Identificada uma enzima que poderá ser usada como inibidor do novo coronavírus

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o dia 9 de abril foi publicado um estudo na revista científica “Nature”, realizado por cientistas chineses, que identifica a estrutura da principal protease (Mpro) do novo coronavírus. A descoberta poderá ser fundamental na formulação de medicamentos que possam travar a Covid-19.
A Mpro é a enzima-chave do Sars–coV-2, o novo coronavírus, que tem um papel determinante na replicação e transmissão do mesmo. Os cientistas envolvidos nas investigações da Covid-19 pretendem precisamente criar fármacos capazes de deter na origem essas etapas de desenvolvimento do vírus.
No estudo publicado na passada quinta-feira, os investigadores identificaram a estrutura da protease e transformaram-na numa imagem em 3D. Em seguida, analisaram mais de 10 mil compostos com o potencial de inibir a Mpro.
De acordo com os especialistas, durante a experiência foram detetados seis compostos capazes de impedir o funcionamento da enzima e afirmaram que os dados apurados poderão ajudar a identificar medicamentos que possam ser usados para tratar eficazmente a Covid-19 e promover a criação de vacinas de prevenção da doença.
Os resultados estão agora a ser estudados e analisados por esta e mais 300 equipas de investigação no resto do mundo para acelerar o processo.://nit.pt/fit/saude/identificada-enzima-podera-usada-inibidor-do-novo-coronavirus
Uma equipa de investigadores chineses mapeou a estrutura daquela que é considerada a enzima-chave do vírus.

FRANCISCO MADRUGA NO PÓ DOS LIVROS

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No pó dos livros
Dos livros e dos livreiros entre outros ofícios

Fala de Freixo de Espada à Cinta
O Sr. Mesquita, conseguiu ao fim de laboriosas buscas, nesse tempo não havia computadores nem internet, descobrir o sítio onde se vendiam os livros desse autor tão procurado pelos Espanhóis. De seu nome José Saramago, natural da Azinhaga do Ribatejo, prémio Nobel da Literatura e proscrito por um Secretário de Estado da Cultura que sentava as nalgas no Palácio da Ajuda, com a conivência do professor de Boliqueime.
Conseguiu então, O Sr. Mesquita, marcar uma ida do representante da Editorial Caminho a Freixo de Espada à Cinta.
Tudo combinado pelo telefone.
– Então vem quando?
– Vou aí no mês que vem. Faço um desvio quando for de Mogadouro para Moncorvo e desço a Freixo. É rápido.
– Não senhor. Vem, mas fica cá. Faço questão. Eu trato da dormida.
No dia combinado dei entrada na residencial, jantei e preparei a lição do dia seguinte. Saí, dei uma volta pela Vila e parei em frente a um estabelecimento “Supermercado Mesquita”. Espreitei para o interior, iluminado pelo candeeiro estrategicamente colocado em frente à montra, fui identificando os produtos à venda.
Plásticos, mercearia, eletrodomésticos, produtos agrícolas, mas de livros nada.
O material marcado em português e espanhol.
O tempo arrefecia, era novembro e os habitantes estavam em confinamento que amanhã era novo dia. No café em frente, falava-se alto e combinavam-se jeiras para o dia seguinte. Entro, não entro? Não entrei.
Voltei para a Residencial pela rua paralela que ladeava o jardim.
Peguei na chave na receção, subi. Deitei-me em vale de lençóis e adormeci de imediato.
Talvez fosse o único ocupante?
Pela manhã, tratei de dar corda aos sapatos que o dia ia ser longo.
Espreitei pela janela que dava para a praça, era já uma azafama de pessoas, a sair das carreiras.
Depois de aconchegado o estômago, abri o carro, levantei o capot, verifiquei o óleo, espreitei os pneus e passei para a frente a pasta com os catálogos e documentos.
A frente do Supermercado Mesquita, já estava ocupada com toda a panóplia de artigos para venda.
Entrei. Esperei para ser atendido e apresentei-me:
– Tenho um encontro marcado com o Sr. Mesquita, agora às 10.
– Ele disse que esperasse um bocadinho, teve que ir a casa.
Passados alguns minutos, entrou um senhor baixo, careca, todo atarefado. Devia ser o Sr. Mesquita, pensei eu.
– Sr. Mesquita, está aqui o Sr. dos livros do José Saramago.
– Bom dia, como está o Sr. Madruga, dormiu bem?
– Bom dia Sr. Mesquita, prazer em conhecê-lo.
– Vamos ali ao café e conversamos um bocadinho.
Entramos e atacou a fundo:
– Vai um generoso?
Olhei para o relógio. Marcava as dez e trinta.
– Pode ser.
– Este é bom, mas tenho ali um garrafão com generoso para lhe oferecer. Já tem cinco anos, é de estalo.
– Nem pense nisso.
– Até lhe levo a mal.
A conversa iniciou-se com à vontade de quem estava ali para fazer mais um amigo.
– Sabe, eu não percebo nada disto. Nunca li nada, muito menos do Saramago. Mas há por aí uns professores do Ciclo que procuram, algumas pessoas que vêm de fora e claro os Espanhóis. Dantes compravam panos, agora só querem os livros do Saramago. Sabe, Salamanca fica aqui muito perto e até vêm de Zamora. Até já tenho livrarias de Salamanca que me dizem que vêm cá comprar.
– Mas o Sr. Mesquita quer montar uma livraria? Precisa de mobiliário e de alguma arrumação na loja para ter um espaço próprio para os livros. Tem que montar cortinas na montra para o sol não queimar as capas.
– Oh Sr. Madruga eu quero servir os clientes mas tem que ser como está.
– Também serve, o que lhe interessa é ter os livros e vendê-los.
– Então o que me aconselha?
– O Saramago é óbvio. Mas se quer a minha opinião pode colocar também os livros da Alice Vieira, da Coleção Uma Aventura e depois vamos acompanhando as vendas. Se precisar de mais telefona. Combinado?
– Pois então está bem. Vamos ao Supermercado para lhe dar o garrafão.
– E depois como lho devolvo?
– Quando cá voltar novamente.
Despedimo-nos como dois velhos amigos.
Passados alguns dias, ao passar pela receção/faturação em Miguel Bombarda, vi a Domitilia perfeitamente à nora com uma chamada.
– Oh minha Senhora, já lhe disse que queria 6 exemplares do último do José Saramago.
– Eu ouvi. Só lhe estou a perguntar se não quer 12/13?
– Não. O Sr. Mesquita diz que só quer 6.
– Mas olhe que o 12/13 é melhor. Caso não venda devolve.
– A senhora desculpe, mas olhe que estou a falar de Freixo de Espada a Cinta.
– Eu sei, é o novo cliente.
– Mas então veja bem. Já vendemos os 10 livros que vieram, se vendermos mais 6, não é nada mau. Isto é Freixo de Espada a Cinta.
– Estava difícil Domitilia.
– A culpa é tua, metes livros em todo o lado.
– Mas o que é queres, eles não têm culpa de venderem livros em Freixo de Espada a Cinta.
Passados alguns anos fui abrindo as garrafas do “Generoso” do Sr. Mesquita. Aquele era do “bordadeiro” e genuíno.
O garrafão não voltou, mas ficou a ousadia de alguém que não tendo ligação aos livros deu uma preciosa ajuda na divulgação do livro e incentivo à leitura.

MENSAGEM DO FRIGORÍFICO

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A SUPERIORIDADE DOS EUROPEUS DO NORTE E AS MORTES

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a famosa Suécia, da ausência de medidas contra o coronavírus, já vai em 1000 mortos, o que, fazendo a comparação com a situação portuguesa e tendo em conta as respetivas populações, significa o dobro dos mortos.
não está mal para um país tão “evoluído”…

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2008 O NORTE, MIGUEL ESTEVES CARDOSO

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For my Portuguese friends: “O Norte”, por Miguel Esteves Cardoso (cortesia Manuela Correia de Brito).

SET 08

“Primeiro, as verdades.

O Norte é mais Português que Portugal.

As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.

O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela. As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram. Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas.

Mais verdades.

No Norte a comida é melhor. O vinho é melhor. O serviço é melhor. Os preços são mais baixos. Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia. Estas são as verdades do Norte de Portugal.

Mas há uma verdade maior. É que só o Norte existe. O Sul não existe. As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta. Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte. No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista? No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro. Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país. Não haja enganos. Não falam do Norte para separá-lo de Portugal. Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal. Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal. Mas o Norte é onde Portugal começa. Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo. Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte. Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa. Mais ou menos peninsular, ou insular.
É esta a verdade. Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul – falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve – falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.

No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa. O Norte cheira a dinheiro e a alecrim. O asseio não é asséptico – cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade. Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.

O Norte é feminino. O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso. As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos. Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas. São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente. Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial. Só descomposturas, e mimos, e carinhos.

O Norte é a nossa verdade. Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores. Depois percebi. Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o “O Norte”. Defendem o “Norte” em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular – o nome da sua terrinha – para poder pertencer a uma terra maior, é comovente. No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.

O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.

O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm de dizer “Portugal” e “Portugueses”. No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como “Norte”. Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?”

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OSVALDO CABRAL DIÁRIO DA PANDEMIA

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Diário da pandemia

Terça, 7 de Abril – O Governo da República anda desorientado nesta crise pandémica no que toca às decisões relativas às Regiões Autónomas e o Governo dos Açores continua submisso.
Estamos a andar para trás anos luz nas conquistas da Autonomia com os ataques que Marcelo, Costa e Catarino estão a desferir contra os Açores e a Madeira, mas isto são contas que certamente serão pedidas na altura própria.
A última desorientação tem a ver com o número limite de passageiros a viajar na TAP, de Lisboa para os Açores e Madeira, a tal que transporta tudo o que aparece, desde não-residentes a turistas e até infectados foragidos…
Na semana passada o Secretário de Estado Adjunto e das Comunicações, Alberto Souto de Miranda, publicou no Diário da República um despacho que desobrigava os voos da TAP a cumprir com a regra de limite máximo de um terço da ocupação.
Uma aberração, pois permitiria todos ao molhe dentro do avião a caminho das Regiões Autónomas.
Desconhecemos como reagiu o Governo dos Açores, mas sabemos que o da Madeira, como vem sendo habitual nesta crise, deu mais um murro na mesa em defesa da protecção dos madeirenses.
Barafustou junto da República e, de imediato, obteve a promessa de que a asneira ia ser corrigida.
Ao fim do dia lá vinha a correcção com outro despacho do Ministério dos Transportes, repondo o limite que já tinha sido definido.
A República quer mesmo infectar-nos.
O que virá a seguir?

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Quarta, 8 de Abril – Porque é que os comunicados do Governo dos Açores, sobre o estado de emergência, indicam que as decisões foram tomadas com o conhecimento do Representante da República, e o comunicado do Representante da República, emitido na passada semana, sobre os limites de circulação na Páscoa, não faz nenhuma referência ao Governo dos Açores?
Afinal, quem manda nesta Região?

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Quinta, 9 de Abril – Não é estranho que a Autoridade de Saúde dos Açores desaconselhe o uso generalizado de máscaras pela população, enquanto a Direcção Geral de Saúde já emitiu uma norma a incentivar o uso (“é um acto de altruísmo”) e o Governo da Madeira até distribuiu máscaras gratuitas por toda a população?
A norma açoriana baseia-se em que teoria da Organização Mundial de Saúde? Ou é por não querer admitir que não há máscaras suficientes para distribuir?

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Sexta, 10 de Abril – O mais provável é que também não hajam reagentes suficientes para se massificar os testes, sobretudo em S. Miguel. Mandar doentes que estavam internados para os lares de idosos sem terem efectuado testes é de uma grande irresponsabilidade. Não se percebe este racionamento de testes. Foi o racionamento inexplicável que criou o pandemónio no Hospital de Ponta Delgada. E os enfermeiros avisaram a tempo. Agora, já depois do mal estar feito, é que tentam apagar o incêndio.
No segundo voo à China tragam mais testes.

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Sábado, 11 de Abril – “Quando os Açores precisam da SATA, a SATA responde: Presente!”, disse-nos o Presidente do Governo.
Ora aqui está um belo slogan para o nosso governo aplicar também na EDA.
Sabemos que no próximo mês de Maio os accionistas da EDA vão reunir para a distribuição de dividendos.
O Governo dos Açores, sendo o maior accionista, vai permitir a distribuição de dividendos no meio desta crise ou vai, também, lembrar-se que a EDA deve dizer “Presente!” a todos os consumidores açorianos agora com menos rendimento?

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Domingo, 12 de Abril – A SATA vai à China, mas parece que custa muito descolar de Santa Maria e fazer escala em S. Miguel para deixar as grávidas daquela ilha a caminho do hospital.
As marienses têm que fazer um ’tour’ pelas outras ilhas (como disse uma das grávidas), chegando ao seu destino quatro horas depois, numa viagem que poderia durar 15 minutos.
Numa destas viagens uma grávida sentiu-se mal, depois de ter descolado da Horta, e a aeronave teve que regressar.
Não se pode corrigir isto? Perguntam as grávidas de Santa Maria.

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Segunda, 13 de Abril – A Comissão Europeia pretende que os Estados-membros prolonguem até 15 de Maio a interdição de entradas “não essenciais” em território europeu, medida que foi adoptada a 17 de Março como forma de prevenir a propagação da pandemia de COVID-19 e que deveria vigorar por 30 dias.
O governo português aprova a decisão europeia.
É o mesmo governo que mantém a TAP a viajar para as Regiões Autónomas, contra a intenção dos respectivos governos regionais.
É difícil interpretar certas decisões, que pertencem ao domínio da hipocrisia política.
Até quando nos vão espezinhar?

Abril 2020
Osvaldo Cabral
(Diário dos Açores, Diário Insular, Multimedia RTP-A, Portuguese Times EUA, LusoPresse Montreal)

Image may contain: Osvaldo José Vieira Cabral

quando o mau jornalismo expulsa o bom

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«Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais. Daí que se torne um bocadinho irritante que o conselho deontológico do Sindicato dos Jornalistas se refugie numa espécie de “recordatórias”, enviadas às direções de informação, ora sob a forma de notas ora sob a forma de cartas abertas a pretexto da Covid-19 para, em menos de um mês, alertar repetidamente para que as direções de informação, dos vários meios, velem pelo escrupuloso cumprimento das mais básicas regras da profissão por parte dos seus jornalistas.
É caso para perguntar: esta repetida pedagogia deve-se exactamente a quê? Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo?

Não querem chamar os “bois pelos nomes” e temem que acabemos todos num pântano onde nos afogamos coletivamente reciclados com o lixo das redes sociais? Se sim, cabe informar então que, lamentavelmente, descobriram tarde e o risco é grande. Cada vez maior. Nisso têm toda a razão. No jornalismo como na economia “a má moeda” acaba por eliminar “a boa moeda”. Não é novo e já está a acontecer.
E o público foge e começa a estar farto? Pois. E começa a tomar a parte pelo todo? Sem dúvida. Daí o desafio: não ceder. Não ceder. Não ceder. Escrutinar ainda mais. Não cair na voracidade de ser sempre os primeiros. Não dar voz ao falso, para corrigir de imediato. Em “fact check” logo a seguir as próprias notícias. (…)»

[Graça Franco, Rádio Renascença, 14/04]

Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos …

pneumónica nos açores 1918 mortos por idade, sérgio resendes

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Óbitos por idade, São Joaquim em 1918.
Claro que a natalidade infantil batia, como sempre, recordes.
“[…] Apesar de no registo não constar a causa de morte, verifica‑se a predominância de jovens, uma das caraterísticas da gripe “Espanhola”, nomeadamente a faixa etária entre os 15 e os 40 anos, correspondente a 37.8% dos óbitos ocorridos durante esses três meses (116 casos). A predominância é do sexo masculino, cujos féretros são cinco vezes mais do que a média dos outros meses (entre 1917 e 1919), e no caso feminino, três vezes mais. Estudos similares, embora não tão profundos, fazem jus a este terrível ano em cemitérios de freguesia, nomeadamente o da Ponta Garça.[…]” in “A Grande Guerra e os Açores: da estratégia naval à Pneumónica”, Letras Lavadas, 2019.

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  • Santos Narciso Delicio-me a aprendo lendo os seus escritos. Obrigado, Amigo que considero Professor. Abraço