ANTÓNIO BULCÃO, O SENHOR MORTO

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O Senhor Morto
O Senhor Morto estava dentro de uma caixa de vidro. Para que todos pudéssemos ver que estava ali e que estava morto.
Era a imagem que mais me impressionava, na Igreja da Matriz. Todas as outras estátuas tinham os olhos abertos e estavam de pé. Anjos com asas e santos com cajados para se aguentarem melhor nos altares, Santa Cecília com uma harpa, para lembrar ser a padroeira da Música. Só o Senhor Morto estava deitado, com os olhos fechados.
Muito estranho, para uma criança, ver um Senhor que estava morto, na base do terceiro altar a contar da entrada, e ver o mesmo Senhor vivo noutros altares.
Ainda mais estranho na Páscoa. O Senhor Morto ia dar um passeio à Sexta-Feira, num cortejo chamado procissão. Depois voltava para a sua caixa de vidro. Mas eu esperava que ele ressuscitasse no Domingo. Era assim que estava previsto, que estava nos livros da catequese e nos sermões do padre.
A igreja inteira a cantar “ressuscitou, ressuscitou” e eu a vê-lo morto ao meu lado.
Depois meti na cabeça: aquele Senhor podia estar vivo e morto ao mesmo tempo. Por isso é que se chamava Nosso Senhor. Estava por todo o lado, quer estivesse vivo, quer estivesse morto.
Pai: que saudades desse tempo dos calções curtos, a entrar na igreja pela tua mão. Foste-te fez há pouco vinte anos, por isso tenho de te contar como as coisas andam por aqui.
Estou trancado em casa há um mês, pai. Por causa de um vírus chamado corona, que começou num mercado de uma cidade chinesa o ano passado. Sempre desconfiei de malta que come ratos e baratas. Desta vez parece que foram morcegos.
Claro que eles poderão desconfiar de nós, que comemos lapas. Mas eu cá acho que é muito diferente. A lapa é um animal limpinho, sempre ali na água, até se mama com o mar a escorrer da casca, se for mansa e apanhada no calhau. Já uma barata é coisa bem diferente. Fico arrepiado com aquele estalo que dão quando lhes meto o pé em cima, nem quero imaginar o que seria trancar uma pela goela abaixo, mesmo que fosse frita.
Mas pronto, a doença começou ali, e toda a malta esperava que por ali ficasse. Víamos as notícias que chegavam de lá e pensávamos que aquilo era coisa dos chineses. O médico que denunciou morreu a ficámos mais assustados. Um rapaz novo, médico ainda por cima, morrer de um vírus, era mais sério do que julgávamos.
Não ficou pela China. Foi para Itália e depois para todo o Mundo. E chegou à ilha.
Havia o rumor de que um terceirense tinha regressado de Itália e era suspeito. Na primeira aula da manhã um aluno confirmou. Disse de que freguesia era e que tinha andado a ver bailinhos no salão da mesma. Na segunda aula da manhã uma aluna disse que era o primo dela. Ficámos à espera do teste. Deu negativo. Respirámos fundo.
Mas por poucos dias. Ao primeiro caso positivo, entrámos em alerta, depois em contingência, depois em emergência. A escola já tinha fechado logo no alerta.
Meti-me logo em casa. Por ter pisado muitos riscos ao longo da vida, pertenço ao grupo de risco. E aqui estou, faz hoje precisamente um mês. Em todos os canais os mortos sobem no Mundo, ainda mais os infectados.
Espero a fase de mitigação numa casa à beira-mar. Sou um privilegiado por poder apanhar sol no alpendre. Não sei o que significará ficar em casa para quem partilha o mesmo quarto com mais oito pessoas em Bombaim. Como não imagino o que quer dizer ficar em casa para um sem-abrigo em Lisboa. Apesar de o primeiro a morrer em Portugal tenha sido o maior do banco onde guardo alguns cêntimos…
Estamos todos mortos, pai, só que não tínhamos reparado. Como o Senhor Morto, parecendo vivo num lado, morto dentro de uma caixa de vidro no outro. O grande José viu-nos todos cegos, no seu Ensaio. O que não escreveria hoje? Afinal não estamos apenas todos cegos. Estamos mortos.
Talvez ressuscitemos. Talvez saiamos da caixa de vidro. Mas que tenhamos aprendido a lição. É só o que peço. E espero.
António Bulcão

COVID 19 TAXAS DE MORTALIDADE

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Assim vai o mundo

1 – Taxas brutas de mortalidade (cumulativa) a 15-4-2020

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  • Antonio Gomes Obrigado, compº. Contudo, em vez de taxa de mortalidade, não deveria ser taxa de letalidade? Ou o nº de casos, por não ser rigoroso, não é bom indicador?
    • Carlos Ramalheira Antonio Gomes caro comp°., de facto a estatística mais confiável, nesta fase evolutiva da epidemia, nomeadamente pela razão que refere, de poder haver diferentes proporções de doentes detectados em cada país, é a taxa de mortalidade.
      Nas fases iniciai…See more
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ANTERO A HOMENAGEM QUE NUNCA FOI FEITA

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Tomás Quental

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A homenagem que nunca foi prestada nos Açores a Antero de Quental

Os Açores nunca souberam ou não quiseram homenagear condignamente o maior de todos os açorianos: Antero de Quental. Mas outros souberam e fizeram, para vergonha das instituições açorianas. Vila do Conde, onde Antero de Quental viveu durante dez anos e onde produziu uma parte muito importante da sua obra poética, transformou a sua antiga residência em “Casa Antero de Quental”, que, além de recordar esse facto, funciona como centro de estudos anterianos, decorrendo com alguma frequência conferências e outras iniciativas culturais. O elevado montante que a Câmara Municipal de Ponta Delgada pagou ao mais famoso arquitecto brasileiro pelo projecto de um Museu de Arte Contemporânea que nunca foi construído daria – e ainda sobrava – para criar uma “Casa Antero de Quental”, que também poderia funcionar como repositório de recordações do poeta-filósofo e como centro de estudos anterianos. A memória de Antero de Quental merecia mais consideração dos açorianos!

 

VEJA AQUI ALGUMAS INICIATIVAS DA AICL COLÓQUIOS DA LUSOFONIA SOBRE ESTE TEMA
https://coloquios.lusofonias.net/projetos%20aicl/antero.htm
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Mal Amanhados. Novo programa da RTP leva-nos a conhecer o arquipélago dos Açores a partir do sofá

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Estreia já esta quinta-feira, dia 16 de abril, às 21h45 (20h45 nos Açores) e promete ser uma verdadeira odisseia pelos Açores.

Source: Mal Amanhados. Novo programa da RTP leva-nos a conhecer o arquipélago dos Açores a partir do sofá

mais prevaricadores (sempre na Ribª Grande)

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Naturam expelles furca, tamen usque recurret

(mesmo que expulses a natureza com o esteio, ela voltará sempre).

 

João Câmara shared a post.

Por desobediência a ordens de quarentena e isolamento

QUATRO PESSOAS FORAM DETIDAS PELA PSP NOS AÇORES

O Comando Regional dos Açores da PSP deteve três homens na ilha de São Miguel pelo crime de desobediência, por terem violado o isolamento no âmbito do dever geral de recolhimento domiciliário, foi hoje anunciado.
No relatório da atividade diária, a polícia informa que deteve na segunda-feira, em Rabo de Peixe, um homem de 30 anos, pelo “crime de desobediência, em virtude deste não ter respeitado o isolamento nos termos do dever geral de recolhimento domiciliário”, definido por causa da pandemia da covid-19.
As outras duas detenções, nomeadamente de um homem de 24 anos e outro de 26, ocorreram na Ribeira Grande, pelos “crimes de desobediência, em virtude destes não terem respeitado o isolamento nos termos do dever geral de recolhimento domiciliário”.
A PSP refere ainda que foi elaborado, a um homem de 21 anos, na Madalena do Pico, “um processo-crime por desobediência, em virtude deste não ter respeitado a ordem de quarentena no domicílio, imposta pela Autoridade de Saúde Regional.

(LUSA)

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com saudades dos colóquios da lusofonia

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Pedro Paulo Camara shared a memory.

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Quero voltar a Belmonte.
Quero voltar a Centum Cellas.

Um espaço mágico, mesmo aqui ao lado de Belmonte.

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veja o filme aqui CENTUM CELLAS, O MEU MONUMENTO FAVORITO

Pedro Paulo Camara shared a memory.
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Há 1 ano…
Esperando o próximo Colóquio, na companhia destes ilustres amigos.

E hoje já foi dia de moderar um painel!
Parabéns aos oradores José Andrade, Maria João Ruivo, Urbano Bettencourt e ao homenageado Eduíno de Jesus.

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como evitar que os terceirenses saiam à rua

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*** FIQUE EM CASA ***
Agora sim. Na Terceira, terra de bravos, quando se tomam medidas de protecção e vigilância é a valer.
Protejam-se, olhem que o “bicho” pega e não tem corda. Até amanhã.🤣

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  • Carlos A César Cá está uma boa oportunidade de negócio a venda de touros da Terceira para substituir e dar descanso às forças de segurança! Certamente, certificados com a Marca Açores…. Caro amigo, fora de brincadeiras, está com muito humor a foto e o comentário que a acompanha! Abraço.
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    • António Couto Força. Pode ser que se possa “exportar”.Abraço.🤣

juntem-se à Brisa e vão roubar para a estrada,privados querem fazer negócio com a doença

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O escândalo é simples …e lucrativo. O tempo de pandemia é bom para fazer o Estado (os contribuintes) desembolsar boas maquias para os grandes grupos da doença. Este negócio é assim:1) Os Hospitais dos quatro grandes grupos (Lusíadas/United Health,Luz/Fosun, CUF/Mello e Trofa) estão com que…

os insultos infundados e erróneos da TVI

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Daniel Braga
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Depois de um rodapé muito infeliz da TVI – que deve um pedido público de desculpas a Portugal e ao Norte – os números baseados em factos de um bom e sustentado artigo de opinião.

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Bruno Gonçalves

Aquilo que à vista desarmada parece um título ingénuo revela-se, à luz dos dados e da ciência, tanto mentira quanto calunioso.

A TVI decidiu, na edição do jornal da Noite, escrever sobre a relação direta entre a população “mais pobre, envelhecida e menos educada” do país e o número de casos existentes na região Norte.

Como se já não fosse moralmente repugnável estabelecer paralelismo entre a falta de escolaridade, a pobreza (de capital, não do resto) e a idade da população com o fenómeno de propagação de um vírus, a TVI decidiu ignorar os dados e recorrer à mentira para explicar o número de casos infetados com COVID-19 a norte do Mondego.

Felizmente, uma investigação rápida permite apurar a veracidade dos argumentos utilizados.

1) A região Norte é a menos educada do país? Mentira. É a região com maior número de pessoas alfabetizadas em número absoluto – fruto de ser a região com mais pessoas no país -, com uma taxa de analfabetismo de 5% (inferior a quase todas as regiões do país, excepto a área metropolitana de Lisboa e a região autónoma dos Açores).

2) A região Norte é a mais envelhecida do país?
Mentira. O seu índice de longevidade é inferior às regiões Centro, Alentejo e Algarve.

3) A região Norte é a mais pobre do país?
Mentira. Embora a diferença seja abismal para a área metropolitana de Lisboa (à imagem da comparação de todo o país com a área da capital), o poder de compra do Norte é apenas ultrapassado por esta e pela região do Algarve.

4) É no Norte que se encontra a população mais concentrada em lares?
Mentira. A região tem o índice mais baixo de dependência de idosos de Portugal continental.

Como se tudo isto não bastasse, a conclusão deveria ser exatamente a oposta. Fosse a região Norte tudo isto e muito mais, mereceria do Estado uma resposta ainda mais forte no combate ao vírus e uma solidariedade ainda mais presente. Mereceria não apenas mais testes, mais ventiladores e mais cuidados, mas também mais respeito.

Não é possível apregoar solidariedade entre países quando ela não existe entre regiões. O pior analfabetismo não é o de quem não teve hipótese de frequentar a escola – é de quem, por más intenções, renega tudo o que aprendeu para prosseguir uma agenda ignóbil e desrespeitosa.

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