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Ontem apanhei o jardineiro antes de jantar e veio hoje (nunca tinha demorado 3 horas), pois o mato leva um metro de altura outra vez. Esteve cá a 20 julho mas cresceu desmesuradamente.
Hoje, ao acordar, lembrei-me de que não vivo para o amanhã (nem sequer sei se ele existe ou se eu existirei), mas para hoje e para as memórias do passado; são elas que me alimentam neste triste interlúdio de vida sem Nini, a que alguns chamam de vida. É preciso viver os dias como se o amanhã não existisse mais…
Muitas vezes disse à Nini coisas do género “Vive, ama e goza a vida, como se não houvesse amanhã!” e a verdade é que não havia amanhã, nem sabíamos quando não chegava. Amanhã o hoje será apenas um ontem, lembrança, sonho. Os dias são flores, murcham e não voltam mais, é preciso encontrar os jardins. Nem sempre a doença dela deixava.
Todos os dias escrevíamos uma página nova na nossa História, umas melhores que outras, umas mais coloridas que outras, mais cinzentas. Já tínhamos feito as grandes mudanças antes, já tentávamos não adiar nada que pudesse esperar. Fruindo o que podíamos, quando a doença dela deixava pois já controlava os nossos dias.
esta noite outro
Mais um sonho impossível, estávamos numa praia perto de Caminha, e encontramos um casal amigo da Nini, que ela não via há décadas, e sabendo que já não tínhamos casa lá, indicou-nos outra casa junto à praia para alugarmos Nem conheciam o João e tinham visto o Miguel e a Bé ainda na adolescência. Sei que tenho saudades do nosso “love-nest” de Caminha onde tudo começou em fevereiro 1975, este tem explicação simples, o regresso ao sítio onde começamos a ser felizes, saudades de caminha e da Nini.
