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O Inferno, por via dos catecismos e a complacência das velhas e engenhosas pedagogias, foi construído na mente de cada um de nós como esse tenebroso caldeirão cremador que nos esperará no “além”, caso os nossos passos, por cá, sigam arredios das convenções divinas. Desse jeito, numa permanente inquietação perante o mistério da morte, tudo seria visto mais ou menos assim: a alma dos que morrem arredios dessas “convenções”, terá, na melhor das hipóteses, um lugar no Purgatório (lugar transitório a que escapará após um período de purgação das suas faltas e com o contributo dos apelos e esmolas de quem por ela interceda do lado de cá…), e, na pior, terá à espera esse tal caldeirão de onde não haverá retorno. E com ele, a garantir o castigo implacável, lá estará, vigilante, o capitão das trevas, corpo peludo, cornos de chibo, rabo longo e retorcido e garras nas mãos e pés, que o povo, para evitar nomear (porque dar nome é dominar, é conferir estatuto íntimo, especial – dizem os filósofos), persiste em chamar de belbezu, chifrudo, demonho, dianho, diabelho, galhudo, rabudo, mafarrico, lusbel, lúcifer, anjo-papudo, inemigo, facanito, plascas, zarapelho, satanás, tição-negro, tardo, mefistófeles… por aí adiante.