Zeca Medeiros no MED: “A minha música esteve sempre ligada à viagem” | Antena 1 – RTP

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A vasta obra do açoriano José Medeiros, mais conhecido como Zeca Medeiros, é dedicada ao seu amor maior: os Açores; o arquipélago de onde é natural e ainda hoje vive. Zeca Medeiros apresentou-se, no entanto, no MED, como músico e autor de uma discografia que conta com colaborações com nomes como a Brigada Victor Jara, […]

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Especialistas em furacões estão atentos a um sistema raro no Atlântico Norte, um risco para a Península Ibérica?

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Uma depressão poderá adquirir características tropicais durante os próximos dias a oeste dos Açores, o que é muito raro para um mês de julho.

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património açores

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EM DEFESA DO PATRIMÓNIO
Muitos de nós, conscientes e apaixonados pela cidade de Ponta Delgada, interrogamo-nos sobre o que fizeram, ou estão fazendo, do antigo mercado? Que alterações estão a ser realizadas no centro histórico, em particular na praça do município? Porque foi retirada uma estátua e colocada outra no adro do santuário da Esperança? Como pode um particular alterar a fachada de azulejos de um edifício centenário? Como tudo isto acontece, sem se ouvir as pessoas?
O adro de uma igreja, a praça do município, a fachada de um edifício com história, não são pertença apenas dos seus proprietários, porque nos contam a história da comunidade e integram o seu património. Património é uma palavra cheia de história e memória, um vocábulo com raiz na palavra “pais” que nos remete para a herança que recebemos das gerações anteriores. Por isso, todas as vezes que esse património é destruído, adulterado ou preservado, a geração que o faz mostra o valor que lhe atribui. Falar de património, não passa apenas por estruturas edificadas, monumentos, castelos ou palácios. Basta ver o que a Unesco classifica como património, para concluir da importância do valor subjetivo e simbólico, imaterial, que lhe está associado, como acontece com o reconhecimento de rituais, danças, formas de ser e fazer ou cantares, como é o caso do Fado em Portugal. A manutenção do património é, sem dúvida, um dever comunitário e um compromisso implícito para quem assume responsabilidades políticas, na defesa do bem comum. Nada do que nos deixaram nos pertence, apenas somos guardiães desses bens, da cultura material ou imaterial, que nos distingue dos outros. Defender e preservar o nosso património não significa recuar ou parar no tempo, mas reconhecer a estrutura identitária que nos molda como povo, ou seja, a cultura, a história e as pessoas que nos antecederam. Sempre que, por razões de funcionalidade ou melhor adaptação às exigências do presente, é necessário intervir no património edificado, seja uma casa rural ou um edifício classificado, quem o faz tem de o estudar, conhecer e participar essa intenção à comunidade, porque o bem em causa não lhe pertence, mas faz parte da herança que todos recebemos.
Alguns apenas consideram necessário o estudo do património, quando se trata de objetos arqueológicos ou com muitos séculos de vida. Não, o património é todo o lugar, espaço, saber ou equipamento que nos permite melhor conhecer quem somos e porque estamos aqui, porquê a nossa cidade tem esta forma ou esta ocupação urbana. Ler o património é como reconhecer numa carta, a vontade de quem a escreveu. Assim acontece com a herança recebida. Pode acontecer que a intervenção seja, “supostamente”, para melhorar o quotidiano das pessoas, mas mesmo nessas ocasiões nenhum responsável político pode achar que tem o direito de por e dispor, construir ou destruir, avançar num projeto ou alterá-lo a meio do processo. Todas as intervenções que “mexam” com o património têm de ser objeto de concurso, discussão pública, o mesmo é dizer, respeitar a história, envolver os cidadãos e ouvir a sua sensibilidade. O património não é uma cláusula de legislação nem uma questão que alguns insistem em trazer à discussão pública, representa defender quem fomos e somos e o que queremos deixar a quem receber, de nós, esse património.
(artigo publicado no diário Açoriano Oriental)
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O vinho feito “100% com ananás dos Açores” é único na Europa. Todos querem provar – NiT

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“O ananás é o rei da fruta e a fruta dos reis. Nós por cá preferimos dizer que é o símbolo da hospitalidade e uma paixão muito nossa.” Luís Dias, o proprietário da Herdade do Ananás, em Ponta Delgada, São Miguel, no arquipélago dos Açores, homenageia o fruto desde 2018. Desta vez, porém, apresenta-nos uma … Continued

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Sismo de magnitude 2,9 na escala de Richter sentido em São Jorge – Observador

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O sismo foi registado às 23h51 locais (00h51 em Lisboa) e teve epicentro a cerca de seis quilómetros a sudeste de Ribeira Seca, na ilha de São Jorge, segundo o CIVISA.

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80% da população com menos liberdade de expressão do que há 20 anos – ECO

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Portugal aparece no 15.º lugar, com 87 pontos (de 0 a 100), após uma queda de sete lugares face ao ano passado. Os primeiros 13 lugares da tabela são todos ocupados por países europeus.

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O BURLÃO FOI APANHADO

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Homem apresentou falsos comprovativos de transferências bancárias para burlar alojamentos locais e rent-a-car na ilha de São Miguel
Um Colectivo de Juízes do Tribunal de Ponta Delgada vai julgar um caso que, à falta de melhor expressão, se pode caracterizar como ‘pouco habitual’. Falsificação ou contrafacção de documentos; burla simples; burla para obtenção de alimentos, bebidas ou serviços e furto simples são os crimes de que vem acusado um homem de 46 anos de idade, residente na Fajã de Baixo. Em causa estarão algumas estadias em alojamentos locais (AL) e até o aluguer de uma viatura numa rent-a-car da ilha de São Miguel que acabaram por nunca ser pagos. Mas como conseguiu este indivíduo enganar e, até este julgamento, escapar incólume a estes crimes?
Para responder a essa pergunta é necessário recuar até ao dia 1 de Junho de 2021. Nessa data, um proprietário de um alojamento local na freguesia de Santa Cruz, concelho da Lagoa, dirigiu-se à Esquadra da PSP para apresentar uma queixa. O proprietário do alojamento local explicou que tinha acordado com o arguido, através de plataformas electrónicas, que este último pagaria 285 euros por uma estadia de 7 noites (entre 27 de Maio e 2 de Junho). O arguido até lhe terá enviado um comprovativo de transferência bancária mas, como no dia 1 de Junho, o montante acordado ainda não tinha entrado na conta do proprietário do AL, este decidiu dirigir-se até à habitação para se inteirar da situação. Quando lá chegou, percebeu que o homem de 46 anos já não se encontrava hospedado no local e lhe tinha furtado uma guitarra eléctrica, um violino eléctrico, uma viola, uma powerline, uma máquina de escrever e ainda dois candeeiros a petróleo. O queixoso demonstrava ainda preocupação pelo facto de o arguido ter ficado com a chave da habitação, temendo por isso, que este regressasse ao local.
Após realizar uma busca à sua base de dados, a PSP percebeu que já pendiam sobre este homem mais de 20 processos em que este teria utilizado a mesma metodologia noutros locais da ilha de São Miguel.
De acordo com a acusação do Ministério Público, o arguido terá permanecido neste alojamento local da Lagoa apenas dois dias, já que ao terceiro dia, o proprietário iria perceber que o dinheiro da transferência não tinha ‘caído’ na sua conta bancária. Também caricato neste caso, é o facto de o homem de 46 anos ter pedido ao ofendido que este lhe arranjasse uma boleia de Ponta Delgada para a Lagoa, algo que acabou mesmo por suceder.
No decurso de uma investigação realizada pela PSP da Lagoa e após interrogar o suspeito, foi possível perceber que este terá vendido os bens furtados a um proprietário de um estabelecimento de restauração na cidade da Lagoa por 25 euros. O dinheiro desta transacção foi depois utilizado para a compra de droga. O homem que lhe comprou os bens furtados, de 53 anos, irá também responder em Tribunal por esse crime.
A Acusação refere que o arguido terá conseguido enganar o ofendido, apresentando uma cópia de uma transferência bancária antiga. No processo, consultado pelo Correio dos Açores, é igualmente referido que o arguido “é já conhecido” da polícia e é alguém que faz dos furtos e dos crimes de burla “um modo de vida”.
Mais burlas a alojamentos locais
Para além dos factos acima descritos, acabaram por ser apensados a este processo mais alguns crimes alegadamente praticados por este homem de 46 anos de idade. Um deles ocorreu a 8 de Abril de 2021, quando este abasteceu o carro que conduzia com 58,65 euros em combustível e fugiu do posto de abastecimento sem pagar. Mas regressando aos crimes contra os alojamentos locais, constam ainda da Acusação do Ministério Público outros episódios. O primeiro deles data de 21 de Maio de 2021. Nesse dia, o arguido deu entrada num AL localizado na cidade de Ponta Delgada. A estadia seria por 5 dias a troco de 420 euros e mais um facto curioso em todo este processo; no falso comprovativo de transferência enviado pelo arguido constavam 20 euros mais. Alertado para esse pormenor, o homem terá ainda dito ao proprietário deste AL que não haveria qualquer problema e que esse montante ficaria como pagamento extra. Na data em que deu entrada neste alojamento local, o arguido não apresentou a sua identificação, tendo o proprietário suspeitado ainda pelo facto de o homem não trazer qualquer tipo de bagagem. Após ter contactado a sua entidade bancária e percebido que não havia qualquer transferência do arguido, ainda tentou contactar o suspeito que nunca respondeu a qualquer mail ou mensagens enviadas. O homem de 46 anos conseguiu abandonar o local sem ser detectado e, para além de ter deixado um prejuízo de 420 euros, consumiu ainda várias bebidas do bar do quarto em que ficou hospedado num valor estimando de 40 euros.
Alguns dias mais tarde, concretamente a 18 de Junho, o arguido voltou a utilizar o mesmo método para burlar um outro alojamento em Ponta Delgada. A reserva para duas pessoas, pelo período de 3 noites e com um custo acordado de 351 euros, acabou por ser usufruída mas voltou a nunca ser paga. O arguido abandonou o local passados dois dias e nunca regressou.
Rent-a-car enganada
Não terão sido apenas AL’s as únicas vitimas das burlas deste arguido. A 11 de Dezembro de 2022, um dos proprietários de uma rent-a-car na ilha de São Miguel apresentou procedimento criminal contra este homem. O carro, Opel Corsa, arrendado por 320 euros, deveria ter sido devolvido à rent-a-car nesse mesmo dia mas o homem acabou por não o fazer. Antes disso, a rent-a-car ainda tinha tentado, quando deu conta que o valor acordado não tinha sido efectivamente transferido, contactar o arguido mas sem sucesso. Dois dias mais tarde, um elemento da PSP que se encontrava em patrulha nos Fenais da Ajuda localizou a viatura estacionada. O carro acabou por ser apreendido e transportado para uma esquadra próxima.
Luís Lobão, Correio dos Açores
May be an image of 2 people, monument and text that says "mL 13 JUL 2023"
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Joao Francisco Ferreira

Bela forma.de dar a volta ao mundo, dois em dois dias saltando de cidade para cidade.
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FINADOS EM TIMOR LESTE

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MUSEU VIRTUAL DE TIMOR LESTE
O cristão/católico e o profano/”pagão” na vida dos timorenses.
No photo description available.
FINADOS EM TIMOR LESTE
Ainda a propósito da polémica sobre se os mortos (ou as almas deles) precisam, ou não, das oferendas, comuns no dia de Finados, lembrei-me de 2 coisas.
Uma, o interessante conceito “catolulik”, trazido à luz pelo(a) misterioso(a) poeta Dadolin Murak, juntando as palavras “católico” e “lulik”, que significa “sagrado”, e que sintetiza a forma como o profano e o sagrado se juntaram, numa forma em que já é difícil perceber as fronteiras de um e outro.
A segunda, este texto de Dom Carlos Ximenes Belo, em que ele descreve detalhadamente a forma como os timorenses em geral celebram esta importante data, em que se lembram os que já partiram, mas que tem também funções de reunião e reforço dos laços familiares, de vivência comunitária e de partilha. (este relato é sobre as tradições na zona de Baucau- cada região tem tradições ligeiramente diferentes, mas na maioria, misturam a participação nas cerimónias religiosas católicas com as práticas Lúlik (do sagrado pagão ou animista).
Deixo no final um link para um texto também interessante, do Joao Paulo Esperanca, em que ele fala um pouco desta miscelânea de culturas, que forjou a cultura moderna timorense.
“Texto de: D. Carlos Filipe Ximens Belo, SDB
Publicado em: SEARA, edição Novembro de 2011, P. 30-32.
Na cultura Cristã e na cultura Timorense há um ponto de coincidência que é os vivos relembraram os entes queridos, os antepassados e os familiares e amigos. Na tradição cristã, a liturgia consagra o dia 2 de Novembro a memória dos fieis defuntos desde os inícios dos séculos XI.
No Credo, os cristão rezam:”creio na ressurreição da carne ou seja, na vida eterna”. Ressurreição da carne significa que depois da morte, não haverá somente a vida da alma immortal, mas também os nossos ”corpos mortais” Retomarão a vida (Cf Roma 8, 11). Crer na ressurreição dos mortos, foi desde os seus princípios, um elemento essencial da fé cristã. Nosso Senhor Jesus Cristo havia dito:”Eu sou a ressurreição e a vida(Jo 11,25)”. Ser discípulo de Jesus Cristo é ser testemunha da ressurreição.
E os Timorenses, como encaram a morte e a vida ”do além”? antes da entrada nos cenários, os Timorenses eram animistas e acreditavam na existência de um ente supremo, MAROMAK, sinónimo de naroman, que significa “brilhante”, “luz”. Em 1975, a Fretilin publicava a um jornal chamado NAKROMAN (luz). Apesar de crerem na existência de Maromak, os Timorenses cultivam especial culto aos espíritos dos antepassados e aos “lulik”.
Os antepassados são venerados como fonte de vida e protectores dos vivos. Acreditam que são os antepassados que preside os destinos da família e protégé os membros. Por isso, quando alguem morre, os Timorenses realiza cerimónias, como hader mate, hakoi mate, tau ai-funan moruk, ai-funan midar, foti Kruz e Kore metan, etc. O saudoso padre Ezequiel Enes Pascoal, missionário, literato e poeta, escreveu: ”uma das crencas mais arraigadas entre os Timorenses é de que os mortos (…) se imiscuem no destino e nas actividades dos vivos. Se estes são solicitos em prestar-lhes os obséquios e deveres tradicionais, como sejam as ofertas das primícias na colheita do milho e do arroz, de arroz ou milho cozidos, na inauguração duma nova casa ou a colocação dos mesmos sobre as sepultures em certas ocasiões, tudo lhes corre bem e gozam de boa saúde. Se, pelo contrário, são remíssos no cumprimentos desses deveres, a doença e outros malefícios não deixam de os apoquenetar, os natives crêem que os mortos aparecem em forma humana a que, em tetum chama mate klamar” (A Alma de Timor vista na sua fantasia, P. 159). Seria interessante descrever tudo o ritual a volta do “hakoi mate” (funeral e enterro). Mas, vou cingir-me ao dia dos fieis defuntos. Como é celebrado este dia, por exemplo, em Baucau?
No dia 2 de Novembro, os que são cristãos vão a Igreja ouvir a missa (rona missa). Por volta das oito ou nove horas de manhã, chegam os familiares e parentes. Segundo o costume, é-lhes oferecido, em primeiro, o malus fatin ou kohe, contendo malus (betel), bua (areca), ahu (cal) e tabaco. Depois de mascarem e fumarem, é-lhes oferecido um copo ou uma caneca de àgua para lavaram a boca; segue-se o “matabicho/matabixo” que consiste em comer fatias de pão (comprador na loja dos Chinêses), bolachas, batata-doce frita, banana frita, amendoim, milho torrado, café e/ou chá. A seguir prepara-se o futo-ai-funan (preparação de capelos e ramalhetes de flores). As crianças que de manhã cedo tinham percorrido as terras vizinhas colhendo flores, trazem cestos (lafatik) cheio flores de mais variadas cores. Alguns homens preparam o chamado “capelo” feito da haste de palmeira ”akar ou tali-tahan”. As mulheres, sentadas numa esteira estendida na varanda ou no pátio, escolham as flores que começam a ser “atadas” e nos capelos, flores essas entrelaçadas de folhas. Entretanto, na cozinha, uma barraca improvisada na véspera, outras mulheres a fadigam-se em voltaa das lareiras cozendo panelas de arroz e de katupa.
Os homens essses matam um cabrito e dois porcos e preparam a carne para a cozinha. As senhoras tendo como dirigente principal um cozinheiro da administração seguir, cozem a carne (tein modo) em tachos e panelas a especiaria denominada “modo” leva condimentos como cebola, sal, alho, e uma espécie de erva “duut morin”. Concomitantemente, outros homens preparam outro tipo de iguarias, isto é, assam ao lume a cabeça do porco e do cabrito. Numa pane la, a parte, são cozidos o braço do cabrito, parte do figado e do coração e, que por serem lulik só serão reservados aos mais velhos. Enquanto, decorre esta azáfama, o katuas, lulik nain (sacerdote gentílico) ou ancião da aldeia leva pedacinhos de carne (fígado, coração) num “kohe”, para oferecer aos espíritos dos antepassados, num local escondido, atrás dos arbustos e piteiras e cactos. Nesse local, havia umas lajes sobrepostas situadas ao pé de àrvore centenária, um Hali, ou gondoeiro. Alí, o velho depôs os cestinho de arroz de carne, e outro de areca, betel e cal. Longe da barulheira o velho fez as suas rezas. Ao meio-dia tem lugar do almoço. Comem primeiros os homens. Não se sentam a mesa mas todos, sentados em semi-circulo, numa esteira estendida de baixo de uma tenda.
O arroz é servido em pratos de folhas de akadiru; o tuaka (vinho) em copos de bambo; o “modo” (iguarias de carne ), em espécie de uma travessa feita de uma membrane da arequeira. Nesta ocasião, os membros do clã dos fetosa não podem comer a carne do cabrito; e os do clã de umanee , não podem comer a carne do porco. Terminado o almoço, os homens retiram-se para as sombras de um grande ai-kamí, e dão ao início ao tesi-lia, durante o qual dois anciãos representantes, um da facção dos fetosa e o outros dos umane, debate a questao das relações ou alianças ique eram cultivadas e mantidas “na antguidade” pelos seus antepassados; falam de relações que devem continuar a existir nos tempos que decorrem. Mas o ponto fulclar do debate era a questão do barlaque, e sobretudo a dívida que ainda persistia entre os fetosa e umane. O lia-nain dos umane argumentava que o dia dos matebian era uma boa ocasião para que os fetosa entrgasse o resto do que ficou acordado no ano anterior: um buffalo, uma cavalo e um surik. O representante dos fetosa rebatia dizendo que ele e os seus parentes, até a data, ainda não tinha recebida o que os umane haviam prometido: 2 porcos e 3 cordas de mortem. O debate animava-se, e os assistentes, mascando bua e malus davam vivas e haklalak apoiando o seu interlocutor…
Como conclusão, pois estava a próxima a hora para ida ao cimitério, são renovados os acordos: as famílias do lado de fetosa deveriam continuar a fornecer buffalos, cabritos e surik (espada de makassar) as famílias de umane, nas grandes ocasiões, como a construção de casa lulik; no casamento; no funeral de um parente e na colheita de arroz. E os membros de umane continuariam a dar porcos, panos de Timor, mortem ou mutissala (cordões de pedras preciosas).
Seguiu-se o almoço das senhoras, e só no fim, o dos jovens e das crianças. Por volta das quarto horas da tarde, organizou-se a procissão para o cimetério (Bibi-dala). Para a deposição de flores nas sepultures dos antepassados e dos parentes recentemente falecidos. Chegados ao local, todos permanencem em siléncio. Observado este ritual, a mulher do katuas lia-nain manda distribuir os kapelos de flores e uma vela, a cada um dos presents, começando pelas mais importantes: o liurai, o dato, o ancião, o mestre, catequista, o enfermeiro e o guarda-fio, por fim, os homens e os jovens. Chegou a vez das senhoras: a prioridade era dada liurai feto, seguindo-se a professora, a catequista, …etc. aos adolecentes e crianças são entregues ramalhetes de flores ou, apenas um punhado de pétalas. Todos depõem sobre a campa e, a seguir, ascendem as velas. Durante este tempo, reza-se o terço ou seis Pai Nosso, seis Ave Marias e seis Glórias. Finda a oração, era a vez do ancião, colocar sobre as sepultures um cestinho com betel, areca, cal e tabaco, e um prato de folha de akadiru (lutero) contend arroz e pedaços de carne.
Terminado este acto de sufrágio e de comemoração todos regressam à aldeia, onde será servido o juntar “gentílico”. À hora da chegada, a entrada do pátio, todas as pessoas são aspergidas com àgua de coco por um ancião, usando como hissope um ramo de ai-ata(anona). Na varanda trageira da casa, estava estendida uma esteira onde foram colocados objectos pertencentes aos antepassados, retirados da casa lulik: sete surik (espadas), sete tais (panos de Timor), sete kohe (bornal de folha de palmeira), pratos chinee ses antigos, uma rota (bastão), belak (discos de ouro ou de prata), kaibauk (mei luas de ouro ou de prata), mortem, sete pratos de katupa, sete pratos de carnee e sete copos de bamboo contendo tuaka. Entretanto, todos os membros dois clãs (fetosa e umane ) já se haviam reunido à volta da esteira levando cada pessoa, uma vela ou um “kesak de kamii”. O sacerdote gentílico, em silêncio, murmura umas orações imperceptíveis. Certamente estaria a impetrar juntos dos matebian, favores, graças e benefícios sobre os vivos, sobre os campos de arroz(natar) e de milho (toos), sobre o gado (kuda, karau no bibi)…etc. a assembleia permanence em profundo silêncio.
Por fim, o ancião, em voz alta, declara: “que para o ano, não entrem, nem doenças, nem desgraças nos nossos lares e povoações…que haja abundância de chuvas para a cultura de arroz e de milho; que os animais tenham crias…. Que a fonte da aldeia não venha a secar…. E que os nossos filhos que estão no tasi balu (estrangeiro) estejam de saúde e voltem depressa….”. Feita esta cerimónia “gentílica” segue-se o jantar. A noite é passada com jogos de cartas, conversas amenas intercalados com canções. A vigília prolonga-se a até o surgir da estrela matutina. Ao promeiro cantar do galo (cerca de três horas), começa a devandada. Os fetosa regressam à suas aldeias levando um porco e um Tais. E os umane, um cabrito e um surik de Makassar. Neste dia de matebian, os antepassados foram, mais uma vez recordados. E a aliança entre fetosa e umane ficou mais vez selada. É, um ramo de ai-sukaer (tamarindo), mais um chifre do cabrito ficou alí pendurado….. a recordar aos vindoros este memorável dia. É por causa destas e doutras razões, que os Timorenses, todos os anos, regressam às suas aldeias de orígem para celebrar do dia dos finados ou de matebian. (SEARA, Novembro de 2011, P. 30-32).”
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