhal.
Depois de narrar como foi a sua infância em Lisboa, cheia de histórias engraçadas, fala do seu primeiro emprego na Emissora Nacional, onde conheceu alguns colegas que viria a encontrar em Santa Maria. Foi neste emprego que começou a desenvolver o gosto e o alto conhecimento da tecnologia em geral, que lhe viria a ser muito útil mais tarde.
Em fins de Julho de 1946 foi a uma entrevista de emprego com o Eng.º Victor Veres, que tinha sido colocado recentemente no Secretariado da Aeronáutica Civil, cujo Diretor era o General Humberto Delgado. Ele também tinha estado na Emissora Nacional e sabia que havia ali pessoal excelente para trabalhar num aeroporto, que estavam a tentar equipar com pessoal classificado. O emprego que lhe ofereceram era para trabalhar com “umas máquinas que escreviam à distância” que se chamavam teletipos.
De seguida, o Eng.º Victor Veres levou-o ao aeroporto de Lisboa para encontrar-se com um sargento americano que lhe deu algumas luzes sobre o que seriam aquelas máquinas. Ficou entusiasmado e mais ainda com o ordenado e condições de trabalho oferecidas à partida, que era cerca de 50% superior ao que tinha na Emissora Nacional.
Em 20 de Agosto de 1946, logo após a entrega do aeroporto de Santa Maria às autoridades portuguesas, sai de Lisboa rumo à ilha num Dakota do S.A.C.. Ia a bordo o pessoal que, segundo o jornal “Diário de Notícias” que transcrevo, fazia parte da “nova brigada de pessoal técnico para o apetrechamento do aeroporto, que era constituída por: José Pinto Peixoto, engenheiro meteorologista; Emídio Guerra e Silva, observador meteorologista; António Biscaia Antunes e Mário Nunes Resende, rádio-mecânicos; José Ferreira Gaspar, Ernesto Almeida Neto e José Morais Ribeiro Fonseca, radiotelegrafistas; e Horácio Vieira Januário, controlador de área.”
A primeira impressão que teve quando aterrou foi de ser tudo da cor verde militar. Eram as barracas do acampamento militar americano. O senhor Biscaia relata neste livro todas as peripécias por que passou, inclusivé a falta de farinha para fazer pão, o que o fez comer muitas “bolachas capitão”, rijas de trincar. Fala de várias situações mais perigosas por que passou, do furacão que impediu a inauguração na data prevista (5 de Outubro de 1946) do aeroporto de Santa Maria como Aeroporto Comercial. Os ventos superiores a 200 km/hora devastaram a aerogare, tendo até sido arrastado pela ventania o próprio anemómetro, o que impediu a leitura correta das rajadas do vento. Fala também do incêndio que lhe consumiu a habitação. Fala de serviços mais considerados de “proteção civil” que prestou, passando pelo encalhe do navio “Arnel”, dos apoios à navegação aérea que conseguiu prestar, tirando partido das tecnologias então disponíveis. Note-se que foi também um dos criadores da Estação Emissora CSB 81 do Clube Asas do Atlântico. E durante muitos anos foi um dos sócios mais eficientes daquela estação de radiodifusão. Fala dos amigos que fez e com quem passou muitos dos momentos livres em Santa Maria, da Praia, de S. Lourenço, da Maia, dos Anjos e da Cagarra, dos primeiros acampamentos à beira mar e do nascimento da pousada e das barracas na Praia, que podiam ser alugadas, a preços módicos, pelos funcionários do aeroporto. Tudo apresentado sem grande emproamento mas com a timidez que sobressai de toda a narrativa e sempre acompanhando o texto com as fotografias, já raras, dessa época. Mas também refere alguns acontecimentos mais engraçados que por cá assistiu, incluindo a apresentação da peça “Inês de Castro”, que misturava cenas de outro século com cenas e guarda-roupa mais apropriadas do século XX.
Mas, muito além de ter sido aqui um funcionário extremamente qualificado, e tirando partido do seu aspeto franzino, o que o adaptava para papéis de menino de escola, integrou uma revista de Lopes de Araújo que fez um enorme sucesso Estou a falar da revista “Estás-te consolando”. Mas também colaborou nas gincanas de automóveis e de burros, em que tudo servia para dar alegria à vida. Os carros eram velhas carroças. (Quem é que tinha dinheiro para carros novos?) Mas, em contraste, eximiam-se na contagem dos tempos com as mais modernas máquinas de calcular “Facit”… Fazia parte do espetáculo!
Foi um tempo muito diferente que se viveu nesta ilha. Está quase tudo retratado neste livro que escreveu mas que a família não pretende disponibilizar a quem se queira inteirar de como era a vida em Santa Maria naqueles tempos.
Pode ser que, com alguma insistência do pessoal que ler este artigo, se consiga alterar esta situação.
O senhor António Biscaia Antunes faleceu em 29 de Julho de 2006, com 81 anos de idade.


saudades dos tempos
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hoje falta o primeiro sinal de uma civilização
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Certa vez, um aluno perguntou à antropóloga Margaret Mead o que ela considerava ser o primeiro sinal de civilização em uma cultura. O aluno esperava que a antropóloga falasse a respeito de anzóis, panelas de barro ou pedras de amolar. Mas não. Mead disse que o primeiro sinal de civilização numa cultura antiga era a evidência de alguém com um fêmur (osso da coxa) quebrado e cicatrizado.
Margaret Mead explicou que no reino animal, se você quebrar a perna, morre. Você não pode correr do perigo, ir até o rio para beber água ou caçar comida. Você é carne fresca para os predadores e nenhum animal sobrevive a uma perna quebrada por tempo suficiente para o osso sarar. Um fêmur quebrado que cicatrizou é evidência de que alguém empregou tempo para ficar com aquele que caiu, tratou da ferida, levou a pessoa à segurança e cuidou dela até que se recuperasse. “Ajudar alguém durante a dificuldade é onde a civilização começa”, disse Mead.
Civilização é ajuda comunitária. Sejamos civilizados, mesmo não fazendo parte dos grupos de risco. 🤔 #historiaoculta #historia #civilização #antropologia #sociologia

