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LAWRENCE FERLINGHETTI
(24.03.1919 – 22.02.2021)
NAS MAIS GRANDIOSAS CENAS DE GOYA
Nas mais grandiosas cenas de Goya parece-nos ver
os povos do mundo
no preciso e primeiro momento em que
conquistaram o título de
«humanidade sofredora»
Contorcem-se nas páginas do álbum
num acesso de raiva
da adversidade
Empilhados
gemendo com bebés e baionetas
sob céus de cimento
numa paisagem abstracta de árvores explodidas
estátuas curvadas morcegos asas e bicos
patíbulos escorregadios
cadáveres e órgãos carnívoros
e todos os monstros finais e tão gritantes
da
«imaginação da catástrofe»
são tão sangrentamente reais
que é como se existissem realmente
E existem mesmo
Só a paisagem é que mudou
Estão ainda perfilados ao longo das estradas
pejadas de legionários
moinhos falsos e galos dementados
São as mesmas pessoas
apenas mais longe de casa
em estradas largas com cinquenta faixas de rodagem
num continente de cimento
espacejado a maciços de cartazes
que ilustram imbecis ilusões de felicidade
A cena mostra menos carros com condenados
mas mais cidadãos mutilados
em automóveis pintados
com números de matrícula muito estranhos
e motores
que devoram a América

Convidado pelo poeta norte-americano Jack Hirschman, participarei, hoje à noite, na sessão de homenagem a Lawrence Ferlinghetti, que tive a fortuna de conhecer em Lisboa, no dia em que completaria 102 anos. Este será o texto que irei ler em português. O poeta norte-americano Scott Edward Anderson lerá o mesmo texto em inglês. É uma honra enorme participar neste evento.
For Lawrence Ferlinghetti
As you used to say, Lawrence, love is hard to come by when you are older and, …
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