Views: 3
Os versos
Não raro encontro as raízes dos álamos
entre dois versos,
enquanto me debruço sob a luz do candeeiro,
o inverno a perder-se pelo lado da rua
num vagar de neblina e humidade.
Não tenho roupa que me aqueça da solidão,
derrube as colunas de cinza
em redor dos minutos.
Escrevo junto à ombreira da porta
desta cidade onde vagueiam cães
e melancolia.
Oiço o tilintar de talheres
da última ceia.
Por fim o arrastar de passos até às cortinas.
Num gesto de repulsa fecham-se
ao olhar de quem observa deste lado
o incrível ritual do tempo.
Entretenho na rua um pensamento de chuva.
Sinais de tempestade
perseguem um frio clamor
entre dois versos,
lado a lado
com a noite infinita.
/Eduardo Bettencourt Pinto
Fotografia: Null Xtract

Fernando Martinho Guimarães, Jorge Arrimar and 14 others
5 comments
Like
Comment
Share
5 comments
Most relevant
-
Gina Sousa“Os Versos “ vão com a poesia da tua fotografia

Gostei muito .Agradeço teres partilhado . Uma continuação de noite acompanhada das musas da poesia, do silêncio e do Inverno . Um abraco com carinho
-
Like
-
Reply
- 4 h
“Most relevant” is selected, so some replies may have been filtered out.-
Eduardo Bettencourt PintoMuito obrigado, Gina. Gostava de ser o autor da fotografia mas ela é não é minha mas de Null Xtract, pseudónimo. Um abraco também para ti. Boa noite.
1
-
Like
-
Reply
- 4 h
View 1 more reply -
Artur GoulartBelíssimo poema. Obrigado pela partilha. Abraço-
Like
-
Reply
- 1 h
Luis GaivaoMuito bonito! Lindo, Eduardo. Abraço-
Like
-
Reply
- 29 m
Write a comment… -